Aos amantes de índices onomásticos
No final de setembro comecei a pensar em registrar aqui no site as citações e escritos de outras pessoas, criando florilégios. A ideia tinha finalidade dupla: ajudar minha própria memória na hora de reutilizar essas citações nas novas notas que eu escrevesse — já que eu sempre fui um colecionador compulsivo de citações e frases — e servir como mecanismo para os visitantes desse site (afinal, quem sabe, embora haja poucos que me visitem, quantos também amam florilégios?).
Então, entre 17 e 18 de setembro, eu criei os florilégios aqui no site e também estabeleci um mecanismo para fazer as citações nas notas, com link de volta para cada florilégio individual. Poucos dias depois, no entanto, eu (sendo dono de uma mente extremamente inquieta) já estava pensando que eu podia dar um jeito de indexar as citações por nome de quem tinha citado. Há muita coisa que eu encontro que é apócrifa, mas há os casos em que dá pra comprovar quem citou. Então dei mais um passinho: entre 22 e 23 de setembro, cada citação ganhou "páginas irmãs", para referenciar autor e obra quando elas existissem.
Eu digo às pessoas que tenho mania de organização. Então eu aproveitei pra agregar nessa lista também as citações de livros e artigos — coisas que eu destaquei lendo —, que eu acabo importando do Hardcover e do Screvi (este último, alternativa mais barata e funcional ao Readwise, que eu recomendo). Em 24 de setembro isso estava no ar. Eu estava prestes a chamar tudo isso de "colheita": ora, se tenho um jardim digital onde planto as coisas, me pareceu um nome bom.
Só que minha mente ainda trabalhava: citação, autor, obra, nome. Ainda tinha espaço pra mais melhoria aí. Então puxei da memória minhas aulas de redação da oitava série, na última década do século passado, e pensei comigo mesmo: vou criar um índice onomástico.

Palavrinha difícil, né? Eu juro que o dia que eu encontrar ela fazendo palavras cruzadas, eu volto aqui e colo uma foto. Quem pensaria em índice onomástico pra um humilde site da internet, né?
A minha mente inquieta pensaria.
Então, virado o mês, de setembro pra outubro, fiz mais coisas: primeiro, uma ferramenta que varre as minhas notas públicas atrás de nomes próprios e me deixa classificar tudo: pessoa, personagem, obra (pra livros, filmes, séries e anime), entre outras coisas. Não estava muito inspirado, então ia chamar de "Nomes". Mas faltava coisa ainda.
Eu já tinha começado a mexer com florilégio, lembra? E ao florilégio eu já tinha associado nomes de autores e suas obras (se existissem). Então faltava alguma coisa: ligar tudo isso, jogar tudo no mesmo caldeirão.
Foi quando surgiu minha página de índice, cujo link (agora sim) habita o rodapé desse humilde site — ainda que eu possa querer evoluir a ideia ainda mais, visto que minha mente nunca descansa!
E pronto: em primeiro de outubro eu era o feliz dono do único índice onomástico da small web brasileira.
Só que não. 😅
Sabe quando você está com alguma coisa na cabeça, tipo, quer trocar de carro, de celular, de máquina de lavar, ou mesmo quando sente vontade de ler um livro, e tudo começa a apontar pra aquilo? Você vê o carro que quer na rua, amigos aparecem dizendo que leram exatamente aquele livro, e a internet mostra aquela máquina de lavar?
Então. Isso se chama efeito Baader-Meinhof, ou ilusão de frequência. E aconteceu comigo. Foi só eu começar a falar de índice onomástico com o meu eu interior e eu achei duas pessoas falando da mesma coisa na small web.
Primeiro, foi no blog do TH. Eu saí do Bear Blog pra poder gerenciar meu próprio site — e poder ter liberdade, justamente, pra poder fazer essas coisas que minha mente não cansa de inventar —, mas continuo visitando o discovery feed de lá porque é uma ótima fonte de coisas legais. Eu encontrei um post dele falando de índice e pensei: "Aí, mais um praticante de índice onomástico!". Legal!
Só que dentro do próprio dele? Surpresa! Link pra uma postagem de uma garota de 30 anos, onde ela declarava seu amor por índice onomástico! Sensacional!
Ou seja: não estou sozinho no mundo, e o índice onomástico tem pelo menos três vizinhos adeptos! E mais do que descobrir essa feliz coincidência, fiquei satisfeito por poder adicionar esses dois vizinhos ao meu siteroll: mais gente pra eu ler. E se eu falar deles, talvez, mais entradas pro meu índice onomástico, né?
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