Como você sobe uma escada rolante?

 

A primeira escada rolante do mundo foi criada, pelo inventor norteamericano Jesse Reno, em setembro de 1895, idealizada para ser um brinquedo de um parque de diverões de Nova Iorque, localizado em Old Iron Pier, Coney Island: tinha uma inclinação vertical de 2,1 metros e inclinação de 25 graus, e os visitantes do parque sentavam-se em placas de metal presas a um cinto móvel que alcançava a velocidade de 22,8 metros por minuto.

A primeira escada rolante do mundo

Parece incrível, mas cerca de 75.000 visitantes deram uma volta no “elevador vertical” durante o período de 15 dias em que ficou instalado no local! Entendo que seja o equivalente a uma atração de parque de diversões moderna, guardadas, evidentemente, as devidas proporções.

Mas… como subir uma escada rolante?

Tudo bem. Este pode ser um assunto polêmico, daqueles que geram horas de debates.

Para mim, o melhor é seguir uma regra de etiqueta.

Na Holanda, a ProRail, empresa governamental que cuida da manutenção da malha ferroviária do país, afixou adesivos em diversas escadas rolantes com os dizeres “links gaan, rechts staan“, algo como “ande na esquerda, pare na direita“.

Não vejo pessoas obedecerem esta máxima aqui no Brasil. Aliás, muito pelo contrário: Quase 100% das pessoas param nos degraus das escadas rolantes de qualquer um dos lados até terminarem a viagem, e eu, por mais que entenda e respeite se tratar de uma opinião pessoal e subjetiva, acho isso lamentável.

Isso porquê, além de manter “a paz e a ordem” em lugares movimentados, esta regra de etiqueta que também é seguida em países como Austrália Inglaterra, desimpede o caminho para as pessoas que queiram chegar mais rapidamente a seus destinos — pense, por exemplo, como isso pode te beneficiar a próxima vez que estiver atrasado para pegar seu trem, para chegar ao portão de embarque em um aeroporto, ou para sair do estacionamento de um shopping movimentado antes de ter que pagar a mais pelo ticket.

Admita: Faz sentido, não é mesmo?

 

A triste geração que virou escrava da própria carreira

E a juventude vai escoando entre os dedos.1Este é um texto de Ruth Manus, blogueira do Estadão, com o qual cruzei através das redes sociais, e que resolvi reproduzir integralmente aqui em meu blog, por concordar com ele em gênero, número e grau.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.

Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.

Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.

Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.