Quem te viu, quem te vê

Você já ouviu falar de TV digital? Se não, saiba que há um grande impasse em curso atualmente em nosso país, e tudo isso porque dois padrões internacionais para a utilização desta tecnologia, o europeu e o japonês, têm sido igualmente defendidos por seus simpatizantes e atacados por seus críticos em debates intermináveis entre o governo, emissoras de televisão, operadoras por assinatura e empresas patrocinadoras da tecnologia.

Finalmente voltei a escrever para a Rádio Antena 1. Se você quer ler o restante deste meu último artigo para eles, não se esqueça de dar um pulo no site. Ah, e não se esqueça de registrar sua opinião a respeito do assunto.

Autocódigo

Alguém já se referiu a você dizendo que Fulano é capaz de fazer isso com as mãos amarradas nas costas? Acho pouco provável que não. Quando eu trabalhava mais aprofundadamente com programação, algumas pessoas chegaram a usar esta frase para se referirem à minha facilidade com a criação de códigos para a resolução dos mais diversos tipos de problema. Obviamente, a coisa não passa de uma mera expressão, uma figura de linguagem. Afinal, quem é que já viu alguém programando com as mãos amarradas, ainda mais nas costas, não é mesmo?

Mas talvez possamos adicionar uma certa realidade a esta expressão. É que um novo software de reconhecimento de voz chamado VoiceCode promete permitir aos programadores que criem seus programas sem a necessidade de encostar um dedo sequer em seus teclados.

A novidade, criada em conjunto por pesquisadores do National Research Council of Canada e da Universidade da Califórnia, visa ajudar principalmente as pessoas que sofrem com lesões por esforço repetitivo (LER): Só nos EUA, 100 mil programadores sofrem com dores nos músculos, tendões e nervos de seus braços e costas, já que passam a maior parte de seu tempo utilizando um teclado e realizando digitação.

Os criadores do VoiceCode admitem que existem vários softwares de reconhecimento de voz que podem ajudar as pessoas a utilizarem o computador, mas dizem que nenhum é capaz de converter o que um usuário diz diretamente em sintaxe de linguagem de programação. A ferramenta, que atualmente funciona apenas com Python, pode ser extendida para outras linguagens. Para digitar um comando como if (regAtual < maxReg) then, por exemplo, bastaria o usuário dizer If registro atual menor que o máximo de registros, then.

A única barreira para que mais pessoas possam testar o programa é o tempo que leva para sua instalação: Quase um dia inteiro montando as peças. Para os líderes do projeto, alguém com lesão por esforço repetitivo teria grandes problemas para fazer uma montagem dessas. Mas dos males, o menor: Tenho certeza de que, com tanta nanotecnologia disponível, essa barreira será derrubada logo, logo... E quando isso acontecer, embora eu não sofra de LER, talvez até compre um equipamento desses...

ScanR?

É extremamente comum, durante o meu trabalho, que eu me engaje em uma ou outra discussão sobre os mais variados assuntos. Como nos é exigida, o tempo inteiro, a capacidade de realizarmos brainstorms, o mais comum é que comecemos a fazer anotações, quer em folhas de caderno, flip charts ou nos quadros brancos das salas de reunião da empresa. Independentemente de onde anotamos nossas idéias, no entanto, um problema em comum sempre aparece: O retrabalho.

É que as idéias, descritas em papel ou em quadros, precisam ser transportadas para o computador, ou seja: Aquilo que foi obtido manualmente precisa ser transformado em um produto digital, para que apenas a partir de tal ponto seja aproveitado em um documento, planilha ou apresentação. Como acredito que usar o computador diretamente nas discussões atrasa o processo de brainstorm, a brincadeira mais comum que presencio quando uma reunião acaba é alguém perguntando se dá pra tirar uma foto do flip chart ou do quadro branco, para aproveitamento direto em meio digital. Apesar de causar muitas risadas do pessoal em geral, tal pergunta parece ter ganho uma resposta à altura.

Digo isso por conta de um serviço que descobri, chamado ScanR. Seus desenvolvedores são capazes de lhe enviar por e-mail um documento legível em formato PDF — gerado através de processamento de imagens e de alta tecnologia em extração de dados — com o conteúdo de qualquer imagem gerada através de câmera digital, mesmo aquela que está embutida em seu telefone celular, desde que ela possua pelo menos 1 Megapixel de resolução.

Sendo assim, se eu fizer uma discussão e dela sair um quadro branco lotado de anotações, me parece que meu único trabalho será realmente levar à cabo a brincadeira que tanto fazemos na empresa, e tirar uma foto do que tivermos anotado. Enviando o resultado para o serviço através de e-mail, tenho apenas que esperar entre 1 e 5 minutos antes de olhar minha caixa de entrada e recuperar um documento PDF. O ScanR é gratuito mas, embora seus criadores digam que o serviço sempre terá uma versão neste formato, não me espantaria que, muito em breve, passasse a ser um serviço pago, ainda mais se a qualidade final for realmente próxima da que eles anunciam. Devo fazer um teste e lhes direi o que descobri.

Filhos via GPS

A Fox exibe um seriado humorístico estrelado pela cantora norte-americana de música country Reba McEntire, que leva seu próprio nome. Em um dos episódios da sitcom, Driving Miss Kyra, ela presenteia sua filha adolescente com um novíssimo telefone celular. Mas a intenção real de Reba é localizar sua filha, através de um software rastreador contratado junto à operadora celular.

Mas isso não é apenas coisa de comédia enlatada norte-americana. É cada vez maior o número de pais que procuram serviços similares, muitas vezes precisando recorrer a empresas terceirizadas, para utilizarem o celular de forma a descobrir o paradeiro de seus filhos. Por sinal, a Sprint Nextel, empresa dos EUA, anunciou uma novidade que deve esquentar este mercado. O Family Locator Service, que começará a ser comercializado hoje, permitirá o acompanhamento da localização dos filhos através de qualquer dispositivo sem fio.

O sistema, que utilizará o Sistema de Posicionamento Global — ou GPS — para auxiliar os preocupados pais, permitirá que se descubra a posição de qualquer pessoa — e não apenas das crianças — através do monitoramento de até 4 aparelhos celulares. Também será possível emitir alertas, caso a criança se encontre em uma localização diferente a que se espera dela. Assim, quem quiser faltar à aula pra jogar futebol, por exemplo, terá que se entender mais tarde em casa com seus pais. O celular da criança, por sua vez, também receberá o alerta de que seus pais tentaram localizá-la e, assim, poderá ligar para tranquilizá-los.

Ao custo de cerca de US$ 10, o software da Nextel pode ser baixado por seus clientes e contará inclusive com a possibilidade de avisar aos pais que seus filhos estão próximos da residência de algum maníaco sexual — desde que este esteja com seu endereço registrado pela polícia norte-americana.

Particularmente, acho que isso demonstra a violência do mundo em que vivemos hoje. Não podemos confiar apenas em preceitos básicos do ser humano, como a convivência familiar, respeito e educação. Quer dizer, meu pai e minha mãe sempre me perguntavam onde eu ia e sempre me pediam pra ligar se algo acontecesse, ou ao menos pra dizer se cheguei bem onde estivesse indo, e eu sempre fiz isso.

Agora, com a procura por este tipo de tecnologia realmente aumentando daqui pra frente, parece efetivamente que uma das saídas pra algumas pessoas será tornar-se escravos de aparelhos wireless para localizarem seus filhos. No episódio da série que mencionei, a filha de Reba, Kyra, descobre que está sendo rastreada e deixa o seu celular novo em folha com a amiga, indo pra outro lugar qualquer, e deixando a mãe de cabelos em pé. Como é uma comédia, tudo acaba bem e as duas se encontram, aliviando as preocupações. Mas e na vida real?

Baliza Automática?

Já pararam pra pensar no número de pessoas que, ao tirarem sua carteira de motorista, pecam no exame ao serem solicitadas para encaixar o carro entre as balizas, simulando uma situação em que, mais tarde, na vida real, estariam estacionando no meio da rua? E tem também muita gente que, depois de anos de carteira, perde a paciência ao tentar estacionar seu carro em algum lugar mais movimentado ou fechado, acabando por procurar vagas mais abertas, ou estacionando em vagas de shopping centers, supermercados e outros centros comerciais que, teoricamente, são mais fáceis.

Não se pode culpar nenhuma dessas pessoas por conta deste tipo de situação. Devo eu mesmo confessar que, embora dirigir esteja entre uma das minhas atividades favoritas, também não posso dizer que estacionar seja algo que me faça vibrar de emoção. Mas pode ser que, muito em breve, eu e as pessoas que citei tenhamos uma novidade a ser comemorada: Na Grã-Bretanha, a Toyota começou a comercializar modelos híbridos que, por US$ 700 a mais, podem contar com um módulo de estacionamento assistido, ou seja, um computador faz todo o trabalho sujo de esterçar o volante e endireitar o carro pelo motorista, enquanto ele pode se sentar e relaxar. É possível assistir a um vídeo da manobra no próprio site onde vi a notícia.

Com o módulo de estacionamento assistido, a única responsabilidade real do motorista ao estacionar fica no controle da velocidade de seu próprio carro, que anuncia, através do próprio computador de bordo, quando a manobra de estacionamento está concluída. Estes novos modelos devem chegar muito em breve aos Estados Unidos e, quem sabe, pintarão aqui no Brasil logo em seguida, tirando de nossas costas o peso de estacionar, e marcando mais um ponto no jogo da tecnologia, que facilita nossa vida cada dia mais.

Hipersensíveis?

Sem ela não poderíamos nos dar ao luxo de viver nossas vidas com um certo grau de conforto. Nada de televisão, rádio, computador ou eletrodomésticos. Até mesmo a invenção de Thomas Edison nunca teria chegado a existir, e precisaríamos incondicionalmente de lampiões, querosene e outras fontes de iluminação que não a utilizassem como princípio.

Se você, como eu, sente falta da eletricidade naqueles — demasiadamente longos — momentos em que a energia acaba na sua casa, sabe do que eu estou falando. Para mim, ela é tão essencial quanto a água e nos é bastante útil para uma série de nossas atividades diárias. Mas parece que nem tudo são flores. Isso porquê metade da população pode sofrer, de acordo com algumas pesquisas, de alergia a eletricidade.

De acordo com uma notícia que li no Globe and Mail desta semana, a tal alergia está sendo considerada, por estudiosos, professores e cientistas, cada vez mais uma vilã, responsável por males como dores nas costas, fadiga, dores de cabeça, depressão, dificuldade para dormir e diversos outros problemas.

Pelo que li, problemas deste tipo são mais antigos do que parecem, e há mais gente do que se pensa que sofre com eles. Parecem ter começado com o surgimento do computador e são anteriores aos celulares e redes wi-fi. A eletricidade é fonte de campos elétricos e magnéticos e, afinal de contas, há certa lógica em se pensar que ela possa interferir com organismos vivos, que vivem à base de impulsos elétricos.

A queda na qualidade da energia que chega a nossas casas pode realmente ser culpada pelos males acima? Embora exista um fundo de lógica nisso tudo, sou cético em acreditar que a instalação de filtros que barrem impulsos elétricos possa nos livrar dos mais diversos tipos de problema, entre eles o estresse. Passei vários dias longe de computadores, por exemplo, enquanto estava de férias na Bahia, e não senti nenhuma dessas coisas, que, normalmente, devo admitir, já senti mais de uma vez. Mas me pareceu muito mais um efeito da mudança de ambiente provocada pela viagem do que da distância da eletricidade. Ou será que eu estive errado este tempo todo?

Biometria Doméstica

E para meu deleite total, conforme a tecnologia avança as soluções biométricas se tornam mais e mais sofisticadas, populares e, acreditem, acessíveis. Antes de mais nada, se você não sabe do que trata a biometria, trata-se de uma técnica que emprega o uso de características pessoais únicas das pessoas para permitir sua identificação. Assim, a leitura de retinas, íris, e mais recentemente, do desenho do esmalte dos dentes, são todas técnicas de identificação biométrica.

A técnica de identificação mais simples, empregada no Brasil desde o início do século XX inclusive para a confecção de nossos documentos de RG, é a leitura de impressões digitais. Conforme eu mesmo já citei em posts anteriores sobre o mesmo assunto, vários filmes, como Eu, Robô (2004), estrelado por Will Smith, retratam a biometria como método para a confirmação de pagamentos e para o controle de acesso físico aos ambientes em empresas.

Mas que tal usar um sensor biométrico em uma fechadura na porta de sua própria casa? Pode ser uma proteção ultra-avançada para seu lar, baseada na digitalização e reconhecimento de suas próprias impressões digitais — e as de até 137 outras pessoas — para só abrir a porta para aqueles em quem você confia. Pela bagatela de US$ 199,00 — o que não chega a ser lá tão caro atualmente — você pode adquirir o Fingerprint Keypad Door Lock FSLA93, produto inovador e carro-chefe de vendas da FSLocks.

O produto possui trancamento automático, acesso através de PIN e, em último caso, pode-se inclusive utilizar uma chave comum para abrir a porta. De qualquer forma, quando vejo a fechadura hi-tech sinto logo um impulso quase incontrolável de comprar uma. Quem sabe não chegue por aqui com preços mais acessíveis, não é mesmo?

CoComment

Tem havido muito burburinho na web recentemente por conta de um serviço recém-chegado, chamado CoComment. A inquietação se faz presente porquê o tal serviço responde a uma necessidade bastante antiga não apenas minha, mas de muita gente por aí, que também possui um weblog: Rastrear comentários próprios, feitos em outros sites da internet.

Afinal de contas, se você possui um blog, não é preciso que eu diga o quanto é chato ficar tentando se lembrar, horas ou até mesmo dias depois de ter deixado um comentário interessante internet afora, onde foi exatamente que você fez isso. O CoComment se propõe a fazer este trabalho por você, concentrando, em uma única página que levará seu nome de usuário como identificação, todos os comentários que você tiver deixado em sites alheios, bem como as continuações, ou seja, comentários deixados por outras pessoas nestes outros sites.

A idéia parece interessante. E, realmente, há muita gente que gostaria de manter um histórico de seus próprios comentários para referência futura. Eu mesmo criei uma conta por lá, e aproveitei para, enquanto visitava a web afora, cadastrar alguns comentários no serviço. Você não precisa deixar de comentar no próprio blog que visita, mas precisa, sim, instalar um atalho em seus favoritos — chamado, na verdade, bookmarklet — para ativar o CoComment que, aliás, também tem seu desenvolvimento feito em AJAX, como muitos serviços que têm surgido recentemente na grande rede.

Visitou um site? Deixou um comentário? Escreva o texto normalmente, mas, antes de clicar para enviá-lo, clique no bookmarklet do CoComment e aguarde até que ele salve o comentário em sua página centralizada e depois submeta o que você escreveu ao blog original. Tudo muito simples — e rápido. Talvez o maior trunfo do serviço, por sinal.

Mas há pelo menos uma falha neste processo: Ele não armazena seus trackbacks, ou seja, comentários que você faz em seu próprio blog a respeito de posts que encontra em outros blogs. E ontem mesmo, deixei um comentário no blog de um amigo, e me esqueci de clicar no bookmarlet. Resultado? Não salvei meu comentário, operação para a qual, aliás, não existe undo. Ou seja, perdi o histórico. Isso se deve ao fato de deixar o processo nas mãos de seres humanos, sujeitos a falhas. O que se faz necessário é o aparecimento de uma ferramenta que dispense a necessidade de clicar o tal bookmarklet, tal como o script GreaseMonkey que é sugerido pelo Neto Cury no Portal WordPress, ou qualquer coisa similar.

No fundo, aliás, por mais que o CoComment me chame a atenção, não sei o quanto me agrada registrar meus próprios comentários, feitos em outros sites, em uma página externa. Acredito que, com o passar do tempo, alguma mente brilhante vá pensar em uma solução — talvez um plugin — para que meus registros fiquem gravados em minha própria base de dados. E eu acho que, com todo este frisson recente em torno do serviço, tal funcionalidade não deve demorar a aparecer no próprio WordPress, para minha tranq¼ilidade…

Portal WordPress

O mais novo endereço para quem precisa de ajuda com uma das mais populares ferramentas para criação de weblogs do mundo já está disponível, com duas facilidades a mais: Além de estar 100% em português, a ajuda vem principalmente da mente genial de meu amigo catanduvense Neto Cury que, depois de ajudar na criação de belas iniciativas como o WordPress Brasil e a lista de discussão de mesmo nome, tem tudo para arrebentar neste novo desafio.

Com fórum de suporte, notícias sobre plugins e temas, além de mais uma série de informações importantes, o Portal WordPress é parada obrigatória pra você que está iniciando na ferramenta, ou pra você que, mesmo com certa vivência, está procurando aquela dica diferenciada. A mim, só resta cumprimentar meu amigo Neto Cury mais uma vez pela iniciativa, e dizer que pode contar comigo pra qualquer ajuda que precisar.

Torus Trooper

Com a correria incessante que a minha vida tem sido, diria sem sombra de dúvida que meus níveis de estresse têm aumentado bastante, o que faz com que seja necessário que eu arrume algum tipo de passatempo pra que eu possa descontar a tensão quando chego em casa. Além de pegar meu filho e ficar muuuuito tempo com ele no colo — o que, convenhamos, já me faz esquecer dos problemas cotidianos muito bem —, há também uma novidade interessante que descobri há pouco tempo, relacionada, obviamente, ao computador.

Trata-se de um jogo daqueles às antigas, do tipo shoot’em up. Neste tipo de jogo, naves espaciais aparecem e tudo o que você precisa fazer é detonar todas elas. Lembram de Galaga, Space Invaders, Nemesis ou Megamania? A sensação é a mesma. Mas adicione ingredientes 3D e coloque a nave que você pilota em um corredor onde você voará a velocidades absurdas, dando tiros até não poder mais, sob pena de ver seu tempo diminuir quando esbarra em algum obstáculo, e aumentar quando você destrói determinadas naves. Este é Torus Trooper, meu mais novo vício, um game freeware de download pouco maior que 6mb.

Se dar uns bons tiros alivia suas preocupações e baixa os níveis de estresse, então eu recomendo.

TV no Celular

Recentemente, após alguns anos de bons serviços, meu antigo celular — um Motorola V150 que me acompanhava para cima e para baixo — resolveu bater as botas e se despedir de mim. Dessa forma, fui obrigado a comprar outro aparelho, desta vez um LG Ã?â?nix MG155C, um belo aparelho, por sinal, todo preto, inspirado na pedra de mesmo nome, e que faz parte da gama de aparelhos 2.5G. Java, modem GPRS, mensagens de multimídia, viva-voz, despertador e gravador de voz são apenas algumas das características do aparelho, muito versátil.

Apesar disso, o celular não toca MP3 nem possui câmera embutida. Acho que essas funcionalidades não me são necessárias no momento. A paternidade me tira todo o tempo que possuo pra ficar na frente do computador ouvindo música, e talvez ouvi-la pelo aparelho fosse uma alternativa, mas não a acho viável no momento. Câmera digital, me basta a que estou usando há certo tempo, e que me permite tirar tantas fotos quanto eu queira, depositando tudo no bom e velho Flickr depois.

Agora, se os celulares no Brasil já tivessem TV digital, a história mudaria pra mim. Trocaria pra um desses novos aparelhos voando, tal como digo no meu último artigo para a Rádio Antena 1.

Cérebro, o pai da mentira?

Vocês conhecem um instrumento chamado polígrafo? Em vários filmes de ação e do gênero policial, é muito comum encontrá-los em cena. É que estes aparelhos são usados pelos especialistas na detecção de mentiras, medindo mudanças na respiração, pressão arterial e resistência elétrica da pele do indivíduo sendo investigado e ââ?¬â?? se este estiver emocionalmente perturbado ââ?¬â?? dizendo se as afirmações realizadas são verdades ou não.

Há um problema histórico com estes aparelhos, no entanto. Embora se proponham a diferenciar fatos de invencionices, não são lá os reis da precisão. Mentirosos experientes podem, em certas condições, enganar os polígrafos. É por isso que muitos tribunais desconsideram as análises realizadas durante julgamentos, confiando apenas nos jurados para determinar quem está ou não sendo sincero.

Mas uma nova técnica promete acabar com essa história e finalmente fazer com que testes anti-mentira sejam aceitos como provas irrefutáveis. Batizada de Functional Magnetic Resonance Imaging, ou fMRI, trata-se de um procedimento empregado nos estudos do cérebro humano, que agora também deverá servir como detector de mentiras.

Mas embora as Universidades da Carolina do Sul e da Pensilvânia estejam em plena fase de testes, obtendo em média 90% de acertos com um scanner cerebral em relação às mentiras, ninguém sabe ainda se a técnica será mais confiável do que a do polígrafo. O argumento dos defensores do fMRI é que a análise é feita diretamente no centro da mentira, o cérebro, não usando medidas secundárias como a pressão arterial, por exemplo.

Já tem gente criticando o novo scanner e relacionando o aparelho com questões de privacidade. Novamente, aqueles que o defendem contra-atacam, pois dizem que é preciso que a pessoa concorde em passar pelo detector de mentiras, sendo que ninguém pode forçá-la a fazer isso, tal como já acontece com os polígrafos atuais. Eu assino embaixo, e acredito que privacidade não seja um problema neste caso, realmente.

Ainda será preciso investigar os resultados do aparelho em pessoas que não estejam entre 18 e 50 anos de idade, a faixa etária escolhida para os testes. Também ainda não se sabe os efeitos da detecção de mentiras em pessoas que estejam tomando medicação. De qualquer forma, tudo o que puder auxiliar no combate ao crime me parece uma idéia fantástica. Esta, então, parece daquelas que saem de livros de ficção científica, o que a torna especialmente interessante pra mim. Vamos ver o que pode sair dessa pesquisa.

Polegares de Super Massa

Alguém me apresente outra pessoa que seja tão entusiasta da biometria quanto eu e certamente nós dois poderíamos ficar batendo papo por horas a fio, a respeito de todas as tecnologias que poderiam ser usadas na identificação de pessoas. Desde uma simples impressão digital até o reconhecimento de retina, existem muitos processos que podem ser utilizados e, eu lhes garanto, todos eles visam facilitar e tornar cada vez mais rápida a vida das pessoas, diminuindo principalmente seu tempo de espera em filas de banco, supermercados e até mesmo para tirar segunda via de muitos documentos.

Recentemente, quando fui renovar minha carteira de habilitação, pude comprovar que aos poucos a biometria tem se tornado uma realidade cada vez mais presente na vida real, inclusive aqui no Brasil. Para me identificar ao fazer o exame teórico obrigatório numa auto-escola que escolhi, o método utilizado pelo governo foi o da implantação de um scanner de impressões digitais, o mesmo que, se não me falhe a memória, algumas escolas e faculdades paulistanas têm usado para controlar a freq¼ência de seus alunos em aulas. Em poucos segundos a confirmação óbvia de que eu era eu mesmo — e não outra pessoa — surgiu no monitor de um computador e eu fui liberado.

Li esta semana uma notícia que me deixou ainda mais entusiasmado. A possibilidade de usar meus dedos para comprovar minha identidade, agora no supermercado, foi de me encher os olhos. Nos EUA, segundo li, o Wal-Mart é apenas um entre alguns gigantes do comércio que têm planos para implantar a tecnologia em suas lojas. Apelidada de carteira eletrônica, pode diminuir a ocorrência de fraudes e roubos de identidade, aumentar a velocidade para o pagamento das compras e também diminuir o tempo de processamento das transações financeiras. Tal redução de tempo pode representar, por exemplo, apenas para o Wal-Mart, até 2009, um aumento de 3 a 4% em seu faturamento. Para os clientes, comodidade à vista.

Para começar a pagar as contas biometricamente, cada cliente precisaria cadastrar suas impressões digitais na própria loja, além de informar seus dados pessoais e a conta bancária. Depois, bastaria apontar o dedo para o scanner, na fila do caixa e pronto. Um ganho de 70% em velocidade, pelo que entendi. Mas há pelo menos uma coisa que me deixa bastante alarmado, e que pra mim parecia coisa de ficção científica, tal como vi em um filme — se não me engano, O Quinto Elemento, com Bruce Willis. Nele, corta-se o dedo de uma personagem para usá-lo em um scanner de acesso a um prédio, não me lembro exatamente qual, agora.

É uma possibilidade — remota, é verdade —, mas que precisa ser considerada. É fato que ninguém precisa ficar paranóico, pois não será em cada esquina que alguém tentará cortar seu polegar. Mas é justamente isso o que me preocupa. Para que o debate se torne tão grande quanto aquele que, há algum tempo dava conta de que muita gente tinha medo — e ainda tem — de comprar on-line por causa das fraudes eletrônicas com cartões de crédito, basta uma simples constatação: Não é preciso que cortem o seu dedo. Um pote de Super Massa — lembram daquele brinquedo, da Estrela? — pode fazer o serviço sujo pelos bandidos. Tudo o que eles precisam é de um molde daqueles que os dentistas usam. Tiram um molde, enchem o dito cujo com a massinha de modelar para crianças e saem por aí fazendo pagamentos. Os scanners chegam a ser enganados em até 90% das vezes.

Tempo Esgotado?

É engraçado como um pensamento que eu tive recentemente — e que até citei em um dos meus posts, não me lembro exatamente qual, agora — pode ter surgido em comentários da mídia internacional. O assunto, algo extremamente banal, tem a ver com a diminuição na busca e compra de relógios de pulso pela população em geral, sobretudo aqueles que são mais jovens.

Essas pessoas, assim como eu pensava, têm usado qualquer outro dispositivo à mão — normalmente, seus telefones celulares — para consultarem a hora. IPods, handhelds e outros portáteis com certeza também entram na lista de quem só usa relógio de pulso por conta de um design muito diferente, ou apenas para estar na moda. De resto, relógios de pulso servem atualmente mais para juntar poeira nas prateleiras do que pra qualquer outra coisa.

Talvez o tempo esteja mesmo esgotado para os velhos relógios de pulso. Não bastassem informar a hora do dia, os outros dispositivos — todos eles — possuem funcionalidades extras como tocar MP3, acessar a Internet ou tirar fotos e fazer filmes. Independente disso, ainda conheço muita gente que os usa. Quer por hábito ou não, assim como tantas dessas pessoas, eu com certeza me sentiria nu sem usar meu relógio, um acessório que, bem ou mal, me acompanha há mais de 20 anos.

Imagens valem mais que…

mil palavras, já diziam alguns ditados populares sábios, e também pessoas de igual sabedoria, não é mesmo? Talvez por isso é que muita gente goste de fotografia — eu, é claro, estando incluído nesta conta, embora minhas fotos não sejam nada profissionais — e também de qualquer outra forma de visualização de imagens. Cartões postais, por exemplo.

Cartão postal com a Praça da República, SP, 1908Me lembro de, quando moleque, trocar correspondência com diversos amigos dessa forma. A maioria deles, como eu estava aprendendo inglês na época, morava ou nos Estados Unidos, ou na Alemanha. Cheguei também a conhecer uma menina na Grécia, então. Invariavelmente, de todos eles, recebi alguns cartões postais. Era interessante ver os locais — famosos ou não — de outros países, retratados nestes pequenos pedaços de papel que são tão antigos que os primeiros que surgiram datam de algo por volta de 1870.

Com o advento da Internet tudo se virtualizou, e não se podia esperar que com os cartões postais fosse diferente. Muitos viraram e-cards, não passando de uma página web ou animação em Flash que a pessoa atualmente recebe após alguém informar seu endereço de e-mail em conjunto com mensagens personalizadas cheias de emoticons. Os cartões-postais, assim, graças à rede mundial de computadores, se tornaram uma das coisas mais impessoais do mundo, sem-graças mesmo.

Num mundo em que câmeras digitais — quer embutidas em telefones celulares quer não — dominam as prateleiras das lojas e os sonhos de consumo de muita gente por aí afora, que pode registrar momentos felizes e divulgá-los por e-mail ou dividindo-os através de albuns on-line, talvez não haja mesmo mais espaço para os antigos cartões postais. Ou talvez, penso eu, tudo o que os cartões precisem seja uma remodelagem. Os vovôs de papel precisam de um passaporte para o século XXI.

Stuart Calvey, um estudante de design industrial da Austrália, com apenas 22 anos, pode ser o pai deste passaporte. Um novo conceito inventado e batizado por ele de Snap+Send Postcard é um aparelho que possui recursos de câmera digital com lentes de dois megapixels, uma tela de LCD de 10 centímetros, memória digital e bateria interna.

Projetado para ter baixo custo — cerca de US$ 25 — e ser descartável, o cartão postal eletrônico não contaria com recursos como zoom e exclusão de imagens. Mas seria tão fino, leve e barato que, com um selo, poderia ser enviado pelo correio facilmente. Alguém em meio a uma viagem tiraria fotos, transformaria tudo num pequeno slide show e o endereçaria à avó ou à namorada, que, por sua vez, poderiam levá-lo a uma loja de revelação local e imprimir as imagens que quisessem.

Enquanto o próprio criador admite logo que seu invento nunca competiria com câmeras digitais mais caras, ele acredita que pelo menos poderia competir de igual pra igual com as câmeras de telefones celulares. Enquanto isso, eu mesmo sou capaz de imaginar vocês lendo este post e se dando conta que e-mail é muito mais rápido e barato do que gastar US$ 25 e ainda mais despesas de postagem para enviar um aparato eletrônico pelo correio. Mas me digam uma coisa: Há ou não há um certo romantismo em enviar — e é claro, receber — cartões postais pelo correio? Ainda que se pareçam mais com pequenos palmtops

Jeans com Algo Mais

É difícil imaginar alguém que não use calça jeans. Todos nós, durante a semana, usamos, em maior ou menor grau, esta peça de vestuário que já se tornou popular há anos, e que é mesmo indispensável a muita gente. Igualmente, pense em alguém que nunca tenha ouvido falar da Levi’s. Isso é praticamente impossível, pois a marca e a roupa são praticamente sinônimos, concordam comigo?

A empresa tem perdido mercado desde 2001 para rivais como a VF, que fabrica as marcas Lee e Wrangler, mas no geral continua em ótima saúde financeira. Talvez por isso, a novidade que a empresa está prometendo seja mais atraente para os geeks de plantão do que para os próprios consumidores de roupa em geral. Tentando pegar carona no sucesso do iPod, o tocador de mídia portátil da Apple, a Levi’s está para colocar no mercado uma nova linha de calças jeans, a RedWire, que virá recheada de características especialmente projetadas para aqueles que carregam consigo o pequeno dispositivo.

A questão é que estamos vislumbrando, esta forma, a primeira calça jeans compatível com iPods de todo o mundo. Ela contará com bolsos especiais para carregar o aparelho, um controle remoto em forma de joystick e até mesmo fones de ouvido retráteis, embutidos diretamente no tecido. Com o faturamento anual na casa dos 4 bilhões de dólares, este movimento da Levi’s visa arrebanhar mercado entre os jovens, principais usuários do tocador de mídia.

Pelo que li, 75% das vendas de jeans da companhia são para clientes que têm entre 35 e 55 anos de idade, e vender calças compatíveis com o iPod talvez represente mesmo a investida em um nicho de mercado. Mas há um problema aí: Quantas pessoas, em geral, podem — ou ficariam atraídas pela idéia de — comprar um aparelho da Apple? Os custos, principalmente se pensarmos em termos de Brasil, não são o que podemos chamar de acessíveis, tornando o mercado para os tocadores de mídia menor do que poderia ser e, da mesma forma, reduzindo o número de interessados por um jeans deste tipo em território nacional.

Ainda assim, acho que a Levi’s merece um ponto positivo pela idéia, que é vanguardista. Quem sabe até, se o produto der mesmo certo e alcançar o mercado com alguma força em um futuro próximo, eu peça a alguém que me presenteie com uma calça dessas. Junto, um iPod, mesmo usado, também cairia tão bem quanto as roupas da empresa…