Troque teclado e mouse por joystick nos jogos para PC

Há cerca de dois anos eu presenteei meus dois filhos com um Xbox One, console de jogos da Microsoft o qual eu acho excelente, e que conta com uma série de jogos bacanas que são capazes de nos distrair por horas e horas.

O controle do Xbox One

Quando paro pra pensar no joystick do Xbox One, percebo o quanto o controle evoluiu desde a época de seu tataravô, o Atari. Naquela época o controle que usávamos era uma caixa composta por um bastão e um botão, e nem chegava perto dos seus descendentes modernos, todos com sticks, triggers e botões, anatomicamente localizados para facilitar a vida dos jogadores, que assim podem se concentrar na tela, onde toda a ação acontece.

Aliás, por ser um produto da Microsoft, o joystick do Xbox One pode ser usado não apenas com o console da empresa, mas também com jogos que rodam no PC, na plataforma Windows. Quem circula pelas galerias de lojas de games como o Steam sabe bem que a quantidade de títulos que podem ser jogados com controle aumenta a cada dia — e, embora recomendado, não é necessário que o joystick que você usa seja o do Xbox: eu mesmo, pouco antes de comprar o Xbox One, cheguei a configurar um joystick da Multilaser para jogar no computador.

Mas nem só de jogos que nascem com suporte a joystick vivem os gamers — e eu não estou falando dos games que rodam em tablets smartphones, que, aliás, nem de joystick precisam. Estou falando daquela parcela, ainda significativa, de jogos de computador que não são compatíveis com joystick.

Os primeiros jogos da categoria FPS – First Person Shooter são bons exemplos deste tipo de jogo de computador, e, na própria Steam, é possível encontrar alguns exemplos, como os clássicos Doom II, Quake ou o pai do gênero, Wolfenstein 3D. Estes são todos jogos muito bons, mesmo para aqueles que não os jogaram quando crianças, e que não possuem suporte aos joysticks modernos — em cada um deles, assim, você precisa se virar com o bom e velho teclado e decorar todas as teclas a serem usadas, como no caso do Doom, abaixo:

As teclas para jogar Doom

Mas não são apenas os jogos mais antigos para computador que não possuem suporte à joystick. Pensemos em Minecraft, um sucesso absoluto não apenas para as crianças, como meus dois filhos, que adoram o game, mas também entre os adultos. Desconsiderando as versões posteriores do jogo, que invadiram, além de tablet e celular, os consoles Xbox One e 360, os PlayStation 3 e 4, além do Wii U, onde evidentemente ganharam suporte a joystick, o game original joga-se usando uma combinação de teclado e mouse, segundo vive me informando meu filho mais velho.

Quando se leva em conta os movimentos que um jogador de Minecraft, no computador, precisa realizar, este se vê às voltas com uma combinação de teclas e botões de mouse não menos numerosa que as de games como Doom ou Quake:

As teclas (e botões) para jogar Minecraft

Toda essa combinação de teclas e botões de mouse é muito interessante, e, muitas vezes, até fácil de se acostumar depois de algum tempo jogando. Mas, em prol de facilitar sua vida e, pensando nos games que contam com joysticks modernos como o do Xbox One, você provavelmente já deve ter desejado que houvesse pelo menos uma maneira de jogar estes jogos com joystick.

Bem… Eu, pelo menos, já.

COMO JOGAR COM JOYSTICK JOGOS NÃO COMPATÍVEIS

A primeira coisa que fiz foi — obviamente, vocês já devem ter até adivinhado — uma busca no Google. Como sempre, surgem algumas alternativas para esta questão: Softwares como o Xpadder ou o PGP – Pinnacle Game Profiler.

O que estes programas fazem é simples: Para cada tecla do teclado e  movimento ou pressionamento de botões do mouse, eles são capazes de associar e programar um botão de joystick para fazer o mesmo.

Embora, pelo que pesquisei, ambos sejam boas alternativas e cumpram bem o papel de substituir teclado e mouse por joysticks, há uma questão que quis levar em conta ao ir atrás de uma solução: o custo.

O PGP sai por cerca de US$ 9, enquanto que seu concorrente, Xpadder, sai por um pouquinho mais: US$ 10. Eu, como sou da área de informática, sei melhor do que ninguém que estes softwares precisam certamente ser cobrados, pois são o sustento de seus desenvolvedores. Ainda assim, quando você procura um pouco mais, às vezes acha softwares tão bons quanto os pagos, e que são disponibilizados gratuitamente, graças ao trabalho voluntário de uma ou outra alma caridosa, ou de equipes de desenvolvimento.

ANTIMICRO

Quando o assunto é substituir teclado e mouse pelo joystick, existe uma alternativa que se encaixa neste cenário: Trata-se de um software chamado Antimicro. Dentre os três programas que cito neste texto, nenhum deles tem o nome mais estranho. Ainda assim, é algo que merece todo o meu respeito:

antimicro is a graphical program used to map keyboard keys and mouse controls to a gamepad. This program is useful for playing PC games using a gamepad that do not have any form of built-in gamepad support. However, you can use this program to control any desktop application with a gamepad; on Linux, this means that your system has to be running an X environment in order to run this program.

Aliás, para mostrar como é simples fazer toda a configuração da ferramenta, criei o vídeo abaixo, que disponibilizei no YouTube.

MAS VAMOS ÀS INSTRUÇÕES DETALHADAS…

Primeiro, faça o download do Antimicro, disponível no site do Github.

A ferramenta não funciona apenas com Windows: Também é possível usá-la com algumas variações de Linux, como Debian e Ubuntu. Para o sistema da Microsoft, existem duas maneiras de baixar, sendo a primeira um instalador executável e a segunda, um arquivo compactado, para quem prefere algo portable. Deve-se observar, apenas, que, seja qual for sua opção, deve-se escolher entre versões para 32 ou 64 bits.

Optei por fazer o download da versão portable, pois considero-a mais prática.

Extraído o conteúdo do arquivo para qualquer local em seu computador, basta fazer duplo clique sobre o arquivo ANTIMICRO.EXE .

O conteúdo da pasta da ferramenta Antimicro

Será aberta a interface do programa, de onde podem-se então fazer todas as associações de teclas, movimentos e botões do mouse com os botões e sticks de um controle como o do Xbox One, por exemplo. É óbvio que, para que isso seja possível, você precisa antes conectar um joystick ao PC.

O programa não precisa de nenhum tipo de configuração: é quase como um toque de mágica. Brinco assim porquê, uma vez que conectei meu controle ao PC onde utilizo Windows 10, o reconhecimento foi instantâneo, como quero demonstrar abaixo:

Conecte o joystick, et voilà!

Uma vez conectado o joystick, é importante verificar se todos os botões, os sticks triggers são devidamente reconhedicos pelo Antimicro. Como demonstro na figura acima, cada movimento gera um feedback visual, em azul (ou será roxo?).

Uma vez que os testes tenham sido realizados e você perceba que o controle que você possui é 100% reconhecido pelo programa, programar o joystick para qualquer jogo que você quiser é bem simples.

Note que existem três seções no programa. A primeira se refere aos sticks, a segunda aos dpads (directional pads, ou setas de direção), e finalmente, uma seção referente aos botões (left triggerright trigger, A, B, X,Y, e assim por diante).

Sessões do Antimicro

A configuração do joystick é bastante simples e intuitiva. Para exemplificá-la, vou utilizar como exemplo o próprio Minecraft, que mencionei antes: No jogo, em que você normalmente combina teclado e mouse para jogar, as teclas W, A, S e D são usadas, respectivamente, para mover-se para a frente, para a esquerda, para trás e para a direita, enquanto que o movimento do mouse atua como câmera, direcionando o olhar do jogador para onde é preciso.

Note que existem vários botões marcados como [NO KEY].

Sessão Sticks

Considerando a seção Sticks e a região marcada como L Stick, ou stick esquerdo, deve-se clicar em cada um destes botões para configurar adequadamente as teclas que os movimentos do stick representarão.

Clicar em qualquer um destes botões deve fazer com que um teclado virtual apareça. Nele, basta clicar o mouse sobre o botão que representa a tecla que você deseja que o joystick represente. Abaixo, veja como configurar o L Stick para que se comporte como a tecla A.

O teclado virtual do Antimicro

Note, pela figura acima, que existe, na parte inferior esquerda da janela, seções reservadas à representação das teclas do teclado (keyboard) e também dos movimentos e botões do mouse.

Assim, após usar o método para configurar não apenas a tecla A, mas também as teclas W, S e D com seus respectivos movimentos, basta clicar na seção Mouse para fazer a mesma coisa com os botões e movimentos — tomando cuidado para, desta vez, configurar o R Stick, imitando a câmera do Minecraft.

Configuração do mouse

Após configurar movimentos e câmera, basta configurar as outras teclas necessárias ao jogo, repetindo os procedimentos descritos anteriormente. Ao final do processo, você deverá obter algo mais ou menos similar ao que represento abaixo — sendo que os resultados podem variar, conforme o joystick que você possuir.

Antimicro configurado para Minecraft

Você pode, é claro, configurar outras teclas, botões e movimentos do mouse, dependendo do jogo que quiser fazer funcionar com joystick. Para facilitar o uso posterior, a ferramenta permite que você salve perfis, o que também é muito simples de fazer — basta clicar nos botões Save ou Save as.

Cada perfil salvo é armazenado conforme o padrão abaixo:

nome.do.perfil.gamecontroller.amgp

Antimicro na área de notificaçãoUma coisa interessante, que também vale mencionar, é que quando minimizada a janela do Antimicro, suas opções ficam disponíveis na área de notificações, no canto inferior direito, próximo ao relógio do Windows, facilitando a troca entre os diversos perfis criados por você.

Como última dica, se você não quiser criar os perfis manualmente, há vários deles já disponíveis e prontos para baixar do site do Github, onde, como disse anteriormente, o Antimicro fica hospedado.

Espero que as explicações acima sejam úteis para você, e que assim, você logo esteja usando joystick para jogar no PC aqueles jogos que você sempre jogou usando apenas o teclado e o mouse.

Quer ajudar seu filho com a tarefa? Use kanban!

O tempo passa muito depressa mesmo: Meu filho mais velho chegou à sexta série no colégio em que estuda. Trata-se de uma fase em que a quantidade de matérias que a escola repassa a ele e seus colegas triplica ou quadriplica, atingindo proporções nunca antes enfrentadas por ele.

Como se adaptar à uma mudança na quantidade de tarefas e obrigações que precisam ser concluídas pode levar um certo tempo, é mais do que natural que, ao longo do processo, algumas das tarefas por fazer acabem sendo esquecidas: Se nós, adultos, já estamos sujeitos a passar por isso — ao gerenciarmos algumas centenas de atividades por mês —, que dirá nossos filhos, não é mesmo?

Mas eis que, vendo meu filho em meio à um mar de trabalhos, tarefas e livros pra ler, colocando as mãos na cabeça e praticamente puxando os cabelos, resolvi tomar por base minha experiência profissional, tanto em programas de melhoria contínua e em tecnologia da informação, e ensinar pra ele — e, na verdade, pra minha esposa, um novo conceito, o kanban.

Kanban é pra comer ou passar no cabelo?

Na verdade, acredite: Nenhum dos dois.

Existem algumas definições diferentes para o termo. Vou dizer que kanban é uma palavra que tem origem no japonês (看板), que significa cartãosinalização ou o quadro onde tais cartões e sinais são afixados, e que teve origem no Sistema Toyota de Produção.

Cartões de kanban podem servir para indicar, conforme as etapas de um processo produtivo ou administrativo, onde cada produto ou informação se encontra. Quanto maior o número de cartões dentro de um dessas etapas, maior o estoque naquela etapa.

Quadro Kanban para Software

Kanban também pode ser usado para acompanhar processos de desenvolvimento de software, sendo muito eficiente para esta finalidade. Embora desenvolver software seja uma atividade de criação, diferente de processos de produção, como fazer um carro, por exemplo, o mecanismo de gestão da ferramenta ainda pode muito bem ser aplicado.

Seja qual for o processo escolhido, suas etapas podem ser representadas com uma grande flexibilidade, o que provoca o maior benefício do kanban: Representar de forma visual o trabalho que está em andamento, o que ainda não começou, o que está com problemas e, é claro, o que já acabou.

KANBAN PARA A TAREFA DA ESCOLA

Como eu disse, pensei em ensinar kanban para minha esposa e filho: A ideia é ajudar meu filho com a enorme quantidade de tarefas que ele agora tem, toda semana, depois de ter passado para o sexto ano do colégio onde estuda.

Quando se pensa em tarefas, séries de exercícios, projetos e livros que precisam ser feitos e entregues, pode ser um pouco difícil definir e priorizar todas as coisas que precisam ser feitas.

Aplicar os conceitos de kanban coloca meu filho no controle de sua própria tarefa da escola: Ele tem condição de saber exatamente o que a escola espera que seja entregue, de uma forma que é simples e que permite saber na hora quanto já foi feito em cada caso.

O segredo da aplicação do kanban está no quadro de atividades. A exemplo do que mostro no vídeo acima, no caso do meu filho, criamos um quadro básico, com três colunas, usando a lateral da parede do guarda-roupa dele. Este quadro possui uma série de post-its distribuídos em colunas que receberam o nome de to do (o que precisa ser feito), ongoing (o que está sendo feito agora) e done (o que já terminou de ser feito).

Cada post-it representa alguma coisa que ele precisa entregar ao longo do próximo período, e isso pode ser qualquer tarefa ou trabalho. Mover as tarefas que existem de uma coluna para a outra (ou seja, por exemplo, declarar que uma atividade passou a ser executada e foi para a coluna ongoing) é responsabilidade dele, à medida em que cria novas tarefas e atualiza as que já existem, concluindo-as.

Como meu filho aprendeu o conceito junto com minha esposa, todos os dias eles fazem uma espécie de reunião — uma standup meeting, emprestando o conceito que vem de desenvolvimento de software usando SCRUMO objetivo é verificar 3 pontos básicos com ele em relação às suas tarefas:

  • O que foi feito no dia anterior;
  • O que será feito hoje; e
  • Quais são os eventuais impedimentos — o que atrapalha a conseguir concluir a tarefa.

À medida que seu filho for executando e concluindo as tarefas vai acabar criando o bom hábito de, ele próprio, gerenciar sua rotina de tarefas de uma forma mais tranquila, e à prova de qualquer que seja a quantidade de matérias que ele tiver na escola.

 

 

Você sabe usar a função PROCV?

Esta vem do tempo em que eu ainda dava aula de informática — ou, pasmem, computação —, lá pelos idos do século passado. Até hoje, muitas pessoas não sabem ao certo para que serve a função PROCV do Excel: algumas delas, inclusive, trabalharam comigo, e,  como sempre procuro eesclarecer a elas os benefícios que pode proporcionar, resolvi criar um post a esse respeito por aqui.

Para que serve PROCV?

A função PROCV — que recebe este nome, na verdade, por ser uma abreviação, até onde sempre imaginei, de PROCura na Vertical — é uma das diversas funções disponibilizadas pela Microsoft no Excel para realização de pesquisas, ou busca de referências.

Quando você tem que encontrar valores que estejam em linhas de uma tabela ou de um intervalo de uma planilha — por exemplo, procurar pela idade de uma pessoa com base em um dado número de identificação, que pode ser um número de matrícula, documento, ou outra coisa qualquer, recomenda-se usar a função PROCV.

COMO EU USO?

Apesar de, como eu disse, essa história de PROCV remontar à época em que dei aula em escolas de informática, muita gente pra quem eu falo de PROCV nunca ouviu de fato falar da função.

Pensando em alcançar o maior número de pessoas que eu conseguir com alguma explicação razoável, criei um exemplo usando a versão do Excel que acompanha o Office 365, do qual possuo uma assinatura, e registrei tudo em vídeo. O resultado está no vídeo publicado acima, que eu espero que ajude você com algum aprendizado.

Aproveite, e, se quiser, comente!

It Just Happens

Confesso que sou fã de carteirinha do Roxette: A primeira vez que tive contato com as músicas desta fantástica dupla sueca foi em 1988, através do álbum Look Sharp! que, lançado apenas 3 dias após meu aniversário de 11 anos — sim, já fazem quase 27 anos no momento em que eu escrevo este post —, emplacou sucessos como The LookDressed for Success e a clássica Listen to Your Heart.

A dupla se separou e voltou por algumas vezes e os seus maiores sucessos foram relançados exaustivamente ao longo dos anos, junto a músicas inéditas, é claro.

Hoje, surfando no Spotify, me deparei com o mais recente lançamento de Marie Fredriksson e Per Gessle, It Just Happens, lançado em 08 de abril. De acordo com o site do Roxette o single precede o lançamento do décimo album da dupla:

[…] 30 years later, it happens again. Roxette is back with the new single “It Just Happens“, a majestic and highly infectious ballad that introduces the band’s tenth album “Good Karma” in the most promising way.

It Just Happens” revisits that mighty and classic Roxette sound with an updated twist in a melodically strong and musically interesting ballad with Marie Fredriksson and Per Gessle seamlessly taking turns as lead singers.

Roxette: Good KarmaSobre o novo álbum, embora tenha sido gravado em 2014 de acordo com a Wikipedia, deve ainda chegar — em breve, no dia 3 de junho de 2016.

Seja como for, toda nova música — e, neste caso, novo álbum — lançados pelo Roxette para mim sempre foram sinônimos de música boa e de qualidade — sabem como é o velho ditado, afinal, “gosto não se discute“, embora eu acredite que muita gente concorda comigo.Para mim, será mais uma oportunidade de curtir boas músicas, e eu mal posso esperar.

Multiplicando em grade

Uma coisa interessante que a minha esposa me contou outro dia, depois de ter visto a coisa em um programa na TV no Facebook, foi um método de multiplicação que eu não conhecia. Descobri que se trata do que os matemáticos chamam de multiplicação em grade, ou lattice multiplication.

Imaginem multiplicar 36 \times 27. Na escola, já há muitos anos, aprendi a colocar os números uns sobre os outros e, em seguida, multiplicar primeiro o 7 por cada um dos números em 36 e depois o 2, também por cada um deles, somando as parcelas e obtendo o resultado:

(1)   \begin{equation*} \opmul{36}{27} \end{equation*}

Fiquei intrigado ao perceber que a multiplicação em grade chega aos mesmos resultados apresentados acima, porém fazendo com que se precise pensar em diagonal para efetuar os cálculos. A primeira coisa a se fazer é desenhar quatro quadrados, dois em cima, dois embaixo, dividindo cada um deles com uma linha diagonal — assim, você estará criando a grade:

Primeiro passo

Em seguida, os números a serem multiplicados — neste caso, 36 27 devem ser escritos nas partes superior e direita dos quadrados, conforme demonstro a seguir:Segundo passo

Agora deve-se preencher as diagonais criadas multiplicando-se os números de cada linha pelos de cada coluna. Abaixo, dado que 6 \times 2 é igual a 12, a multiplicação deve ser indicada dessa maneira:

Terceiro passo

Para continuar as operações, multiplica-se 2 \times 3, cujo resultado deve ser preenchido conforme abaixo, usando-se um zero à esquerda, ou seja, 06:

Quarto passo

Se o raciocínio anterior for aplicado também para multiplicar 7 \times 6 e, em seguida, 7 \times 3, o resultado a seguir será obtido:

Quinto passo

Finalmente chega o momento de pensar diagonalmente, como eu mencionei há pouco. Deve-se somar, da direita para a esquerda, todas as diagonais que a grade de multiplicação formar. Para ilustrar melhor eu prolongarei as diagonais e demonstrei com cores diferentes as somas:Sexto passo

Veja que o resultado da multiplicação aparece da esquerda para a direita, ou seja, também se chega à conclusão de que 36 \times 27 = 972.

Pegadinha: Quando a soma das diagonais é maior que 9, o que eu faço?

Ao fazer alguns exercícios usando a multiplicação em grade, me deparei com uma situação interessante: Você vai acabar se deparando com situações em que a soma dos números de uma diagonal será maior do que 9.

Agora, imagine multiplicar 28 \times 47. Pelo meio convencional, teríamos:

(2)   \begin{equation*} \opmul{28}{47} \end{equation*}

Ou seja, pela multiplicação em grade precisamos chegar aos mesmos 1316. Mas vejamos o que acontece se usarmos o mecanismo da mesma forma que ilustrei anteriormente, assim:

Números maiores que 9: o que fazer?

A resposta, que novamente deve ser lida da esquerda para a direita, seria, neste caso, 112.116, o que nem de perto lembra os 1316 que a multiplicação convencional encontrou. Assim, nota-se que um número de dois dígitos que surja da soma de uma diagonal não deve ser considerado como resposta imediatamente, e sim, usado para construir a resposta final.

O que precisamos fazer é algo parecido com a soma aritmética — a regra do vai-um. Lembrando: Dado que estamos somando as diagonais da direita para a esquerda, quando nos depararmos com um número de dois dígitos aparecendo no resultado, devemos deixar o dígito da direita e somar 1 à próxima diagonal. Assim:

grade08

Assim, usando este velho e conhecido artifício, fazemos com que o método de multiplicação em grade obtenha o mesmo resultado esperado, 1316.

Origem da multiplicação em grade

Tendo aparecido no primeiro livro impresso de aritmética da história, em Treviso, Itália, no ano de 1478, a multiplicação em grade, também conhecida como multiplicação da peneira (sieve multiplication) ou lattice multiplication foi introduzida na Europa por Fibonacci, mas há registros de que os árabes e os chineses tenham usado o mesmo mecanismo, tornando impreciso saber qual foi sua primeira aparição.

É interessante notar este tipo de multiplicação não será considerada mais simples por muita gente habituada a multiplicar do jeito convencional, ou seja, daquela forma como eu, você e todo mundo aprendemos na escola. Ainda assim, foi meu interesse por essa verdadeira curiosidade matemática — e o fato de eu ter dois filhos pequenos que podem aprender com isso — que me fizeram buscar pelo menos dois argumentos usados para seu ensino em diversas escolas, ainda no século XXI:

  • O método pode ajudar os alunos mais novos a alinhar os dígitos, já que muitos deles não fazem a escrita de números exatamente um embaixo do outro (vamos convir que mesmo alguns adultos não o fazem).  As diagonais acabam por fazer o alinhamento automaticamente e assim a criança não chega a uma resposta errada por conta desse deslize;
  • O método também pode ajudar as crianças mais novas a entenderem o caminho a percorrer quando se passa das multiplicações mais simples — com apenas um dígito — para aquelas mais complexas. Assim, pode ser considerado muitas vezes mais didático do que seu primo convencional, que usamos sempre. Na prática, isso pode depender do nível da criança e de sua idade.

Transferindo arquivos M4R do Windows para o iPhone

Tendo recentemente voltado a utilizar um iPhone, após quase 3 anos de convivência com um Samsung Galaxy SIII rodando Android, confesso que me apeguei à alguns ringtones alarmes que usei durante este tempo todo: Foram eles, afinal de contas, que me acompanharam, lembrando-me de alarmes e me ajudando a acordar.

Dado que o Android aceita que arquivos MP3 sejam diretamente adicionados ao aparelho numa simples operação de drag-and-drop, e que estes podem ser usados como notificação e ringtone automaticamente depois disso — e que o iOS aceita apenas seu formato proprietário, M4R —, a primeira coisa que fiz foi converter os MP3 em M4R. De posse dos arquivos resultantes, fiquei me perguntando como fazer para carregá-los para o iPhone usando a lei do menor esforço.

Foi aí que descobri que podia contar com a ajuda do Walter.

Walter White

Ok. Não deste Walter.

Na verdade, como odeio usar o iTunes no Windows — sempre o achei um programa desnecessariamente pesado e de transferência lenta demais —, acabei buscando uma alternativa: Um programa chamado Waltr.

O Waltr é muito mais do que eu precisava: Trata-se de um conversor de mídia que roda nas plataformas Mac e Windows, e que transfere conteúdo para seu dispositivo iOS, servindo-o diretamente em suas bibliotecas de áudio, vídeo ou reprodutor de mídia padrão. E o que é melhor: Não preciso ter feito jailbreak e nem ter o iTunes instalado.

No meu caso específico, em que eu já tinha disponíveis os arquivos M4R desejados, a operação foi extremamente simples. Localizei a pasta onde estavam os arquivos e abri o Waltr. Em seguida, precisei apenas arrastar o que queria para a interface — super simples — do programa.

waltr_1

Automaticamente será iniciada a atividade de preparação para upload e, em seguida, o upload em si. Se tudo correr bem, o Waltr indicará que os arquivos foram transferidos com sucesso, com um pequeno detalhe: O ícone que ele exibirá indicará o local do iPhone para onde a transferência foi realizada. No meu caso, os arquivos M4R foram parar, acertadamente, nos ringtones.

Sucesso!

sons-waltrCom os ringtones devidamente inseridos no iPhone, basta associá-los a seus alarmes e aplicativos, como seria feito com qualquer ringtone padrão, e pronto.

Como eu disse, para esta necessidade específica, usar o Waltr foi como ter um canhão à disposição para matar formigas: O programa suporta o envio de vídeo nos formatos MKV, AVI, MOV, MP4, M4V, 3GP e WMV, e também o de áudio, suportando MP3, FLAC, APE, ALAC, AAC, M4B, AIFF, WAV, WMA, CUE, OGG, OGA, WV, TTA e DFF.

Um último ponto: Sendo versátil como pude comprovar, é de se esperar que o Waltr não seja gratuito. Suas versões para Windows e Mac têm preços que variam entre USD 30 e USD 50, e, no momento em que este texto foi criado, há um Winter Special que reduziu os valores pela metade. Mas, nada tema: Você pode testar o programa gratuitamente, sem restriçõespor 14 dias, o que, pelo menos para a transferência de arquivos M4R, deve ser suficiente.

A triste geração que virou escrava da própria carreira

E a juventude vai escoando entre os dedos.1)Este é um texto de Ruth Manus, blogueira do Estadão, com o qual cruzei através das redes sociais, e que resolvi reproduzir integralmente aqui em meu blog, por concordar com ele em gênero, número e grau.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.

Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.

Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.

Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.

References   [ + ]

1. Este é um texto de Ruth Manus, blogueira do Estadão, com o qual cruzei através das redes sociais, e que resolvi reproduzir integralmente aqui em meu blog, por concordar com ele em gênero, número e grau.

Concatene apenas células com texto no Excel

Você já deparou, certamente, com uma situação em que precisou combinar no Excel os valores de duas ou mais células em uma outra célula. A este processo chama-se concatenação, e o programa da Microsoft possui uma função especialmente criada para fazer isso, chamada CONCATENAR.

A sintaxe da função é simples:

=CONCATENAR(texto1, [texto2], ...)

No exemplo acima ilustrado, a célula D4 terá, como string resultante, “Daniel Santos“, isso porquê foi informado, como um dos parâmetros, o espaço (” “).

A função CONCATENAR será eficiente sempre que você informar, como parâmetros, células ou intervalos (ranges) que possuem texto inserido.

Agora, imagine que você possui uma tabela com vários dados, e que, por algum motivo, existem colunas ora em branco, ora preenchidas, em algumas linhas. Só que você precisa concatenar somente os textos das colunas preenchidas. Algo mais ou menos assim:

Se todas as células entre as colunas B e E estivessem preenchidas com nomes, seria fácil criar uma única fórmula CONCATENAR na coluna F, que tivesse a seguinte sintaxe, arrastando a fórmula para baixo nas demais linhas:

=CONCATENAR(B3:E3)

Mas este não é o caso, e a função CONCATENAR, especificada como acima, não será capaz de apresentar os resultados necessários. O que fazer então?

Embora provavelmente existam algumas dezenas de soluções possíveis, eu, ao me deparar com a situação acima em um outro contexto, acabei optando por criar uma função CONCATENAR customizada, usando VBA.

Eis a função em questão:

Function Conca(Faixa As Range, Optional separador As String = " ") As String
''''
' Concatena um conjunto de células, considerando como valores
' apenas aquelas em que exista algum valor preenchido
'
' Por Daniel Santos
' http://danielsantos.org/
'

'Declaração de variáveis
Dim c As Range
Dim strConcat As String

'Examina cada célula da faixa especificada
For Each c In Faixa.Cells

'Se o valor da célula atual contiver texto...
If c.Value <> "" Then
'Constrói a string concatenada célula-a-célula
strConcat = IIf(strConcat = "", c.Value & separador, strConcat & c.Value & separador)
End If

Next

'Retorna a string resultante para o Excel
Conca = strConcat

End Function

Uma vez que ela seja inserida em um módulo VBA, bastará utilizá-la como se fosse uma função pré-definida do Excel:

=CONCA(B3:E3)

Arraste o conteúdo para baixo, e pronto.

Uma coisa interessante que a função que criei admite um parâmetro opcional: o separador. Por default, a função usa espaços em branco entre os termos, mas você pode trocar o espaço por um ponto-e-vírgula, uma vírgula ou qualquer outro caractere que você quiser. Veja abaixo um exemplo com o ponto-e-vírgula como separador:

Espero que a função em questão ajude mais pessoas, e que ela seja útil também para você. Qualquer dúvida, diga aí nos comentários.