23.01.2010
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Solitários?

Vem realmente me chamando a atenção nas duas últimas semanas um reality show chamado Solitários, que o SBT estreiou no último dia 10 de janeiro. Pelo menos em parte, isso se deve ao fato de que as opiniões e sentimentos das pessoas com relação ao programa são contraditórias: Há quem odeie e quem adore o formato. Mas, verdade seja dita, é bom entender o que acontece antes de optar por uma opinião.

A proposta é baseada no reality show Solitary, criado pelo canal Fox, e tudo gira ao redor da realização de uma série de experimentos sociais que têm a finalidade de testar os limites do ser humano. A dinâmica, ao menos para mim, é inovadora: Nove pessoas, que não se conhecem e têm idades e profissões diferentes, são confinadas, cada uma isolada da outra, em células — ou pods — que têm formato octogonal e aproximadamente 3m de diâmetro.

Dentro destes pods, os participantes devem passar por provas — que servem tanto para conquistar a imunidade que lhes garantirá não sofrerem uma eliminação precoce, quanto para eliminar um dos confinados. Para se saírem bem, dependem não apenas de um bom preparo físico, mas também de resistência psicológica e mental. Na primeira das provas, por exemplo, era necessário que cada um dos nove vestisse mais de 50 camisetas, de todos os tamanhos — o que consumiu um tempo enorme e fez com que alguns participantes desistissem da prova, precisando de tesouras para se livrarem das camadas de tecido.

A mente doentia por trás dos pods em Solitários é uma voz computadorizada chamada Val — possivelmente, segundo consta da Wikipedia, uma referência a HAL 9000, o computador que tomou a espaçonave em 2001: Uma Odisséia no Espaço. É ela quem dita as regras no jogo, dizendo o que deve ou não ser feito. Val é representada, em cada um dos espaços confinados, por um monitor. Abaixo do monitor existem botões — um verde, outro, vermelho, que são usados na dinâmica do programa. O participante pode pressionar o botão verde para falar com Val, a quem deve pedir autorização para tudo; a qualquer momento, pressionar o botão vermelho, quer por vontade própria, quer como punição pelo não cumprimento de uma prova ou de uma ordem, elimina o participante.

Pelo que consta do formato do programa — e já pode ser observado nos episódios —, Val fornece água aos participantes, que também são alimentados — normalmente com barrinhas de cereal. Ao longo do programa, como se pode perceber no episódio 4, ela também começa a controlar os períodos de sono dos confinados, que vão ficando cada vez mais reduzidos, provocando um aumento de estresse.

É esse aumento ou não de estresse o fator que pode ser determinante para se vencer o programa, que nos EUA já é exibido desde 2006 e está rumando para sua quarta temporada. O grande vencedor — provavelmente aquele com os próprios limites mais em dia — fatura R$ 50 mil. Prêmio pequeno? Esforço grande? Não sei. Eu só sei que, entre os dois times com opiniões distintas sobre o programa, fico com aquele que pensa que Solitários é um toque diferente nas telas das TVs brasileiras — e, provavelmente, o melhor reality show disponível na TV aberta. E se você ainda não se decidiu, quem sabe assistir à íntegra de alguns episódios não te faça mudar de ideia…

03.12.2009
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Uma voz que se cala…

É com você, Lombardi!

É com você, Lombardi!

SÃO PAULO – Num tempo que todos podem ser locutores, com seus próprios programas gravados em podcasts ou em vídeos no Youtube, nada podia ser mais anacrônico que uma voz de veludo, empostada, com a dicção perfeita, narrando como há 50 anos nos antigos programas de rádio. Não no SBT. Tem coisas que só no SBT pode. Uma delas era o Lombardi.

Onde mais seria possível ouvir sem se aborrecer alguém anunciando produtos – de carnê de compras, títulos de capitalização e cosméticos aos prêmios para os participantes: “…um lindo refrigerador, uma casa e um carro zero quilômetro!” – sem a informalidade artificial de telemarketing que impera nos merchandisings que proliferam nos programas de TV?

Na contramão de tudo o que é considerado moderno e cool, Lombardi interagia com o patrão de voz tão inconfundível quanto à dele com uma entonação grandiloquente, mas ao mesmo alegre e simpática, sobretudo nas últimas palavras da frase, onde era possível até escutar um sorriso. (via Estadão)

Cheguei em casa ontem e minha esposa comentou comigo sobre a morte do Lombardi. Fiquei surpreso, ao mesmo tempo em que pensava no que poderia escrever aqui, mas este trecho de nota publicada pelo Estadão diz muita coisa.

O locutor se foi, e, certamente, com ele, se foi também uma parte da história do Brasil e da televisão brasileira. Eu sentirei a falta dele na interação com Sílvio Santos, assim como imagino que muita gente por aí. Será difícil esquecer do bordão “Ooooiii Sííílvio…”, que ele usava para responder à chamada do patrão#rip