31.01.2009
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GDrive: A privacidade no caminho de um Briefcase 2.0

Google GDriveComo lá pelos idos de 2000 e 2001 eu era um fervoroso usuário do Briefcase, não pude deixar de reparar, esta semana, que o Yahoo resolveu dar um ponto final ao serviço depois de quase 10 anos de estrada: Todos os usuários tem até o próximo dia 30 de março para baixar ou excluir o que estiver armazenado em suas contas.

Naquela época eu estava começando a faculdade, e a especificação do padrão USB ainda não havia decolado. Dessa forma, ainda não era possível fazer o que metade da torcida do Flamengo faz hoje em dia quando quer transportar arquivos pra cima e pra baixo: Recorrer a um pendrive. Eu carregava um porta-disquetes — com a incrível capacidade para três discos de 3 1/2 polegadas. Assim sendo, imaginem o meu justificável espanto de poder contar com os 30 Mb oferecidos pela empresa, e, ainda por cima, gratuitamente.

Pois bem. Foram, de certa forma, exatamente estes 30 Mb de espaço de armazenamento que tanto me impressionaram no começo da década que acabaram por decretar o fim do serviço. Acontece que, para os padrões de armazenamento atuais em que espaço sobrando nunca é suficiente — um amigo meu, por exemplo, voltou de férias essa semana e me disse ter acabado de comprar um HD novo, com 1 terabyte de capacidade —, essa oferta ficou pelo caminho, muito Web 1.0 para o gosto dos usuários, que no fundo, começaram a nem se lembrar mais do pobre Briefcase, ofuscado pelo espaço oferecido pelo Flickr ou pelo sensacional GMail, ambos gigabytes e mais gigabytes à sua frente.

Mas se por um lado o Briefcase está prestes a bater as botas mesmo sendo pioneiro na disponibilização de espaço em disco, por outro deve ficar na memória de muita gente devido a outro conceito que ajudou a popularizar: Estou falando da possibilidade de dar a qualquer usuário a chance de acessar seus arquivos em qualquer computador, a qualquer momento, em qualquer parte do mundo em que ele esteja. Na onda de aproveitar este conceito associado à capacidade crescente de armazenamento do GMail, aliás, muita gente acabou apresentando soluções criativas, como o GMail Drive, por exemplo, que cria uma camada que permite usar sua conta de email no serviço como um drive virtual de seu computador, onde os dados ficam armazenados remotamente.

E foi justamente uma notícia sobre o Google que também me chamou a atenção no começo da semana: Primeiro surgiu como uma suspeita do site TG Daily, e depois acabou se confirmando sem querer, graças a um memorável vazamento de código: Vem aí, ainda em 2009, o Google Drive — ou GDrive, para facilitar.

Faço minhas as palavras que dão título ao artigo do britânico The Observer: Através desse movimento o Google planeja tornar os PCs que conhecemos hoje coisa do passado, ao possibilitar a qualquer pessoa, tal como no caso do Briefcase, que acessem não apenas seus arquivos, mas também, todo um sistema operacional e aplicativos diretamente dos servidores da empresa californiana.

O GDrive deve funcionar armazenando todos os dados em um servidor que normalmente estará a quilômetros de distância das máquinas dos usuários, um conceito batizado de Cloud Computing. As cópias locais dos arquivos de qualquer pessoa poderão ser sincronizadas com as versões do servidor através de uma conexão de dados, o que na prática os tornará acessíveis em qualquer lugar e hora, desde que se use um computador com conexão à web.

Mesmo sendo um entusiasta ávido por experimentar a coisa caso ela realmente se concretize, sentencio logo de cara: Eu não acho que as pessoas estejam preparadas, pelos próximos sei-lá-quantos-anos, a abandonarem seus HD’s com capacidades cada dia maiores e maiores, para partirem para um modelo de 100% de armazenamento de dados em um servidor… ainda mais um servidor alheio.

Trata-se de privacidade: Para mim, se o Google quiser tornar o GDrive — e o cloud computing — realmente populares, terá que convencer pessoas comuns, como você ou eu, de que será seguro armazenar todos os seus arquivos — mesmo aqueles mais secretos, como planilhas bancárias, ou sei lá que outras coisas — em um servidor. “Mas quem verá os dados além de mim?“. “E se a internet cair, o que acontece? Hoje, pelo menos, está tudo no meu HD, aqui, pertinho de mim“.

Trata-se de uma pedra e tanto para o Google tirar do caminho, ainda mais se deixarmos tomar conta de nossas cabeças o pensamento inevitável de que os mesmos robôs postos à serviço da análise do que escrevemos em nossas mensagens de e-mail no GMail serão também postos para vascular arquivos incansavelmente, tudo em nome da exibição de anúncios, que, afinal, são o ganha-pão do Google.

Mas… quem sabe daqui a algumas gerações, não é mesmo?

10.03.2008
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Combater fraudes biométricas custa caro

finger-matsumoto150.jpgQuem precisou — como eu — renovar a carteira de motorista no último ano e meio já sabe: Um sistema de biometria realiza a identificação do candidato através de um terminal que coleta suas impressões digitais e as transmite para o Detran em tempo real. Só depois disso a pessoa é liberada para uma prova 100% filmada, tudo parte de fortes medidas de segurança para evitar fraudes no processo, na minha opinião, aliás, um dos pontos mais pertinentes para uso da biometria.

Mas por mais que eu seja fã de qualquer iniciativa biométrica, sou obrigado a admitir que mesmo seu emprego permite falhas: O Estadão noticiou ontem uma verdadeira operação de guerra montada pelo governo do estado de São Paulo, que colocou na malha fina do Detran 19 mil pessoas e 200 auto-escolas da capital, da Grande São Paulo e de Santos.

Segundo o que li, foram descobertos diversos artifícios para burlar o processo: Auto-escolas foram flagradas usando softwares que capturam as digitais de uma pessoa, transformam em código e enviam ao Detran a falsa informação, em horários diferentes, de que ela está assistindo regularmente às aulas.

Também foram identificados casos — que parecem coisa de filme — em que dedos de silicone ou gesso fraudaram o sistema, o que aliás representa um dos maiores — senão o maior — medo das pessoas com relação à biometria: “E se cortassem um dedo meu” — ou fizessem, como neste caso, um molde — “para me assaltar num caixa eletrônico biométrico?”

A implementação de mecanismos de combate a fraudes deste tipo é complicada: Neste caso, por exemplo, apenas no segundo semestre o Detran deverá além de registrar a impressão digital, fotografar as pessoas que fazem as provas práticas. O departamento também solicitou ao Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) que desenvolva uma certificação digital para o processo de renovação da CNH.

Minha opinião, no entanto, é que fotos são facilmente arranjáveis, assim como softwares para driblar uma certificação digital das informações. Acho que para evitar coisas como dedos de gesso, silicone ou até mesmo de gelatina, usados experimentalmente em 2002 pelo professor Tsutomu Matsumoto, da universidade japonesa de Yokohama justamente para provar que é possível burlar a biometria, precisa-se inovar.

Sugestões dadas pelo próprio professor Matsumoto, aliás uma das maiores autoridades mundiais no assunto, envolvem o reconhecimento não apenas de impressões digitais, mas também de características únicas do corpo humano, como pequenas mudanças ou movimentos que não podem ser reproduzidos por estruturas artificiais: O reconhecimento ultrassônico de impressões digitais, por exemplo, poderia reconhecer o fluxo sangüíneo por trás dos dedos, entre outras coisas.

Outros mecanismos para reconhecimento de um indivíduo poderiam empregar a sensibilidade de temperatura do corpo, a produção de oxigênio e de sinais elétricos, e a emissão de odores próprios do corpo humano. Mas fato é que, embora representem soluções eficazes, o custo destas alternativas é muito, muito alto, e, ao menos na atual conjectura — em que estamos ainda engatinhando no campo da biometria — não as vejo como viáveis para emprego em nosso país, e isso é uma pena.

08.08.2007
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Diga que arquivos armazena, te direi quem és

Uma pesquisa publicada esta semana nos Estados Unidos pela comScore — empresa especializada em estatísticas para a web que está expandindo seus serviços também para a coleta de dados off-line — descobriu que um típico computador americano conta, em média, com 880 arquivos MP3, além de 197 documentos do Word, 100 arquivos PDF, 77 planilhas do Excel e 36 arquivos de mídia (vídeos).

Com este tipo de informação, a intenção da comScore é ajudar as empresas que são suas clientes a melhorar o planejamento de seus produtos e de suas estratégias de marketing, através do fornecimento dos perfis tecnológicos detalhados das mais de 2 milhões de pessoas rastreadas por seu software especialista.

No fundo, através de algo extremamente simples — a análise do comportamento dos usuários em relação aos tipos de arquivo que são por eles armazenados — será possível para as empresas sugerirem compras de novos componentes de hardware, lançamentos de software e muito mais. Trata-se da primeira vez que eu ouço falar neste tipo de abordagem, e isso me deixa muito intrigado, como sempre, com relação ao sigilo e à privacidade dos usuários. Imagino o quanto esta técnica irá se popularizar daqui por diante, e fico com medo.

22.02.2007
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O Slife é pra você?

slife.gifDo tempo total que você passa na frente do computador, quanto é dedicado à leitura de e-mails? À navegação na Internet? E a escutar música? Se você é usuário do MacOS e sempre teve curiosidade a esse respeito, então o Slife é o programa ideal pra você: Lançada esta semana, a aplicação rastreia e coleta dados sobre a utilização dada a diversos softwares, entre os quais o s browsers Safari e Firefox, o iTunes e até mesmo o Word.

Com os dados coletados, pode-se visualizar graficamente por dia, semana ou mês, a utilização dada ao computador, incluídas aí as visitas a páginas web, sendo que tudo pode receber tags de identificação para referência ou busca futura. E em uma época conturbada como a atual, em que muito se discute a respeito de privacidade, a Slife Labs, produtora do programa, ainda disponibiliza o site Slifeshare, uma rede social onde o ponto de partida para conhecer novos amigos é, aparentemente, identifcar atividades em comum.

Nunca parei pra pensar a respeito, mas analisando meu dia de hoje, em que voltei a trabalhar e passei quase 9 horas sentado à frente de um computador com Windows instaldo, aproximadamente 20% deste tempo deve ter sido gasto lendo e-mails, enquanto outros 25% com a preparação de documentos em Word. Se adicionar mais uns 25% para preparação e revisão de uma apresentação em PowerPoint, os 30% restantes ficarão entre o editor do Visual Basic, um software de mind mapping e, é claro, o Firefox, para ver algumas notícias. Quantos novos contatos isso me renderia? :)

31.01.2007
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A biometria chega aos bancos

palmsecure_bradesco.jpgSe tudo correr conforme o planejado, o Bradesco deverá ser o primeiro banco nacional a utilizar um parque de equipamentos totalmente equipado com sistemas de identificação de clientes através da biometria1: Através de uma técnica para a identificação de pessoas que é pouco difundida no país — uma vez que o sistema biométrico mais conhecido por aqui é a leitura de impressões digitais —, foram introduzidos este mês alguns novos terminais de auto-atendimento que utilizam a leitura de padrões vasculares das mãos das pessoas para identificá-las.

Os equipamentos — scannners desenvolvidos pela japonesa Fujitsu e denominados PalmSecures — são o resultado de parte dos R$ 1,5 bilhão destinados à melhoria das tecnologias de segurança para os clientes no ano passado, investidos na biometria. Até o momento, existem 40 terminais equipados com a nova tecnologia, espalhados por agências localizadas nas duas maiores capitais brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, em fase de testes com os clientes, o que mostra mais uma vez que há a grande possibilidade de sistemas de identificação como este saírem de vez das histórias de ficção e se somarem à segurança que hoje já é dada por senhas, chips de computador e perguntas secretas.

O que mais me impressiona no sistema da Fujitsu é que o scanner funciona sem que seja necessário contato físico com o equipamento, apenas através da aproximação da palma da mão: Num primeiro acesso, os padrões venais de qualquer pessoa — únicos até mesmo entre gêmeos idênticos — são armazenados e posteriormente usados para permitir ou negar o acesso às transações bancárias de cada conta. Estes padrões são tão únicos que, se uma pessoa usar a mão direita para se registrar e depois disso tentar se autenticar com a mão esquerda, terá seu acesso recusado, com um percentual de erro de menos de 0,00008%.

O grande receio parece residir mesmo é no hábito de se utilizar, no dia a dia, equipamentos como este: Embora tenham sido escolhidos pelo Bradesco, entre outros motivos, por propiciarem uma forma extremamente higiênica de autenticação, muita gente pode ter dúvidas dignas de grandes estórias policiais: Uma delas, por exemplo, diz respeito ao fato de que os marginais poderiam decepar a mão de alguém só para acessar grandes somas de dinheiro, o que não adiantaria nada, pois é preciso que haja sangue correndo nas veias para que a autenticação se realize.

De fato, se a aceitação for positiva, todos os 24 mil terminais do banco deverão ser trocados até 2010, a um custo por scanner que se espera chegar aos US$ 100. Além disso, outros dois grandes bancos do país, o Itaú e o Unibanco estão em fase de pesquisa de soluções similares. Ou seja, desde leitores de padrões das veias de sua mão até a possibilidade de seu reconhecimento através da retina, é bom que nos acostumemos com as autenticações biométricas que nos reservam o futuro. Por hora, eu só lamento mesmo é não poder testar um equipamento destes pessoalmente… Quem mandou não ser correntista do maior banco do país, não é mesmo?2

  1. Biometria é a medida de características físicas ou comportamentais das pessoas como forma de identificá-las unicamente. [fonte] []
  2. Meus agradecimentos vão para o Kadu, que como um dos meus 6 fiéis leitores sabe que adoro o assunto e que me enviou um link que me levou a este post. []
23.11.2006
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Big Brother sobre rodas

A vigilância no melhor estilo Big Brother parece ter chegado à frota de veículos brasileiros: É que ontem, conforme resolução publicada pelo CONTRAN — Conselho Nacional de Trânsito —, ficou determinada a obrigatoriedade da instalação de placas eletrônicas em todos os carros nacionais, de forma a facilitar sua identificação.

Trata-se do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos — SINIAV —, baseado não apenas em chips a serem posicionados na parte interna do pára-brisa dianteiro do veículo, mas também em antenas que estarão instaladas nas ruas e farão a leitura de dados como o número da placa do veículo, seu chassi e número do RENAVAM. Terminam de compor os equipamentos centrais de processamento e sistemas informatizados.

A medida, que deve ser cumprida por estados e distrito federal em até cinco anos, será adotada, segundo o que pude ler, para que seja possível um combate maior ao roubo de cargas, a melhoria da mobilidade urbana e do tráfego de veículos. E, por ser um item obrigatório, quem estiver sem o chip de controle após a implantação total do sistema pagará multa por infração grave de trânsito.

Rastrear veículos para combater roubos me parece uma idéia fantástica: Não é esse, afinal de contas, o modelo de negócio já inclusive implementado por algumas empresas de segurança, que literalmente rastreiam nossos carros num eventual problema de segurança? Talvez desta forma realmente se inibam os roubos. Mas e o outro lado da moeda, ou seja: Como ficará nossa privacidade?

Quero dizer, é de se imaginar que o mundo caminhe para um cenário onde as coisas são cada vez mais controladas: A era tecnológica em que vivemos, por sinal, facilita tal cenário, tornando-o muito mais alcançável do que há anos atrás. RFID’s e outros dispositivos já são, aliás, utilizados amplamente como meios de controle de estoque, e entre outras aplicações, permitem o rastreamento de produtos em trânsito. Mas o governo saber onde o seu carro está — quando excluída a questão de segurança — pode ser sim, uma imensa violação de privacidade. Pode ser impressão da minha parte, mas estou apenas esperando que grupos direcionados a este tipo de debate comecem seus protestos… Ou será que eles não viriam?

12.09.2006
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Adwares do Bem?

Um dos programas que utilizo com maior freqüência em meu computador, o BSPlayer — um reprodutor gratuito de mídias de áudio e vídeo — passou a incluir em sua última versão a instalação obrigatória de software da empresa de propaganda WhenU. Só comprovei tal fato porquê neste final de semana, ao baixar uma cópia do programa — uma nova versão, por sinal, de um site que havia sido, descobri, totalmente reformulado — para instalá-lo no computador de minha mãe, me deparei com a seguinte mensagem:

Novo Setup do BS Player

Para aqueles que não sabem, a WhenU é uma empresa que fabrica softwares que grandes empresas de segurança mundiais, como a McAfee, já classificaram como spyware, adware ou, minimamente, como riscos de segurança para os usuários. Desta forma, vocês podem imaginar a minha reação imediata: Interrompi o processo de instalação — que, até aquele ponto, ainda só avisava sobre o software indesejável — e deixei pra lá.

Qualquer spyware, notavelmente, tem a capacidade de deixar as máquinas em que estiver instalado extremamente lentas. Neste aspecto, inicializar seu computador pode levar um tempo extra, e sua banda de navegação pode ser, igualmente, afetada. Também pesa contra este tipo de programa a capacidade que tem de invadir a privacidade do usuário, mandando para endereços e pessoas excusas informações sobre os sites nos quais você navega e, em alguns casos mais graves, informações pessoais e bancárias.

Quanto ao adware, embora seja menos grave, acabam pesando sobre ele as acusações, por vezes verdadeiras, de que são acompanhados pelo spyware. Ou seja, enquanto um anúncio está sendo exibido na tela do computador, programas invisíveis são instalados na máquina e passam a rastrear os hábitos do usuário.

Para combater males iguais a estes, programas como o A-Squared, Ad-Aware e o Spybot Seek Search and Destroy (obrigado pela correção, Rodrigo), todos gratuitos ou pelo menos com uma versão gratuita, são essenciais e devem acompanhar o kit de segurança de qualquer usuário bem precavido, junto com um bom firewall e anti-vírus.

Mas há situações em que os adwares também são vistos com bons olhos. Li hoje uma reportagem que achei interessante, sobre uma empresa recém-lançada no mercado, a Spiceworks, que disponibiliza gratuitamente uma solução de gerenciamento de TI baseada na web e que depende da exibição de anúncios — do programa Ad-Sense, do Google — para continuar existindo. Até agora, mais de 5000 empresas de pequeno e médio porte de cerca de 80 países já adquiriram o produto.

Não é pra menos. Impulsionada pelos incentivos que seus clientes lhe fornecem ao clicar nos anúncios de sua ferramenta, em apenas 43 dias de funcionamento a Spiceworks está para lançar sua quarta versão beta. O gerenciador de TI da empresa conta com recursos como auditoria de software, comparação de configurações de microcomputadores e monitoramento de espaço físico disponível dos servidores de uma empresa.

Em troca de tantas atualizações — e, provavelmente, de um suporte ao cliente devidamente eficiente —, os clientes não se importam de, vez por outra, clicar nos anúncios que figuram no aplicativo. Essa prática pode parecer ilegal aos olhos do Google, e também pode-se questionar — como vi no mesmo artigo — se os anunciantes pagarão por cliques originados por gratidão pelo programa, e não por curiosidade pura. Mas esta é outra questão. O que importa é que o modelo adotado pela Spiceworks parece ser, no final das contas, um modelo de adwares do bem.

O mesmo modelo do bem, por sinal, é empregado pelo programa de correio eletrônico Eudora — o primeiro que usei em toda a minha vida de internauta. Após um período de avaliação, o usuário pode escolher entre três modos para continuar usando o programa: Um modo onde o programa continua gratuito, mas limitado, um outro onde os recursos são completos mas precisa-se adquirir uma licença paga e um terceiro, baseado em adware, que faz com que a maioria dos recursos disponíveis seja utilizável, em troca da exibição de até três janelas de anúncios simultâneas. De acordo com a Qualcomm, fabricante do software, as informações pessoais dos usuários não são coletadas.

Fatos sobre os usuários do BS PlayerNo final das contas, toda a questão sobre adware parece ser baseada na confiança ou não que se tem no fabricante do software que você está prestes a instalar. Se pensar no meu problema original, a janela que me fez desistir da instalação do BSPlayer dizia claramente que os anúncios que seriam exibidos no computador da minha mãe seriam baseados no histórico de navegação dela. Ou seja, certamente há spyware na jogada. E embora na mesma janela exista uma citação sobre respeitar-se a privacidade dos usuários, eu imagino de onde os responsáveis pelo BSPlayer teriam conseguido informações como as que ilustram este post, e que são divulgadas por eles na página onde convidam empresas a anunciarem em seu site. Minha confiança neles está definitivamente minada.

13.04.2006
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Filhos via GPS

A Fox exibe um seriado humorístico estrelado pela cantora norte-americana de música country Reba McEntire, que leva seu próprio nome. Em um dos episódios da sitcom, Driving Miss Kyra, ela presenteia sua filha adolescente com um novíssimo telefone celular. Mas a intenção real de Reba é localizar sua filha, através de um software rastreador contratado junto à operadora celular.

Mas isso não é apenas coisa de comédia enlatada norte-americana. É cada vez maior o número de pais que procuram serviços similares, muitas vezes precisando recorrer a empresas terceirizadas, para utilizarem o celular de forma a descobrir o paradeiro de seus filhos. Por sinal, a Sprint Nextel, empresa dos EUA, anunciou uma novidade que deve esquentar este mercado. O Family Locator Service, que começará a ser comercializado hoje, permitirá o acompanhamento da localização dos filhos através de qualquer dispositivo sem fio.

O sistema, que utilizará o Sistema de Posicionamento Global — ou GPS — para auxiliar os preocupados pais, permitirá que se descubra a posição de qualquer pessoa — e não apenas das crianças — através do monitoramento de até 4 aparelhos celulares. Também será possível emitir alertas, caso a criança se encontre em uma localização diferente a que se espera dela. Assim, quem quiser faltar à aula pra jogar futebol, por exemplo, terá que se entender mais tarde em casa com seus pais. O celular da criança, por sua vez, também receberá o alerta de que seus pais tentaram localizá-la e, assim, poderá ligar para tranquilizá-los.

Ao custo de cerca de US$ 10, o software da Nextel pode ser baixado por seus clientes e contará inclusive com a possibilidade de avisar aos pais que seus filhos estão próximos da residência de algum maníaco sexual — desde que este esteja com seu endereço registrado pela polícia norte-americana.

Particularmente, acho que isso demonstra a violência do mundo em que vivemos hoje. Não podemos confiar apenas em preceitos básicos do ser humano, como a convivência familiar, respeito e educação. Quer dizer, meu pai e minha mãe sempre me perguntavam onde eu ia e sempre me pediam pra ligar se algo acontecesse, ou ao menos pra dizer se cheguei bem onde estivesse indo, e eu sempre fiz isso.

Agora, com a procura por este tipo de tecnologia realmente aumentando daqui pra frente, parece efetivamente que uma das saídas pra algumas pessoas será tornar-se escravos de aparelhos wireless para localizarem seus filhos. No episódio da série que mencionei, a filha de Reba, Kyra, descobre que está sendo rastreada e deixa o seu celular novo em folha com a amiga, indo pra outro lugar qualquer, e deixando a mãe de cabelos em pé. Como é uma comédia, tudo acaba bem e as duas se encontram, aliviando as preocupações. Mas e na vida real?

30.01.2006
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Cérebro, o pai da mentira?

Vocês conhecem um instrumento chamado polígrafo? Em vários filmes de ação e do gênero policial, é muito comum encontrá-los em cena. É que estes aparelhos são usados pelos especialistas na detecção de mentiras, medindo mudanças na respiração, pressão arterial e resistência elétrica da pele do indivíduo sendo investigado e – se este estiver emocionalmente perturbado – dizendo se as afirmações realizadas são verdades ou não.

Há um problema histórico com estes aparelhos, no entanto. Embora se proponham a diferenciar fatos de invencionices, não são lá os reis da precisão. Mentirosos experientes podem, em certas condições, enganar os polígrafos. É por isso que muitos tribunais desconsideram as análises realizadas durante julgamentos, confiando apenas nos jurados para determinar quem está ou não sendo sincero.

Mas uma nova técnica promete acabar com essa história e finalmente fazer com que testes anti-mentira sejam aceitos como provas irrefutáveis. Batizada de Functional Magnetic Resonance Imaging, ou fMRI, trata-se de um procedimento empregado nos estudos do cérebro humano, que agora também deverá servir como detector de mentiras.

Mas embora as Universidades da Carolina do Sul e da Pensilvânia estejam em plena fase de testes, obtendo em média 90% de acertos com um scanner cerebral em relação às mentiras, ninguém sabe ainda se a técnica será mais confiável do que a do polígrafo. O argumento dos defensores do fMRI é que a análise é feita diretamente no centro da mentira, o cérebro, não usando medidas secundárias como a pressão arterial, por exemplo.

Já tem gente criticando o novo scanner e relacionando o aparelho com questões de privacidade. Novamente, aqueles que o defendem contra-atacam, pois dizem que é preciso que a pessoa concorde em passar pelo detector de mentiras, sendo que ninguém pode forçá-la a fazer isso, tal como já acontece com os polígrafos atuais. Eu assino embaixo, e acredito que privacidade não seja um problema neste caso, realmente.

Ainda será preciso investigar os resultados do aparelho em pessoas que não estejam entre 18 e 50 anos de idade, a faixa etária escolhida para os testes. Também ainda não se sabe os efeitos da detecção de mentiras em pessoas que estejam tomando medicação. De qualquer forma, tudo o que puder auxiliar no combate ao crime me parece uma idéia fantástica. Esta, então, parece daquelas que saem de livros de ficção científica, o que a torna especialmente interessante pra mim. Vamos ver o que pode sair dessa pesquisa.

06.12.2005
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De olho no seu carro

Não é segredo pra absolutamente ninguém que, em época de baixa temporada, os hotéis no litoral cobram menos por suas diárias, devido à baixa procura. Da mesma forma, procure pensar — se você alguma vez já viajou de avião — se não pagou mais barato pela passagem fora da época de férias ou final de ano. É normal que, a exemplo dos hotéis que já mencionei, as companhias aéreas também adotem uma redução de tarifas em certas épocas do ano, tudo para buscar mais clientes.

Acredito que seria uma coisa extremamente interessante adotar um sistema similar para as rodovias onde há cobrança de pedágio. Assim, motoristas trafegando em horários de pico pagariam mais pelo uso da rodovia, enquanto que aqueles que trafegassem em horários como a madrugada pagariam muito menos, aliás, virtualmente nada. Não estava com essa idéia na cabeça, pelo menos não até ler um artigo hoje pela manhã, que remetia a uma idéia mais antiga do Departamento de Transportes Americano: O órgão tem financiado uma série de projetos-piloto que visam rastrear eletronicamente todos os veículos, tendo por base um sistema GPS que viria pré-instalado nos carros, e que retornaria sua posição aos satélites que o rastreassem, através de ondas de rádio.

O problema destes dispositivos de GPS — a base para cobrança diferenciada pela utilização das rodovias — é que eles têm sido projetados e utilizados nos pilotos sem levar em consideração a privacidade das pessoas. Alguns sistemas de GPS se comunicam o tempo todo com os satélites, enquanto outros armazenam dados para revisão futura — como caixas-pretas de aviões. Segundo li, ainda, no estado de Oregon, a posição do veículo é transmitida sempre que o motorista para em um posto de gasolina.

Eu adoro questões relacionadas à privacidade pessoal e tecnologia. Enquanto defendo plenamente iniciativas como a biometria, por exemplo, acho o cúmulo que um rastreamento de veículos deste porte possa ser usado, por exemplo, para que a polícia rastreie o carro de alguém 100% do tempo. Ou que advogados descubram maridos e esposas traídas pelo local onde o carro estava em determinado momento. Ou, ainda, que uma companhia de seguros cobre mais caro para consertar o carro de alguém que passou uma horinha a mais naquele barzinho da esquina.

O governo americano, no entanto, quer criar polêmica, pois pretende fazer com que o aparelho GPS tenha sensores que impeçam o veículo de funcionar caso ele seja desconectado do carro. Imaginem um defeito no aparelho fazendo com que o motor pare, logo em seguida. Seria o cúmulo. É certo que, de acordo com pesquisas realizadas nos EUA, menos de 7% da população se preocupa em ter as informações do veículo transmitidas o tempo todo. Mas mesmo assim, que tal uma solução menos invasiva? Sensores à beira das rodovias poderiam debitar valores diferenciados — dependendo do horário em que o motorista trafegasse por uma ou outra via — diretamente da conta-corrente das pessoas, sempre que detectassem a presença do carro, ainda assim mantendo a privacidade do motorista. Tal como num cartão bancário.

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