Papo de boteco: Pentel 357, a lapiseira flex

Decidido a antecipar uma das grandes batalhas que normalmente são enfrentadas por minha família no começo de todos os anos, resolvemos sair ontem para comprar o material escolar do filhote, antes que o ano se torne ano novo, e que as ruas fiquem lotadas de pais com a mesma ideia.

Acontece que enquanto esperávamos em uma papelaria, minha esposa se lembrou de que a lapiseira dela havia misteriosamente desaparecido — aliás, quem é que pode dizer que nunca perdeu uma lapiseira? — e se pôs   busca de uma nova. Isso levou   um intenso debate entre ela e a vendedora, envolvendo cores, tamanhos, marcas e outros detalhes técnicos que normalmente são esquecidos, pelo menos por mim, até que a coisa enveredou pelo lado dos diâmetros de grafite.

Praticamente todo mundo sabe que existem vários diâmetros de grafite disponíveis. Os mais famosos são os de 0,5 e 0,7mm, ambos já utilizados por mim, que atualmente sou usuário de uma fiel lapiseira de 0,7mm. Apesar disso, tenho em minha gaveta do escritório duas lapiseiras adicionais, acreditem: Uma de 0,5 e outra, de 0,9mm. Isso se deve não apenas ao fato de diferentes necessidades durante o dia-a-dia, mas também para eventuais utilizações de ambas como lapiseiras de backup, caso, por exemplo, acabe o grafite e eu esqueça de comprar mais.

O que me levou   ideia de que o mundo poderia ser um lugar bem melhor pra se viver caso alguém resolvesse lançar uma lapiseira que comportasse diversos diâmetros de grafite ao mesmo tempo. Não estranhem, pois, afinal de contas, quantas misturas de lapiseiras e canetas,  s vezes de diversas cores diferentes, vocês já viram na vida? Existem diversas delas, e isso me fez pensar que a ideia poderia muito bem ser aplicada também para as lapiseiras e seus diferentes diâmetros de grafite. Quanto perguntei   vendedora   respeito — por mera curiosidade, é verdade —, ela me disse que desconhecia uma lapiseira assim, e que, provavelmente, isso não existia.

Por razões óbvias, eu concordei. Afinal de contas, quem é que se preocuparia em produzir uma lapiseira flex? Quem seria potencial consumidor deste artigo? Desenhistas? Projetistas? Malucos que guardam em suas gavetas lapiseiras de dois diâmetros extras e distintos, meramente para fins de backup?

Acontece que, de novo por mera curiosidade, fiz uma busca no Google, e acabei descobrindo que há pelo menos um tipo de lapiseira flex, a Pentel Function 357.

Trata-se, até onde eu descobri, de um modelo produzido e vendido exclusivamente no Japão, e que pode ser carregado com grafites de três diferentes diâmetros: Os de 0,5 e 0,7mm, que eu mencionei anteriormente, e o de 0,3mmbem que poderia ser o de 0,9mm. O mecanismo da lapiseira é bastante similar ao dessas misturas de lapiseira e caneta: Você determina qual diâmetro de grafite utilizar através de botões que estão localizados na parte superior do corpo da lapiseira. Aperta-se um desses botões e a ponta surge para uso.

Há, no entanto, um detalhe na Pentel 357 que alguns poderiam achar um ponto negativo: A lapiseira não tem borracha na ponta. Outra questão é que, ainda segundo eu andei lendo, o corpo não é dos mais resistentes. De qualquer maneira, isso não tira o mérito dela no que diz respeito   versatilidade, e, além disso, o preço é, na minha visão, bastante compatível com a oferta: Por cerca de US$ 15 é possível comprá-la, ou pedir que alguém lhe compre, e te faça uma bela surpresa com um presente no mínimo interessante.

Uma voz que se cala…

É com você, Lombardi!

É com você, Lombardi!

SÃ?Æ?O PAULO – Num tempo que todos podem ser locutores, com seus próprios programas gravados em podcasts ou em vídeos no Youtube, nada podia ser mais anacrônico que uma voz de veludo, empostada, com a dicção perfeita, narrando como há 50 anos nos antigos programas de rádio. Não no SBT. Tem coisas que só no SBT pode. Uma delas era o Lombardi.

Onde mais seria possível ouvir sem se aborrecer alguém anunciando produtos – de carnê de compras, títulos de capitalização e cosméticos aos prêmios para os participantes: “…um lindo refrigerador, uma casa e um carro zero quilômetro!” – sem a informalidade artificial de telemarketing que impera nos merchandisings que proliferam nos programas de TV?

Na contramão de tudo o que é considerado moderno e cool, Lombardi interagia com o patrão de voz tão inconfundível quanto   dele com uma entonação grandiloquente, mas ao mesmo alegre e simpática, sobretudo nas últimas palavras da frase, onde era possível até escutar um sorriso. (via Estadão)

Cheguei em casa ontem e minha esposa comentou comigo sobre a morte do Lombardi. Fiquei surpreso, ao mesmo tempo em que pensava no que poderia escrever aqui, mas este trecho de nota publicada pelo Estadão diz muita coisa.

O locutor se foi, e, certamente, com ele, se foi também uma parte da história do Brasil e da televisão brasileira. Eu sentirei a falta dele na interação com Sílvio Santos, assim como imagino que muita gente por aí. Será difícil esquecer do bordão “Ooooiii Sííílvio…”, que ele usava para responder   chamada do patrão#rip

Apertos com a NET

Uma das piores coisas do mundo para alguém que acompanha seriados através da Torrent TV é se ver, de uma hora pra outra — e sem mais nem menos — sem a sua conexão com a rede mundial de computadores: No meu caso, embora eu não tenha ficado exatamente sem conexão, minhas taxas de download destes últimos 2 dias baixaram para a casa dos 0,5 kb/s, o que, na prática, dá no mesmo.

Incomodado com a queda brusca de serviço, hoje pela manhã, logo que cheguei ao trabalho, entrei em contato com a NET. Rapidamente direcionado para um especialista que poderia me ajudar com o problema técnico com a minha conexão, me vi, pra variar, frente a uma pessoa que me sugeriu o trivial — desligar o modem por alguns minutos e voltar a ligá-lo na sequência. O que se segue é o relato do que passei:

Atendente: — Farei uma monitoragem do seu computador — O que diabos é monitoragem? — O senhor pode reiniciar o computador? Preciso também que o senhor tente desligar e ligar o modem.

Eu: — Já tentei isso, e na verdade, algumas outras coisas também, como renovar o IP e reparar minha conexão de rede. Como não tive sucesso, liguei para que vocês possam mandar um técnico na minha casa, pois acho absurdo ficar sem conexão.

Atendente: — Sim, senhor, entendo. Mas preciso fazer a monitoragemsic. O senhor está na frente do seu computador?

Eu: — Na verdade, estou no trabalho agora. Não tenho como reiniciar a máquina. Você pode agendar uma visita técnica?

Atendente: — Senhor, lamento. Infelizmente, antes de poder prosseguir, preciso fazer a monitoragem. Sem que o senhor esteja na frente do seu computador não poderei ajudá-lo. O senhor pode ligar mais tarde quando estiver em casa?

Pasmem. Nunca ouvi falar dessa monitoragem (os olhos doem só de olhar pra essa grafia, imaginem ouvir a palavra), e agora, ainda assim, sou derrotado por ela? Me despedi da atendente, desliguei, e pensei comigo mesmo: Hora de usar o plano B para conseguir uma visita técnica: O fingimento. Eis como funciona.

Ligo de novo para a NET:

Atendente: (depois de repetir basicamente o mesmo discurso da monitoragem) — O senhor está na frente do computador?

Tecnicamente sim. Na frente do computador que eu uso no trabalho.

Eu: — Sim, estou.

Atendente: — O senhor está usando Windows XP? — ao que eu respondi que sim.

Ela então me mandou ir até Configurações e, em seguida, encontrar a minha conexão local dentro das conexões de rede. Perguntou se a conexão estava ativa (— sim), e depois me pediu para desativá-la e ativá-la novamente. Fui só respondendo trivialmente, sim, pois não, etc. Então ela me pediu para acessar algum site.

Eu: Qualquer um?

Atendente: — Sim, senhor. Para este teste, pode ser qualquer site.

Eu: — Entendi. Me dá um minuto. Hmmmm… vamos ver… (bato no teclado fingindo digitar). Pronto. Já estou tentando.

Atendente: — Senhor, o senhor conseguiu?

Eu: — Espera um minuto… tem alguma coisa aqui no rodapé… conectando… mas tá demorando muito… acho que não vai dar certo (pausa de alguns segundos). Falei? Aparece assim, ó: “A página não pode ser exibida”.

Atendente:“A página não pode ser exibida”. Senhor, neste caso, estaremos enviando um técnico   sua residência. Em um prazo máximo de duas horas alguém estará entrando em contato com o senhor.

Aleluia, irmão.

Ligo em casa para comunicar   patroa que alguém da NET ia entrar em contato com ela. Descubro, para minha infelicidade, durante a chamada, que a voz dela está cheia de interrupções: problemas com o NET Fone. Ligo de novo pra NET:

Eu: — Infelizmente, além do problema com a internet, agora meu telefone também está fora, é um NET Fone. Ao invés de ligar para o número XPTO vocês podem entrar em contato através do número do celular da minha esposa? É YPTO.

Atendente: — Claro senhor (solicita o número de novo, para confirmar, e anota o nome da minha esposa). Pedirei para que seja feito contato via celular. O prazo máximo é de duas horas.

Passadas mais de duas horas, como é de se esperar, ninguém ainda entrou em contato com a dona Patroa. Ligo para a NET. De novo. Explico a mesma história de que, além da minha internet, o NET Fone também está fora do ar, e que eu preciso que alguém ligue para o celular da minha esposa.

Eu: — O número do celular dela é YPTO.

Atendente: — Senhor, na verdade, referente a este protocolo, consta uma tentativa de contato sem sucesso, realizada hoje, no período da tarde.

Eu: — Mesmo? Para qual número?

Atendente: Para o número XPTO.

Há certos momentos que requerem que qualquer ser humano respire beeeeem fundo. Este era um dos momentos certos para seguir esta linha. Me preparo psicologicamente:

Eu: — Então… Quando liguei mais cedo, disse justamente que o número XPTO é o meu NET Fone, e que ele se encontra fora do ar. Você pode pedir, assim sendo, que alguém faça o favor de ligar pro celular da minha esposa? Ela está esperando.

Depois de (mais) uma promessa de que ligariam — e de mais um prazo de duas horas, claro —, ligaram pra minha esposa. Adivinhem o que o técnico pediu pra ela fazer? Sim! Desligar o modem, esperar 5 minutos e ligar de novo.

Como nada aconteceu, aí sim, o rapaz disse pra ela que mandaria alguém em minha casa. Amanhã. O único detalhe é que neste meio tempo, magicamente, tanto minha conexão com a Internet quanto meu NET Fone se normalizaram. É mole?

Nas palavras da minha esposa, enquanto desabafava com o último dos representantes da NET que nos contactou: Estou começando a achar que tenho saudades do Speedy. E da Telefônica. Será que estou certo?

#choramaradona: Duas vezes seguidas!!

No vamos a ningun lugar

No vamos a ningun lugar

¿Cuánta responsabilidad tiene Maradona? Muchísima. Ya cometió todos los errores que puede cometer un DT. Desde pifiar la estrategia hasta desmotivar jugadores con sus banquinazos (Otamendi, Burdisso, titulares o ni al banco), errar cambios (¿para qué sacó a Dátolo si había que tirar centros al área? ¿Para agregar barullo con Lavezzi?) y ensoberbecerse hasta desviar culpas hacia el periodismo. [via]

E enquanto promovo o #choramaradona, não poderia deixar de falar, é claro, do show de Nilmar ontem, em meio   torcida baiana: Não demos mole pro Chile, que vai ter que conquistar sua classificação em outras paragens…

Santander vai acabar com marca do Real no Brasil em 2010

O Santander deve acabar com a marca Banco Real no Brasil até 2010, unificando suas operações de banco de varejo, anunciou a empresa nesta sexta-feira (28). O grupo espanhol comprou o Real em outubro de 2007.

Juntas, as duas redes têm cerca de 4 mil agências no país e aproximadamente 9 milhões de clientes. “Até o meio de 2010 a integração deve estar completa”, disse o vice-presidente executivo sênior do Santander, José Paiva Ferreira, a jornalistas.

E o mais interessante dessa história é que os tais 10 dias sem juros que sempre foram uma marca registrada do Banco Real permanecerão quando ele bater as botas de vez.

Os livros favoritos da minha infância

Sabe aqueles raros momentos em que um simples bate-papo com amigos começa a trazer uma série de boas recordações   tona? Pois bem. Esta semana, isso aconteceu comigo enquanto começamos a discutir, na hora do almoço, lá no trabalho, sobre gostar ou não de ler.

Embora eu não comente muito sobre leitura por aqui — talvez pelo fato de, atualmente, estar com muito menos tempo livre para ler do que realmente gostaria —, eu gosto muito de ler. Aliás, eu costumo dizer que leio qualquer coisa que me caia em mãos — menos a lista telefônica, é claro.

Nunca cheguei a me perguntar sobre quando foi exatamente que meu gosto pela leitura começou. No entanto, observar meu pai sempre  s voltas com livros, revistas e jornais em casa e ter a sorte de ter tido contato com uma série de bons títulos quando eu era criança, lá na escola onde eu estudei, com certeza contribuíram totalmente para o fato.

Depois de citar alguns títulos dos quais me lembrei quase que instantaneamente durante o bate-papo, achei que não deveria perder a chance de registrá-los por aqui. Afinal de contas, um pouco de nostalgia nunca é demais. Assim sendo, seguem cinco daqueles que, por terem surgido em minha memória tão rapidamente esta semana, são certamente os meus livros favoritos de infância.

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Duas palavrinhas sobre GTD

Qualquer um que trabalha sabe o quanto é fácil acumular tarefas que precisam ser feitas.

Dia após dia, hora após hora elas vão surgindo, mais simples ou mais complexas, e a única coisa que se pode afirmar a respeito delas com toda certeza é que, caso nada seja feito, acabarão se acumulando em uma pilha enorme, tudo para que constatemos — muitas vezes tarde demais — que os prazos prometidos originalmente já estouraram, ou que ações antes importantes se tornaram urgentes num mero piscar de olhos.

De uns dois anos e meio pra cá, com minha carga de responsabilidades aumentando progressivamente no trabalho, me dei conta de que eu precisaria adotar algum tipo de mecanismo se não quisesse me ver, de uma hora pra outra, em meio a um mar de desorganização, sem conseguir fazer tudo o que era esperado de mim, e sendo cobrado por atrasos ou falta de resultados.

Após observar alguns colegas de trabalho — inclusive meus chefes ao longo dos anos — acabei por adotar um modus operandi que vem funcionando perfeitamente, e o melhor, fazendo com que eu me sinta produtivo — coisa que considero fundamental para o bom desempenho do trabalho de qualquer pessoa. Esta semana, depois de conversar com uma amiga que me dizia precisar se organizar melhor, surgiu a idéia para este artigo, pois assim posso compartilhar o que faço com mais gente.

A coisa é, realmente, muito simples: Com um caderno em mãos — o mesmo que carrego para cima e para baixo para todas as reuniões onde participo —, vou anotando, uma em cada linha, cada uma das ações que eu preciso realizar. Podem ser coisas banais, como fazer uma ligação, ou mais complexas, como planejar os próximos passos de um projeto. Não importa. Anoto tudo usando uma linha de caderno por vez, e,   frente de cada item, desenho uma caixinha, tal como um checkbox.

Na realidade, a lista de caixinhas é a lista de todas as coisas que preciso que sejam feitas, listadas em sequência e, por mais que uma lista assim seja uma das invenções mais antigas da humanidade, para mim o segredo está em como utilizá-la.

É por isso que todos os dias, ao chegar no trabalho, abro meu meu caderno e vou olhar para as tais caixinhas. Aquelas que posso resolver de imediato, resolvo. Aquelas para as quais preciso me comunicar com alguém, geram ligações, conversas de corredor ou reuniões, ou seja se desdobram em ações mais estruturadas, ou mesmo pequenos projetos. Aquelas que vão ficando muito para trás, risco e escrevo novamente na página mais recente, basicamente para me obrigar a olhar para elas, até que as resolva.

The Big Picture

Dia desses eu li sobre um camarada chamado David Allen, que criou uma metodologia chamada Getting Things Done — ou Fazendo as Coisas Acontecerem. Muita gente se refere a esta metodologia apenas como GTD. Trata-se de um conjunto de boas práticas cujo princípio fundamental, na minha opinião, vai justamente ao encontro do que eu venho fazendo há algum tempo.

Allen diz que é necessário que uma pessoa tire as tarefas que precisa fazer da cabeça, registrando tudo externamente. Fazendo isso, libera-se a mente do trabalho de ter que se lembrar de tudo o que precisa ser feito, e pode-se concentrar em fazer as tarefas. A essência da coisa é fabulosa.

Apesar de não ter lido o livro onde ele explica todos os passos para aplicar a metodologia detalhadamente (há também uma versão traduzida), a leitura da lista dos princípios básicos do Getting Things Done demonstra que tudo pode, sim, começar por uma simples lista como a que eu tenho feito ao longo dos anos.

Para mim, o que o GTD proporciona a mais são algumas técnicas para ajudar a priorizar o que deve ser feito imediatamente ou mais tarde.  Fora isso, basta realmente só acompanhar a lista para saber o que fazer a seguir, e partir para a ação, ou seja, não existe nada de abstrato no mecanismo.

Senão vejamos: Voltando   minha história com as caixinhas anotadas diretamente no caderno, tudo o que eu preciso garantir para alcançar resultados é que o maior número possível delas seja marcado com um belo X ao final de cada dia. Assim, elas me dão a sensação de tarefa realizada, de dever cumprido… e de produtividade. E, é claro, para as caixinhas que ficam em aberto de um dia para o outro, ou de um período maior para outro, sempre há como encará-las como incentivo para fechar mais pendências, o que torna a coisa uma bela diversão.

Para quem não se sente muito a vontade fazendo listas em cadernos e prefere algo diferente, pode conseguir uns modelos diversificados através do PocketMod, ou recorrer ao famoso Remember the Milk. E para quem quer mergulhar mais a fundo no GTD,  há sempre alternativas gratuitas, como o  GTD-Freeque aliás pode ser levado num pen drive, para estar sempre disponível, se necessário.

Feliz Natal

E mesmo sabendo que nem todos os contos de fadas terminam exatamente com um final feliz, desejo a todos os meus (poucos mas) fiéis leitores um excelente Natal!!

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Martírio com a Telefônica

Estava no trabalho quarta-feira passada quando minha esposa me liga do celular dela, dizendo que o telefone de casa estava completamente mudo. Minha nobre missão, graças a este acontecimento, era mais clara do que água: Entrar em contato com o famigerado suporte técnico da Telefônica para reportar o problema e solicitar uma solução imediatamente.

Lá vou eu discar para o 103 15, canal de auxílio ao assinante. Depois de ouvir uma interminável mensagem sobre o fim do acesso gratuito   Internet para assinantes do Speedy, que agora precisarão assinar um provedor de acesso para continuar navegando e fazendo outras coisas, um atendente começa a falar comigo.

Após explicar a ele que a linha em casa estava muda — e depois que ele finalmente coletou todos os meus dados pessoais para que pudesse abrir um chamado, ganhei um número de protocolo do atendimento, juntamente com a promessa de que em até 48 horas eu receberia uma ligação marcando um horário para que um técnico da empresa pudesse vir e averiguar o que poderia estar ocorrendo de errado.

48 horas só para entrar em contato? Que espécie de tratamento é esse da Telefônica para com seus clientes — eu pensei. No entanto, não externei meu pensamento para o pobre atendente, que, no final das contas, não tem nenhuma culpa no cartório. O problema maior é mesmo a empresa nos deixar assim, sem socorro, enquanto minhas necessidades se acumulam — marcar consultas médicas, fazer contatos, e até mesmo ligar para bater um papo com minha mãe — sem telefone. E, é claro, nada de Speedy. Assim sendo, coitado de mim por ter contas e contas a pagar, e não poder acessar o Internet Banking.

Completei, na quinta-feira, mais de 24 horas sem resposta. Ninguém da Telefônica havia me ligado no celular para sequer dizer olá — que dirá para marcar um horário e averiguar o problema. Resolvi ligar para o mesmo 103 15 pela segunda vez. Após esperar um tempão — quase 8 minutos até que um atendente pegasse a ligação, disparei minha história, e como não haviam, ainda, entrado em contato. Pedi para saber o status do meu chamado.

Depois de um “um minuto por favor, estou levantando os dados do seu chamado”, mais um tempo de espera. O que se seguiu, para meu espanto, foi um diálogo mais ou menos assim:

— Senhor, não há nenhum chamado aberto para sua linha telefônica.

— Como? — pausa, surpreso. E o protocolo que abri ontem?

— Senhor, ainda não se passaram as 48 horas de prazo. O senhor precisa esperar.

— Você não acabou de me dizer que não tem chamado aberto?

(silêncio) Um minuto, senhor.

Toca me pôr pra ouvir aquela vinheta de Natal da Telefônica. Então:

— Senhor, conversei com a responsável pelo sistema, e ela me disse que  s vezes é normal que os pedidos sumam do sistema.

Obviamente eu não acreditei naquilo. Não era possível que alguém achasse que as empresas — qualquer uma delas, mesmo a Telefônica — perdesse os chamados abertos por seus clientes. Isso, imagino eu, já seria o cúmulo de todos os cúmulos. No entanto, sem perder a paciência com o rapaz que me atendia , pedi a ele a gentileza de abrir então um segundo chamado.

Apenas para situá-los, o diálogo estava correndo solto entre nós lá pelas cinco e meia da tarde da quinta-feira. O camarada me coleta — de novo — todos os dados pessoais e me dispara o seguinte, na seq¼ência:

Então, senhor… — com uma cara daqueles “veja bem“, sabem como é? — é que eu não consigo abrir o chamado pro senhor agora, porquê estou sem acesso ao sistema. No entanto, como eu tenho seu número — de celular — eu volto a ligar pro senhor até as oito da noite de hoje para concluir o atendimento.

Quem está na chuva é pra se molhar, não é assim que dizem? Respirando fundo, aceitei a proposta do rapaz. Desliguei o celular e virei pra minha esposa, que acompanhava o diálogo entre mim e o atendente. Uma troca de olhares foi suficiente, e eu disse:

— Você quer apostar comigo R$ 10 que ele não liga até as oito?

Ela não quis apostar.

Ainda bem, pois perderia. Nada de ligação até as 21hs de quinta-feira. Foi mais ou menos nesse horário que eu, sem desistir, mas muito menos paciente, entrei em contato com o 103 15 novamente. Dessa vez, com vontade de mandar alguém pra’quele lugar. O resumo da terceira ligação para o suporte?

— Estou abrindo um chamado na Anatel reclamando de vocês porquê já estou cansado. Esperei quase 48 horas por atendimento e na última vez vocês nem se deram ao luxo de me ligar de volta, apesar da promessa.

Acho que mencionar a Agência Nacional de Telecomunicações tem propriedades mágicas. Não é que na sexta-feira — podia ser de manhã, mas tudo bem — lá pelas 15h30 toca meu celular? O interlocutor:

— Senhor Daniel? Aqui é o (…) da Telefônica, estou ligando pra dizer que sua linha de telefone foi vistoriada hoje pela manhã por um técnico, e já está tudo resolvido. O senhor confirma?

Acontece que, para o azar dele, eu havia ligado pra casa 5 minutos antes, do celular, justamente para verificar se por um acaso divino as coisas já tinham se resolvido, e nada.  A ligação caiu direto na secretária eletrônica padrão da Telefônica.

— Olha, (…), não confirmo não. Acabei de ligar em casa e a linha continua com problema.

— Neste caso, senhor, mandarei um técnico   sua residência. Qual o melhor horário?

— Vocês trabalham sábado?lá se ia o meu sábado.

— Sim senhor. Pode ser sábado pela manhã?

Fiquei de esperar o cara vir, no sábado de manhã. No entanto, depois de desligar, fiz contato com minha esposa pelo celular e, para nossa surpresa, o telefone de casa parecia estar normal. Parecia. Pedi pra ela se conectar   Internet e me ligar em seguida. Quando o telefone tocou, uma má notícia: O Speedy não entrava, nem com reza brava.

Felizmente o técnico já estava agendado para nos fazer uma visita, de qualquer jeito. Então resolvemos esperar. Às  9 da manhã de sábado me liga uma moça da Telefônica, me dizendo que o técnico nos visitaria até a hora do almoço. Pensei estar livre da questão em breve, mas deu meio-dia e nada do camarada aparecer.

Sai pra almoçar com meus pais, levando a patota toda.

Na volta, quase duas da tarde de sábado, pergunto ao porteiro se alguém da Telefônica tinha visitado o prédio. Depois da negativa dele, pelo menos fiquei aliviado por não ser vítima da Lei de Murphy — e se eu tivesse saído e, justo naquela hora, o cara inventasse de aparecer?

Eis que, quase três da tarde, minha esposa atende o telefone. É o técnico da Telefônica, dizendo que está — finalmente, Aleluia!!! — mexendo com nossa linha. Que ela poderia ficar muda um pouco, mas já voltaria. Pra encurtar essa — já muuuuito longa — história, o camarada ligou de novo 15 minutos depois, e tudo se consertou.

A pergunta que não quis calar, fiz ao técnico quando ele, depois disso, veio até a nossa casa para fazer testes finais de rotina. O que foi tudo isso, que nos deixou sem telefone e Internet tanto tempo assim? Descobri que uma outra pessoa havia atendido um chamado de instalação de Speedy aqui no condomínio onde eu moro, e que havia bagunçado as coisas.

Se essa podia ser considerada uma explicação razoável, eu já não tinha mais forças pra argumentar. Pelo menos telefone e internet tinham mesmo voltado a funcionar, e, em pleno sábado, com metade do dia perdido devido ao chá de cadeira, não quis prolongar a história.

Moral da história: Preciso me livrar da Telefônica o quanto antes. Enquanto isso não acontece, no entanto —- vou esperar até 2009 pra isso, por motivos pessoais —, toca esperar segunda-feira: Será o dia em que vou — de novo — ligar pro 103 15. Descansado, vou entrar em contato com o setor comercial. Nova missão? Exigir ressarcimento pelos dias sem conexão com o Speedy e sem linha telefônica.

Me desejem sorte. Eu VOU precisar.

Olá, chip da Oi!

Desde o último dia 24 de outubro sou um dos mais novos clientes da Oi, operadora de celular que iniciou suas atividades aqui no estado de São Paulo. Os motivadores para tal decisão se resumem a dois pontos principais.

Primeiro, a curiosidade. Sempre ouvi falar muita coisa a respeito da operadora, e, não vou mentir, na sua grande maioria, coisas positivas. A empresa, por exemplo, sempre defendeu o desbloqueio de aparelhos — inclusive com campanhas muito bem estruturadas —, e tem um slogan que diz “você fica na Oi porquê gosta da OI“. Nada mais justo.

O segundo motivador é financeiro. Para os clientes que comprassem um chip da Oi e se cadastrassem até o final do mês de outubro, a operadora ofereceu uma promoção praticamente irrecusável — e que provocou filas quilométricas em seus quiosques e lojas dos shoppings aqui da cidade: R$ 600 em créditos por mês durante os três primeiros meses de uso, distribuídos em R$ 20 por dia — embora válidos apenas no próprio dia. Estes créditos podem ser gastos em ligações locais para qualquer telefone fixo ou número da Oi, ou ainda em ligações interurbanas usando-se a Telemar (31), para qualquer telefone Oi, seja ele celular ou fixo. E de quebra ainda podem ser enviados torpedos SMS para qualquer operadora.

Aqui em casa temos aproveitado bastante a novidade: Minha esposa principalmente, pois tem entrado em contato com familiares no Nordeste que usama Oi — tanto celular quanto fixo, e que, por sinal, não parecem reclamar nem um pouco do serviço. Aliás, entrando em contato com conhecidos que trabalham em lojas de outras operadoras, também não tenho visto nenhuma reclamação. Todos dizem que a operadora é ótima.

Será que estou cego pela novidade? Apesar de saber que a resposta poder ser, eventualmente, sim, por enquanto estou gostando muito. A única desvantagem que percebi em relação   Claro — operadora da qual tenho um chip ainda não colocado em desuso — é a praticidade desta última ao oferecer um endereço de email para nossos celulares, que pode ser usado a partir de qualquer serviço de correio eletrônico para enviar SMS diretamente para o celular. Nada que não possa ser contornado, é claro, através de serviços gratuitos oferecidos na própria web ou pelo site da operadora.

Agora é só esperar pra ver o que o tempo dirá.

RIC: Finalmente um único documento para nós, brasileiros!

Você sabia que quando não leva o título de eleitor   seção em que vota — seja por esquecimento, ou qualquer outro motivo —, pode apresentar ao mesário um documento com foto que permita sua identificação, e assim votar normalmente?

Pois bem, é verdade. Essa orientação que os mesários recebem — e que eu, esse ano, por mais uma vez ter sido convocado para prestar meus serviços de cidadania ao País, ouvi de novo no treinamento — sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha: Porquê apresentar um documento com foto na impossibilidade de apresentação de outro — neste caso, o título —, sem foto? Não parece lógico, vocês concordam?

Para mim, essa questão — que levantei semana passada durante um almoço com amigos, no trabalho — reflete a desorganização de nosso país no que diz respeito   documentos. Vocês já pararam pra pensar que um cidadão brasileiro em idade produtiva, além do título de eleitor, possui uma boa leva de documentos adicionais? CPF, RG, PIS, Carteira de Trabalho, Certificado de Reservista (para os homens) e Carteira de Habilitação são só alguns exemplos dos quais me recordo agora, e olha que só esses já são muitos.

Já faz algum tempo agora que eu, incomodado com essa diversidade toda, tenho andado apenas com a CNH. Nela, afinal, constam os números de RG e CPF, que são os mais corriqueiramente solicitados no dia-a-dia, sobretudo no comércio. Até hoje, assim, isso me faz pensar na boa e velha carteira de motorista como o documento mais completo com o qual nós, brasileiros, podemos contar até o momento.

Digo até o momento porquê está em vias de ser implantado um novo documento. Denominado RIC, ou Registro de Identidade Civil, ele foi criado pela Lei 9.454, de 7 de abril de 1997, e ainda depende de aprovação de um decreto para sua oficialização. Caso tudo corra bem, deve passar a vigorar já em 2009 e terá tudo para trazer nosso país para o primeiro mundo da identificação de pessoas.

A principal motivação para a criação do RIC é unificar os cadastros de identificação estaduais e federal. Assim será garantido a cada cidadão brasileiro um número único que o identificará, evitando problemas corriqueiros com homônimos e pessoas que possuem os mesmos nomes de pai e mãe. Na prática, basta imaginar o número de fraudes — pessoas se passando por outras, ou tirando o mesmo documento em vários estados do Brasil — e de crimes que essa medida evitará.

Além da já tradicional marca d’água, o novo RIC deverá ser impresso em seis camadas, com palavras escritas com tinta invisível e utilização de efeitos óticos especiais. O cartão também terá um chip, que armanezará os diversos números de documentos dos cidadãos. Assim, como eu mencionei no começo do texto, os números de CPF, RG, PIS/PASEP e Título de Eleitor poderão todos ficar concentrados em um único documento, que, aliás, será do tamanho de um cartão de crédito comum.

Mas a coisa não pára por aí: Graças ao chamado AFIS, ou Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais — que foi comprado pelo Governo Federal em 2004 e custou cerca de US$ 35 milhões aos cofres públicos —, as impressões digitais e assinatura do portador também poderão ser coletadas digitalmente, ficando armazenadas no chip do cartão [foot]Em tempo, para obter mais informações sobre o RIC, assista ao vídeo institucional apresentado em 8 de julho deste ano em Brasília, durante o I Encontro Nacional de Identificação[/foot].

Se o decreto que falta para oficializar o RIC não demorar a sair, vejo ser esta, finalmente, a resposta positiva   uma indagação feita pelo Émerson no Infowester tempos atrás: Será que o Brasil um dia se igualaria   países como a Espanha, onde o DNI, ou Documento Nacional de Identidad, já é realidade para muitos cidadãos, contando com tecnologia muito similar   proposta para o padrão brasileiro, e facilitando o acesso aos serviços públicos, compras, e muitas outras tarefas cotidianas?

Eu realmente espero que isso ocorra rapidamente.

Infelizmente, me atrevo a dizer, ainda parafraseando o Émerson, que o sucesso ou não do Registro de Identificação Civil dependerá — e muito —, de uma administração pública séria e organizada em nosso país. Por ora, vejo que existem dois fatores de risco pelo caminho. O primeiro deles é o tempo de implantação da novidade: Para que o RIC se espalhe serão necessários cerca de nove anos, durante os quais devem ser devidamente equipados os 4.375 postos de identificação que existem atualmente em nosso país.

O outro fator de risco, que na minha opinião é muito mais grave, é a afirmação da Polícia Civil de que tirar o RIC não será obrigatório. A meu ver isso pode ser um risco   integração que está se almejando, pois, se assim for, acabaremos na verdade por criar mais um documento entre muitos, e conviveremos num cenário em que a vanguarda tecnológica da identificação de cidadãos estará lado a lado com RGs batidos   máquina e com fotos do tempo do onça.

Espero que, nesse aspecto, o Brasil demonstre estar   altura de nossos hermanos espanhóis, e realmente leve   sério a implantação de um registro que será precursor na conquista de uma série de facilidades para a nossa população.

A Vivo (quase) subiu no meu conceito

No último fim de semana, depois de alguns anos de bons serviços, o celular da minha esposa simplesmente resolveu que não ia funcionar. De uma hora pra outra não ligou mais, e, por mais que algumas contra-medidas tenham sido aplicadas, não teve mesmo jeito: O bichinho estava mesmo determinado a bater as botas.

Como isso aconteceu, não tivemos outro remédio, a não ser comprar um novo aparelho. Após procurar por um que fosse de seu agrado, finalmente ela se decidiu por um Nokia 5200, na cor preta, tal como o que ilustra este artigo. O principal problema da decisão foi que os únicos aparelhos desta cor disponíveis na cidade — por mais que procurássemos — eram habilitados pela Vivo.

Não entrarei em detalhes a respeito agora, mas ocorre que temos, em casa, um certo histórico de aversões   operadora. Tanto é que nossos celulares em casa são da Claro e da TIM. No entanto, após pensarmos um pouco — e após minhas inúteis tentativas de dissuadir minha esposa de comprar este modelo em específico por conta justamente da operadora —, o que acabamos fazendo foi adquirir o Nokia 5200 da Vivo mesmo, para colocar em prática nossos direitos, garantidos pela resolução 477 da Anatel.

Na prática, uma das coisas garantidas por tal documento aos consumidores é o direito de desbloqueio do aparelho celular sem qualquer custo adicional além do de própria aquisição do telefone — e do chip. Ocorre que esta semana fomos   loja da Vivo para que o celular fosse desbloqueado, e, na primeira vez, após receber de bom grado o pedido feito por minha esposa — o que me espantou, dadas as inúmeras histórias que já ouvi com relação   operadoras que dificultam ou ainda cobram pelo desbloqueio, mesmo sabendo estarem contra a lei — a atendente da loja realizou o cadastro dos dados pessoais e, em seguida, nos pediu para voltar outro dia pois estava sem condições de desbloquear o aparelho naquele instante por falta de senhas de desbloqueio, que, segundo ela, eram geradas diariamente mas já haviam acabado na ocasião.

Apesar de ter aceitado a sugestão de voltar outro dia, nada me tirou da cabeça que o argumento da moça da loja nada mais era do que uma tentativa de nos fazer desistir de nosso intuito. Sabe quando você tenta cancelar um serviço ou cartão de crédito, e ficam te jogando de um lado pro outro, de uma pessoa pra outra? Então… quase como se fosse isso. Ainda comentei com minha esposa que estávamos sendo enrolados, mas não tínhamos prova disso.

Depois disso, mais dois contatos telefônicos foram necessários, até descobrirmos que — agora sim — o desbloqueio poderia ser feito. Voltamos   loja em questão dois dias depois e aí sim uma das atendentes pegou o aparelho e, para a minha total surpresa, puxou da gaveta um manual operacional da Vivo todo surrado, de onde encontrou uma página de instruções para desbloqueio para celulares Nokia e começou a seguir os passos. Sem que ela consultasse qualquer informação — muito menos qualquer tipo de senha — em poucos minutos foi possível inserirmos um chip GSM da Claro, que, muito normalmente, foi aceito pelo aparelho, que enfim estava livre das correntes da Vivo.

Não quis criar caso com a atendente — que não era a mesma do outro dia —, mas fiquei pensando que minhas suspeitas realmente se confirmaram: Mesmo com a lei do nosso lado, há empresas que tentam se valer de várias técnicas diferentes para não cumpri-la, e ficou evidente que este episódio retratou apenas uma dessas técnicas. Dessa maneira, quando eu estava pensando em redimir a Vivo por outros episódios em minha vida justamente porque eles até que não dificultariam nossa vida para desbloquear um celular, percebi que, no máximo, a operadora quase subiu no meu conceito. Mas bateu na trave.

O papel da Internet na democracia brasileira precisa mudar

Não sei quantos de vocês já sabiam disso, mas foi comentado pela mídia recentemente que, na corrida rumo   Casa Branca, Barack Obama anunciou o nome do candidato a vice-presidente de sua chapa, Joseph Biden, através de mensagens enviadas por email e SMS para interessados que se pré-cadastraram. Só neste único movimento, o alcance foi de 2,9 milhões de eleitores.

Além disso, a Technology Review Maganize, revista editada pelo MIT, publicou recentemente em seu site um artigo de seis páginas que achei bastante informativo, com o sugestivo título How Obama really did it, ou Como Obama realmente chegou lá. No texto, os passos por detrás da criação do MyBO, a rede social que certamente contribuiu para a escolha do candidato dos democratas  s eleições presidenciais norte-americanas.

O MyBO é um conglomerado de ferramentas sociais desenvolvidas, entre outras pessoas, por Chris Hughes, co-fundador do Facebook, que permitiram aos voluntários do candidato, entre outras coisas, realizarem doações, imprimir panfletos baixados diretamente do site e distribui-los na vizinhança aos indecisos, acompanhar eventos, recrutarem outros voluntários e se organizarem em grupos de discussão para debaterem propostas e pontos de vista comuns.

Outro aspecto interessante que alavancou a campanha de Barack Obama foi o que o artigo considera marketing viral da internet: A divulgação, através do YouTube, de vídeos dos discursos do candidato, e de um clipe entitulado Yes, we can, em que um desses discursos foi sincronizado a uma música de Will.i.am renderam-lhe milhões e milhões de visitas, somadas   mais de 69 mil seguidores de seu perfil no Twitter.

Arrematando meu comentário sobre o candidato americano, uma visita a seu site mostra que há uma preocupação muito grande com a comunicação: Propostas de governo para muitas questões, como a educação, por exemplo, são amplamente detalhadas. Blog e outras ferramentas permitem o envio de dúvidas e a capacidade de seguir o candidato onde ele estiver.

Toda essa exposição de argumentos que fiz até agora tem uma única finalidade: Comparar o cenário americano com o brasileiro — mesmo que lá eles estejam para eleger um novo presidente, e nós, prefeitos e vereadores. Quando olho para nosso país, percebo que é ainda muito pequeno o número de candidatos que faz uso de qualquer um dos recursos que citei acima para alavancarem suas campanhas utilizando a internet.

Em parte, a culpa é de duas legislações brasileiras: A primeira, a Lei 9.504, de setembro de 1997. Essa lei impede “…veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes“, bem como…veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos“.

A segunda, a resolução 22718 do TSE. Em seu capítulo IV, a resolução, criada especialmente para as Eleições de 2008, limita a propaganda eleitoral dos candidatos, que “…somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente   campanha eleitoral“. Para mim, essas duas resoluções em conjunto inviabilizam a utilização do mesmo sistema empregado por Barack Obama nos EUA por aqui. Em tese, não são permitidas as criações, quer por parte do eleitorado ou dos candidatos, de blogs, vídeos no YouTube, podcasts ou perfis no Orkut e Twitter. Os infratores podem ser multados e até presos.

Pra mim, essas duas leis ferem não apenas a democracia, mas também o direito   liberdade de expressão. Vejamos o lado do eleitor: Se eu gosto de um ou outro candidato, nada me impede de circular com camisetas alusivas   candidatura, ou de pendurar um cartaz com o número dele na minha casa. Também posso fazer propaganda boca-a-boca com a vizinhança, amigos e parentes e colar adesivos no meu carro. Nada mais natural seria permitir que isso ocorresse também na internet, já que muita gente, assim como eu, tem perfil em redes sociais ou mantém blogs. Ao invés de adesivos, podcasts. Ao invés de camisetas, um link ou banner num site, oras.

Vejamos, agora, o lado do candidato: A web, apesar de ainda não alcançada por parcelas significativas da população brasileira, poderia ser o canal perfeito não apenas para a realização de marketing, mas também para a apresentação de propostas detalhadas dos candidatos, e espaço aberto para o debate de suas intenções diretamente com o eleitorado. Assim, não vejo porquê não poderiam ser criados os tais perfis em redes sociais, vídeos no YouTube e travados debates nas salas de bate-papo dos sites dos próprios candidatos, principalmente os candidatos   vereador.

Falo especialmente destes últimos porquê considero que a maneira como nos são apresentadas tais candidaturas a vereador nos horários eleitorais da televisão e rádio chegam a ser surreais. Cada candidato tem menos de 10 segundos pra falar sobre si e sobre suas propostas, o que, na prática, acaba gerando aqueles estereótipos que toda cidade tem — aqui, na minha, por exemplo, um candidato de apelio Tang conclama votos da população para si, sob o pretexto de que “…os outros são todos ki-suco”.

Enfim, a livre utilização de sites, blogs, vídeos, redes sociais e demais ferramentas web por um candidato a vereador durante o período eleitoral aqui no Brasil poderia ser a via para apresentação, também por parte dele, de propostas e pontos de vista, rebatidas ou defendidas por seu eleitorado, num grande debate online. Sinceramente, é assim que eu vejo o papel da Internet na democracia brasileira.