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Daniel Santos
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Feeds

Um feed avisa quando algo novo aparece aqui, sem depender de rede social nem de e-mail. Cole o endereço num leitor de feeds e ele passa a acompanhar.

Este site publica seus feeds em Atom, e não em RSS. A escolha não foi de gosto: foram três diferenças concretas que aparecem no dia a dia de um wiki.

Antes do porquê, o de menos importante: sim, Atom é mais moderno, e não só cronologicamente. O RSS 2.0 está congelado desde 2003 e nunca passou por um organismo de padronização — é uma especificação mantida por seus autores, com um "roadmap" que diz explicitamente que ela não vai mudar. O Atom é a RFC 4287, publicada pelo IETF em 2005, escrita justamente para resolver as ambiguidades que o RSS deixou em aberto.

Mas modernidade sozinha não justifica trocar nada. O que justifica é isto:

1. Datas

O banco deste site guarda datas em ISO 8601 — 2026-08-03T14:14:18+00:00. É exatamente o formato que o Atom usa.

O RSS exige RFC 2822, o formato de cabeçalho de e-mail, com nomes de mês e de dia em inglês. Havia aqui uma função que existia só para fazer essa conversão, e todo formato que depende de nomes em uma língua específica é um convite a erro de locale. Ela deixou de ser necessária.

2. Nota editada

Este é o ponto que mais pesou, e é onde a natureza de um wiki aparece.

O RSS 2.0 tem um único campo de data por item: pubDate, quando aquilo nasceu. Não existe forma de dizer "esta nota mudou". E notas de wiki mudam — é o que as diferencia de posts de blog, que nascem prontos e ficam parados.

O Atom tem os dois campos: published e updated. É o segundo que faz um leitor de feeds voltar a mostrar uma nota que você revisou meses depois. Sem ele, uma revisão importante simplesmente não chega a ninguém.

3. Identidade

No RSS, o identificador de cada item costuma ser a própria URL — era o caso aqui, com guid isPermaLink="true".

O problema aparece ao renomear. Trocar o título de uma nota muda o slug, o slug muda a URL, e a URL muda o identificador: todo leitor do mundo passa a tratar a nota antiga como uma nota nova, e ela reaparece como se tivesse acabado de ser escrita.

O <id> do Atom foi desenhado para não ter esse problema. Aqui ele é um tag: URI preso ao número da nota no banco — algo como tag:exemplo.org,2026:nota/42. Renomear o título, mudar o slug, reescrever o texto inteiro: o identificador continua o mesmo, porque a nota continua sendo a mesma nota.

E a compatibilidade?

Não é argumento para nenhum dos dois lados. Todo leitor de feeds lê os dois formatos há vinte anos. Quem assina não percebe diferença nenhuma — e é justamente por isso que a decisão pôde ser tomada olhando só para o que funciona melhor deste lado.

Há ainda um terceiro formato publicado aqui, mais novo que os dois: o JSON Feed, de 2017. Ele não substitui o Atom — é uma alternativa para quem prefere consumir JSON a XML, e cada feed desta página existe nos dois formatos.