Mesclando blog, microblog e tumblelog: Um tutorial

Ainda não faz tanto tempo assim desde que integrei ao blog uma página de onde pode ser acompanhado o meu lifestream — a corrente que traz, listadas em ordem de ocorrência, todas as minhas atividades online, sobretudo nas redes sociais como o del.icio.us, e em microblogs como o Plurk ou o Twitter.

Minha intenção com a integração do lifestreaming ao Back-up Brain sempre foi muito clara: Participar meus poucos — mas fiéis — leitores daquilo que eu venho fazendo na Internet enquanto busco a inspiração para escrever novos artigos por aqui. Penso que o compartilhamento de músicas, links, vídeos, imagens e pequenos pensamentos rápidos demonstra, a quem possa interessar, no mínimo, que eu não sumi, e que, mesmo demorando a dar sinais mais evidentes de vida, continuo nas redondezas.

Ocorre que depois de ter trazido o lifestreaming para o blog, primeiro na barra lateral do layout, e depois também numa página própria só para isso, pensei comigo mesmo que, num mundo em que microblogs e outras atividades sociais se misturam cada vez mais com os blogs tradicionais — e, muitas vezes, também com a falta de tempo de seus autores —, o ideal mesmo seria transformar meu espaço num combinado entre blog, microblog e o que mais fosse preciso, desde que isso pudesse ser lido em um único stream, de cima a baixo.

A primeira coisa que eu pensei — pra variar, eu admito — foi abandonar a utilização do WordPress. Numa época em que estou louvando a chegada da nova versão 2.7 isso pode parecer bizarro, eu sei. Mas me veio um desejo fortíssimo de substituir minha velha ferramenta de blogar pelo Sweetcron, que, aliás, nasceu especificamente com a finalidade de permitir a qualquer um que hospede por conta própria seu lifestream. A definição do autor da ferramenta para sua criação, aliás, é mais do que perfeita:

Blogs are evolving. You’re looking at my Lifestream, a real-time flow of my activity across various websites, with the occasional blog post for nourishment.

Ou seja, eu reconheço que o ponto de vista dele está correto, pois a coisa tem realmente caminhado para uma situação em que a pessoa mantém um fluxo de atividades em vários sites, e de vez em quando, escreve um ou outro artigo em seu blog para — coloquemos assim — alimentar a alma.

Outra coisa que me ocorreu ao pensar em dar adeus ao WordPress foi começar um tumblelog. Segundo me diz a Wikipedia, esta seria uma outra forma mais do que perfeita para conectar o mundo convencional dos blogs ao mundo dos pequenos status updates e dos compartilhamentos de mídia:

A tumblelog (also known as a tlog or tumblog) is a variation of a blog that favors short-form, mixed-media posts over the longer editorial posts frequently associated with blogging. Common post formats found on tumblelogs include links, photos, quotes, dialogues, and video. Unlike blogs, tumblelogs are frequently used to share the author’s creations, discoveries, or experiences while providing little or no commentary.

Mas vejam só: Os motivos para não trocar minha ferramenta velha de guerra pelo Sweetcron ou por um tumblelog — neste caso, admito, optaria pelo Tumblr, a mais famosa e reconhecida ferramenta e site de hospedagem para tumblelogs — foram os mesmos:

  1. Eu gosto de controle total sobre o site e o que acontece nele.
  2. Eu adoro a diversidade de opções que o WordPress permite que eu desfrute.
  3. E, sobretudo, eu adoro feedback. Assim, eliminar ou reduzir a possibilidade de envio de comentários, como normalmente exigiria a manutenção do formato clássico de um tumblelog, nem pensar!

Mas, vejam só: Mesmo tendo chegado a esta conclusão — a de não abandonar novamente o caminho, a verdade e a vida —, também me dei conta de que apenas uma página de lifestreaming não seria mais suficiente para mim. Eu continuei a querer provocar mudanças aqui, desde que promovidas com a utilização de artifícios 100% relacionados ao WordPress.

Este artigo é o anúncio — e, mais do que isso, o relato — de que eu consegui atingir meu intuito. Ainda tenho que cuidar de alguns aspectos e concluir pequenas modificações, mas posso dizer que transformei o formato do blog para algo mais voltado a lifestreaming e tumblelog. E mais: Para não prejudicar a leitura de fiéis leitores, tudo isso só pode ser observado por quem visita meu blog ao vivo: Nada mudou nos feeds RSS, graças também a certas alterações com as quais me preocupei, e que descrevo a seguir.

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Olá, chip da Oi!

Desde o último dia 24 de outubro sou um dos mais novos clientes da Oi, operadora de celular que iniciou suas atividades aqui no estado de São Paulo. Os motivadores para tal decisão se resumem a dois pontos principais.

Primeiro, a curiosidade. Sempre ouvi falar muita coisa a respeito da operadora, e, não vou mentir, na sua grande maioria, coisas positivas. A empresa, por exemplo, sempre defendeu o desbloqueio de aparelhos — inclusive com campanhas muito bem estruturadas —, e tem um slogan que diz “você fica na Oi porquê gosta da OI“. Nada mais justo.

O segundo motivador é financeiro. Para os clientes que comprassem um chip da Oi e se cadastrassem até o final do mês de outubro, a operadora ofereceu uma promoção praticamente irrecusável — e que provocou filas quilométricas em seus quiosques e lojas dos shoppings aqui da cidade: R$ 600 em créditos por mês durante os três primeiros meses de uso, distribuídos em R$ 20 por dia — embora válidos apenas no próprio dia. Estes créditos podem ser gastos em ligações locais para qualquer telefone fixo ou número da Oi, ou ainda em ligações interurbanas usando-se a Telemar (31), para qualquer telefone Oi, seja ele celular ou fixo. E de quebra ainda podem ser enviados torpedos SMS para qualquer operadora.

Aqui em casa temos aproveitado bastante a novidade: Minha esposa principalmente, pois tem entrado em contato com familiares no Nordeste que usama Oi — tanto celular quanto fixo, e que, por sinal, não parecem reclamar nem um pouco do serviço. Aliás, entrando em contato com conhecidos que trabalham em lojas de outras operadoras, também não tenho visto nenhuma reclamação. Todos dizem que a operadora é ótima.

Será que estou cego pela novidade? Apesar de saber que a resposta poder ser, eventualmente, sim, por enquanto estou gostando muito. A única desvantagem que percebi em relação   Claro — operadora da qual tenho um chip ainda não colocado em desuso — é a praticidade desta última ao oferecer um endereço de email para nossos celulares, que pode ser usado a partir de qualquer serviço de correio eletrônico para enviar SMS diretamente para o celular. Nada que não possa ser contornado, é claro, através de serviços gratuitos oferecidos na própria web ou pelo site da operadora.

Agora é só esperar pra ver o que o tempo dirá.

O PicPick é nota 10!

Venho usando o FastStone Capture ao longo de anos e anos para capturar e tratar imagens, principalmente com a finalidade de ilustrar diversos dos artigos deste humilde blog. Acontece que, desde sua versão 5.3ainda encontrada para download em diversos sites da Internet e a última que baixei —, a ferramenta não é mais freeware, e sim, shareware. Na prática, isso quer dizer que pode-se experimentar o programa, mas, para obter seus recursos completos — e normalmente mais avançados —, além de versões mais recentes, é necessário pagar pelo benefício.

Confesso que acho que, se considerados todos os recursos avançados do FastStone Capture — na versão 6.3, por exemplo, a mais recente no momento em que escrevo este artigo, é possível não apenas capturar telas ou suas regiões, mas também fazer captura das ações da tela em vídeo, criando-se, com isso, pequenos screencasts —, não é caro desembolsar cerca de US$ 20 por uma licença vitalícia do programa. Ainda assim, após saber da migração freeware para shareware, nunca mais fiz um update e, com isso, venho usando o último dos programas gratuitos porquê penso que ele atende plenamente minhas necessidades.

Hoje, no entanto, lendo meus atrasadíssimos feeds RSS, eis que me dei conta do PicPick. Desenvolvido por apenas uma pessoa, o coreano Dae-woong Moon, o PicPick me chamou a atenção não apenas por conter vários dos recursos que o FastStone Capture contém, mas também pelo fato de, sendo ele um freeware, conter algumas outras ferramentas interessantes embutidas em sua interface.

Uma vez instalado, o PicPick pode ser configurado para iniciar-se juntamente com o Windows, e apresenta não apenas as funções triviais para capturar regiões retangulares e áreas fixas, mas também a possibilidade de capturar componentes de janela, ou seja, desde botões e caixas de texto, até janelas inteiras que precisam ser roladas para baixo para serem completamente capturadas — como, por exemplo, páginas web. Ainda no quesito captura, aliás, a função repetir última captura pode ser extremamente interessante para aqueles que estão criando tutoriais e querem documentar modificações mínimas que ocorrem sempre na mesma janela ou área da tela.

Todas as imagens capturadas pelo PicPick vão para um editor onde estão disponíveis desde comandos básicos como rotacionar ou dimensionar, até a pixelização, desfocagem e ajuste de brilho, nitidez e saturação de imagens ou pedaços de imagens pré-selecionados. Dois pontos interessantes do programa — e, para mim, diferenciados em relação   versão 5.3 do FastStone Capture — são sua capacidade de inserir imagens sobre as imagens já capturadas e a possibilidade de tornar qualquer objeto no editor opaco em maior ou menor intensidade.

Além dos recursos de captura e do editor já mencionados, as ferramentas incluídas com o PicPick incluem um capturador de cores — que pode retornar o código de qualquer cor que esteja atualmente em exibição na tela, uma régua de pixels, útil para medir regiões da tela ou de objetos e componentes de programas e documentos nela expostos, um transferidor, para medir o ângulo entre dois pontos ou componentes da tela, um retículo de referência para medir o tamanho de objetos na tela e, finalmente, uma lousa virtual, que parece aquela disponível em apresentações do Power Point e permite rabiscar a vontade por cima de qualquer coisa, já que cria uma camada de transparência para tanto.

Embora a verdade seja que, se comparado ao FastStone Capture, a maioria dos recursos se equivalham — alguns destes últimos que citei, aliás, raramente serão usados pela maioria dos mortais como você ou eu —, tenho que admitir que, em se tratando de uma ferramenta freeware,  o PicPick arrasa por sua simplicidade e sofisticação, sendo um raro caso de ferramenta com tantos recursos que permanece gratuita ao longo do tempo.

Recomendo baixar e experimentar.

WordPress 2.7: Mal posso esperar por novembro!

Definitivamente deveriam organizar logo um Wordcamp Brazil. Para aqueles que não têm familiaridade com o termo, um Wordcamp é um tipo de evento que discute qualquer coisa relacionada   melhor plataforma para criação e gerenciamento de blogs da paróquia. Nestas ocasiões qualquer blogueiro como você ou eu tem a chance de ouvir blogueiros populares e desenvolvedores, e descobrir a quantas anda o universo WordPress.

Enquanto não organizam algo do gênero por aqui, encontrei em vídeo um dos trechos da palestra de Matt Mullenweg no Wordcamp NYC 2008, em que ele demonstra a novíssima versão 2.7 da ferramenta, que deve sair apenas em 10 de novembro. É desnecessário dizer que eu, um fã mais do que declarado da plataforma, fiquei literalmente de queixo caído com as novas funcionalidades apresentadas.

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A interface para criação de novos artigos ficou muito mais funcional, totalmente operada com AJAX. Na prática qualquer uma das caixas em que estão localizadas as categorias, tags, status dos artigos e qualquer outra coisa pode ser reposicionada na tela. Aliás, há agora uma prática janela de opções que pode ser ativada a qualquer momento, permitindo que o usuário escolha o que deseja ou não que fique visível em sua própria interface.

Esta mesma janela de opções, aliás, está presente no gerenciamento de artigos: Pode-se optar por quais colunas deseja-se visualizar, e também optar por visualizar ou não a introdução de cada um dos textos. A edição rápida — para, por exemplo, corrigir algum erro de última hora — é outro trunfo da ferramenta: A versão 2.7 do WordPress permite que ela seja feita na própria lista de artigos, através de uma janela similar  quela que hoje é apresentada quando inserimos imagens em nossos artigos.

No que diz respeito   comentários, mais uma novidade: Agora será possível respondê-los diretamente a partir da tela de gerenciamento. Antes, para obter este tipo de funcionalidade, era preciso recorrer   plugins. Há ainda uma ponta do que parece ser fruto da recente aquisição do Intense Debate por parte do pessoal da Automatticembora Matt negue isso, por dizer que já estava sendo preparado pelo time de desenvolvedores para ficar no núcleo do WP: Qualquer resposta   um comentário poderá ser configurada para figurar abaixo da resposta original, criando os chamados threaded comments.

Com relação a esta última possibilidade, aliás, trata-se do que mais me deixa ansioso com relação ao novo WordPress: A possibilidade de contar com comentários aninhados nativos   ferramenta sempre povoou os meus sonhos, uma vez que até hoje nunca me satisfiz com qualquer plugin disponível para tanto. Espero que eu não me desaponte com tal ponto, especialmente por estar colocando expectativas demais nele.

WordPress 2.7

WordPress 2.7

No mais, o que mais chama a atenção é a nova interface de instalação de plugins: Eles podemagora ser filtrados na interface do seu site a partir de suas tags associadas, além de poderem ser diretamente baixados do repositório oficial e instalados automaticamente, o que, também, era possível até agora apenas com o auxílio de plugins. Isso, é claro, sem mencionar que a usabilidade do WordPress parece ter ficado ainda melhor.

Isso tudo só pra me deixar com mais água na boca ainda.

Urnas Biométricas: O próximo passo

Quem me conhece sabe que eu não sou uma pessoa invejosa. No entanto, nestas eleições, eu preciso admitir que não tive como não sentir pelo menos uma pontinha de inveja dos moradores de três cidades brasileiras. Isso é porquê São João Batista (SC), Colorado D’Oeste (RO) e Fátima do Sul (MS) foram, efetivamente, as três primeiras cidades do país a contarem com um processo de votação auxiliado por urnas biométricas.

Infelizmente pelo que li, essas cidades não foram escolhidas por acaso. Os critérios para que o TSE as elegesse para serem as primeiras a entrar para a história de mais um avanço de nosso processo eleitoral incluíram, entre outras coisas, o fato de todas terem em média 15 mil eleitores e estarem necessitando de um recadastramento eleitoral.

Acontece que, como cada um dos eleitores dessas cidades teve previamente cadastradas as impressões digitais dos dez dedos das mãos, ontem, durante as eleições, bastou a cada um deles que pusesse o polegar sobre um sensor biométrico existente no terminal operado pelos mesários, aguardando assim a liberação para voto depois da confirmação de sua identidade.

Além disso, conforme reportagem da Globo News, mesmo que a identificação de qualquer eleitor falhasse depois, é claro, de tentativas de leitura de todos os seus dedos, o presidente da seção ainda contava com uma senha exclusiva que poderia liberar o voto do eleitor normalmente, já que eles não foram desobrigados de apresentar seus títulos.

Eu já mencionei as urnas biométricas por aqui algumas vezes, dizendo que elas podem ser responsáveis por pela eliminação da única fraude ainda possível no processo eleitoral, a de uma pessoa se passar por outra. Aliás, além das impressões digitais dos cidadãos, no momento em que o TSE começar a convocar todos os eleitores do Brasil para recadastrarem seus títulos de eleitor, deverão ser coletadas também suas fotos, que virão impressas nos cadernos de votação — espaço reservado para isso, aliás, já existe há algum tempo nos cadernos com os comprovantes de votação.

[flv:globonews_teste_urnas_biometricas.flv 480 368]

Como mesário há vários anos, aliás, torço para que a urna biométrica acabe também com os cadernos de comprovantes de votação. Se o modelo de terminal atual fosse alterado para que contivesse também um display LCD com algumas polegadas a mais, a foto do eleitor poderia ser exibida na tela para ratificar sua identificação. Na seq¼ência, voto autorizado, concluído, e comprovante impresso pela própria impressora da urna. Só neste ponto seria possível dispensar o trabalho de pelo menos dois mesários.

Aconteça o que acontecer, eu fico na expectativa para que as urnas biométricas não demorem: Se as contas de Carlos Ayres Britto, presidente do TSE, estiverem certas, serão apenas oito anos de espera até que o Brasil inteiro esteja com a nova tecnologia 100% implantada. Enquanto isso, o mesmo Britto deixa uma incógnita: Declarou ontem   imprensa que, tão logo termine este processo eleitoral, deve ser implantada tecnologia que permita o voto em trânsito. Será o fim — tão sonhado por mim — das justificativas eleitorais? Urnas em rede? Quem sabe? Só esperando mais um pouco…

RIC: Finalmente um único documento para nós, brasileiros!

Você sabia que quando não leva o título de eleitor   seção em que vota — seja por esquecimento, ou qualquer outro motivo —, pode apresentar ao mesário um documento com foto que permita sua identificação, e assim votar normalmente?

Pois bem, é verdade. Essa orientação que os mesários recebem — e que eu, esse ano, por mais uma vez ter sido convocado para prestar meus serviços de cidadania ao País, ouvi de novo no treinamento — sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha: Porquê apresentar um documento com foto na impossibilidade de apresentação de outro — neste caso, o título —, sem foto? Não parece lógico, vocês concordam?

Para mim, essa questão — que levantei semana passada durante um almoço com amigos, no trabalho — reflete a desorganização de nosso país no que diz respeito   documentos. Vocês já pararam pra pensar que um cidadão brasileiro em idade produtiva, além do título de eleitor, possui uma boa leva de documentos adicionais? CPF, RG, PIS, Carteira de Trabalho, Certificado de Reservista (para os homens) e Carteira de Habilitação são só alguns exemplos dos quais me recordo agora, e olha que só esses já são muitos.

Já faz algum tempo agora que eu, incomodado com essa diversidade toda, tenho andado apenas com a CNH. Nela, afinal, constam os números de RG e CPF, que são os mais corriqueiramente solicitados no dia-a-dia, sobretudo no comércio. Até hoje, assim, isso me faz pensar na boa e velha carteira de motorista como o documento mais completo com o qual nós, brasileiros, podemos contar até o momento.

Digo até o momento porquê está em vias de ser implantado um novo documento. Denominado RIC, ou Registro de Identidade Civil, ele foi criado pela Lei 9.454, de 7 de abril de 1997, e ainda depende de aprovação de um decreto para sua oficialização. Caso tudo corra bem, deve passar a vigorar já em 2009 e terá tudo para trazer nosso país para o primeiro mundo da identificação de pessoas.

A principal motivação para a criação do RIC é unificar os cadastros de identificação estaduais e federal. Assim será garantido a cada cidadão brasileiro um número único que o identificará, evitando problemas corriqueiros com homônimos e pessoas que possuem os mesmos nomes de pai e mãe. Na prática, basta imaginar o número de fraudes — pessoas se passando por outras, ou tirando o mesmo documento em vários estados do Brasil — e de crimes que essa medida evitará.

Além da já tradicional marca d’água, o novo RIC deverá ser impresso em seis camadas, com palavras escritas com tinta invisível e utilização de efeitos óticos especiais. O cartão também terá um chip, que armanezará os diversos números de documentos dos cidadãos. Assim, como eu mencionei no começo do texto, os números de CPF, RG, PIS/PASEP e Título de Eleitor poderão todos ficar concentrados em um único documento, que, aliás, será do tamanho de um cartão de crédito comum.

Mas a coisa não pára por aí: Graças ao chamado AFIS, ou Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais — que foi comprado pelo Governo Federal em 2004 e custou cerca de US$ 35 milhões aos cofres públicos —, as impressões digitais e assinatura do portador também poderão ser coletadas digitalmente, ficando armazenadas no chip do cartão [foot]Em tempo, para obter mais informações sobre o RIC, assista ao vídeo institucional apresentado em 8 de julho deste ano em Brasília, durante o I Encontro Nacional de Identificação[/foot].

Se o decreto que falta para oficializar o RIC não demorar a sair, vejo ser esta, finalmente, a resposta positiva   uma indagação feita pelo Émerson no Infowester tempos atrás: Será que o Brasil um dia se igualaria   países como a Espanha, onde o DNI, ou Documento Nacional de Identidad, já é realidade para muitos cidadãos, contando com tecnologia muito similar   proposta para o padrão brasileiro, e facilitando o acesso aos serviços públicos, compras, e muitas outras tarefas cotidianas?

Eu realmente espero que isso ocorra rapidamente.

Infelizmente, me atrevo a dizer, ainda parafraseando o Émerson, que o sucesso ou não do Registro de Identificação Civil dependerá — e muito —, de uma administração pública séria e organizada em nosso país. Por ora, vejo que existem dois fatores de risco pelo caminho. O primeiro deles é o tempo de implantação da novidade: Para que o RIC se espalhe serão necessários cerca de nove anos, durante os quais devem ser devidamente equipados os 4.375 postos de identificação que existem atualmente em nosso país.

O outro fator de risco, que na minha opinião é muito mais grave, é a afirmação da Polícia Civil de que tirar o RIC não será obrigatório. A meu ver isso pode ser um risco   integração que está se almejando, pois, se assim for, acabaremos na verdade por criar mais um documento entre muitos, e conviveremos num cenário em que a vanguarda tecnológica da identificação de cidadãos estará lado a lado com RGs batidos   máquina e com fotos do tempo do onça.

Espero que, nesse aspecto, o Brasil demonstre estar   altura de nossos hermanos espanhóis, e realmente leve   sério a implantação de um registro que será precursor na conquista de uma série de facilidades para a nossa população.

A Vivo (quase) subiu no meu conceito

No último fim de semana, depois de alguns anos de bons serviços, o celular da minha esposa simplesmente resolveu que não ia funcionar. De uma hora pra outra não ligou mais, e, por mais que algumas contra-medidas tenham sido aplicadas, não teve mesmo jeito: O bichinho estava mesmo determinado a bater as botas.

Como isso aconteceu, não tivemos outro remédio, a não ser comprar um novo aparelho. Após procurar por um que fosse de seu agrado, finalmente ela se decidiu por um Nokia 5200, na cor preta, tal como o que ilustra este artigo. O principal problema da decisão foi que os únicos aparelhos desta cor disponíveis na cidade — por mais que procurássemos — eram habilitados pela Vivo.

Não entrarei em detalhes a respeito agora, mas ocorre que temos, em casa, um certo histórico de aversões   operadora. Tanto é que nossos celulares em casa são da Claro e da TIM. No entanto, após pensarmos um pouco — e após minhas inúteis tentativas de dissuadir minha esposa de comprar este modelo em específico por conta justamente da operadora —, o que acabamos fazendo foi adquirir o Nokia 5200 da Vivo mesmo, para colocar em prática nossos direitos, garantidos pela resolução 477 da Anatel.

Na prática, uma das coisas garantidas por tal documento aos consumidores é o direito de desbloqueio do aparelho celular sem qualquer custo adicional além do de própria aquisição do telefone — e do chip. Ocorre que esta semana fomos   loja da Vivo para que o celular fosse desbloqueado, e, na primeira vez, após receber de bom grado o pedido feito por minha esposa — o que me espantou, dadas as inúmeras histórias que já ouvi com relação   operadoras que dificultam ou ainda cobram pelo desbloqueio, mesmo sabendo estarem contra a lei — a atendente da loja realizou o cadastro dos dados pessoais e, em seguida, nos pediu para voltar outro dia pois estava sem condições de desbloquear o aparelho naquele instante por falta de senhas de desbloqueio, que, segundo ela, eram geradas diariamente mas já haviam acabado na ocasião.

Apesar de ter aceitado a sugestão de voltar outro dia, nada me tirou da cabeça que o argumento da moça da loja nada mais era do que uma tentativa de nos fazer desistir de nosso intuito. Sabe quando você tenta cancelar um serviço ou cartão de crédito, e ficam te jogando de um lado pro outro, de uma pessoa pra outra? Então… quase como se fosse isso. Ainda comentei com minha esposa que estávamos sendo enrolados, mas não tínhamos prova disso.

Depois disso, mais dois contatos telefônicos foram necessários, até descobrirmos que — agora sim — o desbloqueio poderia ser feito. Voltamos   loja em questão dois dias depois e aí sim uma das atendentes pegou o aparelho e, para a minha total surpresa, puxou da gaveta um manual operacional da Vivo todo surrado, de onde encontrou uma página de instruções para desbloqueio para celulares Nokia e começou a seguir os passos. Sem que ela consultasse qualquer informação — muito menos qualquer tipo de senha — em poucos minutos foi possível inserirmos um chip GSM da Claro, que, muito normalmente, foi aceito pelo aparelho, que enfim estava livre das correntes da Vivo.

Não quis criar caso com a atendente — que não era a mesma do outro dia —, mas fiquei pensando que minhas suspeitas realmente se confirmaram: Mesmo com a lei do nosso lado, há empresas que tentam se valer de várias técnicas diferentes para não cumpri-la, e ficou evidente que este episódio retratou apenas uma dessas técnicas. Dessa maneira, quando eu estava pensando em redimir a Vivo por outros episódios em minha vida justamente porque eles até que não dificultariam nossa vida para desbloquear um celular, percebi que, no máximo, a operadora quase subiu no meu conceito. Mas bateu na trave.

Mudando de solução anti-spam

Acima de qualquer coisa, a intenção principal deste artigo é me desculpar publicamente com uma série de leitores fiéis que me acompanham (e eu, a eles) de longa data. Entre essas pessoas estão a Patty Muller, o Thalis, o Rodrigo, a Vivi, o Neto e o Émerson.

O motivo da desculpa está ilustrado acima. Não sou de receber muitos comentários neste humilde blog, mas a falta deles vinha me incomodando nos últimos dias, mesmo sabendo que dei uma ligeira sumida da grande rede, e que não tenho escrito muita coisa nova por mês — poucos textos novos + poucas idéias = poucos comentários, vocês entendem.

Pois bem. Impelido por essa sensação de que havia sido esquecido pelo mundo, fui dar uma olhada na quarentena de spam do Defensio, ferramenta anti-spam que venho usando por aqui há longa data, e que vinha se mostrando muito eficiente até então. Infelizmente, a olhadela na fila me fez descobrir 15 comentários legítimos — realizados nos últimos sei lá quantos dias — que haviam sido considerados spam pela ferramenta.

Fiquei tão chateado — afinal de contas, sempre tentei responder cada comentário recebido nos últimos tempos, prezando pelo bom bate-papo entre mim e meus poucos leitores — que na mesma hora me deu vontade de despachar o Defensio. Sim, lembrem-se: Levam-se anos para conquistar um cliente, e segundos para perdê-lo. E foi nessa minha decisão que encontrei o Mollom.

Nomes esquisitos   parte, o Mollom me chamou a atenção por sua principal proposta: Eliminar o tempo que você precisa gastar para moderar comentários. Em resumo, ele analisa qualquer conteúdo — comentários, mensagens enviadas via formulário de contato, tracks e pingbacks — enviado para o servidor do serviço e retorna três tipos de classificação: spam, ham ou unsure.

 

Na primeira hipótese, a tratativa é óbvia. No segundo caso, o comentário é liberado e aparece instantaneamente no site. E em último caso — quando o Mollom não sabe precisar a resposta — aparece na tela de quem estiver no site uma proposição CAPTCHA. Por menos que eu seja fã desses tipos de teste, neste contexto elas têm sua utilidade.

Digo isso porquê é justamente a classificação unsure o que os desenvolvedores do serviço — Dries Buytaert, o criador, nada mais, nada menos, do Drupal Benjamin Schrauwen, especialista em aprendizado por máquinas — dizem ser o trunfo para acabar com a necessidade de moderação. Afinal de contas, sabemos que apenas seres humanos — ao menos em tese — têm capacidade para resolver um CAPTCHA, que o Mollom exibe em formato texto ou de áudio.

Se esta será a solução definitiva implantada por aqui, eu não sei. O fato é que fiquei animado com as estatísticas do serviço, que demonstram precisão de 99,94%, ou seja, apenas 6 entre cada 10 mil mensagens de spam infiltram-se no sistema, e acabei me inscrevendo no serviço — que tem, a exemplo do próprio Akismet e do Defensio, versões gratuitas e pagas, estas últimas voltadas para empresas —, e instalando o Mollom para WordPress.

Espero que realizando essa mudança, pelo menos, eu tenha chance de ser mais justo com aqueles que têm paciência para ler alguma coisa escrita por mim, respondendo e participando junto com eles de bate-papos bem interessantes. E quem por ventura testar o Mollom, me avise, pra trocarmos impressões sobre ele.

O Chrome é promissor!

Não é raro que ouçamos pessoas dizendo que, mais dia, menos dia, o Google vai acabar desenvolvendo um sistema operacional completo. Um dos passos nesse caminho foi o desenvolvimento de uma suite de aplicativos de produtividade — o Google Docs —, e não me espantaria nada que amanhã eles realmente levassem essa idéia adiante e desbancassem, ao longo do tempo, muitas empresas por aí.

Mas enquanto o amanhã não chega, me prendi ao dia de hoje. Dia em que, aliás, baixei, para experiências, mais uma novidade do pessoal de Mountain View, na California: Trata-se do Chrome, que é, nada mais, nada menos, a proposta de navegador web de código aberto do Google.

De acordo com informações contidas na página do programa — que por enquanto só está disponível para os sistemas operacionais Windows Vista e Windows XP —, a idéia de desenvolver um navegador web surgiu porquê “…no Google, passamos a maior parte de nosso tempo trabalhando dentro de um navegador (… e …) Já que passamos tanto tempo on-line, começamos a pensar seriamente sobre que tipo de navegador poderia existir se pudéssemos começar do zero e construir a partir dali os melhores elementos“.

Nesse começo do zero, dizem os desenvolvedores, alguns elementos do WebKit da Apple e do Firefox foram amplamente usados. Aliás, um dos principais desejos deles, o minimalismo e a rapidez, são facilmente notados. O Chrome, todo em tons de azul googliano, não possui barra de menus — o que dá a sensação de que estamos navegando o tempo todo em modo tela cheia. Quando você navega um pouco utilizando a ferramenta, sente justamente uma agradável leveza.

Preciso admitir, no entanto, que começar a navegar com o novo navegador do Google foi um pouco complicado. Talvez seja o fato de o trabalho dos desenvolvedores estar só no começo — afinal, lembrem-se de que tudo o que o Google desenvolve recebe instantaneamente uma tag beta, mas o fato é que ao tentar executar o programa logo de cara em meu computador não parava de receber duas insistentes mensagens de erro, após o que o Chrome ia para o beleléu instantaneamente.

Chrome travado

Felizmente, a segunda mensagem me levou a uma pista para solucionar o problema: O travamento repetitivo acontecia por causa de um vilão, o arquivo winhttp.dll — responsável, no Windows, por ser a ponte de comunicação do sistema com o protocolo HTTP. Para resolver o problema, segui uma sugestão de outra alma que já havia passado pelo mesmo aperto, adicionando ao atalho do Chrome a chave –new-http — notem que há dois hífens no início. A partir daí, o navegador funcionou que foi uma beleza.

Na seq¼ência, me fiz uma pergunta, que não queria calar: Seria o Chrome um páreo   altura do Firefox?

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O papel da Internet na democracia brasileira precisa mudar

Não sei quantos de vocês já sabiam disso, mas foi comentado pela mídia recentemente que, na corrida rumo   Casa Branca, Barack Obama anunciou o nome do candidato a vice-presidente de sua chapa, Joseph Biden, através de mensagens enviadas por email e SMS para interessados que se pré-cadastraram. Só neste único movimento, o alcance foi de 2,9 milhões de eleitores.

Além disso, a Technology Review Maganize, revista editada pelo MIT, publicou recentemente em seu site um artigo de seis páginas que achei bastante informativo, com o sugestivo título How Obama really did it, ou Como Obama realmente chegou lá. No texto, os passos por detrás da criação do MyBO, a rede social que certamente contribuiu para a escolha do candidato dos democratas  s eleições presidenciais norte-americanas.

O MyBO é um conglomerado de ferramentas sociais desenvolvidas, entre outras pessoas, por Chris Hughes, co-fundador do Facebook, que permitiram aos voluntários do candidato, entre outras coisas, realizarem doações, imprimir panfletos baixados diretamente do site e distribui-los na vizinhança aos indecisos, acompanhar eventos, recrutarem outros voluntários e se organizarem em grupos de discussão para debaterem propostas e pontos de vista comuns.

Outro aspecto interessante que alavancou a campanha de Barack Obama foi o que o artigo considera marketing viral da internet: A divulgação, através do YouTube, de vídeos dos discursos do candidato, e de um clipe entitulado Yes, we can, em que um desses discursos foi sincronizado a uma música de Will.i.am renderam-lhe milhões e milhões de visitas, somadas   mais de 69 mil seguidores de seu perfil no Twitter.

Arrematando meu comentário sobre o candidato americano, uma visita a seu site mostra que há uma preocupação muito grande com a comunicação: Propostas de governo para muitas questões, como a educação, por exemplo, são amplamente detalhadas. Blog e outras ferramentas permitem o envio de dúvidas e a capacidade de seguir o candidato onde ele estiver.

Toda essa exposição de argumentos que fiz até agora tem uma única finalidade: Comparar o cenário americano com o brasileiro — mesmo que lá eles estejam para eleger um novo presidente, e nós, prefeitos e vereadores. Quando olho para nosso país, percebo que é ainda muito pequeno o número de candidatos que faz uso de qualquer um dos recursos que citei acima para alavancarem suas campanhas utilizando a internet.

Em parte, a culpa é de duas legislações brasileiras: A primeira, a Lei 9.504, de setembro de 1997. Essa lei impede “…veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes“, bem como…veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos“.

A segunda, a resolução 22718 do TSE. Em seu capítulo IV, a resolução, criada especialmente para as Eleições de 2008, limita a propaganda eleitoral dos candidatos, que “…somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente   campanha eleitoral“. Para mim, essas duas resoluções em conjunto inviabilizam a utilização do mesmo sistema empregado por Barack Obama nos EUA por aqui. Em tese, não são permitidas as criações, quer por parte do eleitorado ou dos candidatos, de blogs, vídeos no YouTube, podcasts ou perfis no Orkut e Twitter. Os infratores podem ser multados e até presos.

Pra mim, essas duas leis ferem não apenas a democracia, mas também o direito   liberdade de expressão. Vejamos o lado do eleitor: Se eu gosto de um ou outro candidato, nada me impede de circular com camisetas alusivas   candidatura, ou de pendurar um cartaz com o número dele na minha casa. Também posso fazer propaganda boca-a-boca com a vizinhança, amigos e parentes e colar adesivos no meu carro. Nada mais natural seria permitir que isso ocorresse também na internet, já que muita gente, assim como eu, tem perfil em redes sociais ou mantém blogs. Ao invés de adesivos, podcasts. Ao invés de camisetas, um link ou banner num site, oras.

Vejamos, agora, o lado do candidato: A web, apesar de ainda não alcançada por parcelas significativas da população brasileira, poderia ser o canal perfeito não apenas para a realização de marketing, mas também para a apresentação de propostas detalhadas dos candidatos, e espaço aberto para o debate de suas intenções diretamente com o eleitorado. Assim, não vejo porquê não poderiam ser criados os tais perfis em redes sociais, vídeos no YouTube e travados debates nas salas de bate-papo dos sites dos próprios candidatos, principalmente os candidatos   vereador.

Falo especialmente destes últimos porquê considero que a maneira como nos são apresentadas tais candidaturas a vereador nos horários eleitorais da televisão e rádio chegam a ser surreais. Cada candidato tem menos de 10 segundos pra falar sobre si e sobre suas propostas, o que, na prática, acaba gerando aqueles estereótipos que toda cidade tem — aqui, na minha, por exemplo, um candidato de apelio Tang conclama votos da população para si, sob o pretexto de que “…os outros são todos ki-suco”.

Enfim, a livre utilização de sites, blogs, vídeos, redes sociais e demais ferramentas web por um candidato a vereador durante o período eleitoral aqui no Brasil poderia ser a via para apresentação, também por parte dele, de propostas e pontos de vista, rebatidas ou defendidas por seu eleitorado, num grande debate online. Sinceramente, é assim que eu vejo o papel da Internet na democracia brasileira.

Back-up Cast #005: Rejaw + Os órfãos do SMS do Twitter

É isso aí, pessoal. Depois de um longo e tenebroso inverno sem criar programas, eis aqui a mais recente edição do Back-up Cast, a de número cinco! A bola da vez é o Rejaw, um site de microblogging que vem chegando pra tentar tomar pra si um pouco dos usuários do Twitter e do Plurk. Será que ele realmente consegue?

É claro que eu também falo sobre outras coisas. Um pouquinho sobre a participação brasileira nas Olimpíadas de Pequim (bem pouquinho mesmo) e também dou uma dica genial sobre o Get Me Out of Here, um serviço inusitado, e que alguns podem achar bem útil. De quebra, falo sobre serviços que estão surgindo na esteira do Twitter, depois que eles anunciaram, desde 13 de agosto desse ano, que não mais enviariam boletins via SMS com updates das redes de contatos dos usuários.

Apesar da pressa — queria aproveitar o quanto antes pra criar o podcast, pras idéias não esfriarem —, realmente espero que vocês gostem. Por favor, deixem comentários e sugestões, se quiserem. Como sempre, seguem os links que de alguma maneira são úteis para quem for ouvir o podcast:

  • Getmooh. O “salvador da pátria” pra quem quer dar uma escapadinha dos compromissos, reuniões ou pessoas chatas. Ouça o podcast pra ver que tipo de arma ele nos fornece pra isso.
  • Changes for Some SMS Usersââ?¬â?Good and Bad News. Post no blog oficial do Twitter em que eles mencionam a interrupção do envio de mensagens SMS com updates da rede de contatos dos usuários através do número de telefone antes disponível no Reino Unido.
  • TwitSMS. site australiano que, desde a interrupção por parte do Twitter do envio de updatesvia SMS, oferece pacotes com preços variados para quem quer continuar a ter esse privilégio.
  • TweetSMS. Site britânico cuja proposta é idêntica   do site australiano, mas que não tem pacotes, e cobra o envio de cada mensagem individualmente.
  • Rejaw. New kid on the block dos microblogs, que vem, também ele, tentar conquistar para si uma fatia dos usuários do Twitter e do Plurk, e que até parece ser interessante. Criei uma conta por lá, caso alguém queira experimentar e me adicionar.
  • Além de informações olímpicas sobre o Brasil retiradas do site Quadro de Medalhas.
[audio:http://danielsantos.org/podcasts/backupcast005.mp3]

Eu gostei do LinkAlert!

Sabe aquelas coisas que te conquistam pela simplicidade mais do que por qualquer outro motivo?

Pra mim, a extensão LinkAlert para o Firefox é um exemplo destas coisas. A função dessa extensão é exibir um pequeno ícone ao lado de qualquer link do navegador, alertando o usuário — como seu próprio nome sugere — com relação ao tipo de conteúdo que está prestes a ser processado caso ele vá em frente.

Eu não sei quanto a vocês, mas eu preciso admitir uma coisa: Sou muito desatento com relação aos links que clico, neste sentido. Às vezes, com pressa, penso logo em sair clicando para baixar arquivos PDF, um torrent de seriado ou até mesmo um arquivo MP3, tudo para descobrir na seq¼ência — frustrado — que na verdade lá vem uma página intermediária, uma propaganda, um 404 ou sei lá o que mais.

Suportando todos estes tipos de arquivo que mencionei — e mais uma pá de outros —, o LinkAlert evita a perda de tempo por propiciar um feedback visual ao usuário, sem que ele precise recorrer ao método padrão, esticar os olhos até a barra de status da raposa de fogo. Pra mim, já virou favorito.

O fim da novela da acentuação com o Ping.fm

Para quem não sabe, o Ping.fm é um serviço genial. Com a enxurrada cada vez maior de redes e sites sociais que pipocam pela Internet, a proposta do site é permitir que qualquer um cadastre ali todas as suas contas e as atualize a partir de um único painel, em que mensagens são digitadas e enviadas para os respectivos destinos.

Aqueles que, assim como eu, se encontram impossibilitados de utilizar o site diretamente — por conta, principalmente, do bloqueio imposto por firewalls — ainda têm no próprio Ping.fm uma saída genial: A possibilidade de enviar uma mensagem de email para um endereço gerado especialmente para o usuário, sendo esta mensagem posteriormente encaminhada para todas as suas redes sociais como uma atualização de status ou presence update.

Pois bem. Usuário assíduo do Plurk como venho me tornando e bloqueado justamente por um firewall no trabalho, optei pelo envio de updates por email, e descobri que todas as mensagens que continham acentuação nunca chegavam aos seus destinos. Assim, ao mesmo tempo em que passei a enviar para o Ping.fm uma série de emails com mensagens sem acento, resolvi botar a boca no trombone no GetSatisfaction, serviço utilizado pelo site para receber feedbacks de seus usuários.

Abri duas reclamações por lá. Para a primeira, pelo menos até o momento em que estava escrevendo este artigo, nunca recebi uma resposta. No caso da segunda, recebi a solidariedade de um usuário francês, já que o idioma deles também é cheio de acentos. Resposta satisfatória e que resolvesse o problema efetivamente, no entanto, nenhuma.

Dashboard da minha conta no Ping.fm

Dashboard da minha conta no Ping.fm

Eis, no entanto, que hoje pela manhã tive uma dessas idéias inusitadas. Ao verificar na minha lista de mensagens recentemente enviadas via Ping.fm que alguns caracteres apareciam estranhos, me ocorreu a idéia de verificar se não poderia ser um problema de codificação dos caracteres.

Instantaneamente abri minha conta do GMail e, indo até as configurações, descobri que não estava usando o padrão UTF-8. Na prática, o que isso representa? Que eu estava de fora do padrão favorito para mensagens de email e websites desde 2005, pelo menos no que dizia respeito ao email, já que este blog é codificado neste padrão desde sua proposição.

Minha resposta ao meu próprio tópico no GetSatisfaction

Minha resposta ao meu próprio tópico no GetSatisfaction

Constatado este meu deslize, foi só trocar a configuração de codificação de caracteres e voil . As minhas atualizações acentuadas passaram a alcançar seus destinos regularmente. Como usuário consciente do Ping.fm, relatei no meu próprio tópico do GetSatisfaction a minha descoberta, e assim espero ajudar outros que estejam passando pelo mesmo problema…

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Diga-me como digitas e te direi quem és

Eu não sou nenhum perito em datilografia — mal uso todos os dedos para fazer minhas digitações —, mas isso não impede os amigos do trabalho de fazer brincadeiras do tipo “Calma, Daniel… desse jeito o teclado vai pegar fogo! Vá mais devagar“, ou “Ele digita rápido assim, mas provavelmente 97% do tempo fica pressionando mesmo o backspace“, quando me vêem digitar.

Nenhuma das afirmativas é verdadeira, claro: Os teclados não podem simplesmente pegar fogo graças   velocidade de digitação de alguém. Se isso fosse verdade, imaginem só o número de acidentes que teríamos, principalmente envolvendo operadores de caixas bancários e outros profissionais que precisam digitar muito mais rápido. Da mesma forma, não é em 97% do tempo que eu aperto o backspace, e sim cerca de, digamos, 15% a 20%. De qualquer forma, essas brincadeiras servem para me dizer que os amigos reconhecem, por assim dizer, o meu padrão de digitação.

A novidade é que, talvez, no futuro, não sejam apenas os meus amigos os que serão capazes de reconhecer o meu padrão: Isso graças   biometria e aos estudos, nesta área, do pesquisador cearense Leonardo Torres. Ele está desenvolvendo uma ferramenta que poderá eventualmente começar a ser aplicada para melhorar a segurança nas transações via Internet e também nos terminais de atendimento eletrônico, como os caixas rápidos, por exemplo:

“Cada um de nós tem um padrão de comportamento no ato da digitação. Temos um ritmo próprio e padrões de erros, por exemplo. O que estamos propondo é a implantação de uma ferramenta complementar de segurança capaz de identificar não apenas se uma senha digitada na web ou em um terminal eletrônico está correta, mas se foi o proprietário dela que realmente a digitou (…)

A grande finalidade da ferramenta é evitar fraudes, reforçando os sistemas de segurançaââ?¬Â, resume.”

Na prática, para fazer uso da nova ferramenta de biometria, o usuário deve primeiro preencher um cadastro com suas informações pessoais. Posteriormente ele digita estes dados e aciona uma espécie de “inspetor de qualidade“, na verdade uma rotina que verifica a qualidade da digitação observando se há erros durante o processo.

Se tudo correr bem, um “extrator de características” captura o tempo de digitação entre uma tecla e outra e o tempo de pressionamento de cada tecla. Estas informações são então cruzadas e o usuário identificado conforme seu padrão de digitação.

Segundo o pesquisador, a novidade tende a chegar ao mercado com um custo muito mais baixo do que o normal, pois deve precisar de muito menos equipamentos e dispositivos eletrônicos do que as demais soluções de segurança que envolvem a biometria.

Mas eu tenho que dizer que a primeira coisa que me chamou a atenção nesta história foi o fato de se tratar de tecnologia 100% em desenvolvimento no Brasil. Isso porquê eu, que gosto muito do tema biometria, vejo que quando falamos disso os exemplos de aplicação vêm muito mais do exterior, e este caso, somado   provável adoção de 100% de urnas eletrônicas biométricas para nossas eleições em cerca de 10 anos, são raros e louváveis exemplos.