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Links podres

atualizada em

Toda vez que eu escrevo uma nota neste site e compartilho, através dela, um link, eu faço uma aposta: a de que a página do outro lado ainda vai existir quando você, que estiver lendo, clicar. É uma aposta que fatalmente se perde com o tempo — e aqui no site, eu decidi tratar esse fenômeno, em vez de fingir que não acontece, ou ignorar.

Fantasma arrastando correntes

De tempos em tempos , o servidor confere os links externos. Quando um deles para de responder, duas coisas podem acontecer:

Se existe uma cópia no Internet Archive, o link passa a apontar pra ela — e para a captura feita perto da data em que eu escrevi, e não a de hoje, ou a mais recente. Isso quer dizer que um link que eu compartilhei em 2005 leva à página como ela era em 2005, porque é o que eu vi quando citei. Ao lado desses links, fiz com que aparecesse um relógio pequeno.

Se não existe cópia nenhuma, não há conserto. Nesse caso, o link continua no texto, mas marcado com um fantasminha e por um sublinhado tracejado, avisando o usuário antes do clique. Achei que ficaria mais honesto do que mandar você para um erro 404 sem nenhum aviso.

Quando ao longo do texto de uma nota houver algum desses dois casos, ele lista isso no fim.

O que eu não faço

Eu não reescrevo o que escrevi antes. O endereço original continua no texto — a troca acontece na hora de servir a página. Se o site um dia voltar do mundo dos mortos, o link volta a apontar para ele sozinho, sem que nenhum texto meu precise ser tocado.

Eu não trato "recusou o robô" como morte. Eu uso um programa para varrer os sites, e muito site responde com erro 403 (Forbidden, ou seja, proibido) ou 429 (Too many requests, ou seja, requisições demais em pouco tempo) a quem não parece um navegador; isso é o site vivo fechando a porta para o meu programa, e trocá-lo por uma cópia velha seria estragar um link que funciona.

Assim, morte de link, pra mim, é só erro 404 (Not found, não encontrado), 410 (Gone, removido) e domínio que não existe mais.

E o que eu faço antes?

Quando publico um texto que contenha links, peço ao Internet Archive que guarde uma cópia de cada um. É essa parte que resolve o problema antes de ele existir: quando o outro lado morrer, a cópia já vai estar lá, e vai ser da época certa.

Isso veio de um número desconfortável. Quando eu fui conferir o meu acervo pela primeira vez, notei que havia 780 links mortos. Desse total, 259 tinham sumido sem deixar cópia em lugar nenhum. E nessa situação, nessa altura, não há nada que se possa fazer. Eles foram embora, e levaram junto uma parte do que eu tinha escrito.

E por que eu me importo com isso?

Simples. O texto de uma nota que perde os links perde metade do que dizia. Quando escrevo "via fulano" ou "como ele conta aqui", o link que está no aqui é parte da frase. Deixar isso apodrecer em silêncio seria deixar o texto ir ficando cada vez menos verdadeiro sem nunca avisar ninguém — inclusive eu mesmo.


Se você encontrar um link quebrado que eu não peguei, me avisa.