Será que cai?

Quem é que não concorda comigo que a discussão sobre a assinatura obrigatória que as operadoras de telefonia fixa cobram de seus usuários é um assunto mais do que polêmico? Já abordei essa questão aqui por diversas vezes (a última vez, em julho de 2004), e agora vou falar novamente sobre essa questão. Isso porquê acredito piamente que trata-se de uma cobrança abusiva, não importa o quanto as empresas do setor — agora todas privatizadas — defendam que a operação lhes traz lucro.

Acontece que é a vez do ministro das comunicações do governo Lula, Hélio Costa, defender esta causa. O ministro acredita que as operadoras devem rever os valores cobrados dos assinantes, e está à frente de uma negociação que visa reduzir em pelo menos 15% o valor da tarifa. A estratégia que ele defende, baseada em estudos encomendados à técnicos do governo esta semana, envolve acabar com a franquia de 100 pulsos que hoje é cobrada nacionalmente.

A idéia de Hélio Costa é simples: Redução gradativa da franquia, seguida por uma proposta, vinda das próprias operadoras envolvidas — Telefônica, Telemar, BrT, Sercomtel e Algar — para acabar de vez com a cobrança. Nada me parece mais justo. O que me deixa preocupado, na verdade, é a quantidade de vezes em que esse assunto já veio à tona. Ora puxado por um representante do governo, ora por outro, a questão parece que talvez ainda se estenda por algum tempo. De qualquer forma, vou ficar, como sempre, na torcida: Um valor médio de R$ 40 passar para cerca de R$ 34 já terá sido um ótimo primeiro passo. Mas a ausência total de cobrança, além de ser mais justa — eu, por exemplo, mal uso 10 dos 100 pulsos de franquia mensal que possuo —, permitirá, como vi na própria reportagem em que li, que uma parcela da população que não tem acesso ao serviço de telefonia atualmente, passe a contar com ele. Inclusão social. Soa bonito, é nobre e eu acho que é o caminho correto. Tudo se resume numa única coisa: Boa vontade.

Update: E parece que ainda não vai ser dessa vez. Tudo nesse país demora muito. E esse caso vai é ficar enrolado de novo.