Daniel Santos

A história secreta do primeiro gato no espaço

Das ruas de Paris, essa gatinha de smoking apelidada de “Atrocat” alcançaria alturas jamais galgadas pela espécie felina. Em 24 de outubro de 1963, Félicette subiu 210 quilômetros acima da Terra no foguete francês Véronique AG1, voando alto no deserto do saara argelino. Ela voltou quinze minutos depois, já condecorada como heroína de sua nação.

Infelizmente, a história de Félicette se perdeu nas areias do tempo; uma vítima da nossa sociedade cãotriarcal que favorece as conquistas dos cachorros acima das outras. Mas o lugar da França na corrida espacial, ou a falta dele, pode explicar esse esquecimento.

Esqueceu de carregar o celular? Este carregador lembra você!

No mundo atual, em que já não consigo pensar em pessoas que não carreguem consigo seus celulares, certamente já aconteceu com você: sair de casa com 5% ou 10% de bateria, só para descobrir depois, enquanto está no meio da rua a caminho de algum lugar, que está incomunicável, e que muito provavelmente vai acabar ficando assim por algumas horas depois que a bateria do seu aparelho morrer.

Se você já passou por isso, vai gostar de saber que a Griffin Technology desenvolveu — e apresentou na CES (Consumer Electronics Show) deste ano — uma família de carregadores para celular que é capaz de avisar ao usuário quando estiver na hora de carregar o celular, enviando alertas. De acordo com a matéria que li, a empresa desenvolveu dois carregadores, o PowerBlock Beacon, para uso nas tomadas de nossas casas, e o PowerJolt Beacon, criado para permitir a carga de aparelhos em nossos carros.

PowerBlock Beacon contará com duas portas USB, iluminação própria e conexão bluetooth, o que permitirá ao dispositivo se conectar com qualquer aparelho móvel executando iOS ou Android, e, a partir de um app desenvolvido pela empresa, enviar notificações para os usuários sempre que o percentual de bateria restante atingir um valor limite especificado pelo usuário.

De acordo com a nota de imprensa da Griffin Technology, novidade deverá chegar ao mercado em meados de abril de 2017, vendida por cerca de 40 dólares. Não é exatamente um gênero de primeira necessidade, convenhamos — mas se alguém aí estiver disposto a me dar um de presente, aceito sem problemas.

Como você sobe uma escada rolante?

A primeira escada rolante do mundo foi criada, pelo inventor norteamericano Jesse Reno, em setembro de 1895, idealizada para ser um brinquedo de um parque de diverões de Nova Iorque, localizado em Old Iron Pier, Coney Island: tinha uma inclinação vertical de 2,1 metros e inclinação de 25 graus, e os visitantes do parque sentavam-se em placas de metal presas a um cinto móvel que alcançava a velocidade de 22,8 metros por minuto.

A primeira escada rolante do mundo

Parece incrível, mas cerca de 75.000 visitantes deram uma volta no “elevador vertical” durante o período de 15 dias em que ficou instalado no local! Entendo que seja o equivalente a uma atração de parque de diversões moderna, guardadas, evidentemente, as devidas proporções.

Mas… como subir uma escada rolante?

Tudo bem. Este pode ser um assunto polêmico, daqueles que geram horas de debates.

Para mim, o melhor é seguir uma regra de etiqueta.

Na Holanda, a ProRail, empresa governamental que cuida da manutenção da malha ferroviária do país, afixou adesivos em diversas escadas rolantes com os dizeres “links gaan, rechts staan“, algo como “ande na esquerda, pare na direita“.

Não vejo pessoas obedecerem esta máxima aqui no Brasil. Aliás, muito pelo contrário: Quase 100% das pessoas param nos degraus das escadas rolantes de qualquer um dos lados até terminarem a viagem, e eu, por mais que entenda e respeite se tratar de uma opinião pessoal e subjetiva, acho isso lamentável.

Isso porquê, além de manter “a paz e a ordem” em lugares movimentados, esta regra de etiqueta que também é seguida em países como Austrália Inglaterra, desimpede o caminho para as pessoas que queiram chegar mais rapidamente a seus destinos — pense, por exemplo, como isso pode te beneficiar a próxima vez que estiver atrasado para pegar seu trem, para chegar ao portão de embarque em um aeroporto, ou para sair do estacionamento de um shopping movimentado antes de ter que pagar a mais pelo ticket.

Admita: Faz sentido, não é mesmo?

 

Na Espanha, Papai Noel não é páreo para os Reis Magos

Gosto de ouvir a rádio espanhola Cadena Ser pelo TuneIn Radio, como parte de meus esforços para aprender espanhol: Ela é muito parecida com a Jovem Pan AM de São Paulo, com um ótimo e diversificado conteúdo jornalístico.

Ontem, véspera do Dia de Reis de 2017, os jornalistas da rádio comentavam sobre a tradição espanhola — e de alguns outros países — de encenar Los Reyes Magos.

Sinceramente, nunca tinha ouvido falar em comemorar a Noite de Reis — prova de que isso não é parte da tradição dos brasileiros: Para mim, o Dia de Reis é que é lembrado e, honestamente, muitas vezes apenas como o dia em que desmontamos as decorações natalinas.

Depois de ouvir as notícias, acabei procurando um pouco, e encontrando um texto que explica esta tradição:

La tradición más querida entre los niños durante las Navidades en España son Los Reyes Magos. Santa Claus es muy conocido por dar regalos, pero las estrellas en España son Los Reyes. Son aquellos que siguieron una estrella para conocer al Rey de Reyes (el niño Jesús) y ofrecerle tres presentes: oro, incienso, y mirra al recién nacido en Belén.

Cuando llega diciembre, todos los niños de España y Latinoamérica empiezan a escribir sus cartas a los Reyes Magos o a su Rey favorito: Gaspar, Melchor o Baltasar. Les piden las cosas que les gustaría recibir la mañana del 6 de enero (día en que se reparten los regalos) y también cuentan su comportamiento durante el año. Si los niños han sido buenos, reciben regalos, pero si han sido malos reciben un trozo de carbón.

Sus Majestades viajan en camellos y debido a esto cuando vienen del este, tardan en llegar a España. Una vez aquí, visitan todas las ciudades y pueblos, y escuchan las peticiones de los niños, después de la Cabalgata. En la noche del día 5, los niños ponen sus zapatos en la puerta antes de ir a dormir, así los Reyes saben cuantos niños viven allí. También ponen algo para que los Reyes coman y beban, así como agua y hierba para los camellos (es verdad, pueden pasar un mes o más sin beber agua, pero esa noche tienen mucho que hacer, así que necesitan un extra).

La mañana del 6 de enero, Día de Reyes, los niños encuentran sus regalos dentro y fuera de sus zapatos (no es habitual que sus Majestades dejen carbón, porque ningún niño se porta tan mal, y mucha gente dice que no es verdad que los niños traviesos reciban sólo carbón. La comida y la bebida de los platos ha desaparecido. Los niños comienzan a jugar, y a esperar a que el próximo 5 de enero vuelva.

O que achei interessantíssimo foi o fato das crianças espanholas entenderem que os Reis Magos são os heróis da vez, pedindo a eles os brinquedos que desejam ganhar. E também como outros pontos — pendurar sapatinhos na lareira ou deixar comida para o bom velhinho, e até mesmo a história de presentear com carvão as crianças mal comportadas — normalmente associados a Papai Noel são característica destes personagens mencionados na Bíblia.

Parece que Papai Noel não é mesmo páreo para Baltazar, Melchior e Gaspar.

Na China fala-se inglês melhor do que no Brasil!

Hoje me deparei com uma pergunta no Quora sobre as áreas do mundo em que o conhecimento de inglês é mais inútil.

Embora esta seja uma pergunta cuja resposta é extremamente subjetiva, devo dizer que sempre ouvi falar de lugares em que falar inglês realmente não te ajuda em muita coisa, notadamente a França, que já tive a oportunidade de visitar por duas vezes e onde, efetivamente, entendo que o inglês não é muito útil, a menos que você esteja em aeroportos ou grandes centros como a capital, Paris. Além disso, embora eu nunca tenha estado em países como a China, amigos que conheço me contam que o inglês por lá é muito, muito, muito ruim.

Mas é aí que a coisa fica interessante: Uma das respostas à pergunta no site do Quora cita o EF EPI, ou English Proficiency Index, indíce que busca classificar os países do mundo conforme o nível médio de habilidade no idioma inglês entre suas populações adultas. O índice é uma criação da EF Education First, e seus resultados têm como base dados coletados a partir de testes de inglês disponíveis gratuitamente na internet. Eu fiz um teste destes, em 15 minutos, por curiosidade, e falo sobre isso logo mais.

Minhas ideias estavam erradas!

Obviamente, fui verificar o relatório EF EPI de 2016. Este ano foi o sexto em que a publicação de resultados ocorreu, levando em conta 950.000 testes realizados em 2015. Ao todo, 69 países e 3 territórios compuseram as classificações, sendo que pelo menos 400 provas tinham que ser feitas por país para que este entrasse na conta.

Aprendi que o relatório classifica os países em faixas de proficiência, que, segundo consta no documento, servem para exemplificar tarefas cujos habitantes em média conseguem realizar com facilidade. Existem 5 faixas no total:

PROFICIÊNCIA MUITO ALTA
Usar linguagem diferenciada e apropriada em situações sociais
Ler textos complexos com facilidade
Negociar um contrato com um falante nativo do inglês
PROFICIÊNCIA ALTA
Fazer uma apresentação no trabalho
Compreender programas de TV
Ler um jornal
PROFICIÊNCIA MODERADA
Participar de reuniões em uma área de especialização
Entender letras de músicas
Escrever e-mails profissionais sobre assuntos conhecidos
PROFICIÊNCIA BAIXA
Navegar em um país de língua inglesa como turista
Envolver-se em conversas com colegas
Entender e-mails simples de colegas
PROFICIÊNCIA MUITO BAIXA
Apresentar-se com simplicidade (nome, idade, país de origem)
Compreender sinais simples
Dar instruções básicas para um visitante estrangeiro

A média mundial do índice foi, em 2016, de 52,74 pontos.

O Brasil está na quadragésima posição dentre os 72 participantes, com nota total 50,66 e classificação considerada de proficiência baixa. Em relação à comparação com a América Latina, estamos apenas na quinta posição. A Argentina é a líder e, pasmem, a República Dominicana vem em segundo!

Logo constatei que minhas ideias estavam erradas:

  • França, mesmo com minhas impressões pessoais dizendo o contrário , ocupa uma excelente vigésima nona posição geral, embora, na Europa, esteja na vigésima segunda de um total de 26 países que constaram do relatório;
  • A China foi quem me surpreendeu. Nossos amigos orientais estão uma posição na nossa frente, com nota 50,94! Isso significa que, na média, eles falam melhor do que nós… ligeiramente, mas ainda assim, melhor.

Voltando a falar do Brasil, o relatório também mostra a situação dentro do país. Neste caso, o Distrito Federal lidera, e São Paulo está na terceira posição.

A curiosidade matou o gato

Já dizia isso aquele velho ditado, não é mesmo?

Eis que ao investigar o site da EF para obter informações para este texto que escrevo, me dei conta de que eles oferecem mecanismos para testar o inglês na hora. E é claro que eu não podia deixar de fazer um teste desses…

Apesar do esquemão de prova, com contagem regressiva dos 15 minutos e tudo mais, as questões compreendem vocabulário e listening comprehension. Em ambos os casos tratam-se de itens com múltipla escolha.

Depois de decorrido o teste, que completei com cerca de 4’30” de folga, obtive a classificação que esperava, dado que fui professor de inglês:

O que achei interessante, no final das contas, é que, posteriormente, estes resultados farão parte das estatísticas que irão compor a edição 2017 do índice de proficiência. Assim, matei dois coelhos com uma única cajadada: Contribuí para a pesquisa e consegui acrescentar meus resultados ao Linked in, a partir de sugestão e link automático dentro do próprio site da EF, o que, não posso deixar de dizer, é muito legal.