Os ônibus londrinos que são movidos a café

Vi esta semana uma reportagem falando de uma startup britânica chamada bio-bean (escrito assim mesmo, com letras minúsculas), que se uniu com a Shell e com a Argent Energy para desenvolver um biocombustível para uso nos ônibus londrinos que são movidos a diesel. Detalhe: O ingrediente-base deste biocombustível é a bebida favorita de milhões de seres humanos: café.

A startup coleta as borras de café usadas pelos bares, restaurantes e empresas em geral, transporta todas elas para um centro de reciclagem próprio e lá faz com que as borras passem por um processo de secagem, para em seguida extrair óleo de café. Este óleo, então, é misturado com outros combustíveis já existentes para produzir um biocombustível batizado de B20, que pode ser operado em motores diesel sem modificação alguma.

O fundador da bio-bean, Arthur Kay

A bio-bean produziu 6000 litros de óleo de café para um projeto piloto junto à autoridade britânica de transporte, o que vai ser suficiente para fornecer combustível para movimentar um ônibus municipal da frota por um ano inteiro. Embora não haja um acordo entre o governo e a startup para continuar a operação depois disso, obviamente eles esperam que isso seja viabilizado: Os britânicos produzem 500.000 toneladas de borra de café por ano, todas altamente calóricas e mal aproveitadas, uma vez que deixá-las em depósitos de lixo por aí, além de ser um desperdício, contribui com a emissão de gases que pioram o efeito estufa. Os Estados Unidos, maior mercado consumidor de café do mundo – cerca de 400 milhões de xícaras por dia, são outro país em que a bio-bean está de olho.

Agora vejam como é possível alcançar resultados inusitados – e altamente inovadores – quando se resolve dar uma segunda olhada naquilo que para muitos olhos é apenas resto, ou lixo. Vale uma reflexão, impulsionada por criatividade.

O Paradoxo de Stockdale

James Stockdale

Um colega de trabalho me apresentou hoje ao Paradoxo de Stockdale. Estávamos discutindo sobre as chances de um dado projeto que temos em mente para a empresa ser aprovado ou não por nosso departamento financeiro para execução ao longo do ano que vem, e ele citou a história, que, no final das contas se aplica não apenas aos ambientes corporativos, mas também à nossa vida pessoal.

termo paradoxo de Stockdale foi citado no livro Good to Great: Why Some Companies Make the Leap and Others Don’t, escrito por Jim Collins. A obra retrata a pesquisa que o autor e sua equipe fizeram ao longo de cinco anos tentando identificar os principais fatores que separam as boas empresas — ou aquelas que se tornaram brevemente grandiosas das empresas que conseguiram não apenas alcançar, mas também sustentar a excelência por 15 anos consecutivos ou mais.

O paradoxo se refere ao Almirante James “Jim” Stockdale, oficial militar de mais alta patente a permanecer recluso na prisão de Hoa Lo, instalação utilizada para manter os prisioneiros de guerra americanos durante a Guerra do Vietnã. Stockdale foi torturado mais de 20 vezes durante os 8 anos que passou aprisionado, entre 1965 e 1973, não tendo direito a qualquer regalia supostamente oferecida a outros prisioneiros, não sabendo qual seria sua data de soltura daquela instalação ou se ele de fato sobreviveria para ver sua família novamente.

A situação crítica a que Stockdale estava submetido foi exatamente o ponto a que meu colega de trabalho se referiu. No capítulo 4 de Good to Great, o autor Jim Collins relata sua ansiedade ao se ver diante da chance de passar uma parte de uma tarde ao lado de Stockdale, após convite do próprio para almoçarem juntos, uma vez que se descobriram colegas de pesquisa na Hoover Institution da Universidade de Stanford e que um dos alunos de Collins tinha escrito sua tese sobre Stockdale. Para se preparar para o encontro, Collins leu In Love and War, relato sobre o que Stockdale viveu, escrito em conjunto com sua esposa, e se sentiu deprimido com o que o oficial passou, mesmo sabendo que ele mais tarde escaparia e se salvaria, para contar sua história. Quando Collins perguntou a Stockdale como ele próprio aguentou passar por aquilo, recebeu como resposta, em tradução livre feita por mim:

 Nunca perdi a fé no final da história ,” ele disse, quando lhe fiz a pergunta. “ Nunca duvidei de que não apenas eu sairia [da prisão] mas também de que eu prevaleceria no final e transformaria toda aquela experiência no evento que definiria a minha vida , o que, olhando para trás, eu não trocaria por nada.”

Eis o que meu colega de trabalho me perguntou quando mencionou o paradoxo de Stockdale: “Passando pelo que esse cara passou, por tanto tempo, quem você acha que não conseguiu sobreviver? Os prisioneiros otimistas ou os pessimistas?”. Eu confesso que errei a resposta. E Jim Collins ficou igualmente perplexo quando recebeu a resposta do próprio Stockdale:

“Quem não conseguiu sobreviver?”
“Ah, isso é fácil,” ele disse. “Os otimistas.”
“Os otimistas? Eu não entendo,” respondi, agora completamente confuso, dado o que ele havia dito [antes].

Segundo Stockdale, os otimistas se deram mal porquê eram eles quem ficavam dizendo coisas como “Nós vamos sair até o Natal“. Aí eis que chegava o Natal, e o Natal ia embora, e nada desses prisioneiros otimistas saírem da prisão. Mas eternos otimistas, eles diriam “Nós vamos sair até a Páscoa“, mas a Páscoa chegaria e iria embora sem que ninguém saísse de lá. Depois o Dia de Ação de Graças, e depois o Natal, de novo. E esses caras, muito otimistas, morreriam deprimidos.

A questão aqui, a meu ver, é de resiliência: Recobrar-se facilmente ou adaptar-se à quaisquer intempéries ou mudanças: Stockdale fez o que pôde para ajudar o maior número de prisioneiros que dividiam aquele dia-a-dia com ele a saírem de lá ilesos, criando um sistema de comunicação por batidas que eles podiam usar durante o silêncio obrigatório durante a noite, inflingindo a si próprio diversas torturas e desfigurações, para evitar que seus captores pudessem usar sua imagem como propaganda militar, escreveu cartas para sua esposa ocultando nas entrelinhas diversos segredos de estado, entre outras coisas. Na prática, com os diversos limões que a vida lhe apresentou, tomou o máximo de limonada que pôde.

Reprodução do livro “Good to Great”, capítulo 4

Assim, a grande lição deste paradoxo é que nunca devemos deixar de ser otimistas, até porquê otimismo é muito bom.  Mas, nosso otimismo tem que ser realista . Nunca devemos confundir a fé na vitória, no final, com a disciplina de enfrentar a realidade atual, ainda que ela possa parecer muito dura. Na prática, haverão algumas vezes na vida em que nós simplesmente não vamos sair quando o Natal chegar, e vamos ter que viver com isso.

Meu aspecto menos favorito das typing notifications

Quantas e quantas vezes, no meio de um chat do WhatsApp ou do Facebook Messenger você já se pegou observando uma typing notification — aquele aviso amigável que mostra que alguém está digitando uma resposta para você?

Essa tirinha do xkcd acertou em cheio: Sempre me perguntei porquê tantos segundos se passam, alternando as typing notifications com períodos de aparente inatividade, só para na sequência receber respostas mnemônicas:

— Ok.

— Sim.

— Tá bom.

Randall Munroe, wise as usual.

Quanto vale a bicicleta do meu filho?

No ano passado, quando meu filho mais novo  completou 5 anos e ficou grandinho a ponto de não caber mais no seu berço, ele inevitavelmente nos pediu para comprar uma cama grande, igual à do irmão mais velho. Depois de algum tempo pesquisando, encontramos e encomendamos uma pra ele, em uma loja aqui da cidade.

O problema? Precisávamos nos desfazer do berço, pois berço e cama não caberiam no quarto. E precisava ser rápido, porquê a cama, que estava disponível praticamente a pronta entrega, chegaria em 2 dias.

Assim como muita gente antes de mim, recorri ao site do OLX, já que todo o marketing deles em cima de mim funcionou. O mote parecia uma espécie de earworm (“Desapega, desapega…“) e funcionou: Menos de 2 horas depois de colocado o anúncio, um casal veio aqui em casa para levar o berço.

Desde então, bastou encontrarmos alguma coisa sem mais serventia pra gente aqui em casa que lá vamos nós para o site. Esta semana, pelos mesmos motivos do berço, criei um anúncio para vender a bicicleta do meu filho, já que toda vez que ele a pedalava, ultimamente, batia os joelhos no guidão. E pus essa foto bonitona:

Daí pedi R$ 95,00 por ela. Uma nova está por volta de R$ 350,00, então minha esposa e eu achamos que seria um preço justo.

Dependendo da época do ano — e do mês —, além do tipo de coisa que você está oferecendo, o número de visitas pode ser considerável ou não. Para este anúncio específico, recebi um número razoável delas. Muitas pessoas demonstrando interesse: Em dois casos, inclusive, as pessoas me mandaram mensagem via WhatsApp, dizendo que “mais tarde passariam aqui em casa para pegar“, mas nunca vieram de fato.

Entre as diversas mensagens que eu recebi, uma me chamou a atenção:

— Eu tenho R$ 50. Se você fizer pra mim, vou ai buscar agora.

Agora vejam só: Um amigo de faculdade há muitos anos comentou comigo que em certos países da Ásia, África e do Oriente Médio, como Índia, Arábia Saudita, China, Turquia, Indonésia e Marrocos, é muito comum que existam negociações — às vezes longas, às vezes demoradas, para que vendedor e comprador cheguem a um acordo. Chega a ser, segundo a experiência dele, uma afronta que quem está comprando não faça contra-ofertas.

Loja de tapeçarias, no Marrocos

Mas não estamos em um desses países. E, por R$ 50? Eu não estava desesperado para vender nada, então resolvi esperar. Mais mensagens chegaram, mais pessoas prometeram passar por aqui. Passado mais algum tempo, eis que a mesma pessoa me mandou uma mensagem parecida:

— Olha, eu tenho R$ 70. Posso ir buscar com você?

Vejam só. Uma oferta de maior valor.

Mas as ofertas chegavam e, entre elas, muitas pessoas me pedindo para comprar, pelo valor originalmente pedido pela bicicleta. Então, mais uma vez, decidimos não arredar o pé. Teimosos, mantivemos o preço inicial. E mais uma vez as pessoas não chegavam ao finalmente.

Finalmente, depois de passado mais algum tempo, esta mesma pessoa manda sua última mensagem. Usou sua última cartada, seu último recurso. E me perguntou:

— Você faz por R$ 90? É o que eu tenho.

Então concordei.

Cerca de 16 horas após a publicação do anúncio da bicicleta do meu filho, nós a vendemos por R$ 5 menos do que o preço original. Para mim, foi uma forma de recompensar a insistência do camarada, e também, de passar adiante um brinquedo que, como disse, não tinha mais serventia ao meu filho. Em poucas horas tínhamos tanto comprador quanto vendedor satisfeitos.

Essa história me fez pensar.

A situação, embora transcorrida quase que exclusivamente de forma eletrônica, me lembrou de quando eu era pequeno e íamos à praia, em Ubatuba: Meus pais ficavam sempre em suas cadeiras debaixo de um guarda-sol e, quase que invariavelmente, vinha um vendedor de redes negociar com meu pai para que ele comprasse uma delas.

Eu admirava aquele bate-papo entre o vendedor e o meu pai: Como algumas pessoas sentem prazer em negociar, mesmo que no final talvez não concretizem uma venda. Meu pai levou algumas redes pra casa ao longo dos anos. Outras vezes, não levou nada. E seja como for, essa história de vender a bicicleta do meu filho me trouxe esta lembrança.

No meu caso, embora não tenha feito grande concessão de valor, senti-me, de certa forma, transportado à lembrança do meu amigo de faculdade anos atrás: A de estar em um mercado a céu aberto, num país do Oriente Médio.

Curti.

Como você sobe uma escada rolante?

A primeira escada rolante do mundo foi criada, pelo inventor norteamericano Jesse Reno, em setembro de 1895, idealizada para ser um brinquedo de um parque de diverões de Nova Iorque, localizado em Old Iron Pier, Coney Island: tinha uma inclinação vertical de 2,1 metros e inclinação de 25 graus, e os visitantes do parque sentavam-se em placas de metal presas a um cinto móvel que alcançava a velocidade de 22,8 metros por minuto.

A primeira escada rolante do mundo

Parece incrível, mas cerca de 75.000 visitantes deram uma volta no “elevador vertical” durante o período de 15 dias em que ficou instalado no local! Entendo que seja o equivalente a uma atração de parque de diversões moderna, guardadas, evidentemente, as devidas proporções.

Mas… como subir uma escada rolante?

Tudo bem. Este pode ser um assunto polêmico, daqueles que geram horas de debates.

Para mim, o melhor é seguir uma regra de etiqueta.

Na Holanda, a ProRail, empresa governamental que cuida da manutenção da malha ferroviária do país, afixou adesivos em diversas escadas rolantes com os dizeres “links gaan, rechts staan“, algo como “ande na esquerda, pare na direita“.

Não vejo pessoas obedecerem esta máxima aqui no Brasil. Aliás, muito pelo contrário: Quase 100% das pessoas param nos degraus das escadas rolantes de qualquer um dos lados até terminarem a viagem, e eu, por mais que entenda e respeite se tratar de uma opinião pessoal e subjetiva, acho isso lamentável.

Isso porquê, além de manter “a paz e a ordem” em lugares movimentados, esta regra de etiqueta que também é seguida em países como Austrália Inglaterra, desimpede o caminho para as pessoas que queiram chegar mais rapidamente a seus destinos — pense, por exemplo, como isso pode te beneficiar a próxima vez que estiver atrasado para pegar seu trem, para chegar ao portão de embarque em um aeroporto, ou para sair do estacionamento de um shopping movimentado antes de ter que pagar a mais pelo ticket.

Admita: Faz sentido, não é mesmo?

 

A triste geração que virou escrava da própria carreira

E a juventude vai escoando entre os dedos.1Este é um texto de Ruth Manus, blogueira do Estadão, com o qual cruzei através das redes sociais, e que resolvi reproduzir integralmente aqui em meu blog, por concordar com ele em gênero, número e grau.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.

Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.

Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.

Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.

O avião da Turma da Mônica

aviancamonicaUma das personalidades brasileiras que eu mais admiro, Maurício de Sousa, completa, esta semana, seus 80 anos. Entre as diversas comemorações que têm sido feitas pelo criador da Turma da Mônica, uma é, na minha opinião, a mais sensacional de todas, graças à Avianca.

Em um press release do último dia 06 de outubro, a companhia aérea anunciou uma campanha muito legal, em que estampou um Airbus A320, os personagens que fizeram parte da minha infância, e que ainda fazem parte da infância de muita gente:

O avião “Turma da Mônica”, um Airbus A320, estampa em sua fuselagem um adesivo que dá a impressão de que Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, Bidu, entre outros amigos, estão a bordo. Mauricio aparece como piloto da Turma.

Em seu interior também é possível identificar a divertida Turminha nos compartimentos das bagagens de mão, troleys para distribuição do serviço de bordo, espelhos, portas dos banheiros, mesas e cabeçotes em todos os assentos. A Revista de Bordo deste mês divulga o aniversariante na capa e conta com uma entrevista exclusiva. Além disso, passageiros da companhia serão presenteados com gibis e poderão conferir episódios da Turma da Mônica em seus sistemas individuais de entretenimento a bordo.

A aeronave , que possui a matrícula PR-OCN, vem realizando voos regulares nas mais diversas rotas brasileiras onde a companhia opera. É possível acompanhar os destinos online, e a única coisa que lamento é que eu não esteja precisando viajar de avião pra nenhum deles — que pena.

De qualquer forma, quem sabe eu ainda tenha sorte. Tomara.

Tente não bocejar!

Assim como você, eu também já me perguntei o porquê o ser humano boceja.

Sites como o Quora — que eu particularmente gosto de consultar em busca de respostas valorosas para as mais diversas questões do universo — fazem um bom trabalho ao fornecer possíveis respostas, como, por exemplo:

  • Bocejamos porquê o corpo nos induz a fazer isso na tentativa de oxigenar-se para combater a formação de um acúmulo muito grande de dióxido de carbono;
  • Bocejamos porquê supostamente herdamos este comportamento de nossos ancestrais, que faziam isso para mostrar seus dentes e intimidar seus inimigos;
  • Bocejamos quando estamos sonolentos ou nos sentindo entediados com alguma coisa (talvez a mais plausível das respostas, por ser aquela que experimentamos com mais frequência no dia-a-dia);
  • E a mais bizarra delas, ao menos na minha opinião: Bocejamos para refrigerar nossos cérebros, quando estes são expostos a altas temperaturas, como quando, por exemplo, encostamos algo quente em nossas cabeças por alguns minutos.

Mesmo sabendo que todas estas explicações, amplamente discutidas há anos, entram e saem de moda alternadamente, não pude deixar de me divertir com este vídeo do pessoal do canal CollegeHumor, que novamente coloca o assunto em debate. Nosso amigo aí debaixo cita diversos pontos sobre o tema, nos convidando para um verdadeiro desafio de resistência: Você aguenta assistir ao vídeo todo sem bocejar nenhuma vez?

Ah… Eu não consegui.

O poder dos sonhos da Honda

Uma das empresas mais inovadoras das quais eu já ouvi falar — a Honda — publicou hoje em seu canal oficial do Youtube uma nova propaganda, em que utiliza a técnica de stop motion para criar uma fantástica sequência de animação em que milhares de desenhos feitos totalmente à mão são colocados em sequência para demonstrar, em resumo, o que um ser humano pode conseguir fazer se acreditar no poder de seus sonhos.

The power of dreams, aliás, é o slogan da empresa, que sempre teve seus desenvolvimentos centrados na produção de motores, que são usados não apenas em carros e motos, mas também em barcos, lanchas, tratores e, mais recentemente, até mesmo um avião. A ideia do comercial foi atuar como uma espécie de mapa da memória da história da empresa e de seus engenheiros, e eu particularmente acho que a missão foi mais do que cumprida.

Tintin no ar…

Duas coisas que gosto muito foram combinadas neste começo de abril: As Aventuras de Tintin, personagem criado pelo cartunista belga Hergé, que eu acompanho desde que me conheço por gente, e aviação.

A Brussels Airlines acaba de aplicar a um Airbus A320 uma pintura que lembra o submarino em forma de tubarão do livro O Tesouro de Rackham, o Terrível. Batizada, obviamente, de Rackham, a aeronave não tem apenas o exterior pintado: as paredes traseiras do interior da cabine também foram adornadas com imagens de Tintin e seu eterno companheiro de aventuras, Capitão Haddock. Além disso, o toque de mestre está no fato de que o livro que inspirou a pintura está disponível para leitura à bordo, em francês, inglês e holandês.

Hergé nunca foi pintado na fuselagem de um avião antes. A idéia da Brussels Airlines veio da possibilidade de representar Tintin, criado em Bruxelas, na Bélgica, como um verdadeiro embaixador do país. Justa homenagem à Hergé.

Ah… para quem usa o FlightRadar24, a matrícula da aeronave é OO-SNB. Dá pra acompanhar os vôos, seja via web, iOS ou Android 😉

ATUALIZAÇÃO [17/09/2015]: De acordo com o site oficial do Tintin, desde sua viagem inaugural, em março, o Rackham já registrou mais de 975.000 km em vôos, o que representa impressionantes 2 vezes e meia a a distância entre a Terra e a Lua, que é de 384.467 km.

O ‘pedestrian scramble’ paulistano

Encontrei uma notícia ontem, dizendo que a prefeitura de São Paulo implantou duas faixas de pedestres na diagonal, em um cruzamento no centro da cidade — isso significa que, juntas, elas formam o desenho de um ‘X’, fazendo com que quem atravessa a rua possa chegar   calçada oposta atravessando uma única vez.

O processo de atravessar uma rua é tão simples e trivial, já encaixado nas rotinas de todas as pessoas que andam pelas ruas diariamente, que a implantação parece uma bobagem   primeira vista. Mas, do ponto de vista do pedestre, o ganho é grande: chega a 28 segundos economizados, conforme divulgado, na própria notícia que li, pelos técnicos da CET paulistana.

No cruzamento entre a rua Riachuelo e a Avenida Brigadeiro Luis Antônio, onde foi implantada a faixa de pedestres em ‘X’, o tempo total para atravessar para a calçada oposta pelo método “convencional” — em duas etapas — chega em média a 89 segundos. Com a nova faixa, deve-se levar apenas 61 segundos, um ganho de quase 32%.

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Apesar de muito boa para quem atravessa as ruas do cruzamento diariamente, a inovação paulistana não é a primeira desse tipo no mundo: O conceito de faixas de pedestre em ‘X’ surgiu na década de 1940 no Canadá e nos Estados Unidos. Lá fora, chamado de pedestrian scramble, o formato perdeu a preferência entre os engenheiros de tráfego norte-americanos, por priorizar o fluxo de pedestres em relação ao fluxo de carros. Ainda assim, existem exemplos de faixas em ‘X’ no Canadá e no Japão: por lá, aliás, a cidade de Shibuya tem a faixa diagonal mais usada do mundo, inclusive transformada  em ponto turístico pelos nipônicos.

Particularmente, creio que o pedestre sempre deve ter preferência sobre os carros. Assim, torço para que a experiência se frutifique e seja implantada em mais cruzamentos, em São Paulo e fora de lá.

Se você não sabe o que fazer com a cebola, jogue-a fora

Primo Levi

Primo Levi, químico e escritor italiano que sobreviveu ao Holocausto após ter sido prisioneiro em Auschwitz-Birkenau, escreveu em seu livro A Tabela Periódica uma história sobre a época em que trabalhou em uma fábrica de verniz.

Como ele era químico, ficou fascinado pelo fato de que a receita do verniz solicitava que, além da inclusão dos diversos elementos químicos já esperados, fosse também acrescentada uma cebola crua.

Para que serviria ela? Ninguém soube lhe responder. Só sabiam que era parte da receita.

Então ele resolveu investigar, e eventualmente descobriu que alguém tinha acrescentado a cebola anos antes, para verificar a temperatura do verniz — se estivesse quente o suficiente, a cebola fritaria.

Na época em que ele se deu conta disso, tecnologias mais avançadas — como os termômetros — fizeram com que jogar a cebola no verniz se tornasse desnecessário. Mesmo assim, as pessoas seguiram fazendo isso, pois se habituaram ao ingrediente, e deixaram de questionar.

Se está ali, é porquê deve estar certo.

Ao tomar conhecimento, quase que por acaso, da história contada por Primo, me pus a refletir. A primeira reflexão se deu no âmbito profissional — eu trabalho atualmente, de certa forma e em grande parte, com mapeamento e otimização de processos. Vejo as pessoas lidando com cebolas em seus vernizes o tempo todo, e o que é pior: Elas não se dão conta de que as cebolas podem não ser mais necessárias, e que, eventualmente, podem — e devem — ser substituídas.

Experimente olhar para um fluxograma. Observe as etapas ali descritas. Questione-se se ali, por acaso, não existem cebolas no verniz. Garanto que o exercício valerá   pena.

Finalmente, o texto de Primo Levi também é válido para o âmbito pessoal. Quantas não são as cebolas nos vernizes da vida? Quanto bem nos faria nos livrarmos delas, não é mesmo? E não se engane: Todos nós temos pelo menos uma cebola em nossas receitas de verniz. Eu garanto.

Nós não nascemos para assistir vídeos na vertical!

Você com certeza já assistiu. E, se usa bastante seu celular como eu, pode até já ter criado algum deles, ainda que de maneira inadvertida.

Estou falando, é claro, do vídeo gravado em orientação retrato. Aquele mesmo, em que o celular é mantido na posição vertical durante a captura, e que por isso mesmo pode ser chamado também de vídeo na vertical.

Os resultados de um vídeo gravado assim podem ser considerados desastrosos. Quando se assiste um vídeo na vertical, o resultado é uma imagem estreita, com barras pretas preenchendo os lados esquerdo e direito da tela. A coisa pode até funcionar direito em alguns um único caso, que é quando desenvolvedores querem fazer um vídeo de demonstração de seus aplicativos para smartphones, mas, fora isso, é algo que deveria ser repensado.

E convenhamos: Com tablets e smartphones ostentando seus acelerômetros, seria muito fácil que os sistemas operacionais ao menos alertassem os usuários de que os seus aparelhos estão na vertical antes de começarem a gravar os vídeos.

Não me entendam mal… Esta posição sobre vídeos na vertical é extremamente pessoal. Eu acho que eles são completamente errados. E acabei encontrando por acaso, na internet, o vídeo que está acima, exibindo de maneira divertida as consequências da chamada síndrome do vídeo vertical.

Eu entendo que a orientação retrato é remanescente das câmeras digitais, e, na verdade, da época das câmeras analógicas. Mas enquanto parece completamente correto virar a câmera na vertical para tirar uma foto em pé, a mesma naturalidade não existe para os vídeos. Há, aliás, uma questão deveras importante neste caso: A posição default da câmera digital é paisagem, ou seja, na horizontal — talvez por isso não nos deparemos com vídeos em pé capturados por elas. E, como diz o vídeo acima, filmes, televisão, telas de cinema e até mesmo nossos olhos sempre foram horizontais. Porquê mudar isso?

A regrinha dos 10 reais

Um texto bastante curioso que encontrei recentemente no Lifehacker fala de algo chamado de The Whisky Rule, ou, em bom português, “A Regra do Uísque”. Basicamente, ela serve para aquelas pessoas que não tem lá muito compromisso com a pontualidade quando se trata de reuniões ou, na verdade, qualquer tipo de compromisso.

Basicamente, funciona da seguinte maneira: Sempre que você cancelar uma reunião com menos de 10 minutos de antecedência ou ignorá-la completamente, dando o bolo em alguém, você fica devendo uma garrafa de uísque pra essa pessoa. Assim, a garrafa serve como pedido de desculpas e compensação pelo tempo perdido, já que o tempo de todos é importante.

Enquanto é verdade que eu não sou fã de uísque, o tal texto me fez lembrar de um chefe que tive na empresa onde trabalho, que adotava uma política que, embora nada tivesse a ver com uísque, resultou em menos atrasos ou não comparecimentos  s reuniões ao longo do tempo. A coisa era bem simples: O último a chegar para a reunião contribuía com 10 reais, que serviriam para financiar um café da manhã na sexta-feira subsequente.

Felizmente, nunca financiei o café da manhã de ninguém. Ou quase.