02.05.2006
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Os 220 dias 

Ajuste de contas. É isso que nós, brasileiros, somos chamados a fazer anualmente quando entregamos nossas declarações de imposto de renda ao governo federal, quer pessoalmente, quer através da internet. Confesso, aliás, que acho este um termo bastante engraçado pra se usar em um país como o nosso, em que o cidadão tem que arcar com uma das cargas tributárias mais altas do mundo: Em tributação direta em nossos salários, por exemplo, perdemos apenas para a Dinamarca.

E o que me assusta mais é a falta de visão dos brasileiros em geral com relação a um detalhe muito simples, mas que custa caro aos bolsos de todos: Somos nós, cidadãos comuns, e não as grandes empresas, quem tomamos prejuízo com impostos, que encarecem tudo, absolutamente tudo que compramos. Meu amigo Kadu, por exemplo, acaba de citar em um post recente, diversos exemplos de produtos que se tornam muito mais caros do que deveriam, devido à incidência de carga tributária que neles é aplicada.

Não é de hoje que, quando vou trabalhar de carro, ouço a excelente série da Rádio Jovem Pan, Brasil, o País dos Impostos. A série, que é composta de pequenos blocos diários com poucos segundos de duração, traz informações alarmantes sobre os impostos que estão embutidos em tudo, desde escovas de dentes e colchões, até automóveis e motocicletas. Para mim, informações deste tipo deveriam ser veiculadas também em rede nacional de rádio e televisão, para que todos ficassem realmente alertas.

Uma das coisas que descobri justamente na semana passada, quando milhões de pessoas corriam para entregar em dia seus ajustes de contas com a Receita Federal, é que apenas a partir do próximo dia 26 de maio é que nós, cidadãos comuns, passaremos a trabalhar para nós mesmos, nossos sonhos e nossas famílias. Isso porquê teremos que destinar, este ano, 145 dias inteiros de trabalho só para o pagamento de impostos. O saldo em favor do contribuinte, atualmente de apenas 220 dias, já foi muito maior, como se pode perceber ao ouvir um dos curtos blocos da série, veiculado na semana em questão.

Só pelo fato de saber que 47% do preço total de uma simples latinha de guaraná é composto de impostos, perco até a sede. Novamente muito bem citado pelo Kadu, o site De Olho no Imposto presta um ótimo serviço e é uma das ferramentas que alerta consumidores desavisados de que tudo está (sobre)carregado de impostos. É preciso, inclusive, que mais iniciativas do gênero apareçam.

Enquanto fica muito fácil e cômodo pro governo cumprir promessas realizadas em campanha onerando os próprios interessados nesses resultados — a população que, muitas vezes, como se vê, não tem sequer instrução suficiente para que possa reclamar seus direitos —, acho que ainda é possível darmos a volta por cima. Num país em que há poucos anos milhares de caras-pintadas saíram às ruas e exigiram seus direitos, derrubando um presidente, basta apenas que alguém dê o primeiro passo, ou melhor, faça a primeira marca de tinta no rosto, nessa batalha em que o inimigo a ser vencido é a má utilização do dinheiro público. Podemos começar, obviamente, nos filiando à campanha. É simples, rápido, e, nos moldes da modernidade, on-line.

24.04.2006
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ScanR? 

É extremamente comum, durante o meu trabalho, que eu me engaje em uma ou outra discussão sobre os mais variados assuntos. Como nos é exigida, o tempo inteiro, a capacidade de realizarmos brainstorms, o mais comum é que comecemos a fazer anotações, quer em folhas de caderno, flip charts ou nos quadros brancos das salas de reunião da empresa. Independentemente de onde anotamos nossas idéias, no entanto, um problema em comum sempre aparece: O retrabalho.

É que as idéias, descritas em papel ou em quadros, precisam ser transportadas para o computador, ou seja: Aquilo que foi obtido manualmente precisa ser transformado em um produto digital, para que apenas a partir de tal ponto seja aproveitado em um documento, planilha ou apresentação. Como acredito que usar o computador diretamente nas discussões atrasa o processo de brainstorm, a brincadeira mais comum que presencio quando uma reunião acaba é alguém perguntando se dá pra tirar uma foto do flip chart ou do quadro branco, para aproveitamento direto em meio digital. Apesar de causar muitas risadas do pessoal em geral, tal pergunta parece ter ganho uma resposta à altura.

Digo isso por conta de um serviço que descobri, chamado ScanR. Seus desenvolvedores são capazes de lhe enviar por e-mail um documento legível em formato PDF — gerado através de processamento de imagens e de alta tecnologia em extração de dados — com o conteúdo de qualquer imagem gerada através de câmera digital, mesmo aquela que está embutida em seu telefone celular, desde que ela possua pelo menos 1 Megapixel de resolução.

Sendo assim, se eu fizer uma discussão e dela sair um quadro branco lotado de anotações, me parece que meu único trabalho será realmente levar à cabo a brincadeira que tanto fazemos na empresa, e tirar uma foto do que tivermos anotado. Enviando o resultado para o serviço através de e-mail, tenho apenas que esperar entre 1 e 5 minutos antes de olhar minha caixa de entrada e recuperar um documento PDF. O ScanR é gratuito mas, embora seus criadores digam que o serviço sempre terá uma versão neste formato, não me espantaria que, muito em breve, passasse a ser um serviço pago, ainda mais se a qualidade final for realmente próxima da que eles anunciam. Devo fazer um teste e lhes direi o que descobri.