Você com certeza já passou por isso: tira algumas fotos ou grava um vídeo com o celular e precisa transferir os respectivos arquivos para o seu desktop ou notebook.

Ou então é um arquivo em PDF que você recebeu no e-mail do computador e precisa fazer chegar até o seu celular.

Certamente o número de soluções pra transferir dados entre dispositivos aumenta a cada dia. Podemos, entre outras coisas:

  • usar aplicativos que são instalados tanto no celular quanto no computador — se você fizer uma busca no Google, vai encontrar instantaneamente dezenas deles;
  • usar o WhatsApp do celular e receber os dados pela versão web do app — o que é parecido com a primeira alternativa, exceto pelo fato de que você não precisa de um aplicativo no computador;
  • conectar o cabo USB do celular ao notebook ou desktop, fazendo uma conexão para transferência;
  • fazer upload pra um serviço de nuvem, como o Google Drive, Dropbox ou OneDrive;
  • Usar o AirDrop;
  • mandar os arquivos por e-mail.

Mas vamos pensar um pouco nas desvantagens de cada alternativa:

  • aplicativos instalados no seu celular, desktop ou notebook tomam espaço em disco desnecessário, ou requerem a aquisição de licenças premium para utilização continuada ou de todos os seus recursos — e talvez não justifiquem sua instalação ou o investimento, sobretudo se você não transfere dados com frequência;
  • WhatsApp pra transferir arquivos entre os seus dispositivos significa que você precisa criar um grupo com você mesmo, ou adicionar você mesmo aos contatos e bater um papo com você mesmo pra enviar e receber os dados — o que não é exatamente muito otimizado;
  • O cabo USB até pode ser uma boa ideia, e certamente é usado por muitos para as transferências — mas o principal problema está na fragilidade dessas coisas: penso logo em quantas e quantas vezes eles quebram ou ficam inutilizados, e até fico indignado toda vez que eu penso nos smartphones de milhares de reais de hoje em dia e em seus cabos de milhares de centavos;
  • o upload pra nuvem até pode ser legal, mas envolve duas operações demoradas, primeiro o próprio upload e, em seguida, o download para o outro dispositivo;
  • O uso do AirDrop, tecnologia da Apple, não tem uma desvantagem em si — exceto se você usa Android, onde a tecnologia não existe, ou tem apenas um dispositivo onde a tecnologia existe, como um iPhone ou um iPad, já que um MacBook custa algo da ordem de muitos milhares de reais;
  • Finalmente resta o bom e velho e-mail, mas mesmo aí existem limitações: tamanho máximo da mensagem ou dos anexos que ela contém e tamanho máximo da sua caixa de mensagens — sem contar que muita gente mais nova daqui a pouco vai estar perguntando o que é e-mail.

O problema que eu tenho

Como eu tenho usado o celular pra gravar vídeos para o English Minutes com uma certa frequência, comecei a precisar de alternativas viáveis pra passar os arquivos pro computador.

Obviamente os vídeos são arquivos enormes… têm vários megabytes de tamanho — e alguns chegam a mais de um gigabyte, o que certamente inviabiliza usar o e-mail pra transferi-los.

Eu poderia usar o AirDrop, não fosse pelo fato de que eu possuo uma máquina com Windows e a tecnologia não está disponível para o sistema operacional — o iTunes poderia rolar, não fosse pelo fato de que é um trambolho enorme, pesado no sistema e em sua inicialização, e pouco justificável apenas para transferir meia dúzia de arquivos por mês.

Em relação a aplicativos, já instalei vários, mas são muito instáveis e, como eu disse antes, possuem limitações em suas versões gratuitas.

Esqueça isso: use somente o navegador pra transferir arquivos

Em minhas incansáveis buscas internet agora, acabei descobrindo o Snapdrop, uma solução que achei tão simples e sofisticada ao mesmo tempo que eu me vi obrigado a fazer um vídeo a respeito:

Conforme definido pelo próprio autor da solução, Robin Linus, o Snapdrop é uma ferramenta “dotada de simplicidade radical“, em que não apenas a interface é “insanamente simples“, como os recursos são apenas aqueles estritamente necessários à solução de um único problema: transferir arquivos instantaneamente, entre qualquer plataforma.

Tecnicamente falando, o Snapdrop emprega uma conexão P2P, ou seja, peer-to-peer, que significa envio e recebimento de arquivos entre dois dispositivos, de forma fechada, em todo navegador moderno que suporte WebRTC, um framework aberto para uso na web, que habilita os navegadores a usar comunicação em tempo real (real-time communication) de forma automaticamente criptografada.

Dado que a tecnologia WebRTC é suportada pelo sistema operacional Android desde a versão 4.4, e pelos navegadores Google Chrome 26 ou superior, Firefox 23 ou superior, Microsoft Edge 14 ou superior e pelo Apple Safari 11 ou superior, isso faz do Snapdrop uma solução de transferência instantânea de arquivos multiplataforma e completamente acessível: adeus cabo USB, adeus programas terceiros e qualquer outra solução.

Para aqueles que são mais desconfiados, o autor diz no FAQ do Snapdrop que a solução atua localmente, ou seja, nenhum arquivo jamais é enviado pra qualquer servidor na internet — ao invés disso, apenas os pares são envolvidos na transferência. Ele disponibiliza um link com o conteúdo do servidor, e diz que, mesmo que os arquivos fossem armazenados ali, a tecnologia WebRTC, que criptografa o que é enviado, não permitiria sua leitura.

Minhas impressões pessoais, comentários e observações

Bom… depois de transferir vários arquivos localmente entre meu iPhone e minha máquina que atualmente roda em Windows 10, só posso dizer que estou muito bem impressionado com o Snapdrop.

Isso dito, creio que valha à pena eu fazer alguns comentários:

  • Por ser algo 100% local, a solução só funciona quando os seus dispositivos estão compartilhando a mesma rede: por exemplo, eles precisam estar conectados à mesma rede wi-fi;
  • A solução não é infalível: algumas vezes é necessário fechar a aba do navegador onde a ferramenta está aberta, ou, até mesmo, reiniciar a aplicação — e isso vale para os dois dispositivos envolvidos;
  • A seleção e transferência de múltiplos arquivos é perfeitamente possível, porém, não há na ferramenta um indicador do número de arquivos já transferidos e quantos faltam transferir, e cada vez que um arquivo é transferido, é necessário salvá-lo antes de continuar com a próxima transferência — mas isso não atrapalha a experiência geral.

Algumas pessoas poderão dizer que a transferência de arquivos grandes é muito demorada: para quem pensa assim, lembre-se de que transferências via wi-fi são mais demoradas do que aquelas feitas através de conexões cabeadas, e que a demora seria idêntica ou maior quando usamos aplicativos terceiros.

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