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um ponto de vista é a vista de um ponto

atualizada em wiki

Alguns anos atrás trabalhei com um profissional e ser humano fantástico, de quem me tornei amigo, e com quem aprendi diversas coisas que hoje carrego pra minha vida não só profissional, como o pessoal.

Uma das coisas que ele repetia certa frequência era que um ponto de vista é à vista de um ponto. Entre muitas outras coisas essa frase me ensinou que nunca devemos esquecer que a nossa visão sobre uma coisa, qualquer que seja o assunto, não é necessariamente a verdade sobre aquela coisa.

Tempos depois, me peguei pensando sobre esse meu amigo e sobre essa frase... como sou extremamente curioso, resolvi investigar um pouquinho e descobri que se trata de uma frase que foi popularizada por um teólogo e escritor brasileiro:

Todo ponto de vista é a vista de um ponto.

— Leonardo Boff, teólogo e escritor brasileiro, em A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana, Editora Vozes, 1997, p. 9.

Bem... um ponto de vista é, literalmente, a vista de um ponto. E esse ponto não se limita apenas a uma posição física: é também uma história, uma experiência, um conjunto de conhecimentos, crenças, afetos e limitações.

Duas pessoas diferentes podem olhar para o mesmo acontecimento e enxergar coisas diferentes sem que necessariamente uma delas esteja mentindo ou seja incapaz de compreender a realidade. Elas podem estar observando aspectos distintos dela, a partir de posições diferentes.

Então, meu amigo me apresentou anos atrás a uma frase que é interessante por pelo menos dois motivos diferentes:

A frase torna as nossas certezas relativas: aquilo que nos parece evidente pode ser apenas o que conseguimos enxergar de onde estamos. Ou seja, devemos estar atentos pra não nos deixar levar pelo realismo ingênuo, um dos vieses cognitivos.

A frase é um convite múltiplo: primeiro, pra fazermos um exercício de empatia, tentando compreender de que lugar aquela pessoa está olhando antes de discordar automaticamente. Segundo, pra tomar uma espécie de antídoto contra a arrogância intelectual. Não pra abandonarmos nossas convicções, mas pra gente se lembrar de que o mundo é maior do que aquilo que conseguimos ver dele.


Ah, e também temos que levar em conta que, mesmo quando estamos sinceramente convencidos de que enxergamos o todo, podemos estar enxergando apenas uma parte, tendo uma visão parcial, como na parábola indiana que retrata os cegos e o elefante.

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