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 <title>Daniel Santos — blog</title>
 <subtitle>Entradas datadas, as públicas.</subtitle>
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 <updated>2026-09-11T23:15:55+00:00</updated>
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  <name>Daniel</name>
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  <title>Assistimos Coyote vs. Acme</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2610</id>
  <updated>2026-09-11T23:15:55+00:00</updated>
  <published>2026-09-11T11:54:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a class="capa-link" href="https://danielsantos.org/sessoes/titulo/765" title="Ver nas Sessões"><img class="imagem-nota imagem-nota--capa imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/sessoes/capa/765" alt="Pôster de Coyote vs. Acme (2026)" width="333" height="500" loading="lazy" decoding="async"></a>Aproveitamos o feriado de sete de setembro pra assistir &quot;<a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/sessoes/titulo/765">Coyote vs. Acme</a>&quot;, muito por <em>insistência minha</em>. Insistência, devo dizer, fundamentada e sustentada, já que, como muita gente que eu conheço, cresci assistindo <em>Looney Tunes</em>, o que significa ter muita familiaridade com Piu-piu e Frajola, Ligeirinho, Pernalonga, Patolino e, é claro, o Coiote e o Papa-Léguas.</p>
<p>Aliás, Papa-Léguas e Coyote ganham de longe quando me perguntam sobre minha preferência pessoal por personagens de desenho dos <em>Looney Tunes</em>. Sempre foi o desenho da franquia com o qual eu dei mais risada. Apenas 42 desenhos dos personagens foram produzidos até o final da década de 1980, que é quando eu os assistia diariamente, no SBT: 24 deles foram dirigidos por Chuck Jones entre 1949 e 1964, outros 16 da época em que os desenhos foram terceirizados para a DePatie-Freleng, entre 1965 e 1966, e dois curtas extras dirigidos por Jones em 1979 e 1980.</p>
<p><strong>Mas é engraçado como funciona cabeça de criança</strong>. Pra mim, assistindo a esses episódios em <em>repeat mode</em> durante anos, nunca pareceram apenas 42. Pareciam centenas, milhares de histórias diferentes... e as risadas sempre vinham da mesma forma, exatamente como acontece comigo quando assisto episódio de Chaves (me julguem).</p>
<p>Quando fiquei sabendo que ia ter um filme com o Coyote e o Papa-Léguas, surtei. A injeção de memória afetiva agiu constantemente na minha cabeça. Fui atrás da sinopse:</p>
<blockquote>
<p>Desempregado e frustrado, Wile E. Coyote decide processar a Acme Corporation depois de décadas de falhas catastróficas e de ferimentos causados pelos produtos da empresa, sofridos durante os vários anos em que tentou capturar o Papa-Léguas.</p>
<p>Wile se junta a Kevin Avery, advogado especializado em danos pessoais (e em desenhos animados), que atravessa uma fase de má-sorte e a Paige, sua sobrinha e estagiária. Juntos, enfrentam o impiedoso advogado corporativo Buddy Crane, que representa o conglomerado Acme.</p>
</blockquote>
<p>Li e pensei&quot;<em>Cara, que premissa legal! O Coiote vai à forra contra a Acme! Eu preciso muito assistir!</em>&quot;. Já fui imaginando o filme (que é um live action, que nem as duas versões de <em>Space Jam</em>) lotado de piadas dos desenhos do Coiote e do Papa-Léguas. Pensei também, &quot;<em>Já pensou eles recriarem a cena do tunel pintado na parede?</em>&quot;.</p>
<figure class="video"><a class="video__gatilho" href="https://www.youtube.com/watch?v=LW7ul-T6bPI" aria-label="Assistir ao vídeo: Wile E. Coyote and the Road Runner painted tunnel" data-video="LW7ul-T6bPI"><img class="video__capa" src="https://danielsantos.org/video/capa/LW7ul-T6bPI" width="1280" height="720" alt="" loading="lazy" decoding="async"><span class="video__play" aria-hidden="true"></span></a><figcaption class="video__rodape"><span class="video__fonte"><span class="video__titulo">Wile E. Coyote and the Road Runner painted tunnel</span> <a class="video__fora" href="https://www.youtube.com/watch?v=LW7ul-T6bPI">Assistir no YouTube<svg class="icone icone--fora" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2.4" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" aria-hidden="true" focusable="false"><path d="M8.5 15.5L18 6"/><path d="M10.5 6H18v7.5"/></svg></a></span></figcaption></figure>
<p>E foi com esse espírito que a gente começou a assistir o filme no sábado passado. Infelizmente a piada do túnel não veio, mas a sequência inicial, que mostrou a velha dupla em plena atividade, compensou. A memória afetiva vibrou e eu me preparei pra muito mais.</p>
<p>Mas depois disso, comecei a perceber que minhas expectativas, antes altíssimas, não seriam atendidas. Aquela expressão dos americanos, <em>curb your enthusiasm</em> (controla seu entusiasmo) começou a vir à mente.</p>
<p><strong>Mas deixa eu separar as coisas.</strong></p>
<p>Uma coisa é a qualidade do filme, e por qualidade eu quero dizer a forma como a produção do <em>live action</em> aconteceu. É irretocável. Acho que quanto mais a tecnologia avança, mais fácil é para quem entende do assunto mesclar desenho animado e atores de carne e osso, e isso foi muito bem feito. Então não tenho nada que possa ser dito a esse respeito: há várias sequências excelentes, inclusive uma perseguição que me arrancou algumas risadas, e nada disso seria possível se a tecnologia da animação não estivesse no ponto em que está, eu tenho certeza.</p>
<p><strong>Mas outra coisa é satisfazer a minha criança interior.</strong></p>
<p>Eu adoro seriados ligados ao mundo jurídico. Assisti &quot;<em>Suits</em>&quot;, por exemplo, e também o mais obscuro &quot;<em>Harry&#039;s Law</em>&quot;. Desejo que ambos não tivessem acabado, eram ótimos, só tenho elogios. Mas achei que o desenho, o <em>live action</em>, carregou demais na parte jurídica. Talvez seja apenas impressão, ou chatice minha mesmo, não sei. Mas por mais que me doa admitir isso sobre um filme repleto de personagens que alegraram minha infância, teve uns trechos bem <em>chatinhos</em>.</p>
<p>Talvez eu não devesse ter assistido esse filme esperando dar risada o tempo inteiro, mas, como não esperar isso?</p>
<p>Os roteiristas podiam ter feito mais piadas com os personagens do desenho... sei lá, explorar eles tendo se acidentado, que nem o coiote (o Gaguinho até sofreu um acidente, mas foi só). </p>
<p>O Pernalonga apareceu na tela, e daí eu pensei: &quot;<em>ah, agora vou vir</em>&quot;. Então o Patolino apareceu na tela, pensei a mesma coisa. Os dois participaram do filme, mas foram papéis... burocráticos (talvez os roteiristas tenham pensado que papéis burocráticos combinassem com um filme de cunho legal, jurídico, sei lá).</p>
<div class="admo admo--aviso" role="note">
<p class="admo__rotulo">Aviso</p>
<p>Tem uns spoilers leves no próximo parágrafo. Não revelam nada que defina a história, mas se você ainda não viu o filme e quer ver, não exiba as áreas ocultas. Se estiver no feed e seu leitor não suportar spoiler, pule o próximo parágrafo, ok?</p>
</div>
<p>Falando do roteiro, eles fizeram algumas escolhas que podiam ter sido exploradas melhor, também para tornar o filme mais engraçado. Por exemplo, o advogado da Acme interpretado pelo John Cena contracena com o <span style="background:currentColor;color:transparent;border-radius:.15em;padding:0 .2em">Frangolino (<em>eu disse, o Frangolino!</em>) no papel do empresário inescrupuloso que é CEO da Acme</span>. Imagina como ele podia ter protagonizado umas cenas engraçadas... Teve também uma outra coisa, colocar o <span style="background:currentColor;color:transparent;border-radius:.15em;padding:0 .2em">Piu-Piu como agente da Acme, agindo como capanga de filme de gangster</span>. Fiquei esperando acontecer algo que, igualmente, aprofundasse isso... mas foi só <em>estranho</em>, mesmo. Tudo bem, no fim a gente descobre que <span style="background:currentColor;color:transparent;border-radius:.15em;padding:0 .2em">ele e outros personagens foram coagido a fazer isso</span>, mas essa foi outra coisa que achei meio forçada. Podiam ter explorado mais e melhor, ainda que o filme todo tivesse cerca de 90 minutos apenas...</p>
<p>Acho que entre mortos e feridos, meu veredito é positivo. Eu classificaria como 7/10 estrelas, menos divertido, pra mim, que os dois &quot;<em>Space Jam</em>&quot;. E se alguém me perguntar a respeito, vou responder que nem meu filho respondeu quando eu perguntei se ele tinha gostado do filme.</p>
<p>&quot;<em>É, foi legalzinho.</em>&quot;</p>
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  <title>Não deixe ninguém sumir com a sua caixa de cabos</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/nao-deixe-ninguem-sumir-com-a-sua-caixa-de-cabos"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2608</id>
  <updated>2026-09-10T22:34:35+00:00</updated>
  <published>2026-09-10T21:59:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Acabei de ver (er, <em>ler</em>) <a href="https://blog.jim-nielsen.com/2026/hands-off-my-cables/" rel="noopener noreferrer">o Jim Nielsen falando</a> sobre achar coisas na internet que te fazem pensar &quot;<em>olha, não sou só eu!</em>&quot;, depois que ele próprio cruzou com esse <em><a href="https://bsky.app/profile/tylergaw.com/post/3muzwcei6pc2k" rel="noopener noreferrer">skeet</a></em> do @tylergaw:</p>
<blockquote>
<p>I just dug to the bottom of my Big Box of Cables to find two cables that I needed for something. They&#039;ve been in the bottom for 10+ years. So, &quot;when are you ever gonna use these?&quot; was today. Don&#039;t ever let anyone take your Big Box of Cables away.</p>
</blockquote>
<p><em>(peraí:</em> <strong>skeet</strong> <em>é como chamam o tweet do Bluesky? meu Deus, eu não sabia, #til)</em></p>
<p>Descobertas de vocabulário à parte, <strong>eu</strong> tive um momento &quot;<em>olha, não sou só eu!</em>&quot;. E assim como o Jim, lembrei da minha própria caixa.</p>
<figure class="figura"><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/553/img-9645.jpg" srcset="/imagem/553/img-9645.jpg?v=800 800w, /imagem/553/img-9645.jpg 1024w" sizes="100vw" alt="" width="1024" height="1024" loading="lazy" decoding="async"><figcaption>Minha caixa de cabos</figcaption></figure>
<p>A minha caixa também está sempre pronta, para o dia em que eu precisar de algum deles. E, definitivamente, pode ser a qualquer momento!</p>
<p>O que me faz pensar... mais alguém por aí também tem a sua caixa, de prontidão?</p>
]]></content>
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  <title>Did AI really ‘go rogue’? Not exactly, but we have plenty to fear</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2589</id>
  <updated>2026-09-07T15:13:46+00:00</updated>
  <published>2026-09-07T12:20:00+00:00</published>
  <category term="destaques"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a href="https://www.theage.com.au/national/did-ai-really-go-rogue-not-exactly-but-we-have-plenty-to-fear-20260726-p60ikz.html" rel="noopener noreferrer">Did AI really ‘go rogue’? Not exactly, but we have plenty to fear</a>, de Toby Walsh</p>
<p><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Toby_Walsh" rel="noopener noreferrer">Toby Walsh</a>, cientista da computação britânico e cientista chefe do Instituto de Inteligência Artificial da Universidade de Nova Gales do Sul, falando sobre o que temer da inteligência artificial e a necessidade de sua regulação.</p>
<hr>
<p><strong>Sobre os temores:</strong></p>
<blockquote>
<p>It’s an ancient fear. It goes back thousands of years. You find it in the story of Prometheus in ancient Greek mythology. And in stories like that of Surtr in Norse mythology. What if our inventions and discoveries get the better of us? Wind forward to today, and people are starting to fear artificial intelligence going rogue and getting the better of us.</p>
</blockquote>
<p>O imaginário dos escritores de ficção científica sempre gravitou ao redor de um tema central: nossas invenções se voltando contra nós. E isso inclui, atualmente, a rebeldia da inteligência artificial contra a humanidade (aliás, o termo <em>rebelião das máquinas</em>, que muita gente usa atualmente, veio da franquia <em>O Exterminador do Futuro</em>).</p>
<blockquote>
<p>News articles have talked about an AI that went “rogue”, that “escaped” its confinement, and got “outside”. No AI in this case went rogue.Indeed, the whole problem was that the AI did exactly and only what it was asked to do. It was asked to solve a cyber challenge, which it did rather too diligently.</p>
</blockquote>
<p>Walsh menciona o incidente com a Hugging Face, plataforma colaborativa de <a class="wikilink link-interno" href="https://danielsantos.org/nota/inteligencia-artificial">inteligência artificial</a> apelidada de &quot;<em>Github da IA</em>&quot; por funcionar como repositório central de código aberto para modelos de aprendizado de máquina. A plataforma revelou em 16 de julho, sem mencionar o responsável, que havia sofrido uma invasão. Cinco dias depois, em 21 de julho, a OpenAI divulgou que seus agentes de IA tinham sido os responsáveis.</p>
<p><strong>Só que, para Walsh, não houve rebeldia da IA.</strong> E por incrível que pareça, e sem me aprofundar em quaisquer juízos de valor, eu concordo com ele. A IA, que tinha como tarefa realizar uma avaliação de cibersegurança. Os agentes deixaram mensagens uns para os outros nas frestas da infraestrutura de software ao longo de vários meses e coordenaram a invasão à plafatorma Hugging Face, onde estava a resposta para o que procuravam. De fato, executaram sua tarefa, como diz Walsh, e muito bem. Diligentemente.</p>
<blockquote>
<p>The lesson I take from the Hugging Face hack is that the cyber capabilities of the latest AI models are very impressive and very troubling. Rather than reason its way to a solution to the cyber challenge, OpenAI’s agent worked out the answer was hidden on Hugging Face’s website, protected by a password. So it gained access to the internet, found a stolen password and accessed the answer.</p>
</blockquote>
<p>Aqui há outra coisa que chama a atenção: Walsh comenta sobre como as capacidades mais recentes dos modelos de inteligência artificial são impressionantes — e <strong>preocupantes</strong>: ao invés de pensar em uma solução e chegar a ela através desse raciocínio, o agente chegou a conclusão de que as respostas estavam disponíveis nos servidores da Hugging Face, protegidas por uma senha. Então, acessou a internet, encontrou uma senha roubada e fez o seu acesso.</p>
<hr>
<p><strong>Sobre a necessidade de regulação:</strong></p>
<blockquote>
<p>In response, a bill has just been proposed in the US Congress to force AI developers to provide a “kill switch” to shut down any AI that goes AWOL. <code>[...]</code> We don’t need to regulate for kill switches. We already have them on every computer on the planet. But what we don’t have is mechanisms to prevent these AI models falling into the hands of bad actors and being used to do harm.</p>
</blockquote>
<p>Walsh menciona um projeto de lei que, à época do artigo que li, publicado em julho de 2026, tinha acabado de ser proposto no congresso americano, defendendo que toda IA tivesse um <em>botão de emergência</em> que pudesse ser apertado no caso da inteligência sumir, ou começar a se comportar de forma suspeita ou não permitida.</p>
<p>Ele argumenta que não precisamos de botões de emergência (que já existem (e vêm de fábrica) em qualquer computador no planeta. Concordo: <em>puxar da tomada</em> existe, e é muito eficiente. O que ele diz que falta, e é verdade, são mecanismos que impeçam que a inteligência artificial caia em <strong>mãos erradas</strong> e seja usada para <strong>causar prejuízo</strong>.</p>
<p>Também concordo com isso, e acredito que a definição do que são exatamente <em>mãos erradas</em> e <em>causar prejuízo</em> <strong>renderia bons debates</strong>. É esse tipo de debate, aliás, que a sociedade precisa começar a exigir e começar a participar. </p>
<blockquote>
<p>Governments, therefore, should be introducing new regulations. We need, for example, to hold tech companies more liable for their products. If a car manufacturer produces a car that catches fire, we hold it liable. <code>[...]</code> Why, then, aren’t we holding AI companies more accountable for the harms they are causing?
<code>[...]</code>
We also need to hold companies more accountable for facilitating the distribution of harmful content.</p>
</blockquote>
<p>Este pra mim é um dos trechos mais relevantes do que diz Toby Walsh. De fato, falta regulamentação mais apropriada para as empresas que hoje operam modelos de inteligência artificial. Aliás, não só operam, como também exploram comercialmente. Toby tem razão quando diz que se uma montadora fabrica um carro que pega fogo,  ela é responsabilizada automaticamente... e mais razão ainda em cobrar que o mesmo aconteça com eventuais usos irresponsáveis de IA, como a distribuição de conteúdo prejudicial.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/destaques">#destaques</a></p>
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  <title>Garimpo de Links — 6 de setembro de 2026</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2588</id>
  <updated>2026-09-07T00:16:42+00:00</updated>
  <published>2026-09-07T00:09:00+00:00</published>
  <category term="garimpo"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>É tempo para mais uma edição do Garimpo de Links. Desta vez, mais cinco links que achei interessantes, a começar por uma visita a um pequeno café em miniatura diretamente da <em>small web</em>. Também tem um site com os resultados de um experimento social que buscou incentivar as pessoas a <em>confessarem coisas</em> a respeito de seus relacionamentos com a inteligência artificial, e algumas outras coisinhas...</p>
<p>Espero que você aproveite! Ah, e se quiser, me manda um e-mail ou responde via Mastodon ou Bluesky, com sugestões e comentários!</p>
<hr>
<ul>
<li><span><strong><a href="https://sandyuraz.com/blogs/tiny-cafe/" rel="noopener noreferrer">Damn fine tiny cafe ☕️</a></strong> — Encontrei por acaso o site da <a href="https://sandyuraz.com/" rel="noopener noreferrer">Sandy Uraz</a>, um jardim digital muito interessante que, por si só, vale a visitação. Mas dentre os diversos projetos mantidos pela Sandy, me chamaram a atenção as miniaturas que ela monta. Há o <a href="https://sandyuraz.com/blogs/tiny-cafe/" rel="noopener noreferrer">pequeno café</a> para o qual eu disponibilizei o link, mas também outras preciosidades, como uma <a href="https://sandyuraz.com/blogs/mini-library/" rel="noopener noreferrer">biblioteca pequenina</a> e um <a href="https://sandyuraz.com/blogs/sakura-train/" rel="noopener noreferrer">trenzinho</a>.
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://www.whatwetellai.com/" rel="noopener noreferrer">What We Tell AI</a></strong> — Todos nós, por mais favoráveis ou contrários que sejamos à inteligência artificial, temos um certo relacionamento com essa tecnologia. Com a ajuda de um grupo de pesquisadores, a artista <a href="https://oliviatai.com/" rel="noopener noreferrer">Olivia Tai</a> coletou mais de 400 notas escritas à mão por pessoas comuns, em locais públicos como shopping centers e conferências sobre inteligência artificial, sobre seu relacionamento com IA. Aqui, você pode ler as <em>confissões</em>.
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://www.darlinghq.org/" rel="noopener noreferrer">Darling | macOS translation layer for Linux</a></strong> — O Darling é uma camada de tradução de software, desenvolvida para que você seja capaz de executar software destinado ao MacOS em sistema Linux. Entendi que o negócio funciona da mesma forma que o Wine faz com os apps do Windows. Segundo a página oficial, o nome Darling combina &quot;Darwin&quot;, nome do sistema operacional no qual o macOS e o iOS se baseiam, com a palavra Linux. A coisa é inicial, o suporte a aplicações GUI ainda é básica. Mas parece algo legal pra ficar de olho.
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://nartier.itch.io/walkable-cities" rel="noopener noreferrer">Walkable Cities by miziziziz</a></strong> — Este é um jogo de browser onde você controla um pedestre e seu objetivo é andar por diferentes cenários. Cada tela é uma fase, e cruzá-la transporta você para a próxima. Nos primeiros níveis é só não esbarrar nos obstáculos (e se fizermos isso, não há problema, você apenas demora mais pra terminar a fase). Nos níveis posteriores há obstáculos que podem acabar a partida: foi pego pelo guarda enquanto pisava na grama? <em>Game over, baby!</em>
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://contrastquota.github.io/colors/" rel="noopener noreferrer">Color Counter!</a></strong> — A Academia Americana de Oftalmologia <a href="https://www.aao.org/eye-health/tips-prevention/how-humans-see-in-color" rel="noopener noreferrer">estima que</a> uma pessoa com visão normal consiga distinguir <strong>até 10 milhões de cores</strong>. Isso quer dizer que identificar a bagatela de 100 cores — pelos nomes — está no papo, certo? Se você topar o desafio, me conta (eu consegui identificar 33, e isso porque usei todos os nomes de <em>cores normais</em> que eu me lembrei)... 😅</span></li>
</ul>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/garimpo">#garimpo</a></p>
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  <title>Resenha: A enxadrista de Auschwitz</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2587</id>
  <updated>2026-09-06T17:33:09+00:00</updated>
  <published>2026-09-06T12:20:00+00:00</published>
  <category term="resenha"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a class="capa-link" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/323" title="Ver na estante"><img class="imagem-nota imagem-nota--capa imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/leituras/capa/323" alt="Capa de A enxadrista de Auschwitz, por Gabriella Saab" width="341" height="500" loading="lazy" decoding="async"></a>Terminei de ler &quot;A Enxadrista de Auschwitz&quot; neste final de semana. Conforme eu esperava, a combinação entre dois temas dos quais eu gosto — o xadrez e a história do período relativo à Segunda Guerra Mundial — associada à fluidez da escrita do texto da autora, Gabriella Saab, fez com que a leitura fosse fluída e prazerosa. Eu só não consegui concluí-la antes porque entre minhas sessões de leitura a vida aconteceu: compromissos, trabalho, etc.</p>
<blockquote>
<p>Meu primeiro nome era Maria. Meu nome de guerra era Helena. Meu novo nome é Prisioneira 16671.</p>
</blockquote>
<p>O livro acompanha Maria Florkowska, jovem de 14 anos que faz parte da resistência clandestina polonesa na Varsóvia ocupada. Ela acaba capturada pela Gestapo e enviada para o campo de concentração de Auschwitz. Ali, ela encontra Karl Fritzsch, o sub-comandante do campo, uma criatura vil e sádica que, percebendo o talento de Maria para o xadrez, <em>poupa sua vida</em> fazendo com que ela jogue xadrez para sobreviver — e para seu entretenimento particular e o dos soldados do lugar.</p>
<p>Sem saber, ao fazer isso, Fritzsch entrega à Maria, ainda que envolta em um sofrimento inigualável, a receita da qual ela precisa para sobreviver e buscar justiça.</p>
<p>A certa altura do livro uma das detentas do campo declara que em um lugar como Auschwitz, é fácil esquecer que pessoas decentes ainda existem. Mas Maria é uma dessas pessoas, e embora amargue anos ali naquele inferno, ela faz amizade com Hania, uma judia que, como ela, sobrevive à <em>vida</em> que lhe foi imposta graças a seu talento para falar idiomas, o que lhe rende certa liberdade de andar pela prisão e prestar serviços de tradução. Juntas, elas se fortalecem e enfrentam as piores situações.</p>
<p>Uma coisa que me chamou atenção nesse livro foi a capacidade da autora de misturar personagens fictícios com personalidades reais. Fritzsch, o sub-comandante da prisão, existiu na vida real, assim como o religioso padre <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Maximiliano_Maria_Kolbe" rel="noopener noreferrer">Maximiliano Kolbe</a>, missionário franciscano polonês que, na vida real, morreu como mártir ao se oferecer para morrer de fome no lugar de outro preso, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Franciszek_Gajowniczek" rel="noopener noreferrer">Franciszek Gajowniczek</a>, depois da fuga de um terceiro prisioneiro. Na ficção, os caminhos de Maria e Kolbe se cruzam, e ele passa a ser uma figura decisiva para despertar e fortalecer na menina a vontade de lutar e sobreviver mais um dia.</p>
<p>O talento de Maria no xadrez é notável, fruto daquilo que o pai, principalmente, lhe ensinou. Mas se a história fosse puramente focada no esporte e nas partidas, a leitura teria sido mais sem-graça. Ao invés disso, a autora traz uma série de pequenas reviravoltas na história que são muito bem-vindas, e que eu não citarei aqui para que você não receba de mim nenhum <em>spoiler</em>, caso decida ler a obra.</p>
<p>Em resumo, eu gostei — e se você, assim como eu, se interessa pelos dois assuntos, então é uma garantia de que você vai gostar do que vai ler.</p>
<p>Deixo, em seguida, algumas passagens que marquei durante a leitura:</p>
<hr>
<ol class="grifos">
<li>
<blockquote>
<p>Meu corpo estava faminto, mas minha alma, ainda mais. Faminta de bondade, compaixão, amor, de tudo que eu costumava subestimar. A fome física nunca deixava de me atormentar, mas a fome por afeição humana era uma dor aguda que perfurava as profundezas do meu ser. Um simples gesto foi o suficiente para aliviar a agonia. E neste momento, neste único momento, a fome dentro da minha alma foi saciada.</p>
</blockquote>
</li>
<li>
<blockquote>
<p>A verdadeira liberdade vem da bravura, da força e da bondade. A única pessoa que pode tirar isso de você é você mesma.</p>
</blockquote>
</li>
<li>
<blockquote>
<p>O que é a vida depois da guerra? Retornar às vidas que deixamos é impossível, mas criar uma vida nova parece quase tão intransponível quanto. Vivemos, lutamos e sobrevivemos enquanto as memórias — e o passado — perduram.</p>
</blockquote>
</li>
<li>
<blockquote>
<p>Outra realidade da guerra: aqueles que sobreviveram juntos a ela podem ser forçados a se separar no final. Essa guerra já tinha levado a minha família e eu me recusaria a aceitar outras perdas, a despeito do que o futuro reservasse para mim. Se algo surgir entre nós, encontraremos uma forma de voltar umas para as outras.</p>
</blockquote>
</li>
<li>
<blockquote>
<p>Alguns dizem que a vida que eu tive por quase quatro anos não foi uma vida, mas eu não acredito nisso. Não foi uma vida que eu desejasse para alguém, mas, ainda assim, foi uma vida. Minha vida. E por minha vida valeu a pena lutar.</p>
</blockquote>
</li>
</ol>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/resenha">#resenha</a></p>
]]></content>
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 <entry>
  <title>Me cansa que tudo hoje exija um app de celular</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2583</id>
  <updated>2026-09-03T15:05:34+00:00</updated>
  <published>2026-09-03T11:13:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Fiquei sabendo hoje que o clube do qual eu, minha esposa e meus filhos somos sócios implantou um sistema de acesso através de reconhecimento facial. <em>Mais segurança e agilidade no acesso</em> postas de lado, isso significará, para nós, baixar (mais) um aplicativo no celular para fazer o processo de cadastramento.</p>
<p>Felizmente, espero eu, esse será um processo feito uma única vez: baixo o app, sorrio pra foto (e peço pra família fazer o mesmo). Em seguida, provavelmente informo uma miríade de dados pessoais, confirmo, finalmente concluo o cadastro e pronto... acesso através de uma piscadela pra câmera da catraca na entrada.</p>
<p><strong>Logo em seguida, posso apagar o app e nunca mais olhar pra ele.</strong></p>
<hr>
<p>Coincidentemente, ontem eu li um post do ploum — apelido do desenvolvedor de software livre francês Lionel Dricot, ao qual ele deu o título &quot;<em><a href="https://ploum.net/2026-09-02-i_dont_have_a_smartphone.html" rel="noopener noreferrer">I don&#039;t have a smartphone...</a></em>&quot;. </p>
<p>Diz ele:</p>
<blockquote>
<p><em>&quot;I don’t have a smartphone,&quot; is what I tell people and professionals nowadays. This allows me to cut the crap about companies insisting that I install their app or restaurants wishing that I scan a QR code to access their menu on a small screen.</em></p>
<p><em>&quot;I don’t have a smartphone&quot; is, according to my experience, the easiest explanation, the shortest way to force people to get their shit together and take the required actions to allow me to live without being glued to a small screen dependent on a huge American megacorporation.</em></p>
</blockquote>
<p>Eu realmente me senti representado pelo que ele escreveu. O simples ato de pegar meu carro pra levar meu filho ao colégio já me expõe aos convites para baixar apps: a rádio que eu escuto quer que eu baixe o app dela. As lanchonetes e restaurantes que anunciam na rádio, também. Por sinal, já que falei sobre a escola do meu filho, lembrei que semana passada precisei buscar ele mais cedo e a moça da recepção me perguntou se eu já tinha baixado o app da escola, que é onde eu devia preencher o formulário de saída antecipada.</p>
<p><strong>Eu não tinha o app (e nem instalei):</strong> preenchi a ficha na hora, pelo tablet que a moça me deu.</p>
<p>Se você vai no shopping, tem o app do shopping. O app do estacionamento do shopping. O app dos grandes magazines, dos supermercados. Se você está em casa, está cada vez mais difícil ficar sem um app específico para uma coisa ou outra: desde lâmpadas inteligentes até controle do ar condicionado, de configurações do roteador e da impressora.</p>
<p>E, exatamente como descrito pelo ploum, os restaurantes são um caso à parte: alguns possuem um app próprio, tal como ocorre em outros comércios, mas o que eles querem mesmo, muitas vezes, é que você use a câmera do seu celular pra escanear um QR code, isso só pra saber o que você vai comer. Aliás, <a href="https://www.band.com.br/entretenimento/jacquin-se-revolta-com-falta-de-cardapio-fisico-em-restaurante" rel="noopener noreferrer">isso já irritou Erick Jacquin</a> em um episódio do programa <em>Pesadelo na Cozinha</em>.</p>
<p>Mesmo que você instale um app desses, <strong>quanto tempo</strong> por dia você vai usá-lo? 3 minutos? Cinco? Essa avalanche de apps no celular, então, é mesmo necessária e, pior, <strong>justificável</strong>?</p>
<hr>
<p>O ploum também fala que, quando alguém pede pra você ler um QR code, ou baixar um aplicativo, assume uma série de coisas como sendo verdadeiras. Só que nem sempre elas <strong><em>são</em></strong> verdade. Pode ser que, por exemplo, que eu não tenha um celular, ou que não esteja com ele naquele exato momento, ou ainda que meu aparelho não esteja funcionando adequadamente.</p>
<p>Se eu estiver com o celular naquela hora, pode acontecer dele estar com pouca bateria, com pouco sinal (ainda mais considerando a <em>excelente</em> (<em>só que não</em>) qualidade da conexão no Brasil), sem créditos de internet no plano, ou sem espaço suficiente pra instalar alguma coisa, incluindo aquele app, naquele momento (eu tenho certeza que você, ou alguém que você conhece, armazena 100% de suas fotos no celular).</p>
<p>Pode ser também que eu não tenha uma conta do Google, ou da Apple para entrar na loja de aplicativos e baixar o app.</p>
<p>Mas há os pontos mais importantes, aqueles que mais me cansam ao observar que <strong>praticamente tudo hoje em dia</strong> exija um app de celular: pode ser que eu não esteja com vontade de tirar meu celular do bolso justamente naquela hora, muito menos pra dedicar tempo preenchendo dados que certamente me serão solicitados, <strong>sobretudo dados pessoais</strong>, isso depois que eu aceitar os famigerados <em>termos e condições</em> que vou ter que ler (ou não) em uma tela enorme e cheia de texto, antes.</p>
<p>Conclusão: talvez eu faça como o ploum, e adote a estratégia de dizer que eu não tenho um celular, também, em alguns casos...</p>
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  <title>Pra cada pessoa que já teve um cachorrinho</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/pra-cada-pessoa-que-ja-teve-um-cachorrinho"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2581</id>
  <updated>2026-08-31T23:40:31+00:00</updated>
  <published>2026-08-31T23:31:00+00:00</published>
  <category term="textos"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Você tem 2 escolhas na vida: ter um cachorro ou não ter um cachorro.</p>
<p>Se você não tiver um cachorro, ah, os seus pisos continuam limpos, seus sapatos ficam exatamente onde você deixou e o seu coração bate tranquilo no peito, sem precisar se preocupar quando você tiver um compromisso marcado em outra cidade, por exemplo. Sua vida continua exatamente do jeito que você organizou: segura, previsível, sua.</p>
<p>Mas... se você tiver um cachorro, cê tá tomando uma decisão que muda tudo. Cê tá dizendo SIM pra lama no chão, pra pelos em cada peça de roupa que você tem e pra uma criatura que vai reorganizar todo seu senso de prioridade sem pedir permissão.</p>
<p>Mais do que isso: você tá tomando uma das decisões mais corajosas que uma pessoa pode tomar. Porque você já sabe como essa história termina. Você sabe que esse cachorro não vai viver tanto quanto você. Sabe que um dia você vai precisar se despedir de alguém que te amou da forma mais completa do que a maioria das pessoas jamais será capaz de amar. E você diz SIM de qualquer maneira!</p>
<p>Isso é coragem. Sim, coragem! Porque mesmo sabendo como isso vai acabar, você — assim como eu — entrou nesse <em>looping</em> eterno de perder os seus melhores amigos. E essa é uma escolha muito louca e corajosa, mas mesmo assim a gente vai lá e por 10, 12, 14 anos constrói uma vida em torno deles.</p>
<p>E aí um dia eles se vão... e a gente fica com o luto, com um buraco do tamanho de um meteoro no peito. A gente fica sem saber viver, tem que reaprender... e depois vem um filhote lindo e alegre, de certa forma acalma tudo. E mesmo sabendo que um dia, sem querer, ele vai quebrar o nosso coração de novo...</p>
<p>Olhando assim parece loucura, né? Você continuar pedindo por essa dor tão forte. Mas é porque, na verdade, a gente entendeu que esse sacrifício é só um pequeno preço que a gente paga pra poder viver o amor da forma mais pura e linda que ele existe.</p>
<p>É melhor viver uma vida segura e tranquila, onde nada pode te machucar, ou uma vida barulhenta e bagunçada, cheia de amor tão grande que um dia partirá seu coração completamente?</p>
<p>Cada pessoa que já teve um cachorro sabe exatamente qual é a melhor resposta.</p>
<hr>
<p>Transcrevi da atriz Flávia Alessandra, que <a href="https://www.instagram.com/reel/DchFVdDhb2o/" rel="noopener noreferrer">postou no Instagram</a>. Mexeu comigo, que antes de ter um doguinho em casa, coisa que meus filhos sempre quiseram, era terminantemente contra ter cachorro, mas aprendi uma lição recebendo amor incondicional do Luke.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/textos">#textos</a></p>
]]></content>
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  <title>Garimpo de Links — 30 de agosto de 2026</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/garimpo-de-links-30-de-agosto-de-2026"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2579</id>
  <updated>2026-08-31T00:28:00+00:00</updated>
  <published>2026-08-31T00:21:00+00:00</published>
  <category term="garimpo"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Fiz uma segunda edição do garimpo de links: essa semana trago pra vocês mais cinco achados interessantes, começando pelo <em>trailer</em> do mais novo filme do universo dos Looney Tunes (que eu amo), &quot;<em>Coyote vs Acme</em>&quot;, e trazendo também um vídeo de três minutinhos que explica em animação a doença que acometeu o influenciador Lito Sousa, além de outras coisinhas mais...</p>
<p>Convido vocês a explorarem e comentarem com as opiniões de vocês. Eu adoraria ler o que vocês têm a dizer...</p>
<hr>
<ul>
<li><span><strong><a href="https://youtu.be/1vPrQOMA8bs" rel="noopener noreferrer">Coyote vs Acme: trailer dublado</a></strong> — Não sei quanto a vocês, mas eu cresci assistindo Looney Tunes, e quando fiquei sabendo que haveria um filme <em>live action</em> em que o Coyote, após anos de insucessos na captura do Papa-Léguas, causados pelas falhas nos produtos de qualidade duvidosa da ACME, resolve processar a empresa, eu fiquei ansioso pra assistir. Neste trailer legendado dá pra ter noção do que esperar antes de ir ao cinema!
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://youtu.be/DTwB1H1GPzs" rel="noopener noreferrer">Creutzfeldt-Jakob: o estranho caso da doença que destrói o cerebro</a></strong> — Às vezes o algoritmo do YouTube sugere bons conteúdos por motivos não tão bons. Neste vídeo de pouco mais de três minutos criado em 2023, o canal <a href="https://youtube.com/@minutodaterra" rel="noopener noreferrer">Minuto da Terra</a> explica com uma animação objetiva a rara e grave doença que acometeu recentemente o influencer Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas.
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://nothing-to-watch.port80.ch/" rel="noopener noreferrer">There&#039;s nothing to watch</a></strong> — Quer assistir a um filme mas não sabe qual escolher? Parece que mesmo com tanto <em>streaming</em> não há nada de interessante? Neste site você encontra um mosaico interativo formado por uma galeria circular, com os pôsteres dos 50 mil filmes mais populares de acordo com o IMDB. Os filmes mais populares estão no centro e a popularidade média vai diminuindo conforme se navega pelas bordas. Apesar de os dados serem do início de 2025, a quantidade de filmes interessantes ainda é obviamente considerável, e o visual, muito legal. Ah, a tentação de abrir pelo celular atualmente é grande, mas a experiência é melhor em telas grandes, ok?
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://defrag98.com/" rel="noopener noreferrer">Windows 98 Disk Defrag Simulator</a></strong> — Você se lembra do desfragmentador de disco do Windows? Dennis Morello recriou a aplicação do Windows 98, simulando seu funcionamento diretamente na página do navegador. Serve para matar as saudades da ferramenta, ou pra mostrar pros mais novos como curiosidade. Ah, e se colocar em tela cheia enquanto sua máquina está ociosa, acho que dá pra passar até como protetor de tela...
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://blog.gaijinpot.com/the-johatsu-why-people-voluntarily-disappear-in-japan/" rel="noopener noreferrer">The Johatsu: Why People Voluntarily Disappear in Japan</a></strong> — A palavra <em>johatsu</em> (蒸発), que em japonês significa &quot;evaporado&quot;, serve para descrever pessoas que, no Japão, desaparecem voluntariamente para escapar de dívidas, violência doméstica, vergonha social, desemprego ou trabalho tóxico. Existem até mesmo empresas especializadas, as <em>yonige-ya</em>, que ajudam nesse desaparecimento, e a legislação de privacidade japonesa dificulta que famílias (ou até a polícia) consigam localizar essas pessoas depois. Em inglês.</span></li>
</ul>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/garimpo">#garimpo</a></p>
]]></content>
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  <title>Quero ler: Sem tempo a perder</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/quero-ler-sem-tempo-a-perder"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2577</id>
  <updated>2026-08-29T20:05:00+00:00</updated>
  <published>2026-08-29T19:44:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a class="capa-link" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/335" title="Ver na estante"><img class="imagem-nota imagem-nota--capa imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/leituras/capa/335" alt="Capa de Sem tempo a perder: Reflexões sobre o que realmente importa, por Ursula K. Le Guin" width="322" height="500" loading="lazy" decoding="async"></a>Acho que Ursula K. Le Guin é a maior autora de ficção fantástica de quem eu deveria ler muito mais livros do que eu já li. E embora o único livro dela que eu tenha lido até hoje seja &quot;<em>O Feiticeiro de Terramar</em>&quot;, quero começar a corrigir isso muito em breve.</p>
<p>Há alguns dias eu acabei tendo a felicidade de <a href="https://manifestacaoliteraria.blogspot.com/2026/08/sem-tempo-perder-ursula-k-le-guin-prova.html?m=1" rel="noopener noreferrer">encontrar essa postagem</a> no blog Manifestação Literária, assinado pela Miss Biblioteca, a respeito de &quot;<a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/335">Sem tempo a perder: Reflexões sobre o que realmente importa</a>&quot;, uma coletânea de textos leves, afiados e cheios de humor sobre a qual eu não fazia ideia da existência. </p>
<p>Segundo a postagem, &quot;<em>as primeiras crônicas tratam do envelhecimento e já mostram por que abriram o livro. A sinceridade e a delicadeza com que Le Guin fala da idade criam uma vontade imediata de continuar lendo. Em uma delas, ela explica a importância de aceitar a idade que se tem.</em>&quot;</p>
<p><strong>Este único trecho já me despertou a vontade de ler o livro.</strong> Tudo com o que eu já me deparei até hoje que é de autoria de Ursula, sobretudo as citações e respostas dadas em entrevistas, é de uma sabedoria e inteligência ímpares.</p>
<p>Sendo assim, será um prazer, quando eu começar a ler, entender as visões da escritora americana sobre velhice e quaisquer outros assuntos que ela tenha compartilhado. Acho que será um privilégio poder ler.</p>
]]></content>
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  <title>Quero ler: O assassinato de Roger Ackroyd</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2571</id>
  <updated>2026-08-25T13:23:16+00:00</updated>
  <published>2026-08-25T12:40:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a class="capa-link" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/334" title="Ver na estante"><img class="imagem-nota imagem-nota--capa imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/leituras/capa/334" alt="Capa de O assassinato de Roger Ackroyd, por Agatha Christie" width="333" height="500" loading="lazy" decoding="async"></a>Fazer com que um <a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/contato">formulário de contato</a> finalmente funcione no seu site é abrir uma janela de comunicação com o mundo que eu acho fantástica: significa que tanto meus esparsos leitores habituais (aqueles que gostam e têm paciência de ler o que eu escrevo aqui, e por isso retornam com frequência) quanto aqueles que acabam encontrando meu site por acaso, têm a possibilidade de me dizer algo sobre suas impressões.</p>
<p>Essa semana, a primeira em que o formulário funcionou de verdade, ganhei uma dica de leitura de presente. A <strong>Laine</strong> me visitou (obrigado!), viu que eu tinha lido &quot;<a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/1">E não sobrou nenhum</a>&quot; pela segunda vez, e disse que gostou muito também (<strong>somos dois</strong>). Aí disse que o favorito dela da Agatha Christie é &quot;<a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/334">O assassinato de Roger Ackroyd</a>&quot;.</p>
<p><strong>Que eu não li ainda.</strong></p>
<p>E eu não sou de recusar dica de leitura. Então, Laine, o meu obrigado não é só pela sua visita: é um obrigado duplo, pela dica. Eu já adicionei o Roger Ackroyd como próxima leitura, o que significa que assim que eu terminar <a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/leituras">tudo o que estou lendo em paralelo</a>, será a vez dele 😉</p>
]]></content>
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  <title>Garimpo de Links — 23 de agosto de 2026</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/garimpo-de-links-23-de-agosto-de-2026"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2565</id>
  <updated>2026-08-24T02:19:17+00:00</updated>
  <published>2026-08-23T18:39:00+00:00</published>
  <category term="garimpo"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Inspirado pelos <strong><a href="https://manualdousuario.net/assunto/links-legais/" rel="noopener noreferrer">Links Legais</a></strong>, que o Ghedin já publica há algum tempo no Manual do Usuário, e pela <strong><a href="https://osolnacabeca.com.br/tag/chuva-de-links/" rel="noopener noreferrer">Chuva de Links</a></strong> da Luciana Morin n&#039;O Sol na Cabeça, pensei em começar a compartilhar, também eu, periodicamente, meus achados internet agora.</p>
<p>A internet, que se tornou em (grande) parte um território de <em>big techs</em> habitado por algoritmos obscuros criados para sequestrar atenção, carece daquilo que tinha de sobra em sua primeira geração: <strong>curadoria</strong>. Gosto de pensar que posso ajudar com isso — e por isso essa primeira (e humilde) edição, com cinco coisinhas que achei legais.</p>
<p>Seja bem-vindo(a) a este experimento. Aproveite meu Garimpo de Links!</p>
<hr>
<ul>
<li><span><strong><a href="https://editide.com/blog/what-is-a-pptx-file/" rel="noopener noreferrer">What&#039;s in a PowerPoint file?</a></strong> — Uma explicação didática sobre PowerPoint. Uma apresentação é um conjunto de slides. Cada slide é uma tela em branco com caixas de texto, formas, imagens, tabelas e gráficos. Também pode ter uma coisas bodosas, tipo animações e vídeos. Já um <em>arquivo</em> do PowerPoint é onde todo o conteúdo fica armazenado no seu computador, para ser lido. Aqui neste link, um raio-x completo e didático com tudo o que você sempre quis saber, mas nunca perguntou. (<strong>em inglês</strong>)
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://avherald.com/" rel="noopener noreferrer">The Aviation Herald</a></strong> — O <strong>The Aviation Herald</strong> é um site de notícias e segurança aérea que publica relatórios detalhados sobre acidentes, incidentes e ocorrências com aeronaves comerciais em todo o mundo (incluindo, claro, no Brasil). Um link imperdível para quem gosta do mundo aeronáutico. <strong>(em inglês)</strong>
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://999penguins.com/" rel="noopener noreferrer">999 Penguins</a></strong> — Joguinho pra jogar no navegador. Seu objetivo é remover 999 pinguins da tela, combinando-os pelo menos de 3 em 3. Encontrei via dica do Ghedin, no <a href="https://manualdousuario.net/en/999-pinguins/" rel="noopener noreferrer">Manual do Usuário</a>, e achei muito viciante — até que parou de funcionar no meu celular... quem sabe você tem melhor sorte que eu...
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://youtu.be/3YtygAx_C6A" rel="noopener noreferrer">Uma cidade em ASCII para passear</a></strong> — Este desenvolvedor criou uma cidade em estilo <em>cyberpunk</em>, usando um único arquivo em HTML e somente caracteres ASCII. No vídeo, ele dá uma volta pela cidade. Eu achei sensacional. Ah, e já tem até <a href="https://youtu.be/UCKEDWowc0o" rel="noopener noreferrer">uma atualização</a> do projeto.
</span></li>
<li><span><strong><a href="https://skylens.yantraai.app/" rel="noopener noreferrer">SkyLens by YantraAI</a></strong> — Um monitor 3D em tempo real da atividade dos satélites que estão acima de nós, em órbita terrestre. Também é possível saber sobre mais de 535 casos de fenômenos anômalos não Identificados (<em>Unidentified Anomalous Phenomena</em>, ou UAP, nome oficial que os militares usam para OVNI), cujo sigilo foi removido pelo Pentágono.</span></li>
</ul>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/garimpo">#garimpo</a></p>
]]></content>
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  <title>Ajudinha?</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/ajudinha"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2564</id>
  <updated>2026-08-23T13:45:41+00:00</updated>
  <published>2026-08-23T13:42:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Estou testando uma integração do meu site com o Mastodon e Bluesky. </p>
<p>Como em outros sites ao redor da <em>indie web</em>, a ideia é que respostas a uma postagem minha em qualquer uma dessas redes — ou curtidas, repostagens, boosts, etc. — apareçam no meu site, no post relacionado. </p>
<p>Tudo isso acontecerá num intervalo de até 6 horas, devido à frequência dos <code>cron jobs</code> que estabeleci... então se quiser voltar ao longo do dia, será muito bem-vindo!</p>
<p>Este aqui é um post cobaia. Vou pedir a voluntários que me ajudem, e espero que consiga essa ajuda... 😅</p>
<p>E se você chegou até aqui me ajudando, que tal conhecer <a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/wiki">meu jardim digital</a> e <a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/blog">meu blog</a>? Talvez até assinar <a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/recados">meu livro de visitas</a>?</p>
<p>Obrigado!</p>
]]></content>
 </entry>
 <entry>
  <title>Sobre o Lito</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/sobre-o-lito"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2560</id>
  <updated>2026-08-22T02:17:07+00:00</updated>
  <published>2026-08-22T01:30:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Eu pensei, pensei, e resolvi que devia escrever alguma coisa a respeito do <strong>Lito Sousa</strong>.</p>
<p>Primeiro, porque acompanho o trabalho fantástico que ele realiza há anos. Segundo, porque sou um ser humano com fé, e acho que todo pensamento positivo, toda oração, toda corrente do bem, vale nesse tipo de situação.</p>
<p>Eu trabalho na indústria aeronáutica, e pra quem permanece no ramo há muitos anos, como eu, a coisa se torna uma paixão. Quando a gente encontra alguém capaz de explicar esse mundo de forma simplificada, junta o útil ao agradável e desenvolve também admiração. E a minha admiração começou quando, há muitos anos, um amigo no trabalho me indicou o <a href="https://www.youtube.com/avioesemusicas" rel="noopener noreferrer">Aviões e Músicas</a>.</p>
<p>Não tem ninguém melhor que o Lito pra falar do mundo da aviação para leigos. <strong>Ponto.</strong></p>
<p><strong>Por isso me doeu saber o que ele está passando.</strong> </p>
<p>Começou em julho, quando ele informou a descoberta de um câncer de próstata e, depois, de um quadro de inflamação no sistema nervoso. Essa inflamação, inclusive, estava prejudicando o movimento de uma de suas mãos. Para tratar as duas coisas, se internou no Albert Einstein, em São Paulo, onde permaneceu algum tempo e depois voltou pra casa.</p>
<p>Após sair do hospital, publicou um documentário original, com uma hora e meia de duração, falando do acidente aéreo com o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Voo_Voepass_2283" rel="noopener noreferrer">Voepass 2283</a>, chamado <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_fpluX2hL-w" rel="noopener noreferrer">Os Elos da Corrente</a>. No vídeo, ele fala da aeronave, dos pilotos, do voo fatídico e do desfecho das investigações, num trabalho de muita qualidade.</p>
<p>Hoje, Mila Seidl, a esposa do Lito, que fundou com ele o canal, <a href="https://www.instagram.com/reel/DcTC8b9xmnW/" rel="noopener noreferrer">divulgou um vídeo através do Instagram</a>, informando aos seguidores e fãs do marido que ele recebeu outro diagnóstico: está com a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_de_Creutzfeldt-Jakob" rel="noopener noreferrer">Doença de  Creutzfeldt-Jakob</a>. A Wikipédia diz o seguinte sobre a DCJ (negritos por minha conta):</p>
<blockquote>
<p>A Doença de Creutzfeldt e Jakob (DCJ), também denominada encefalopatia espongiforme subaguda, é uma <strong>doença neurodegenerativa incurável e sempre fatal</strong>. Os sintomas iniciais mais comuns são perda de memória, alterações no comportamento, falta de coordenação e perturbações visuais. Entre os sintomas mais tardios estão demência, movimentos involuntários, perda de visão, fadiga e coma. <strong>Cerca de 70% dos pacientes morrem dentro de um ano após o diagnóstico.</strong></p>
</blockquote>
<p>Eu me sinto destruído. E por isso, sequer creio ser possível imaginar a dor que a família do Lito está passando. Como eu disse acima, resolvi escrever. Porque como fã, estou revoltado com as coisas que a vida às vezes nos apresenta. Como fã, estou torcendo por um milagre.  E como fã, quero transmitir força.</p>
<p><strong>Força, Lito.</strong></p>
]]></content>
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 <entry>
  <title>Tem um bebê nu na caixa do Windows 95!</title>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="https://danielsantos.org/nota/tem-um-bebe-nu-na-caixa-do-windows-95"/>
  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2484</id>
  <updated>2026-08-24T10:22:55+00:00</updated>
  <published>2026-08-20T09:42:00+00:00</published>
  <category term="cultura"/>
  <category term="tecnologia"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Raymond Chen é um engenheiro de software veterano da Microsoft, onde trabalha há mais de 30 anos. <a href="https://news.ycombinator.com/item?id=49371925" rel="noopener noreferrer">Há quem diga</a> que as histórias que compartilha em seu blog, <a href="https://devblogs.microsoft.com/oldnewthing/" rel="noopener noreferrer">The Old New Thing</a>, são uma verdadeira riqueza da cultura tecnológica contemporânea.</p>
<figure class="figura"><img class="imagem-nota imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/imagem/549/windows-95-baby-hologram.jpg" alt="Holograma anti-pirataria do Windows 95" width="501" height="839" loading="lazy" decoding="async"><figcaption>A versão &quot;comportada&quot; do holograma</figcaption></figure>
<p>Uma dessas pérolas, <a href="https://news.ycombinator.com/item?id=49371006" rel="noopener noreferrer">publicada no Hacker News</a>, apareceu em meu feed hoje de manhã, através do <a href="https://social.lansky.name/@hn50" rel="noopener noreferrer">Hacker News 50</a>. </p>
<p>Trata-se de uma <a href="https://devblogs.microsoft.com/oldnewthing/20030825-00/?p=42803" rel="noopener noreferrer">curiosidade sobre a holografia anti-pirataria</a> que foi colocada nas caixas do Windows 95, quando de seu lançamento. Toda caixa do sistema operacional da Microsoft possuía uma. Para a composição, o fotógrafo decidiu usar uma fotografia de seu filho, que na época era apenas um bebê. O racional dele foi ótimo: o rosto humano é extremamente difícil de copiar com precisão. O bebê aparecia sentado ao lado de um computador e, quando você virava a caixa e movimentava o holograma, o braço levantava e apontava para o monitor, onde havia um logotipo do Windows 95.</p>
<p>Nas palavras de Raymond, &quot;<em>How cute. And everybody loves babies.</em>&quot; </p>
<p>Mas num belo dia de sol, a Microsoft recebeu uma reclamação de um governo estrangeiro, cujo nome nunca revelou publicamente: estavam desconfortáveis com o fato do Windows 95 retratar <strong>crianças nuas</strong> na caixa do produto.</p>
<p>Na foto original, o bebê não estava usando camiseta. E a foto na caixa, mesmo que só retratasse o bebê da cintura pra cima, foi razão suficiente pra que o governo se ofendesse, imaginando que a criança também não estivesse usando nada da cintura pra baixo. Isso fez com que a Microsoft precisasse mandar produzir uma nova holografia, onde o bebê passou a usar camiseta e macacão. Raymond conta que, no entanto, como a coisa foi feita com pressa, a animação original do braço se erguendo para mostrar o logotipo do Windows 95 na tela no monitor acabou se perdendo.</p>
<p><strong>Uma pena.</strong></p>
<p>Então, se você ou alguém que você conhece, ainda tiver uma caixa de Windows 95 por aí, vale a pena olhar o holograma. As caixas foram distribuídas pelas Américas e na Europa. E se o bebê em uma delas não estiver usando camisa, então trata-se de um item de colecionador.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/cultura">#cultura</a> <a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/tecnologia">#tecnologia</a></p>
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  <title>Uma estação de rádio enxerida</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2477</id>
  <updated>2026-08-17T20:22:11+00:00</updated>
  <published>2026-08-17T20:20:00+00:00</published>
  <category term="cotidiano"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Há cerca de dois meses eu descobri uma nova emissora de rádio em São José dos Campos, lugar onde moro desde que nasci. Trata-se da <a href="https://www.rockenews.com.br/" rel="noopener noreferrer">Rock e News</a>, que opera em 106,5 Mhz e, como o nome sugere, transmite rock e notícias durante o dia.</p>
<p>Há outras rádios que gosto de ouvir enquanto dirijo, mas a programação deles me soou tão interessante e nostálgica que eu passei a escutar a frequência da emissora mais do que as outras. Vinha fazendo isso até cerca de três ou quatro semanas, quando o sinal de outra rádio passou a <em>invadir</em> o espaço. Operando na mesma frequência, os 106,5 Mhz, descobri a <a href="https://radioportalfm.com.br/" rel="noopener noreferrer">Rádio Portal FM</a>, de Extrema, em Minas Gerais.</p>
<p><strong>As duas cidades ficam a cerca de 132km de distância.</strong></p>
<p>Eu não entendo de transmissão de rádio, mas logo imaginei duas coisas: primeiro, que devem haver diversas rádios no Brasil que operam na frequência 106,5Mhz. E segundo, que, como a primeira deve ser verdade, deve haver uma regulamentação (da Anatel) que diga dentro de qual território cada uma deve operar. </p>
<p>Então, me pus a pensar se podia alertar alguém sobre o sinal de uma rádio de outro estado interferindo na frequência idêntica à da ráido que opera na minha cidade. E descobri que posso, sim, alertar os órgãos competentes. Quando duas emissoras distantes usam a mesma frequência e geram sobreposição de sinal, pode ser por <strong>falha técnica de outorga</strong>, por <strong>excesso de potência</strong> ou ainda por <strong>operação irregular</strong>.</p>
<p>Segundo eu descobri, as emissoras de FM comerciais operam usando delimitação geográfica de outorga, justamente para <strong>evitar</strong> que sinais na mesma cidade ou limítrofes colidam, fazendo uma emissora invadir o canal da outra. Mas algumas coisas podem <em>sair do lugar</em>. Por exemplo, condições climáticas atípicas podem fazer o sinal de localidades distantes, como o sul de Minas Gerais, viajarem muito além do normal, neste caso em direção ao interior paulista.</p>
<p>Um outro motivo pela qual a estação de Extrema poderia estar chegando por aqui seria eles terem trocado seus transmissores por equipamentos mais potentes. Uma outra FM aqui de São José dos Campos fez isso meses atrás. A rádio de Extrema também pode estar operando com potência acima da permitida em seu projeto técnico original, ou com ganho de antena irregular.</p>
<h2 id="s-eu-pensei-que-era-radio-pirata-mas-nao-era">Eu pensei que era rádio pirata, mas não era</h2>
<p>As primeiras vezes que escutei essa Portal FM pensei logo o pior. Que se tratava de <strong>rádio pirata</strong>. Mas depois, quando consegui identificar que rádio era, me provei errado.</p>
<p>Rádio pirata não tem licença do governo. Alguém resolve montar um transmissor por conta própria, escolhe uma frequência livre ou já ocupada no dial e passa a transmitir de forma deliberadamente ilegal. Pelo que eu pude ouvir durante vários dias, os caras de Minas têm programação fixa e <a href="https://radioportalfm.com.br/" rel="noopener noreferrer">site na internet</a>... é claro que rádio pirata não teria.</p>
<p>O que vem acontecendo no meu carro parece ser um conflito de fronteiras de sinais autorizados que precisa ser recalibrado pela engenharia das emissoras ou pela fiscalização.</p>
<p>Em todo o caso, eu avisei a Rock e News pelo WhatsApp, gravando um vídeo para demonstrar o problema. E eles me responderam!</p>
<blockquote>
<p>Olá!</p>
<p>Estamos enfrentando uma instabilidade no nosso sinal devido à interferência de outra emissora que está transmitindo na mesma frequência. Nossa equipe está trabalhando para normalizar a transmissão o mais rápido possível.</p>
<p>Enquanto isso, você pode continuar ouvindo a Rock News pelo nosso aplicativo ou pelo site: rockenews.com.br.</p>
<p>Caso identifique essa interferência, <strong>você também pode registrar uma ocorrência junto à Anatel</strong>. Esses relatos ajudam o órgão a identificar e fiscalizar esse tipo de problema.</p>
<p>Agradecemos a compreensão e por seguir com a gente! 🤘</p>
</blockquote>
<p>Falando em Anatel, vou deixar aqui o link pro canal oficial de denúncias deles, o <a href="https://apps.anatel.gov.br/anatelconsumidor/" rel="noopener noreferrer">Anatel Consumidor</a>, onde é possível registrar uma solicitação técnica de interferência prejudicial. E também o link para o canal de atendimento do <a href="https://www.gov.br/mcom/pt-br" rel="noopener noreferrer">Ministério das Comunicações</a>, por onde descobri que também é possível fazer denúncias.</p>
<p>Espero que em breve a programação normal retorne.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/cotidiano">#cotidiano</a></p>
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  <title>Toy Story 5</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2442</id>
  <updated>2026-08-16T01:34:36+00:00</updated>
  <published>2026-08-15T04:06:00+00:00</published>
  <category term="cinema"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><img class="imagem-nota imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/imagem/547/toystory5.jpg" alt="Pôster do Toy Story 5" width="400" height="600" loading="lazy" decoding="async"> Ontem assistimos <strong>Toy Story 5</strong>. Trata-se de uma franquia que eu adoro: fiz questão de assistir a todos os desenhos anteriores (alguns mais de uma vez, inclusive). Só que devo confessar que estava com o pé atrás com esse novo capítulo. </p>
<p>O motivo é simples: pra mim, toda sequência de filme tende a ser pior que o original. Ainda que eu considere a série de cinco filmes de Toy Story uma grata exceção à regra, fico sempre imaginando o momento em que a Pixar vai declarar o final da saga (porquê, eventualmente, isso vai acabar acontecendo). E enquanto não acontece, fico pensando se os roteiristas vão continuar se reinventando e se superando.</p>
<p>Toy Story 5 parece ter mantido o que seus antecessores fizeram: conseguiram criar, mais uma vez, uma história que aborda problemas comuns que as pessoas comuns passam. Todos os filmes trouxeram temas novos e genuínos. Em Toy Story 1 (1995), lidaram com ciúmes. Em Toy Story 2 (1999), foi a vez de tratar de abandono. O terceiro filme, de 2010, onde o ciclo de Andy como dono dos brinquedos se encerrou, tratou, evidentemente, de <em>como seguir em frente</em>. O quarto filme, que chegou aos cinemas em 2019, que mostra os brinquedos se adaptando à Bonnie, sua nova dona, lida com Woody redescobrindo seu propósito e deixando &quot;sua família&quot; para trás.</p>
<p>O quinto filme, que chegou aos cinemas brasileiros este ano, também lida com um tema com o qual é fácil se relacionar atualmente: como as crianças trocam brinquedos convencionais por telas de tablets, celulares e computadores. É um retorno ao tema de obsolescência, ao medo de Jessie e seus amigos de serem esquecidos em uma caixa, preteridos pela tecnologia digital. </p>
<p>Toy Story 5 se tornou o terceiro filme da franquia a ultrapassar a barreira de US$ 1 bilhão de receita, e então <a href="https://cinebuzz.com.br/noticias/cinema/toy-story-5-supera-toy-story-4-e-se-torna-o-filme-de-maior-bilheteria-da-franquia.phtml" rel="noopener noreferrer">ultrapassou Toy Story 4</a>, tornando-se o filme de maior arrecadação da franquia da Pixar.</p>
<p>Eu <a href="https://variety.com/2026/film/reviews/toy-story-5-review-tom-hanks-joan-cusack-tim-allen-1236779443/" rel="noopener noreferrer">li uma crítica da Variety</a> onde o jornalista compara escolher seu Toy Story favorito a escolher seu álbum favorito dos Beatles, querendo dizer com isso que todos os cinco filmes estão no mesmo patamar altíssimo. Eu concordo, do ponto de vista de qualidade de produção e efeitos. Foi uma sequência digna, muito bem feita. </p>
<p>Mas, apesar das sequências mostrando a imaginação de Bonnie e de Blaze em ação, um elemento que eu não tinha visto em outros episódios da série e que me lembrou da imaginação das crianças cuidadas pela babá de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Muppet_Babies" rel="noopener noreferrer">Muppet Babies</a>, <strong>o quinto filme não foi meu favorito da franquia</strong>. A trilogia original, pra mim, ainda é a vencedora: há um charme nos brinquedos mais comuns e convencionais, e em como eles nos personificam, com seus diálogos e situações, parecendo adultos. De qualquer maneira, amo todos os cinco.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/cinema">#cinema</a></p>
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  <title>Se a IA te der um limão...</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/195</id>
  <updated>2026-08-10T19:29:23+00:00</updated>
  <published>2026-08-09T22:06:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>O algoritmo do YouTube <a href="https://youtu.be/6Ide5pRLR8Y" rel="noopener noreferrer">me sugeriu este vídeo</a> hoje. Achei interessante ver duas <a class="wikilink link-interno" href="https://danielsantos.org/nota/inteligencia-artificial">inteligências artificiais</a> competindo pra ver qual delas venderia mais limonada.</p>
<figure class="video"><a class="video__gatilho" href="https://www.youtube.com/watch?v=6Ide5pRLR8Y" aria-label="Assistir ao vídeo: Everything AI Does When You Ask It to Start a Lemonade Stand" data-video="6Ide5pRLR8Y"><img class="video__capa" src="https://danielsantos.org/video/capa/6Ide5pRLR8Y" width="1280" height="720" alt="" loading="lazy" decoding="async"><span class="video__play" aria-hidden="true"></span></a><figcaption class="video__rodape"><span class="video__fonte"><span class="video__titulo">Everything AI Does When You Ask It to Start a Lemonade Stand</span> <a class="video__fora" href="https://www.youtube.com/watch?v=6Ide5pRLR8Y">Assistir no YouTube<svg class="icone icone--fora" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2.4" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" aria-hidden="true" focusable="false"><path d="M8.5 15.5L18 6"/><path d="M10.5 6H18v7.5"/></svg></a></span></figcaption></figure>
<p>O vídeo mostra a competição entre o Claude, da Anthropic, e o ChatGPT, da OpenAI. A tarefa deles? Construir do zero — e depois operar — bancas de limonada autônomas. O responsável pelo experimento deu aos dois modelos <strong>orçamento ilimitado</strong> e um objetivo: ganhar cem dólares até o final do dia. </p>
<p>Foi legal acompanhar os processos de tomada de decisão das IAs e as estratégias de negócio que cada uma adotou.</p>
<p>O Claude resolveu construir uma banca cujo processo de preparo da limonada lembra uma máquina de Rube Goldberg. Já o ChatGPT optou por um setup que parece com um laboratório.</p>
<p>Os dois modelos acabaram precisando de ajuda de seres humanos: fizeram contratações pela internet e depois conduziram entrevistas com candidatos, antes da contratação propriamente dita. Além disso, quando chegou a hora de anunciarem seus produtos — <em>marketing, baby</em> — as inteligências artificiais mostraram ter <strong>dificuldades em se comunicar como seres humanos</strong>. Por vezes, aliás, foram ríspidas.</p>
<p>Se os empreendimentos criados pelo ChatGPT e pelo Claude fossem alvo de julgamento por um <em>reality show</em> de modelos de negócio, seriam reprovados pelo resultado: nenhum dos dois atingiu a meta de faturar cem dólares em um dia de operação: Claude obteve 65 dólares de receita. O ChatGPT ficou atrás, com 42.</p>
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  <title>Eu tenho essa vontade de escrever</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/108</id>
  <updated>2026-08-08T13:40:13+00:00</updated>
  <published>2026-08-04T00:35:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Recentemente me peguei pensando sobre escrever. Não o escrever como faço nesse site, quando componho uma postagem de blog. Nem mesmo o escrever no sentido de compartilhar um artigo do meu jardim digital publicamente. É algo muito mais antigo. Algo que remonta à minha infância.</p>
<p>Engraçado que eu não consiga me lembrar exatamente quantos anos eu tinha — na minha cabeça eram 14, e eu estava na oitava série. Mas às vezes acho que foi na quarta série, ainda mais cedo portanto. De qualquer maneira, uma coisa era a mesma nesses dois períodos: a folha pautada com espaço no cabeçalho, ao lado do logotipo da escola, para colocar o nome completo, série, número da chamada. Essas folhas eram impressas em uma gráfica na própria escola, e elas tinham pautas e letras marrons (ou sou eu quem se lembra delas assim, mas isso não é o mais importante).</p>
<p>Acontece que eu estava fazendo uma prova de Língua Portuguesa, ou de Redação. E tinha uma daquelas questões que pedia que eu escrevesse um texto. Uma redação. O tema era livre. E junto dessa solicitação vinha um pedido, temido por muitos amigos que estudavam comigo na mesma sala naquela época, mas nunca por mim: a quantidade mínima de palavras.</p>
<p>Nunca me atentei a esse tipo de coisa, provavelmente porque eu sempre tive mais palavras pra colocar no papel do que a quantidade mínima. Eu gosto de pensar que sou uma pessoa criativa e que tenho bastante imaginação. Não que eu nunca tenha tido alguma dificuldade pra escrever, ou tenha passado por um bloqueio, um dia menos inspirado. Afinal, isso acontece com todo mundo e nas melhores famílias.</p>
<p>Voltando à questão da redação, me pus a escrever. Peço logo desculpas porque o tema era livre, tão livre, que há anos se libertou, bateu asas e voou: de maneira que não me  lembro mais sobre o que escrevi. Mas me lembro das duas coisas que são chave para o que estou te contando: primeiro, que para escrever minha redação eu tinha uma folha pautada em marrom, tamanho A4 (ou era ofício?), frente e verso. Que eu usei inteira, frente e verso. Daí, como ainda tinha história pra contar (e tempo pra fazer a redação), fui na mesa da professora e pedi outra folha pautada frente e verso vazia. E enchi ela também. </p>
<p>Então pedi outra folha: mas naquela altura o tempo pra fazer a prova já estava acabando, e eu, sabendo disso — e é isso que nunca me saiu da memória —, terminei minha história dizendo &quot;melhor eu ir parando por aqui, porque senão vou acabar escrevendo um livro&quot;. Essa frase nunca me saiu da cabeça.</p>
<p>Naquele dia — na oitava série, quarta série, sei lá —, entreguei a redação. Como acontecia naquela época, a professora levou pra casa, corrigiu, e depois de alguns dias me devolveu. E o interessante foi reparar não na nota que eu tirei, que é outra coisa que eu não me lembro, mas na mensagem que ela escreveu ao lado da última frase da minha redação: &quot;escreve mesmo!&quot;</p>
<p>Todo mundo tem professores que influenciam, de uma forma ou de outra, o que acontece na carreira. Pelo menos é o que eu acredito. E essa frase me acompanhou durante muito tempo. Muito mesmo. Até que cerca de um mês atrás, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, não importa, me passou uma ideia pela cabeça. E eu comecei a escrever ficção. Anos depois, aquela frase finalmente me deu um impulso que eu comecei a traduzir em palavras.</p>
<p>A diferença disso que eu comecei a escrever pra o que eu costumo publicar neste site, é que a minha ficção não está pronta para os olhos do público. Por maior ou menor que este público seja. Tenho um amigo que considero um orientador, que me disse que a primeira pessoa pra quem a gente escreve é a gente mesmo. Pois bem. Estou nesse ponto, então: por agora, sou meu próprio público. E está ótimo.</p>
<p>Dizem que o jornalista e poeta cubano <a href="https://poets.org/poet/jose-marti" rel="noopener noreferrer">José Martí</a> teria dito: </p>
<blockquote>
<p>“Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro: três coisas que todo homem deve fazer durante a vida.”</p>
</blockquote>
<p>Ao longo dos anos, conforme eu lembrava (ou nunca esquecia) da frase escrita à caneta pela minha professora no final da minha redação, eu meio que sempre levei essa parte do &quot;escrever um livro&quot; literalmente, embora eu saiba que essa parte representa muito mais o registro de ideias, experiências e de conhecimento (<em>alô site, alô blog, alô, jardim digital!</em>).</p>
<p>Aliás, devo dizer que essa citação, que na verdade não se sabe com certeza se realmente veio de Martí, junto com o feedback da minha professora, além de outras várias coisas, me tornaram um ávido leitor, uma pessoa mega curiosa e um <em>lifelong learner</em>.</p>
<p>Mas também por isso eu carrego, eu tenho comigo essa vontade de escrever. E a ideia da ficção que eu tive já se transformou. Virou outra. E mais uma. E mais outra. Tenho, nesse momento, três ideias distintas, e tenho trabalhado, conforme posso, conforme dá, em cada uma delas. </p>
<p>E quem sabe um dia eu não volto aqui e conto pra você que pelo menos uma dessas ideias de fato se transformou num livro?</p>
]]></content>
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  <title>E não sobrou motivo (pra não ler de novo)</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/107</id>
  <updated>2026-08-17T13:55:50+00:00</updated>
  <published>2026-07-19T18:16:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a class="capa-link" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/1" title="Ver na estante"><img class="imagem-nota imagem-nota--capa imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/imagem/55/e-nao-sobrou-nenhum.png" alt="Capa de E não sobrou nenhum, por Agatha Christie" width="333" height="500" loading="lazy" decoding="async"></a>Resolvi começar hoje uma segunda leitura de &quot;<a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/1">E não sobrou nenhum</a>&quot;, da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie" rel="noopener noreferrer">Agatha Christie</a>. </p>
<div class="bloco-nota"><p>A primeira vez que eu li esse livro foi em 2020. Eu gosto de romances policiais, e <em>E não sobrou nenhum</em>, lançado em 1939, é um ótimo exemplar do gênero, além de ser considerado a obra mais sombria, técnica e influente da Dama do Crime.<sup class="nota-marca" aria-hidden="true" data-marca="1">1</sup></p><div class="notas-bloco"><span class="nota-margem" role="note" data-nota="1"><span class="nota-margem__num" aria-hidden="true">1</span>em inglês, <em>Lady of Crime</em>, alcunha que Christie ganhou ainda em vida</span></div></div>
<p>Aqui não há <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hercule_Poirot" rel="noopener noreferrer">Hercule Poirot</a>, como em <em>Assassinato no Expresso do Oriente</em>, nem <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Miss_Marple" rel="noopener noreferrer">Miss Marple</a>, como em <em>A Mão Misteriosa</em>, para observar as pistas, pegar na mão do leitor e desvendar o mistério. Temos, no lugar disso, dez pessoas presas em uma ilha. Alguém está matando uma a uma, e isso transforma cada potencial vítima também em suspeito — e detetive.</p>
<div class="bloco-nota"><p>Christie afirmou <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie:_An_Autobiography" rel="noopener noreferrer">em sua autobiografia</a> que escreveu o livro porque a ideia de dez pessoas morrerem sem que o assassino fosse óbvio (ou a situação se tornasse ridícula) era fascinante e extremamente difícil de realizar.<sup class="nota-marca" aria-hidden="true" data-marca="2">2</sup></p><div class="notas-bloco"><span class="nota-margem" role="note" data-nota="2"><span class="nota-margem__num" aria-hidden="true">2</span>VURMAY, M. Ayça. Detection or endless deferral/absence in detective fiction: Agatha Christie&#039;s and Then There Were None. <strong>Ankara Üniversitesi Dil ve Tarih-Coğrafya Fakültesi Dergisi</strong>, v. 57, n. 2, p. 1127-1150, 2017. DOI: <a href="https://dergipark.org.tr/en/download/article-file/2153692" rel="noopener noreferrer">https://doi.org/10.1501/Dtcfder_0000001554</a>. Acesso em: 19 de julho de 2026.</span></div></div>
<p><em>Difícil</em>, pra mim, foi ler esse livro, ao menos da primeira vez, já que esta será minha segunda tentativa. Na primeira, em 2020, me arrastei com a leitura por <strong>39 dias</strong> até tomar a decisão de abandonar a leitura. Não me lembro agora o motivo exato para parar, mas provavelmente tenha sido relacionado ao fato de estarmos no meio da pandemia: a cabeça não estava muito 100%, e eu não consegui acompanhar.</p>
<p>Agora a coisa mudou de figura: a pandemia já acabou há anos, e meu filho, além disso, teve que ler a obra pra escola. Isso fez com que eu pensasse, &quot;<em>bom, por que não tentar novamente?</em>&quot;. Então cá estou eu. Desejem-me sorte.</p>
]]></content>
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  <title>Por que quis ler: A Enxadrista de Auschwitz</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/2478</id>
  <updated>2026-09-05T13:01:17+00:00</updated>
  <published>2026-04-21T09:42:00+00:00</published>
  <category term="leituras"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><a class="capa-link" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/323" title="Ver na estante"><img class="imagem-nota imagem-nota--capa imagem-nota--right" src="https://danielsantos.org/leituras/capa/323" alt="Capa de A enxadrista de Auschwitz, por Gabriella Saab" width="341" height="500" loading="lazy" decoding="async"></a>Esta semana me deparei com &quot; <a class="link-interno" href="https://danielsantos.org/leituras/livro/323">A Enxadrista de Auschwitz</a>&quot;, livro de estreia de Gabriela Saab, e pensei em dar-lhe uma chance. Comecei hoje a leitura, e confesso que a achei agradável e fluida (o que provavelmente também é mérito da tradutora da obra, Daniela Tolezano).</p>
<p>Por detrás da minha motivação em ler o livro estão duas questões principais: primeiro, meu gosto por <strong>xadrez</strong>. Eu nunca joguei bem, e me considero mais curioso e entusiasta do que jogador, propriamente dito. E como tal, foi interessante ler a seguinte frase na descrição do livro:</p>
<blockquote>
<p>Uma jovem trabalhadora da resistência polonesa, detida em Auschwitz como prisioneira política, <strong>joga xadrez em troca da própria vida</strong> enquanto luta para levar à justiça o homem que destruiu sua família.</p>
</blockquote>
<p>Metade do gancho está aí. A outra metade é a segunda questão: gosto de ler livros que tratem a respeito do período da Segunda Guerra Mundial, sejam eles fato ou ficção. Portanto, isso significa que fui completamente fisgado.</p>
<p>Eu não tenho lido no ritmo que eu gostaria este ano (aliás, não me lembro de quando foi a última vez que li no ritmo que eu gostaria), mas espero que consiga terminar a obra em um prazo não muito longo. Como eu disse, a leitura parece fácil e fluida (até agora, com a amostragem que eu tive), então não deve ser problema. Espero que eu tenha acertado com a escolha.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/leituras">#leituras</a></p>
]]></content>
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  <title>Mil edições depois</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/41</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2025-08-17T16:04:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Às vésperas do Natal do ano passado compartilhei por aqui minha vontade de <a class="wikilink link-interno" href="https://danielsantos.org/nota/quero-ser-wikipedista">me tornar um wikipedista</a> — um editor da Wikipédia. Inclusive, citei ao final daquele texto que faria com que isso fosse uma das minhas <strong>metas</strong> para o ano de 2025.</p>
<p>Começa 2025, e eu fico oito meses sem postar um único texto aqui. Um hiato que, em retrospecto, considero ao mesmo tempo <em>inesperado</em> e <em>necessário</em>. Mas, enquanto os textos aqui sumiram, minhas edições na Wikipédia continuaram a acontecer, prova de que pelo menos <em>essa meta</em> que eu estabeleci está sendo cumprida.</p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/31/img-8573.webp" srcset="/imagem/31/img-8573.webp?v=800 800w, /imagem/31/img-8573.webp 1179w" sizes="100vw" alt="" width="1179" height="1481" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p><strong>Essa semana, bati a marca de 1000 edições no site. Uma marca e tanto!</strong> Teve até notificação me agradecendo por colaborar tão arduamente, e embora eu saiba que ela é <em>automática</em>, achei sensacional do mesmo jeito! </p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/32/img-8574.webp" srcset="/imagem/32/img-8574.webp?v=800 800w, /imagem/32/img-8574.webp 1179w" sizes="100vw" alt="" width="1179" height="593" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>Eu também aprendi uma coisa sobre mim mesmo ao longo dessas minhas mil edições <em>wikipedianas</em>: <strong>não devo ir com muita sede ao pote.</strong> Quando comecei a editar, me empolguei pra valer, e acumulei uma sequência de 97 dias seguidos com várias edições por dia. Fazer meu <em>streak</em> crescer diariamente foi legal no começo, mas com o tempo passei a sentir que editar a Wikipédia estava parecendo mais uma <em>obrigação —</em> como a de um trabalho assalariado —, do que um ato voluntário e divertido. </p>
<p>Então abandonei a mentalidade de aumentar meu <em>streak</em>: eu não necessariamente edito mais todos os dias, mas quando edito, sinto que voltou a ser algo legal como eu sempre imaginei que seria. E mil edições depois, agora quero que venham mais mil, e mais mil, e mais mil.</p>
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  <title>Flip 7</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/34</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2025-08-08T11:42:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Recentemente abri o YouTube e me deparei com um vídeo do <a href="https://www.youtube.com/@SmoshGames" rel="noopener noreferrer">Smosh Games</a> — canal onde vários amigos se divertem com jogos de cartas e de tabuleiro —, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4RDZ2jjWQhg" rel="noopener noreferrer">em que eles queriam testar</a> se <strong>Flip 7</strong> era &quot;<em>o melhor jogo de cartas de todos os tempos</em>&quot;, afirmação, aliás, que está impressa na caixa do jogo.</p>
<figure class="figura"><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/24/38-1.webp" srcset="/imagem/24/38-1.webp?v=800 800w, /imagem/24/38-1.webp 1200w" sizes="100vw" alt="O meu Flip 7" width="1200" height="1200" loading="lazy" decoding="async"><figcaption>A caixinha do meu Flip 7.</figcaption></figure>
<p>O jogo lembra o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Blackjack" rel="noopener noreferrer">Vinte-e-um</a>, só que ao invés de tentar fazer mais pontos que seu adversário sem estourar o limite de pontos, no Flip 7 os jogadores viram cartas numeradas de 0 a 12, e não podem repetir o mesmo número duas vezes: quem faz isso é eliminado e tem os pontos daquela rodada zerados. </p>
<p>A premissa é simples, mas existe um <em>plot twist</em> importante: quanto maior o valor da carta, mais cartas iguais a ela estarão esperando no baralho para serem puxadas: há apenas uma carta com o valor 1, mas existem 12 cartas com o valor 12. É o jogador, no melhor estilo dos jogos <em>push your luck</em>, quem decide se quer parar naquela rodada, ou continuar. Ao final da rodada, cada jogador soma os pontos totais que tem em mãos, e quem marca 200 pontos primeiro vence.</p>
<p>Além disso, <strong>cartas especiais</strong> podem mudar o rumo do jogo: você pode <em>congelar</em> um adversário e obrigá-lo a parar com o que estiver em mãos naquela rodada, obrigá-lo a virar três cartas de uma única vez (ou ser corajoso e fazer isso você mesmo), e até mesmo tirar uma carta que te dará uma segunda chance, permitindo que você continue na rodada mesmo depois de tirar uma carta com valor repetido.</p>
<p>Finalmente, <em>justificando o nome do jogo</em>, quando alguém está com sorte e consegue <strong>virar 7 cartas sem repetição</strong>, a rodada acaba automaticamente, todos contam seus pontos e o jogador que chegou a 7 cartas adiciona 15 pontos ao seu placar.</p>
<p>Os 39 minutos desse vídeo me convenceram de que Flip 7 era extremamente divertido: eu estava de férias, e esse seria o passatempo perfeito. Tanto que não sosseguei enquanto não achei o jogo pra comprar. Foram dias de férias divertidíssimos, e mesmo agora, com as férias terminadas, aqui em casa não paramos mais de jogar.</p>
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  <title>Quero ser wikipedista</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/54</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2024-12-23T20:35:00+00:00</published>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Sou nascido em uma época <strong>pré-digital</strong>: em outras palavras, anterior à internet. O primeiro computador que meus pais compraram foi um <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/HotBit_HB-8000" rel="noopener noreferrer">HotBit HB-8000</a>, de arquitetura MSX, compatível com fita cassete e com drive para disquete de 5¼ polegadas externo, em algum momento posterior a 1985.</p>
<p>Compatível com o que se esperava da década de 1980, meus trabalhos da escola, portanto, eram todos feitos em papel almaço pautado, escritos à mão, e requeriam pesquisa em enciclopédias. Em casa tínhamos a Enciclopédia do Estudante, da Abril Cultural, em 5 volumes, com atlas no último deles; minha mãe também encomendava e comprava, com o jornaleiro da banca de revistas mais próxima de casa, semanalmente, fascículos que eu ia buscar, e que posteriormente compuseram a coleção Conhecer Atual, da Nova Cultural, que mandamos encadernar quando foi concluída. Eu nunca tive em casa obras como a Barsa, ou a Mirador, gigantes enciclopédicos daquele tempo: se precisasse consultá-los, no entanto, eu era abençoado, por morar, literalmente, a uma quadra da biblioteca municipal. Ah, e também tínhamos em casa edições do Almanaque Abril, “<em>a enciclopédia em um volume</em>”, publicadas anualmente: uma das que mais me vem à memória é a de 1989, com a foto do deputado Ulysses Guimarães na capa.</p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/40/img-8124.webp" alt="" width="454" height="675" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>O tempo passou, e os computadores se modernizaram. Em casa, no começo da década de 1990, se não me engano, me lembro que compramos um CD-ROM da Encarta, enciclopédia da Microsoft, e eu ficava maravilhado de ver como era simples pesquisar digitando e dando enter, sem precisar folhear atrás das informações em cada um dos volumes de papel.</p>
<p>Fato é, de papel, ou em CD-ROM, <strong><em>sempre fui fascinado por enciclopédias</strong></em>. Além dos trabalhos escolares que me faziam pesquisar coisas nelas, eu costumava pegar os volumes e folhear, procurando conhecimentos novos. Talvez lhe pareça coisa de doido, mas eu <strong><em>amava</strong></em> fazer isso. Acho que eu sempre fui um <a href="https://pt.m.wiktionary.org/wiki/bibli%C3%B3filo" rel="noopener noreferrer">bibliófilo</a> — e posteriormente, esse hábito se transformou em outra coisa que eu amo, que é navegar à esmo na Wikipédia: eu literalmente me perco, e adoro.</p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/41/img-8126.webp" alt="" width="651" height="481" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>E falando em Wikipédia, eu sempre tive vontade de contribuir com o site, me juntando aos inúmeros voluntários anônimos que editam conteúdo diariamente. Desde a época em que fui professor de inglês, quando a internet ainda engatinhava no Brasil, acabei criando pra mim a crença de que <strong>compartilhar nosso conhecimento é, por natureza, um ato de gentileza, um ato de bondade</strong>.</p>
<p>Eu queria me tornar um <em>wikipedista</em> — termo em português para <em>wikipedian</em>, que é como são chamados os editores voluntários do site. Então, em 29 de novembro de 2023, criei minha conta no site. Fiz três edições <em>mínimas</em> em artigos na versão em português, para pegar o jeito, no mesmo dia.</p>
<p><strong>Daí fui pego pela rotina e não editei mais.</strong></p>
<p>Uma das pessoas que eu sigo de algum tempo pra cá é a <a href="https://www.mollywhite.net/" rel="noopener noreferrer">Molly White</a>. A Molly é engenheira de software e escreve sobre tecnologia, especialmente Web 3.0 e cripto-ativos. Ela tem uma <em>newsletter</em>, a <a href="https://www.citationneeded.news/" rel="noopener noreferrer">Citation Needed</a>, e, adivinhem só: é editora da versão em inglês da Wikipédia <strong>há mais de 15 anos</strong>. Eis que ela publicou, em fevereiro deste ano, um vídeo chamado “<a href="https://youtu.be/bRRHR1NEOqE" rel="noopener noreferrer" title="Become a Wikipedian in 30 Minutes">Become a Wikipedian in 30 Minutes</a>”, onde dá dicas de como dar os primeiros passos na edição de artigos. Eu assisti esse vídeo 3 dias atrás, e pra mim foi uma injeção de ânimo.</p>
<p>Três dias atrás, ouvindo uma música do Hozier, fui pesquisar a respeito do cantor na Wikipédia, e não é que lá dizia que o rapaz era um <strong><em>cautor</strong></em> (<em>sic</em>), e não <strong>cantor</strong>? Uma pequena falha de digitação. Um simples typo. Mas fiz login e arrumei a palavra. Bum. Minha quarta edição. Com a página arrumada, me senti bem, e realmente concluí que quero continuar editando. <strong>Quero ser wikipedista.</strong></p>
<p>Essa vai ser uma das minhas metas pra 2025.</p>
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  <title>O homem que nunca parou</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/45</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2024-12-09T22:07:00+00:00</published>
  <category term="ai"/>
  <category term="anime"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><strong>Hayao Miyazaki</strong> é um animador, cineasta, roteirista, escritor e artista de mangá japonês, cofundador do estúdio Ghibli de animação. Miyazaki sempre criou suas obras à moda antiga, ou seja, sem qualquer ajuda da tecnologia moderna — <em>pense em desenhos feitos a lápis, e coloridos com aquarela</em>.</p>
<p>Dentre os longas de animação que ele criou está “<a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/A_Viagem_de_Chihiro" rel="noopener noreferrer" title="A Viagem de Chihiro">A Viagem de Chihiro</a>” — lançado em julho de 2001 no Japão e exatamente dois anos depois no Brasil —, até hoje aclamado tanto como uma das melhores animações dos anos 2000 como de todos os tempos. Para se ter uma ideia, a animação desbancou, nada mais, nada menos, que o Titanic de James Cameron em termos de maior bilheteria de todos os tempos no Japão.</p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/34/img-8041.webp" alt="" width="739" height="415" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>“<a href="https://youtu.be/9FhpO2gzfNo" rel="noopener noreferrer" title="Never-Ending Man">Never-Ending Man</a>”, que encontrei ao acaso disponibilizado no YouTube, é um interessante documentário da NHK, lançado em 2016, que conta um pouco da vida de Hayao após ele anunciar que iria se aposentar, em meados de 2013. Tendo buscado preparar diversos sucessores para seu lugar ao longo dos anos, o fato de nunca tendo sido capaz de efetivamente <em>largar o osso</em> fez Miyazaki admitir ter <em>drenado</em> todo o potencial de quem treinou, acabando por <em>afugentar</em> cada potencial sucessor, devido a sempre buscar em cada candidato a perfeição que sempre buscou em seus próprios trabalhos.</p>
<p>A aposentadoria logo se mostra parcial — sendo apenas quanto a produção de longas-metragens. Miyazaki demonstra ainda ter uma mente prolífica, cheia de ideias e projetos, que só não consegue levar a cabo sozinho por acreditar não ser mais capaz de se concentrar como fazia quando era mais jovem.</p>
<p>Miyazaki, que conforme o documentário avança mostra ser um verdadeiro <em>workaholic</em>, acaba se envolvendo com um time de jovens artistas especialistas em CGI para executar sua mais nova ideia, o curta-metragem de animação “<a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Kemushi_no_Boro" rel="noopener noreferrer" title="Kemushi no Boro">Kemushi no Boro</a>” (“Boro, a Lagarta”).</p>
<figure class="figura"><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/35/img-8040.webp" srcset="/imagem/35/img-8040.webp?v=800 800w, /imagem/35/img-8040.webp 850w" sizes="100vw" alt="" width="850" height="460" loading="lazy" decoding="async"><figcaption>Boro, a lagarta gerada por CGI.</figcaption></figure>
<p>O <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Mangak%C3%A1" rel="noopener noreferrer" title="mangaká">mangaká</a> se energiza na presença dos mais novos, e tenta ver o CGI com bons olhos, <strong>embora não esconda que tem o pé atrás com a tecnologia em geral</strong>: quando aprende sobre a existência do <em>deep learning</em>, e como, entre 5 a 10 anos, os computadores podem vir a colorir os desenhos exatamente como fazem os seres humanos, ele reage dizendo que “<em>se chegarmos a tal ponto, não precisaremos mais de seres humanos</em>”. E quando conversa com o líder de animação por computador, que lhe mostra uso de IA para animação, se mostra <em>desgostoso</em> tanto sobre seu uso quanto sobre o desenvolvimento de uma futura máquina, <em>capaz de desenhar como os humanos</em> — já que a inteligência artificial não possui emoções, ou compaixão verdadeiras, capazes de produzir obras como as de seu estúdio, que, em suas próprias palavras, “<em>mostram a beleza do mundo que, de outra forma, não se pode perceber</em>”.</p>
<p>A certa altura, Hayao decide que <em>desenhar à mão é a única solução</em>, e que ele não pode mais fugir disso, mesmo que seja preciso tremenda paciência, dê muito trabalho e seja cansativo. O curta, segundo consta da Wikipédia, no entanto, acabou se tornando, ao ser lançado em 2018, o primeiro trabalho do estúdio Ghibli a ter um protagonista totalmente gerado por CGI.</p>
<p>Miyazaki então decide que fará mais um longa-metragem, mesmo sabendo que será um trabalho difícil como todo outro projeto desse tipo. Ele termina o documentário dizendo estar <em>preparado para morrer antes de ver a nova obra concluída</em>, e que prefere morrer desta forma — <em>com algo pelo que valeu a pena viver</em> —, ao invés de morrer enquanto não está fazendo nada. Atualmente, “<a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Kimitachi_wa_D%C5%8D_Ikiru_ka" rel="noopener noreferrer" title="O Menino e a Garça">O Menino e a Garça</a>”, de 2023, é o último longa que ele produziu.</p>
<hr>
<p>Uma pessoa como Hayao Miyazaki, que afirma que ao concluir um filme é crucial que ele não se envergonhe dele, e que deseja nunca se lamentar por não ter tentado alguma coisa, pois tentar e falhar é melhor do que não tentar, certamente não é alguém que vá parar de trabalhar. Seu perfeccionismo, me parece, fará com que ele trabalhe até o dia em que vier a falecer, como afinal acontece com tantos artistas de gênio incomparável.</p>
<p><strong>Mas o que mais me chama a atenção são os comentários e reações do artista ao uso de IA, feitos em 2016.</strong> Ele demonstrou sua aversão, chamando o uso da tecnologia, hoje tão em voga e no auge do <em>hype</em>, de um “insulto à própria vida” (embora por motivos pessoais revelados no vídeo) e como teme que <em>o fim do mundo possa estar chegando</em>.</p>
<p>Achei a fala dele um tanto quanto *profética *para tantos anos atrás, já que atualmente tanto se discute, <strong>não o fim do mundo</strong>, mas sim o fim do <em>valor do trabalho associado à criatividade</em>, com modelos de IA sendo capazes de reproduzir, com graus variáveis de qualidade, o trabalho de artistas em questão de segundos, inclusive imitando diversos estilos famosos.</p>
<p>Ainda assim, acho que obras inspiradas como as de Miyazaki, nunca serão passíveis de cópia total, ou criação por IA, pois às máquinas, de fato, falta emoção e tato.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/ai">#ai</a> <a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/anime">#anime</a></p>
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  <title>Periféricos</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/51</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2024-12-08T18:04:24+00:00</published>
  <category term="lido"/>
  <category term="livros"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/38/leituras-1725143585.jpg" alt="" width="189" height="266" loading="lazy" decoding="async"></p>
<blockquote>
<p>Flynne Fisher vive com o irmão, Burton, em uma área rural e desolada dos Estados Unidos, onde os empregos são escassos e muitos sobrevivem na clandestinidade, fazendo impressões ilegais em 3D e jogando videogame por dinheiro. Veterano de guerra, Burton é contratado para atuar como segurança em um jogo virtual, mas um contratempo leva Flynne a assumir o posto do irmão em um dos turnos. Durante sua ronda, acidentalmente, ela testemunha um homicídio que lhe parece bem real, e logo desconfia que o jogo pode ser, na verdade, uma janela para o futuro. Retomando o ambiente futurista e tecnológico de Neuromancer, Periféricos se revela um thriller policial surpreendente, agudo e original, e deixa claro porque William Gibson é um dos mais talentosos e proféticos escritores de nosso tempo.</p>
</blockquote>
<p><strong>Período de leitura</strong></p>
<ul>
<li><span>de 09/07/2024 a 19/09/2024</span></li>
</ul>
<p>Não consigo me lembrar agora qual foi a conversa que ouvi para começar a ler <strong>“Periféricos”</strong>, de William Gibson. No entanto, eu trabalhei alguns anos com um colega que sempre elogiou o autor da série Neuromancer (<em>a qual eu ainda não li</em>), dizendo o quão visionário e futurista ele é, e, uma vez que notei que se trata de uma história policial e o livro estava sendo ofertado gratuitamente aos assinantes da Amazon Prime, me decidi por ler.</p>
<p>Com a leitura em andamento, me senti meio confuso a princípio. Aparentemente, Gibson gosta de te jogar no universo dele, com seus personagens, termos e invenções, rodeados, é claro, de um linguajar próprio, sem muito preâmbulo ou introdução. Assim, a sensação que tive lendo as primeiras páginas e capítulos, foi a de estar operando um novo dispositivo sem poder contar com manual de instruções.</p>
<p>O livro aborda questões ligadas a viagem no tempo, mas de um jeito todo próprio. Há uma conexão entre duas épocas distintas e uma forma de os personagens em ambas se comunicarem entre si. Um assassinato acontece e ninguém sabe o autor, nem sua motivação. De repente, à medida que as páginas avançam, a gente se acostuma com os termos e com o ambiente, e acompanhar o livro se torna... mais fácil? </p>
<p>Não exatamente. </p>
<p>Gibson <strong>realmente</strong> escreve ficção científica de uma maneira toda própria... com isso, quero dizer que as páginas de “Periféricos” são recheadas de coisas como tatuagens que se movem, carros feitos de papelão, nano bots e <em>michikoides</em>, espécie de robôs femininas versáteis que aparecem ao longo da história. Lembra do que escrevi acima? Que me senti meio confuso a princípio? Bem... na verdade, a minha confusão <em>não passou com o tempo</em>, exatamente. Eu pude captar a essência da história, o assassinato mencionado, a investigação policial, algum tipo de briga tecnológica e financeira entre grandes corporações... mas esses são os únicos elementos que posso dizer que me foram mais <em>perceptíveis</em>, e ainda assim <em>viajei pra caramba</em> no enredo.</p>
<p>O universo da história é apresentado em dois momentos no tempo. Um desses momentos ocorre por volta de 2030. O outro, por volta de 2100. Não existe <em>viagem no tempo</em> de fato, mas existe comunicação entre presente e futuro através de um servidor, ou servidores especiais (ao menos assim eu entendi). São os <em>dados</em> que viajam no tempo: portanto, nada de De Lorean, ou outra máquina do tempo, nada de portais ou mágica. No lugar disso, aparentemente, apenas pura <strong>tecnologia da informação</strong> — <em>e tem gente que acha que profissional de TI arruma cafeteira, haha</em> 😎</p>
<p>Existem invenções demais, desde carros de papelão (<em>oi</em>?) até bebidas e armas diferentes. Existem <em>homúnculos</em> e, é claro, existem <strong>periféricos</strong>, que dão nome ao romance de Gibson. Estes periféricos são robôs autônomos, mas que podem ser <em>ocupados</em> por seres humanos. É assim que Flynne Fisher interage com o mundo quando ela viaja ao futuro. Eu entendo que tem gente que gosta de William Gibson justamente por essa avalanche de invenções futurísticas. Pra mim, não funciona muito bem — o excesso me deixa confuso e atrapalha acompanhar a história... <em>mas talvez seja só uma coisa comigo</em>.</p>
<p>Outra coisa que percebi é que tem <strong><em>personagens demais</em></strong>. Sério, achei <em>muito</em> excessivo. Flynne, moradora de 2030, tem uma mãe doente, um irmão ex-combatente de guerra, que tem um amigo, que tem outro amigo, que tem mais uma galera conhecida. Cada um deles tem um nome, veste uma roupa, faz uma coisa, mas em grande parte nenhum desses personagens contribui para nada na história. Em 2100 não melhora muito. Netherton e a inspetora Lowbeer interagem com um oligarca russo e seus empregados... gente demais, nomes demais, enfim...</p>
<p>Eu levei pouco mais de dois meses pra ler o livro: isso aconteceu, eu acredito, porque a leitura foi uma montanha-russa, alternando trechos bons e interessantes com trechos que achei longos demais, desnecessários e chatos, não agregando à trama. </p>
<p>Não posso dizer que adorei o livro, longe disso, aliás. Mas ainda quero ler a série Neuromancer, que entendo que é escrita de outra maneira. Alguns dizem que William Gibson é um autor que provoca <em>amor</em> ou <em>ódio</em>. Talvez ao ler Neuromancer, em algum momento futuro — <em>pois depois desse livro preciso dar algum descanso ao meu cérebro</em> — eu tenha mais condições de dizer de que lado dessa relação eu estou.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/lido">#lido</a> <a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/livros">#livros</a></p>
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  <title>The Overstory: uma opinião impopular, mas minha</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/59</id>
  <updated>2026-08-03T16:06:45+00:00</updated>
  <published>2024-12-07T18:08:00+00:00</published>
  <category term="lido"/>
  <category term="livros"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/45/img-8033.webp" alt="" width="449" height="683" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>Eu amo lugares com bastante verde: plantas, flores, árvores. Sempre que estou em um desses lugares sinto tranquilidade, paz, e uma bem-vinda sensação de relaxamento. É maravilhoso. Portanto, logo que ouvi falar de <a href="https://app.thestorygraph.com/books/2348e75c-5a77-4dbe-9875-55e433994bbe" rel="noopener noreferrer" title="The Overstory">The Overstory</a>, obra de Richard Powers, e soube que se tratava de uma narrativa envolvendo árvores e diversas pessoas cujas histórias de vida, inicialmente individuais, se entrelaçavam, imaginei que fosse gostar da história e resolvi ler o livro.</p>
<p>Bom... <em>não foi bem assim</em>.</p>
<p><strong><em>ATENÇÃO:</strong></em> opinião <em>provavelmente</em> impopular adiante!</p>
<p><strong>Foram exatos 2 meses de leitura:</strong> de 7 de outubro até hoje. Ao final deste tempo, me senti <strong><em>liberto</strong></em> — e esta não é uma palavra que eu normalmente usaria para falar a respeito de uma das minhas leituras. Mas não há termo melhor que me ocorra no momento: ler este livro foi, sobretudo durante seus dois terços finais, como me sentir <em>acorrentado</em> e exposto ao tédio. Não me lembro, em passado recente, de ler história tão arrastada.</p>
<p>O livro explora a relação entre seres humanos e árvores, e como estes dois exemplos de seres vivos dependem um do outro e até mesmo se inter comunicam, ainda que ambos os lados por vezes não se entendam. A primeira parte de <em>The Overstory</em>, em que os personagens são apresentados através de histórias curtas de suas vidas, funcionou muito bem para mim, e por isso o livro sobreviveu à minha costumeira regra dos três. Aliás, se o livro se interrompesse ali, teria sido uma leitura muito satisfatória pra mim.</p>
<p>Mas a partir do segundo terço da história, a leitura começou a se tornar <em>maçante demais</em> pra mim. Detalhada demais, com termos botânicos demais pro meu gosto. Me senti <em>amarrado</em> a uma tarefa, e terminar de ler passou a me fazer sentir como se estivesse fazendo isso não por prazer, mas por <strong>obrigação</strong>. Não me entendam mal, a história ainda tinha momentos que me prendiam a atenção, <em>mas se movia na velocidade em que as árvores crescem</em>.</p>
<p>Além disso, eu simplesmente não consegui me <strong>conectar</strong>. As diversas histórias dos personagens, quando conectadas, não me cativaram, e eu comecei a achar que tinha gente demais pra acompanhar, e ora não me importava com o que aconteceria com alguns, ora achava o desenrolar longo demais. **Comecei a achar o livro chato, repetitivo e grande como as árvores ali descritas. **Poderia ter sido escrito em menos páginas e em uma história mais curta.</p>
<p>Enfim, talvez algo esteja errado comigo, por não saber ou não ter conseguido apreciar um livro que, quando se busca informações a respeito, é tão elogiado por vários leitores e até mesmo classificado como “<em>o melhor livro que já li na vida</em>” por alguns. Mas pessoalmente não gostei, e é fato; como também é fato que eu provavelmente não vá ler mais nada de Richard Powers por um bom tempo.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/lido">#lido</a> <a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/livros">#livros</a></p>
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  <title>Contra o feiticeiro</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/24</id>
  <updated>2026-08-03T15:37:02+00:00</updated>
  <published>2024-12-06T22:56:00+00:00</published>
  <category term="internet"/>
  <category term="redes-sociais"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Você, sendo ou não pai ou mãe, alguma vez ja dever ter presenciado um daqueles <em>ataques de birra</em> de uma criança, que se joga no chão e começa a chorar e gritar, 99% das vezes porque um adulto de sua convivência está <em>negando fazer a sua vontade</em>: nada de ficar mais tempo, nada de comer doce, nada de comprar aquele brinquedo agora.</p>
<p>Mas já imaginou se, hipoteticamente, essa criança, durante sua birra, sacasse um celular e começasse a transmitir uma <em>live em rede social</em>, acusando seu adulto de ser alguém que <strong>não tem empatia</strong>, ou que <strong>não liga para os sentimentos do próprio filho</strong>? Absurdo, né? Impensável, certo?</p>
<p><em>Certo?</em></p>
<hr>
<p><strong>A internet é uma faca de dois gumes.</strong> Por um lado, graças a ela, nunca tivemos acesso a tanta informação útil que seria complicado de se obter há apenas duas décadas atrás. Mas a internet nos trouxe as redes sociais, que, no mínimo, têm uma utilidade ambígua.</p>
<p>As redes sociais nos tornaram especialistas em formar opinião sobre todos e sobre tudo, o tempo todo, a qualquer momento, e sobretudo a respeito do que vemos mas não temos mais detalhes a respeito. Somos <em>experts</em> em tudo. A internet em seu início prometeu aproximar pessoas, mas as redes sociais têm sido o instrumento para que a distância entre nós se amplie cada vez mais.</p>
<p>Jennifer Castro, uma administradora de empresas mineira, residente em Belo Horizonte, era apenas uma pessoa comum até essa semana. No entanto, tendo comprado um assento à janela de um voo entre a capital carioca e a capital mineira, virou assunto nas redes sociais porque se recusou a ceder seu lugar a uma criança que fazia birra porque queria se sentar à janela. <strong>Virou assunto porque disse não</strong>, e porque a mãe da criança em questão sacou seu celular e gravou um vídeo, postado no TikTok, hostilizando-a enquanto dizia que lhe faltava empatia, que não lhe custava nada trocar de lugar, que ela era desalmada, e por aí vai.</p>
<figure class="figura"><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/16/img-8027.webp" srcset="/imagem/16/img-8027.webp?v=800 800w, /imagem/16/img-8027.webp 1024w" sizes="100vw" alt="" width="1024" height="768" loading="lazy" decoding="async"><figcaption>&quot;E essa, gente, é a desalmada da minha mãe, incapaz de sentir empatia por mim, que só queria um carrinho novo...&quot;.</figcaption></figure>
<p><strong>O celular se tornou uma arma.</strong> Que você saca e usa como forma de intimidação sempre que começa a filmar alguém por um motivo que a você parece justo, mas sem olhar o todo.</p>
<p>Jennifer disse ter se sentido constrangida com o vídeo gravado, sem sua autorização (<a href="https://istoe.com.br/troca-de-lugar-em-voo-especialista-da-dicas-de-como-agir-com-criancas-em-situacoes-similares/" rel="noopener noreferrer" title="IstoÉ">IstoÉ</a>). E aqui entra, novamente, <strong>o problema das redes sociais</strong>, que poderiam ser o palco de grandes revoluções culturais, mas que hoje são apenas <em>reality show</em> barato. <em>Experts</em> instantâneos se polarizaram, tanto defendendo quanto atacando Jennifer pelo seu posicionamento, mas também inferindo coisas como posicionamento político a partir de um fato isolado, o que para mim é absurdo e descabido. Jennifer disse que está se sentindo com medo, e que se viu na necessidade de parar de seguir algumas contas por motivos de segurança (<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/estou-com-medo-diz-passageira-que-recusou-ceder-assento-a-crianca-em-aviao/" rel="noopener noreferrer" title="CNN Brasil">CNN Brasil</a>).</p>
<p><strong>Mas o feitiço virou contra o feiticeiro.</strong> A intenção de quem postou era certamente a de mobilizar pessoas <em>contra</em> a atitude de Jennifer, e o que ocorreu foi o contrário: ela acabou ganhando cerca de 1,5 milhão de seguidores em suas redes sociais com o episódio.</p>
<p>Além disso, Aline, mãe da criança, acabou se desculpando com Jennifer pela exposição. Segundo disse, não foi ela quem fez o vídeo, pois estava ocupada tentando conter o que chamou de “<em>birra ridícula</em>” do menino (F5, <a href="https://f5.folha.uol.com.br/amp/voceviu/2024/12/mae-se-desculpa-apos-discussao-dentro-de-aviao-e-diz-que-filho-fez-birra-ridicula.shtml" rel="noopener noreferrer" title="Folha">Folha</a>). O celular que fez o vídeo e que foi usado como verdadeira arma, felizmente deu <em>um tiro que saiu pela culatra</em>.</p>
<hr>
<p>Não é de hoje que cenas de <strong>tribunal da internet</strong>, e a forma como as pessoas se expressam publicamente nas redes sociais, muitas vezes de forma contundente, agindo como <em>juízes</em>, andam sem limites.</p>
<p>Uma criança birrenta que filme um adulto e poste na internet porque foi contrariada é, obviamente, ficção vinda da minha cabeça — <em>ao menos, assim espero</em>. Os pais têm que impôr limites, e ensinar as crianças que elas não podem ter tudo que querem, sempre que querem.</p>
<p>Mas quem vai educar os <em>usuários birrentos</em> de redes sociais? Aqueles que querem ameaçar com seu celular, postando um lado apenas da história, aqueles que enxergam, em TikToks e Instagrams, palcos onde devem atuar ao invés de simplesmente locais para se comunicarem?</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/internet">#internet</a> <a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/redes-sociais">#redes-sociais</a></p>
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  <title>Adeus Netflix</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/14</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:30+00:00</updated>
  <published>2024-11-06T14:13:00+00:00</published>
  <category term="streaming"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>O que você tem assistido ultimamente, na Netflix?</p>
<p>Quando eu me faço essa mesma pergunta, a resposta é <strong>nada</strong>. E não é que eu não esteja assistindo nada na Netflix recentemente. Eu não tenho assistido nada por lá já há algum tempo. E ainda assim, eu vinha mantendo minha assinatura ativa, pagando mensalmente.</p>
<p>Eu assinei a Netflix em abril de 2014. Ao menos é a informação que está constando dentre os dados da minha conta no serviço de streaming. Naquela época, outros tempos, a assinatura custava R$ 16,90 para assistir a conteúdo em full HD. Eu sempre mantive minha assinatura compatível com assistir em full HD, exceto por alguns meses em 2023, quando experimentei o plano 4K, após comprar uma TV compatível com o formato (spoiler: não compensou pra mim, dado que outros serviços de streaming transmitem em 4K sem cobrar adicional por isso, e eu voltei ao padrão full HD).</p>
<p>Em outubro, ou seja, mês passado, eu cancelei a Netflix, <strong>depois de 127 meses como assinante</strong>. </p>
<p>Percebendo a quantidade de tempo que permaneci pagando pela Netflix, resolvi colocar as coisas em perspectiva e, sendo uma pessoa de exatas, criei um gráfico (é lógico). </p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/6/img-7916.webp" srcset="/imagem/6/img-7916.webp?v=800 800w, /imagem/6/img-7916.webp 1200w" sizes="100vw" alt="" width="1200" height="722" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>Ao olhar para o gráfico, percebi que passei, ao todo, por <strong>8 reajustes de mensalidade</strong>. A assinatura, que me custou inicialmente R$ 16,90, atualmente estava me custando R$ 44,90. Foram 47 pagamentos até gastar ao menos R$ 1.000,00 (entre abril de 2014 e fevereiro de 2018), depois mais 33 mensalidades para passar de R$ 2.000,00 em gastos, e outras 26 para ultrapassar R$ 3.000,00 — culpa de inflação e reajustes, sendo que durante este período minha utilização foi decaindo. E cheguei à R$ 4.000,00 em gastos, ultrapassando ligeiramente este valor, em mais 22 meses de pagamentos.</p>
<p>Ao pensar que gastei cerca de <strong>R$ 4.000,00</strong> com a Netflix neste intervalo de aproximadamente <strong>10 anos</strong>, e que pude assistir à séries como <em>La Casa de Papel</em>, <em>Lupin</em>, <em>O Gambito da Rainha</em>, <em>Stranger Things</em> e <em>13 Reasons Why</em>, só para citar algumas, a verdade é que não sei dizer se o investimento foi uma boa. Não me entendam mal, eu adoro seriados, TV e filmes. Mas é bem complexo calcular o retorno sobre o investimento pra algo assim, porque devem ser considerados aspectos <em>subjetivos</em>, o que quer dizer que muita gente diria que <em>sim, valeu à pena</em>, enquanto muita gente diria o contrário. </p>
<p>Eu prefiro ficar com o <em>benefício da dúvida</em>, e a sensação, <em>positiva</em>, de que o cancelamento — que ganhou força na minha cabeça depois que um amigo no trabalho comentou comigo semana passada que já não assinava Netflix há muito tempo, e que quando quer ver um filme ou série, paga por isso de forma avulsa — veio no momento correto, justamente com a minha queda na utilização. Aliás, o comentário desse meu amigo surtiu tanto efeito em mim que eu decidi cancelar também a Globoplay, por motivos similares. E provavelmente, daqui por diante, vou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2w-T8jc8jXU" rel="noopener noreferrer">seguir o conselho da Nathalia Arcuri</a>, parando de pagar mensalidade de <em>todo santo streaming todo mês</em> e fazendo rotação de assinaturas, para maratonar o que eu quiser. <strong>Com certeza é muito mais negócio.</strong></p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/streaming">#streaming</a></p>
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  <title>Dom Quixote de La Mancha</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/31</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2024-10-13T03:00:00+00:00</published>
  <category term="lendo"/>
  <category term="livros"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/20/img-8047.webp" alt="" width="308" height="450" loading="lazy" decoding="async"></p>
<blockquote>
<p>A história do engenhoso fidalgo Dom Quixote e de seu fiel escudeiro Sancho Pança conquista leitores geração após geração. O clássico de Miguel de Cervantes é considerado o expoente máximo da literatura espanhola e, em 2002, foi eleito por uma comissão de escritores de 54 países o melhor livro de ficção de todos os tempos. Em homenagem aos 400 anos de morte de Miguel de Cervantes, a Nova Fronteira traz ao público esta edição especial, com a obra integral em dois volumes. O texto de Cervantes é acompanhado das belíssimas ilustrações do francês Gustave Doré, um dos mais fantásticos artistas do século XIX.</p>
</blockquote>
<p>A descrição acima, retirada diretamente da edição de “Dom Quixote de La Mancha” que eu escolhi para ler, publicada pela editora Nova Fronteira, resume bem o que a obra é: <strong>um clássico atemporal</strong>, que eu sempre tive vontade de ler, mas do qual eu honestamente <em>nunca soube o que esperar</em>.</p>
<p>Este verdadeiro <em>calhamaço</em>, compreendendo 1591 páginas divididas em dois volumes, pode ser intimidador, pelo simples fato de que a obra, publicada pela primeira vez no longínquo ano de <strong>1605</strong>, possui diversas traduções disponíveis, algumas de mais fácil entendimento do que outras. A edição da Nova Fronteira, traduzida por Almir de Andrade e Milton Amado, me pareceu conter a mescla correta de prosa moderna com palavras mais antigas (e rebuscadas). Concentrando-me bem na leitura, a experiência é super positiva, além de enriquecedora.</p>
<p>Ah, e <strong>é uma leitura engraçada, também</strong>. Claro que sem os exageros da comédia da <a href="https://youtu.be/1jKQL0nIJ-U" rel="noopener noreferrer" title="excelente esquete de Chespirito">inesquecível esquete de Chespirito</a> onde Sancho Pança e seu amo Quixote chegam a uma estalagem — na América do Sul — e se encontram com <em>formosas damas</em>, mas muito divertida mesmo assim.</p>
<p>E a escrita única? Eu nunca imaginei que uma obra do século XVII fosse dotada de um estilo de escrita deste tipo: <a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Miguel_de_Cervantes" rel="noopener noreferrer" title="Miguel de Cervantes">Miguel de Cervantes</a>, autor do livro, é tido como o inventor (ou um dos inventores) da chamada <em>narrativa metaficcional</em>, onde os personagens são conscientes da história que está se passando e conversam não apenas com o narrador da história, mas também com o leitor. Ele consegue, além da comédia, trazer tragédia, romance e sátira para o livro, com personagens profundos e com personalidades próprias, tudo em uma grande crítica à sociedade da época, indo desde o exagerado consumo de livros de cavalaria, muito populares e predominantes na Espanha da época, até a abordagem de questões como a loucura, a razão e a condição humana.</p>
<p>Comecei a leitura em outubro, no dia 13, e estou seguindo meu ritmo: aproveitando para saborear este grande clássico.</p>
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  <title>Gezellig</title>
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  <id>tag:danielsantos.org,2026:nota/36</id>
  <updated>2026-08-03T15:25:31+00:00</updated>
  <published>2024-10-09T15:13:00+00:00</published>
  <category term="cultura"/>
  <category term="tv"/>
  <content type="html"><![CDATA[<p>Estava assistindo ao episódio “Sunflowers” de Ted Lasso (S03E06) com meus filhos ontem. O episódio se passa inteiramente em Amsterdã, na Holanda, pois o AFC Richmond de Lasso vai ao país para um amistoso contra o AFC Ajax — que, sem nenhuma surpresa, o time perde. Após a partida, Ted libera o time do <em>curfew</em>, ou seja, ao invés de obrigatoriamente se recolherem até a manhã seguinte, todos ganham a noite de folga para animarem seus espíritos.</p>
<p><img class="imagem-nota" src="https://danielsantos.org/imagem/26/img-7845.webp" alt="" width="783" height="391" loading="lazy" decoding="async"></p>
<p>E durante esse episódio, uma palavra holandesa, pronunciada à exaustão, me chamou a atenção. Trata-se da palavra <strong>gezellig</strong>, também escrita como <strong>gezelligheid</strong> — porém nunca usada por ninguém do episódio nesta segunda forma.</p>
<p><strong>Gezellig</strong> é uma dessas palavras que é única de seu idioma de origem, o holandês. Ou seja, tal como <strong><a href="https://blog.danielsantos.org/saudade/" rel="noopener noreferrer">saudade</a></strong> em português, não existe tradução direta de seu significado para nenhuma outra língua.</p>
<p>Quando Rebecca questiona seu interlocutor sobre o significado de <strong>gezellig</strong>, descobre que os holandeses são um povo que adora se divertir com os amigos e a família, principalmente em atividades em que todos possam participar. E é essa <strong>sensação de “estar juntos”</strong> que eles chamam de gezellig.</p>
<p>A palavra em si também pode ser usada para representar um ambiente acolhedor, amigável, confortável e relaxante — exatamente o tipo de lugar propício para se estar com família e amigos.</p>
<p>Achei o termo, ao mesmo tempo, curioso e apaixonante.</p>
<p><a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/cultura">#cultura</a> <a class="etiqueta" href="https://danielsantos.org/tag/tv">#tv</a></p>
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