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Torne o trabalho de TI visível com Kanban

Este artigo foi publicado originalmente no meu perfil do Linkedin.

Você sabia que o trabalho em um departamento de TI é essencialmente invisível?

Ao contrário do que pode ser encontrado no chão de fábrica — pilhas de produtos não concluídos espalhados pela linha de produção —, as informações e os conhecimentos aplicados na execução das atividades de Tecnologia da Informação para a entrega de projetos estão registrados em documentos sistemas.

É aí que entra o Kanban, técnica trazida para o mundo dos projetos de TI por David Anderson, que em 2003 publicou o livro “Agile Management for Software Engineering — Applying the Theory of Constraints for Software Projects”, onde adaptou os conceitos de sistema puxado ao desenvolvimento de software.

O emprego do Kanban expõe o fluxo de trabalho (ou a falta dele), e ser capaz de enxergar o fluxo é essencial para gerenciar um projeto de software! Afinal, sem um entendimento claro do que uma equipe precisa fazer, a gestão eficiente do seu fluxo de atividades é praticamente impossível.

O desenvolvimento de software com emprego do Kanban envolve a utilização de quatro práticas:

  1. Visualizar o fluxo de trabalho, usando um quadro Kanban para que o time de projeto possa conversar sobre o que efetivamente importa no momento correto, e com isso criar oportunidades de melhoria.
  2. Limitar as atividades em andamento, o trabalho em andamento (WIP), ou seja, aquilo que o time de projeto ainda não concluiu, através de uma técnica que permite avaliar o máximo de trabalho exequível pelo time, por vez.
  3. Gerenciar as atividades efetivamente em andamento, visando evitar o “envelhecimento” dos itens de trabalho e sua conclusão dentro das expectativas de prazo definidas.
  4. Personalizar adaptar uma definição de “*fluxo de trabalho*” que seja compreendida pelos membros da equipe do projeto de software. Com um entendimento mutuo, documentar políticas e indicadores que possam ser usados para melhorar o desempenho do time a cada projeto desenvolvido.

Não é algo fácil de aplicar: o Kanban requer engajamento, disciplina e, sobretudo, patrocínio da direção, mas é uma receita vencedora nos projetos de TI, e certamente pode fazer com que seu departamento contribua mais ativamente para os resultados da empresa.

Soluços

Quem nunca teve uma crise de soluços do nada que atire a primeira pedra.

Alias, convenhamos que sempre que a gente soluça aparece alguém que conhece uma técnica, receita ou fórmula mágica pra acabar com eles, não é mesmo?

Confesso que eu gosto dessas técnicas. São meio que lifehacks, à sua maneira. Algumas são bem antigas e já me eram sugeridas pela minha avó, como beber água, colocar a língua bem pra fora e segurar com os dedos ou prender a respiração por alguns segundos, sendo que a lógica dessas coisas é corrigir contrações involuntárias do diafragma, causa dos soluços.

Mas tem uma técnica que uma amiga me explicou dia desses, por saber que eu tenho filhos, pra fazer crianças pararem de soluçar: “Quando seu filho vier reclamar que está soluçando” – ela me disse -, “peça pra ele se concentrar e te dizer quantos segundos está levando entre um soluço e outro, que o soluço vai passar“.

Lembro de ter me sentido cético a respeito disso: “nem a pau”, pensei. Até parece.

Só que ontem eu estava na minha, vendo um episódio de The Big Bang Theory antes de dormir, quando comecei a soluçar. Pensei imediatamente no que ela tinha dito. Comecei a contar os segundos. Mas o soluço seguinte, pasmem, nunca veio.

Gabi, você tinha razão.

O modelo ADKAR e o respeito à faixa de pedestres

Este artigo foi publicado originalmente no meu perfil do Linkedin.

Recebi por WhatsApp nesta semana um vídeo muito interessante: trata-se de uma campanha de conscientização idealizada pela Société de l’assurance automobile du Québec (SAAQ), órgão canadense equivalente ao Detran brasileiro para os habitantes da província do Quebec.

O vídeo, publicado pela SAAQ em seu canal do YouTube no último dia 30 de outubro, mostra a dificuldade que os pedestres têm em atravessar a rua utilizando a faixa apropriada para isso.

Acontece que, a exemplo do que ocorre num certo país da América do Sul, os motoristas quebequenses não são exatamente os mais amigáveis e compreensivos, e não param para deixar as pessoas atravessarem – até que são surpreendidos:

A surpresa, inevitável, congela os desavisados. Afinal de contas, ninguém esperaria por isso, não é mesmo? Mas o que efetivamente me chamou a atenção foi exatamente o choque frente a uma situação inusitada.

Às vezes estas situações inusitadas são justamente o que precisamos para provocar um exame de consciência, uma reflexão, que pode, por sua vez, estimular uma mudança de cultura. E eu não pude deixar de associar o pensamento sobre mudança cultural à metodologia ADKAR, cujas etapas também podem ser aplicadas no âmbito pessoal. Vejamos, na prática:

  • O motorista, neste caso, se torna consciente (awareness) de sua situação atual, e assim reconhece que deveria mudar seu comportamento e forma de condução;
  • Em seguida, desenvolve o desejo (desire) de se comportar diferente, normalmente com base em um forte porquê – por exemplo: e se a pessoa que estivesse atravessando a rua fosse um amigo ou familiar dele? Provavelmente ele não gostaria que algo de ruim acontecesse a um semelhante atravessando a rua;
  • Após o despertar do desejo, o motorista se dá conta de que já tem à sua disposição o conhecimento (knowldege) para mudar: sabe as normas de trânsito, sabe o que é certo, apenas talvez tenha se esquecido… e foi lembrado, pela situação, de como deve fazer para agir corretamente;
  • Como sabe o que deve fazer, nosso amigo motorista coloca em prática suas habilidades (ability, ou, para ser justo neste caso, abilities), treinando e se policiando continuamente para que as habilidades se tornem hábitos;
  • Finalmente ele passa a sentir impulsos naturais por reforço do (novo e relembrado) comportamento (reinforcement): conversa com amigos, parentes, conhecidos… e divulga o bom comportamento, a boa prática.

É evidente que está associação que realizei entre a (provável) mudança de cultura dos motoristas do vídeo canadense e o emprego do modelo ADKAR foi meramente ilustrativa – a maioria dos motoristas não se depararia com algo tão inesperado assim.

Ainda assim, minha intenção foi nos fazer pensar sobre nossos hábitos diários, sobre as mudanças, muitas vezes simples, que podemos começar a aplicar. Mesmo que sejamos o tipo de motorista que espera até que os pedestres atravessem a rua, há sempre espaço para mudanças positivas, não é mesmo?

Sobre batatas quentes e desafios

Texto publicado originalmente no meu perfil do Linkedin.

Dinâmicas em grupo não são exatamente as atividades favoritas de muita gente que eu conheço. No entanto, devo reconhecer que, em algumas situações elas não apenas vêm bem a calhar, como também nos trazem algum tipo de ensinamento valioso, e é justamente sobre uma destas ocasiões que eu quero falar.

Participei recentemente de um evento organizado por meu gerente, com a presença de todo o seu time. O evento contou com apoio do RH e, quando todas as atividades propostas foram concluídas, pediram que nos organizássemos para formar um grande círculo.

Uma das moças do RH, então, apresentou um “desafio rápido“: Segurando um pequeno embrulho fechado com fita, como se fosse um presente, explicou que aquilo que segurava em suas mãos era uma “batata quente“. Esta “batata quente” representava um desafio, uma tarefa que exigira de quem a recebesse um certo grau de esforço para execução.

Batata quente!

Não nos foi explicado exatamente que desafio a “batata quente” representava, nem que tarefa precisaria ser realizada na frente de todo o grupo: após colocar uma música para tocar, ela nos pediu que fossemos passando o pacote de uma mão para a outra, até que a música parasse. Neste momento, quem estivesse com a “batata” nas mãos cumpriria o desafio, executando sua tarefa.

A “batata” começou a circular: o clima na sala em que estávamos oscilava entre desconfiança, receio e ansiedade, e nenhum participante estava livre de tais sentimentos. O comportamento geral era ficar com o pacote nas mãos o menor tempo possível, já que ninguém tinha certeza do que esperar como resultado daquilo.

Depois de um tempo a música parou. Um de nossos colegas de time ficou com o pacote nas mãos e, quando tentou argumentar que “não tinha terminado de recebe-lo” ou que “já tinha começado a passa-lo adiante“, de nada adiantou. O clima geral se transformou, transbordando o alívio daqueles que se viram “livres” do desafio.

Eis que, já resignado a cumprir a tal tarefa, nosso colega de repente recebe do RH a oferta de uma escolha: se assim quisesse, ele poderia passar a “batata” para quem estava antes dele, ou para o próximo da fila — uma daquelas situações típicas em que alguém diria “parece que o jogo virou, não é mesmo?“. Ele cogitou aquilo por um momento, em que todos ficaram com a respiração suspensa.

“Não, pode deixar comigo. Eu faço a tarefa. Eu cumpro o desafio” — respondeu, para alívio daqueles que estavam imediatamente antes e depois dele naquele círculo, e para espanto de todos os demais. Imediatamente, começou a desembrulhar o pacote. Dentro do pacote, havia uma caixinha pequena. Sem que ninguém mais visse o conteúdo, declarou: “Este é um desafio que cumpro sem problemas: já pedalei bastante neste final de semana, mas ganhei tudo que perdi no domingo, então não é isso que vai fazer diferença”.

Quando ele mostrou o conteúdo da caixa a todos, vimos que o desafio era um bombom.

tarefa era comê-lo.

Se considerarmos o número de vezes nesta vida em que nos deparamos com desafios –impostos por nós mesmos, ou, mais frequentemente, apresentados por outras pessoas ou situações –, o ideal é sempre encará-los com naturalidade.

Em minha carreira me deparei com muitos desafios que inicialmente fizeram com que eu me sentisse pouco corajoso; mas foi justamente quando olhei uma segunda vez, quando vi não apenas o desafio em si, mas as oportunidades de aprendizagem que o acompanhavam, que eu mais cresci profissionalmente.

A história da “batata quente” não levou mais do que 2 ou 3 minutos para acontecer, mas eis aqui o ensinamento valioso que dela tirei: mesmo quando nos sentimos receosos diante de situações que nos tiram da zona de conforto, que representam mudança, perigo ou até mesmo vergonha para nós mesmos, devemos ter em mente que nem sempre encarar um desafio é algo ruim: por vezes você descobrirá seus próprios bombons ocultos, que lhe trarão satisfação, alegria e realização pessoal e profissional enquanto os degusta.

Dê adeus aos seus comprovantes de votação

Esta é uma versão atualizada do texto que eu publiquei na antiga versão do meu site, em 14/09/2010. Nela, os endereços de todos os links foram revisados para que a informação continue sendo útil.

Você já se deu conta de quantos comprovantes eleitorais já guardou, desde que começou a votar?

Estas pequenas tirinhas de papel são muito importantes na hora de emitir documentos como passaporte e carteira de trabalho, e também quando queremos nos matricular na faculdade, por exemplo. Assim sendo, meus comprovantes andam lado a lado com o título de eleitor, presos por um clipe de papel.

Acontece que existem tantos comprovantes anexos ao meu título que o pobre pedaço de metal vez por outra precisa ser trocado por um novo — até que este novo também se desfaça, e assim por diante. Em resumo: É uma agonia terrível ter que guardar os comprovantes de nossos exercícios de democracia pregressos.

Mas a agonia não precisa continuar: Que tal trocar toda uma pilha de comprovantes — quem sabe, até, contribuindo para um futuro mais sustentável, ao reciclá-los — por uma única folha de papel? Felizmente, isso é possível, graças a um documento chamado Certidão de quitação eleitoral.

Disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral, a certidão não tem custo, e pode ser impressa diretamente do conforto de sua residência (ou até mesmo convertida em PDF, para que possa ser devidamente enviada por e-mail sempre que solicitada por alguém). Para conseguir o documento, no entanto, é preciso ter o número do título de eleitor em mãos — se você não o tem, ou não lembra de cabeça (quem lembraria, afinal?), pode consultar o número através de seu nome e data de nascimento.

Também será necessário não ter pendências com a Justiça Eleitoral — mas, se você as tiver, precisará comparecer pessoalmente ao Cartório Eleitoral de seu domicílio de votação para saber como regularizar sua situação.

A história do “deixa que eu deixo”

Esta semana estava me lembrando de uma historinha que ouvi há muito tempo, quando comecei a trabalhar com gestão de processos, e que passei a contar às pessoas, em geral para ilustrar uma das situações mais corriqueiras que existem, o famoso “deixa que eu deixo”.

Trata-se do seguinte:

Havia quatro funcionários que trabalhavam em uma empresa. Seus nomes eram Todo Mundo, Alguém, **Qualquer Um **e Ninguém.

Nesta empresa existia uma tarefa muito importante, que precisava ser executada o mais rapidamente possível. Todo Mundo tinha certeza absoluta de que Algúem executaria a tarefa. Qualquer Um poderia ter executado, mas Ninguém executou. E acontece que Alguém ficou muito aborrecido: Afinal de contas, era obrigação de Todo Mundo.

Todo Mundo pensou que Alguém ia executar a tarefa, mas Ninguém percebeu que Todo Mundo deixaria de executá-la. No final das contas, Todo Mundo acabou culpando Alguém quando Ninguém executou a tarefa que Qualquer Um poderia ter executado.

É triste, mas muito mais comum do que se imagina. E você, tanto quanto tanta gente que você conhece, pode já ter sido vítima desses quatro.

© 2021 Daniel Santos

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