Body Browser: Uma viagem pelo corpo humano

Estão praticamente contados os dias em que estudantes de medicina precisavam se ver  s voltas com enormes livros para estudar e compreender melhor diversos detalhes do corpo humano. Isso, pelo menos, se depender do Google, que, semana passada, emplacou no ar mais uma de suas inovações, desta vez chamada de Body Browser.

Com a ferramenta, que a princípio só roda em navegadores que suportam a tecnologia WebGL para visualização de objetos e modelos em três dimensões — como a última versão beta do Google Chrome, por exemplo —, qualquer pessoa — seja ela estudante ou mera curiosa — será capaz de explorar detalhes de nossa anatomia, através de diversas perspectivas e cortes, que permitem a inclusão ou exclusão instantânea de camadas de detalhes.

Digo “será capaz” porquê pode-se perceber pela utilização da ferramenta — e também graças ao vídeo acima — que, no momento, apesar de ser possível rotacionar o modelo feminino e aplicar-lhe diversos níveis de zoom, quase tudo o que pode-se fazer é selecionar partes específicas do corpo para sabermos seus nomes.

Com o tempo, no entanto, caso tenha seu desenvolvimento continuado, entendo que a ferramenta alcançará o status de um Google Earth, provavelmente com explicações detalhadas sobre os órgãos, sistemas e seus componentes, e também com traduções para todas estas informações fornecidas em vários idiomas. A adição de um modelo masculino — já anunciada para breve pela empresa é outro dos detalhes que, com certeza, tornarão a experiência de qualquer visitante muito mais rica e dinâmica.

Lembro-me dos tempos em que era mais novo e usava um programa chamado Bodyworks para aprender detalhes sobre nosso corpo — como mera curiosidade, é claro. Com um filho em idade pré-escolar que me pergunta muitas coisas a respeito do assunto, descobri que não há — até onde eu saiba, ao menos —, versões deste programa disponíveis para os sistemas operacionais mais modernos, o que é uma pena. Felizmente para mim, o Body Browser pode, e deverá ser, ao que tudo indica, um ótimo substituto.

Minha pilha recarregável favorita

Que tal nunca mais precisar recarregar uma pilha recarregável na vida?

As novas pilhas Vibration-power Generating Battery — ou VpGB —, da Brother, que serão demonstradas durante a Techno Frontier 2010, em Tóquio, entre os dias 21 e 23 deste mês, prometem fazer isso.

A ideia é simples: Ao contrário das pilhas AA e AAA comuns, que contem uma certa quantidade de energia em seu interior, que vai descarregando com o tempo, as pilhas VpGB geram energia automaticamente sempre que são sacudidas — e o melhor, a energia pode ser usada instantaneamente.

É verdade que não será possível substituir completamente as velhas pilhas AA e AAA pelas novas VpGB, uma vez que elas só são eficazes para aparelhos que não consomem energia o tempo inteiro, e que consomem, no máximo, entre 100 e 180mW. Mas para controles remotos, por exemplo, elas são ideiais — além de permitirem a quem tem um Wii, por exemplo, sentir um gostinho de familiaridade.

Infográfico: IPhone 4 x IPhone 3GS

Encontrei por acaso o infográfico abaixo, que compara as versões 4 e 3GS do IPhone, da Apple.

É fato que a comparação nos permite ver uma série de evoluções entre os dois modelos, mas, na minha opinião, o que rouba a cena é a disponibilidade do iOS 4, sistema operacional dos telefones móveis da empresa de Steve Jobs, que além de permitir, finalmente, o multitasking, também introduz o recurso FaceTime, capaz de permitir a realização de video conferências facilmente.

Aliás, o aparelho, que custa entre US$ 199 e US$ 299 no exterior, tem componentes que, juntos, custam apenas cerca de US$ 188. Na prática, a Apple mantém suas margens de lucro baixas mas consegue bons lucros com o produto. Muito inteligente.

Nostalgia!

Me deparar com esta página digitalizada da — já há muito tempo — finada revista CPU MSX me fez lembrar de quando, em casa, tínhamos um desses. Foi uma das épocas mais divertidas da minha vida, sem sombra de dúvida. Me lembro de todos os programas que vinham na revista — todos em BASIC — que eu digitei. Foi dali, e também de mexer com o dBase III Plus para MSX, que veio o meu futuro gosto por programação.

Nexus One no Brasil

Alguns podem achar, pela quantidade de comentários que eu tenho feito com relação ao Nexus One recentemente, que eu posso estar me entusiasmando além da conta — afinal, será que ele tem cacife para suceder ou competir a altura com o iPhone? Bom… Não vai dar pra saber, até colocar as mãos em um deles por conta própria.

Felizmente para mim e outros curiosos, segundo Alexandre Hohagen, diret or-geral do Google para a América Latina, o aparelho deve aterrissar em terras nacionais a partir do segundo semestre deste ano, estando disponível tanto em versão vinculada  s operadoras, quanto desbloqueado. O motivo de ele não ter sido lançado por aqui logo em janeiro, aliás, foi o preço elevado dos planos de dados das operadoras brasileiras.

Enquanto ele não vem, segue uma propaganda do aparelho. Para mim, a quantidade de funcionalidades ainda prova o porquê pelo menos um pouco de entusiasmo deve ser sentido na espera pelo superphone, como está sendo chamado por seus criadores:

(via @GoogleDiscovery)

O Nexus One lava a sua boca com sabão

Nas palavras de um artigo do site Mashable que acabo de ler, o Nexus One, smartphone lançado pela Google, parece contar com uma característica inusitada: Seu algoritmo de conversão de voz em texto substitui qualquer palavrão pronunciado pelos usuários por uma sequência de caracteres #.

De acordo com um porta-voz da empresa, isso ocorre para que certas palavras — na verdade, palavrões — não apareçam nas transcrições de mensagens de forma acidental, uma possibilidade considerada real por eles, dado o estado ainda pouco desenvolvido da tecnologia de reconhecimento de voz. Dessa forma, evita-se que uma pessoa receba algo profano quando o que se quis dizer foi algo inocente.

Cá pra nós: Se eu mando uma mensagem xingando, quero que isso apareça em alto e bom tom. Por isso, deixarei pra comprar um Nexus One quando — e se — a tal tecnologia de speech to text estiver mais desenvolvida e madura. Afinal, somos todos livres para nos expressar, não é mesmo?

Da sua cabeça para o Twitter!

brain_twitterAdam Wilson, doutorando em Engenharia Biomédico pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos virou notícia esta semana, depois de ter publicado uma atualização em sua conta no Twitter usando, para isso, apenas a força do seu próprio pensamento.

A coisa parece saída de filmes ou livros de ficção científica, mas na verdade foi possível graças a uma engenhoca — parecida com um capacete — plugada ao computador do rapaz, através da qual ele operou uma Brain Computer Interface, ou BCI, capaz de fazer seu cérebro se comunicar com a máquina.

Esta história me faz logo pensar no brilhante físico inglês Stephen Hawking, que, como a maioria das pessoas sabe, sofre de uma doença neurológica que compromete seu sistema motor, e que, além de deixá-lo permanentemente preso a uma cadeira de rodas, o faz precisar de um sintetizador de voz para se comunicar com as pessoas. Comunicação é justamente a maior dificuldade para pessoas que tem este tipo de problema, e, assim como disse   Wired o engenheiro biomédico Kevin Otto, também envolvido com esta experiência, o mais importante é que ela endereça diretamente esta necessidade de se comunicar e de se socializar, ao utilizar um mecanismo atualmente tão popular como o Twitter:

“It’s in tune with what patients want,” said Otto. “Social networking and communication is really their first desire. There’s been quite a bit of success, and a few demonstrations, helping people to e-mail. But the same reason why people choose Twitter and Facebook over e-mail is the same reason why this is significant.”

Os idealizadores dizem que, embora a interface ainda não esteja pronta para comercialização, ela já está além da fase de prova de conceito, uma vez que já se sabe que o sistema funciona perfeitamente — um vídeo publicado no YouTube demonstra, em quase 2 minutos de duração, que isso é realmente sério. Eles dizem que o próximo passo será a utilização do mecanismo por 10 pessoas que hoje já possuem cópias do software responsável por operar a interface entre o cérebro e os computadores, e, a seguir, pensar em formas de integrá-lo de vez   rotina das residências comuns, de forma que qualquer pessoa possa montar o kit de utilização sem necessitar de ajuda.

Honestamente, eu torço para que chegue logo o dia em que atualizar o Twitter telepaticamente terá se tornado tão corriqueiro que me ajude a estar mais presente nesta e em outras redes sociais, já que hoje nem mesmo com todas as facilidades existentes — como o envio de updates através do celular — eu consigo atualizar meu status tanto quanto eu gostaria.

Urnas Biométricas: O próximo passo

Quem me conhece sabe que eu não sou uma pessoa invejosa. No entanto, nestas eleições, eu preciso admitir que não tive como não sentir pelo menos uma pontinha de inveja dos moradores de três cidades brasileiras. Isso é porquê São João Batista (SC), Colorado D’Oeste (RO) e Fátima do Sul (MS) foram, efetivamente, as três primeiras cidades do país a contarem com um processo de votação auxiliado por urnas biométricas.

Infelizmente pelo que li, essas cidades não foram escolhidas por acaso. Os critérios para que o TSE as elegesse para serem as primeiras a entrar para a história de mais um avanço de nosso processo eleitoral incluíram, entre outras coisas, o fato de todas terem em média 15 mil eleitores e estarem necessitando de um recadastramento eleitoral.

Acontece que, como cada um dos eleitores dessas cidades teve previamente cadastradas as impressões digitais dos dez dedos das mãos, ontem, durante as eleições, bastou a cada um deles que pusesse o polegar sobre um sensor biométrico existente no terminal operado pelos mesários, aguardando assim a liberação para voto depois da confirmação de sua identidade.

Além disso, conforme reportagem da Globo News, mesmo que a identificação de qualquer eleitor falhasse depois, é claro, de tentativas de leitura de todos os seus dedos, o presidente da seção ainda contava com uma senha exclusiva que poderia liberar o voto do eleitor normalmente, já que eles não foram desobrigados de apresentar seus títulos.

Eu já mencionei as urnas biométricas por aqui algumas vezes, dizendo que elas podem ser responsáveis por pela eliminação da única fraude ainda possível no processo eleitoral, a de uma pessoa se passar por outra. Aliás, além das impressões digitais dos cidadãos, no momento em que o TSE começar a convocar todos os eleitores do Brasil para recadastrarem seus títulos de eleitor, deverão ser coletadas também suas fotos, que virão impressas nos cadernos de votação — espaço reservado para isso, aliás, já existe há algum tempo nos cadernos com os comprovantes de votação.

[flv:globonews_teste_urnas_biometricas.flv 480 368]

Como mesário há vários anos, aliás, torço para que a urna biométrica acabe também com os cadernos de comprovantes de votação. Se o modelo de terminal atual fosse alterado para que contivesse também um display LCD com algumas polegadas a mais, a foto do eleitor poderia ser exibida na tela para ratificar sua identificação. Na seq¼ência, voto autorizado, concluído, e comprovante impresso pela própria impressora da urna. Só neste ponto seria possível dispensar o trabalho de pelo menos dois mesários.

Aconteça o que acontecer, eu fico na expectativa para que as urnas biométricas não demorem: Se as contas de Carlos Ayres Britto, presidente do TSE, estiverem certas, serão apenas oito anos de espera até que o Brasil inteiro esteja com a nova tecnologia 100% implantada. Enquanto isso, o mesmo Britto deixa uma incógnita: Declarou ontem   imprensa que, tão logo termine este processo eleitoral, deve ser implantada tecnologia que permita o voto em trânsito. Será o fim — tão sonhado por mim — das justificativas eleitorais? Urnas em rede? Quem sabe? Só esperando mais um pouco…

Diga-me como digitas e te direi quem és

Eu não sou nenhum perito em datilografia — mal uso todos os dedos para fazer minhas digitações —, mas isso não impede os amigos do trabalho de fazer brincadeiras do tipo “Calma, Daniel… desse jeito o teclado vai pegar fogo! Vá mais devagar“, ou “Ele digita rápido assim, mas provavelmente 97% do tempo fica pressionando mesmo o backspace“, quando me vêem digitar.

Nenhuma das afirmativas é verdadeira, claro: Os teclados não podem simplesmente pegar fogo graças   velocidade de digitação de alguém. Se isso fosse verdade, imaginem só o número de acidentes que teríamos, principalmente envolvendo operadores de caixas bancários e outros profissionais que precisam digitar muito mais rápido. Da mesma forma, não é em 97% do tempo que eu aperto o backspace, e sim cerca de, digamos, 15% a 20%. De qualquer forma, essas brincadeiras servem para me dizer que os amigos reconhecem, por assim dizer, o meu padrão de digitação.

A novidade é que, talvez, no futuro, não sejam apenas os meus amigos os que serão capazes de reconhecer o meu padrão: Isso graças   biometria e aos estudos, nesta área, do pesquisador cearense Leonardo Torres. Ele está desenvolvendo uma ferramenta que poderá eventualmente começar a ser aplicada para melhorar a segurança nas transações via Internet e também nos terminais de atendimento eletrônico, como os caixas rápidos, por exemplo:

“Cada um de nós tem um padrão de comportamento no ato da digitação. Temos um ritmo próprio e padrões de erros, por exemplo. O que estamos propondo é a implantação de uma ferramenta complementar de segurança capaz de identificar não apenas se uma senha digitada na web ou em um terminal eletrônico está correta, mas se foi o proprietário dela que realmente a digitou (…)

A grande finalidade da ferramenta é evitar fraudes, reforçando os sistemas de segurançaââ?¬Â, resume.”

Na prática, para fazer uso da nova ferramenta de biometria, o usuário deve primeiro preencher um cadastro com suas informações pessoais. Posteriormente ele digita estes dados e aciona uma espécie de “inspetor de qualidade“, na verdade uma rotina que verifica a qualidade da digitação observando se há erros durante o processo.

Se tudo correr bem, um “extrator de características” captura o tempo de digitação entre uma tecla e outra e o tempo de pressionamento de cada tecla. Estas informações são então cruzadas e o usuário identificado conforme seu padrão de digitação.

Segundo o pesquisador, a novidade tende a chegar ao mercado com um custo muito mais baixo do que o normal, pois deve precisar de muito menos equipamentos e dispositivos eletrônicos do que as demais soluções de segurança que envolvem a biometria.

Mas eu tenho que dizer que a primeira coisa que me chamou a atenção nesta história foi o fato de se tratar de tecnologia 100% em desenvolvimento no Brasil. Isso porquê eu, que gosto muito do tema biometria, vejo que quando falamos disso os exemplos de aplicação vêm muito mais do exterior, e este caso, somado   provável adoção de 100% de urnas eletrônicas biométricas para nossas eleições em cerca de 10 anos, são raros e louváveis exemplos.

Information Cards: Uma revolução nas senhas?

cone do InfocardA empresa onde eu trabalho tem implantado gradativamente, desde o começo do ano, um programa chamado single sign-on. A intenção é acabar com um problema extremamente freq¼ente — e extremamente perturbador, diga-se de passagem: Esquecer as senhas.

Vamos admitir: Quem nunca esqueceu uma senha na vida deve jogar as mãos para o céu e agradecer. Afinal de contas, mais do que a enorme quantidade de sistemas offline que necessitam de autenticação — e que, no caso da empresa onde estou foi o grande motivador para o single sign-on —, a Internet é um grande player nessa história: Por causa dela nós vivemos de cliques e de senhas, não é mesmo? E basta um único serviço que não usemos por algum tempo e lá vamos nós esquecer uma senha e ter transtornos.

A solução para esse tipo de problema, muitas vezes, é usar uma única senha para todos os sites. Na prática, apesar de ser mais fácil, é menos seguro, todos sabemos disso. Afinal, alguém que descubra sua senha poderá invadir todos os sites que você usa e fazer sabe-se lá o que. Na prática, conforme diz Paul Trevithick, praticar esse hábito é quase como não ter senha nenhuma.

Mas quem é Paul Trevithick, afinal? Ele é o presidente da Information Card Foundation, empresa que pretende revolucionar a forma como nos autenticamos nos diversos sites que visitamos. A chave para que isso aconteça está no uso dos chamados information cards, ou simplesmente i-cards, cartões eletrônicos que os internautas baixariam para suas máquinas locais, e usariam diretamente a partir de seus navegadores, se autenticando e verificando seus acessos através de um código PIN — personal identification number, tal como nos celulares — remotamente validado sempre que entrassem em um site compatível.

I-Cards na prática

Os membros da fundação que defende o uso dos i-cards — entre os quais gigantes como Google, Microsoft, Novell e Oracle — acreditam que a prática melhoraria consideravelmente a segurança dos usuários, principalmente no que diz respeito a combater o phishing, processo pelo qual vários sites que agem de má fé tentam se passar por empresas honestas, visando obter senhas e demais informações sensíveis dos internautas menos avisados.

Para prover maior segurança na prática, o sistema de i-cards tem que sincronizar cada transação entre três participantes: Numa ponta o usuário com seu i-card, que solicita uma conexão criptografada com um fornecedor de identificação (como um banco ou empresa de cartão de crédito) e também com a parte relevante (que, neste caso seria uma faculdade, site financeiro ou de comércio eletrônico). Nada acontece enquanto estas conexões não estiverem realizadas em tempo real.

Espero que, já que essa iniciativa está sendo puxada por gente grande, ela decole. Se será uma solução final para os problemas de segurança, eu não sei, e até duvido. Mas é bom termos novidades deste porte em breve. Só não sei quanto tempo levará para um padrão desses atingir escala mundial… mas aí é outra história.

Quatro carros que querem ganhar os céus

No já longínquo ano de 1940, Henry Ford, então presidente da primeira fabricante de veículos do mundo declarou: ââ?¬Å?Marquem minhas palavras: Uma combinação de avião e carro está chegando. Vocês podem dar risada. Mas ela virá…ââ?¬Â. “O quanto Ford está certo, considerando os avanços tecnológicos de quase 50 anos depois?”, foi o que eu me perguntei ao ler essa frase.

Para responder   minha própria dúvida, resolvi procurar e listar alguns possíveis candidatos ao feito de se tornarem, efetivamente, o primeiro veículo híbrido de carro e avião a cruzar os céus mundiais, dando fama e fortuna instantâneas a seus desenvolvedores. Agora eu divido com vocês as minhas descobertas — aliás, alguém deve reparar, o número de projetos é bem considerável, cada qual tentando por conta própria alçar vôos ambiciosos.

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Combater fraudes biométricas custa caro

finger-matsumoto150.jpgQuem precisou — como eu — renovar a carteira de motorista no último ano e meio já sabe: Um sistema de biometria realiza a identificação do candidato através de um terminal que coleta suas impressões digitais e as transmite para o Detran em tempo real. Só depois disso a pessoa é liberada para uma prova 100% filmada, tudo parte de fortes medidas de segurança para evitar fraudes no processo, na minha opinião, aliás, um dos pontos mais pertinentes para uso da biometria.

Mas por mais que eu seja fã de qualquer iniciativa biométrica, sou obrigado a admitir que mesmo seu emprego permite falhas: O Estadão noticiou ontem uma verdadeira operação de guerra montada pelo governo do estado de São Paulo, que colocou na malha fina do Detran 19 mil pessoas e 200 auto-escolas da capital, da Grande São Paulo e de Santos.

Segundo o que li, foram descobertos diversos artifícios para burlar o processo: Auto-escolas foram flagradas usando softwares que capturam as digitais de uma pessoa, transformam em código e enviam ao Detran a falsa informação, em horários diferentes, de que ela está assistindo regularmente  s aulas.

Também foram identificados casos — que parecem coisa de filme — em que dedos de silicone ou gesso fraudaram o sistema, o que aliás representa um dos maiores — senão o maior — medo das pessoas com relação   biometria: “E se cortassem um dedo meu” — ou fizessem, como neste caso, um molde — “para me assaltar num caixa eletrônico biométrico?”

A implementação de mecanismos de combate a fraudes deste tipo é complicada: Neste caso, por exemplo, apenas no segundo semestre o Detran deverá além de registrar a impressão digital, fotografar as pessoas que fazem as provas práticas. O departamento também solicitou ao Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) que desenvolva uma certificação digital para o processo de renovação da CNH.

Minha opinião, no entanto, é que fotos são facilmente arranjáveis, assim como softwares para driblar uma certificação digital das informações. Acho que para evitar coisas como dedos de gesso, silicone ou até mesmo de gelatina, usados experimentalmente em 2002 pelo professor Tsutomu Matsumoto, da universidade japonesa de Yokohama justamente para provar que é possível burlar a biometria, precisa-se inovar.

Sugestões dadas pelo próprio professor Matsumoto, aliás uma das maiores autoridades mundiais no assunto, envolvem o reconhecimento não apenas de impressões digitais, mas também de características únicas do corpo humano, como pequenas mudanças ou movimentos que não podem ser reproduzidos por estruturas artificiais: O reconhecimento ultrassônico de impressões digitais, por exemplo, poderia reconhecer o fluxo sang¼íneo por trás dos dedos, entre outras coisas.

Outros mecanismos para reconhecimento de um indivíduo poderiam empregar a sensibilidade de temperatura do corpo, a produção de oxigênio e de sinais elétricos, e a emissão de odores próprios do corpo humano. Mas fato é que, embora representem soluções eficazes, o custo destas alternativas é muito, muito alto, e, ao menos na atual conjectura — em que estamos ainda engatinhando no campo da biometria — não as vejo como viáveis para emprego em nosso país, e isso é uma pena.

Quatro problemas sobre votos impressos

Ainda está meio cedo pra falar das eleições municipais que ocorrerão este ano, mas acontece que esta semana, depois de ler por acaso que a escolha dos prefeitos e vereadores está marcada para 5 de outubro em primeiro turno e 26 de outubro caso haja o segundo turno, lembrei automaticamente de uma proposta — o Projeto de Lei 970/07 —, de autoria da deputada Janete Capiberibe, do PSB do Amapá — que, entre outras coisas, pretende instituir a impressão do voto na urna eletrônica.

As alterações propostas pela deputada, caso entrem em vigor, obrigarão que as urnas, num prazo de até quatro anos a partir da aprovação da lei, imprimam os votos do eleitor, para que ele possa conferir se está tudo correto antes de efetuar a confirmação eletrônica de suas escolhas. Conforme diz nota da Agência Câmara, “em caso de discrepância, a urna será submetida a teste na presença de fiscais dos partidos. Se for verificado algum problema, a urna será trocada e encaminhada para perícia”.

A meu ver, instituir a impressão dos votos pode causar alguns problemas. O projeto de lei menciona que não haverá contanto manual com os votos impressos por parte do eleitor e que, assim que confirmados, serão automaticamente depositados em local previamente lacrado. Isso me faz pensar em algum tipo de capa acrílica — no mínimo — que isolará o voto do eleitor, fazendo com que ele precise visualizar suas escolhas através de uma superfície transparente.

Primeiro problema: Dependendo das condições de temperatura e umidade, imagino coisas terríveis acontecendo. O papel da urna pode umedecer ou enrugar, enroscando a impressão e obrigando a abertura do equipamento por um técnico e fatalmente causando a impugnação da urna por parte dos fiscais de partidos. Também pode ser que a tal superfície transparente fique embaçada, dificultando a leitura dos votos.

Segundo problema: Como eu já citei por aqui antes, cumpro com muito amor as funções de mesário eleitoral a cada eleição realizada em nosso país. Por isso, me peguei imaginando o caso prático que enfrento em minha seção toda vez que presido uma eleição. Uma parcela dos eleitores que comparecem  s urnas são analfabetos e recorrem  s fotos dos candidatos para efetivamente confirmarem suas intenções de voto. Uma impressão não ajudará neste caso, pois nada é mencionado sobre as fotos serem impressas. Além disso, implementar impressões de fotos pode representar um custo considerável.

Terceiro problema: A deputada autora do projeto acredita que a impresão é um mecanismo ótimo para fiscalização do processo eleitoral. Embora eu acredite que o processo deva sim ser melhor fiscalizado, não vejo como a impressão de votos poderia combater o principal problema de uma eleição: Pessoas votando em nome de outras.

Neste aspecto, muito mais interessante que o projeto de lei da nobre parlamentar para combater fraudes é a iniciativa da própria Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE, que deverá promover o cadastramento digital dos eleitores de algumas cidades dos estados de Mato Grosso do Sul, Rondônia e Santa Catarina já para as próximas eleições, implementando assim a identificação biométrica, possível graças a um leitor biométrico já disponível nas urnas, que será capaz de identificar as pessoas por meio das digitais dos dedos polegar e indicador.

Vejo que a biometria pode efetivamente combater as fraudes e também causar dois benefícios colaterais: Acelerar o processo de votação e permitir o fim de justificativas eleitorais, pois, se bem integrada, a rede de urnas pode permitir o voto a partir de qualquer localidade do país. O único problema é que o governo projeta um prazo mínimo de 10 anos para conseguir implantar a tecnologia em todo o território nacional, o que é uma pena.

Associada   idéia da biometria, a meu ver, estaria a única função boa da impressão em uma urna eleitoral: Após a identificação do eleitor por suas impressões digitais e seu voto computado, a urna poderia emitir diretamente o comprovante, acabando por tabela com aquela atividade chatíssima de destacar comprovantes daqueles cadernos em espiral — que muitas vezes rasgam — e também com a necessidade de pelo menos dois mesários por seção, que atualmente ficam exclusivamente com esta atribuição.

Há ainda um quarto e último problema com relação   imprimir votos para conferência: O tempo médio de voto hoje em dia, mesmo com toda a tecnologia disponível, pelos meus cálculos, é de 3 a 5 minutos. Se você for esperar uma conferência antes da confirmação final, então, poderá multiplicar o tempo de espera por 4: 20 minutos por cabeça, o que com certeza afetaria os ânimos de muita gente na fila. Mas essa já é uma outra história, e fica para outro dia…

sQuba: Até debaixo d’água

A indústria automobilística parece mesmo disposta a nos surpreender com suas idéias mirabolantes ainda este ano: Depois do anúncio do Transition, um veículo que combina de maneira híbrida carro e avião a ser produzido por americanos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é a vez de uma empresa suíça chamada Rinspeed ganhar a atenção da mídia.

O motivo é o sQuba, um carro totalmente conceitual a ser apresentado no Salão Automotivo de Genebra em março de 2008, e sua capacidade no mínimo impensável: A de rodar não apenas em estradas convencionais, mas também submerso. Segundo afirma o diretor da Rinspeed, Frank Rinderknecht, o carro poderia navegar em profundidades de até 10 metros.

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Enquanto na estrada a força do veículo deve ser providenciada por motores elétricos, a propulsão na água fica por conta de duas hélices e de jatos que têm a função de impelir o veículo para frente enquanto está debaixo da água. Ocorre que, como em qualquer idéia proveniente diretamente da imaginação e da ficção científica, há uma chance de que ela não emplaque: Neste caso, os próprios representantes da empresa dizem que não há chances de que a idéia ganhe proporções industriais e comerciais. Mas será mesmo?

Será (minha) hora de trocar Telefônica por VoIP?

A quanto anda o resultado da sua equação de acesso a Internet? Quero dizer, quando você coloca na ponta do lápis os valores que gasta para ficar on-line, o que é que pesa mais?

No meu caso, pra começo de conversa, o cálculo envolve o pagamento do Speedy, serviço de acesso   internet via ADSL da Telefônica que dispensa apresentações, já que duvido que alguém por aí ainda não tenha ouvido falar dele, independente da região do país onde more. O valor mensal do serviço é R$ 59,00.

A segunda parcela que faz parte do meu cálculo é o pagamento de um provedor de acesso. Não, mesmo sabendo da liminar que está atualmente em vigor em São Paulo desobrigando as pessoas de contratarem o ISP, ainda não mandei o meu  s favas, por um motivo muito simples: Concordo com um amigo meu, que diz que o tempo médio de duração de uma liminar costuma durar até a hora em que alguém a revoga, e só pretendo eliminar este serviço quando a coisa virar uma lei, algo mais sério. Por isso, amargo mais R$ 29,00 mensais.

Deixei para mencionar por último o valor mensal que eu pago por uma assinatura de telefonia fixa – já convertida para o novo (e obrigatório) plano de minutos. Aqui, aliás, mora uma bela polêmica: Se eu quiser, posso ter apenas a linha de telefone, mas não posso, ao contrário – ao menos de acordo com o que diz a Telefônica – ter apenas o Speedy. Neste aspecto, por mais que seus atendentes neguem –   sombra de algum manual com instruções para telemarketing -, o que a empresa está fazendo chama-se venda casada, e é crime proibido pelo artigo 39 do código de defesa do consumidor. Desta forma, lá se vão mais R$ 44,00 mensais.

É desta última parte da minha equação que eu tenho pensado em me livrar. Na verdade, estou pensando em tomar uma atitude radical, que é cancelar a minha assinatura de telefone fixo e Speedy, para substitui-los, respectivamente, por serviços Skype e conexão banda larga via ondas de rádio. Para isso, os passos me parecem bem simples:

  1. Mandar o Speedy  s favas. No condomínio onde moro há pelo menos dois serviços de internet banda larga baseados em tecnologia de acesso por ondas de rádio. Desta maneira pouparia o valor do provedor de acesso (desnecessário em qualquer um dos dois serviços pelos quais eu viesse a optar, se optar) e a mensalidade do Speedy, que, afinal de contas, vem   parte na conta de telefone. Assim, estaria deixando de pagar, mensalmente, R$ 132,00.
  2. Comprar um número local SkypeIn: O serviço, já amplamente utilizado aqui no Brasil, permite que eu adquira um número de São José dos Campos (onde moro) e atendê-lo em qualquer lugar do mundo, sendo que quem ligar pra mim pagaria apenas uma ligação local, caso também more por aqui. O custo? Na data deste meu texto, exatos R$ 125,00 anuais, cerca de R$ 10,40/mês.
  3. Comprar créditos SkypeOut: Esta é uma experiência que eu já tive no passado. O valor mínimo para compra de créditos é R$ 25,00, e os créditos duram por até 180 dias (seis meses) após a realização da última chamada.

É verdade que ainda não pesquisei todos os detalhes e custos incorridos, mas estou dividindo todas estas informações aqui no blog porquê a vontade de migrar 100% para o VoIP permanece, e principalmente para troca de experiências com aqueles que já tenham passado por isso.

Sei que, para manter o computador desligado, por exemplo, preciso de um adaptador ATA para conectar um telefone convencional ao modem, o que não é muito barato, mas, pelo menos, é um custo que terei uma única vez. Imagino que tenha mais alguma coisa da qual estou me esquecendo por agora. De qualquer forma, será que há alguém por aí que possa me dar algumas dicas?

Papel que Fala

Quando eu era criança e não existia Internet nem muito menos câmeras digitais, me lembro que uma das minhas maiores diversões ao tirarmos fotos em casa era buscá-las na Fotoptica, onde normalmente mandávamos revelá-las, por ficar na rua de trás de casa. Digo isso porquê acompanhando o envelope com as fotos vinham uma ou mais cartelinhas de adesivos com balões de fala, pensamentos e onomatopéias: A minha diversão era transformar as fotos em verdadeiras fotos que falam.

O tempo passou, a moda das fotos que falam também, e a tecnologia foi avançando cada vez mais, a ponto de agora surgirem os verdadeiros papéis que falam.

Uma startup havaiana chamada Labels That Talk criou um software que permite a impressão de códigos de barra de alta densidade em tiras de papel capazes de armazenar mensagens gravadas em áudio: Basta digitalizar o papel com qualquer scanner e ele reproduzirá a mensagem. Atualmente cada tira de papel da empresa tem a capacidade de 8 kilobits, o que é suficiente para 10 segundos de áudio.

O idealizador do projeto, Ken Berkun, diz que pensou na filha pequena, que adora ver fotos com o pai, e em como seria legal que cada foto pudesse “dizer” o que está retratando. A meu ver na verdade, além disso, as aplicações práticas são enormes:

  • As indústrias farmacêuticas poderiam acoplar avisos aos remédios destinados aos pacientes, com certas instruções ou normas de segurança;
  • Os ingressos de espetáculos, filmes ou eventos esportivos poderiam informar aos compradores como chegar aos seus assentos;
  • Em supermercados e demais lojas de grande porte, os produtos poderiam informar seus preços automaticamente, o que ajudaria pessoas com deficiência visual, por exemplo;
  • CDs e DVDs nas prateleiras das lojas ou locadoras poderiam reproduzir trechos de seu conteúdo automaticamente, servindo como preview. Neste caso, assumo, é claro, que o armazenamento de vídeo também seja possível, como evolução natural da idéia.

A principal diferença entre a idéia da Labels That Talk e outras soluções que também procuram incorporar mídia a etiquetas, como os Memory Spots, da Hewlett-Packard – que podem armazenar de 256 kilobits a 4 megabits de dados, inclusive vídeo e imagens – está no preço: A solução da HP, baseada em um chip de memória flash NAND, é mais cara do que a impressão direta em papel, podendo custar de 10 a 50 centavos de dólar quando chegarem ao mercado.

Um último ponto muito relevante: As negociações da Labels That Talk incluem alguns fabricantes de celular: Desta forma, não devemos nos espantar se a idéia realmente se tornar popular daqui a algum tempo. Com pessoas levando scanners portáteis em seus telefones móveis, as possibilidades são ainda mais gigantescas!