Aprenda um idioma lendo o que você mais gosta

Recentemente estabeleci como meta pessoal que ia começar a aprender espanhol. Não há nenhum motivo específico para isso, a não ser minha própria vontade de tornar o idioma ibérico uma companhia para o inglês, o qual falo fluentemente, e para o francês, em que eu possuo nível básico de compreensão.

Embora, na minha opinião, um idioma se aprenda principalmente através de fortes estudos ligados à gramática, incluindo-se ai, portanto, verbos, adjetivos, conjunções, pronomes e afins, considero o acúmulo de vocabulário outra parte fundamental do aprendizado.

Eis que, justamente em busca de materiais, áudios e textos que pudessem me ajudar a aumentar o vocabulário, acabei sem querer encontrando um serviço chamado Readlang, que me espantou por sua simplicidade e elegância.

Conforme definido por seu próprio criador, Steve Ridout, eis o que ele faz:

Readlang helps you learn a language by reading. It lets you:

  • Read any native content. Browser extensions allow reading or importing of almost any website. Copy and paste or file upload enables you to read almost any digital text you can get your hands on, even entire novels.
  • Rapidly translate the words and phrases you don’t know. Unlike some other websites which are full of clutter and adverts, the reading interface in Readlang is designed to be as clean and distraction free as possible. The click or swipe to translate interface is designed for you to comprehend quickly and unobtrusively, allowing you to immerse yourself in the story as much as possible.
  • Learn words in context using flashcards. From all the words and phrases you translate, Readlang picks the most useful words for you to practise based on word frequency lists. As you practise, Readlang schedules words using a spaced repetition algorithm.

A partir da página principal, você pode clicar o botão Start Learning e ir direto para o dashboard do Readlang. Ali, a primeira coisa que você deve fazer é selecionar um par de idiomas (eu sei eu estou aprendendo), como na figura abaixo:

Com sua seleção realizada, serão apresentados os textos mais populares para os que estão aprendendo o idioma desejado. Estes textos são enviados pela própria comunidade de usuários — mais de 92 mil deles, enquanto escrevo este texto.

Os textos têm sua classificação realizada automaticamente em relação ao nível de dificuldade, variando entre A1 (iniciante) e C2 (mestre) e, uma vez enviados, podem ou não ser compartilhados com a comunidade, ou seja, você pode decidir por manter algo particular para seus estudos, o que vem bem a calhar, dado que além de arquivos texto simples, você também pode enviar seus livros comprados em formato EPUB para a nuvem, desde que sejam DRM-free.

O nível dos textos que você deseja visualizar pode ser escolhido através de um seletor. Outra opção que pode ser definida é o número máximo de palavras que você deseja ler. Abaixo, como exemplo, seleciono textos com dificuldades que variam entre A2 e C1, mas não estabeleço nenhum limite para o número de palavras:

Assim que você seleciona um texto, o Readlang leva você para uma interface muito limpa, parecida com a que vemos em serviços como o Instapaper, para a qual é possível definir tamanho do texto, fonte, separação ou não das sílabas e temas. Adicionalmente, você pode paginar o texto, usando as setas nas extremidades da tela apresentada.

Ali, o texto é apresentado sem formatações, e qualquer palavra em que você clique é automaticamente traduzida e apresentada acima da original, sendo que o mesmo processo pode acontecer com frases, bastando para isso que você clique e arraste o mouse por cima das palavras em uma frase.

Estes recursos não ficam disponíveis apenas dentro do Readlang. Você também pode instalar uma extensão para Google Chrome, que adicionará um pequeno ícone na lateral direita superior do navegador, de onde se pode ativar a seleção e tradução instantânea de texto. E se você, assim como eu, está sempre no celular, outra opção é usar um bookmarklet.

Qualquer que seja o caso, o funcionamento do Readlang é impecável, como no caso deste exemplo em que capturei uma reportagem da BBC em Espanhol:

Seja através da utilização da interface interna do Readlang, seja através de sua extensão para navegadores, todos os textos lidos vão parar em sua biblioteca, que nada mais é do que uma lista de textos e palavras marcadas por você, que pode ser acessada quantas vezes você desejar, inclusive para ouvi-las.

Além disso, assim que a leitura de um texto é concluída, as palavras armazenadas podem ser acessadas para treino de vocabulário, através do uso de flashcards e de repetições espaçadas. Os flashcards têm um papel importante, pois é a partir deles que podemos realizar cloze tests, avaliações que definem nosso nível de aprendizado e retenção.

O que é mais interessante é que todos os recursos citados não estão limitados apenas ao espanhol, que resolvi começar a aprender: além dele posso escolher entre mais 45 línguas diferentes sendo que, para cada uma delas que selecionar, o número de textos, palavras traduzidas e flashcards será diferente.

A maior parte dos recursos do serviço é gratuita, e você pode escolher pagar mensalmente ou anualmente para liberar algumas funcionalidades adicionais. Tanto a versão gratuita quanto a paga permitem a tradução de um número ilimitado de palavras únicas,  mas, no caso de frases, a versão gratuita permite que apenas 10 delas sejam traduzidas por dia — o Readlang entende como “frase” qualquer seleção com mais de uma palavra, e, além disso, limita o tamanho das frases a 6 palavras em sequência.

Ao pagar pelo serviço, mensal ou anualmente, o número de frases diárias passa a ser ilimitado e o limite da sequencia aumenta para 12 palavras: É mais do que suficiente em 99% dos casos, em minha opinião — o autor, inclusive, menciona em seu blog que não aumenta este número porquê o Readlang não é um tradutor de texto completo, e também para manter os gastos com o Google Translate sob controle.

Pagar pelo serviço também permite que você ouça as palavras enquanto clica em cada uma delas, através da interface do Google Tradutor. Na prática, é como no título que dei a este texto: posso aprender um idioma — ou, como se vê, vários idiomas, apenas lendo aquilo que eu mais gosto.

O cavalo de Schilda

Existe uma velha história do folclore alemão que foi recontada por Sigmund Freud ao final de sua palestra “Cinco Lições de Psicanálise“,  na Clark University, em Worcester, Massachusetts, no mês de setembro de 1909, que é assim:

“A literatura alemã conhece um vilarejo chamado Schilda, de cujos habitantes se contam todas as ‘espertezas‘ possíveis. Dizem que possuíam eles um cavalo com cuja força e trabalho estavam satisfeitíssimos. Uma só coisa lamentavam: consumia aveia demais e esta era cara. Resolveram tirá-lo pouco a pouco desse mau costume, diminuindo a ração de alguns grãos diariamente, até acostumá-lo à abstinência completa. Durante certo tempo tudo correu magnificamente; o cavalo já estava comendo apenas um grãozinho e no dia seguinte devia finalmente trabalhar sem alimento algum. No outro dia amanheceu morto o pérfido animal; e os cidadãos de Schilda não sabiam explicar por quê.

Nós nos inclinaremos a crer que o cavalo morreu de fome e que sem certa ração de aveia não podemos esperar em geral trabalho de animal algum.”

 

Eu, apesar de nada entender a respeito de psicanálise, gosto muito de fazer uma analogia desta situação que viveram os habitantes da fictícia cidade de Schilda, tão “espertos”, mas na verdade fazendo as coisas das maneiras mais irracionais possíveis, com melhorias “burras” em processos de negócio nas empresas.

Explico.

Para que melhorias em processos possam gerar o que as empresas esperam, ou seja, mais produtividade, mais velocidade, melhor qualidade desempenho e maior lucratividade satisfação dos clientes, devem ser bem pensadas.

Problemas devem ter causas raiz bem definidas para que os esforços de melhoria sejam feitos nos momentos e pontos corretos, e isso leva um tempo razoável, com levantamentos de dados e análises, que nem todo mundo, em todas as empresas, está disposto a esperar.

Isso leva algumas delas a pegar atalhos. Um fenômeno muito comum, assim, acaba sendo assumir de imediato que já se sabe exatamente o que precisa ser feito: reduzir as rações de aveia periodicamente, esperando, ainda assim, que a força de trabalho renda tanto quanto antes, e que entregas e níveis de serviço não apenas se mantenham, mas melhorem.

Esta conta, é claro, não fecha, e o cavalo acaba morrendo.

 

Quantas pessoas no mundo todo já voaram de avião alguma vez na vida?

Ah, voar.

A primeira vez em que pisei num avião foi já crescido, em julho de 1997, quando peguei um vôo rumo a Salvador, na Bahia. Passados todos estes anos, confesso que nunca deixei de adorar a sensação de estar no ar, eu não vou mentir.

ICAO (International Civil Aviation Organization), agência das Nações Unidas especializada em aviação, reportava, em notícia de dezembro de 2015, o crescimento do tráfego aéreo em termos de número de passageiros transportados em vôos agendados ou comerciais, chegando a 3,5 bilhões de passageiros transportados, um aumento de 6,4% em relação a 2014. Um dado interessante: A América do Sul apresentou o segundo maior crescimento percentual, em relação às regiões de todo o mundo, com aumento de 7,9%, como mostra o gráfico a seguir:

Crescimento % do tráfego de passageiros em vôos comerciais ou agendados, em 2015 (fonte: ICAO)

A questão é que ainda que o número de 3,5 bilhões de passageiros transportados durante 2015 seja praticamente metade dos aproximadamente 7,4 bilhões de habitantes do mundo enquanto escrevo este texto, não dá pra assumir que 1 em cada 2 seres humanos já pisou num avião, mesmo que em 2015 existissem cerca de 1400 companhias aéreas e 4.130 aeroportos.

Dado que não existe nenhuma base de dados oficial que registre o número de passageiros diferentes que já voaram alguma vez na vida, e que uma pessoa, se pegar mais de um vôo por dia — como é comum em alguns casos e algumas profissões, entra para esta estatística tantas vezes quantos forem suas viagens de avião, é muito complicado responder à pergunta que fiz no título deste texto.

Mas afinal… quantas pessoas no mundo todo já voaram de avião alguma vez na vida?

Estima-se que apenas 5% da população mundial.

Fazendo as devidas contas e levando em conta os 7,4 bilhões de habitantes, isso é aproximadamente 370 milhões de pessoas. Para efeitos de comparação, considere que a população do Brasil é de aproximadamente 210 milhões de habitantes, enquanto escrevo.

É pouco, não é mesmo? Vejam: Poder voar é tão legal que nunca parei pra pensar nisso. E quanto penso, vejo que, ao menos sob certa perspectiva, a chance de voar em um avião, guardadas as devidas proporções, é como, para muita gente, a chance de ir ao cinema pela primeira vez, ou a chance de conhecer o mar.

Já vista sob outra perspectiva, a razão pela qual as pessoas não aproveitam o que chamei de chance de voar se resume em 3 palavras: motivomeio oportunidade.

Muita gente em todo o mundo não tem razão nenhuma para embarcar em um avião e voar pra qualquer lugar que seja. Um outro motivo para que as pessoas não voem é que há muita gente, realmente, sem condição financeira para fazer isso — e, falando francamente, a julgar pelo preço das passagens aéreas no Brasil ultimamente, cada vez menos gente tem condição de voar.

Já outras pessoas estão em regiões mal servidas em termos de aviação comercial. Se considerarmos a África, por exemplo, um continente formado por 54 países, com cerca de 1,1 bilhão de habitantes, veremos que a aviação comercial do continente é um mercado inexplorado: As 230 companhias aéreas presentes no espaço aéreo africano operam apenas 5,5% da frota mundial de aeronaves comerciais e de carga. Além disso, muitas regiões africanas são carentes em relação a serviços e instalações consideradas vitais para vôos seguros, como radares, cobertura de telecomunicações e até mesmo pistas iluminadas e instrumentação. Assim, embora vôos diários aconteçam na África todos os dias, são usadas aeronaves pequenas, que nem sequer entram na estatística básica da ICAO sobre o número de passageiros transportados anualmente, que mencionei antes.

No final das contas, a questão dos 5% é, na melhor das hipóteses, uma aproximação. Assim como expus estes dados para seguir pela linha de motivos, meios e oportunidades, existem outras inúmeras variáveis que poderiam ser levadas em consideração, inclusive em fatias de mercado específicas. Assim, embora a resposta esteja aí, é como se ela, também, não estivesse.

A história do “Deixa que eu deixo”

Esta semana estava me lembrando de uma historinha que ouvi há muito tempo, quando comecei a trabalhar com gestão de processos, e que passei a contar às pessoas, em geral para ilustrar uma das situações mais corriqueiras que existem, o famoso “deixa que eu deixo”.

Trata-se do seguinte:

Havia quatro funcionários que trabalhavam em uma empresa. Seus nomes eram Todo MundoAlguémQualquer Um Ninguém.

Nesta empresa existia uma tarefa muito importante, que precisava ser executada o mais rapidamente possível. Todo Mundo tinha certeza absoluta de que Algúem executaria a tarefa. Qualquer Um poderia ter executado, mas Ninguém executou. E acontece que Alguém ficou muito aborrecido: Afinal de contas, era obrigação de Todo Mundo.

Todo Mundo pensou que Alguém ia executar a tarefa, mas Ninguém percebeu que Todo Mundo deixaria de executá-la. No final das contas, Todo Mundo acabou culpando Alguém quando Ninguém executou a tarefa que Qualquer Um poderia ter executado.

É triste, mas muito mais comum do que se imagina. E você pode já ter sido vítima desses quatro.

How scientifically plausible is Scorpion, the TV show about the geniuses?

Scorpion atualmente ocupa lugar entre minhas séries favoritas.

Nesta discussão com a qual me deparei hoje no Quora faço minhas as palavras do Dan Harvell, que respondeu à questão da seguinte forma:

I think the keyword here is, “plausible”.  It’s all scientifically plausible… just like most of the stuff on MacGyver.  It’s all based on good, sound scientific fact.  But “plausible” is as far as it goes, because absolutely the smallest sliver of it is practical.  You could take the real Walter and put him up to the tasks portrayed on the show and he would likely fail at 99% of it, because of factors that just cannot be parsed in real time, regardless the IQ of the person at task.  I love “Scorpion”, but it does fall into one of the dumbest television stereotypes:  geniuses are perfect.  Geniuses are absolutely fallible.  That is one of the best ways for the genius to learn – failure.

As work gets more complex, 6 rules to simplify

Why do people feel so miserable and disengaged at work? Because today’s businesses are increasingly and dizzyingly complex — and traditional pillars of management are obsolete, says Yves Morieux. So, he says, it falls to individual employees to navigate the rabbit’s warren of interdependencies. In this energetic talk, Morieux offers six rules for “smart simplicity.” (Rule One: Understand what your colleagues actually do.)

Os pokémons que a minha mãe faz são geniais!

Há umas duas semanas, já em meio à onda do Pokémon Go, enquanto eu navegava pelo Twitter, me deparei com um artigo do site The Verge, falando de uma mulher chamada Nichole Dunigan, que resolveu criar um projeto que batizou de #CrochetGo — para o qual possui um grupo no Facebook.

Um Bellsprout de crochê, vejam só!
Em primeiro plano, um Bellsprout de crochê, vejam só!

O projeto objetiva tricotar — não, crochetar — essa palavra nem existe oficialmente! —, produzir Pokémons feitos em crochê e deixá-los nos diversos pokéstops e ginásios existentes em Lewisville, Texas.

É isso mesmo, deixá-los nestes lugares. Ela não está vendendo nada. Apenas tomou gosto pela coisa, o que não é difícil de entender, uma vez que ela se autodefine, em seu perfil no Instagram, como uma gamer, foodie, e crafty geek. Ela inclusive disponibilizou todas as receitas de crochê que criou em um endereço na internet, para aquelas pessoas que queiram — e possam — seguir o exemplo.

Um Pikachu entre duas pokebolas, tudo feito pela minha mãe.
Um Pikachu entre duas pokébolas, tudo feito pela minha mãe.

Embora não esteja entre as minhas habilidades fazer crochê, e nem seja muito a minha praia, nada como ter uma mãe que possui essas habilidades: Eu mandei pra ela o link desse artigo que encontrei e, não é que para a minha surpresa, ela também começou a produzir os seus próprios Pokémons de crochê?

Acho importante dizer que, ao contrário da Nichole e de seu projeto, minha mãe, que trabalha com artesanato, patchwork e coisas do gênero, agora faz os Pokémons para vender. São muito bem feitos, têm muita qualidade e não são nada caros: Eu simplesmente adorei. Se você também gostou, passa lá na página da minha mãe, que também fica no Facebook, e faz uma visitinha 🙂

Troque teclado e mouse por joystick nos jogos para PC

Há cerca de dois anos eu presenteei meus dois filhos com um Xbox One, console de jogos da Microsoft o qual eu acho excelente, e que conta com uma série de jogos bacanas que são capazes de nos distrair por horas e horas.

O controle do Xbox One

Quando paro pra pensar no joystick do Xbox One, percebo o quanto o controle evoluiu desde a época de seu tataravô, o Atari. Naquela época o controle que usávamos era uma caixa composta por um bastão e um botão, e nem chegava perto dos seus descendentes modernos, todos com sticks, triggers e botões, anatomicamente localizados para facilitar a vida dos jogadores, que assim podem se concentrar na tela, onde toda a ação acontece.

Aliás, por ser um produto da Microsoft, o joystick do Xbox One pode ser usado não apenas com o console da empresa, mas também com jogos que rodam no PC, na plataforma Windows. Quem circula pelas galerias de lojas de games como o Steam sabe bem que a quantidade de títulos que podem ser jogados com controle aumenta a cada dia — e, embora recomendado, não é necessário que o joystick que você usa seja o do Xbox: eu mesmo, pouco antes de comprar o Xbox One, cheguei a configurar um joystick da Multilaser para jogar no computador.

Mas nem só de jogos que nascem com suporte a joystick vivem os gamers — e eu não estou falando dos games que rodam em tablets smartphones, que, aliás, nem de joystick precisam. Estou falando daquela parcela, ainda significativa, de jogos de computador que não são compatíveis com joystick.

Os primeiros jogos da categoria FPS – First Person Shooter são bons exemplos deste tipo de jogo de computador, e, na própria Steam, é possível encontrar alguns exemplos, como os clássicos Doom II, Quake ou o pai do gênero, Wolfenstein 3D. Estes são todos jogos muito bons, mesmo para aqueles que não os jogaram quando crianças, e que não possuem suporte aos joysticks modernos — em cada um deles, assim, você precisa se virar com o bom e velho teclado e decorar todas as teclas a serem usadas, como no caso do Doom, abaixo:

As teclas para jogar Doom

Mas não são apenas os jogos mais antigos para computador que não possuem suporte à joystick. Pensemos em Minecraft, um sucesso absoluto não apenas para as crianças, como meus dois filhos, que adoram o game, mas também entre os adultos. Desconsiderando as versões posteriores do jogo, que invadiram, além de tablet e celular, os consoles Xbox One e 360, os PlayStation 3 e 4, além do Wii U, onde evidentemente ganharam suporte a joystick, o game original joga-se usando uma combinação de teclado e mouse, segundo vive me informando meu filho mais velho.

Quando se leva em conta os movimentos que um jogador de Minecraft, no computador, precisa realizar, este se vê às voltas com uma combinação de teclas e botões de mouse não menos numerosa que as de games como Doom ou Quake:

As teclas (e botões) para jogar Minecraft

Toda essa combinação de teclas e botões de mouse é muito interessante, e, muitas vezes, até fácil de se acostumar depois de algum tempo jogando. Mas, em prol de facilitar sua vida e, pensando nos games que contam com joysticks modernos como o do Xbox One, você provavelmente já deve ter desejado que houvesse pelo menos uma maneira de jogar estes jogos com joystick.

Bem… Eu, pelo menos, já.

COMO JOGAR COM JOYSTICK JOGOS NÃO COMPATÍVEIS

A primeira coisa que fiz foi — obviamente, vocês já devem ter até adivinhado — uma busca no Google. Como sempre, surgem algumas alternativas para esta questão: Softwares como o Xpadder ou o PGP – Pinnacle Game Profiler.

O que estes programas fazem é simples: Para cada tecla do teclado e  movimento ou pressionamento de botões do mouse, eles são capazes de associar e programar um botão de joystick para fazer o mesmo.

Embora, pelo que pesquisei, ambos sejam boas alternativas e cumpram bem o papel de substituir teclado e mouse por joysticks, há uma questão que quis levar em conta ao ir atrás de uma solução: o custo.

O PGP sai por cerca de US$ 9, enquanto que seu concorrente, Xpadder, sai por um pouquinho mais: US$ 10. Eu, como sou da área de informática, sei melhor do que ninguém que estes softwares precisam certamente ser cobrados, pois são o sustento de seus desenvolvedores. Ainda assim, quando você procura um pouco mais, às vezes acha softwares tão bons quanto os pagos, e que são disponibilizados gratuitamente, graças ao trabalho voluntário de uma ou outra alma caridosa, ou de equipes de desenvolvimento.

ANTIMICRO

Quando o assunto é substituir teclado e mouse pelo joystick, existe uma alternativa que se encaixa neste cenário: Trata-se de um software chamado Antimicro. Dentre os três programas que cito neste texto, nenhum deles tem o nome mais estranho. Ainda assim, é algo que merece todo o meu respeito:

antimicro is a graphical program used to map keyboard keys and mouse controls to a gamepad. This program is useful for playing PC games using a gamepad that do not have any form of built-in gamepad support. However, you can use this program to control any desktop application with a gamepad; on Linux, this means that your system has to be running an X environment in order to run this program.

Aliás, para mostrar como é simples fazer toda a configuração da ferramenta, criei o vídeo abaixo, que disponibilizei no YouTube.

MAS VAMOS ÀS INSTRUÇÕES DETALHADAS…

Primeiro, faça o download do Antimicro, disponível no site do Github.

A ferramenta não funciona apenas com Windows: Também é possível usá-la com algumas variações de Linux, como Debian e Ubuntu. Para o sistema da Microsoft, existem duas maneiras de baixar, sendo a primeira um instalador executável e a segunda, um arquivo compactado, para quem prefere algo portable. Deve-se observar, apenas, que, seja qual for sua opção, deve-se escolher entre versões para 32 ou 64 bits.

Optei por fazer o download da versão portable, pois considero-a mais prática.

Extraído o conteúdo do arquivo para qualquer local em seu computador, basta fazer duplo clique sobre o arquivo ANTIMICRO.EXE .

O conteúdo da pasta da ferramenta Antimicro

Será aberta a interface do programa, de onde podem-se então fazer todas as associações de teclas, movimentos e botões do mouse com os botões e sticks de um controle como o do Xbox One, por exemplo. É óbvio que, para que isso seja possível, você precisa antes conectar um joystick ao PC.

O programa não precisa de nenhum tipo de configuração: é quase como um toque de mágica. Brinco assim porquê, uma vez que conectei meu controle ao PC onde utilizo Windows 10, o reconhecimento foi instantâneo, como quero demonstrar abaixo:

Conecte o joystick, et voilà!

Uma vez conectado o joystick, é importante verificar se todos os botões, os sticks triggers são devidamente reconhedicos pelo Antimicro. Como demonstro na figura acima, cada movimento gera um feedback visual, em azul (ou será roxo?).

Uma vez que os testes tenham sido realizados e você perceba que o controle que você possui é 100% reconhecido pelo programa, programar o joystick para qualquer jogo que você quiser é bem simples.

Note que existem três seções no programa. A primeira se refere aos sticks, a segunda aos dpads (directional pads, ou setas de direção), e finalmente, uma seção referente aos botões (left triggerright trigger, A, B, X,Y, e assim por diante).

Sessões do Antimicro

A configuração do joystick é bastante simples e intuitiva. Para exemplificá-la, vou utilizar como exemplo o próprio Minecraft, que mencionei antes: No jogo, em que você normalmente combina teclado e mouse para jogar, as teclas W, A, S e D são usadas, respectivamente, para mover-se para a frente, para a esquerda, para trás e para a direita, enquanto que o movimento do mouse atua como câmera, direcionando o olhar do jogador para onde é preciso.

Note que existem vários botões marcados como [NO KEY].

Sessão Sticks

Considerando a seção Sticks e a região marcada como L Stick, ou stick esquerdo, deve-se clicar em cada um destes botões para configurar adequadamente as teclas que os movimentos do stick representarão.

Clicar em qualquer um destes botões deve fazer com que um teclado virtual apareça. Nele, basta clicar o mouse sobre o botão que representa a tecla que você deseja que o joystick represente. Abaixo, veja como configurar o L Stick para que se comporte como a tecla A.

O teclado virtual do Antimicro

Note, pela figura acima, que existe, na parte inferior esquerda da janela, seções reservadas à representação das teclas do teclado (keyboard) e também dos movimentos e botões do mouse.

Assim, após usar o método para configurar não apenas a tecla A, mas também as teclas W, S e D com seus respectivos movimentos, basta clicar na seção Mouse para fazer a mesma coisa com os botões e movimentos — tomando cuidado para, desta vez, configurar o R Stick, imitando a câmera do Minecraft.

Configuração do mouse

Após configurar movimentos e câmera, basta configurar as outras teclas necessárias ao jogo, repetindo os procedimentos descritos anteriormente. Ao final do processo, você deverá obter algo mais ou menos similar ao que represento abaixo — sendo que os resultados podem variar, conforme o joystick que você possuir.

Antimicro configurado para Minecraft

Você pode, é claro, configurar outras teclas, botões e movimentos do mouse, dependendo do jogo que quiser fazer funcionar com joystick. Para facilitar o uso posterior, a ferramenta permite que você salve perfis, o que também é muito simples de fazer — basta clicar nos botões Save ou Save as.

Cada perfil salvo é armazenado conforme o padrão abaixo:

nome.do.perfil.gamecontroller.amgp

Antimicro na área de notificaçãoUma coisa interessante, que também vale mencionar, é que quando minimizada a janela do Antimicro, suas opções ficam disponíveis na área de notificações, no canto inferior direito, próximo ao relógio do Windows, facilitando a troca entre os diversos perfis criados por você.

Como última dica, se você não quiser criar os perfis manualmente, há vários deles já disponíveis e prontos para baixar do site do Github, onde, como disse anteriormente, o Antimicro fica hospedado.

Espero que as explicações acima sejam úteis para você, e que assim, você logo esteja usando joystick para jogar no PC aqueles jogos que você sempre jogou usando apenas o teclado e o mouse.

Quer ajudar seu filho com a tarefa? Use kanban!

O tempo passa muito depressa mesmo: Meu filho mais velho chegou à sexta série no colégio em que estuda. Trata-se de uma fase em que a quantidade de matérias que a escola repassa a ele e seus colegas triplica ou quadriplica, atingindo proporções nunca antes enfrentadas por ele.

Como se adaptar à uma mudança na quantidade de tarefas e obrigações que precisam ser concluídas pode levar um certo tempo, é mais do que natural que, ao longo do processo, algumas das tarefas por fazer acabem sendo esquecidas: Se nós, adultos, já estamos sujeitos a passar por isso — ao gerenciarmos algumas centenas de atividades por mês —, que dirá nossos filhos, não é mesmo?

Mas eis que, vendo meu filho em meio à um mar de trabalhos, tarefas e livros pra ler, colocando as mãos na cabeça e praticamente puxando os cabelos, resolvi tomar por base minha experiência profissional, tanto em programas de melhoria contínua e em tecnologia da informação, e ensinar pra ele — e, na verdade, pra minha esposa, um novo conceito, o kanban.

Kanban é pra comer ou passar no cabelo?

Na verdade, acredite: Nenhum dos dois.

Existem algumas definições diferentes para o termo. Vou dizer que kanban é uma palavra que tem origem no japonês (看板), que significa cartãosinalização ou o quadro onde tais cartões e sinais são afixados, e que teve origem no Sistema Toyota de Produção.

Cartões de kanban podem servir para indicar, conforme as etapas de um processo produtivo ou administrativo, onde cada produto ou informação se encontra. Quanto maior o número de cartões dentro de um dessas etapas, maior o estoque naquela etapa.

Quadro Kanban para Software

Kanban também pode ser usado para acompanhar processos de desenvolvimento de software, sendo muito eficiente para esta finalidade. Embora desenvolver software seja uma atividade de criação, diferente de processos de produção, como fazer um carro, por exemplo, o mecanismo de gestão da ferramenta ainda pode muito bem ser aplicado.

Seja qual for o processo escolhido, suas etapas podem ser representadas com uma grande flexibilidade, o que provoca o maior benefício do kanban: Representar de forma visual o trabalho que está em andamento, o que ainda não começou, o que está com problemas e, é claro, o que já acabou.

KANBAN PARA A TAREFA DA ESCOLA

Como eu disse, pensei em ensinar kanban para minha esposa e filho: A ideia é ajudar meu filho com a enorme quantidade de tarefas que ele agora tem, toda semana, depois de ter passado para o sexto ano do colégio onde estuda.

Quando se pensa em tarefas, séries de exercícios, projetos e livros que precisam ser feitos e entregues, pode ser um pouco difícil definir e priorizar todas as coisas que precisam ser feitas.

Aplicar os conceitos de kanban coloca meu filho no controle de sua própria tarefa da escola: Ele tem condição de saber exatamente o que a escola espera que seja entregue, de uma forma que é simples e que permite saber na hora quanto já foi feito em cada caso.

O segredo da aplicação do kanban está no quadro de atividades. A exemplo do que mostro no vídeo acima, no caso do meu filho, criamos um quadro básico, com três colunas, usando a lateral da parede do guarda-roupa dele. Este quadro possui uma série de post-its distribuídos em colunas que receberam o nome de to do (o que precisa ser feito), ongoing (o que está sendo feito agora) e done (o que já terminou de ser feito).

Cada post-it representa alguma coisa que ele precisa entregar ao longo do próximo período, e isso pode ser qualquer tarefa ou trabalho. Mover as tarefas que existem de uma coluna para a outra (ou seja, por exemplo, declarar que uma atividade passou a ser executada e foi para a coluna ongoing) é responsabilidade dele, à medida em que cria novas tarefas e atualiza as que já existem, concluindo-as.

Como meu filho aprendeu o conceito junto com minha esposa, todos os dias eles fazem uma espécie de reunião — uma standup meeting, emprestando o conceito que vem de desenvolvimento de software usando SCRUMO objetivo é verificar 3 pontos básicos com ele em relação às suas tarefas:

  • O que foi feito no dia anterior;
  • O que será feito hoje; e
  • Quais são os eventuais impedimentos — o que atrapalha a conseguir concluir a tarefa.

À medida que seu filho for executando e concluindo as tarefas vai acabar criando o bom hábito de, ele próprio, gerenciar sua rotina de tarefas de uma forma mais tranquila, e à prova de qualquer que seja a quantidade de matérias que ele tiver na escola.

 

 

Você sabe usar a função PROCV?

Esta vem do tempo em que eu ainda dava aula de informática — ou, pasmem, computação —, lá pelos idos do século passado. Até hoje, muitas pessoas não sabem ao certo para que serve a função PROCV do Excel: algumas delas, inclusive, trabalharam comigo, e,  como sempre procuro eesclarecer a elas os benefícios que pode proporcionar, resolvi criar um post a esse respeito por aqui.

Para que serve PROCV?

A função PROCV — que recebe este nome, na verdade, por ser uma abreviação, até onde sempre imaginei, de PROCura na Vertical — é uma das diversas funções disponibilizadas pela Microsoft no Excel para realização de pesquisas, ou busca de referências.

Quando você tem que encontrar valores que estejam em linhas de uma tabela ou de um intervalo de uma planilha — por exemplo, procurar pela idade de uma pessoa com base em um dado número de identificação, que pode ser um número de matrícula, documento, ou outra coisa qualquer, recomenda-se usar a função PROCV.

COMO EU USO?

Apesar de, como eu disse, essa história de PROCV remontar à época em que dei aula em escolas de informática, muita gente pra quem eu falo de PROCV nunca ouviu de fato falar da função.

Pensando em alcançar o maior número de pessoas que eu conseguir com alguma explicação razoável, criei um exemplo usando a versão do Excel que acompanha o Office 365, do qual possuo uma assinatura, e registrei tudo em vídeo. O resultado está no vídeo publicado acima, que eu espero que ajude você com algum aprendizado.

Aproveite, e, se quiser, comente!

It Just Happens

Confesso que sou fã de carteirinha do Roxette: A primeira vez que tive contato com as músicas desta fantástica dupla sueca foi em 1988, através do álbum Look Sharp! que, lançado apenas 3 dias após meu aniversário de 11 anos — sim, já fazem quase 27 anos no momento em que eu escrevo este post —, emplacou sucessos como The LookDressed for Success e a clássica Listen to Your Heart.

A dupla se separou e voltou por algumas vezes e os seus maiores sucessos foram relançados exaustivamente ao longo dos anos, junto a músicas inéditas, é claro.

Hoje, surfando no Spotify, me deparei com o mais recente lançamento de Marie Fredriksson e Per Gessle, It Just Happens, lançado em 08 de abril. De acordo com o site do Roxette o single precede o lançamento do décimo album da dupla:

[…] 30 years later, it happens again. Roxette is back with the new single “It Just Happens“, a majestic and highly infectious ballad that introduces the band’s tenth album “Good Karma” in the most promising way.

It Just Happens” revisits that mighty and classic Roxette sound with an updated twist in a melodically strong and musically interesting ballad with Marie Fredriksson and Per Gessle seamlessly taking turns as lead singers.

Roxette: Good KarmaSobre o novo álbum, embora tenha sido gravado em 2014 de acordo com a Wikipedia, deve ainda chegar — em breve, no dia 3 de junho de 2016.

Seja como for, toda nova música — e, neste caso, novo álbum — lançados pelo Roxette para mim sempre foram sinônimos de música boa e de qualidade — sabem como é o velho ditado, afinal, “gosto não se discute“, embora eu acredite que muita gente concorda comigo.Para mim, será mais uma oportunidade de curtir boas músicas, e eu mal posso esperar.

Multiplicando em grade

Uma coisa interessante que a minha esposa me contou outro dia, depois de ter visto a coisa em um programa na TV no Facebook, foi um método de multiplicação que eu não conhecia. Descobri que se trata do que os matemáticos chamam de multiplicação em grade, ou lattice multiplication.

Imaginem multiplicar 36 \times 27. Na escola, já há muitos anos, aprendi a colocar os números uns sobre os outros e, em seguida, multiplicar primeiro o 7 por cada um dos números em 36 e depois o 2, também por cada um deles, somando as parcelas e obtendo o resultado:

(1)   \begin{equation*} \opmul{36}{27} \end{equation*}

Fiquei intrigado ao perceber que a multiplicação em grade chega aos mesmos resultados apresentados acima, porém fazendo com que se precise pensar em diagonal para efetuar os cálculos. A primeira coisa a se fazer é desenhar quatro quadrados, dois em cima, dois embaixo, dividindo cada um deles com uma linha diagonal — assim, você estará criando a grade:

Primeiro passo

Em seguida, os números a serem multiplicados — neste caso, 36 27 devem ser escritos nas partes superior e direita dos quadrados, conforme demonstro a seguir:Segundo passo

Agora deve-se preencher as diagonais criadas multiplicando-se os números de cada linha pelos de cada coluna. Abaixo, dado que 6 \times 2 é igual a 12, a multiplicação deve ser indicada dessa maneira:

Terceiro passo

Para continuar as operações, multiplica-se 2 \times 3, cujo resultado deve ser preenchido conforme abaixo, usando-se um zero à esquerda, ou seja, 06:

Quarto passo

Se o raciocínio anterior for aplicado também para multiplicar 7 \times 6 e, em seguida, 7 \times 3, o resultado a seguir será obtido:

Quinto passo

Finalmente chega o momento de pensar diagonalmente, como eu mencionei há pouco. Deve-se somar, da direita para a esquerda, todas as diagonais que a grade de multiplicação formar. Para ilustrar melhor eu prolongarei as diagonais e demonstrei com cores diferentes as somas:Sexto passo

Veja que o resultado da multiplicação aparece da esquerda para a direita, ou seja, também se chega à conclusão de que 36 \times 27 = 972.

Pegadinha: Quando a soma das diagonais é maior que 9, o que eu faço?

Ao fazer alguns exercícios usando a multiplicação em grade, me deparei com uma situação interessante: Você vai acabar se deparando com situações em que a soma dos números de uma diagonal será maior do que 9.

Agora, imagine multiplicar 28 \times 47. Pelo meio convencional, teríamos:

(2)   \begin{equation*} \opmul{28}{47} \end{equation*}

Ou seja, pela multiplicação em grade precisamos chegar aos mesmos 1316. Mas vejamos o que acontece se usarmos o mecanismo da mesma forma que ilustrei anteriormente, assim:

Números maiores que 9: o que fazer?

A resposta, que novamente deve ser lida da esquerda para a direita, seria, neste caso, 112.116, o que nem de perto lembra os 1316 que a multiplicação convencional encontrou. Assim, nota-se que um número de dois dígitos que surja da soma de uma diagonal não deve ser considerado como resposta imediatamente, e sim, usado para construir a resposta final.

O que precisamos fazer é algo parecido com a soma aritmética — a regra do vai-um. Lembrando: Dado que estamos somando as diagonais da direita para a esquerda, quando nos depararmos com um número de dois dígitos aparecendo no resultado, devemos deixar o dígito da direita e somar 1 à próxima diagonal. Assim:

grade08

Assim, usando este velho e conhecido artifício, fazemos com que o método de multiplicação em grade obtenha o mesmo resultado esperado, 1316.

Origem da multiplicação em grade

Tendo aparecido no primeiro livro impresso de aritmética da história, em Treviso, Itália, no ano de 1478, a multiplicação em grade, também conhecida como multiplicação da peneira (sieve multiplication) ou lattice multiplication foi introduzida na Europa por Fibonacci, mas há registros de que os árabes e os chineses tenham usado o mesmo mecanismo, tornando impreciso saber qual foi sua primeira aparição.

É interessante notar este tipo de multiplicação não será considerada mais simples por muita gente habituada a multiplicar do jeito convencional, ou seja, daquela forma como eu, você e todo mundo aprendemos na escola. Ainda assim, foi meu interesse por essa verdadeira curiosidade matemática — e o fato de eu ter dois filhos pequenos que podem aprender com isso — que me fizeram buscar pelo menos dois argumentos usados para seu ensino em diversas escolas, ainda no século XXI:

  • O método pode ajudar os alunos mais novos a alinhar os dígitos, já que muitos deles não fazem a escrita de números exatamente um embaixo do outro (vamos convir que mesmo alguns adultos não o fazem).  As diagonais acabam por fazer o alinhamento automaticamente e assim a criança não chega a uma resposta errada por conta desse deslize;
  • O método também pode ajudar as crianças mais novas a entenderem o caminho a percorrer quando se passa das multiplicações mais simples — com apenas um dígito — para aquelas mais complexas. Assim, pode ser considerado muitas vezes mais didático do que seu primo convencional, que usamos sempre. Na prática, isso pode depender do nível da criança e de sua idade.