A minha urna eletrônica
Certo. Os resultados do referendo já estão completamente apurados, e os brasileiros já disseram não, ou seja, não se poderá proibir o comércio de armas de fogo nem de munição no território nacional. Nesta vitória da democracia, apenas uma coisa já era certa desde antes mesmo do conhecimento do resultado final: As urnas eletrônicas, eternas aliadas da população, ajudariam os brasileiros — fossem eles meros eleitores ou mesários — a tornar as coisas muito mais rápidas e simplificadas.
Foi pelo rápido processamento de votos das urnas eletrônicas que ficamos sabendo o resultado do referendo tão rapidamente. Mas alguém já pensou que máquinas são essas que, desde 1995, ocupam as seções eleitorais e ajudam os brasileiros? A UE2000, modelo de urna em uso atualmente, foi homologada pelo governo desde 2000 e tem como principal função a coleta de votos e seu armazenamento, permitindo posteriormente sua transmissão. Sendo um computador, conta com memória de 256Mb, monitor de LCD, saída de áudio e interfaces USB, serial, PS/2, CompactFlash e Smart Card. Além destas especificações, conta ainda com teclado resistente a queda com inscrições em braile para auxílio aos deficientes visuais, bem como uma impressora térmica embutida e uma bateria interna que permite seu uso initerrupto por até 12 horas consecutivas — muito mais do que a duração de uma eleição.
Trata-se de uma obra prima criada 100% em território nacional: uma excelente ferramenta, sem sombra de dúvida. Qualquer brasileiro, seja lá qual for seu grau de instrução ou de familiaridade com computadores, pode operá-la com toda a facilidade. Mas mesmo assim, acho que algumas novidades já passaram da hora de serem implementadas. E em toda eleição que trabalho como mesário vou levantando uma ou outra idéia que acho que o governo deveria implantar para melhoria do equipamento.
Vou esclarecer que idéias são estas, compartilhando todas com vocês.
É Amanhã!
Domingo, 23 de outubro de 2005. Então será amanhã que nosso tão estimado governo promoverá a mobilização de seus cento e vinte e dois milhões, cento e dois mil e setecentos e quarenta e seis eleitores para que deixem seus lares, levando em média cinco segundos para votar naquilo que, segundo muitos afirmam, mudará os destinos da população. O referendo que consultará a opinião pública, perguntando se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido em território nacional. O custo dessa operação toda? Algo em torno de 210 a 240 milhões de reais, vindos dos cofres públicos.
Exercer a democracia sempre foi o direito majoritário de todos os brasileiros. Mas este referendo adiantará de alguma coisa, em termos práticos? Seja a minha ou a sua resposta qual for, será que apenas proibir a venda de armas de fogo será suficiente pra mudar alguma coisa? É mais do que óbvio que não. Mas duas frentes populares, a do NÃO e a do SIM, ocuparam os televisores de muitos brasileiros duas vezes ao dia e durante dias a fio, numa batalha tão grande que parecia realmente que a simples resposta a esta questão fosse resolver todos os problemas da nação.
Onde estão as verdadeiras ações públicas do governo? Aquelas que quem vai às urnas durante as eleições, escolhendo com fé seus candidatos, deveriam cobrar, posteriormente, daqueles que elegeram? Esse sim é, verdadeiramente, um direito reconhecido. Onde estão brasileiros nas ruas, tal como na época do impeachment de Fernando Collor, com suas caras pintadas, cobrando mais segurança, educação e emprego? Afinal, acredito eu, as palavras é que são as verdadeiras armas do povo. E estas, ninguém pode lhes tirar.
E enquanto os governantes tiram a atenção do povo com o referendo, no Congresso e no Senado as histórias de cassação de deputados e senadores vão aos poucos se transformando em pizza. Tudo aquilo ao que os brasileiros deveriam estar realmente prestando atenção fica em segundo plano.
Em tempo, a confusão na cabeça das pessoas ainda pode ser bastante grande. Você precisa votar não se quiser que sim, e sim, se quiser que não. Não entendeu? Tente dar uma olhada aqui e ver se melhora. Agora falando sério, não deixem de ver os dois centavos do meu amigo Alexandre Inagaki sobre o desarmamento. E amanhã, vote com consciência. Ainda que não seja a solução definitiva.
ATUALIZAÇÃO: E, como eu previa, a vitória esmagadora do NÃO apenas veio comprovar aquilo que eu já imaginava. Os brasileiros não querem tirar de si próprios um direito adquirido. E viva a democracia!
Antes que eu me esqueça…

Outro dia mesmo estava falando sobre o referendo do próximo mês de outubro e, inevitavelmente, citei algo relacionado a democracia. A mesma democracia brasileira de sempre me escolheu (como se esse fosse mesmo um grande sorteio ou concurso, em que você ou eu esperássemos ansiosamente para sermos contemplados) para trabalhos como mesário durante a realização da consulta popular. Isso porquê, como se pode reparar, minha participação será de extrema importância para a lisura e transparência do processo eleitoral.
O processo eleitoral atual é falho. Já falei nisso antes, e já falei porquê acho isso. Acho que democracia é escolha, por livre e espontânea vontade, por livre arbítrio. Não se trata de obrigação. Vota quem quer, e assim, vota mais consciente. É um referendo? Escolhe quem quer escolher. Não deveria haver necessidade de avisos como o do último parágrafo de minha convocação — à qual fui obrigado a atender, sob penas legais, caso não o fizesse —, que diz que “o serviço eleitoral é obrigatório”. Quem não sabe disso? E quem não gostaria de mudar isso?
Me lembrei do diálogo com a moça do cartório, no dia em que fui buscar minha convocação oficial, onde ficam data e hora do comparecimento, treinamentos, etc. Ela me disse, embaraçada, que não sabia o porquê do governo estar promovendo essa consulta com relação ao desarmamento. Ela sabia — tanto quanto eu, aliás — que, independente da opinião vencedora, quem quiser continuar a ter armas em casa o fará. Por bem ou por mal. De um jeito ou de outro. E eu não tiro, assim como imagino que vocês também não, a razão dela.
Quem quiser ter arma vai continuar tendo. Isso torna o referendo falho. A democracia falha. Uma piada de mau gosto com o direito de escolha do cidadão brasileiro. Digo e repito: É hora do fim do serviço eleitoral obrigatório. Hora de serviço eleitoral remunerado e de voto facultativo. Até quando esperar?
O Tal do Referendo
Talvez a paternidade recente esteja me deixando cansado. Talvez seja só pura falta de tempo. De qualquer forma, só ontem é que fiquei sabendo, conversando com meus pais, que o governo brasileiro está às voltas com a organização de um referendo popular que visa consultar a opinião da população brasileira com relação à proibição da venda de armas de fogo e munição em território nacional. A consulta, que deverá usar as urnas eletrônicas, como numa eleição normal, consistirá em responder sim ou não à pergunta aprovada pelos parlamentares: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”
No próximo dia primeiro de agosto terá início uma campanha publicitária custeada por cada uma das posições a respeito do assunto. Um mês antes do referendo, que será realizado no próximo dia 23 de outubro, um horário gratuito será veiculado à programação das emissoras de rádio e TV nacionais. De um lado, teremos a posição contra a venda de armas, representada pela Frente Parlamentar Brasil Sem Armas. Do outro, os defensores do direito à auto-defesa, a Frente Pró-Legítima Defesa.
Sou obrigado a defender meu ponto de vista a respeito desse tema. E minha defesa consiste em abordar dois pontos distintos. O primeiro tem relação direta com a venda de armas. O segundo, com o tal do referendo em si, muito bem definido por um amigo meu como consulta obrigatória à opinião popular.











