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Minha lista interminável de leitura

atualizada em wiki

Depois de ler as últimas páginas e chegar ao fim do livro, ele relaxou. Que história fantástica tinha sido aquela.

Colocando o livro sobre a mesinha de centro, pegou o caderninho que levava no bolso, pronto para passar para o próximo livro de sua lista de leitura. Franziu a testa ao notar que ela estava vazia.

"Ora," — ele pensou — "não é que eu finalmente terminei de ler tudo o que eu queria ler na vida?".

Acordou, em seguida, suando frio apesar do calor que entrava pela janela do seu quarto. Que pesadelo!

Microconto que escrevi de improviso quando tive a ideia pra essa nota. Qualquer semelhança com meus hábitos de leitura e minha lista interminável de livros é absolutamente intencional.

Quando escrevi uma resenha sobre "As vacas não olham mais na minha cara", que eu tinha acabado de ler, recebi um e-mail da Laine, que além de me dar boas dicas de leitura nacionais — engordando minha lista de leitura —, disse também que ia dar uma chance ao livro das vacas e incluí-lo na lista infinita de leitura dela.

Quando li aquilo, parei.

Cheguei à conclusão de que sou dono de uma lista de leitura que provavelmente nunca conseguirei terminar. Na verdade, suspeito que ela cresça mais rapidamente do que minha capacidade de ler.

Em novembro de 2026, estou lendo cinco livros simultaneamente. Enquanto isso, continuo acrescentando títulos à minha lista sempre que encontro uma recomendação interessante, descubro um autor ou simplesmente me deparo com uma história – às vezes um mero título, às vezes, uma simples mas bem-feita capa — que desperta minha curiosidade.

Não sei exatamente por que faço isso. Talvez seja tsundoku. Talvez minha lista seja uma espécie de anti-biblioteca, aquela coleção de livros não lidos que, segundo Nassim Nicholas Taleb, deveria nos lembrar de tudo aquilo que ainda desconhecemos.

Mas gosto de pensar que existe algo mais nisso. Minha lista não é uma obrigação, nem uma promessa de que um dia conseguirei ler tudo. É um registro das coisas que ainda despertam minha curiosidade.

Duas frases me ocorrem, pois ambas têm relação com manter essa lista interminável de leitura. Uma, a do escritor argentino Jorge Luis Borges:

Às vezes, ao olhar para os muitos livros que tenho em casa, sinto que morrerei antes de chegar ao fim deles; ainda assim, não resisto à tentação de comprar novos. Sempre que entro numa livraria e encontro um livro sobre um dos meus passatempos — por exemplo, a poesia em inglês antigo ou em nórdico antigo —, digo a mim mesmo: 'Que pena que não posso comprar este livro, pois já tenho um exemplar em casa.'

— Jorge Luis Borges, escritor argentino (1899-1986). Trecho de This Craft of Verse (conferências em Harvard, 1967-68; publicado em 2000). Tradução livre minha, para o português.

Outra, uma frase do Daniel Handler, através de seu pseudônimo literário. Essa frase é tão expressiva pra mim que eu cheguei a ter uma camiseta com ela estampada:

It is most likely that I will die next to a pile of books I was meaning to read.

— Lemony Snicket, pseudônimo e persona literária do escritor norte-americano Daniel Handler, para "Desventuras em Série" ("A Series of Unfortunate Events").

É fato assumido por mim, portanto: eu provavelmente morrerei antes de conseguir terminar todos esses livros que eu desejo ler. Mas, pensando bem, não vejo nenhum problema nisso — uma lista de leitura sempre cheia, afinal, é uma lista de oportunidades inexploradas por experimentar.

#leitura

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