Temptation

Versão em inglês — retirada daqui — para a obra Tentação, de Clarice Lispector, que resolvi publicar aqui para auxiliar nos estudos de inglês de uma amiga. Ah, a ilustração deste texto foi retirada daqui.

She was sobbing, and as if the two o’clock glare weren’t enough, she had red hair.

On the empty street the cobblestones were vibrating with heat – the little girl’s head was aflame. Sitting on the front steps of her house, she endured. Nobody on the street, just one person waiting in vain at the tram stop. And as if her submissive and patient gaze weren’t enough, her sobs kept interrupting her, making her chin slip off the hand it was resting on in resignation.What could you do about a sobbing red-haired girl? We looked at each other wordlessly, dejection to dejection. On the deserted street not a sign of the tram. In a land of dark-haired people, being a redhead was an involuntary rebellion. What did it matter if one day in the future her emblem would make her insolently hold erect the head of a woman. For now she was sitting on a shimmering doorstep, at two o’clock. What saved her was an old purse, with a torn strap. She clutched it with a long-familiar conjugal love, pressing it against her knees.

That was when her other half in this world approached, a brother in Grajaú. The possibility of communication appeared at the scorching angle of the street corner, accompanied by a lady, and incarnated in the form of a dog. It was a basset hound, beautiful and miserable, sweet inside its fate. It was a red-haired basset hound.

There he came trotting, ahead of his owner, stretching his body out. Unsuspecting, nonchalant, dog.

The girl widened her eyes in amazement. Mildly alerted, the dog stopped in front of her. His tongue quivered. They looked at each other.

Of all the beings suited to become the owner of another being, there sat the girl who had come into this world to have that dog. He growled gently, without barking. She looked at him from under her hair, fascinated, solemn. How much time passed? A big sob jangled her. He didn’t even tremble. She overcame her sobs and kept staring at him.

Both had short, red hair.

What did they say to each other? Nobody knows. All we know is they communicated rapidly, since there was no time. We also know that without speaking they were asking for each other. They were asking for each other urgently, bashfully, surprised.

Amid so much vague impossibility and so much sun, here was the solution for the red child. And amid so many streets to be trotted down, so many bigger dogs, so many dry gutters – there sat a little girl, as if she were flash of his ginger flesh. They stared at each other deeply, immersed, absent from Grajaú. Another second and the suspended dream would shatter, yielding perhaps to the seriousness with which they asked for one another.

But both were already commited.

She to her impossible childhood, the center of the innocence that would only open once she was a woman. He, to his imprisioned nature.

His owner waited impatiently beneath her parasol. The red-haired basset finally pried himself away from the girl and went off sleepwalking. She sat there in shock, holding the event in her hands, in a muteness that neither her father nor her mother would understand. She followed him with black eyes that could hardly believe it, hunched over her purse and knees, until she saw him round the other corner.

But he was stronger than she. He didn’t look back once.

Como contornar o erro “Changed too recently” do Google e alterar seus dados pessoais

Eu sempre procurei ser muito cuidadoso com minhas contas de usuário e suas respectivas senhas. Para tanto, faço uso do LastPass há muitos anos, guardando praticamente tudo por lá e gerando senhas complexas, compridas e diferentes para cada uma destas contas. Inclusive, sempre que disponível, associo à senha o recurso de 2 factor authentication, que combina senha e algum outro tipo de recurso adicional de autenticação, como o informe de um código que chega no seu celular, por exemplo.

Muita gente que eu conheço exalta o quanto a geração mais nova se vira bem com tecnologia. Essas crianças de hoje em dia já nascem com os dedos e olhos pré-programados para interagir com tablets, celulares e computadores, no matter what. Embora eu não discorde, devo dizer que aqui em casa, sendo pai de dois filhos, já passei por algumas poucas e boas. Se tomar o caso do meu filho mais novo como exemplo, basta dizer que sempre que ele senta na frente do computador aqui em casa, fica com essa aparência aqui:

Bem. Estava eu de férias em dezembro. Relaxando. Descansando. Meu celular na mão exatamente do meu filho mais novo. “Papai, posso jogar? Papai, posso jogar?“. E eu, é claro, como sempre fiz, deixei o celular com ele. Nada demais, jogar Crossy Road. Pacman 256 e alguns outros games que eu tenho instalados, então, porquê não? Bem…

Sabe aquela fase que toda criança (???) passa, a de querer ser youtuber? Pois é. É a profissão do futuro!

Estou eu ali, lendo, no meu cantinho, achando que meu filho está jogando qualquer um dos joguinhos que ele sempre joga, quando de repente, ele vem me mostrar uma coisa: “Papai, papai! Alterei o seu nome no YouTube!“. Quando olho pra tela do celular, descubro que, de fato, agora meu nome está diferente. Ao invés de Daniel Santos, somente, recebi um sobrenome extraGameplays!

Genial! A única coisa que não me agradou foi o fato de que todas as minhas contas e contatos ficariam com o meu novo nome. “Bem, isso é fácil de resolver“, pensei. Basta que eu acesse o meu perfil pessoal no Google e que faça uma pequena alteração, tirando de lá o nome extra que meu filho me deu. Acontece que um detalhe que eu não reparei até que fosse tarde demais é que Daniel Santos Gameplays não deve ter sido o primeiro nome que meu filho colocou no meu perfil. E o Google é bem crítico com relação a esse aspecto.

Você só pode fazer 3 alterações de nome a cada 90 dias, conforme a política deles. E era óbvio que eu não gostaria de ter que esperar por 3 meses pra mudar meu nome de volta para o que era — ou é. Então resolvi pesquisar por aí e encontrei uma maneira de alterar meu nome sem que tivesse que me preocupar novamente com a mensagem changed too recently.

Como escapar do changed too recently

A coisa é bem simples, na verdade. Envolve o seu perfil no G+ — o Google Plus, aquela rede social que ninguém usa eu não uso, mesmo, então não tem problema.

A primeira coisa a fazer é  acessar o painel de controle da sua conta do Google. Em seguida, procure por um bloco de links denominado account preferences, e, dentre as opções disponíveis, clique em Delete your account or services.

O próximo passo envolve escolher a opção Delete productsO que vamos efetivamente fazer será deletar o perfil do Google Plus. Mas tudo bem, não se preocupe: Se você, ao contrário de mim, utiliza a rede social do Google para alguma interação, nada tema, pois vamos recriar esse perfil logo em seguida.

Para prosseguir ao próximo passo você deverá primeiro fazer login em sua conta do Google, comprovando sua identidade.

Nesta próxima etapa basta clicar sobre o ícone da lixeira que aparece ao lado do Google+.

Será necessário fazer a leitura de algumas observações do Google quanto à exclusão do seu perfil, mas, logo abaixo da tela, você encontrará um botão dizendo Delete Google+.

Vá em frente e clique nele.

Uma vez que seus dados atuais do Google+ tiverem sido deletados, passe à criação de um novo perfil para a rede social. Para isso, acesse o Google+ e, do lado esquerdo da tela, você verá um link dizendo Join Google+, ou, em português, Participar do Google+. Clique sobre o link em questão e você será apresentado a uma tela para preenchimento do seu nome e para clicar na caixinha em que você concorda com a criação do perfil.

Abaixo, reproduzo o que ocorreu no meu caso. Notem que o nome que vem preenchido por padrão é justamente o nome que eu quero alterar. Esta é a próxima coisa que deve ser providenciada, e também, na realidade, a última providência a ser tomada, já que, alterado o nome, basta clicar em Create profile.

Após a criação de um novo perfil do Google+ com o nome já devidamente alterado para o que você quer utilizar, suas informações passarão a figurar conforme a versão corrigida. Para confirmar isso, basta acessar novamente os dados da sua conta do Google. Vejam o meu caso:

Espero que estas instruções sejam úteis para outros casos similares, quer as informações tenham sido alteradas pelo seu filho, ou não. A verdade é que de agora em diante vou tentar ficar um pouquinho mais atento.

 

 

 

A incrível história do professor africano que ensina informática… num quadro negro!

Estava assistindo à edição de ontem do Telediario, telejornal da RTVE, como mais um dos meus esforços para aprender espanhol, quando me deparei com uma situação que me fez ter certeza de que a capacidade que os seres humanos têm de superar dificuldades nunca deve ser subestimada.

Richard Appiah Akoto é um professor de 33 anos que leciona Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Betenase M/A Junior High School da cidade de Sekyedomase, em Gana, uma escola que não tem um computador sequer, ainda que, naquele país, desde 2011, as crianças entre 14 e 15 anos de idade devam ser aprovadas em um exame nacional sem os quais não poderão ingressar na faculdade, onde TIC é uma das matérias.

Richard virou sensação mundial quando postou fotos de si próprio desenhando em um quadro negro, com giz colorido, todas as características de uma janela do processador de textos Word, da Microsoft.

Eu tive que capturar a reportagem em vídeo, só para deixá-la registrada aqui, pois é uma atitude realmente vinda de alguém altruísta ao extremo. Vejam:

A reportagem cita uma empresária africana, Rebecca Enonchong,  que viu as fotos de Richard na internet e se sensibilizou, tweetando para o braço africano da Microsoft, chamando a atenção da empresa quanto ao fato:

Obviamente, o pessoal da Microsoft não deixaria de responder, e, para a escola onde Richard leciona, isso foi uma boa coisa — embora pudesse ter sido um pouco melhor: a empresa vai ceder um computador aos africanos, para que possam usar o recurso apropriado em seu aprendizado.

Um excelente exemplo do que pode fazer um pouquinho de boa vontade entre aqueles que podem dar uma ajuda.

 

Um Doc Brown em miniatura esculpido a mão

Quem me conhece pessoalmente sabe que eu simplesmente adoro a trilogia De Volta para o Futuro.

Eis que me deparo, sem querer, com o trabalho feito pela artista e escultora brasileira Juliana Le Pine, que eu não conhecia mas que passei imediatamente a admirar: Usando uma dose imensa de talento, ela conseguiu criar uma miniatura perfeita do inesquecível Doc Brown, o doutor, que tanto eu quanto muita gente por aí com certeza associa imediatamente a imagem de cientista maluco. A escultura criada por ela realça justamente aquele olhar esbugalhado que se tornou tão famoso ao longo dos três filmes da série.

Juliana, que sempre começa seus trabalhos com uma miniatura de esqueleto — muito legal! —, primeiro adiciona os olhos, e depois um pouco de pele. Em seguida, como se estivesse fazendo mágica, ela dá vida ao doutor Emmet Brown bem em frente aos nossos olhos, construindo o corpo com um pouco de arame e com alguns outros ingredientes. E como se já não fosse o suficiente, para evitar que nosso amigo doutor acompanhe Marty McFly por aí totalmente pelado, ela acrescenta algumas roupas bem realistas.

Nem tenho palavras, eu que não consigo fazer direito nem mesmo aquelas cobrinhas de massinha. Incrível, não é?

[ via technabob ]

Clozemaster: Uma forma ¡genial! de aprender idiomas

Tenho estudando espanhol por conta própria desde o final de 2016, e estou sempre em busca de novas ferramentas e recursos que me permitam agregar alguna cosa a mi parco conocimento del idioma. Às vezes encontro coisas realmente interessantes e decido compartilhá-las por aqui. Foi o caso, esta semana, quando me deparei com o Clozemaster, site que permite o aprendizado de uma série de idiomas e cujo nome vem da técnica de cloze tests, conceito que eu já havia mencionado em 2016, ao falar sobre outra ferramenta muito interessante, o Readlang.

Cloze tests — cujo nome deriva da palavra inglesa closure — são exercícios, testes ou avaliações compostas por um trecho de texto onde certas palavras são removidas e um participante é convidado a preencher as lacunas. Este tipo de abordagem requer que se entenda tanto o contexto quanto o vocabulário para que as lacunas destes textos sejam preenchidas com as palavras corretas. De acordo com a Wikipedia, aliás, este tipo de exercício é muito comumente aplicado ao aprendizado de um segundo (ou terceiro, no meu caso) idioma.

A proposta do Clozemaster é permitir o alcance de fluência em qualquer língua através da exposição em massa a vocabulário e de gamification, conceito que pode parecer complexo para alguns mas que nada mais é do que aplicar conceitos de jogos ou videogames à contextos que não são jogos. Isso já é comumente feito em muitos sites e aplicativos para celular, inclusive no caso de aprendizado de idiomas — dois bons exemplos são o Memrise e o Duolingo, que dão bônus e pontos por palavras acertadas e c0rretamente memorizadas. Quando se visita a página de about do Clozemaster, por sinal, depara-se com a afirmação de que o site foi criado exatamente para responder à pergunta “O que eu devo fazer depois do Duolingo?”, oferecendo uma experiência baseada em frases e aprendizagem contextual para complementar estes outros aplicativos.

O que achei interessante

A experiência de uso e de gamification do Clozemaster é mesmo bacana: Depois de entrar no site e escolher um par de idiomas (por exemplo, “estou aprendendo espanhol a partir do português“), você se sente mesmo dentro de um joguinho de celular, passando por rodadas de cloze tests. A cada rodada você se depara com frases com lacunas, e precisa tentar completá-las corretamente. Quanto mais acerta, mais pontos faz.

Falando especificamente de espanhol, o Clozemaster oferece algumas trilhas, uma delas chamada Fluency Fast Track, em que mais de 14 mil palavras podem ser apresentadas, em contexto e em ordem crescente de dificuldade.

Um pequeno parêntese nerd: Os dados usados pelo Clozemaster são obtidos de datasets do site Tatoeba, um banco de dados com frases contribuídas por voluntários nativos em várias línguas, cuja finalidade é permitir que qualquer um veja exemplos de como as palavras são usadas no contexto de uma frase do idioma desejado. Atualmente o acervo de frases em espanhol do site possui um total de mais de 280 mil palavras!

Os cloze tests podem ser apresentados de quatro formas. Em três delas, a tradução para o seu idioma nativo pode aparecer (ou não, se você configurar a ferramenta para tanto) abaixo da frase proposta. A primeira das formas é a múltipla escolha: Você visualiza a frase e em seguida escolhe a palavra que a completa. Se acertar, ganha 4 pontos e, uma vez que a frase fica completa, você a ouve, graças a um text to speech gerado pelo Google.

Outra forma de interagir com os cloze tests é se você digitar as respostas. Este é um modo um pouco mais difícil para mim, pois ainda estou muito cru com relação ao idioma. Ainda assim, por se tratar de frases do cotidiano que têm seu grau de dificuldade aumentado gradativamente, vale à pena tentar. A ferramenta avisa que você está quase lá se digitou errado — na imagem abaixo, por exemplo, errei a palavra por 2 letras, e você pode até mesmo desistir no meio do cloze test atual e ter múltiplas escolhas apresentadas. A única questão envolvida é o gamification: Se você acerta a grafia, leva 8 pontos, ao passo que, se desiste e vai para múltipla escolha, volta a computar apenas os 4 pontos de antes.

Uma forma diferente de fazer os testes é por áudio, modalidade chamada pela aplicação de Cloze-Listening. A interface, como se pode notar abaixo, é exatamente a mesma que no primeiro caso que ilustrei. A única diferença é que você ouve uma frase antes de poder escolher a alternativa que corresponde à resposta correta. A pontuação atribuída ao jogador, neste caso, também é padrão, fazendo com que sejam somados mais 4 pontos. Há uma coisa importante, no entanto: Você só pode ouvir uma rodada gratuitamente por dia na versão gratuita. Pagar por mês ou por ano libera áudio ilimitado.

Finalmente, há um modelo de interação chamado de Cloze-Reading. A partir de artigos da Wikipedia em espanhol, são gerados múltiplos parágrafos com múltiplas sentenças, cada qual com uma lacuna em que se deve completar a palavra que falta. Uma vez que todos os parágrafos do texto sejam concluídos, a pontuação resultante — novamente 4 pontos por acerto — é acrescida ao total que você já possui. Neste tipo de interação, no entanto, as palavras completadas não são acrescidas àquelas que já foram apresentadas nos outros modelos de cloze test, ou seja, não afetam seus índices de palavras conhecidas, dominadas ou para revisão.

Conforme cada rodada de cloze tests chega ao final, estatísticas são exibidas. Elas coroam o gamification, demonstrando a pontuação obtida, o tempo total para conclusão da rodada, o número de palavras novas que foram apresentadas, aquelas que foram respondidas correta ou incorretamente e quantas estão prontas para serem revisadas. Para conseguir estimular a competitividade que existe em cada um de nós, também são mostrados o progresso atual, o número de pontos que faltam para que você seja promovido para um nível superior e seu posicionamento no ranking geral de usuários — estou atrás de muita gente. Mesmo.

Além dos cloze tests que são a alma do site, acho válido citar ainda um recurso que considero fundamental neste tipo de aplicação: A revisão do que foi aprendido. No caso do Clozemaster, as frases são revisitadas utilizando-se o conceito de spaced repetition, aqui novamente se assemelhando ao que ocorrem no Memrise. Os intervalos padrão são de 1, 10, 30 e 180 dias, baseados no número de vezes em que as frases são completadas corretamente em sequência, indicando, desta forma, seu nível de domínio da mesma. Para padronizar estes intervalos, é preciso pagar para liberar recursos pro.

Concluindo meu texto, considero o Clozemaster uma grata surpresa: A versão paga do site custa 60 dólares por ano, ou 8 dólares por mês, mas o número de recursos que são oferecidos gratuitamente é bem amplo e interessante, permitindo que alguém como eu consiga prosseguir com seus estudos de idiomas por conta própria, como complemento a outros recursos. Tecnicamente falando, vi um excelente uso combinado de uma série de tecnologias atualmente disponíveis, que produziu uma ferramenta muito agradável de usar, em que se parece estar às voltas com um verdadeiro passatempo. ¡Genial!

Os ônibus londrinos que são movidos a café

Vi esta semana uma reportagem falando de uma startup britânica chamada bio-bean (escrito assim mesmo, com letras minúsculas), que se uniu com a Shell e com a Argent Energy para desenvolver um biocombustível para uso nos ônibus londrinos que são movidos a diesel. Detalhe: O ingrediente-base deste biocombustível é a bebida favorita de milhões de seres humanos: café.

A startup coleta as borras de café usadas pelos bares, restaurantes e empresas em geral, transporta todas elas para um centro de reciclagem próprio e lá faz com que as borras passem por um processo de secagem, para em seguida extrair óleo de café. Este óleo, então, é misturado com outros combustíveis já existentes para produzir um biocombustível batizado de B20, que pode ser operado em motores diesel sem modificação alguma.

O fundador da bio-bean, Arthur Kay

A bio-bean produziu 6000 litros de óleo de café para um projeto piloto junto à autoridade britânica de transporte, o que vai ser suficiente para fornecer combustível para movimentar um ônibus municipal da frota por um ano inteiro. Embora não haja um acordo entre o governo e a startup para continuar a operação depois disso, obviamente eles esperam que isso seja viabilizado: Os britânicos produzem 500.000 toneladas de borra de café por ano, todas altamente calóricas e mal aproveitadas, uma vez que deixá-las em depósitos de lixo por aí, além de ser um desperdício, contribui com a emissão de gases que pioram o efeito estufa. Os Estados Unidos, maior mercado consumidor de café do mundo – cerca de 400 milhões de xícaras por dia, são outro país em que a bio-bean está de olho.

Agora vejam como é possível alcançar resultados inusitados – e altamente inovadores – quando se resolve dar uma segunda olhada naquilo que para muitos olhos é apenas resto, ou lixo. Vale uma reflexão, impulsionada por criatividade.

As categorias secretas da Netflix

Se tem uma coisa pela qual a Netflix merece muitos elogios é a sua capacidade de sugestão de novas séries e filmes que batem com o meu gosto pessoal.

Sempre que ligo a TV ou estou navegando na internet e sinto vontade de assistir alguma coisa diferente, para fugir das variar as séries que eu acompanho regularmente, lá estão as sugestões. De maneira geral, aliás, neste quesito concordo com meus amigos: entre todas as sugestões fornecidas, apesar de algumas bolas fora, a empresa e seu algoritmo conseguem garantir diversão de 90 a 95% das  vezes, o que, como disse, é de se elogiar.

Mas mesmo com todas as sugestões do universo, vocês ou eu nunca seríamos capazes de visualizar tudo o que está disponível, pois o volume de títulos da Netflix, além de enorme, varia diariamente, com exclusões e aposentadorias de filmes e seriados. Enquanto escrevo este texto, aliás, o número de opções para apreciação dos brasileiros está em 562 séries e 2951 filmes1Você pode saber quantas séries e filmes existem na Netflix do mundo inteiro através desta página na web..

É aí que entra um artifício muito interessante, que tem a ver com o que muitos sites por aí estão chamando de categorias secretas da Netflix. Eu, sinceramente, prefiro chamar de capacidade de refinamento das buscas por filmes e seriados, usando gêneros subgêneros que normalmente não estão visíveis para os usuários, e que podem ser acessadas através de um simples endereço web. Ao acessar o site da Netflix, você só precisa usar o endereço a seguir, substituindo “número” pelo equivalente a uma das centenas de categorias disponíveis.

https://www.netflix.com/browse/genre/número

Ao substituir o número por 1365 no endereço acima, por exemplo, é possível acessar o gênero Ação e aventura, conforme exemplifico abaixo. Notem que ao lado do título, existe um menu drop down, que pode ser usado para filtrar por sub-gênero, proporcionando algum grau de refinamento — e permitindo ao meu pai, por exemplo, que encontre seus filmes de faroeste facilmente:

Entre os achados disponíveis, existem coisas mais simples, como o número 3719, reservado a zumbis e o 7700, para faroestes de todas as épocas; e também as buscas um pouco mais específicas, como a que revela o número 277, que lista todos os títulos em que a estrela principal é Susan Sarandon. Com a quantidade de números correspondentes aos gêneros e subgêneros sendo bastante razoável, felizmente, existe um site disponível com todos eles, para nossa consulta e deleite.

O único lado negativo da busca por gêneros e subgêneros é que ela só pode ser realizada através do computador e do notebook, ou seja, os aplicativos que estão disponíveis nas smart TVs ficam de fora desta facilidade. No entanto, você pode fazer a navegação pelo computador e adicionar os filmes e seriados que encontrar através da interface web, para assistir mais tarde na TV, bastando para isso acrescentar o título à sua lista de reprodução:

Espero que essa dica ajude vocês e garanta algumas horas extras… de maratonas de televisão.

O Face ID e a segurança do seu celular

Quando a Apple anunciou o Face ID como medida de segurança para seus novíssimos aparelhos iPhone X, ela comunicou a toda a imprensa e usuários que “nem mesmo máscaras hollywoodianas seriam capazes de enganar seu sistema”. Uma empresa de segurança vietnamita chamada Bkav, no entanto, parece ter colocado esta releitura (in)voluntária da máxima que diz que “nem Deus afunda o Titanic” à prova, ao ter divulgado, recentemente, que enganou o Face ID com uma máscara especialmente projetada para driblar a tecnologia.

Ngo Tuan Anh, vice-presidente da Bkav, empresa de cybersegurança vietnamita, demonstra o software de reconhecimento de face da Apple em conjunto com uma máscara 3D em seu escritório em Hanói, Vietnã. Crédito da foto: Kham, Reuters, [fonte].
De acordo com notícia do site Engadget, os pesquisadores não precisaram sequer trapacear para realizar a façanha: O iPhone X foi treinado a partir do rosto de um funcionário da própria Bkav, e em seguida foi fabricada a máscara, com custo total de fabricação de apenas USD 150, aproximadamente. O vídeo a seguir, publicado por eles, mostra alguns detalhes do que fizeram, ainda que não deixe claro quantas tentativas foram necessárias até conseguirem, ou se de fato conseguiram:

Quer eles tenham ou não conseguido, não estou preocupado com a notícia em si. Primeiro, a Apple, embora tenha de fato anunciado o Face ID, nunca o considerou (apenas) como mecanismo de segurança, mas sim como uma comodidade para os usuários que não querem perder tempo nem para digitar PINs, nem para usar suas digitais.

Pensem também no tempo necessário para produzir uma máscara igual à da empresa vietnamita. Eles levaram 5 dias inteiros, e deixaram claro em seu site que precisaram de ajuda especializada para projetar certos aspectos da máscara final. Ou seja — a vida real não é um episódio de Arrow onde uma Felicity Smoak da vida hackeia qualquer dispositivo antes que você dê outra piscada de olhos. Quando se associa tudo isso ao fato de que pessoas comuns como você e eu (normalmente) não carregam segredos de estado em seus celulares, creio que podemos dizer que estamos relativamente seguros.

Mas exageros a parte, há sempre uma preocupação, sim, ainda que inconsciente, de todos os usuários, com relação à sua segurança e privacidade. Neste sentido, eu gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas interessantes quanto a como podemos proteger melhor nossos aparelhos, tão indispensáveis no dia-a-dia, contra máscaras e outros bichos.

Atualize o sistema operacional do seu aparelho

Eu odeio fazer isso, por dois motivos básicos: Primeiro, concordar com a estratégia de obsolescência programada que as fabricantes de celulares e tablets nos empurram todos os dias — novos aparelhos, cada vez mais rápidos e eficientes, com sistemas novos que tornam aparelhos antigos cada vez mais lentos. Segundo, porquê toda versão nova de sistema pode deixar o aparelho com uma interface mais feia ou com experiência pior, ou ainda irritante (alô, iOS 11). Ainda assim, um monte destes hacks dos quais ouvimos falar nas notícias se aproveitam de vulnerabilidades que já foram corrigidas nas versões mais recentes, e, assim, expor-se à toa é bobagem.

Cuidado com o que você instala — e com o que já está instalado

Para quem usa aparelhos baseados no sistema Android, esta dica é particularmente importante. Enquanto alguns usuários se gabam de que o sistema é mais liberal e permissivo do que o da Apple, é justamente quando você instala um novo app que pode se deparar com solicitações para liberar uma série de permissões, incluindo a leitura de arquivos, acesso à câmera do aparelho ou ao seu microfone. É claro que não se deve viver no mundo da teoria da conspiração, já que existem vários usos legítimos para estas capacidades, mas deve-se ter bom senso para evitar os golpes e abusos. Basta pensar no porquê determinado aplicativo precisa daquele acesso.

A Apple leva vantagem neste ponto, já que seu processo de aprovação do que vai ou não ser oferecido na App Store é muito mais severo do que o do Google na Google Play. Pense: O sistema Android também permite a instalação de aplicativos provenientes de app stores alternativas. Algumas são reconhecidas e menos suspeitas por isso, como a da Amazon — enquanto outras são verdadeiras fontes de aplicações maliciosas que só querem se aproveitar de seu pobre aparelho.

Aplicativos que já estão no seu celular também devem ser observados: Não são apenas os sistemas que têm atualizações de versão frequente, que trazem correções e melhorias. Os desenvolvedores dos aplicativos também fazem isso, e é interessante ficar de olho nas descrições de atualização. Leva apenas uns segundos pra pelo menos dar uma passadinha de olhos, e você pode verificar se algo inocente se tornou sinistro de uma hora pra outra. Se for o caso, apague o app com o qual não concorda mais.

Código, código, código

Se alguém de fato chegar a colocar as mãos em seu precioso aparelho, podem acabar te causando uma séria dor de cabeça — pense no que ele pode descobrir dando uma olhada no seu e-mail, ou no Facebook: Quantos dados pessoais, né?

A tecnologia tem avançado e apresentado os Face IDs e os Touch IDs da vida, é fato. Mas pense simples antes de qualquer coisa: Tanto o Android quanto o iOS podem ser configurados para exigir um código com seis dígitos para liberar o aparelho para uso, e isso já é melhor do que nada.

Proteja seus aplicativos e contas fundamentais

Falei acima do Facebook e do seu aplicativo de correio eletrônico. Para todas as suas aplicações fundamentais há usuários e senhas associados, e uma das coisas que mais podem expor seu aparelho — e privacidade — são as funções de auto-login: Basta bobear por um minuto que alguém abre o aplicativo e aí será tarde para reparar o estrago.

Diversos fabricantes e desenvolvedores de software e serviços oferecem uma característica muito legal para proteção neste sentido: Chama-se two-factor authentication, ou autenticação em dois fatores. Pense nisso como um processo onde sua entrada no aplicativo só é liberada depois que você fornece duas informações corretas. Na maioria das vezes trata-se da sua senha e de um código, numérico ou alfa-numérico, que muda de tempos em tempos. Apple, Google e Facebook, só para citar exemplos conhecidíssimos do grande público, todos contam com essa opção — até mesmo o WhatsApp. Mesmo que este recurso também não seja à prova de falhas, é mais uma defesa possível para seus dados.

Também é interessante o uso de gerenciadores de senha. Sou adepto dessa prática já há bastante tempo, e ela tem duas vantagens: Primeiro, eu só preciso lembrar de uma senha, que acaba atuando como uma chave-mestra. Em segundo lugar, todas as senhas geradas pelo aplicativo podem ser configuradas para serem impossíveis de lembrar, com combinações gigantescas de letras, números e símbolos que tornariam o esforço de invasão exponencialmente complexo a cada caractere adicionado.

Alguns de vocês podem pensar que lembrar de uma única senha pode ser um ponto de fraqueza a ser explorado por alguém que queira roubar meus dados. No entanto meu segredo é outro ponto forte: Ao invés de usar meras senhas, adotei as passphrases, ou seja, frases completas no lugar de sequências de caracteres aleatórias, ou palavras simples.

Você pode usar sua citação favorita de um autor, ou criar uma frase totalmente aleatória. O importante é lembrar que senhas mais longas são mais seguras que senhas complexas. Meu argumento final, que considero matador neste aspecto, é que a senha que utilizo para proteger este blog — uma passphrase — levaria 15 octilhões de anos para ser descoberta, de acordo com o How Secure is My Password, ou 89 séculos conforme os dados do Passfault.

Fechando este tópico específico, coloque senha em cada aplicativo seu que permitir que isso seja feito. É mais uma maneira de proteger suas informações. É claro que não adianta nada usar a mesma senha para todos eles: Recorra a um gerenciador de senhas para te ajudar, também neste caso.

Finalmente… rastreie seu dispositivo!

Se o seu aparelho cair em mãos erradas ou for roubado, mesmo com todas estas dicas — claro, isso pode acontecer! —, você ainda pode garantir que seus dados estejam a salvo. Para isso, basta programar seu aparelho para que os dados nele existentes sejam automaticamente apagados depois de um certo número de tentativas de informar a senha que se mostrem incorretas.

Adicionalmente, tanto Android quanto iOS possuem recursos do tipo find my device que podem localizar seu celular em um mapa e travá-lo ou apagá-lo remotamente. Se tudo mais falhar, essa pode ser a solução derradeira.

Selecione apenas as células visíveis no Excel

Já aconteceu com todo mundo que eu conheço: O Excel pode agir de forma inesperada quando você resolve copiar e colar uma determinada faixa de células de uma planilha. O comportamento padrão da ferramenta é copiar e colar todas as células, ainda que algumas delas estejam ocultas, qualquer que seja o motivo para isso.

Só que, às vezes, o que você quer fazer é trabalhar só com os dados que estão visíveis.

Pois existe um atalho que pode economizar seu tempo e poupar dores de cabeça. Através dele, somente as células visíveis serão selecionadas, independente de você ter aplicado um filtro em seus dados, recolhido os dados de um subtotal ou ocultado linhas e colunas deliberadamente.

Utilize a combinação Alt + ; (ponto-e-vírgula) em seu teclado para selecionar apenas as células visíveis.

Um exemplo prático

Digamos que você tenha a planilha abaixo, com uma série de dados relacionados a pedidos referentes a material de escritório, feitos em diversas filiais de uma loja:

Suponha, agora, que você queira ocultar a coluna com o nome do responsável, ficando apenas com as informações restantes, para copiar os dados para outra planilha. Após ocultar a coluna em questão, selecionar os dados e usar o atalho CTRL+C vai te fazer chegar à uma tela muito parecida com esta, abaixo.

Note que a área marcada para copiar, no Excel, é indicada por um pontilhado, e que a coluna responsável (“C“) foi incluída nos dados a serem copiados, mesmo estando oculta. Pode-se observar isso porquê não há interrupção, entre as colunas, na seleção marcada, tornando o pontilhado contínuo.

Agora, se mantivermos as mesmas colunas selecionadas e usarmos o atalho mencionado acima — pressionar a combinação Alt + ; (ponto-e-vírgula) para selecionar apenas as colunas visíveis —, o resultado é um pouco diferente.

A região selecionada agora, ao ser copiada, demonstra claramente um pontilhado intermediário,  excluindo de seu conteúdo a coluna “C“, que não desejamos. Veja a diferença entre a figura anterior e o resultado com o uso do atalho:

Os dados, agora colados, deixarão de fora aquilo que não estiver visível.

O Paradoxo de Stockdale

James Stockdale

Um colega de trabalho me apresentou hoje ao Paradoxo de Stockdale. Estávamos discutindo sobre as chances de um dado projeto que temos em mente para a empresa ser aprovado ou não por nosso departamento financeiro para execução ao longo do ano que vem, e ele citou a história, que, no final das contas se aplica não apenas aos ambientes corporativos, mas também à nossa vida pessoal.

termo paradoxo de Stockdale foi citado no livro Good to Great: Why Some Companies Make the Leap and Others Don’t, escrito por Jim Collins. A obra retrata a pesquisa que o autor e sua equipe fizeram ao longo de cinco anos tentando identificar os principais fatores que separam as boas empresas — ou aquelas que se tornaram brevemente grandiosas das empresas que conseguiram não apenas alcançar, mas também sustentar a excelência por 15 anos consecutivos ou mais.

O paradoxo se refere ao Almirante James “Jim” Stockdale, oficial militar de mais alta patente a permanecer recluso na prisão de Hoa Lo, instalação utilizada para manter os prisioneiros de guerra americanos durante a Guerra do Vietnã. Stockdale foi torturado mais de 20 vezes durante os 8 anos que passou aprisionado, entre 1965 e 1973, não tendo direito a qualquer regalia supostamente oferecida a outros prisioneiros, não sabendo qual seria sua data de soltura daquela instalação ou se ele de fato sobreviveria para ver sua família novamente.

A situação crítica a que Stockdale estava submetido foi exatamente o ponto a que meu colega de trabalho se referiu. No capítulo 4 de Good to Great, o autor Jim Collins relata sua ansiedade ao se ver diante da chance de passar uma parte de uma tarde ao lado de Stockdale, após convite do próprio para almoçarem juntos, uma vez que se descobriram colegas de pesquisa na Hoover Institution da Universidade de Stanford e que um dos alunos de Collins tinha escrito sua tese sobre Stockdale. Para se preparar para o encontro, Collins leu In Love and War, relato sobre o que Stockdale viveu, escrito em conjunto com sua esposa, e se sentiu deprimido com o que o oficial passou, mesmo sabendo que ele mais tarde escaparia e se salvaria, para contar sua história. Quando Collins perguntou a Stockdale como ele próprio aguentou passar por aquilo, recebeu como resposta, em tradução livre feita por mim:

 Nunca perdi a fé no final da história ,” ele disse, quando lhe fiz a pergunta. “ Nunca duvidei de que não apenas eu sairia [da prisão] mas também de que eu prevaleceria no final e transformaria toda aquela experiência no evento que definiria a minha vida , o que, olhando para trás, eu não trocaria por nada.”

Eis o que meu colega de trabalho me perguntou quando mencionou o paradoxo de Stockdale: “Passando pelo que esse cara passou, por tanto tempo, quem você acha que não conseguiu sobreviver? Os prisioneiros otimistas ou os pessimistas?”. Eu confesso que errei a resposta. E Jim Collins ficou igualmente perplexo quando recebeu a resposta do próprio Stockdale:

“Quem não conseguiu sobreviver?”
“Ah, isso é fácil,” ele disse. “Os otimistas.”
“Os otimistas? Eu não entendo,” respondi, agora completamente confuso, dado o que ele havia dito [antes].

Segundo Stockdale, os otimistas se deram mal porquê eram eles quem ficavam dizendo coisas como “Nós vamos sair até o Natal“. Aí eis que chegava o Natal, e o Natal ia embora, e nada desses prisioneiros otimistas saírem da prisão. Mas eternos otimistas, eles diriam “Nós vamos sair até a Páscoa“, mas a Páscoa chegaria e iria embora sem que ninguém saísse de lá. Depois o Dia de Ação de Graças, e depois o Natal, de novo. E esses caras, muito otimistas, morreriam deprimidos.

A questão aqui, a meu ver, é de resiliência: Recobrar-se facilmente ou adaptar-se à quaisquer intempéries ou mudanças: Stockdale fez o que pôde para ajudar o maior número de prisioneiros que dividiam aquele dia-a-dia com ele a saírem de lá ilesos, criando um sistema de comunicação por batidas que eles podiam usar durante o silêncio obrigatório durante a noite, inflingindo a si próprio diversas torturas e desfigurações, para evitar que seus captores pudessem usar sua imagem como propaganda militar, escreveu cartas para sua esposa ocultando nas entrelinhas diversos segredos de estado, entre outras coisas. Na prática, com os diversos limões que a vida lhe apresentou, tomou o máximo de limonada que pôde.

Reprodução do livro “Good to Great”, capítulo 4

Assim, a grande lição deste paradoxo é que nunca devemos deixar de ser otimistas, até porquê otimismo é muito bom.  Mas, nosso otimismo tem que ser realista . Nunca devemos confundir a fé na vitória, no final, com a disciplina de enfrentar a realidade atual, ainda que ela possa parecer muito dura. Na prática, haverão algumas vezes na vida em que nós simplesmente não vamos sair quando o Natal chegar, e vamos ter que viver com isso.

Como enviar uma mensagem de WhatsApp para um número que não está nos seus contatos?

Com o WhatsApp tendo se tornado a opção número um de milhões de pessoas para comunicação através de mensagens instantâneas, não é de se admirar que algumas vezes nos vejamos às voltas com a seguinte situação: Você precisa enviar uma mensagem através do WhatsApp para alguém, mas não tem o número da pessoa cadastrado em seu celular.

A situação, embora possa não parecer, é mais comum do que parece: Você pode estar fazendo negociações em sites de leilão como o Mercado Livre, comprando ou vendendo produtos no OLX, ou algo similar. Em circunstâncias como essa, muita gente normalmente cadastraria o número de telefone desejado temporariamente em seus contatos, enviaria as mensagens que precisasse pelo WhatsApp e, em seguida, apagaria o número. Mas então, pense: para que se dar ao trabalho?

O WhatsApp possui um recurso pouco conhecido da grande maioria dos usuários, chamado Conversa em um Clique. Com este recurso é possível que você mande mensagens justamente para números de telefone que não estão em seus contatos. O mais interessante é que a Conversa em um Clique funciona tanto através dos smartphones quanto através do WhatsApp Web. Usar a ferramenta é muito simples. Tudo o que você precisa fazer é saber o número do telefone para quem quer mandar mensagem, abrir um navegador web e digitar o seguinte:

https://api.whatsapp.com/send?phone=número-do-telefone

número do telefone precisa começar com o código internacional do país ao qual o número pertence. Como a maioria das pessoas que conheço mora no Brasil — e se este for o seu caso —, vamos esclarecer que o código internacional de nosso país é 55. Em seguida, você precisa acrescentar o DDD do telefone, para, finalmente, complementar com o número da linha do aparelho celular que você vai contactar.

Suponha que um número de celular válido no Brasil fosse (011) 12345-6789. Para enviar uma mensagem via WhatsApp pelo Conversa em um Clique para esse número, então, bastaria acessar o endereço da seguinte maneira:

https://api.whatsapp.com/send?phone=5511123456789

O importante é notar que não é necessário colocar o número zero (0) na frente do número desejado, nem acrescentar outros caracteres, como parênteses ( ) ou hífens. Uma vez que você entre com o endereço acima no navegador, um chat será aberto com o número de telefone indicado. Acompanhe abaixo o que acontece neste caso quando você está no Windows e no iPhone.

Quando você usa um navegador de internet do próprio celular, o WhatsApp exibe uma tela pedindo que você confirme que quer enviar mensagens para o número solicitado. Uma vez que este processo seja realizado, o próprio aplicativo do WhatsApp será aberto, com uma nova janela de chat aberta, que você poderá usar enquanto for necessário, de uma maneira descartável, que, novamente, lembro ser muito interessante para quando estamos negociando em sites como Mercado Livre ou OLX. Para quem usa o WhatsApp a partir da web, no entanto, o processo é um pouquinho mais demorado, mas quando concluído, permite o mesmo envio de mensagens citado anteriormente.

Para quem depende do WhatsApp Web

Ao digitar o endereço acima em um navegador de seu computador, seja ele desktop ou notebook, você se deparará com a seguinte tela, parte da interface do WhatsApp Web. O número de telefone completo para o qual você enviará a mensagem aparecerá em destaque. Neste caso, se tudo estiver correto, basta que você pressione o mouse sobre o botão Enviar Mensagem.

Como medida de segurança do WhatsApp, o próximo passo envolverá a leitura de um QR Code usando seu celular para completar a operação. Abaixo, destaco a tela com as instruções para quem tem aparelhos iPhoneAndroid ou Windows Phone. Na prática, bastará você apontar a câmera do seu celular para o código que estará na tela, e a conexão será feita automaticamente.

Aliás, para facilitar o trabalho das próximas vezes, caso você esteja fazendo isso através de um computador que acessa sempre e em que confia, como o de sua casa, por exemplo, basta deixar marcada a opção Mantenha-me conectado, como ilustro a seguir.

Quando a verificação do código estiver concluída, uma janela muito similar àquela que conhecemos dos aplicativos de smartphone será aberta, e a partir dela você poderá enviar quantas mensagens desejar. Mais uma vez, para que você possa acompanhar o passo-a-passo, ilustro a tela tal como ela aparece:

Espero que seja de ajuda para muitos de vocês.

 

Segundos em hh:mm:ss no Excel

Você já precisou converter um valor expresso em segundos para horas, minutos e segundos (HH:MM:SS) usando o Excel?

Se você é um usuário do Excel no dia-a-dia, pode ser que tenha uma planilha onde estes valores estão em uma determinada coluna, apenas esperando para serem convertidos e utilizados em um relatório que você está gerando. Se você é um usuário um pouco mais avançado e está envolvido com programação de macros em VBA, provavelmente já passou por pelo menos uma situação em que, dado um tempo de processamento de uma rotina ou job em segundos, era necessário realizar e apresentar os resultados desta conversão.

Neste artigo, vou lhes mostrar como atingir os dois resultados, de forma muito simples.

Sou um usuário comum do Excel, o que preciso fazer?

Ao me referir a usuário comum, estou apenas dizendo que você nunca ouviu falar em VBA — ou que você não precisa disso, no momento.

Neste caso, dê uma olhada na imagem a seguir. A coluna apresenta valores hipotéticos em segundos, sendo estes números inteiros, ou seja, sem casas decimais. Na coluna estão representados os tempos, já expressos em horasminutos e segundos. Para chegar a este resultado, você precisa apenas de uma divisão simples e de uma formatação, oferecida pelo próprio Excel. Vejamos:

Tomando por base a célula B2, vamos inspecionar seu conteúdo:

Veja que o número total de segundos da célula A2 (33312) está sendo dividido por 86400. Este não é um valor aleatório: Representa o total de segundos existentes em um dia completo. Chega-se a este valor multiplicando-se 60 segundos x 60 minutos x 24 horas, e trata-se de uma constante, ou seja, não haverá mudança neste total, pois os dias como os conhecemos sempre terão esta quantidade de segundos.

Mas, como eu disse anteriormente, a divisão acima precisa estar acompanhada de uma formatação. Existem diversas maneiras de acessar as opções de formatação de células no Excel, mas vou me ater a uma que você pode acionar a partir do próprio teclado. Selecione as células que você deseja formatar e pressione a combinação de teclas CTRL + 1.

Uma vez tendo acessado as opções de formatação do conjunto de células, escolha, na guia Número, entre as categorias apresentadas, a opção Personalizado. Veja que existe uma lista de valores pré-definidos, e que basta você escolher a opção hh:mm:ss entre as que estão disponíveis. Uma vez feita a seleção, clicar sobre o botão OK resultará na formatação desejada, conforme a primeira imagem que ilustra este texto.

DICA: Se ao invés de representar seus valores em horas, minutos e segundos você precisa representá-los em diashorasminutos segundos, nada tema. Utilizando o mesmo método descrito acima, você pode digitar uma formatação diferente, usando o formato dd:hh:mm:ss e obter seu resultado facilmente, tal como demonstro abaixo:

Espero que as dicas acima tenham ajudado você.

Sou um conhecedor de VBA. Como resolvo isso com programação?

Usuários de VBA, ou Visual Basic for Applications estarão em busca de uma solução que utilize código. Para que isso seja possível, no entanto, as considerações que explico acima são as mesmas. Você também precisará converter o valor total em segundos para um decimal, utilizando a divisão por 86400. Uma vez que tenha este valor, pode apresentá-lo na formatação que desejar.

Estou assumindo que você está familiarizado com o editor de código do Excel, então abra-o e utilize a função abaixo:

Function SegundosEmTempo(celula As Range)
' Função simples para converter um valor em segundos para hh:mm:ss
' Por Daniel Santos
' http://danielsantos.org/
'
 If Not IsNumeric(celula.Value) Then
 'Retorna um erro caso o valor não seja numérico
 SegundosEmTempo = CVErr(xlErrNum)
 Else
 'Divide o valor da célula por 86400 e formata, como no caso
 'de uma planilha comum...
 SegundosEmTempo = Format(celula.Value / 86400, "dd:hh:mm:ss")
 End If
End Function

Lembrando que já que criamos o código acima como uma função, o mesmo pode ser executado através da própria planilha no Excel, bem como reaproveitado ou ajustado conforme suas próprias necessidades, em seu próprio código.

Espero ter ajudado.

Como pedir reembolso no Steam?

Ao longo de muitos anos como dono de uma conta no Steam, acumulei uma quantidade razoável de games que, durante as horas de lazer, procuro jogar com meus filhos, e às vezes, com algumas visitas. Sou fã de games há muito tempo, e aprecio particularmente estes que compro através da plataforma, por um motivo muito simples: Ao contrário de outras lojas de aplicativos como as da Microsoft ou Apple, onde em algum canto do regulamento existe uma inscrição similar à “all purchases are final and non-refundable”, o Steam permite que peçamos reembolso dos games que compramos.

E isso veio bem a calhar.

TL; DR: Leia a política de reembolso do Steam mais abaixo e, logo em seguida, pule diretamente para o passo-a-passo.

Entre os dias 14 e 18 de setembro deste ano, foi ao ar um final de semana de descontos Bandai Namco, em que vários títulos da gamehouse foram remarcados com descontos significativos: foi nesta ocasião que resolvi comprar, por cerca de R$ 17,00, o game PAC-MAN™ Championship Edition 2, isso porquê, como já tenho a versão anterior da franquia, PAC-MAN™ Championship Edition DX+, pensei que seria bom ter a versão mais recente.

No entanto, qual foi minha surpresa quando, ao executar o game pela primeira vez e ser apresentado aos seus níveis de tutorial, me vi vítima do famigerado Infinite Loading Bug, reportado, aliás, por centenas de usuários. Trata-se de uma situação em que você escolhe um dos níveis de tutorial e fica eternamente olhando para uma única tela, que eu chamo de loading screen da depressão:

Loading screen da depressão

Depois de navegar pelos fóruns da comunidade do game no Steam e tentar soluções como usar modo de compatibilidade do Windows, iniciar e reiniciar o computador, verificar a integridade dos arquivos do jogo e algumas outras peripécias, acumulei 38 minutos de jogo — ou melhor, de aplicação sendo executada, porquê, de jogo mesmo, neca de pitibiriba. Foi aí que me lembrei da política de reembolso do Steam e daquela que considero sua restrição mais importante:


Reembolsos no Steam

Você pode solicitar o reembolso de quase tudo no Steam — por qualquer motivo. Talvez o seu computador não atenda os requisitos mínimos; talvez tenha comprado o jogo por engano; talvez tenha jogado por uma hora e não gostou.

Não importa. Dentro de um prazo de catorze dias, se o jogo tiver sido jogado por duas horas ou menos, a Valve atenderá solicitações de reembolsos feitos através de help.steampowered.com. Há mais alguns detalhes abaixo, mas mesmo que você não atenda as regras mencionadas, a sua solicitação será analisada.

O reembolso será emitido dentro de uma semana da data em que foi aprovado. Você receberá o reembolso na sua Carteira Steam ou diretamente na forma de pagamento original. Caso o Steam não seja capaz de emitir o reembolso por qualquer motivo para a forma original de pagamento, a sua Carteira Steam receberá o valor total.

Já tendo usado o reembolso da Steam pelo menos mais duas vezes no passado, estava atento ao prazo de reembolso. Acumulando, como disse acima, apenas 38 minutos de tentativas frustradas de jogar, atendi a um dos requisitos, enquanto que, tendo solicitado o reembolso apenas 6 dias após a compra, atendi ao outro. Assim, num intervalo de apenas 42 minutos entre solicitação de reembolso e retorno do Steam,  recebi a seguinte mensagem:

Consegui!

O que vale ressaltar é que, ainda de acordo com a política da plataforma de games, o valor reembolsado volta para a carteira Steam e só pode ser usado a partir de 7 dias após a solicitação. De qualquer maneira, é uma forma de, pelo menos, conseguir empregar o dinheiro anteriormente gasto em algum outro game que seja de interesse. E como o saldo da carteira não expira, não há pressa. Mas qual é o passo-a-passo, caso você nunca tenha feito um reembolso antes?

Passo-a-passo para reembolso no Steam

Passo 1

Acesse as informações da sua conta. No cliente para Windows, vá ao canto superior direito, encontre seu nome de usuário, clique sobre ele e, em seguida, no link Detalhes da conta que aparecerá;

Passo 2

Na página que será aberta, você precisará visualizar seu histórico de compras. Para isso, também do lado direito, encontre o link Ver histórico de compras;

Passo 3

Você chegará à lista dos jogos que comprou, organizados da compra mais recente para a mais antiga. Se você satisfaz a política de reembolso do Steam — ou seja, não jogou o game por mais de 2 horas e não o comprou há mais de 14 dias (vide box acima) —, basta clicar sobre o nome do jogo em questão, para obter maiores informações.

Passo 4

Assim que os detalhes forem exibidos, você perceberá que existe um menu de opções para relatar problemas com a compra realizada. O link que você precisará utilizar é o primeiro da lista, “desejo ser reembolsado“, tal como eu ilustro a seguir:

Passo 5

Na sequência, o Steam exibirá um novo menu de opções para o jogo. Neste caso, para continuar com o processo, o link a ser seguido é o segundo, “desejo solicitar um reembolso”. Novamente eu ilustro a opção, para referência:

Passo 6

Este é o passo final para solicitar o reembolso. Os dados da compra serão apresentados na tela e, na região inferior, você poderá escolher o motivo pelo qual o está solicitando. Novamente, aqui pesa positivamente o fato de que a política de reembolso do Steam é muito liberal, e você pode pedir seu dinheiro de volta por praticamente qualquer motivo. O formulário em questão se assemelha ao que ilustro a seguir, com minha justificativa para devolver meu game:

Por fim, é importante que você use o campo observações para descrever pelo menos alguns detalhes adicionais sobre o motivador da devolução. Em seguida, clique sobre Enviar solicitação. Desta maneira, o atendimento receberá sua solicitação e, através de seu endereço de e-mail registrado no Steam, você saberá dos trâmites envolvendo o reembolso. Se tudo correr bem, sua resposta será rapidamente recebida — e você poderá usar o saldo devolvido após 7 dias.

Ajudou você? Deixe um comentário!

Meu aspecto menos favorito das typing notifications

Quantas e quantas vezes, no meio de um chat do WhatsApp ou do Facebook Messenger você já se pegou observando uma typing notification — aquele aviso amigável que mostra que alguém está digitando uma resposta para você?

Essa tirinha do xkcd acertou em cheio: Sempre me perguntei porquê tantos segundos se passam, alternando as typing notifications com períodos de aparente inatividade, só para na sequência receber respostas mnemônicas:

— Ok.

— Sim.

— Tá bom.

Randall Munroe, wise as usual.