Daniel Santos

O Face ID e a segurança do seu celular

Quando a Apple anunciou o Face ID como medida de segurança para seus novíssimos aparelhos iPhone X, ela comunicou a toda a imprensa e usuários que “nem mesmo máscaras hollywoodianas seriam capazes de enganar seu sistema”. Uma empresa de segurança vietnamita chamada Bkav, no entanto, parece ter colocado esta releitura (in)voluntária da máxima que diz que “nem Deus afunda o Titanic” à prova, ao ter divulgado, recentemente, que enganou o Face ID com uma máscara especialmente projetada para driblar a tecnologia.

Ngo Tuan Anh, vice-presidente da Bkav, empresa de cybersegurança vietnamita, demonstra o software de reconhecimento de face da Apple em conjunto com uma máscara 3D em seu escritório em Hanói, Vietnã. Crédito da foto: Kham, Reuters, [fonte].

De acordo com notícia do site Engadget, os pesquisadores não precisaram sequer trapacear para realizar a façanha: O iPhone X foi treinado a partir do rosto de um funcionário da própria Bkav, e em seguida foi fabricada a máscara, com custo total de fabricação de apenas USD 150, aproximadamente. O vídeo a seguir, publicado por eles, mostra alguns detalhes do que fizeram, ainda que não deixe claro quantas tentativas foram necessárias até conseguirem, ou se de fato conseguiram:

Quer eles tenham ou não conseguido, não estou preocupado com a notícia em si. Primeiro, a Apple, embora tenha de fato anunciado o Face ID, nunca o considerou (apenas) como mecanismo de segurança, mas sim como uma comodidade para os usuários que não querem perder tempo nem para digitar PINs, nem para usar suas digitais.

Pensem também no tempo necessário para produzir uma máscara igual à da empresa vietnamita. Eles levaram 5 dias inteiros, e deixaram claro em seu site que precisaram de ajuda especializada para projetar certos aspectos da máscara final. Ou seja — a vida real não é um episódio de Arrow onde uma Felicity Smoak da vida hackeia qualquer dispositivo antes que você dê outra piscada de olhos. Quando se associa tudo isso ao fato de que pessoas comuns como você e eu (normalmente) não carregam segredos de estado em seus celulares, creio que podemos dizer que estamos relativamente seguros.

Mas exageros a parte, há sempre uma preocupação, sim, ainda que inconsciente, de todos os usuários, com relação à sua segurança e privacidade. Neste sentido, eu gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas interessantes quanto a como podemos proteger melhor nossos aparelhos, tão indispensáveis no dia-a-dia, contra máscaras e outros bichos.

Atualize o sistema operacional do seu aparelho

Eu odeio fazer isso, por dois motivos básicos: Primeiro, concordar com a estratégia de obsolescência programada que as fabricantes de celulares e tablets nos empurram todos os dias — novos aparelhos, cada vez mais rápidos e eficientes, com sistemas novos que tornam aparelhos antigos cada vez mais lentos. Segundo, porquê toda versão nova de sistema pode deixar o aparelho com uma interface mais feia ou com experiência pior, ou ainda irritante (alô, iOS 11). Ainda assim, um monte destes hacks dos quais ouvimos falar nas notícias se aproveitam de vulnerabilidades que já foram corrigidas nas versões mais recentes, e, assim, expor-se à toa é bobagem.

Cuidado com o que você instala — e com o que já está instalado

Para quem usa aparelhos baseados no sistema Android, esta dica é particularmente importante. Enquanto alguns usuários se gabam de que o sistema é mais liberal e permissivo do que o da Apple, é justamente quando você instala um novo app que pode se deparar com solicitações para liberar uma série de permissões, incluindo a leitura de arquivos, acesso à câmera do aparelho ou ao seu microfone. É claro que não se deve viver no mundo da teoria da conspiração, já que existem vários usos legítimos para estas capacidades, mas deve-se ter bom senso para evitar os golpes e abusos. Basta pensar no porquê determinado aplicativo precisa daquele acesso.

A Apple leva vantagem neste ponto, já que seu processo de aprovação do que vai ou não ser oferecido na App Store é muito mais severo do que o do Google na Google Play. Pense: O sistema Android também permite a instalação de aplicativos provenientes de app stores alternativas. Algumas são reconhecidas e menos suspeitas por isso, como a da Amazon — enquanto outras são verdadeiras fontes de aplicações maliciosas que só querem se aproveitar de seu pobre aparelho.

Aplicativos que já estão no seu celular também devem ser observados: Não são apenas os sistemas que têm atualizações de versão frequente, que trazem correções e melhorias. Os desenvolvedores dos aplicativos também fazem isso, e é interessante ficar de olho nas descrições de atualização. Leva apenas uns segundos pra pelo menos dar uma passadinha de olhos, e você pode verificar se algo inocente se tornou sinistro de uma hora pra outra. Se for o caso, apague o app com o qual não concorda mais.

Código, código, código

Se alguém de fato chegar a colocar as mãos em seu precioso aparelho, podem acabar te causando uma séria dor de cabeça — pense no que ele pode descobrir dando uma olhada no seu e-mail, ou no Facebook: Quantos dados pessoais, né?

A tecnologia tem avançado e apresentado os Face IDs e os Touch IDs da vida, é fato. Mas pense simples antes de qualquer coisa: Tanto o Android quanto o iOS podem ser configurados para exigir um código com seis dígitos para liberar o aparelho para uso, e isso já é melhor do que nada.

Proteja seus aplicativos e contas fundamentais

Falei acima do Facebook e do seu aplicativo de correio eletrônico. Para todas as suas aplicações fundamentais há usuários e senhas associados, e uma das coisas que mais podem expor seu aparelho — e privacidade — são as funções de auto-login: Basta bobear por um minuto que alguém abre o aplicativo e aí será tarde para reparar o estrago.

Diversos fabricantes e desenvolvedores de software e serviços oferecem uma característica muito legal para proteção neste sentido: Chama-se two-factor authentication, ou autenticação em dois fatores. Pense nisso como um processo onde sua entrada no aplicativo só é liberada depois que você fornece duas informações corretas. Na maioria das vezes trata-se da sua senha e de um código, numérico ou alfa-numérico, que muda de tempos em tempos. Apple, Google e Facebook, só para citar exemplos conhecidíssimos do grande público, todos contam com essa opção — até mesmo o WhatsApp. Mesmo que este recurso também não seja à prova de falhas, é mais uma defesa possível para seus dados.

Também é interessante o uso de gerenciadores de senha. Sou adepto dessa prática já há bastante tempo, e ela tem duas vantagens: Primeiro, eu só preciso lembrar de uma senha, que acaba atuando como uma chave-mestra. Em segundo lugar, todas as senhas geradas pelo aplicativo podem ser configuradas para serem impossíveis de lembrar, com combinações gigantescas de letras, números e símbolos que tornariam o esforço de invasão exponencialmente complexo a cada caractere adicionado.

Alguns de vocês podem pensar que lembrar de uma única senha pode ser um ponto de fraqueza a ser explorado por alguém que queira roubar meus dados. No entanto meu segredo é outro ponto forte: Ao invés de usar meras senhas, adotei as passphrases, ou seja, frases completas no lugar de sequências de caracteres aleatórias, ou palavras simples.

Você pode usar sua citação favorita de um autor, ou criar uma frase totalmente aleatória. O importante é lembrar que senhas mais longas são mais seguras que senhas complexas. Meu argumento final, que considero matador neste aspecto, é que a senha que utilizo para proteger este blog — uma passphrase — levaria 15 octilhões de anos para ser descoberta, de acordo com o How Secure is My Password, ou 89 séculos conforme os dados do Passfault.

Fechando este tópico específico, coloque senha em cada aplicativo seu que permitir que isso seja feito. É mais uma maneira de proteger suas informações. É claro que não adianta nada usar a mesma senha para todos eles: Recorra a um gerenciador de senhas para te ajudar, também neste caso.

Finalmente… rastreie seu dispositivo!

Se o seu aparelho cair em mãos erradas ou for roubado, mesmo com todas estas dicas — claro, isso pode acontecer! —, você ainda pode garantir que seus dados estejam a salvo. Para isso, basta programar seu aparelho para que os dados nele existentes sejam automaticamente apagados depois de um certo número de tentativas de informar a senha que se mostrem incorretas.

Adicionalmente, tanto Android quanto iOS possuem recursos do tipo find my device que podem localizar seu celular em um mapa e travá-lo ou apagá-lo remotamente. Se tudo mais falhar, essa pode ser a solução derradeira.

Selecione apenas as células visíveis no Excel

Já aconteceu com todo mundo que eu conheço: O Excel pode agir de forma inesperada quando você resolve copiar e colar uma determinada faixa de células de uma planilha. O comportamento padrão da ferramenta é copiar e colar todas as células, ainda que algumas delas estejam ocultas, qualquer que seja o motivo para isso.

Só que, às vezes, o que você quer fazer é trabalhar só com os dados que estão visíveis.

Pois existe um atalho que pode economizar seu tempo e poupar dores de cabeça. Através dele, somente as células visíveis serão selecionadas, independente de você ter aplicado um filtro em seus dados, recolhido os dados de um subtotal ou ocultado linhas e colunas deliberadamente.

Utilize a combinação Alt + ; (ponto-e-vírgula) em seu teclado para selecionar apenas as células visíveis.

Um exemplo prático

Digamos que você tenha a planilha abaixo, com uma série de dados relacionados a pedidos referentes a material de escritório, feitos em diversas filiais de uma loja:

Suponha, agora, que você queira ocultar a coluna com o nome do responsável, ficando apenas com as informações restantes, para copiar os dados para outra planilha. Após ocultar a coluna em questão, selecionar os dados e usar o atalho CTRL+C vai te fazer chegar à uma tela muito parecida com esta, abaixo.

Note que a área marcada para copiar, no Excel, é indicada por um pontilhado, e que a coluna responsável (“C“) foi incluída nos dados a serem copiados, mesmo estando oculta. Pode-se observar isso porquê não há interrupção, entre as colunas, na seleção marcada, tornando o pontilhado contínuo.

Agora, se mantivermos as mesmas colunas selecionadas e usarmos o atalho mencionado acima — pressionar a combinação Alt + ; (ponto-e-vírgula) para selecionar apenas as colunas visíveis —, o resultado é um pouco diferente.

A região selecionada agora, ao ser copiada, demonstra claramente um pontilhado intermediário,  excluindo de seu conteúdo a coluna “C“, que não desejamos. Veja a diferença entre a figura anterior e o resultado com o uso do atalho:

Os dados, agora colados, deixarão de fora aquilo que não estiver visível.

O Paradoxo de Stockdale

James Stockdale

Um colega de trabalho me apresentou hoje ao Paradoxo de Stockdale. Estávamos discutindo sobre as chances de um dado projeto que temos em mente para a empresa ser aprovado ou não por nosso departamento financeiro para execução ao longo do ano que vem, e ele citou a história, que, no final das contas se aplica não apenas aos ambientes corporativos, mas também à nossa vida pessoal.

termo paradoxo de Stockdale foi citado no livro Good to Great: Why Some Companies Make the Leap and Others Don’t, escrito por Jim Collins. A obra retrata a pesquisa que o autor e sua equipe fizeram ao longo de cinco anos tentando identificar os principais fatores que separam as boas empresas — ou aquelas que se tornaram brevemente grandiosas das empresas que conseguiram não apenas alcançar, mas também sustentar a excelência por 15 anos consecutivos ou mais.

O paradoxo se refere ao Almirante James “Jim” Stockdale, oficial militar de mais alta patente a permanecer recluso na prisão de Hoa Lo, instalação utilizada para manter os prisioneiros de guerra americanos durante a Guerra do Vietnã. Stockdale foi torturado mais de 20 vezes durante os 8 anos que passou aprisionado, entre 1965 e 1973, não tendo direito a qualquer regalia supostamente oferecida a outros prisioneiros, não sabendo qual seria sua data de soltura daquela instalação ou se ele de fato sobreviveria para ver sua família novamente.

A situação crítica a que Stockdale estava submetido foi exatamente o ponto a que meu colega de trabalho se referiu. No capítulo 4 de Good to Great, o autor Jim Collins relata sua ansiedade ao se ver diante da chance de passar uma parte de uma tarde ao lado de Stockdale, após convite do próprio para almoçarem juntos, uma vez que se descobriram colegas de pesquisa na Hoover Institution da Universidade de Stanford e que um dos alunos de Collins tinha escrito sua tese sobre Stockdale. Para se preparar para o encontro, Collins leu In Love and War, relato sobre o que Stockdale viveu, escrito em conjunto com sua esposa, e se sentiu deprimido com o que o oficial passou, mesmo sabendo que ele mais tarde escaparia e se salvaria, para contar sua história. Quando Collins perguntou a Stockdale como ele próprio aguentou passar por aquilo, recebeu como resposta, em tradução livre feita por mim:

 Nunca perdi a fé no final da história ,” ele disse, quando lhe fiz a pergunta. “ Nunca duvidei de que não apenas eu sairia [da prisão] mas também de que eu prevaleceria no final e transformaria toda aquela experiência no evento que definiria a minha vida , o que, olhando para trás, eu não trocaria por nada.”

Eis o que meu colega de trabalho me perguntou quando mencionou o paradoxo de Stockdale: “Passando pelo que esse cara passou, por tanto tempo, quem você acha que não conseguiu sobreviver? Os prisioneiros otimistas ou os pessimistas?”. Eu confesso que errei a resposta. E Jim Collins ficou igualmente perplexo quando recebeu a resposta do próprio Stockdale:

“Quem não conseguiu sobreviver?”
“Ah, isso é fácil,” ele disse. “Os otimistas.”
“Os otimistas? Eu não entendo,” respondi, agora completamente confuso, dado o que ele havia dito [antes].

Segundo Stockdale, os otimistas se deram mal porquê eram eles quem ficavam dizendo coisas como “Nós vamos sair até o Natal“. Aí eis que chegava o Natal, e o Natal ia embora, e nada desses prisioneiros otimistas saírem da prisão. Mas eternos otimistas, eles diriam “Nós vamos sair até a Páscoa“, mas a Páscoa chegaria e iria embora sem que ninguém saísse de lá. Depois o Dia de Ação de Graças, e depois o Natal, de novo. E esses caras, muito otimistas, morreriam deprimidos.

A questão aqui, a meu ver, é de resiliência: Recobrar-se facilmente ou adaptar-se à quaisquer intempéries ou mudanças: Stockdale fez o que pôde para ajudar o maior número de prisioneiros que dividiam aquele dia-a-dia com ele a saírem de lá ilesos, criando um sistema de comunicação por batidas que eles podiam usar durante o silêncio obrigatório durante a noite, inflingindo a si próprio diversas torturas e desfigurações, para evitar que seus captores pudessem usar sua imagem como propaganda militar, escreveu cartas para sua esposa ocultando nas entrelinhas diversos segredos de estado, entre outras coisas. Na prática, com os diversos limões que a vida lhe apresentou, tomou o máximo de limonada que pôde.

Reprodução do livro “Good to Great”, capítulo 4

Assim, a grande lição deste paradoxo é que nunca devemos deixar de ser otimistas, até porquê otimismo é muito bom.  Mas, nosso otimismo tem que ser realista . Nunca devemos confundir a fé na vitória, no final, com a disciplina de enfrentar a realidade atual, ainda que ela possa parecer muito dura. Na prática, haverão algumas vezes na vida em que nós simplesmente não vamos sair quando o Natal chegar, e vamos ter que viver com isso.

CNH digital é lançada no Brasil…

“Com o novo recurso, esquecer a habilitação em casa não será mais um problema – desde, claro, que a pessoa não esqueça o smartphone também. A CNH-e, como é chamada, terá o mesmo valor legal que o documento impresso – que, inclusive, continuará a ser emitido em versão de papel.”

[ via ]

Como enviar uma mensagem de WhatsApp para um número que não está nos seus contatos?

Com o WhatsApp tendo se tornado a opção número um de milhões de pessoas para comunicação através de mensagens instantâneas, não é de se admirar que algumas vezes nos vejamos às voltas com a seguinte situação: Você precisa enviar uma mensagem através do WhatsApp para alguém, mas não tem o número da pessoa cadastrado em seu celular.

A situação, embora possa não parecer, é mais comum do que parece: Você pode estar fazendo negociações em sites de leilão como o Mercado Livre, comprando ou vendendo produtos no OLX, ou algo similar. Em circunstâncias como essa, muita gente normalmente cadastraria o número de telefone desejado temporariamente em seus contatos, enviaria as mensagens que precisasse pelo WhatsApp e, em seguida, apagaria o número. Mas então, pense: para que se dar ao trabalho?

O WhatsApp possui um recurso pouco conhecido da grande maioria dos usuários, chamado Conversa em um Clique. Com este recurso é possível que você mande mensagens justamente para números de telefone que não estão em seus contatos. O mais interessante é que a Conversa em um Clique funciona tanto através dos smartphones quanto através do WhatsApp Web. Usar a ferramenta é muito simples. Tudo o que você precisa fazer é saber o número do telefone para quem quer mandar mensagem, abrir um navegador web e digitar o seguinte:

https://api.whatsapp.com/send?phone=número-do-telefone

número do telefone precisa começar com o código internacional do país ao qual o número pertence. Como a maioria das pessoas que conheço mora no Brasil — e se este for o seu caso —, vamos esclarecer que o código internacional de nosso país é 55. Em seguida, você precisa acrescentar o DDD do telefone, para, finalmente, complementar com o número da linha do aparelho celular que você vai contactar.

Suponha que um número de celular válido no Brasil fosse (011) 12345-6789. Para enviar uma mensagem via WhatsApp pelo Conversa em um Clique para esse número, então, bastaria acessar o endereço da seguinte maneira:

https://api.whatsapp.com/send?phone=5511123456789

O importante é notar que não é necessário colocar o número zero (0) na frente do número desejado, nem acrescentar outros caracteres, como parênteses ( ) ou hífens. Uma vez que você entre com o endereço acima no navegador, um chat será aberto com o número de telefone indicado. Acompanhe abaixo o que acontece neste caso quando você está no Windows e no iPhone.

Quando você usa um navegador de internet do próprio celular, o WhatsApp exibe uma tela pedindo que você confirme que quer enviar mensagens para o número solicitado. Uma vez que este processo seja realizado, o próprio aplicativo do WhatsApp será aberto, com uma nova janela de chat aberta, que você poderá usar enquanto for necessário, de uma maneira descartável, que, novamente, lembro ser muito interessante para quando estamos negociando em sites como Mercado Livre ou OLX. Para quem usa o WhatsApp a partir da web, no entanto, o processo é um pouquinho mais demorado, mas quando concluído, permite o mesmo envio de mensagens citado anteriormente.

Para quem depende do WhatsApp Web

Ao digitar o endereço acima em um navegador de seu computador, seja ele desktop ou notebook, você se deparará com a seguinte tela, parte da interface do WhatsApp Web. O número de telefone completo para o qual você enviará a mensagem aparecerá em destaque. Neste caso, se tudo estiver correto, basta que você pressione o mouse sobre o botão Enviar Mensagem.

Como medida de segurança do WhatsApp, o próximo passo envolverá a leitura de um QR Code usando seu celular para completar a operação. Abaixo, destaco a tela com as instruções para quem tem aparelhos iPhoneAndroid ou Windows Phone. Na prática, bastará você apontar a câmera do seu celular para o código que estará na tela, e a conexão será feita automaticamente.

Aliás, para facilitar o trabalho das próximas vezes, caso você esteja fazendo isso através de um computador que acessa sempre e em que confia, como o de sua casa, por exemplo, basta deixar marcada a opção Mantenha-me conectado, como ilustro a seguir.

Quando a verificação do código estiver concluída, uma janela muito similar àquela que conhecemos dos aplicativos de smartphone será aberta, e a partir dela você poderá enviar quantas mensagens desejar. Mais uma vez, para que você possa acompanhar o passo-a-passo, ilustro a tela tal como ela aparece:

Espero que seja de ajuda para muitos de vocês.

 

Segundos em hh:mm:ss no Excel

Você já precisou converter um valor expresso em segundos para horas, minutos e segundos (HH:MM:SS) usando o Excel?

Se você é um usuário do Excel no dia-a-dia, pode ser que tenha uma planilha onde estes valores estão em uma determinada coluna, apenas esperando para serem convertidos e utilizados em um relatório que você está gerando. Se você é um usuário um pouco mais avançado e está envolvido com programação de macros em VBA, provavelmente já passou por pelo menos uma situação em que, dado um tempo de processamento de uma rotina ou job em segundos, era necessário realizar e apresentar os resultados desta conversão.

Neste artigo, vou lhes mostrar como atingir os dois resultados, de forma muito simples.

Sou um usuário comum do Excel, o que preciso fazer?

Ao me referir a usuário comum, estou apenas dizendo que você nunca ouviu falar em VBA — ou que você não precisa disso, no momento.

Neste caso, dê uma olhada na imagem a seguir. A coluna apresenta valores hipotéticos em segundos, sendo estes números inteiros, ou seja, sem casas decimais. Na coluna estão representados os tempos, já expressos em horasminutos e segundos. Para chegar a este resultado, você precisa apenas de uma divisão simples e de uma formatação, oferecida pelo próprio Excel. Vejamos:

Tomando por base a célula B2, vamos inspecionar seu conteúdo:

Veja que o número total de segundos da célula A2 (33312) está sendo dividido por 86400. Este não é um valor aleatório: Representa o total de segundos existentes em um dia completo. Chega-se a este valor multiplicando-se 60 segundos x 60 minutos x 24 horas, e trata-se de uma constante, ou seja, não haverá mudança neste total, pois os dias como os conhecemos sempre terão esta quantidade de segundos.

Mas, como eu disse anteriormente, a divisão acima precisa estar acompanhada de uma formatação. Existem diversas maneiras de acessar as opções de formatação de células no Excel, mas vou me ater a uma que você pode acionar a partir do próprio teclado. Selecione as células que você deseja formatar e pressione a combinação de teclas CTRL + 1.

Uma vez tendo acessado as opções de formatação do conjunto de células, escolha, na guia Número, entre as categorias apresentadas, a opção Personalizado. Veja que existe uma lista de valores pré-definidos, e que basta você escolher a opção hh:mm:ss entre as que estão disponíveis. Uma vez feita a seleção, clicar sobre o botão OK resultará na formatação desejada, conforme a primeira imagem que ilustra este texto.

DICA: Se ao invés de representar seus valores em horas, minutos e segundos você precisa representá-los em diashorasminutos segundos, nada tema. Utilizando o mesmo método descrito acima, você pode digitar uma formatação diferente, usando o formato dd:hh:mm:ss e obter seu resultado facilmente, tal como demonstro abaixo:

Espero que as dicas acima tenham ajudado você.

Sou um conhecedor de VBA. Como resolvo isso com programação?

Usuários de VBA, ou Visual Basic for Applications estarão em busca de uma solução que utilize código. Para que isso seja possível, no entanto, as considerações que explico acima são as mesmas. Você também precisará converter o valor total em segundos para um decimal, utilizando a divisão por 86400. Uma vez que tenha este valor, pode apresentá-lo na formatação que desejar.

Estou assumindo que você está familiarizado com o editor de código do Excel, então abra-o e utilize a função abaixo:

Function SegundosEmTempo(celula As Range)
' Função simples para converter um valor em segundos para hh:mm:ss
' Por Daniel Santos
' http://danielsantos.org/
'
 If Not IsNumeric(celula.Value) Then
 'Retorna um erro caso o valor não seja numérico
 SegundosEmTempo = CVErr(xlErrNum)
 Else
 'Divide o valor da célula por 86400 e formata, como no caso
 'de uma planilha comum...
 SegundosEmTempo = Format(celula.Value / 86400, "dd:hh:mm:ss")
 End If
End Function

Lembrando que já que criamos o código acima como uma função, o mesmo pode ser executado através da própria planilha no Excel, bem como reaproveitado ou ajustado conforme suas próprias necessidades, em seu próprio código.

Espero ter ajudado.

Como pedir reembolso no Steam?

Ao longo de muitos anos como dono de uma conta no Steam, acumulei uma quantidade razoável de games que, durante as horas de lazer, procuro jogar com meus filhos, e às vezes, com algumas visitas. Sou fã de games há muito tempo, e aprecio particularmente estes que compro através da plataforma, por um motivo muito simples: Ao contrário de outras lojas de aplicativos como as da Microsoft ou Apple, onde em algum canto do regulamento existe uma inscrição similar à “all purchases are final and non-refundable”, o Steam permite que peçamos reembolso dos games que compramos.

E isso veio bem a calhar.

TL; DR: Leia a política de reembolso do Steam mais abaixo e, logo em seguida, pule diretamente para o passo-a-passo.

Entre os dias 14 e 18 de setembro deste ano, foi ao ar um final de semana de descontos Bandai Namco, em que vários títulos da gamehouse foram remarcados com descontos significativos: foi nesta ocasião que resolvi comprar, por cerca de R$ 17,00, o game PAC-MAN™ Championship Edition 2, isso porquê, como já tenho a versão anterior da franquia, PAC-MAN™ Championship Edition DX+, pensei que seria bom ter a versão mais recente.

No entanto, qual foi minha surpresa quando, ao executar o game pela primeira vez e ser apresentado aos seus níveis de tutorial, me vi vítima do famigerado Infinite Loading Bug, reportado, aliás, por centenas de usuários. Trata-se de uma situação em que você escolhe um dos níveis de tutorial e fica eternamente olhando para uma única tela, que eu chamo de loading screen da depressão:

Loading screen da depressão

Depois de navegar pelos fóruns da comunidade do game no Steam e tentar soluções como usar modo de compatibilidade do Windows, iniciar e reiniciar o computador, verificar a integridade dos arquivos do jogo e algumas outras peripécias, acumulei 38 minutos de jogo — ou melhor, de aplicação sendo executada, porquê, de jogo mesmo, neca de pitibiriba. Foi aí que me lembrei da política de reembolso do Steam e daquela que considero sua restrição mais importante:


Reembolsos no Steam

Você pode solicitar o reembolso de quase tudo no Steam — por qualquer motivo. Talvez o seu computador não atenda os requisitos mínimos; talvez tenha comprado o jogo por engano; talvez tenha jogado por uma hora e não gostou.

Não importa. Dentro de um prazo de catorze dias, se o jogo tiver sido jogado por duas horas ou menos, a Valve atenderá solicitações de reembolsos feitos através de help.steampowered.com. Há mais alguns detalhes abaixo, mas mesmo que você não atenda as regras mencionadas, a sua solicitação será analisada.

O reembolso será emitido dentro de uma semana da data em que foi aprovado. Você receberá o reembolso na sua Carteira Steam ou diretamente na forma de pagamento original. Caso o Steam não seja capaz de emitir o reembolso por qualquer motivo para a forma original de pagamento, a sua Carteira Steam receberá o valor total.

Já tendo usado o reembolso da Steam pelo menos mais duas vezes no passado, estava atento ao prazo de reembolso. Acumulando, como disse acima, apenas 38 minutos de tentativas frustradas de jogar, atendi a um dos requisitos, enquanto que, tendo solicitado o reembolso apenas 6 dias após a compra, atendi ao outro. Assim, num intervalo de apenas 42 minutos entre solicitação de reembolso e retorno do Steam,  recebi a seguinte mensagem:

Consegui!

O que vale ressaltar é que, ainda de acordo com a política da plataforma de games, o valor reembolsado volta para a carteira Steam e só pode ser usado a partir de 7 dias após a solicitação. De qualquer maneira, é uma forma de, pelo menos, conseguir empregar o dinheiro anteriormente gasto em algum outro game que seja de interesse. E como o saldo da carteira não expira, não há pressa. Mas qual é o passo-a-passo, caso você nunca tenha feito um reembolso antes?

Passo-a-passo para reembolso no Steam

Passo 1

Acesse as informações da sua conta. No cliente para Windows, vá ao canto superior direito, encontre seu nome de usuário, clique sobre ele e, em seguida, no link Detalhes da conta que aparecerá;

Passo 2

Na página que será aberta, você precisará visualizar seu histórico de compras. Para isso, também do lado direito, encontre o link Ver histórico de compras;

Passo 3

Você chegará à lista dos jogos que comprou, organizados da compra mais recente para a mais antiga. Se você satisfaz a política de reembolso do Steam — ou seja, não jogou o game por mais de 2 horas e não o comprou há mais de 14 dias (vide box acima) —, basta clicar sobre o nome do jogo em questão, para obter maiores informações.

Passo 4

Assim que os detalhes forem exibidos, você perceberá que existe um menu de opções para relatar problemas com a compra realizada. O link que você precisará utilizar é o primeiro da lista, “desejo ser reembolsado“, tal como eu ilustro a seguir:

Passo 5

Na sequência, o Steam exibirá um novo menu de opções para o jogo. Neste caso, para continuar com o processo, o link a ser seguido é o segundo, “desejo solicitar um reembolso”. Novamente eu ilustro a opção, para referência:

Passo 6

Este é o passo final para solicitar o reembolso. Os dados da compra serão apresentados na tela e, na região inferior, você poderá escolher o motivo pelo qual o está solicitando. Novamente, aqui pesa positivamente o fato de que a política de reembolso do Steam é muito liberal, e você pode pedir seu dinheiro de volta por praticamente qualquer motivo. O formulário em questão se assemelha ao que ilustro a seguir, com minha justificativa para devolver meu game:

Por fim, é importante que você use o campo observações para descrever pelo menos alguns detalhes adicionais sobre o motivador da devolução. Em seguida, clique sobre Enviar solicitação. Desta maneira, o atendimento receberá sua solicitação e, através de seu endereço de e-mail registrado no Steam, você saberá dos trâmites envolvendo o reembolso. Se tudo correr bem, sua resposta será rapidamente recebida — e você poderá usar o saldo devolvido após 7 dias.

Ajudou você? Deixe um comentário!

Weapons of Math Destruction

Welcome to the dark side of Big Data.Cathy O'Neil, em 'Weapons of Math Destruction'

Esta frase, que conclui a introdução de Weapons of Math Destruction, livro da matemática e cientista de dados Cathy O’Neil é apenas uma demostração de todo o conteúdo do livro, que comecei a ler depois de assistir à uma palestra da autora no TED.

Nosso mundo é hoje cada vez mais cercado de modelos matemáticos, estatísticas e algorítimos que procuram automatizar ou otimizar o que puderem para buscar maior eficiência e rapidez.

Bons modelos matemáticos podem, por exemplo, fazer com que uma equipe esportiva tenha maiores chances de ganhar uma partida: Se considerarmos o futebol, o big data reina absoluto quando, a cada segundo, milhares de informações sobre os atletas são coletadas e processadas por especialistas que analisam não apenas número de gols, passes certos e cartões, mas também quantos chutes acabam gerando gols, a distância de que um chute é dado ou quanto um jogador depende dos demais para marcar. O mesmo ocorre com o basquete, vôlei, boxe, corridas ou baseball — que é aliás o esporte mencionado no livro.

O que é mais interessante em modelos matemáticos bons é que tanto vitórias quanto derrotas serão avaliadas, servindo para refiná-los e torná-los mais precisos e eficientes. Os dados deste tipo de modelo também são praticamente transparentes, pois  quase 100% das variáveis sendo medidas são conhecidas e declaradas: É só ver que até as crianças têm acesso a alguns destes dados, ao trocarem cards figurinhas entre si, e que canais como a NBA TV ou sites como o Footstats mostram os números atualizados ao longo de todas as partidas de basquete da NBA e de futebol, respectivamente.

Bons modelos matemáticos, segundo a autora, então, devem ser inteligíveisrealimentáveis após análise dos resultados gerados — para que não parem no tempo e continuem a gerar benefícios conforme seus projetos originais — e, finalmente, livres de rótulosestereótipos preconceitos.

Os modelos que não têm estas características, como nos mostra Cathy, geram dilemas morais e éticos. Por isso, a autora os batizou de WMDs, ou Weapons of Math Destruction — algo como armas de destruição matemática. Para todo WMD:

  1. Ninguém nunca sabe ao certo quais variáveis considera, tornando-o opaco;
  2. Suas premissas são sempre adotadas como se fossem as únicas verdades absolutas, sem qualquer terreno para revisão ou otimização e;
  3. Há uma carga de rótulos preconceitos que deveriam ser justamente os primeiros eliminados em tais modelos, já que os mesmos são executados de maneira automatizada, e é da natureza humana, e não das máquinas, pré-julgar ou inferir informações sobre as pessoas.

Um modelo WMD pode, por exemplo, relacionar o potencial de uma pessoa terminar de pagar um empréstimo, ou sua capacidade para uma vaga de emprego ao CEP do lugar onde mora — sendo isso altamente discriminatório e ultrajante.

Weapons of Math Destruction é, portanto, um livro que demonstra este tipo de relacionamento furado entre as informações, e como o big data desenfreado e mal utilizado acaba impedindo que as pessoas conseguir um seguro para seus carros, provocando a demissão de professores após a aplicação de testes de desempenho que supostamente deveriam estar corretos, mas que mais tarde nada mediram ou ainda, fazendo com que mais pessoas de certa cor ou região passem por um maior número de abordagens policiais. Tudo isso acelerado pelos computadores e fazendo com que aqueles mais prejudicados pelos WMD sejam cada vez mais prejudicados, num verdadeiro “o de cima sobe e o debaixo, desce“.

Detalhe: Este é o primeiro livro sobre big data que consegui ler até o fim, sem largar. Isso tem que valer alguns pontos extras.

Weapons of Math Destruction
Autor: Cathy O’Neil
Iniciado em 27/08/2017
Concluído em 14/09/2017
Veja o livro no Goodreads
Avaliação final 

Meu aspecto menos favorito das typing notifications

Quantas e quantas vezes, no meio de um chat do WhatsApp ou do Facebook Messenger você já se pegou observando uma typing notification — aquele aviso amigável que mostra que alguém está digitando uma resposta para você?

Essa tirinha do xkcd acertou em cheio: Sempre me perguntei porquê tantos segundos se passam, alternando as typing notifications com períodos de aparente inatividade, só para na sequência receber respostas mnemônicas:

— Ok.

— Sim.

— Tá bom.

Randall Munroe, wise as usual.

Como transferir arquivos entre PC e iPhone via wi-fi

Já faz algum tempo que criei o hábito de enviar todas as minhas fotos e vídeos para o Google Photos, de maneira que eu tenha um backup em nuvem de todas as minhas memórias familiares.

O aplicativo para iPhone é uma mão na roda para isso, já que uso o próprio smartphone para filmar e fotografar. Uma vez que tenha feito isso, basta abrir o Google Photos e aguardar pelo backup automático de conteúdo.

As fotos, arquivos menores, são rapidamente processadas e chegam à nuvem em questão de pouquíssimos minutos. Já os vídeos… 

Bem, o processo de upload é o mesmo das fotos, mas enquanto alguns deles chegam normalmente ao mesmo destino que elas, outros — notadamente os arquivos maiores —- ficam literalmente emperrados em processamento. Já deletei o aplicativo para reinstalar, já fiz limpeza de cache e nada: os uploads de vídeos grandes ficam travados tal como reportado neste thread do Reddit.

Que dureza: Upload de vídeos travado…

Seja como for, sempre que estou lidando com vídeos maiores, o jeito é fazer o envio através da interface web do site, que nunca falha é mais difícil de dar problema.

A maneira convencional de fazer os arquivos chegarem ao Google Photos desta maneira é plugando o iPhone no computador através de seu cabo lightning e acessando o Windows Explorer. Em seguida, arrasto as fotos que quero do iPhone para o PC.

Mas eis a questão: Como enviar os vídeos do iPhone para o PC , quando não temos cabo à mão e tudo o que está à disposição é uma conexão wi-fi?

Encontrei uma resposta muito interessante a esta pergunta: O Air Transfer é o app ideal para o serviço, uma vez que através dele é possível transferir não apenas fotos e vídeos, mas também textos, notas, favoritos do navegador, documentos e músicas que estejam em um iPhone ou iPad para o PC. A operação inversa também é possível, graças a uma interface web oferecida pelo app.

Os arquivos transferidos para o PC podem ser baixados individualmente ou em grupos. Neste último caso, o Air Transfer cria um arquivo no formato zip, contendo tudo o que se decidiu transferir. O conteúdo deste arquivo então, pode ser trabalhado, editado e, posteriormente, enviado a sites na internet, como o Google Photos.

Neste rápido vídeo demonstro como transferi duas fotos e um vídeo que estavam armazenados em meu iPhone. Note que o app é bastante intuitivo:

Ah. Esqueci de mencionar: As funcionalidades que demonstrei são todas integrantes da versão gratuita do app Air TransferApenas para constar, aliás, dentro da aplicação há uma opção para se pagar USD 1,99 e liberar todos os recursos: Mas nem dentro do app, nem na App Store, nem no site do desenvolvedor, uma empresa coreana, consegui encontrar resposta para que recursos seriam estes. Mas pelo visto, não fizeram falta.

Devo explorar mais um pouco o app e complementar este artigo com o tempo.

Quanto vale a bicicleta do meu filho?

No ano passado, quando meu filho mais novo  completou 5 anos e ficou grandinho a ponto de não caber mais no seu berço, ele inevitavelmente nos pediu para comprar uma cama grande, igual à do irmão mais velho. Depois de algum tempo pesquisando, encontramos e encomendamos uma pra ele, em uma loja aqui da cidade.

O problema? Precisávamos nos desfazer do berço, pois berço e cama não caberiam no quarto. E precisava ser rápido, porquê a cama, que estava disponível praticamente a pronta entrega, chegaria em 2 dias.

Assim como muita gente antes de mim, recorri ao site do OLX, já que todo o marketing deles em cima de mim funcionou. O mote parecia uma espécie de earworm (“Desapega, desapega…“) e funcionou: Menos de 2 horas depois de colocado o anúncio, um casal veio aqui em casa para levar o berço.

Desde então, bastou encontrarmos alguma coisa sem mais serventia pra gente aqui em casa que lá vamos nós para o site. Esta semana, pelos mesmos motivos do berço, criei um anúncio para vender a bicicleta do meu filho, já que toda vez que ele a pedalava, ultimamente, batia os joelhos no guidão. E pus essa foto bonitona:

Daí pedi R$ 95,00 por ela. Uma nova está por volta de R$ 350,00, então minha esposa e eu achamos que seria um preço justo.

Dependendo da época do ano — e do mês —, além do tipo de coisa que você está oferecendo, o número de visitas pode ser considerável ou não. Para este anúncio específico, recebi um número razoável delas. Muitas pessoas demonstrando interesse: Em dois casos, inclusive, as pessoas me mandaram mensagem via WhatsApp, dizendo que “mais tarde passariam aqui em casa para pegar“, mas nunca vieram de fato.

Entre as diversas mensagens que eu recebi, uma me chamou a atenção:

— Eu tenho R$ 50. Se você fizer pra mim, vou ai buscar agora.

Agora vejam só: Um amigo de faculdade há muitos anos comentou comigo que em certos países da Ásia, África e do Oriente Médio, como Índia, Arábia Saudita, China, Turquia, Indonésia e Marrocos, é muito comum que existam negociações — às vezes longas, às vezes demoradas, para que vendedor e comprador cheguem a um acordo. Chega a ser, segundo a experiência dele, uma afronta que quem está comprando não faça contra-ofertas.

Loja de tapeçarias, no Marrocos

Mas não estamos em um desses países. E, por R$ 50? Eu não estava desesperado para vender nada, então resolvi esperar. Mais mensagens chegaram, mais pessoas prometeram passar por aqui. Passado mais algum tempo, eis que a mesma pessoa me mandou uma mensagem parecida:

— Olha, eu tenho R$ 70. Posso ir buscar com você?

Vejam só. Uma oferta de maior valor.

Mas as ofertas chegavam e, entre elas, muitas pessoas me pedindo para comprar, pelo valor originalmente pedido pela bicicleta. Então, mais uma vez, decidimos não arredar o pé. Teimosos, mantivemos o preço inicial. E mais uma vez as pessoas não chegavam ao finalmente.

Finalmente, depois de passado mais algum tempo, esta mesma pessoa manda sua última mensagem. Usou sua última cartada, seu último recurso. E me perguntou:

— Você faz por R$ 90? É o que eu tenho.

Então concordei.

Cerca de 16 horas após a publicação do anúncio da bicicleta do meu filho, nós a vendemos por R$ 5 menos do que o preço original. Para mim, foi uma forma de recompensar a insistência do camarada, e também, de passar adiante um brinquedo que, como disse, não tinha mais serventia ao meu filho. Em poucas horas tínhamos tanto comprador quanto vendedor satisfeitos.

Essa história me fez pensar.

A situação, embora transcorrida quase que exclusivamente de forma eletrônica, me lembrou de quando eu era pequeno e íamos à praia, em Ubatuba: Meus pais ficavam sempre em suas cadeiras debaixo de um guarda-sol e, quase que invariavelmente, vinha um vendedor de redes negociar com meu pai para que ele comprasse uma delas.

Eu admirava aquele bate-papo entre o vendedor e o meu pai: Como algumas pessoas sentem prazer em negociar, mesmo que no final talvez não concretizem uma venda. Meu pai levou algumas redes pra casa ao longo dos anos. Outras vezes, não levou nada. E seja como for, essa história de vender a bicicleta do meu filho me trouxe esta lembrança.

No meu caso, embora não tenha feito grande concessão de valor, senti-me, de certa forma, transportado à lembrança do meu amigo de faculdade anos atrás: A de estar em um mercado a céu aberto, num país do Oriente Médio.

Curti.

As melhores frases do Pica-Pau

Algumas das memórias mais tenras da minha infância foram construídas passando manhãs e tardes inteirinhas assistindo a PopeyeLooney Tunes Tom e Jerry. Mas, sem dúvida nenhuma, o meu desenho favorito naquela época era, de longe, o Pica-Pau. Criado em 1940 pelo desenhista e animador norte-americano Walter Lantz, esta ave de cabelo vermelho foi garantia de que eu desse muitas e muitas risadas.

Não é de hoje, posso dizer, portanto, que o Pica-Pau influencia minha vida. Seja em casa ou no trabalho, vira e mexe me lembro de alguns dos desenhos mais memoráveis aos quais assisti. E são essas lembranças que me fazem citar algumas passagens e frases do desenho, muitas vezes divertindo os colegas que têm mais ou menos a minha idade — e que portanto se lembram tão bem quanto eu do personagem e suas travessuras — e intrigando o pessoal que é um pouco mais novo.

Após refletir um pouco sobre o assunto, resolvi compartilhar aqui uma lista, contendo 5 frases e/ ou passagens que mais utilizo,  ou que mais costumam me divertir. E são elas:

Se o Pica-Pau tivesse comunicado à polícia, isso nunca teria acontecido

O episódio Bunco Busters (no Brasil, Um Tesouro Difícil), que foi ao ar originalmente em 21 de novembro de 1955, narra a história do caso do Pica-Pau pateta (The Case of the Gullible Woodpecker): O desenho começa com um jornal noticiando que “o Pica-Pau herda uma nota firme”. Pica-Pau passa com um pote cheio de dinheiro por Zeca Urubu, que decide que vai tomar toda a fortuna do Pica-Pau, inventando um mapa do tesouro e diversas artimanhas para lhe tirar cada centavo. A frase “Se o Pica-Pau tivesse comunicado à polícia, isso nunca teria acontecido” era repetida exaustivamente pelo detetive da polícia que nos narra o caso, todas as vezes em que Zeca tirava mais um dinheirinho de nosso amigo penado.

Ok. Mas nada disto, e disto

O episódio Woody’s Clip Joint (no Brasil, O Pica-Pau na barbearia), exibido pela primeira vez em 3 de agosto de 1964, mostra o Pica-Pau indo cortar seu cabelo (hã?) como muita gente faz todos os dias. Abandonado pelo barbeiro (porque era hora do almoço, afinal de contas), Pica-Pau ouve o noticiário que informa sobre a fuga do leão Rei Luisinho. É claro que o leão vai justamente até a barbearia onde está o Pica-Pau e o obriga a escondê-lo. Até que o Pica-Pau descobre que há uma recompensa pela captura do leão e o engana, oferecendo-se para disfarçá-loLuisinho maltrata Pica-Pau o tempo inteiro com tapas no rosto e socos na cabeça, e, à certa altura, nosso herói só concorda em continuar ajudando caso o leão pare com isso.

Asas batendo. Marcha de decolagem. Turbinas e… já!

Em Sufferin’ Cats (no Brasil, O Gato a Jato), de 1961, um homem está sendo atormentado pelo Pica-Pau, que transformou seu telhado em uma reprodução de queijo suíço com mais buracos do que se pode imaginar. Cansado da situação, ele resolve contratar os serviços do Gato a Jato, que se diz “o gato mais a jato do mundo“. Obviamente, como em qualquer desenho da série, não é nada fácil para os inimigos do Pica-Pau se livrarem dele, e neste caso não há exceção. A frase que cito neste caso é usada pelo Gato a Jato, quando este vai “decolar” para mais uma investida veloz no Pica-Pau.

¡Yo no lo conozco, señor!

O episódio Panhandle Scandal (no Brasil, Pica-Pau Delegado), que foi ao ar pela primeira vez em 18 de maio de 1959 é um dos que mais me provoca risadas. A frase acima é repetida por um baixinho, vestido com trajes mexicanos e sombrero, como parte de um diálogo muito engraçado entre ele e um bandido que chega na cidade e está em busca do Pica-Pau, que proibiu a entrada de bandidos na cidade.  O diálogo é assim:  “Quiere dicer el tal de cabelo vermelho? (sim) E de grande nariz? (sim) E que faz ha-ha-ha? (sim, sim, sim) E que é um grande astro da TV? (Esse mesmo!) ¡Yo no lo conozco, señor!“.  De bônus, o espirituoso cavalo do bandido em questão, quando se mete a pedir uma bebida no bar local é expulso, proferindo a pérola “Nhé, não gosta de beber com cavalo, é?“.

Tô procurando rachador. É um cara que faz assim: VRRUMMMM…

The Screwdriver (no Brasil, O Rachador, ou, algumas vezes, O Pica-Pau biruta) é o segundo desenho do Pica-Pau produzido em toda a filmografia. É um episódio em que o Pica-Pau tem aquela aparência mais amalucada, com olhos verdes, tal como o coloquei neste post. Durante o desenho, o carro do Pica-Pau quebra e ele resolve tentar consertá-lo. Depois de consertá-lo, ele volta a ficar possante, e ele acaba se encontrando com um policial rodoviário que está procurando rachadores. A certa altura, ocorre um diálogo entre o oficial e o Pica-Pau, onde o primeiro está explicando o conceito de um rachador.

 

Todos os Mentirosos

Que tal um livro onde a trama gira em torno de um personagem que descobre, de uma hora para a outra, que é capaz de fazer qualquer um dizer a verdade? Esta é a proposta de Todos os Mentirosos, livro de estreia de Lucas Mota, que confesso que comecei a ler mais motivado pela sinopse do livro do que por qualquer outro motivo.

O livro é composto de 23 capítulos, que têm uma narrativa impressionantemente rápida. Ao longo do texto acompanhamos Leo, filho de pais separados, descontente com o emprego que tem em uma empresa de publicidade e cansado, na verdade desde que era criança, de ver todos ao seu redor contando mentiras e mais mentiras. De posse de uma habilidade que não sabia possuir, ele resolver fazer o que qualquer um faria em seu lugar neste caso: se vingar do mundo ao seu redor, desmascarando quem falta com a verdade. É claro que ele logo descobre que nem tudo são flores, e que revelar as mentiras de certas pessoas pode trazer sérias complicações para sua vida, magoando aqueles de quem se gosta e colocando a vida em risco.

Para uma leitura da qual eu honestamente não sabia o que esperar — como disse, simplesmente vi a sinopse e pensei comigo mesmo “ei, esse deve ser um livro interessante” — até que Todos os Mentirosos é bastante interessante. Como a narrativa é rápida e sem enrolações, a gente logo se vê no final dos 23 capítulos que compõem o livro, aliás, nos deparando com um final do qual eu particularmente gostei — e não esperava.

No mais, o livro perde um pouquinho de pontos porquê há muitos erros de português e palavras faltando: Sinal de que pode ter havido um ligeiro deslize durante a composição do ebook, que a editora precisa corrigir. Também perde um pouco no quesito diálogo, uma vez que certos trechos da obra parecem um pouco acadêmicas, enquanto que outros estão repletos de palavras faltando — talvez, novamente, a edição. No final das contas, mesmo assim, é uma leitura simples, que eu recomendo.

Todos os Mentirosos
Autor: Lucas Mota
Iniciado em 03/09/2017
Concluído em 06/09/2017
Veja o livro no Goodreads
Avaliação final