Os livros favoritos da minha infância
Sabe aqueles raros momentos em que um simples bate-papo com amigos começa a trazer uma série de boas recordações à tona? Pois bem. Esta semana, isso aconteceu comigo enquanto começamos a discutir, na hora do almoço, lá no trabalho, sobre gostar ou não de ler.
Embora eu não comente muito sobre leitura por aqui — talvez pelo fato de, atualmente, estar com muito menos tempo livre para ler do que realmente gostaria —, eu gosto muito de ler. Aliás, eu costumo dizer que leio qualquer coisa que me caia em mãos — menos a lista telefônica, é claro.
Nunca cheguei a me perguntar sobre quando foi exatamente que meu gosto pela leitura começou. No entanto, observar meu pai sempre às voltas com livros, revistas e jornais em casa e ter a sorte de ter tido contato com uma série de bons títulos quando eu era criança, lá na escola onde eu estudei, com certeza contribuíram totalmente para o fato.
Depois de citar alguns títulos dos quais me lembrei quase que instantaneamente durante o bate-papo, achei que não deveria perder a chance de registrá-los por aqui. Afinal de contas, um pouco de nostalgia nunca é demais. Assim sendo, seguem cinco daqueles que, por terem surgido em minha memória tão rapidamente esta semana, são certamente os meus livros favoritos de infância.
A MAD voltou dos mortos!
Se você tem entre duas décadas e meia e três de idade, pelo menos, já deve ter ouvido falar da revista MAD. Conhecida pelo conteúdo em que são retratados desde quadrinhos até sátiras políticas e paródias bem-humoradas de filmes, a revista é um verdadeiro clássico criado em 1952 pelos americanos Harvey Kurtzman e William Gaines. No Brasil havia deixado de existir no ano de 2006, depois de mais de 30 anos de edição em três editoras distintas: Vechi, entre 1974 e 1983, Record, entre 1984 e 2000 e finalmente a Mythos, a partir de 2000 e até o seu término.
Resolvi escrever sobre a revista porquê há mais ou menos uns 8 dias, enquanto passava pela frente de uma banca de jornal, descobri — com supresa e, até mesmo, uma certa felicidade — que a MAD ganhou mais uma chance. Está ressuscitando dos mortos pela quarta vez, desta vez pelas mãos da Panini, que eu considero ser uma editora de qualidade excelente pelo material que normalmente produz.
É óbvio que eu resolvi comprar a revista. Naquele mesmo dia em que a vi. A decisão, aliás, me custou um monte de comentários do tipo “Ihhh… olha o cara, lendo MAD…”, mas todos eles vindos de pessoas que não puderam esperar para, pelo menos, folhear a nova revista. Da época em que eu costumava comprá-la e a edição era da Record, duas diferenças básicas são perceptíveis. A primeira, para melhor: A revista está com as páginas internas 100% coloridas — como ocorre com os gibis. Esse é um avanço interessante, e torna a leitura mais agradável, na minha opinião.
A outra diferença é para pior: O número de páginas está menor. Pelo que andei verificando, apesar de não ser contemporâneo do trabalho da editora Mythos, estava em 48 e passou para apenas 40. Na época da Record, por exemplo e se não me engano, esse número era bem maior. A meu ver isso pode muito bem ser o reflexo de uma época em que vivemos atualmente, onde tudo é reduzido — e o preço, mantido, senão aumentado. É o que ocorre com vários produtos, desde leite em pó — mais leve — até papel higiênico — com menos metros por rolo.
Sobre esta questão, achei uma entrevista muito legal com o editor da revista MAD no Brasil, o cartunista carioca Otacílio d’Assunção, que, é claro, ficou conhecido de uma geração sem número de fãs apenas por seu prenome, Ota. Em trechos desta entrevista, Ota dá outra explicação para a diminuição no número de páginas, que é até mesmo óbvia: Quando os leitores vão ficando escassos, as editoras param de investir. Não dá pra custear tudo sozinho, e assim a coisa pára. Segundo ele mesmo diz, “…cada editora que entra oferece menos que a outra. Então não tem como eu montar uma redação para fazer a revista. Agora dou assessoria, faço a seção de cartas e a parte de traduzir e adaptar a Panini faz“.
Seja lá como for, não dá pra negar que vários elementos da revista que cresceu comigo — e da qual fiz diversas coleções, inclusive dos famigerados Encalhes da MAD, em que diversas edições eram empacotadas para ficarem numa só — estão mantidos. Participações clássicas como as dos cartunistas Sérgio Aragonés e Don Martin, e também a ridícula Dobradinha MAD — sem a qual a revista nunca mais seria a mesma — continuam presentes, para alívio dos fãs. No final das contas, eu concordo com o que diz o próprio Ota na entrevista: A MAD é, acima de tudo, uma revista jornalística. Sobreviveu a décadas a fio, criticando, satirizando e acompanhando tendências da moda, culturais e políticas. É imperdível, pra quem já conhecia e pra quem, por ventura, ainda não a conhece…
ATUALIZAÇÃO: O Kadu encontrou algumas ridículas dobradinhas MAD interativas que estão hospedadas diretamente no site do The New York Times. Vale à pena conferir!
Minha namorada é 10!!
Por isso é que dizem: Esposas são as nossas eternas namoradas, não é mesmo? Ganhei de presente de dia dos namorados — atrasado, mas tudo bem:
1) As Terras Devastadas, de Stephen King. Trata-se do terceiro volume da série A Torre Negra — que conta com sete livros ao todo.
Neste romance, Roland, o último Pistoleiro, se aproxima ainda mais da Torre Negra de seus sonhos e pesadelos – atravessando um deserto amaldiçoado em um mundo macabro que é uma imagem distorcida do nosso próprio mundo. Junto com Roland estão dois daqueles que ele levou consigo para esse universo – o ex-viciado nova-iorquino Eddie Dean e Susannah, nova identidade da mulher que combina em um mesmo corpo duas personalidades distintas. À sua frente estão as extraordinárias revelações sobre quem ele é e o que o motiva em sua busca. E contra ele se perfila uma legião cada vez mais numerosa de inimigos, humanos ou não.
Este presente em forma de livro chegou na hora certa, pois já estou a menos de 50 páginas do final do volume 2, “A Escolha dos Três”. Aliás, me acreditem: A leitura desta série é extremamente viciante: Devem ser os livros que tenho lido com a maior velocidade em toda a minha vida.
2) Pen Drive Kingston Datatraveler de 1Gb: Parece pouco pelos padrões atuais, alguém vai dizer. No entanto, eu explico: Para as minhs necessidades, vem bem à calhar. Para quem tinha um pen drive de apenas 128Mb até então, adorei. E agora já posso carregar muito mais coisas para cima e para baixo!
Também podem dizer que eu poderia ter pedido um que tivesse funções de MP3 embutidas. Me acreditem, eu não teria uso para isso. Tenho toneladas de arquivos MP3 nas mãos e passo muito pouco tempo ouvindo música. Não sei, acho que nado contra a maré neste caso, mas fazer o quê, não é mesmo?
Amor… eu te amo, viu? Obrigado pelos presentes!
98 tiros de audiência
Embora eu adore navegar a internet atrás de boas dicas de leitura, gosto mesmo é de ir a uma livraria em pessoa e por lá, enquanto passeio por estantes e prateleiras, encontrar eu mesmo alguma coisa que me chame à atenção.
Assim aconteceu com 98 tiros de audiência — escrito por Aguinaldo Silva, aquele mesmo, autor de diversas novelas já televisionadas pela Rede Globo —, que acabou se mostrando ser um dos livros que eu costumo comparar a boas refeições: “Uma vez que você começa a comer, não quer mais que acabe e, quando acaba, você fica pedindo mais“.
O livro — que estava encostado na minha cabeceira desde dezembro e que eu ainda não tinha começado a ler por pura falta de tempo — acabou sendo devorado por este que vos escreve em apenas 3 semanas de leitura (não diária, é verdade).
Trata-se de um romance policial lotado de movimento, bom humor e sarcasmo: 98 tiros conta a história de uma rede de mistério e intrigas que envolvem o assassinato de Aurora Constanti, a protagonista da Novela das Oito. Quem a teria matado e porquê são os mistérios centrais que o autor nos convida a desvendar enquanto vai narrando os fatos através dos depoimentos dos diversos suspeitos, intercalados pelas ações de um detetive-inspetor carioca e sua equipe, que convivem com tipos hilários e até pela divulgação dos últimos acontecimentos relativos à morte da atriz em posts no Blog da Caronte, mantido por uma jornalista do Diário de Notícias.
Em resumo, se você está sem nada pra ler e aceita uma sugestão: Tente esta.
P.S.: Falando nisso, alguém tem boas sugestões pra me dar? Logo logo devo aparecer novamente na livraria…
2b? Nt2b? ???
Considero uma novidade surgida esta semana bastante controversa, no que diz respeito à leitura. É que alguns clássicos da literatura inglesa, entre eles Romeu e Julieta, de Shakespeare, foram condensados em pequenas mensagens de texto para auxiliar os estudantes, na hora em que eles precisarem de um resumo do livros para estudar para suas provas. A iniciativa, criada pelo professor John Sutherland , da University College London, transformou a célebre frase “To be or not to be, that is the question” no conjunto de caracteres que dão título a este post.
O motivo de achar a coisa controversa é simples: Por um lado, entendo que os estudantes precisam de toda ajuda possível quando vão memorizar alguma passagem ou parte do enredo que seja mais importante nos livros. Como são vários deles, o tempo conta muito, e mensagens de texto resumidas parecem vir bem à calhar. Mas por outro, imaginem a mesma idéia sendo aplicada em outros países, como aqui no Brasil. A população brasileira já lê bem pouco, e, por incrível que possa parecer para alguns, tenho certeza de que, se vocês pensarem bem, vão lembrar de uma ou outra pessoa que conhecem, que prefira livros pequenos, com letras grandes e cheios de figuras. Com mensagens de texto abreviadas, o incentivo a ler um bom livro, obtendo conhecimento e cultura, seria ainda menor.
Sem contar que trechos de livros abreviados como na reportagem que li seriam uma afronta à nossa língua portuguesa. É impossível que eu não associe tais resumos com a forma que algumas pessoas utilizam para se comunicar em instant messengers, mensagens de e-mail e, até mesmo, em seus sites pessoais, ao escreverem seus textos. Abreviar a palavra você como vc é até compreensível. Mas começar a substituir muito além disso torna a escrita pouco compreensível, como já tive oportunidade de comprovar, ao tentar ler diversos textos por aí afora. Posso estar sendo chato, mas aprecio um texto bem escrito e, embora não seja nenhum Professor Pasquale, gostaria que esse fosse o padrão a ser seguido por todos. Será pedir demais?
Neste romance, Roland, o último Pistoleiro, se aproxima ainda mais da Torre Negra de seus sonhos e pesadelos – atravessando um deserto amaldiçoado em um mundo macabro que é uma imagem distorcida do nosso próprio mundo. Junto com Roland estão dois daqueles que ele levou consigo para esse universo – o ex-viciado nova-iorquino Eddie Dean e Susannah, nova identidade da mulher que combina em um mesmo corpo duas personalidades distintas. À sua frente estão as extraordinárias revelações sobre quem ele é e o que o motiva em sua busca. E contra ele se perfila uma legião cada vez mais numerosa de inimigos, humanos ou não.










