Aula sobre pesquisas eleitorais
Eu não sou fã dos algoritmos das redes mais do que sou fã de martelar ou grampear o meu próprio dedo, mas de vez em quando surgem algumas sugestões que eu considero interessantes.
Desta vez acabei me deparando com um vídeo do canal Copas, mantido pelo especialista em segurança da informação Samuel Araújo. Em "HACK34NDO AS PESQUISAS ELEITORAIS", ele fala de pesquisa eleitoral de uma forma clara, completamente técnica e, sobretudo, apartidária.
Algo que o Samuel menciona e que eu quero enfatizar aqui, porque concordo em gênero, número e grau, é o seguinte:
Pesquisa não é previsão. Pesquisa é uma foto do que as pessoas diziam naqueles dias em que o entrevistador passou. Se a pessoa mudou de ideia na véspera, a foto não errou; a pessoa mudou e a foto já não condizia mais com a realidade atual.
Eu sempre tive o pé atrás com pesquisas — em geral, e não apenas eleitorais, que fique bem claro. Chamar pesquisa de foto, então, como ele faz no vídeo, é o mais acertado. Aquele resultado é um retrato de determinado dia, em determinada hora, formado a partir de dados de respostas coletadas de pessoas que foram entrevistadas naquela única ocasião. Não é nada repetível, e certamente não é nada definitivo. Aliás, explica porque fulano liderou as pesquisas "o tempo inteiro" mas acabou perdendo mesmo assim.
Parte do meu motivador pra ter o pé atrás com resultado de pesquisa eleitoral é porque estatística sempre me interessou, de uma forma ou de outra. Na faculdade eu tirava notas muito boas na matéria, e tinha um professor que dizia uma coisa que eu sempre levei muito a sério:
Estatística é a ciência de produzir o resultado que você quiser.
Não vou colocar o nome dele como "autor" da citação, porque não sei se é original dele. Mas a lógica que ele usava pra explicar a frase é que basta você produzir a amostragem correta, e o "resultado encomendado" aparece.
Bom... depois de assistir ao vídeo — uma verdadeira aula sobre o assunto —, cheguei a pelo menos uma conclusão: tem gente séria fazendo pesquisas por aí. Institutos sérios, estatísticos e pesquisadores que têm propriedade sobre o assunto. Mas pra cada profissional sério, infelizmente, tem um monte de picareta, tentando enganar as pessoas, e nem sempre pra conseguir voto.
Tem gente que divulga pesquisa falsa pra provocar engajamento e comercializar alguma coisa com quem engajou depois — a velha máxima do usuário como produto. Ou seja: nem em época eleitoral a pessoa pode ficar em paz.
Recomendo muito que você assista: são pouco mais de vinte e cinco minutos que são extremamente esclarecedores. Pode confiar em mim!
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