Zonbu, o PC ecologicamente correto
Não é à toa que o primeiro pensamento de vários órgãos governamentais e indústrias — brasileiras ou não — quando o assunto é reduzir os custos com software é “Use Linux“: Não importa qual a distribuição escolhida, desde a mais simples calculadora ou editor de texto até a mais sofisticada planilha de cálculos ou programa de editoração eletrônica, será tudo gratuito. Usuários convencionais como eu ou você também têm abraçado a causa do software livre cada dia mais, se dando conta de que é possível não gastar nenhum tostão e, sem nenhum software pirata, conseguir aproveitar tudo do computador.
Imagine agora um computador também movido a Linux — na verdade, com o Gentoo Linux —, com os principais aplicativos do dia-a-dia — como o Firefox, o Open Office, o Skype e uma infinidade de jogos — e que, além disso, economize em média US$ 10 mensais na conta de energia elétrica, com isso ajudando ainda mais na redução de despesas. Esta é a proposta do Zonbu, o primeiro PC ecologicamente correto do mundo.
O equipamento é extremamente compacto, com o tamanho de uma caixa de charutos comum, e usa um processador compatível com o Intel fabricado pela VIA Technologies, de Taiwan. Ao invés de um HD, que consome muita energia elétrica, vem com 4Gb de memória flash — as mesmas que vemos atualmente, cada vez mais populares, nos pen drives — e também não possui um ventilador, por ser outro grande vilão do consumo de força. Já está sendo comercializado no site do fabricante, e custa US$ 99.
A grande questão do produto — que pode ser muito polêmica para alguns — é seu modelo de comercialização, que, segundo os fundadores da empresa fabricante, deve seguir o de telefones celulares: Sua compra implica no pagamento de uma assinatura mensal de pelo menos dois anos de cerca de US$ 12. Esta taxa, que será usada para subsidiar os custos com hardware, em contra-partida dará ao usuário o direito a benefícios como atualizações gratuitas, backup automático on-line, accesso remoto a arquivos e suporte ilimitado via Internet.
A idéia do produto — segundo os idealizadores — não é substituir os computadores atualmente em uso nas famílias e empresas, e sim endereçar as necessidades de quem precisa de um segundo computador em casa — para as crianças, por exemplo. Comercializado sem teclado, mouse e monitor — que são vendidos como opções, a grande questão é: será que essa moda pega?
Perca o medo do Linux!
Tentem, como eu já tentei, falar das vantagens de um sistema operacional de código aberto com as pessoas em geral e verão que não se trata de uma tarefa das mais fáceis, ainda mais considerando que vivemos num mundo onde mais da metade dos usuários de computador sequer sabe o que são sistemas operacionais. As pessoas, quando querem comprar um computador, simplesmente vão a uma loja qualquer — o magazine da esquina, por exemplo — e compram um PC, ou esperam que um amigo visite o Paraguai para lhes trazer um computador e daí pagam mais algum dinheiro — por fora — para que outro alguém, obscuramente, lhes instale o Windows, porquê, afinal de contas, sem ele o micro não funciona.
Mas não funciona exatamente porquê o Windows é, nada mais, nada menos, do que um sistema operacional. Me desculpem aqueles que já o sabem — e, se quiserem, podem descer mais além no artigo — mas é preciso esclarecer o quê é um sistema operacional o mais rápido possível: Trata-se de um programa que gerencia não apenas o seu hardware — ou seja, os componentes do seu computador, a parte física dele — mas também o software — tudo aquilo que você instala nele, os programas, jogos e tudo mais —, a memória, e mais um monte de coisas. Sem um sistema operacional, você estaria frito se quisesse navegar pela Internet, gravar CD’s, ouvir música ou fazer qualquer outra coisa que lhe desse vontade à frente de um computador.
Eu sei que não há discussão: O Microsoft Windows é, sem sombra de dúvida, o sistema operacional mais famoso do mundo, e, muito provavelmente, você pode estar usando uma cópia dele — mesmo que seja pirata — neste exato momento enquanto navega na Internet. A pergunta é: Você sabia que existem sistemas operacionais que fazem as mesmas coisas que o Windows, e que, enquanto o primeiro pode lhe custar algumas centenas de reais para adquirir, estas alternativas podem ser totalmente gratuitas?
Me lembrei agora que, no começo deste mês, um amigo me perguntou se eu poderia lhe ajudar a formatar um dos computadores que a escola onde ele trabalha tinha acabado de comprar, porquê ele tinha vindo com um tal de Linux instalado. Fiquei, confesso, um tanto quanto chocado com o pedido que ele me fez, e ainda tentei lhe contar como uma outra pessoa que conheço tinha, também, acabado de comprar um computador que também veio com o tal instalado e estava gostando bastante da experiência de usá-lo.
Foi um relato em vão: Seu argumentou foi o de que o pessoal da escola não se acostumaria com a utilização, e que, por lá, o Windows seria melhor, já que nem a impressora eles estavam conseguindo usar por conta deste tal Linux. Vencido, me vi obrigado a matar o pingüim, para isso usando alguns rápidos – e doloridos – golpes de fdisk /mbr e a instalar, a pedido dele, uma cópia perna-de-pau de Windows.
Apesar da história deste meu amigo, há cada vez mais gente se interessando pelo Linux que, hoje, já é utilizado em diferentes aplicações: Não apenas há um número crescente de computadores pessoais que o têm instalado, mas caixas eletrônicos, telefones celulares e supercomputadores também são movidos pelo sistema, cujo núcleo principal — ou kernel — foi desenvolvido pelo finlandês Linus Torvalds em 1991.
Como citei no início, o Linux é um sistema de código aberto. Isso significa que qualquer pessoa que tenha conhecimento mínimo de programação pode alterá-lo à seu gosto, implementando melhorias e criando novas distribuições. Por sinal, dentre as distribuições mais populares que eu conheço estão:
O Mandriva Linux — antigamente conhecido como Mandrake — é uma das distribuições mais populares entre usuários novatos de Linux, principalmente aqueles que buscam uma alternativa ao Microsoft Windows, já que sua interface lhe é bem similar. Foi criado em 1998, também com um nobre objetivo: Tornar o Linux acessível a todos e disponibilizar uma enorme biblioteca de programas e uma interface de fácil utilização.
O Debian GNU/Linux é outra distribuição Linux completamente gratuita que foi concebida por Ian Murdock, em 1993. Esta distribuição em particular se destaca por sua extensa documentação e pela grande comunidade de usuários. Trata-se de um software particularmente estável e com um processo de instalação muito simplificado. Uma ferramenta muito especial, chamada apt-get, se originou com ela, e hoje habita diversas outras distribuições, como o Ubuntu.
De acordo com a tradução que podemos encontrar no próprio site oficial, a palavra Ubuntu é africana e significa algo como “humanidade para os semelhantes”. Seus desenvolvedores têm o objetivo de trazer este slogan para o mundo do software, ao oferecerem uma distribuição completamente gratuita e que serve tanto para o uso doméstico quanto para gerenciar grandes servidores. Atualmente, o Ubuntu possui mais de 16 mil programas disponíveis, e é meu Linux de escolha.
Dentre todos os que citei, o Gentoo Linux talvez seja aquele que possui o processo de instalação mais chato — e também, o mais complexo — para os usuários menos pacientes. Trata-se de uma distribuição baseada em códigos-fonte, ou seja, sua instalação fornece pacotes que resultam em um sistema extremamente básico cujos componentes restantes devem ser configurado pelo próprio usuário, que os compilará a partir das fontes. Em resumo, você deve ficar longe dele se você é um novato.
Enquanto eu sei que a idéia de usar Linux pode parecer assustadora pra muita gente, devo dizer que a coisa não é tão difícil quanto parece. O exemplo mais clássico que posso citar é o de minha própria mãe, que, sem conhecer absolutamente nada do sistema, conseguiu ajudar um casal de amigos a usarem uma cópia do Mandriva Linux, em poucos minutos, para converter alguns CD’s para arquivos MP3.

Além disso, há uma preocupação crescente em se tornar qualquer distribuição do Linux mais amigável na instalação, justamente o ponto onde muita gente esbarra ao sentir vontade de experimentar. A prova disso são os recentes lançamentos de instaladores automatizados que, de dentro do próprio Windows, podem ser usados para instalar no computador de qualquer pessoa o Ubuntu Linux ou o Debian/GNU — este último é encontrado, por sinal, no sugestivo domínio goodbye-microsoft.com .
Em resumo, o título deste artigo vale como o principal conselho, e como a conclusão final: Se você ainda não o fez, perca o medo do Linux, e usufrua de um sistema livre, em amplo desenvolvimento e que está mostrando, a cada dia que passa, ser um software particularmente notável…











