AuthorDaniel Santos

Transfira dados entre seus dispositivos usando somente seu navegador de internet

Você com certeza já passou por isso: tira algumas fotos ou grava um vídeo com o celular e precisa transferir os respectivos arquivos para o seu desktop ou notebook.

Ou então é um arquivo em PDF que você recebeu no e-mail do computador e precisa fazer chegar até o seu celular.

Certamente o número de soluções pra transferir dados entre dispositivos aumenta a cada dia. Podemos, entre outras coisas:

  • usar aplicativos que são instalados tanto no celular quanto no computador — se você fizer uma busca no Google, vai encontrar instantaneamente dezenas deles;
  • usar o WhatsApp do celular e receber os dados pela versão web do app — o que é parecido com a primeira alternativa, exceto pelo fato de que você não precisa de um aplicativo no computador;
  • conectar o cabo USB do celular ao notebook ou desktop, fazendo uma conexão para transferência;
  • fazer upload pra um serviço de nuvem, como o Google Drive, Dropbox ou OneDrive;
  • Usar o AirDrop;
  • mandar os arquivos por e-mail.

Mas vamos pensar um pouco nas desvantagens de cada alternativa:

  • aplicativos instalados no seu celular, desktop ou notebook tomam espaço em disco desnecessário, ou requerem a aquisição de licenças premium para utilização continuada ou de todos os seus recursos — e talvez não justifiquem sua instalação ou o investimento, sobretudo se você não transfere dados com frequência;
  • WhatsApp pra transferir arquivos entre os seus dispositivos significa que você precisa criar um grupo com você mesmo, ou adicionar você mesmo aos contatos e bater um papo com você mesmo pra enviar e receber os dados — o que não é exatamente muito otimizado;
  • O cabo USB até pode ser uma boa ideia, e certamente é usado por muitos para as transferências — mas o principal problema está na fragilidade dessas coisas: penso logo em quantas e quantas vezes eles quebram ou ficam inutilizados, e até fico indignado toda vez que eu penso nos smartphones de milhares de reais de hoje em dia e em seus cabos de milhares de centavos;
  • o upload pra nuvem até pode ser legal, mas envolve duas operações demoradas, primeiro o próprio upload e, em seguida, o download para o outro dispositivo;
  • O uso do AirDrop, tecnologia da Apple, não tem uma desvantagem em si — exceto se você usa Android, onde a tecnologia não existe, ou tem apenas um dispositivo onde a tecnologia existe, como um iPhone ou um iPad, já que um MacBook custa algo da ordem de muitos milhares de reais;
  • Finalmente resta o bom e velho e-mail, mas mesmo aí existem limitações: tamanho máximo da mensagem ou dos anexos que ela contém e tamanho máximo da sua caixa de mensagens — sem contar que muita gente mais nova daqui a pouco vai estar perguntando o que é e-mail.

O problema que eu tenho

Como eu tenho usado o celular pra gravar vídeos para o English Minutes com uma certa frequência, comecei a precisar de alternativas viáveis pra passar os arquivos pro computador.

Obviamente os vídeos são arquivos enormes… têm vários megabytes de tamanho — e alguns chegam a mais de um gigabyte, o que certamente inviabiliza usar o e-mail pra transferi-los.

Eu poderia usar o AirDrop, não fosse pelo fato de que eu possuo uma máquina com Windows e a tecnologia não está disponível para o sistema operacional — o iTunes poderia rolar, não fosse pelo fato de que é um trambolho enorme, pesado no sistema e em sua inicialização, e pouco justificável apenas para transferir meia dúzia de arquivos por mês.

Em relação a aplicativos, já instalei vários, mas são muito instáveis e, como eu disse antes, possuem limitações em suas versões gratuitas.

Esqueça isso: use somente o navegador pra transferir arquivos

Em minhas incansáveis buscas internet agora, acabei descobrindo o Snapdrop, uma solução que achei tão simples e sofisticada ao mesmo tempo que eu me vi obrigado a fazer um vídeo a respeito:

Conforme definido pelo próprio autor da solução, Robin Linus, o Snapdrop é uma ferramenta “dotada de simplicidade radical“, em que não apenas a interface é “insanamente simples“, como os recursos são apenas aqueles estritamente necessários à solução de um único problema: transferir arquivos instantaneamente, entre qualquer plataforma.

Tecnicamente falando, o Snapdrop emprega uma conexão P2P, ou seja, peer-to-peer, que significa envio e recebimento de arquivos entre dois dispositivos, de forma fechada, em todo navegador moderno que suporte WebRTC, um framework aberto para uso na web, que habilita os navegadores a usar comunicação em tempo real (real-time communication) de forma automaticamente criptografada.

Dado que a tecnologia WebRTC é suportada pelo sistema operacional Android desde a versão 4.4, e pelos navegadores Google Chrome 26 ou superior, Firefox 23 ou superior, Microsoft Edge 14 ou superior e pelo Apple Safari 11 ou superior, isso faz do Snapdrop uma solução de transferência instantânea de arquivos multiplataforma e completamente acessível: adeus cabo USB, adeus programas terceiros e qualquer outra solução.

Para aqueles que são mais desconfiados, o autor diz no FAQ do Snapdrop que a solução atua localmente, ou seja, nenhum arquivo jamais é enviado pra qualquer servidor na internet — ao invés disso, apenas os pares são envolvidos na transferência. Ele disponibiliza um link com o conteúdo do servidor, e diz que, mesmo que os arquivos fossem armazenados ali, a tecnologia WebRTC, que criptografa o que é enviado, não permitiria sua leitura.

Minhas impressões pessoais, comentários e observações

Bom… depois de transferir vários arquivos localmente entre meu iPhone e minha máquina que atualmente roda em Windows 10, só posso dizer que estou muito bem impressionado com o Snapdrop.

Isso dito, creio que valha à pena eu fazer alguns comentários:

  • Por ser algo 100% local, a solução só funciona quando os seus dispositivos estão compartilhando a mesma rede: por exemplo, eles precisam estar conectados à mesma rede wi-fi;
  • A solução não é infalível: algumas vezes é necessário fechar a aba do navegador onde a ferramenta está aberta, ou, até mesmo, reiniciar a aplicação — e isso vale para os dois dispositivos envolvidos;
  • A seleção e transferência de múltiplos arquivos é perfeitamente possível, porém, não há na ferramenta um indicador do número de arquivos já transferidos e quantos faltam transferir, e cada vez que um arquivo é transferido, é necessário salvá-lo antes de continuar com a próxima transferência — mas isso não atrapalha a experiência geral.

Algumas pessoas poderão dizer que a transferência de arquivos grandes é muito demorada: para quem pensa assim, lembre-se de que transferências via wi-fi são mais demoradas do que aquelas feitas através de conexões cabeadas, e que a demora seria idêntica ou maior quando usamos aplicativos terceiros.

Você usou o Snapdrop? Deixa um comentário aqui com as suas impressões!

O uso dos porquês

Todo mundo certamente já passou pela grande dúvida que as quatro formas de escrevermos porquê em português geram. Pode ser por que (separado e sem acento), porque (junto e sem acento), por quê (separado e com acento) e, finalmente, porquê (junto e com acento).

Mas já tem algum tempo que, sempre que eu preciso escrever um texto ou preparar um trabalho, acabo recorrendo à uma tira de quadrinhos do personagem Armandinho, criado pelo ilustrador Alexandre Beck.

Essa tira é tão perfeita que pensei em compartilhar aqui, para que assim, não apenas eu, mas outras pessoas que também tenham essa dúvida possam encontrar a resposta mais facilmente.

Até que a mania de porguntar por que? das crianças pode ser útil 🙂

Ah… e mais recentemente, acabei encontrando uma outra tira de quadrinhos, desta vez do ilustrador Jean Galvão, onde o tema também são as variações de escrita da palavra.

Embora eu ache o conteúdo da primeira tira mais limpo e direto, pensei em também compartilhar essa segunda tira aqui, já que diversão pra fixar conceitos nunca é demais, né?

Então ai vai:

Acertando o uso dos porquês… meio que sem querer 🙂

Grant Imahara, Engineer Who Co-Hosted ‘MythBusters,’ Dies at 49

Como importar arquivos EPS para o Inkscape

Quem conhece o Inkscape sabe que ele é uma ferramenta de edição de gráficos vetoriais extremamente poderosa – e, o melhor, totalmente gratuita!

Eu já conheço o programa há bastante tempo e recomendo sua utilização para todos que eu conheço, sempre que eu posso. Mas o fato é que depois que lancei o site do English Minutes, seu respectivo canal no YouTube e conta no Instagram, minha utilização do programa aumentou consideravelmente.

É que venho criando muitas imagens para postar, thumbnails e imagens diversas para poder complementar e enriquecer o conteúdo que tenho criado (se você ainda não conhece, porque não fazer uma visitinha?).

Ocorre que muitas vezes encontro arquivos que preciso importar para dentro do Inkscape para edição ou alteração. A ferramenta trabalha bem com importação de imagens, por exemplo, nos formatos JPEG e PNG, e também com vetores na extensão .AI, do software Adobe Illustrator.

Mas vários dos arquivos que encontro e que julgo interessantes estão no formato EPS (Encapsulated Post Script), que, apesar de também ser vetorial, não conversa logo de cara com o Inkscape.

A solução? Simples! No sistema operacional Windows 10, que utilizo, com a ajuda do (também gratuito) software Ghostscript, e de algumas configurações rápidas, há uma forma de abrir os arquivos EPS facilmente, exatamente como eu mostro no vídeo abaixo:

Gostou da dica do vídeo? Aproveite para conhecer o meu canal no YouTube, e também o English Minutes, onde ensino inglês de uma forma divertida e descomplicada!

Tem alguma dúvida? Deixe um comentário e eu tentarei te ajudar, na medida do possível e dos meus conhecimentos, ok?

A arma de Tchekhov

Anton Tchekhov (1860-1904) foi um dramaturgo e escritor russo que dizia que qualquer objeto apresentado ao público em uma obra de entretenimento deve ser utilizado em algum momento da trama ou descartado para não causar distrações:

Remove everything that has no relevance to the story. If you say in the first chapter that there is a rifle hanging on the wall, in the second or third chapter it absolutely must go off. If it’s not going to be fired, it shouldn’t be hanging there.

Em minha trilogia de filmes favorita, aliás, há um excelente exemplo de arma de Tchekhov: Na segunda parte de “De volta para o futuro”, o hoverboard fica dentro do Delorean depois de ser usado por Marty McFly para derrotar Griff Tannen. No terceiro filme, o mesmo hoverboard acaba sendo essencial não apenas para que Marty resgate Doc Brown e sua namorada Clara de um trem em alta velocidade, mas também para a construção do trem voador, baseado em sua tecnologia.

Aliás, como assisto a muitas séries e filmes e também leio bastante, tive oportunidade de encontrar muitos outros exemplos da arma de Tchekhov em ação: nem sempre é um objeto — pode também ser uma pessoa, um local, uma magia. Mas o fato é que toda vez que percebo algum elemento que pode vir a ser uma arma, já fico desconfiado e, se constato que era isso mesmo, fico bastante satisfeito.

Só que também gosto de pensar que a arma de Tchekhov se encaixa nos contextos da filosofia lean, do storytelling e da analogia do copo com água pela metade, já que para evitar distrações e desperdícios, a criação de histórias enxutas exige pensar muito bem no porquê de apresentar um elemento e em suas causas e efeitos, tanto quanto ao invés de ver o copo meio cheio ou meio vazio deve-se na realidade questionar se o copo tem o tamanho correto.

Lá ele

Esta é sem sombra de dúvida a minha expressão baiana favorita de todos os tempos. Tenho até uma camiseta em que ela está escrita, feita sob encomenda a meu pedido.

O que ela significa?” — você pode estar se perguntando. Bem, quando tento explicar aos que me conhecem, o significado que acabam associando como mais próximo em paulistês é normalmente sai fora! ou sai pra lá!

Mas vale uma explicação mais detalhada: Lá ele é uma expressão que se usa como uma espécie de amuleto, para manter o azar a distância.

Outro dia mesmo eu conversava com minha esposa, quando ela me perguntou qual dos hospitais da cidade onde moramos eu achava melhor. Quando perguntei pra ela o motivo da pergunta, ela me disse que “queria saber porque vai que uma das crianças fica muito doente e eu tenho que levar pra um hospital às pressas”.

Imediatamente eu respondi sem pestanejar: “Lá ele!”, que foi pra não atrair esse tipo de () sorte pra gente e que, a meu ver, está mais para “Deus me livre e guarde”.

© 2020 Daniel Santos

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