O cavalo de Schilda

Existe uma velha história do folclore alemão que foi recontada por Sigmund Freud ao final de sua palestra “Cinco Lições de Psicanálise“,  na Clark University, em Worcester, Massachusetts, no mês de setembro de 1909, que é assim:

“A literatura alemã conhece um vilarejo chamado Schilda, de cujos habitantes se contam todas as ‘espertezas‘ possíveis. Dizem que possuíam eles um cavalo com cuja força e trabalho estavam satisfeitíssimos. Uma só coisa lamentavam: consumia aveia demais e esta era cara. Resolveram tirá-lo pouco a pouco desse mau costume, diminuindo a ração de alguns grãos diariamente, até acostumá-lo à abstinência completa. Durante certo tempo tudo correu magnificamente; o cavalo já estava comendo apenas um grãozinho e no dia seguinte devia finalmente trabalhar sem alimento algum. No outro dia amanheceu morto o pérfido animal; e os cidadãos de Schilda não sabiam explicar por quê.

Nós nos inclinaremos a crer que o cavalo morreu de fome e que sem certa ração de aveia não podemos esperar em geral trabalho de animal algum.”

 

Eu, apesar de nada entender a respeito de psicanálise, gosto muito de fazer uma analogia desta situação que viveram os habitantes da fictícia cidade de Schilda, tão “espertos”, mas na verdade fazendo as coisas das maneiras mais irracionais possíveis, com melhorias “burras” em processos de negócio nas empresas.

Explico.

Para que melhorias em processos possam gerar o que as empresas esperam, ou seja, mais produtividade, mais velocidade, melhor qualidade desempenho e maior lucratividade satisfação dos clientes, devem ser bem pensadas.

Problemas devem ter causas raiz bem definidas para que os esforços de melhoria sejam feitos nos momentos e pontos corretos, e isso leva um tempo razoável, com levantamentos de dados e análises, que nem todo mundo, em todas as empresas, está disposto a esperar.

Isso leva algumas delas a pegar atalhos. Um fenômeno muito comum, assim, acaba sendo assumir de imediato que já se sabe exatamente o que precisa ser feito: reduzir as rações de aveia periodicamente, esperando, ainda assim, que a força de trabalho renda tanto quanto antes, e que entregas e níveis de serviço não apenas se mantenham, mas melhorem.

Esta conta, é claro, não fecha, e o cavalo acaba morrendo.

 

Quantas pessoas no mundo todo já voaram de avião alguma vez na vida?

Ah, voar.

A primeira vez em que pisei num avião foi já crescido, em julho de 1997, quando peguei um vôo rumo a Salvador, na Bahia. Passados todos estes anos, confesso que nunca deixei de adorar a sensação de estar no ar, eu não vou mentir.

ICAO (International Civil Aviation Organization), agência das Nações Unidas especializada em aviação, reportava, em notícia de dezembro de 2015, o crescimento do tráfego aéreo em termos de número de passageiros transportados em vôos agendados ou comerciais, chegando a 3,5 bilhões de passageiros transportados, um aumento de 6,4% em relação a 2014. Um dado interessante: A América do Sul apresentou o segundo maior crescimento percentual, em relação às regiões de todo o mundo, com aumento de 7,9%, como mostra o gráfico a seguir:

Crescimento % do tráfego de passageiros em vôos comerciais ou agendados, em 2015 (fonte: ICAO)

A questão é que ainda que o número de 3,5 bilhões de passageiros transportados durante 2015 seja praticamente metade dos aproximadamente 7,4 bilhões de habitantes do mundo enquanto escrevo este texto, não dá pra assumir que 1 em cada 2 seres humanos já pisou num avião, mesmo que em 2015 existissem cerca de 1400 companhias aéreas e 4.130 aeroportos.

Dado que não existe nenhuma base de dados oficial que registre o número de passageiros diferentes que já voaram alguma vez na vida, e que uma pessoa, se pegar mais de um vôo por dia — como é comum em alguns casos e algumas profissões, entra para esta estatística tantas vezes quantos forem suas viagens de avião, é muito complicado responder à pergunta que fiz no título deste texto.

Mas afinal… quantas pessoas no mundo todo já voaram de avião alguma vez na vida?

Estima-se que apenas 5% da população mundial.

Fazendo as devidas contas e levando em conta os 7,4 bilhões de habitantes, isso é aproximadamente 370 milhões de pessoas. Para efeitos de comparação, considere que a população do Brasil é de aproximadamente 210 milhões de habitantes, enquanto escrevo.

É pouco, não é mesmo? Vejam: Poder voar é tão legal que nunca parei pra pensar nisso. E quanto penso, vejo que, ao menos sob certa perspectiva, a chance de voar em um avião, guardadas as devidas proporções, é como, para muita gente, a chance de ir ao cinema pela primeira vez, ou a chance de conhecer o mar.

Já vista sob outra perspectiva, a razão pela qual as pessoas não aproveitam o que chamei de chance de voar se resume em 3 palavras: motivomeio oportunidade.

Muita gente em todo o mundo não tem razão nenhuma para embarcar em um avião e voar pra qualquer lugar que seja. Um outro motivo para que as pessoas não voem é que há muita gente, realmente, sem condição financeira para fazer isso — e, falando francamente, a julgar pelo preço das passagens aéreas no Brasil ultimamente, cada vez menos gente tem condição de voar.

Já outras pessoas estão em regiões mal servidas em termos de aviação comercial. Se considerarmos a África, por exemplo, um continente formado por 54 países, com cerca de 1,1 bilhão de habitantes, veremos que a aviação comercial do continente é um mercado inexplorado: As 230 companhias aéreas presentes no espaço aéreo africano operam apenas 5,5% da frota mundial de aeronaves comerciais e de carga. Além disso, muitas regiões africanas são carentes em relação a serviços e instalações consideradas vitais para vôos seguros, como radares, cobertura de telecomunicações e até mesmo pistas iluminadas e instrumentação. Assim, embora vôos diários aconteçam na África todos os dias, são usadas aeronaves pequenas, que nem sequer entram na estatística básica da ICAO sobre o número de passageiros transportados anualmente, que mencionei antes.

No final das contas, a questão dos 5% é, na melhor das hipóteses, uma aproximação. Assim como expus estes dados para seguir pela linha de motivos, meios e oportunidades, existem outras inúmeras variáveis que poderiam ser levadas em consideração, inclusive em fatias de mercado específicas. Assim, embora a resposta esteja aí, é como se ela, também, não estivesse.

A história do “Deixa que eu deixo”

Esta semana estava me lembrando de uma historinha que ouvi há muito tempo, quando comecei a trabalhar com gestão de processos, e que passei a contar às pessoas, em geral para ilustrar uma das situações mais corriqueiras que existem, o famoso “deixa que eu deixo”.

Trata-se do seguinte:

Havia quatro funcionários que trabalhavam em uma empresa. Seus nomes eram Todo MundoAlguémQualquer Um Ninguém.

Nesta empresa existia uma tarefa muito importante, que precisava ser executada o mais rapidamente possível. Todo Mundo tinha certeza absoluta de que Algúem executaria a tarefa. Qualquer Um poderia ter executado, mas Ninguém executou. E acontece que Alguém ficou muito aborrecido: Afinal de contas, era obrigação de Todo Mundo.

Todo Mundo pensou que Alguém ia executar a tarefa, mas Ninguém percebeu que Todo Mundo deixaria de executá-la. No final das contas, Todo Mundo acabou culpando Alguém quando Ninguém executou a tarefa que Qualquer Um poderia ter executado.

É triste, mas muito mais comum do que se imagina. E você pode já ter sido vítima desses quatro.

How scientifically plausible is Scorpion, the TV show about the geniuses?

Scorpion atualmente ocupa lugar entre minhas séries favoritas.

Nesta discussão com a qual me deparei hoje no Quora faço minhas as palavras do Dan Harvell, que respondeu à questão da seguinte forma:

I think the keyword here is, “plausible”.  It’s all scientifically plausible… just like most of the stuff on MacGyver.  It’s all based on good, sound scientific fact.  But “plausible” is as far as it goes, because absolutely the smallest sliver of it is practical.  You could take the real Walter and put him up to the tasks portrayed on the show and he would likely fail at 99% of it, because of factors that just cannot be parsed in real time, regardless the IQ of the person at task.  I love “Scorpion”, but it does fall into one of the dumbest television stereotypes:  geniuses are perfect.  Geniuses are absolutely fallible.  That is one of the best ways for the genius to learn – failure.

The Brain Attic


Imagem: tisserande

“I consider that a man’s brain originally is like a little empty attic, and you have to stock it with such furniture as you choose. A fool takes in all the lumber of every sort that he comes across, so that the knowledge which might be useful to him gets crowded out, or at best is jumbled up with a lot of other things, so that he has a difficulty in laying his hands upon it. Now the skillful workman is very careful indeed as to what he takes into his brain-attic. He will have nothing but the tools which may help him in doing his work, but of these he has a large assortment, and all in the most perfect order. It is a mistake to think that that little room has elastic walls and can distend to any extent. Depend upon it there comes a time when for every addition of knowledge you forget something that you knew before. It is of the highest importance, therefore, not to have useless facts elbowing out the useful ones.”

— “The Brain Attic”; Arthur Conan Doyle,  A Study in Scarlet (Sherlock Holmes, #1)

 

As work gets more complex, 6 rules to simplify

Why do people feel so miserable and disengaged at work? Because today’s businesses are increasingly and dizzyingly complex — and traditional pillars of management are obsolete, says Yves Morieux. So, he says, it falls to individual employees to navigate the rabbit’s warren of interdependencies. In this energetic talk, Morieux offers six rules for “smart simplicity.” (Rule One: Understand what your colleagues actually do.)

Os pokémons que a minha mãe faz são geniais!

Há umas duas semanas, já em meio à onda do Pokémon Go, enquanto eu navegava pelo Twitter, me deparei com um artigo do site The Verge, falando de uma mulher chamada Nichole Dunigan, que resolveu criar um projeto que batizou de #CrochetGo — para o qual possui um grupo no Facebook.

Um Bellsprout de crochê, vejam só!

Em primeiro plano, um Bellsprout de crochê, vejam só!

O projeto objetiva tricotar — não, crochetar — essa palavra nem existe oficialmente! —, produzir Pokémons feitos em crochê e deixá-los nos diversos pokéstops e ginásios existentes em Lewisville, Texas.

É isso mesmo, deixá-los nestes lugares. Ela não está vendendo nada. Apenas tomou gosto pela coisa, o que não é difícil de entender, uma vez que ela se autodefine, em seu perfil no Instagram, como uma gamer, foodie, e crafty geek. Ela inclusive disponibilizou todas as receitas de crochê que criou em um endereço na internet, para aquelas pessoas que queiram — e possam — seguir o exemplo.

Um Pikachu entre duas pokebolas, tudo feito pela minha mãe.

Um Pikachu entre duas pokébolas, tudo feito pela minha mãe.

Embora não esteja entre as minhas habilidades fazer crochê, e nem seja muito a minha praia, nada como ter uma mãe que possui essas habilidades: Eu mandei pra ela o link desse artigo que encontrei e, não é que para a minha surpresa, ela também começou a produzir os seus próprios Pokémons de crochê?

Acho importante dizer que, ao contrário da Nichole e de seu projeto, minha mãe, que trabalha com artesanato, patchwork e coisas do gênero, agora faz os Pokémons para vender. São muito bem feitos, têm muita qualidade e não são nada caros: Eu simplesmente adorei. Se você também gostou, passa lá na página da minha mãe, que também fica no Facebook, e faz uma visitinha 🙂