Bebeu durante seu vôo? Prepare-se para pagar mais

Igual   pipoca no cinema, oras.

Igual pipoca no cinema, oras.

A US Airways, sexta maior companhia aérea norte-americana, começou, desde a última sexta-feira, a cobrar pelas bebidas em seus vôos domésticos. É isso mesmo: Sendo passageiro da empresa, a partir de agora, se você quiser um copo d’água, terá que pagar US$ 2. O mesmo preço se aplica a refrigerantes, enquanto que chás e cafés sairão mais em conta, por apenas US$ 1.

De fora da nova medida ficarão apenas os passageiros da primeira classe, além daqueles que estiverem em vôos internacionais e algumas outras poucas excessões. Li no Wall Street Journal que a mídia especializada no assunto vê essa medida como uma manobra inteligente da companhia para mascarar o aumento no custo operacional da aviação comercial, sem que os preços das passagens sejam reajustados diretamente.

É verdade que as empresas aéreas têm buscado mais e mais maneiras de diminuir suas despesas. Cobrar pelas bebidas, aliás, já é uma medida adotada por outras companhias low cost — aquelas popularmente conhecidas por servirem amendoins ao invés de refeições a seus passageiros — como a US Airways, em troca de preços mais baixos nas passagens.

Sinceramente, acho que essa medida vai acabar se transformando numa tendência mundial, inclusive com reflexos nas companhias brasileiras como a Gol, por exemplo. Enquanto há casos como o da Continental Airlines — que declarou que não deve cobrar pelas bebidas dos passageiros por acreditar que isso diminuiria o seu conforto —, outras empresas aéreas, como a American Airlines, a Delta Air Lines e a Northwest Airlines já anunciaram que, embora não pensem no mesmo tipo de cobrança imediatamente, continuarão a procurar outros meios de evitá-la.

As empresas aéreas que já fazem essa cobrança, por exemplo, como as — para mim, pelo menos — desconhecidas Spirit Airlines e Allegiant Air, argumentam que seus passageiros aprovam a idéia de adquir passagens “mais baratas” e de maneira descasada: Voam pagando apenas pelo vôo, consumindo — apenas se quiserem — bebidas e lanches a um custo extra.

Pode parecer estranho que eu defenda essa medida da US Airways como uma tendência, mas acontece que, pensando bem sobre o assunto, a coisa não é diferente de quando se vai ao cinema: Lá, quando queremos pagar apenas pelo ingresso para assistir a um filme, isso é possível. Por lá, pipoca, refrigerante e balas já são pagos   parte…

8 Coisas…

Meu compadre Neto Cury me convidou a participar de um meme em que eu preciso listar 8 coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer. É bom que fique claro que algumas das coisas podem parecer clichês, mas são a mais pura verdade. Então vamos lá, sem nenhuma ordem em especial:

  1. Aprender todos os idiomas do mundo. Olha, eu não sei se consigo aprender todos, mas gostaria de aprender vários. Tenho muito interesse por línguas, e facilidade em aprendê-las. Novamente, por ora, falta-me tempo.
  2. Ler pelo menos 1000 livros. Eu tenho isso como meta desde que me conheço por gente. O que acontece é, pra variar, falta de tempo. Quem sabe mais adiante, eu consiga ler vários livros por mês, semana, etc. e isso fique mais próximo de se realizar, não é mesmo?
  3. Escrever um livro. Toda vez que eu saio de férias, aliás, me lembro dessa história. Preciso é criar vergonha na cara, tirar as idéias da cabeça e começar definitivamente a passá-las para o computador. Quem sabe, com a coisa pronta, eu consiga até publicar, não é?
  4. Ter mais um filho. Ou filha. Mas o que Deus puder me enviar, estará bom, pois será muito, muito amado, ou amada. O que importa é ter dois pequenos correndo pela casa 🙂
  5. Construir uma bela casa pra morar com a família. Moro atualmente num apartamento, e quero muito construir uma casinha do meu jeito, com todo o conforto merecido. Acho que não é pedir demais, e ainda deixar os filhos curtirem o espaço, né?
  6. Poder trocar de computador pelo menos uma vez por ano. Manter um equipamento top de linha comigo, sempre. Esse é um plano audacioso, mas um dia eu quero muito poder ter essa liberdade.
  7. Abrir meu próprio negócio. Relacionado   informática, é claro. Se bem que eu poderia muito bem tocar uma livraria, pois adoro ler. O importante é ter sucesso.
  8. Fazer todo o turismo que eu puder. O Neto que me perdoe pela aparente falta de originalidade, mas eu também compartilho desse desejo dele. Ainda mais podendo levar a família toda comigo, seja pelo Brasil, seja no exterior.

Agora chegou a minha vez de passar a bola oito adiante. Convido a responder o meme a Patrícia Muller, o Massao, o Otávio Cordeiro, o Emerson Alecrim e, finalmente, meu amigo Rodrigo Ghedin. Mas, pra quem sentir vontade de responder também, sinta-se   vontade, é claro.

Eu não pedi seguro nenhum e ponto

Parece que não tem jeito mesmo. Quando não é algum problema que passo graças aos atendimentos telefônicos aos quais me submeto com os serviços que possuo assinados, a coisa acontece ali, ao vivo, em carne e osso, mesmo.

Ocorre que ontem fui com a família dar uma volta no shopping — um programa típico para um domingo — e entramos nas Lojas Renner. Lá dentro, a esposa acabou gostando de uma blusinha de moleton pro filhote, e nós acabamos resolvendo levá-la.

Decidimos parcelar o valor total da compra — nada alto, aliás, de apenas R$ 29,90 — pelo cartão da loja, no máximo de vezes possível em que não me incorresse nenhum tipo de juros. Eu odeio juros. A moça que me atendia ao caixa disse que seria possível, nestas condições, um parcelamento em três vezes, o que solicitei que fosse feito.

Quando conclui o processo de compra, no entanto, vi que no slip do caixa constavam três parcelas de R$ 11,33, cuja soma arredondada era R$ 34,00. Imediatamente relatei   operadora do caixa que as parcelas tinham juros embutidos, pois não resultavam no valor original da blusa comprada.

Esta moça, por sua vez, me disse que os R$ 34,00 estavam ali porquê, incluído nas parcelas, estava um seguro desemprego que garantiria a quitação da minha dívida em qualquer eventualidade. Reclamei, pois não havia solicitado seguro de qualquer tipo, e me vi obrigado a ir até o crediário, pois no caixa o sistema não era capaz de fazer o cancelamento do seguro.

Já transtornado o meu domingo, lá fui eu para o crediário. Cheguei lá, disse que não era direito embutirem um seguro nas minhas parcelas sem que eu tivesse assim solicitado, e fui prontamente atendido. Tá, não fui atendido prontamente, levou uns 10 ou 15 minutos, mas, depois disso, um encarregado, após muita conversa, conseguiu tirar o tal seguro de minhas parcelas, que voltaram a ficar verdadeiramente sem juros.

Pedi ao mesmo atendente um formulário de reclamações e tive que encarar os olhos arregalados dele. Este, por sua vez, me entregou um formulário — “eu vou buscar lá dentro e trago pro senhor” —, que preenchi solicitando retorno, após reclamar que os funcionários da loja precisavam receber melhor orientação e treinamento, e que nenhuma loja em sã consciência deve incentivar comportamentos assim.

Saí do crediário sob comentários da esposa — “você cria caso por muito pouco” —, ao que respondi que o problema de nós, brasileiros, é justamente esse. Ninguém reclama daquilo que está errado, mesmo que esteja. O errado mesmo seria pagar por algo que não pedi. E aí ela me deu razão. Espero que a loja, que tem cinco dias úteis para me responder a reclamação, segundo a própria política estabelecida por ela, também dê. Agora é esperar…

Contra a censura ao CQC!

O meu nobre amigo Kadu nem deve saber, mas por conta dele eu me tornei um assíduo espectador do programa Custe o Que Custar — muuuuuito mais conhecido por CQC —, exibido  s segundas-feiras,  s 22h15 da noite e aos sábados,  s 20h15, pela Rede Bandeirantes de Televisão.

Para quem ainda não o conhece, o CQC trata os principais fatos da semana — sejam eles políticos, artísticos ou esportivos — de maneira irreverente, satírica e humorística, brincando com as informações de maneira descontraída. Apresentadores e repórteres — todos vestidos de terno, gravatas pretas e óculos escuros, no melhor estilo homens de preto — comentam suas abordagens a pessoas públicas, como políticos, celebridades e jornalistas, com perguntas pouco discretas e picantes.

Para mim, trata-se de uma mistura inteligente de humor e informação.

Mesmo sendo fã de carteirinha do CQC, acabei não acompanhando o programa na última semana. Foi justamente nesse período que seus repórteres foram proibidos de obter credencial para entrar no Congresso Nacional, o que pra mim é um absurdo total para a época e o regime democrático em que vivemos, assim como diz Marcelo Tas — âncora do show — em seu blog:

Trabalho fazendo entrevistas no Congresso Nacional desde 1984, na pele do repórter Ernesto Varela, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar do Presidente João Figueiredo, (…) 25 anos depois, por conta do mesmo tipo de pergunta, não previsível e irreverente, o eminente primeiro-secretário do Senado veta a emissão de credencial para que jornalistas do CQC, da Band, tenham acesso   Casa. Nem durante a ditadura sofri esse tipo de privação do direito da livre expressão na Casa do Povo. (…) Mais do que nunca é hora de lutar contra a censura, que bate novamente   nossa porta.

Eu estou particularmente indignado.

Não vivemos mais no regime militar, ou em época de censura. Mesmo assim, o primeiro secretário do Senado, senador Efraim Moraes (DEM) decidiu impedir a obtenção das credenciais. No último dia 18 de junho os jornalistas da Rádio Bandeirantes e da Bandnews FM, André Giusti, Sonia Blota, José Paulo de Andrade, Salomão Ésper e Joelmir Beting comentaram a censura e se indignaram contra ela, assim como eu:

[audio:http://danielsantos.org/midia/18062008_cqcnocongresso.mp3]

Felizmente, um abaixo-assinado para que os repórteres do CQC possam voltar a entrar no nosso Congresso Nacional está online e, se você quiser — assim como eu já fiz — pode colaborar e fazer valer a voz do povo, cobrando a volta da permissão de acesso destes profissionais  s dependências da Casa.

No fundo, acho que essas coisas acontecem porquê o nosso país ainda não está acostumado com esse tipo de jornalismo — uma vez que o CQC muitas vezes coloca o dedo na ferida sem dó nem piedade e faz essas perguntas picantes, mas que são coisas que todo brasileiro mais esclarecido já sentiu vontade de perguntar a nossos governantes. Espero que essa história mude em breve, porquê senão sentirei vergonha desse tipo de episódio na nossa história.

Unificar a língua portuguesa não vale o esforço

Eu costumo comentar com amigos, de vez em quando, que nós brasileiros podemos nos considerar pessoas abençoadas pelo simples fato de sabermos falar a língua portuguesa. Sempre digo isso porquê nunca considerei nosso idioma — falado por mais de 230 milhões de pessoas em 9 países em que é o idioma oficial — um idioma fácil de se aprender.

Não é preciso que eu diga. Por mais que eu acredite que emprego bem a escrita do português, por exemplo, há certas frases e palavras que me causam dúvidas tão grandes que muitas vezes penso em não utilizá-las. Na mesma medida, todos nós sabemos o quanto compreendemos e empregamos bem o idioma, e que para qualquer número de pessoas que consideremos que falem ou escrevam bem em nossa língua, haverá um número pelo menos três vezes maior de pessoas que a falam ou escrevem mal. Isso acontece porquê as regras são inúmeras, e nem sempre nos lembramos de todas elas.

[flv:http://danielsantos.org/midia/EFCGJ_T_831618_flvbl.flv 480 368]

Tendo falado sobre estes pontos, me sinto obrigado a comentar que, desde o último dia 23 de maio, quando foi ao ar a reportagem do Jornal Nacional que eu reproduzo acima, anunciando a unificação da língua portuguesa em quatro países membros da CPLPPortugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe — que eu estou deveras incomodado com esta questão. Assim como citado na tal reportagem, numa língua tão rica como a nossa, em que as dúvidas são mais do que normais, qual será o impacto de termos que reaprender a escrever? Mais importante ainda, será que vale o esforço?

Segundo o meu entendimento da questão, os signatários desta unificação do idioma estão defendendo tal proposta basicamente para facilitar a compreensão do idioma de maneira global.

É realmente verdade que há diferenças entre algumas palavras do português, dependendo de onde ele é falado. Um amigo meu lá do trabalho, por exemplo, que teve a oportunidade de trabalhar para uma empresa portuguesa, sempre nos diverte citando uma série de diferenças entre as palavras lusitanas e as brasileiras. O pequeno almoço, o puto — que em Portugal designa uma criança pequena — e as letras e gue, que por aqui são o jota e o , respectivamente, são exemplos dessas diferenças entre as palavras do português falado em Portugal e o português brasileiro.

Para mim, no entanto, apesar de correr o risco de parecer simplista, estes exemplos são apenas regionalismos. O que eu quero dizer é que, para mim, o português brasileiro difere do português lusitano na mesma medida em que há diferentes palavras e expressões — menino e guri, calçada e passeio — dentro do próprio Brasil.

E como unificar estes regionalismos para facilitar a compreensão universal do português será impossível, o foco da medida que foi aprovada e deve entrar em vigor por aqui a partir de 2009 é nas diferenças de fonética e léxico das palavras. Com relação  s mudanças no Brasil eu acho que já passava da hora dessas:

  1. Cai o trema. Que bom, já vai tarde. O que eu já vi de gente que escreve tranquilo e linguiça ao invés de tranq¼ilo e ling¼iça garantirá que a regra seja cumprida por uma grande parcela da nossa população que, no final das contas, agradece pela oficialização do desuso de um sinal gráfico desses, que está na berlinda há tempos.
  2. Passam a fazer parte oficialmente do alfabeto as letras K, W e Y. O alfabeto passa a ter 26 letras. Essa também é uma regra, para mim, criada com a finalidade de cumprir tabela. Já temos nomes próprios com essas letras, e gente usando K, W e Y adoidado.

No entanto, me incomodam o fim do acento agudo nos ditongos abertos oi e ei — idéia e heróico viram ideia e heroico —, o fim do acento circunflexo em palavras com duplo o e evôo e vêem viram voo e veem — e até mesmo a mexida nos acentos diferenciais — aqueles que servem para mostrar que para e pára são coisas distintas — e nos hífens.

Esse meu incômodo parte principalmente do fato de que já usamos grafias diferentes há praticamente cinco séculos, e, se a questão é unificar, deveriam ser aceitas todas as formas de se escrever em português já existentes. Parece bobagem, porquê na prática ficaria tudo igual, mas basta pensar que hoje, apesar das pequenas diferenças, qualquer brasileiro consegue pegar um livro escrito em Portugal, lê-lo e entender o que se passa, e vice-versa.

Me senti mais tranq¼ilo ao ouvir ontem, enquanto ia para o trabalho de carro, que o escritor Ruy Castro, jornalista que colabora como colunista da Band News FM de São Paulo, vai ao encontro de alguns desses pontos que eu citei, e ainda por cima compartilha de outro incômodo que tenho. A seguir eu disponibilizo esta coluna dele.

[audio:http://danielsantos.org/midia/Ruy_Castro_Band_News_FM_030608_reforma_lingua_portuguesa.mp3]

Já que é inevitável, Portugal — onde apenas 1,6% das palavras devem ser alteradas — pediu vários anos para se adaptar   unificação, enquanto que, por aqui, pedimos apenas um ano e meio. Isso significa, como diz o Ruy, que alguém deve estar pensando em faturar em cima dos montes e montes de dicionários e livros que deverão ser inutilizados para que as novas regras possam começar a valer, pelo menos por escrito.

O fato é que, mesmo que alguém queria relevar essa minha última colocação porquê pode parecer muito com uma teoria da conspiração, continuo achando essa unificação uma coisa desnecessária. Talvez não para as gerações futuras, mas, por ora, para a média da população brasileira, já tão carente de cultura em geral, será um obstáculo a mais a ser superado na comunicação, representado nesta medida que necessitará de investimentos que poderiam estar sendo realizados em outras carências que bem sabemos serem bem mais importantes do que esta.

As Aventuras do Mundo Playmobil

Pode até ser que alguns de vocês achem que este artigo aqui tem cara daqueles emails que a gente recebe no estilo sessão remember, mas eu não vou resistir e ponto.

Acontece que andando ontem pelo shopping com o filhote, entrei em uma loja de brinquedos — lugar que meu filho simplesmente adora visitar — e eis que me deparei com um bando de gente aglomerada junto a uma das prateleiras. Imaginei se tratar simplesmente de pessoas que estivessem admirando o melhor brinquedo de todos os tempos da última semana, mas não era bem assim… quem estava amontoado era um grupo de adultos.

Cheguei um pouco mais perto e vi que o que eles admiravam eram caixas de diferentes tipos de brinquedos da linha Playmobil. Meu queixo quase caiu, e se você tem pelo menos 30 anos como eu, deve entender o motivo disso, e da admiração dos adultos, e não necessariamente das crianças em torno da tal prateleira.

Criada em 1970 e produzida desde então por uma empresa alemã, o Grupo Brandst¤tter, e por uma série de outras fábricas ao redor do mundo, a linha de brinquedos Playmobil, incluindo aí os bonecos, seus acessórios, roupas, animais, veículos e tudo o mais marcaram a minha infância e a de muita gente da mesma idade.

Na hora em que vi os bonecos naquela loja, me juntei aos demais adultos atônitos e me vi imediatamente transportado   vários dos dias da minha infância que eu passei brincando com os playmos, que era como a gente chamava os bonecos entre os amigos: “Ei, vamos brincar de playmo?”, eu podia até ouvir. Ao longo de diversos anos eu fui juntando vários bonecos que ou eu ganhava de aniversário e Natal, ou eu juntava mesada pra comprar.

Eu não vou lembrar ao certo em quanto tempo eu juntei a minha coleção, mas sei dizer que eram todos bonecos da Trol [foot]Embora a Trol não tenha vivido tempo suficiente para ter seu site na internet, um site em português bem nostálgico para quem quer lembrar de alguns brinquedos da empresa está no ar.[/foot], uma empresa que era propriedade do Dilson Funaro, ministro da Fazenda do governo do ex-presidente José Sarney, e que fechou as portas um ano depois da sua morte, em 1990. De qualquer forma, a data coincide com meus 13 ou 14 anos de idade, que é exatamente até quando mais ou menos eu fui deixando o Playmobil de lado.

 

Eu nunca deixei que meus pais dessem a minha coleção pra ninguém. Deixava darem outros brinquedos, mas esses eram sagrados. Sempre disse pra eles que um dia, quando eu tivesse filhos, iria querer deixar que eles brincassem com Playmobil. Como eu tinha me esquecido disso, agora só preciso procurar na casa deles onde foi que helicópteros, veículos, cavalinhos e todos os bonecos que eu tinha ficaram…

Mas voltando   história da loja, em meio ao espanto de vários adultos, pensei: Será que o Playmobil voltou a ser fabricado no Brasil? Depois da Trol ele foi feito pela Estrela e pela Calesita, embora nenhuma dessas duas hoje produza a linha ativamente por aqui. Peguei uma caixa e matei a charada: Vi que se tratava de material importado, trazido pra cá pela Sunny Brinquedos [foot]Infelizmente, até o momento em que escrevi este artigo, não há nenhum dado sobre Playmobil no site da empresa. Pode ser, é claro, que isso mude.[/foot].

Alguns novos Playmobil dessa linha importada pela Sunny estão ilustrando este artigo em ritmo de saudade. O legal é que além das caixas pequenas que já existiam antes, agora também existem algumas maletas com diversos bonecos e acessórios da linha, que servem pra que você transporte tudo pra cima e pra baixo, igual ao que a criançada faz com os famosos carrinhos de metal, pra brincar em qualquer lugar.

A qualidade parece ser surpreendente: Os brinquedos são muito bonitos e sua variedade é a mesma que sempre foi uma característica da linha. Também parecem ser, a exemplo daqueles da Trol que eu juntei ao longo dos anos, bem resistentes.

Sendo bastante sincero, com o aniversário do filhote chegando nos próximos dias, eu não vou resistir e terei que comprar pelo menos uma dessas maravilhas, pra que eu mesmo possa reviver um pouco dos melhores momentos da minha vida ao mesmo tempo em que ele brinca com essa jóia do tempo…

Eu quero mandar vídeos pro Flickr. Mas não dá.

Já fazem pelo menos três anos que eu sou um usuário pro do Flickr. A grande justificativa por trás disso é a facilidade de compartilhar mídia com familiares e amigos que moram longe do pessoal aqui de casa, e, é claro, o espaço ilimitado para armazenamento de conteúdo que a conta diferenciada me permite. Durante todo esse tempo, quem me acompanha aqui no blog sabe que, em 99,9% das vezes, eu elogiei o serviço prestado pelo Yahoo, ficando muito satisfeito com ele.

Mas agora os 0,1% restantes estão querendo botar as manguinhas de fora, e eu explico.

Quando foi anunciado pelo Flickr o suporte   hospedagem de vídeos para contas pro, eu comentei por aqui que era o que estava faltando para minha felicidade total: Até então eu não dispunha de maneiras simplificadas para compartilhar meus vídeos, e fiquei muito satisfeito com a novidade. Enviei uns dois ou três vídeos para a minha conta, primeiro usando com sucesso a extensão FireUploader para o Firefox, e em seguida através da versão 3.1 do Flickr Uploadr.

No sábado passado, após uma festinha que aconteceu na escolinha onde meu pimpolho está estudando, lá foi o papai coruja descarregar seus vídeos para o computador, para enviá-los para o Flickr. E foi justamente a partir daí que nada mais deu certo.

Como estou usando Ubuntu Linux, fui tentar instalar a extensão FireUploader para fazer o serviço descomplicadamente, apenas para descobrir que ela (ainda?) não é compatível com a versão beta 5 do Firefox 3 que vem instalada por default com o Hardy Heron. Tentei, na seq¼ência, instalar o Firefox 2 em paralelo com a versão mais nova, mas mesmo depois disso feito e da extensão instalada, uma surpresa me aguardava: O FireUploader mostrou meus arquivos de fotos — todos JPG —, mas nada de reconhecer os filmes da câmera, todos em formato MPG oriundos de uma Sony Cybershot.

Começando a ficar extremamente preocupado, reiniciei a máquina na partição Windows XP que eu ainda tenho, e onde o Firefox 2.0.0.14 tem a extensão FireUploader ativa e — até onde eu sabia — funcionando. Mas nada de reconhecer os filmes por lá, também. A partir daí, já que estava mesmo no Windows, resolvi tentar a sorte com o Uploadr, mas também me deparei com um problema: Os vídeos começaram a ser enviados normalmente, mas acabaram travando aleatoriamente sem quaisquer explicações mais detalhadas, sempre com um erro irritante — o famigerado bonk, que é praticamente a blue screen of death do Flickr — que quem usa essa ferramenta já deve ter vivenciado pelo menos uma vez.

Pensei em recorrer ao jUploadr, um excelente cliente desenvolvido em Java que já usei antes, compatível com Linux, Windows e Mac, mas vi que o programa parou no tempo, talvez justamente por falta de tempo do desenvolvedor em tocar o projeto, ou sabe-se lá o que mais: A versão mais recente do programa, a 1.2, ainda não suporta o envio de vídeos, e parece que não há nenhuma previsão para uma versão 1.3 ou superior, o que acho uma pena, por sinal.

Ferramentas de terceiros na minha conta do Flickr

Ainda disposto a enviar os vídeos de sábado para a minha conta — afinal eu sou brasileiro e não desisto (quase) nunca —, comecei a experimentar uma verdadeira enxurrada de clientes de upload diferentes, para ver se algum deles me atenderia. Fiz isso alternando programas para Ubuntu e para Windows, mas não consegui nada. Me parece que o problema é mais grave, e que não tem relação  com qual cliente eu uso para enviar conteúdo para o Flickr, e sim com algum bug interno.

Depois de algum tempo — na verdade, até agora, 4 dias seguidos — procurando a ferramenta ideal, eu honestamente cansei. A figura acima mostra quantas tentativas diferentes eu fiz para tentar enviar pelo menos um vídeo para a minha conta no serviço, sem sucesso. Agora, snceramente, tudo o que eu mais quero é que alguém explique o que pode estar acontecendo, já que no fórum de suporte a coisa também parece estar sem resposta.

Assim, eu só espero que estes 0,1% de insatisfação com o serviço que me acometem neste instante sejam tratados o mais rápido possível, pois não gostaria de ter que trocar o Flickr por outro serviço nesta altura do campeonato. Enquanto a questão não se resolve, no entanto, esse percentual tende a aumentar.

Ah… tem mais alguém passando por isso aí fora?

O Papa Digital

Certamente vocês se lembram daquela música de uma popular banda gaúcha brasileira, que dizia que o Papa é pop. Bom, sem entrar no mérito da popularidade, pelo menos uma coisa que no futuro será possível afirmar sobre Bento XVI é que ele é um Papa Digital.

Digo isso porquê, a partir do próximo dia 15 de julho, data em que se iniciará na Austrália a próxima Jornada Mundial da Juventude — um evento anual criado pelo Papa João Paulo II em 1985 que reune católicos de todas as partes do mundo —, Bento XVI começará a enviar mensagens SMS com conteúdo inspirador e de esperança a seus fiéis mais jovens.

Segundo declaração do bispo Anthony Fisher
feita ontem, essa iniciativa foi tomada pela Igreja Católica para que a conexão com os cerca de 225 mil jovens católicos australianos, todos atentos  s mais recentes tecnologias, se torne uma experiência única e inesquecível.

A experiência será aparentemente ainda mais ampla com o fornecimento, pela empresa australiana Telstra, de links de voz, dados, telefones celulares e banda larga aos participantes, que também poderão interagir através de paredes digitais de oração.

Para o evento deste ano, a Telstra planeja conectar 8000 voluntários, 2000 clérigos e 3000 representantes da mídia, além de todos os peregrinos católicos que se concentrarão em mais de 700 locais próximos da capital australiana.

Fico realmente impressionado com tal iniciativa com vistas   tecnologia, uma vez que sempre considerei a Igreja Católica um tanto quanto conservadora em certos aspectos. Acho que isso pode representar o começo de uma mudança considerável… a única falha de um evento que visa atingir proporções mundiais, com cerca de meio milhão de visitantes esperados, é que o site oficial conta com tradução em diversos idiomas, menos português. Essa é uma falha que salta aos olhos, uma vez que o Brasil — entre outros países nativos em língua portuguesa — é um dos maiores redutos de católicos do mundo.

A MAD voltou dos mortos!

Capa da nova MAD #1Se você tem entre duas décadas e meia e três de idade, pelo menos, já deve ter ouvido falar da revista MAD. Conhecida pelo conteúdo em que são retratados desde quadrinhos até sátiras políticas e paródias bem-humoradas de filmes, a revista é um verdadeiro clássico criado em 1952 pelos americanos Harvey Kurtzman e William Gaines. No Brasil havia deixado de existir no ano de 2006, depois de mais de 30 anos de edição em três editoras distintas: Vechi, entre 1974 e 1983, Record, entre 1984 e 2000 e finalmente a Mythos, a partir de 2000 e até o seu término.

Resolvi escrever sobre a revista porquê há mais ou menos uns 8 dias, enquanto passava pela frente de uma banca de jornal, descobri — com supresa e, até mesmo, uma certa felicidade — que a MAD ganhou mais uma chance. Está ressuscitando dos mortos pela quarta vez, desta vez pelas mãos da Panini, que eu considero ser uma editora de qualidade excelente pelo material que normalmente produz.

É óbvio que eu resolvi comprar a revista. Naquele mesmo dia em que a vi. A decisão, aliás, me custou um monte de comentários do tipo “Ihhh… olha o cara, lendo MAD…”, mas todos eles vindos de pessoas que não puderam esperar para, pelo menos, folhear a nova revista. Da época em que eu costumava comprá-la e a edição era da Record, duas diferenças básicas são perceptíveis. A primeira, para melhor: A revista está com as páginas internas 100% coloridas — como ocorre com os gibis. Esse é um avanço interessante, e torna a leitura mais agradável, na minha opinião.

A outra diferença é para pior: O número de páginas está menor. Pelo que andei verificando, apesar de não ser contemporâneo do trabalho da editora Mythos, estava em 48 e passou para apenas 40. Na época da Record, por exemplo e se não me engano, esse número era bem maior. A meu ver isso pode muito bem ser o reflexo de uma época em que vivemos atualmente, onde tudo é reduzido — e o preço, mantido, senão aumentado. É o que ocorre com vários produtos, desde leite em pó — mais leve — até papel higiênico — com menos metros por rolo.

Sobre esta questão, achei uma entrevista muito legal com o editor da revista MAD no Brasil, o cartunista carioca Otacílio d’Assunção, que, é claro, ficou conhecido de uma geração sem número de fãs apenas por seu prenome, Ota. Em trechos desta entrevista, Ota dá outra explicação para a diminuição no número de páginas, que é até mesmo óbvia: Quando os leitores vão ficando escassos, as editoras param de investir. Não dá pra custear tudo sozinho, e assim a coisa pára. Segundo ele mesmo diz, “…cada editora que entra oferece menos que a outra. Então não tem como eu montar uma redação para fazer a revista. Agora dou assessoria, faço a seção de cartas e a parte de traduzir e adaptar a Panini faz“.

Seja lá como for, não dá pra negar que vários elementos da revista que cresceu comigo — e da qual fiz diversas coleções, inclusive dos famigerados Encalhes da MAD, em que diversas edições eram empacotadas para ficarem numa só — estão mantidos. Participações clássicas como as dos cartunistas Sérgio Aragonés e Don Martin, e também a ridícula Dobradinha MAD — sem a qual a revista nunca mais seria a mesma — continuam presentes, para alívio dos fãs. No final das contas, eu concordo com o que diz o próprio Ota na entrevista: A MAD é, acima de tudo, uma revista jornalística. Sobreviveu a décadas a fio, criticando, satirizando e acompanhando tendências da moda, culturais e políticas. É imperdível, pra quem já conhecia e pra quem, por ventura, ainda não a conhece… 🙂

ATUALIZAÃ?â?¡Ã?Æ?O: O Kadu encontrou algumas ridículas dobradinhas MAD interativas que estão hospedadas diretamente no site do The New York Times. Vale   pena conferir!

A resposta do padre voador paranaense

Quem acompanha este humilde blog deve se lembrar de que no último dia 3 de março eu havia escrito sobre o vôo com balões de aniversário feito pelo padre Adelir de Carli, que inclusive havia sido noticiado no Fantástico na véspera. Naquela oportunidade eu mencionei não acreditar no feito, citando, a título de comparação, um episódio dos Mythbusters em que eles tentaram fazer uma garotinha de aproximadamente 20kg voar com balões, sem obter sucesso.

O Padre Adelir

Ocorre que no dia 16 de março, ou seja, apenas alguns dias após ter escrito meu artigo, recebi uma mensagem de email do próprio padre Adelir, a qual reproduzo aqui na íntegra, para que vocês possam acompanhá-la:

Padre Adelir De Carli – “Voador” wrote:

Saudações em Cristo Jesus

Daniel, já há alguns dias entrei em contato contigo para te passar algumas informações referente ao vôo com os balões de gás hélio e que vc se diz não crer.
Se de fato vc tem um compromisso com a verdade e queira informações mais detalhadas sobre o evento, me coloco   disposição. Assim vc poderá refazer teu texto que se refere a não crer e desta forma, poderá informar teus leitores com assuntos serios e não cair no descrédito frente a um fato tão importante.

Um fraternal abraço e fique com Deus

É importante que eu diga que, quando escrevi aquele artigo em 3 de março, o fiz baseado em comentários de alguns amigos do trabalho que — eles, sim — haviam assistido ao Fantástico na véspera, e também em notícias que estavam sendo veiculadas na grande rede de computadores   época. Como acredito qie todos têm direito a expôr seu lado dos fatos, logo depois de ler a mensagem do padre Adelir eu decidi que o mais correto a fazer seria escrever uma resposta, na qual pedi mais detalhes sobre o vôo, para então — assim que o tempo permitisse — escrever este artigo aqui da maneira mais imparcial possível. A mensagem, que mandei no dia 17 de março, foi essa:

Saudações em Cristo Jesus a você também, Padre.

Em primeiro lugar, obrigado por seu e-mail. Fiquei feliz e lisonjeado em recebê-lo. Infelizmente não recebi nenhum contato anterior de sua parte, mas quero que saiba que, caso isso tivesse acontecido, a resposta teria sido imediata.

Conforme disse em meu texto recente sobre o seu vôo, eu realmente fiquei intrigado com a sua façanha. Devo, antes de qualquer coisa, lhe pedir desculpas pois, como disse, não assisti   televisão no dia, e escrevi baseado em comentários e notícias divulgadas via Internet. De qualquer forma, gostaria muito que, se possível, o senhor me enviasse informações mais detalhadas sobre o feito. Dessa forma acredito que poderei revisar corretamente o texto e corrigi-lo, tornando-o imparcial.

Um abraço pra você, e que Deus fique conosco sempre.

Daniel

Ainda no mesmo dia em que eu escrevi a minha resposta o padre Adelir me mandou um novo e-mail, com as informações detalhadas que ele havia mencionado. O conteúdo desta nova mensagem eu também reproduzo abaixo integralmente, pois quero registrar, conforme já disse, os dois lados da mesma moeda, para que a coisa fique imparcial:

SAUDAÃ?â?¡Ã?â?¢ES EM CRISTO JESUS, NA PROXIMIDADE DA PSCOA!
Caríssimo Daniel

Sou o Padre Adelir De Carli e sempre dei muita atenção  s pessoas que buscam conhecer e tirar dúvidas. Em outras situações as pessoas teimam contra qualquer lógica. Neste segundo caso, nunca dei muita atenção. Quando li teu texto, tive de imediato a vontade de escrever para dar atenção  s tuas dúvidas. Não sei de que cidade você é, mas gostaria de convidá-lo para o próximo evento que está marcado para o dia 20 de abril, aqui na cidade de Paranaguá (PR). Ainda hoje estive reunido em Curitiba com o Tenente Coronel Rocha Filho, do SINDACTA II, para tratarmos sobre a questão do espaço aéreo para o evento.

Sempre tento agir de forma consciente e responsável. Sou Padre da Diocese de Paranaguá. Minha formação: Filósofo, Teólogo, Pós-Graduado em Comunicação Socia, e Pós-Graduando em Counseling (Aconselhamento Pastoral). Quando eu estava cursando a 7ê série, tive contado com os balões de gás hélio. Isto ocorreu na Escola e de lá para cá, passaram-se uns bons anos. Depois que me dediquei ao para-quedismo e parapente, iniciei minha expereiência com os balões.

Todos que viam eram unânimes em afirmar não ser possível voar com as “bexigas”. Contra qualquer opinião, fui testando-os e catalogando os resultados. Desta forma, em outubro de 2007, fiu para a cidade de Ampére por estar fora do mar e ser mais seguro. Como ainda era teste, não divulgamos   Imprensa, mas estávamos filmando e fotografando para o arquivo da PASTORAL RODOVIRIA. Eis a questão porque demorou do dia 13 de janeiro para o Fantástico no dia 02 de março. Estávamos, organizando melhor o site da Pastoral: www.pastoralrodoviaria.org.

Esta instituição trabalha com estrutura própria, para a Pastoral de evangelização e social aos Caminhoneiros. Aqui chegam em torno de 4000 caminhões por dia. Eles são provenientes das diversas partes do Brasil.

Em outubro de 2007, tentamos voar, mas não foi possível porque as pessoas que estavam nos ajudando a encher os balões eram pessoas simples e nunca tinham visto balões grandes assim. Então faltou balões e sobrou gás conforme o projeto. Voamos muito baixinho por falta de tracionamento. Elaboramos melhor o projeto e com as pessoas mais preparadas e mais rápido. Desta vez, saí da cidade de Ampére e fui até San Antonio na Argentina. Foram 4:14hs. A altura foi de 5.337 metros. Temperatura de solo 32 graus e na altura máxima foi 8 graus.

Havámos contratado um avião para as filmagens. Ele não conseguiu alcançar e nem mesmo visualisar onde eu estava. Isto causou uma apreensão nas pessoas mais simples. Eu já havia os alertado para o que poderia ocorrer lá no alto, mas também mostrei que eu estava preparado para qualquer eventualidade.

Foi um grande festa, você nem imagina a alegria das pessoas. O recorde mundial era dos norte-americanos com 3.900 metros, hoje o recorde é nosso, é Brasileiro com 5.337 metros. É uma grande Graça de Deus, ser o primeiro a voar no Brasil com esta modalidade. Faço isto porque gosto do esporte, mas faço neste momento em benefício dos Caminhoneiros. Temos um caminhão Capela para as Missas, Temos também uma grande Obra, a Casa de Acolhidada com 3.420 metros quadrados.

Tenho recebido, parabéns de políticos federais e estaduais, aqui do Município e de pessoas empresários, e pessoas de boa vontade. Eles são de diversas partes do Brasil. Também está sendo muito grande a procura por parte de Rádios, Jornais e TVs mais regionais de diversos Estados.

Em Ampére, estava presente até o Prefeito, o vice-prefeito e mais de 80 pessoas. Poderia ser uma grande multidão, mas evitamos de convidar muita gente pelo fato de estar em fase de teste.

Pediria para você, Daniel deixar no teu Blog um link www.pastoralrodoviaria.org para quem desejar conhecer melhor a Pastoral Rodoviária. Estamos em obras e necessitamos de doações que poderão ser em material de construção e ou dinheiro para o pagamento de Mão-de-obras.

Qualquer dúvida, entre em contato.
Fique com Deus e uma Santa Páscoa!

O site da Pastoral que o padre menciona contém algumas fotos do evento — e tomei a liberdade de separar uma delas, ilustra este artigo. Minha posição final a respeito desse assunto mudou, eu devo admitir.

Um comentário do Sérgio F. Lima no meu artigo original já falavam sobre o empuxo — que é a força que puxa o balão pra cima — e de como quanto maior o volume do balão, mais simples fica de voar. Depois de assistir ao vídeo com a reportagem do Fantástico, então, fiquei ainda mais convencido: O tamanho dos balões é mesmo grande. E a capacidade do padre Adelir, desafiando a gravidade, parece ser ainda maior. Ele está de parabéns, e eu, espero ter me retificado propriamente…

Envelheci. Meu blog também.

Meu compadre Neto Cury mandou muito bem num dos últimos textos que escreveu, descrevendo as fases do blogueiro e seu inadiável — é a natureza, afinal, não é mesmo?envelhecimento. Aliás, mandou tão bem que eu fiquei me perguntando se este blog já está usando bengala e tomando cuidado para não tropeçar nas longas barbas brancas da senilidade.

Uma experiência fascinante é a de ler — como recomenda o Neto — os arquivos antigos do seu próprio blog. Já há algum tempo, mesmo sem ter lido o texto dele, eu já venho carregando este hábito. É impressionante como você se enxerga passando pelas etapas. Alguns textos dos primórdios da minha vida blogueira, por exemplo, são totalmente iniciantes. Muita bobagem, coisas parecendo diário de adolescente e vááááários links para notícias. Há muitas coisas que escrevi, inclusive, que talvez pensando melhor hoje eu nem escrevesse.

Mas a vida é assim, e há também em meus arquivos os textos de aprendiz. Corri atrás de muita coisa: Sempre gostei de escrever e procurei aliar esse meu gosto   atividade de blogar. Criei uma espécie de blogoterapia e meti as caras. Ganhei alguns amigos — entre eles, um dos primeiros, o próprio Neto —, fãs, e tudo mais. Graças   essa fase descobri como aplicar o conhecimento que eu tenho profissionalmente — e pessoalmente, é claro — ao blog, e com isso o meu lugar no mundo blogueiro e o meu fiel público, se é que posso dizer assim.

Finalmente, me vi na fase que o Neto batizou de fundamentada. Eu sei o que quero escrever, e  s vezes até para que público escrever. Descobri a duras penas como ignorar comentários idiotas e como responder aqueles que são de gente que tem o que dizer. Conquistei ainda mais amigos assim, e descobri o quanto é duro manter um ciclo de amizades blogueiras.

Nesta última etapa parti até mesmo para colocar anúncios no blog. Ganhei uns trocados e depois tirei os anúncios. Porquê? Eu mesmo me pergunto isso até hoje. Talvez pelo fato de sempre ter encarado isso tudo aqui como um super passatempo, uma verdadeira terapia, como já disse antes. De qualquer forma é nessa fase fundamentada que vem o mais gostoso, a independência blogueira, por assim dizer.

Daí vem o envelhecimento. É faculdade. Trabalho. Dívidas. Filhos. Qualquer um que já passou por pelo menos uma dessas etapas sabe o que quero dizer. O tempo acaba, é aí que concordo 1000% com o texto do Neto. Quando comecei a escrever aqui há alguns anos, já era casado. Mas iniciando no trabalho e com a faculdade no começo, era mais fácil arrumar tempo, elaborar textos detalhados e tudo mais.

Anos depois, ou seja, agora, tudo mudou. O meu filho, por exemplo, me ocupa muito tempo, e sou obrigado a reconhecer que é menos tempo do que eu gostaria, porquê o resto é consumido por trabalho e cansaço. Isso me fez vestir a carapuça — e talvez pensar em empunhar uma bengala blogueira — porquê muita coisa que eu escrevi mais recentemente foi uma chatice. Coisa de velho, mesmo. Blogueiro velho. Por isso, eu acho até que devo desculpas aos que gostam de vir aqui e ler o que eu escrevo.

Aliás, como qualquer velho, por assim dizer, já perguntei a mim mesmo mais de um milhão de vezes se eu não deveria parar isso aqui tudo. Largar mão. Todo blogueiro, independente da fase em que está, já se perguntou isso. É uma decisão complicada e difícil, pois por um lado pode-se ganhar uma certa liberdade ao abandonar os artigos e editoriais, mas por outro pode-se sentir uma falta violenta disso tudo.

Por ora, no entanto, decidi não parar. No fundo, no fundo, eu gosto disso aqui. gosto dos textos que faço, mesmo que alguns não gerem sequer um comentário. Gosto dos meus tutoriais, e admito até que alguns deles são, antes de ser para os amigos leitores, pra mim mesmo. Mas foi assim, com esse meu jeito de escrever e pensar, que, até agora, a Internet e o blog só me renderam bons contatos e amizades que eu não trocaria por nada.

Assim sendo, mesmo que eu esteja de bengala e barba branca na blogosfera, tendo envelhecido, acho que vocês vão ter que continuar a me engolir por pelo menos mais um tempo. Se me derem licença pra isso, é claro…

IRPF: Tão maduro quanto nossas urnas eletrônicas

Hoje pela manhã, quando ouvi no rádio a caminho do trabalho que haviam identificado um bug no programa IRPF 2008, me espantei.

Está certo que o problema encontrado não afetava o valor a ser pago, ou restituído, para os contribuintes, e era muito específico: Para os casos em que as pessoas têm mais de um dependente menor de 18 anos, ele repetia a data de nascimento do primeiro que fosse declarado. Mesmo assim, nunca antes eu tinha ouvido falar de um problema com o software desde a sua implantação, no já longínquo ano de 1991.

Felizmente, ao meio-dia de 3 de março, poucas horas após a disponibilização do software para os internautas, a versão 1.0 original já tinha sido substituída pela versão 1.0A, que já corrigia a falha. Segundo a Receita Federal, aliás, o incidente foi tão pequeno que as pessoas que já entregaram a declaração deste ano não precisam sequer se preocupar em corrigi-la ou reenviá-la.

Era uma falha boba, mas reconheço o bom trabalho da equipe que detectou e corrigiu a falha no IRPF 2008 tão rapidamente: Pra mim, isso demonstra que a atenção com um eventual problema mais grave num programa que afeta diretamente milhões de brasileiros seria a mesma — senão, maior.

No final das contas, embora sejam empregados em nosso país diversos sistemas tecnológicos desintegrados e com necessidades de melhoria evidentes na tentativa de automatizar certos processos do governo, há o outro lado da moeda, em que o grau de maturidade é enorme. Nesta categoria, além do próprio sistema empregado já há 18 anos pela Receita Federal, outro que me vem   cabeça é o exemplo das urnas eletrônicas, pelas quais, aliás, como já afirmei aqui antes, somos reconhecidos inclusive internacionalmente. Acho que estamos na direção certa.

Eu não acredito no padre voador paranaense

 

ATUALIZAÇÃO (05/04/2008): Após ler este texto, por favor leia também a resposta do próprio Padre Adelir.

Eu não assisti o Fantástico deste último domingo, mas devo admitir que uma notícia derivada do programa me fez ficar com a pulga atrás da orelha. Trata-se da história de um padre que teria levantado vôo utilizando apenas balões de festa e voado 110 quilômetros entre as cidades de Ampére, no Paraná, e San Antônio. em território argentino, depois de alcançar mais de 5 mil metros de altitude.

A pulga atrás da orelha   qual me refiro se deve ao fato de que, fã dos Mythbusters como sou, tempos atrás assisti a um episódio da segunda temporada, Ping pong balls and balloons, onde uma das coisas que Adam e Jamie tentaram foi levantar a menina Mattie — que pesava aproximadamente 20kg — com o auxílio justamente de balões de festa de aniversário. Naquela ocasião, após inflarem cerca de 3500 balões, o mito foi dado como detonado, uma vez que a menina mal foi erguida do chão e a quantidade de balões era muita mesmo para ser comportada no hangar onde os testes estavam sendo realizados.

Um amigo que assistiu ao Fantástico ontem me disse que a diferença no caso do padre — que usou 500 balões para erguer cerca de 200kg entre seu próprio peso e o do equipamento que levou — foi que os balões utilizados foram maiores do que aqueles usados pelos caçadores de mitos. Aparentemente trataram-se daqueles balões onde as pessoas normalmente despejam um monte de balas para que mais tarde as crianças os estourem e brinquem de pegar os doces do chão.

Mesmo assim, confesso que, ao menos para mim, algo não se encaixa. Digo isso porquê os caçadores precisaram de 10 balões de festa para erguerem do chão uma mísera carga de 100 gramas. Isso daria 100 balões para um quilo, e assumindo que o tal padre tenha um peso médio de 60kg, seriam necessários 6000 balões de aniversário para erguê-lo do chão sem equipamentos. No entanto, mais da metade dos balões não ergueu do chão uma menina com um terço deste peso.

Mesmo sabendo da variável tamanho dos balões, confesso que neste caso prefiro adotar o benefício da dúvida: Ainda segundo esse meu amigo, o vídeo exibido pelo Fantástico mostra apenas a decolagem do padre, e não a tal travessia de 110 quilômetros. Se ela realmente ocorreu, merece felicitações. Se não, então mais uma vez o mito foi detonado. E ponto.

Mais uma, infelizmente, sobre tele-atendimentos

E os domingos parecem mesmo ser os dias em que eu me indisponho com o atendimento telefônico das empresas com as quais tenho algum tipo de relacionamento. Neste último foi a vez da TIM, onde possuo um chip pré-pago cadastrado em meu nome, para um celular que é utilizado na verdade pela minha esposa.

Ocorre que o tal celular — que não é usado já há algum tempo pois normalmente a esposa e e eu saímos juntos e usamos o meu aparelho para qualquer eventualidade — exibiu um aviso dizendo que havia mensagens no correio de voz. Ao tentarmos recuperá-las, nos deparamos com um alerta sonoro, dizendo que “o número da caixa postal era inexistente“.

Dado este pequeno imprevisto, liguei para a TIM através de seu número, *144, após o que fui prontamente atendido — em menos de 45 segundos, acreditem — e informado pela funcionária que em alguns minutos poderia voltar a acessar meu correio de voz. A explicação para a mensagem era que, devido   falta de uso, o serviço havia sido suspenso. Apesar de não entender bem essa explicação e me questionar que empresa em sã consciência bloqueia um correio de voz, desliguei satisfeito. Era domingo, e eu queria mesmo era aproveitar o dia.

Eis que passados alguns minutos, resolvi testar a caixa postal. Desta vez, ao invés de obter a mensagem anterior, descobri que a linha havia ficado muda. E mais: Ao invés do problema original, agora eu tinha em mãos um problema evoluído. Não conseguia mais completar nenhuma ligação. Para o meu celular, para a minha casa, para a casa da minha mãe e de amigos, nenhuma. Em toda santa vez o aparelho ficava mudo, e a mensagem na tela era de ligação encerrada.

Liguei novamente para a TIM. Detalhe: Desta vez, dada a mudez do celular, me vi obrigado a consultar no site da operadora um número — ao menos 0800 — alternativo. Depois de quatro minutos de espera uma nova funcionária, chamada Eliana, me atendeu. Expliquei a ela que achava que, no processo de desbloqueio do meu correio de voz, devia ter ocorrido algum problema, pois agora além do próprio não funcionar, de quebra ainda não conseguia mais completar uma ligação sequer.

Toca esperar. Ao todo, 15 minutos, recheados com as célebres frases-chavão do tele-atendimento, como “só mais um minuto por favor, senhor“. Ao final desse período a tal Elaine finalmente me dá o veredito: Diz se tratar de um problema relacionado ao desbloqueio do correio de voz, e que eu precisaria esperar 24 horas até que a situação fosse normalizada.

Eu: — Olha, eu acho que tem algo errado. Se fosse só o problema do desbloqueio do correio de voz, eu estaria conseguindo completar minhas ligações normalmente, e não é isso que está acontecendo…

Ela: — Senhor, é como eu já te disse. Trata-se de um problema com o correio de voz, e não há nada a fazer a não ser esperar o prazo e, se ainda persistir o problema, voltar a nos contactar para abrirmos um chamado.

Eu: — Nesse caso eu prefiro abrir esse chamado agora. Sei que não é um problema só no correio de voz, mas sim em algum procedimento equivocado que a pessoa que me atendeu antes de você deve ter realizado.

Ela: — Senhor, eu sinto muito. Os chamados só podem ser abertos após decorridas as 24 horas, conforme nosso regulamento.

Eu: — Quer dizer que estou sujeito a ficar 24 horas com o telefone sem completar ligações e não há nada que possa ser feito nesse meio tempo?

Ela: — Exatamente, senhor.

Eu: — Nesse caso vou fazer uma reclamação para a Anatel.

Ela: — Se o senhor quiser fazer uma reclamação, o problema é do senhor.

Eu: — Ah, é? Então agora é que vou abrir mesmo… me diga o seu nome completo e seu registro, por favor.

Ela: — A TIM agradece a sua ligação, tenha um bom dia.

Não preciso dizer que, a partir do momento em que ela me disse que o problema era meu, meu sangue ferveu. Que história era aquela? Nunca antes na minha vida alguém do atendimento tinha falado comigo neste tom, e não achei isso certo de maneira alguma. Claro que resolvi ligar lá novamente, com a única diferença de que desta vez não mencionei o possível problema com o desbloqueio do correio de voz.

Atendente: — TIM (…), Rosana, bom dia.

Eu: — Estou com um problema no meu celular. Não consigo completar ligação alguma com ele, mesmo tendo R$ xxx de créditos disponíveis em saldo.

Rosana: — Senhor, que modelo de celular o senhor tem?

Informei o modelo.

Rosana: — Pois não, senhor. Realizarei agora a reinicialização da rede no seu número de telefone e aparelho. Deve levar alguns minutos para que a situação se normalize.

Observei enquanto ela me dizia essas coisas que o celular voltou a funcionar, pois consegui completar uma ligação para o meu outro aparelho. Informei na hora   atendente, que, após minha confirmação, apenas me perguntou se eu ainda precisava de alguma coisa.

Eu: — Não. Muito obrigado.

Rosana: — A TIM agradece sua ligação, tenha um bom dia.

Agora pensem comigo: Olhem só a diferença entre os atendimentos promovidos por duas atendentes distintas da mesma empresa. Na primeira situação a pessoa devia estar carregada de estresse, ou, como se diz por aí, de mal com a vida — o que, mesmo sendo verdade, não dá o direito de tratar ninguém desrespeitosamente. Na segunda situação, consegui o que queria, e o celular voltou a funcionar, que era o que no fim das contas importava.

Tempo total do primeiro atendimento: Cerca de 20 minutos. Problema não resolvido.

Tempo total do segundo atendimento: Cerca de 3 minutos. Problema resolvido.

Realmente não dá pra prever o que vai acontecer quando você precisa ligar para um tele-atendimento. É por isso que concordo com o meu pai que, quando contei essa história, me disse que por ele haveria uma lei em que, assim que o telefone fosse atendido pela empresa, funcionários fossem obrigados a dizerem seus nomes completos e números de registro. Daí, decorridos transtornos como esse, ficaria mais fácil entrar em contato com a supervisão, ou, em última instância, até mesmo com o Ombudsman.

Aliás, essa lei seria tão interessante que deveriam era rever as normas recém-anunciadas pela Anatel para incluí-la entre as obrigações. É isso, ou então adotar a mesma política das empresas, que têm a praxe de, dependendo do procedimento, nos avisar que a ligação está sendo gravada. “É para sua segurança, senhor“.

Uma ova.

Democracia na validade dos créditos de celular

smscreditos1.jpgÉ fato que, dentre as novas regras de telefonia celular da Anatel, que passaram a vigorar em 15 de fevereiro último, uma delas de longe parece beneficiar um maior número de donos de aparelhos móveis, os que, assim como eu, usam seus telefones em modalidade pré-paga.

Ocorre que a interpretação mais comum da tal regra que tenho ouvido por aí é a de que os créditos adquiridos passam a ter validade de 180 dias corridos. Isso seria extremamente interessante se não houvesse um pequeno detalhe envolvido: Nem todos os créditos adquiridos a partir das novas regras terão esta validade.

É importante dizer que a verdadeira regra diz que as empresas são obrigadas a oferecerem recargas que valham por 180 dias. Para saber o que isso quer dizer na prática, basta observar a recarga que fiz esta semana em meu pré-pago, um número da Claro. Conforme ilustro neste artigo, acrescentei R$ 20 ao meu saldo, e isso fez com que a validade dos meus créditos se prolongasse por mais 60 dias, e não 180. E as empresas estão agindo dentro da nova regra ao fazerem isso.

Validade dos Créditos
A Claro passa a oferecer a recarga de R$ 150,00 com validade de 180 dias. As recargas de outros valores continuam com as validades atuais. Quando houver uma nova recarga, os créditos antigos passarão a ter a validade desta última recarga.

Isso significa que R$ 15 em recarga na operadora estenderiam a validade dos créditos por apenas 30 dias, e, caso eu realmente quisesse os 180 dias de prazo, precisaria adquirir R$ 150 em créditos.

Acontece que nem todo mundo que é dono de um pré-pago pode ou deseja adquirir um valor tão exorbitante assim em créditos de telefone, mesmo que seja para que o valor dure meio ano.  O grande cerne da questão é que muita gente alega usar o celular para fazer, como se diz popularmente, as vezes de pai-de-santo, ou seja, só para receber ligações, e assim a validade dos créditos — seja ela por qual período for — acaba sendo vista como injusta por muita gente.

Como melhorar essa questão?

Preciso dizer que não acho que uma melhoria estaria em medidas radicais como a que propõe o deputado Moreira Mendes, do PPS de Rondônia, que apresentou projeto de lei para ampliar a validade dos créditos pré-pagos para dois anos. As operadoras fatalmente alegariam que sem a compra de créditos pelos usuários seu modelo de negócio não funcionaria graças aos altos custos de manutenção da rede, etc e tal.

Na verdade acho que o modelo dos créditos celulares pré-pagos deveria se igular  quele aplicado na telefonia VoIP. Mais especificamente o do Skype que não deve ser o único a fazer isso, é claro, mas que é o que conheço bem. No SkypeOut, por exemplo, os créditos, independente do valor carregado, valem por 180 dias e, para renová-los por um período igual, basta fazer pelo menos uma ligação a cada seis meses.

Vejam que isso endereçaria os dois principais interessados no modelo: Os consumidores ficariam satisfeitos, pois mesmo um celular pai-de-santo de vez em quando também é usado para fazer uma ligação, mesmo que curta. Se você acrescenta um intervalo de seis meses para que uma chamada originada de um pré-pago ocorra, então, aumenta as chances de manutenção da linha.

As empresas também poderiam se satisfazer. Com a origem de chamadas a partir destes aparelhos, poderiam tarifar as ligações normalmente, mantendo seu modelo de negócio intacto, já que diariamente milhares e milhares de usuários pré-pagos estariam fazendo suas chamadas eventuais. Seria perfeito, e acrescentaria, como cito no título deste artigo, um quê de democracia   validade de créditos de celulares.

Será que eu venderia o Yahoo!?

[social_web_link][/social_web_link]O cenário é o seguinte: Estamos em 1994 e você e seu amigo acabam de se formar em uma das universidades mais conceituadas do mundo. A internet é uma coisa ainda extremamente insipiente, pouco conhecida das grandes massas, e logo surge a idéia de criar um índice de sites organizados segundo uma hierarquia para aquela que se tornaria a cada vez maior rede mundial de computadores. O nome escolhido para batizar tal índice é, acreditem, Jerry’s Guide to the World Wide Web.

Logo mais vocês resolvem mudar o nome do serviço para Yahoo!, por gostarem de sua pouca sofisticação. No final deste mesmo ano, mesmo com o site hospedado em uma URL difícil de memorizar, http://akebono.stanford.edu/yahoo, vocês já receberam mais de um milhão de acessos e se dão conta do potencial comercial da invenção. Cruzando acidentalmente com a Sequoia Capital, uma empresa cujos investimentos de maior sucesso incluem a Apple Computer, Atari, Oracle e Cisco, vocês chegam a um acordo e, em abril de 1995 fundam a Yahoo!, com um investimento inicial de quase US$ 2 milhões.

Poderia ser a sua história com um amigo. Poderia ser (quem dera) a minha própria história e a de um amigo. Mas na verdade foi esse o começo da história de Jerry Yang e David Filo, que, já nos dias atuais, são reconhecidamente responsáveis por uma empresa líder nos ramos de comunicação, comércio e mídia via internet, oferecendo serviços diversos a mais de 345 milhões de pessoas todos os meses.

Eis que a Microsoft resolve oferecer US$ 44 bilhões pelo Yahoo   vista, para, segundo ela, se posicionar melhor nos mercados de serviços on-line e de busca. Quando li essa notícia em voz alta, aqui mesmo do meu computador, para meus colegas de trabalho, surgiu a polêmica. Um disse: [hi]“No lugar deles, eu venderia na hora”[/hi], enquanto o outro disse “Eu não. Nem todo mundo pensa assim, pois, para alguns, o importante não é tanto o ganhar dinheiro, e sim o status”.

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Vender me tornaria bilionário instantâneo: Com 44 bilhões de verdinhas teria, pelas contas de hoje, mais de R$ 78 bilhões na conta da noite pro dia e poderia não só me aposentar e ir viver numa ilha deserta, como também levar junto comigo várias gerações da família. Aliás, com tanto dinheiro, poderia formar uma pilha com 8800km de comprimento — considerada uma espessura de 0,2mm por nota de dólar —, que embora demasiadamente alta, ainda ficaria 331.200km distante da lua [foot]Obrigado pelo fantástico raciocínio, Mr. Anderson![/foot], mas isso é uma outra história.

Para quem quer dinheiro vivo, é a pedida certa.Não vender me deixaria, como disse meu amigo, com o status. No melhor estilo vaga de estacionamento reservada, escritório com nome na porta e secretária, convites para eventos e palestras e muito mais. Também me permitiria desenvolver o negócio ainda mais, ou seja, vejo que seria a opção mais passional, para um verdadeiro geek.

É difícil se colocar no lugar dos caras. Será que eu venderia o Yahoo! ou ficaria com ele pelo menos por mais algum tempo? Honestamente, é a tal da história. O dinheiro pode certamente cegar, e a primeira coisa que me passou pela cabeça enquanto escrevia foi vender, provavelmente pedindo participação nos lucros posteriores. E vocês, o que fariam?