Tietagem

Kid Abelha Kid Abelha

Kid Abelha Kid Abelha

Só consegui publicar agora, mas sábado passado fui   festa de fim de ano da empresa, que contou, entre outras atrações, com uma apresentação exclusiva para os funcionários e seus familiares da banda Kid Abelha. Como sou um grande fã da banda, enfrentei o congestionamento que se formou a caminho do local — uma vez que não apenas eu, mas também metade da torcida do Flamengo somos fãs do grupo — e até mesmo chuva, só para curtir 1h20 de sucessos como Fixação, Eu Contra a Noite e No Seu Lugar.

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O que dizer? A chance de estar em um show completamente fechado com a banda não acontece todo dia. E a oportunidade se torna ainda mais especial quando se sabe que a apresentação foi uma das últimas do Kid Abelha — pelo menos até julho de 2007 — uma vez que eles farão um pit stop para cuidar de projetos individuais até então, conforme esta nota de seu site oficial:

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Apenas para não dizer que tudo são flores — e que todo evento do qual eu participo tem que contar com pitadas das famigeradas Leis de Murphy —, apesar de levar tanto filmadora quanto câmera digitais, descobri muito tardiamente que ambas estavam com suas baterias baixíssimas: O resultado foi que consegui apenas 20 minutos de filmagem — que, mesmo assim valeram cada segundo — e, no caso das fotos, apenas 4 se salvaram, justamente as que ilustram este post.

Mas que foi uma experiência e tanto, isso foi! 🙂

Como assim, é pirata?

Meu amigo Kadu dá o alerta:

  • Hebe Camargo garota propaganda da Microsoft, falando sobre as ââ?¬Å?vantagensââ?¬Â de usar o Windows Original.
  • A novela das oito da globo fazendo um draminha mexicano sobre a insegurança do uso de software pirata.
  • O que vem agora? O Latino inventar uma letra sobre linux chamada ââ?¬Å?melô do ping¼imââ?¬Â?

Quando leio um post como esse, acho interessante que se debata sobre software livre e software pago. Ainda mais quando se trata de um quesito tão interessante como são os sistemas operacionais. Nesta área, além do Windows, usarei como exemplo um fenômeno de popularidade dos últimos tempos: O já aclamado Ubuntu Linux.

Experimente navegar pela internet para perceber que não apenas nós blogueiros, mas também os jornalistas e toda a mídia especializada falam sobre diversas vantagens do Ubuntu: Além de ser 100% grátis — ou seja, quem quiser pode baixar um CD diretamente da web e instalar o sistema operacional inteiro rapidamente —, conta com atualizações automáticas através da grande rede e tem um time tão grande de envolvidos com seu desenvolvimento que a cada seis meses uma nova versão é lançada.

Fora que, atualmente, a utilização de um sistema Linux é tão simples, mas tão simples, que muita gente que antes se utilizava do argumento de falta de “amigabilidade” do Ubuntu agora já não tem mais do que reclamar: Além da interface de todas as distribuições modernas de Linux estar muito próxima da de sistemas como o próprio Windows ou o Mac OS, hoje em dia também se pode fazer virtualmente qualquer coisa no sistema de código aberto: Assistir filmes em DVD, televisão, ouvir música, navegar na internet, conversar através de VoIP, e muito mais. Ou seja, o Linux tem tudo para se tornar cada vez mais popular.

Mas popularidade, meus amigos, parece ser o grande dilema dessa história toda. Continuar lendo

E a sua colinha?

Vota Brasil Este ano, serei mais uma vez mesário e, desta vez, presidente de uma seção eleitoral. E faltando apenas quatro dias para que aconteçam as Eleições 2006, me sinto no dever de perguntar a vocês: Vocês já decidiram em quem vão votar? A colinha já está pronta?

Pode parecer impressionante que eu pergunte isso, mas trata-se de uma das coisas que mais atrasam o processo eleitoral. Muita gente espera chegar na frente da urna eletrônica para, só então, se dar conta de que não tem os números dos candidatos, seja em mente, seja escritos em um papel. E sem números, não se pode votar. Assim, se alguém ainda estiver procurando um modelo de colinha, criei um que você pode usar inclusive para distribuir para seus parentes e amigos. É simples, mas funcional. Aproveite e, depois que escrever, faça uma simulação on-line da votação.

Quanto   decidir sobre para quem vai seu voto, há vários mecanismos: O horário político obrigatório — que eu, particularmente, duvido que alguém use para tomar sua decisão, visto que muita gente prefere desligar a TV ou assistir a canais pagos, que não são obrigados a transmiti-lo, enquanto ele é exibido —, notícias de jornal e debates promovidos pelas emissoras entre os candidatos mais bem colocados são bons exemplos. Mas, se nada disso resolver, só posso aconselhar a escolher alguém de sua confiança. Alguém de quem, pelo menos, você conheça o passado e que não esteja envolvido em nenhum escândalo.

E se você não lembrar do número dos candidatos de cabeça, pode recorrer   consulta integrada disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, que lista todos os nomes concorrentes a todos os cargos, em âmbito nacional. Se você mora no estado de São Paulo, como eu, há uma lista em formato PDF que julgo melhor: Além de ser específica para os paulistas, ainda traz os candidatos e seus apelidos — que muitos usam para concorrer —, coisa que não está disponível na lista do TSE.

No mais, é desejar-lhes uma boa eleição. E pedir-lhes que votem com calma e consciência. Ainda acho que um voto responsável pode mudar muita coisa nessa situação que vive o país. É esperar pra ver.

Néctar

E nesta semana que passou, graças a um presente dado por um amigo, pude experimentar pela primeira vez o Frutty Abacaxi — através de duas garrafas inteiras com 600ml —, tendo plena convicção de que se trata verdadeiramente um néctar dos deuses.

O presente em questão me foi dado graças a um bate-papo anterior, onde comentei com este mesmo amigo que eu adoro refrigerante de abacaxi, e que não podia entender a falta de minha marca de escolha até então — o (finado?) Convenção Abacaxi — nos supermercados da minha cidade. Este amigo, que me disse na ocasião também gostar de refrigerante deste sabor, surpreendeu-me: As garrafas que me presenteou têm produção em São Gonçalo do Sapucaí, no sul de Minas Gerais. É verdadeiramente uma pena que já tenham acabado, tão rápido…

E já que estou mesmo falando em experimentar novos sabores, outra coisa extremamente surpreendente que provei esta semana foi a nova Fanta Discovery. Pra quem ainda não viu, ela foi lançada há algum tempo em latinhas de 350ml, posteriormente ganhando versão 600ml e, finalmente, a garrafa de 2 litros. Eu já havia experimentado uma latinha e resolvi investir mais: Esta semana uma das garrafas de 2 litros passou pelas minhas mãos e o sabor da nova Fanta — feita de laranjas vermelhas originárias da China — me pareceu tão chamativo quanto a cor na qual o produto vem, um vermelho mais que berrante. Também achei que valeu a pena experimentar.

Uma coisa interessante nestas minhas provas em busca de novos sabores é o consenso geral que percebo a respeito dos sabores considerados pouco ortodoxos de Fanta. Ninguém gosta deles, no geral. Todos acham horríveis. Mas eu, ao contrário, gosto. Será coisa de nerd? Ou será possível que mais alguma viva alma perdida por aí também goste deles?

Os 220 dias

Ajuste de contas. É isso que nós, brasileiros, somos chamados a fazer anualmente quando entregamos nossas declarações de imposto de renda ao governo federal, quer pessoalmente, quer através da internet. Confesso, aliás, que acho este um termo bastante engraçado pra se usar em um país como o nosso, em que o cidadão tem que arcar com uma das cargas tributárias mais altas do mundo: Em tributação direta em nossos salários, por exemplo, perdemos apenas para a Dinamarca.

E o que me assusta mais é a falta de visão dos brasileiros em geral com relação a um detalhe muito simples, mas que custa caro aos bolsos de todos: Somos nós, cidadãos comuns, e não as grandes empresas, quem tomamos prejuízo com impostos, que encarecem tudo, absolutamente tudo que compramos. Meu amigo Kadu, por exemplo, acaba de citar em um post recente, diversos exemplos de produtos que se tornam muito mais caros do que deveriam, devido à incidência de carga tributária que neles é aplicada.

Não é de hoje que, quando vou trabalhar de carro, ouço a excelente série da Rádio Jovem Pan, Brasil, o País dos Impostos. A série, que é composta de pequenos blocos diários com poucos segundos de duração, traz informações alarmantes sobre os impostos que estão embutidos em tudo, desde escovas de dentes e colchões, até automóveis e motocicletas. Para mim, informações deste tipo deveriam ser veiculadas também em rede nacional de rádio e televisão, para que todos ficassem realmente alertas.

Uma das coisas que descobri justamente na semana passada, quando milhões de pessoas corriam para entregar em dia seus ajustes de contas com a Receita Federal, é que apenas a partir do próximo dia 26 de maio é que nós, cidadãos comuns, passaremos a trabalhar para nós mesmos, nossos sonhos e nossas famílias. Isso porquê teremos que destinar, este ano, 145 dias inteiros de trabalho só para o pagamento de impostos. O saldo em favor do contribuinte, atualmente de apenas 220 dias, já foi muito maior, como se pode perceber ao ouvir um dos curtos blocos da série, veiculado na semana em questão.

Só pelo fato de saber que 47% do preço total de uma simples latinha de guaraná é composto de impostos, perco até a sede. Novamente muito bem citado pelo Kadu, o site De Olho no Imposto presta um ótimo serviço e é uma das ferramentas que alerta consumidores desavisados de que tudo está (sobre)carregado de impostos. É preciso, inclusive, que mais iniciativas do gênero apareçam.

Enquanto fica muito fácil e cômodo pro governo cumprir promessas realizadas em campanha onerando os próprios interessados nesses resultados — a população que, muitas vezes, como se vê, não tem sequer instrução suficiente para que possa reclamar seus direitos —, acho que ainda é possível darmos a volta por cima. Num país em que há poucos anos milhares de caras-pintadas saíram às ruas e exigiram seus direitos, derrubando um presidente, basta apenas que alguém dê o primeiro passo, ou melhor, faça a primeira marca de tinta no rosto, nessa batalha em que o inimigo a ser vencido é a má utilização do dinheiro público. Podemos começar, obviamente, nos filiando à campanha. É simples, rápido, e, nos moldes da modernidade, on-line.

Google Brasil

Que o Google possui um portal brasileiro há tempos, isso não é novidade pra ninguém. A interface do site é automaticamente traduzida para nosso bom e velho português sempre que alguém acessa um dos serviços da empresa, na maioria dos casos: Isso facilita bastante a utilização de seus recursos, principalmente para aqueles que, eventualmente, não dominam o idioma inglês.

Mas além da tradução para o português, que tal uma personalização mais a fundo dos serviços da empresa, para nós brasileiros? É o que penso estar em vias de acontecer, e muito rapidamente. Pelo menos, este é meu entendimento, depois de ter lido que Alexandre Hohagen, ex-gerente geral de operações da HBO no Brasil, foi contratado esta semana para assumir as operações da filial brasileira do Google. A empresa de Mountain View, na Califórnia, anunciou que a medida visa ampliar o alcance de seus negócios na América Latina. Para o reforço, além do escritório em São Paulo, uma filial mexicana também será aberta.

Eu, que me inscrevi há algum tempo no Google Adsense, vejo a medida com bons olhos. Trabalhando com uma base de clientes mais direcionada para o mercado brasileiro, anunciantes da terra brasilis terão mais foco do que atualmente, aparecendo com mais freq¼ência não só nos pequenos sites, como o meu, mas também nos grandes. A abertura de um escritório brasileiro, e o aumento da concentração no mercado latino-americano por parte do Google é só mais um fator que me faz crer que não é apenas nas inovações tecnológicas que a empresa pensa. Seu braço comercial também continua afiadíssimo.

Lap Popular em foco, de novo

Negociadores de 170 países diferentes reunidos para a Conferência Mundial sobre a Sociedade da Informação, que acontece até sexta-feira em Túnis, na Tunísia, podem até debater quem vai ficar com o controle da Internet mundial: que, aliás, parece que será mesmo papel dos Estados Unidos. Mas enquanto isso, é Nicholas Negroponte, fundador do laboratório de mídia do MIT — Massachusetts Institute of Technology — e alguém que já citei aqui há algum tempo atrás, que pode roubar a cena.

É que o inventor resolveu mostrar hoje ao mundo um protótipo de seu laptop de US$ 100. O produto tem que primar não apenas pela qualidade tecnológica, que precisa ser alta e barata, mas também pela capacidade de seus recursos, que precisam ser capazes de ensinar crianças de países subdesenvolvidos sem que elas precisem, necessariamente, de um professor. O Brasil, através do presidente Lula, já se comprometeu a adquirir pelo menos 1 milhão de unidades do produto.

Da última vez em que falei sobre o assunto, disse que a tecnologia da tela — um dos componentes mais caros do laptop popular — ainda estava em discussão. Mas parece que, embora o protótipo exibido ainda não conte com um modelo de display mais barato, técnicos do MIT já chegaram a algo que pode ser construído por menos de US$ 35. Além disso, a tecnologia empregada permitirá que as crianças leiam seus laptops nas camas, na posição vertical, como livros comuns.

Mas o problema principal a ser enfrentado talvez não seja o computador de US$ 100 em si: Críticos argumentam que laptops deste tipo não teriam grande utilidade em lugares onde nem mesmo livros-texto comuns existem, dependendo do caso, e onde a conexão com a Internet — que, no laptop, será realizada por rede wireless — é artigo de luxo, caríssimo. Seus defensores, que não são poucos, ao contrário, dizem que sua idéia é matar vários coelhos de uma única vez: o laptop popular chegará para proporcionar às crianças carentes bibliotecas, filmes, música, mapas e livros-texto, tudo em formato digital. Coisa que algumas delas nunca viram em suas vidas.

Como já disse antes, vale a pena ver qual será o desfecho dessa história toda.

A minha urna eletrônica

Certo. Os resultados do referendo já estão completamente apurados, e os brasileiros já disseram não, ou seja, não se poderá proibir o comércio de armas de fogo nem de munição no território nacional. Nesta vitória da democracia, apenas uma coisa já era certa desde antes mesmo do conhecimento do resultado final: As urnas eletrônicas, eternas aliadas da população, ajudariam os brasileiros — fossem eles meros eleitores ou mesários — a tornar as coisas muito mais rápidas e simplificadas.

Foi pelo rápido processamento de votos das urnas eletrônicas que ficamos sabendo o resultado do referendo tão rapidamente. Mas alguém já pensou que máquinas são essas que, desde 1995, ocupam as seções eleitorais e ajudam os brasileiros? A UE2000, modelo de urna em uso atualmente, foi homologada pelo governo desde 2000 e tem como principal função a coleta de votos e seu armazenamento, permitindo posteriormente sua transmissão. Sendo um computador, conta com memória de 256Mb, monitor de LCD, saída de áudio e interfaces USB, serial, PS/2, CompactFlash e Smart Card. Além destas especificações, conta ainda com teclado resistente a queda com inscrições em braile para auxílio aos deficientes visuais, bem como uma impressora térmica embutida e uma bateria interna que permite seu uso initerrupto por até 12 horas consecutivas — muito mais do que a duração de uma eleição.

Trata-se de uma obra prima criada 100% em território nacional: uma excelente ferramenta, sem sombra de dúvida. Qualquer brasileiro, seja lá qual for seu grau de instrução ou de familiaridade com computadores, pode operá-la com toda a facilidade. Mas mesmo assim, acho que algumas novidades já passaram da hora de serem implementadas. E em toda eleição que trabalho como mesário vou levantando uma ou outra idéia que acho que o governo deveria implantar para melhoria do equipamento.

Vou esclarecer que idéias são estas, compartilhando todas com vocês.

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É Amanhã!

Domingo, 23 de outubro de 2005. Então será amanhã que nosso tão estimado governo promoverá a mobilização de seus cento e vinte e dois milhões, cento e dois mil e setecentos e quarenta e seis eleitores para que deixem seus lares, levando em média cinco segundos para votar naquilo que, segundo muitos afirmam, mudará os destinos da população. O referendo que consultará a opinião pública, perguntando se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido em território nacional. O custo dessa operação toda? Algo em torno de 210 a 240 milhões de reais, vindos dos cofres públicos.

Exercer a democracia sempre foi o direito majoritário de todos os brasileiros. Mas este referendo adiantará de alguma coisa, em termos práticos? Seja a minha ou a sua resposta qual for, será que apenas proibir a venda de armas de fogo será suficiente pra mudar alguma coisa? É mais do que óbvio que não. Mas duas frentes populares, a do NÃ?Æ?O e a do SIM, ocuparam os televisores de muitos brasileiros duas vezes ao dia e durante dias a fio, numa batalha tão grande que parecia realmente que a simples resposta a esta questão fosse resolver todos os problemas da nação.

Onde estão as verdadeiras ações públicas do governo? Aquelas que quem vai às urnas durante as eleições, escolhendo com fé seus candidatos, deveriam cobrar, posteriormente, daqueles que elegeram? Esse sim é, verdadeiramente, um direito reconhecido. Onde estão brasileiros nas ruas, tal como na época do impeachment de Fernando Collor, com suas caras pintadas, cobrando mais segurança, educação e emprego? Afinal, acredito eu, as palavras é que são as verdadeiras armas do povo. E estas, ninguém pode lhes tirar.

E enquanto os governantes tiram a atenção do povo com o referendo, no Congresso e no Senado as histórias de cassação de deputados e senadores vão aos poucos se transformando em pizza. Tudo aquilo ao que os brasileiros deveriam estar realmente prestando atenção fica em segundo plano.

Em tempo, a confusão na cabeça das pessoas ainda pode ser bastante grande. Você precisa votar não se quiser que sim, e sim, se quiser que não. Não entendeu? Tente dar uma olhada aqui e ver se melhora. Agora falando sério, não deixem de ver os dois centavos do meu amigo Alexandre Inagaki sobre o desarmamento. E amanhã, vote com consciência. Ainda que não seja a solução definitiva.

ATUALIZAÃ?â?¡Ã?Æ?O: E, como eu previa, a vitória esmagadora do NÃ?Æ?O apenas veio comprovar aquilo que eu já imaginava. Os brasileiros não querem tirar de si próprios um direito adquirido. E viva a democracia!

Laptop Popular

Um assunto já amplamente comentado no início deste ano voltou à tona novamente hoje, não apenas nos sites de tecnologia especializados, mas também nos veículos de informação mais populares, como o Jornal Nacional, da Rede Globo. Estou falando do desenvolvimento, pelos pesquisadores do MITMassachusetts Institute of Technology —, em conjunto com um consórcio de cinco empresas, formado por AMD, News Corp, Red Hat, BrightStar e Google — de um laptop que terá o custo de apenas US$ 100.

Trata-se de um produto que virá apoiar o programa One Laptop per Child, iniciativa do instituto para melhorar a educação em países de terceiro mundo, dando a cada criança ao redor do planeta a possibilidade de possuir um computador. As primeiras beneficiadas serão as que moram no Brasil, China, Tailândia, Egito e frica do Sul, cursando escolas primárias e de segundo grau. A ambição do projeto é ter produzido, até 2007, nada mais, nada menos do que algo entre 100 e 150 milhões de computadores.

Existem algumas imagens do laptop popular on-line, e seu design parece bastante atraente. Com a parte externa de borracha, teclado e monitor culminam num cilindro que comporta a bateria de cada unidade. Acredito que a maior incógnita ainda seja a configuração do aparelho. Mas ela parece incluir um processador de 500 Mhz, memória de 1Gb, 4 portas USB, além do sistema operacional Linux. A tecnologia usada para o monitor também ainda está em discussão.

Iniciativas como essa me fazem pensar verdadeiramente em inclusão digital. Embora muito se fale nesse assunto, a maioria dos projetos que o governo tenta levar adiante ainda estão no papel. O que me atrai neste caso é o modelo de negócio que Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab do MIT, e um dos líderes do projeto, atribui ao One Laptop per Child: Já que o valor de US$ 100 será pago pelos governos dos países, ou por instituições de caridade, a idéia é que versões comerciais do novo laptop popular sejam colocadas à venda, por um valor aproximado de US$ 200. Então, cerca de 10 a 20% deste valor seria revertido para a fabricação de mais laptops para as crianças.

Será que esse modelo funciona? Aposto que será interessante acompanhar o desfecho dessa história toda.

Créditos: Por tempo indeterminado ou não?

Eu comentava há pouco com minha esposa que qualquer notícia envolvendo telefonia neste país é praticamente um enredo de telenovela. Sendo assim, como não comentar o capítulo mais recente dessa trama, que aconteceu numa velocidade surpreendente? Antes do feriado, a justiça proibiu as operadoras de celular Claro e TIM de estabelecerem prazos de validade para os cartões de recarga que elas comercializam. Esses cartões têm validade de 90 dias, estabelecida pela Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações brasileira e são usados, como bem se sabe, por milhões de proprietários de aparelhos que funcionam habilitados na modalidade pré-paga.

Logo em seguida, num exemplo perfeito para ilustrar o famoso ditado que diz que alegria de pobre dura pouco, a mesma justiça voltou atrás em sua decisão, cassando a liminar concedida anteriormente. A responsável pela cassação foi a desembargadora federal Selene Maria de Almeida, que considera que prazos de validade para esses cartões não ferem direitos dos consumidores, que têm pleno acesso às informações sobre o produto que estão comprando.

Mas o que mais me surpreendeu foi a opinião do advogado das empresas, Carlos Forbes. Para ele, créditos sem prazo de validade, inseridos em aparelhos pré-pagos, transformariam estes celulares em máquinas de receber chamadas, e não de fazê-las. Esse tipo de situação é o exemplo típico do que eu considero ultrajante. Por mais que as operadoras digam que não podem manter seus sistemas de prestação de serviços ativos sem que seus usuários ofereçam a contra-partida, consumindo créditos, há sempre a velha máxima de que o aparelho é do usuário, e que, sendo assim, ele deve ter o direito de recarregá-lo apenas quando bem entender.

Eu já havia feito essa comparação em posts anteriores, mas vou fazê-la novamente: Para mim, celulares pré-pagos são como o tanque de gasolina do seu carro. Você só gasta gasolina quando anda com o carro e, se ficar sem usá-lo durante 90 dias, ao final deste período ainda poderá se deslocar por onde bem entender, desde que haja, obviamente, combustível suficiente. Você comprou e pagou pela gasolina, portanto pode usufruir como bem entender.

Os créditos dos pré-pagos deveriam ser idênticos. Você compraria um cartão de recarga de qualquer valor e originaria suas chamadas quando bem entendesse. Você teria esse direito, porquê pagou pelo que comprou. E não comprou uma verdura ou legume, perecível. Comprou um serviço, que devia poder usar quando bem entender. É por isso, por exemplo, que discussões como a obrigatoriedade do pagamento da taxa de assinatura dos telefones fixos continuam acontecendo.

As empresas, que, a meu ver, já ganham bastante oferecendo alguns serviços diferenciados, querem alimentar suas próprias contas bancárias. No caso das operadoras de celular, há sempre aqueles que têm conta pós-paga. Com a venda de serviços, ringtones e jogos para celular, movimentam mercados que, por si só, já são igualmente milionários. Mas enquanto não abrirem mão desta validade imposta dos créditos, continuarão sendo as vilãs desta novela sem fim.

Delator de Consumo

Parece que nós consumidores vamos mesmo sair ganhando com as novas regras de telefonia que começarão a vigorar no país no começo do mês de janeiro de 2006. Não é apenas a tarifação do uso dos serviços de telefone — que passará de pulsos para minutos — que será diferente. A exemplo do que acontece com algumas operadoras de TV a cabo ou via satélite, o assinante ganhará o direito a suspender sua linha por um período que pode variar entre 60 e 120 dias, não pagando a assinatura durante esse tempo. Ã?â??timo pra quem vai se ausentar em férias ou viajar a trabalho, por exemplo.

Mas uma coisa ainda mais interessante deve se tornar real: As operadoras, que já se verão na obrigação de fornecer a seus clientes informações mais detalhadas sobre o que está sendo cobrado deles, poderão também se ver na necessidade de instalar dispositivos para medição do consumo de pulsos telefônicos, tanto nos aparelhos fixos, quanto nos móveis.

Trata-se de um projeto do senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), que visa proteger os consumidores justamente das cobranças abusivas feitas pelas operadoras. Imagino que a coisa funcione como um limitador de gastos. Não há detalhes mais específicos sobre o aparelho — e nem sobre o projeto em si, que foi aprovado no senado no último dia 30, e foi encaminhado para votação pela Câmara dos Deputados ontem —, mas eu imagino que seja algo do tamanho daqueles identificadores de chamada já tão populares. Um visor de LCD, um marcador de minutos já utilizados, bem como o gasto representado por eles e pronto. Economia instantânea pra milhões de brasileiros que antes se viam à mercê dos pulsos.

Idéia mais do que apoiada. É preciso dizer mais?

Antes que eu me esqueça…



Outro dia mesmo estava falando sobre o referendo do próximo mês de outubro e, inevitavelmente, citei algo relacionado a democracia. A mesma democracia brasileira de sempre me escolheu (como se esse fosse mesmo um grande sorteio ou concurso, em que você ou eu esperássemos ansiosamente para sermos contemplados) para trabalhos como mesário durante a realização da consulta popular. Isso porquê, como se pode reparar, minha participação será de extrema importância para a lisura e transparência do processo eleitoral.

O processo eleitoral atual é falho. Já falei nisso antes, e já falei porquê acho isso. Acho que democracia é escolha, por livre e espontânea vontade, por livre arbítrio. Não se trata de obrigação. Vota quem quer, e assim, vota mais consciente. É um referendo? Escolhe quem quer escolher. Não deveria haver necessidade de avisos como o do último parágrafo de minha convocação — à qual fui obrigado a atender, sob penas legais, caso não o fizesse —, que diz que “o serviço eleitoral é obrigatório”. Quem não sabe disso? E quem não gostaria de mudar isso?

Me lembrei do diálogo com a moça do cartório, no dia em que fui buscar minha convocação oficial, onde ficam data e hora do comparecimento, treinamentos, etc. Ela me disse, embaraçada, que não sabia o porquê do governo estar promovendo essa consulta com relação ao desarmamento. Ela sabia — tanto quanto eu, aliás — que, independente da opinião vencedora, quem quiser continuar a ter armas em casa o fará. Por bem ou por mal. De um jeito ou de outro. E eu não tiro, assim como imagino que vocês também não, a razão dela.

Quem quiser ter arma vai continuar tendo. Isso torna o referendo falho. A democracia falha. Uma piada de mau gosto com o direito de escolha do cidadão brasileiro. Digo e repito: É hora do fim do serviço eleitoral obrigatório. Hora de serviço eleitoral remunerado e de voto facultativo. Até quando esperar?

O Tal do Referendo

Talvez a paternidade recente esteja me deixando cansado. Talvez seja só pura falta de tempo. De qualquer forma, só ontem é que fiquei sabendo, conversando com meus pais, que o governo brasileiro está às voltas com a organização de um referendo popular que visa consultar a opinião da população brasileira com relação à proibição da venda de armas de fogo e munição em território nacional. A consulta, que deverá usar as urnas eletrônicas, como numa eleição normal, consistirá em responder sim ou não à pergunta aprovada pelos parlamentares: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”

No próximo dia primeiro de agosto terá início uma campanha publicitária custeada por cada uma das posições a respeito do assunto. Um mês antes do referendo, que será realizado no próximo dia 23 de outubro, um horário gratuito será veiculado à programação das emissoras de rádio e TV nacionais. De um lado, teremos a posição contra a venda de armas, representada pela Frente Parlamentar Brasil Sem Armas. Do outro, os defensores do direito à auto-defesa, a Frente Pró-Legítima Defesa.

Sou obrigado a defender meu ponto de vista a respeito desse tema. E minha defesa consiste em abordar dois pontos distintos. O primeiro tem relação direta com a venda de armas. O segundo, com o tal do referendo em si, muito bem definido por um amigo meu como consulta obrigatória à opinião popular.

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Será que cai?

Quem é que não concorda comigo que a discussão sobre a assinatura obrigatória que as operadoras de telefonia fixa cobram de seus usuários é um assunto mais do que polêmico? Já abordei essa questão aqui por diversas vezes (a última vez, em julho de 2004), e agora vou falar novamente sobre essa questão. Isso porquê acredito piamente que trata-se de uma cobrança abusiva, não importa o quanto as empresas do setor — agora todas privatizadas — defendam que a operação lhes traz lucro.

Acontece que é a vez do ministro das comunicações do governo Lula, Hélio Costa, defender esta causa. O ministro acredita que as operadoras devem rever os valores cobrados dos assinantes, e está à frente de uma negociação que visa reduzir em pelo menos 15% o valor da tarifa. A estratégia que ele defende, baseada em estudos encomendados à técnicos do governo esta semana, envolve acabar com a franquia de 100 pulsos que hoje é cobrada nacionalmente.

A idéia de Hélio Costa é simples: Redução gradativa da franquia, seguida por uma proposta, vinda das próprias operadoras envolvidas — Telefônica, Telemar, BrT, Sercomtel e Algar — para acabar de vez com a cobrança. Nada me parece mais justo. O que me deixa preocupado, na verdade, é a quantidade de vezes em que esse assunto já veio à tona. Ora puxado por um representante do governo, ora por outro, a questão parece que talvez ainda se estenda por algum tempo. De qualquer forma, vou ficar, como sempre, na torcida: Um valor médio de R$ 40 passar para cerca de R$ 34 já terá sido um ótimo primeiro passo. Mas a ausência total de cobrança, além de ser mais justa — eu, por exemplo, mal uso 10 dos 100 pulsos de franquia mensal que possuo —, permitirá, como vi na própria reportagem em que li, que uma parcela da população que não tem acesso ao serviço de telefonia atualmente, passe a contar com ele. Inclusão social. Soa bonito, é nobre e eu acho que é o caminho correto. Tudo se resume numa única coisa: Boa vontade.

Update: E parece que ainda não vai ser dessa vez. Tudo nesse país demora muito. E esse caso vai é ficar enrolado de novo.