Daniel Santos

Aziz, le bouquiniste

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Existe um sebo) em Marrocos, chamado Bouquiniste El azizi, que já está em atividade no mesmo local há mais de 40 anos, sobre o qual eu acidentalmente encontrei uma série de artigos essa semana, e que me mostrou como algumas pessoas às vezes são capazes de começar verdadeiras cruzadas de altruísmo, buscando o bem maior.

Este sebo, de propriedade de um senhor chamado Mohammed Aziz — que, aos 75 anos, é o vendedor de livros mais antigo ainda em atividade na cidade de Rabat, capital do Marrocos —, está em atividade há mais de 50 anos. Nele, Aziz trabalha sozinho por 12 horas diariamente, vendendo em média apenas 1 a 2 livros por dia, em um país com uma taxa de analfabetismo que, em 2021, ainda era de 24,07% — comparativamente, no Brasil, no final de 2023, pouco mais de 5% da população era analfabeta. Quando não está rezando, comendo, ou dando atenção aos seus clientes, Aziz se dedica à leitura, cerca de 8 horas por dia, o que o levou a aprender a ler não apenas em árabe, mas também em inglês, espanhol e francês.

Em uma entrevista para o Morocco World News, em abril de 2019. Aziz diz que começou a se dedicar ao comércio de livros como forma de se vingar por nunca ter conseguido concluir sua educação formal, uma vez que os preços dos livros didáticos eram proibitivos para ele à época. Ele também declara já ter lido mais de 4000 livros até aquela data, e que pretende manter seu negócio em funcionamento até que todos os marroquinos também sejam capazes de ler.

Eu não preciso repetir, mas vou: adoro ler. É de longe a minha atividade favorita, o meu passatempo favorito. E é por isso que exemplos como o desse senhor me tocam profundamente.