Troque teclado e mouse por joystick nos jogos para PC

Há cerca de dois anos eu presenteei meus dois filhos com um Xbox One, console de jogos da Microsoft o qual eu acho excelente, e que conta com uma série de jogos bacanas que são capazes de nos distrair por horas e horas.

O controle do Xbox One

Quando paro pra pensar no joystick do Xbox One, percebo o quanto o controle evoluiu desde a época de seu tataravô, o Atari. Naquela época o controle que usávamos era uma caixa composta por um bastão e um botão, e nem chegava perto dos seus descendentes modernos, todos com sticks, triggers e botões, anatomicamente localizados para facilitar a vida dos jogadores, que assim podem se concentrar na tela, onde toda a ação acontece.

Aliás, por ser um produto da Microsoft, o joystick do Xbox One pode ser usado não apenas com o console da empresa, mas também com jogos que rodam no PC, na plataforma Windows. Quem circula pelas galerias de lojas de games como o Steam sabe bem que a quantidade de títulos que podem ser jogados com controle aumenta a cada dia — e, embora recomendado, não é necessário que o joystick que você usa seja o do Xbox: eu mesmo, pouco antes de comprar o Xbox One, cheguei a configurar um joystick da Multilaser para jogar no computador.

Mas nem só de jogos que nascem com suporte a joystick vivem os gamers — e eu não estou falando dos games que rodam em tablets smartphones, que, aliás, nem de joystick precisam. Estou falando daquela parcela, ainda significativa, de jogos de computador que não são compatíveis com joystick.

Os primeiros jogos da categoria FPS – First Person Shooter são bons exemplos deste tipo de jogo de computador, e, na própria Steam, é possível encontrar alguns exemplos, como os clássicos Doom II, Quake ou o pai do gênero, Wolfenstein 3D. Estes são todos jogos muito bons, mesmo para aqueles que não os jogaram quando crianças, e que não possuem suporte aos joysticks modernos — em cada um deles, assim, você precisa se virar com o bom e velho teclado e decorar todas as teclas a serem usadas, como no caso do Doom, abaixo:

As teclas para jogar Doom

Mas não são apenas os jogos mais antigos para computador que não possuem suporte à joystick. Pensemos em Minecraft, um sucesso absoluto não apenas para as crianças, como meus dois filhos, que adoram o game, mas também entre os adultos. Desconsiderando as versões posteriores do jogo, que invadiram, além de tablet e celular, os consoles Xbox One e 360, os PlayStation 3 e 4, além do Wii U, onde evidentemente ganharam suporte a joystick, o game original joga-se usando uma combinação de teclado e mouse, segundo vive me informando meu filho mais velho.

Quando se leva em conta os movimentos que um jogador de Minecraft, no computador, precisa realizar, este se vê às voltas com uma combinação de teclas e botões de mouse não menos numerosa que as de games como Doom ou Quake:

As teclas (e botões) para jogar Minecraft

Toda essa combinação de teclas e botões de mouse é muito interessante, e, muitas vezes, até fácil de se acostumar depois de algum tempo jogando. Mas, em prol de facilitar sua vida e, pensando nos games que contam com joysticks modernos como o do Xbox One, você provavelmente já deve ter desejado que houvesse pelo menos uma maneira de jogar estes jogos com joystick.

Bem… Eu, pelo menos, já.

COMO JOGAR COM JOYSTICK JOGOS NÃO COMPATÍVEIS

A primeira coisa que fiz foi — obviamente, vocês já devem ter até adivinhado — uma busca no Google. Como sempre, surgem algumas alternativas para esta questão: Softwares como o Xpadder ou o PGP – Pinnacle Game Profiler.

O que estes programas fazem é simples: Para cada tecla do teclado e  movimento ou pressionamento de botões do mouse, eles são capazes de associar e programar um botão de joystick para fazer o mesmo.

Embora, pelo que pesquisei, ambos sejam boas alternativas e cumpram bem o papel de substituir teclado e mouse por joysticks, há uma questão que quis levar em conta ao ir atrás de uma solução: o custo.

O PGP sai por cerca de US$ 9, enquanto que seu concorrente, Xpadder, sai por um pouquinho mais: US$ 10. Eu, como sou da área de informática, sei melhor do que ninguém que estes softwares precisam certamente ser cobrados, pois são o sustento de seus desenvolvedores. Ainda assim, quando você procura um pouco mais, às vezes acha softwares tão bons quanto os pagos, e que são disponibilizados gratuitamente, graças ao trabalho voluntário de uma ou outra alma caridosa, ou de equipes de desenvolvimento.

ANTIMICRO

Quando o assunto é substituir teclado e mouse pelo joystick, existe uma alternativa que se encaixa neste cenário: Trata-se de um software chamado Antimicro. Dentre os três programas que cito neste texto, nenhum deles tem o nome mais estranho. Ainda assim, é algo que merece todo o meu respeito:

antimicro is a graphical program used to map keyboard keys and mouse controls to a gamepad. This program is useful for playing PC games using a gamepad that do not have any form of built-in gamepad support. However, you can use this program to control any desktop application with a gamepad; on Linux, this means that your system has to be running an X environment in order to run this program.

Aliás, para mostrar como é simples fazer toda a configuração da ferramenta, criei o vídeo abaixo, que disponibilizei no YouTube.

MAS VAMOS ÀS INSTRUÇÕES DETALHADAS…

Primeiro, faça o download do Antimicro, disponível no site do Github.

A ferramenta não funciona apenas com Windows: Também é possível usá-la com algumas variações de Linux, como Debian e Ubuntu. Para o sistema da Microsoft, existem duas maneiras de baixar, sendo a primeira um instalador executável e a segunda, um arquivo compactado, para quem prefere algo portable. Deve-se observar, apenas, que, seja qual for sua opção, deve-se escolher entre versões para 32 ou 64 bits.

Optei por fazer o download da versão portable, pois considero-a mais prática.

Extraído o conteúdo do arquivo para qualquer local em seu computador, basta fazer duplo clique sobre o arquivo ANTIMICRO.EXE .

O conteúdo da pasta da ferramenta Antimicro

Será aberta a interface do programa, de onde podem-se então fazer todas as associações de teclas, movimentos e botões do mouse com os botões e sticks de um controle como o do Xbox One, por exemplo. É óbvio que, para que isso seja possível, você precisa antes conectar um joystick ao PC.

O programa não precisa de nenhum tipo de configuração: é quase como um toque de mágica. Brinco assim porquê, uma vez que conectei meu controle ao PC onde utilizo Windows 10, o reconhecimento foi instantâneo, como quero demonstrar abaixo:

Conecte o joystick, et voilà!

Uma vez conectado o joystick, é importante verificar se todos os botões, os sticks triggers são devidamente reconhedicos pelo Antimicro. Como demonstro na figura acima, cada movimento gera um feedback visual, em azul (ou será roxo?).

Uma vez que os testes tenham sido realizados e você perceba que o controle que você possui é 100% reconhecido pelo programa, programar o joystick para qualquer jogo que você quiser é bem simples.

Note que existem três seções no programa. A primeira se refere aos sticks, a segunda aos dpads (directional pads, ou setas de direção), e finalmente, uma seção referente aos botões (left triggerright trigger, A, B, X,Y, e assim por diante).

Sessões do Antimicro

A configuração do joystick é bastante simples e intuitiva. Para exemplificá-la, vou utilizar como exemplo o próprio Minecraft, que mencionei antes: No jogo, em que você normalmente combina teclado e mouse para jogar, as teclas W, A, S e D são usadas, respectivamente, para mover-se para a frente, para a esquerda, para trás e para a direita, enquanto que o movimento do mouse atua como câmera, direcionando o olhar do jogador para onde é preciso.

Note que existem vários botões marcados como [NO KEY].

Sessão Sticks

Considerando a seção Sticks e a região marcada como L Stick, ou stick esquerdo, deve-se clicar em cada um destes botões para configurar adequadamente as teclas que os movimentos do stick representarão.

Clicar em qualquer um destes botões deve fazer com que um teclado virtual apareça. Nele, basta clicar o mouse sobre o botão que representa a tecla que você deseja que o joystick represente. Abaixo, veja como configurar o L Stick para que se comporte como a tecla A.

O teclado virtual do Antimicro

Note, pela figura acima, que existe, na parte inferior esquerda da janela, seções reservadas à representação das teclas do teclado (keyboard) e também dos movimentos e botões do mouse.

Assim, após usar o método para configurar não apenas a tecla A, mas também as teclas W, S e D com seus respectivos movimentos, basta clicar na seção Mouse para fazer a mesma coisa com os botões e movimentos — tomando cuidado para, desta vez, configurar o R Stick, imitando a câmera do Minecraft.

Configuração do mouse

Após configurar movimentos e câmera, basta configurar as outras teclas necessárias ao jogo, repetindo os procedimentos descritos anteriormente. Ao final do processo, você deverá obter algo mais ou menos similar ao que represento abaixo — sendo que os resultados podem variar, conforme o joystick que você possuir.

Antimicro configurado para Minecraft

Você pode, é claro, configurar outras teclas, botões e movimentos do mouse, dependendo do jogo que quiser fazer funcionar com joystick. Para facilitar o uso posterior, a ferramenta permite que você salve perfis, o que também é muito simples de fazer — basta clicar nos botões Save ou Save as.

Cada perfil salvo é armazenado conforme o padrão abaixo:

nome.do.perfil.gamecontroller.amgp

Antimicro na área de notificaçãoUma coisa interessante, que também vale mencionar, é que quando minimizada a janela do Antimicro, suas opções ficam disponíveis na área de notificações, no canto inferior direito, próximo ao relógio do Windows, facilitando a troca entre os diversos perfis criados por você.

Como última dica, se você não quiser criar os perfis manualmente, há vários deles já disponíveis e prontos para baixar do site do Github, onde, como disse anteriormente, o Antimicro fica hospedado.

Espero que as explicações acima sejam úteis para você, e que assim, você logo esteja usando joystick para jogar no PC aqueles jogos que você sempre jogou usando apenas o teclado e o mouse.

Sobre tomar notas e Cintanotes

Estava lendo o texto que o Ghedin escreveu sobre como seria o aplicativo de notas ideal para Windows e resolvi escrever este texto como uma espécie de resposta, sobretudo porquê eu, mais do que ninguém, vivo experimentando aplicativos — deste e de outros gêneros.

Antes de mais nada, no entanto, quero deixar claro que, pessoalmente, costumo fazer anotações de três tipos.

Primeiro, aquelas que se referem  s tarefas que eu preciso executar, o que alguns costumeiramente chamariam de uma lista de to-do. Em segundo lugar, aquelas que me serão úteis em algum momento, seja no trabalho, seja na vida pessoal, como por exemplo, referências, tutoriais, artigos e manuais, entre muitas outras coisas. Esta utilidade pode variar ou se ampliar, e esta categoria de notas que eu crio tende a ser bastante editada.

Finalmente, faço anotações para compor textos que escrevo, especificamente para meu blog — este que você está lendo. Esta categoria de anotação tem sido bastante esparsa — mais do que eu gostaria, na verdade —, e, para ela, eu procuro trabalhar   frente do meu computador desktop, usando o fantástico WriteMonkey, que, além de leve e grátis, ainda impede que eu me distraia quando estou compondo algum texto.

Para as duas primeiras categorias de notas que eu citei, já usei diversas soluções. No primeiro caso, inclusive, escrevi aqui mesmo no blog sobre um programa chamado Noteliner, que eu usei por quase dois anos para dar conta dos meus to-dos e que, mais recentemente, no entanto, foi trocado pelo Remember the Milk, que possui diversos recursos interessantes como reminders e um app para iPhone e iPad que me quebra um galho enorme, e que por isso mesmo tomou facilmente o lugar do anterior.

Para a segunda categoria de notas usei por muito tempo um programa chamado Keynote, que era na verdade um outliner muito versátil e que permitia a criação de notas — na verdade arquivos de texto organizados como um verdadeiro banco de dados — com recursos como formatação richtext e inserção de imagens, além de permitir organizá-las e procurá-las de diversas maneiras. Embora a Tranglos Software tenha encerrado seu desenvolvimento em 2006, o projeto foi levado adiante e transformou-se no Keynote NF, ativamente mantido e com mais recursos que seu antecessor, e que eu também usei para não ficar órfão.

Só parei de usar o Keynote e o Keynote NF porquê com a mobilidade dos tempos mais recentes, não pude mais depender de um programa cuja base de dados era local. Com aparelhos smartphone, tablets e outros dispositivos em mãos, acabei me rendendo ao Evernote, que não deixa de pertencer, a meu ver, a uma categoria avançada de outliner, e que conta com tudo o que o Keynote possuía e muito mais: sobretudo, capacidade de sincronização e, aqui também, um app para iPhone.

Mas e o texto do Rodrigo Ghedin?

Depois de ter dito tudo isso — e dividido com vocês algumas de minhas preferências pessoais atuais no mundo da tomada de notas, vou direto ao assunto: Para solucionar as questões descritas por ele, eu escolheria um notável software chamado Cintanotes.

Trata-se de um aplicativo gratuito muito simples e leve, voltado para a tomada de notas e que recentemente ganhou também uma versão comercial, que por menos de 10 Obamas habilita alguns recursos extras e, convenhamos, ajuda o autor a comprar o leite das crianças.

De qualquer maneira, porquê essa escolha?

Bem, primeiro porquê ele menciona o Notational Velocity e o Resoph Notes, e, a meu ver, o Cintanotes é fortemente inspirado por — ou pelo menos muito parecido com — ambos.

Além disso, o Rodrigo fala em seu texto que procura algo que apresente bom desempenho. O Cintanotes é escrito em Visual C++ e recorre apenas   chamadas de API puras do Windows, ou seja, nada de .NET ou MFC.

É um download pequeno — cerca de 1,5 MB e possui uma assinatura de memória baixa, além de ficar no system tray quando minimizado e responder rapidamente   uma tecla de atalho que pode ser acionada para capturar o que quer que esteja na área de transferência do Windows e transformar em nota.

Quanto   pesquisa em tempo real, o que é facilmente atendido pela ferramenta, que tem uma interface simples com uma lista de notas   direita e uma barra de busca find and highlight as you type na região superior, que é uma das mais rápidas que eu já vi.

Sobre a questão de aparência e usabilidade — embora neste caso seja a minha vez de dizer que esta não é bem a minha praia —, o Cintanotes possui apenas e tão somente caixas de busca e de filtro, uma lista de notas e,   esquerda, uma barra com tags que pode ou não, dependendo da vontade do usuário, ser escondida.

Quanto   suporte ao Aero Glass, é algo nativo, e você pode configurar as fontes e seus tamanhos — inclusive, assim, usando a Segoe UI, que o Rodrigo mencionada. Talvez o único senão se dê em relação ao espaçamento entre linhas, que não pode ser alterado.

O próximo ponto que ele aborda são menus e teclas de atalho.

Teclas de atalho estão presentes no programa, e permitem a edição básica de texto, como torná-lo negrito, itálico, sublinhado e tachado, acrescida da possibilidade de destacar (highlight) trechos de texto, e de transformá-los em monospace. Além disso, pode-se pressionar F2 para edição rápida de notas, F4 para adicionar tags (falo delas mais adiante) e configurar teclas de atalho para captura rápida de notas, como mencionei acima, para exibição da janela principal do programa e para a criação de notas em branco.

No caso dos menus, há um com operações básicas de arquivo, inclusive com direito a backup, importação e exportação de notas nos formatos unicode e XML para a versão gratuita do programa, e destes formatos e mais HTML para a versão paga. Existem outros menus, e, das opções desejáveis pelo Ghedin para edição de texto, só não existe a de find and replace, embora ela exista para a edição de tags.

Tags, aliás, são possivelmente uma característica muito interessante para muitas pessoas (eu, inclusive). Talvez não para uma resposta ao texto, mas sim quando se trabalha com diversas categorias de notas. No Evernote, por exemplo, poderiam-se usar tags e notebooks, embora no Cintanotes as tags já atuem bem, e possam ser agrupadas, movidas e excluídas com muita facilidade.

No quesito seguinte markdown e HTML, já mencionei a exportação para HTML caso se opte por adquirir a versão paga do Cintanotes. O programa, no entanto, não possui uma exportação para markdown — a-há, WriteMonkey! —, embora o autor da ferramenta abra espaço para a sugestão de novas features.

Agora, uma questão muito importante. A sincronização. Para aqueles que usam múltiplos computadores — como, por exemplo, um desktop e um ou mais notebooks —, o Cintanotes é perfeito. Existem instruções para efetuar sincronização com o Dropbox, baseadas na cópia do arquivo onde estão armazenadas suas notas para uma pasta sincronizada com o serviço. Simples e funcional, e ainda melhor se levarmos em conta que quando eu fecho uma nota após editá-la ela é automaticamente salva neste arquivo.

Mas, ao contrário do Noteliner e do Keynote, que mencionei aqui, as notas não são salvas em arquivos texto, e sim em formato proprietário. Assim, se a intenção for visualizar e concluir a edição de um texto em um smartphone ou tablet, por exemplo, nada feito — mesmo com a aplicação nativa do Dropbox para iPhone, por exemplo. É melhor, mais uma vez, optar pelo Evernote.

No entanto, ainda cito o Cintanotes para resolver o questionamento do Ghedin por seu oferecimento de alguma alternativa de sincronia online, e pelo simples fato de ser o que é: um aplicativo amigável, agradável aos olhos, ativamente desenvolvido e muito funcional. Creio que valha, ao menos, experimentar…