Chega de telemarketing II: A Missão
É preciso reconhecer que, ao menos vez por outra, alguns serviços de utilidade pública funcionam. Com meu número residencial devidamente cadastrado no Procon paulista entre os que não aceitam ligações de telemarketing, tenho vivido tranquilamente há mais de um ano.
Eu, que já havia mencionado tal cadastro antes, até achei estranho o fato de ter recebido duas ligações deste naipe esta semana. Acontece que me dei conta de que uma delas foi recebida em meu telefone celular, enquanto que a outra, em meu telefone comercial.
Foi quando me ocorreu de revisitar o cadastro que eu havia feito no ano passado. O meu número de celular, que foi trocado neste meio tempo, não estava cadastrado, e por isso precisei fazer a alteração. Com sorte, dentro de no máximo 1 mês, não precisarei mais me preocupar com a questão.
A única chateação, infelizmente, ficará por conta do número de telefone comercial: Para impedir as ligações de telemarketing, a lei nos obriga a ser titulares da linha em questão. Bem que poderiam fazer uma emendazinha, permitindo que fiéis usuários também tivessem o direito. Bem que poderiam.
Haja paciência com o “1 contra 100″
Não me levem a mal aqueles que não gostam do gênero, mas eu confesso que sou fanático por game shows.
O último que caiu nas minhas graças foi o 1 contra 100 — game de perguntas e respostas exibido pelo SBT, em que uma única pessoa tenta derrotar 100 participantes de um painel, na esperança de levar pra casa, nada mais, nada menos, que um milhão de reais. Além de pessoas comuns como você e eu, muita gente famosa de diversos universos e mídias também participa do programa frequentemente — uma dessas participações, por exemplo, foi do Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece.
Gosto — imagino eu, como milhares de pessoas — de ficar tantando responder às perguntas propostas, e isso me traz diversão suficiente para uma quarta-feira à noite. No entanto, por mais que eu goste da diversão, devo admitir que não consegui assistir todo o programa de ontem — em que o jogador Careca, que jogou muito tempo no São Paulo e foi da seleção brasileira, era uma das celebridades participantes em uma noite em que o tema do programa eram perguntas sobre — adivinhem — futebol, em alusão à Copa do Mundo deste ano.
O problema todo é que tem intervalo comercial demais no 1 contra 100.
A constante interrupção do programa por seu apresentador para ouvir mensagens dos patrocinadores — aliás, coincidência ou não, Roberto Justus é um famoso e bem-sucedido publicitário — é irritante, e até mesmo, acredito eu, um desrespeito aos telespectadores. Ontem, por exemplo, durante a participação do Careca, após a primeira pergunta feita houve um intervalo “antes de sabermos a resposta correta para esta pergunta“. Cerca de cinco minutos, se não estou enganado.
Quando o programa voltou, e a segunda pergunta foi feita, veio a mesma ladainha: Outro intervalo, “antes de sabermos a resposta correta para esta pergunta“. Desta vez, sem brincadeira, uns oito minutos. Na terceira vez em que isso se repetiu — sim, na terceira pergunta, perdi a paciência e desliguei a televisão. Preferi, sim, ir dormir. Ora, sinceramente.
Entendo que o que mantém os programas de televisão e suas emissoras são os comerciais. Mas as interrupções já foram menos frequentes, e mais curtas, e isso infelizmente vem mudando com o tempo. De algumas semanas pra cá passa-se mais tempo durante o horário do programa em intervalos comerciais do que às voltas com as perguntas e respostas que são o formato do game show.
Isso sem falar do longo tempo — quase interminável, mesmo — em que Justus fica apresentando os participantes do painel com as 100 pessoas, e conversando com cada uma delas. Isso também é interromper — ou melhor, nem começar o programa. Para mim, quando estas apresentações e intervalos comerciais se tornam constantes ou demorados demais — e permitem que eu, assim como vários telespectadores fiquem muito tempo zapeando em outros canais —, a audiência do programa é colocada em risco. Na prática, infelizmente, acredito que se esse padrão não mudar, logo logo haverá espectadores a menos. Bom, pelo menos, 1 a menos.
Os verdadeiros gestores do país somos nós
O vídeo acima — que me foi mostrado hoje pela manhã por um amigo e vem do competente time de humoristas liderados por Marcelo Adnet, do Comédia MTV — é um dos mais inteligentes que já vi: Na medida certa critica todos os políticos deste país utilizando o artifício da primeira pessoa, através de um estereótipo que na verdade retrata exatamente o perfil de 99% de nossos representantes governamentais.
Mas notem que o vídeo também tem espaço para criticar os cidadãos brasileiros. Tudo isso porquê nosso país — ao menos a meu veu ver —, não está preparado para eleições sérias.
Outro dia, conversando com o mesmo amigo que me mostrou hoje este vídeo, argumentávamos que, se nas grandes corporações — como aquela em que nós dois trabalhamos atualmente —, os funcionários são cobrados e avaliados através de planos de ação, que contém metas e objetivos a serem cumpridos ao longo de um determinado período de tempo e que, se ao término deste período, não se cumprem as metas, existem consequências — como a falta de pagamento de bônus ou até mesmo a demissão por falta de produtividade, também deveria ser assim com os nossos representantes de governo.
O grande mecanismo para que as grandes corporações privadas e os órgãos públicos sejam mais iguais neste aspecto, na verdade, já existe. Chama-se plano de governo, um equivalente perfeito ao plano de metas pelas quais os funcionários de iniciativas privadas são cobrados. O problema é que nosso país não parece estar, nem de longe, preparado para eleições sérias. Se estivesse, deveria cobrar mais consistentemente daqueles que resolvem concorrer a qualquer vaga do legislativo um plano de metas consistente, com prazos estabelecidos e metas claras, tal qual um empresário precisa desenvolver um plano de negócios e apresentá-lo a credores, antes de conseguir financiamento para seguir adiante, abrir e administrar sua empresa.
Como não estamos preparados, nos vemos às voltas, como bem lembrou o Gilson, com candidaturas, por exemplo, das celebridades da moda, que se aproveitam de seus 15 minutos de fama para angariar votos de eleitores desavisados. “Olha, filha… não é aquele bonitinho daquele reality show? Vou votar nele”. Sem qualquer plano de governo mais estruturado — às vezes com uma única meta, ou nenhuma — esses famosos — e também, é claro, um monte de gente anônima —- chegam ao poder por meio da população desavisada e por lá ficam, sendo pagas por nosso dinheiro, protegidas pelo esquecimento coletivo da população, que não usa meios para cobrá-las pelas ações que nos prometeram realizar uma vez que nós, após confiarmos nossos votos à elas, as elegêssemos.
Essa nossa curta memória também é responsável pela corrupção. Quantos não são os casos de representantes públicos envolvidos em escândalos, CPIs, mensalões e assim por diante? Notícias alardeadas pelos meios de comunicação diariamente nos dão informações sobre os rombos nos cofres públicos, tudo para que apenas alguns dias se constate que as pessoas já não se lembram mais, porquê a novela é mais importante, ou porquê a Copa do Mundo é. Voltando ao vídeo que me inspirou a escrever este texto, o que quero dizer é que se a crítica feita por Marcelo Adnet cabe como uma luva em nós, é por nossa própria culpa.
Se nós resolvêssemos ser mais como as grandes empresas — cobrando e advertindo nossos candidatos eleitos sobre a falta de andamento de seus planos de governo, e até mesmo solicitando suas demissões ao governo por falta de cumprimento das metas ou de produtividade —, seríamos mais preparados para eleições sérias. E as ferramentas estão cada vez mais em nossas próprias mãos, já que a cobrança, nos tempos de hoje, pode ser feita através de mensagens de email, de perfis do twitter, de comentários em blogs dos parlamentares, e, em última instância, para aqueles que ainda não tem acesso aos meios mais modernos, o bom, velho e tradicional embate olho-no-olho. Só na medida em que as pessoas criarem mais consciência do poder que tem em mãos, apoiando o Ficha Limpa, fazendo uso de informações históricas e destes canais de cobrança, é que nos colocaremos mais à vontade em nossos papéis de gestores de um país que usa de nossos representantes para alcançar os melhores interesses para o bem coletivo.
É. Eu acho que sou mesmo um ‘couch potato’
Brasileiro passa mais de uma hora em frente à TV por dia, mostra pesquisa
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira (31/3), revela que 57,2% da população passa pelo menos uma hora por dia em frente à televisão.
(…)
O levantamento também pesquisou a prática de atividades consideradas sedentárias, com as quais o brasileiro também gasta seu tempo livre, como assistir à televisão, jogar video game e usar o computador. A conclusão é de que 42,9% dos brasileiros passam mais de três horas em frente à TV e 29,6%, mais de três horas nos outros aparelhos, por dia.
O pior é constatar que, quando não estou em frente à TV, normalmente estou nos outros aparelhos. Definitivamente eu preciso me exercitar mais. Aliás, vou ver se penso nisso depois de colocar em dia os últimos episódios de House e Lost.
Nexus One no Brasil
Alguns podem achar, pela quantidade de comentários que eu tenho feito com relação ao Nexus One recentemente, que eu posso estar me entusiasmando além da conta — afinal, será que ele tem cacife para suceder ou competir a altura com o iPhone? Bom… Não vai dar pra saber, até colocar as mãos em um deles por conta própria.
Felizmente para mim e outros curiosos, segundo Alexandre Hohagen, diret or-geral do Google para a América Latina, o aparelho deve aterrissar em terras nacionais a partir do segundo semestre deste ano, estando disponível tanto em versão vinculada às operadoras, quanto desbloqueado. O motivo de ele não ter sido lançado por aqui logo em janeiro, aliás, foi o preço elevado dos planos de dados das operadoras brasileiras.
Enquanto ele não vem, segue uma propaganda do aparelho. Para mim, a quantidade de funcionalidades ainda prova o porquê pelo menos um pouco de entusiasmo deve ser sentido na espera pelo superphone, como está sendo chamado por seus criadores:
(via @GoogleDiscovery)
#choramaradona: Duas vezes seguidas!!
¿Cuánta responsabilidad tiene Maradona? Muchísima. Ya cometió todos los errores que puede cometer un DT. Desde pifiar la estrategia hasta desmotivar jugadores con sus banquinazos (Otamendi, Burdisso, titulares o ni al banco), errar cambios (¿para qué sacó a Dátolo si había que tirar centros al área? ¿Para agregar barullo con Lavezzi?) y ensoberbecerse hasta desviar culpas hacia el periodismo. [via]
E enquanto promovo o #choramaradona, não poderia deixar de falar, é claro, do show de Nilmar ontem, em meio à torcida baiana: Não demos mole pro Chile, que vai ter que conquistar sua classificação em outras paragens…
Chega de Telemarketing!
No longínquo ano de 2003 eu falei por aqui do site de um serviço do governo norte-americano batizado de National Do Not Call Registry, cuja finalidade é permitir que os cidadãos do país possam escolher se desejam ou não receber ligações telefônicas de empresas de telemarketing.
Já naquela oportunidade, acometido do mal de receber quase uma dezena de ligações dessas por semana — provenientes principalmente de instituições bancárias —, desejei que um dia um serviço deste tipo começasse a ser oferecido aqui no Brasil, já que poderia atuar para os telefones como um filtro anti-spam funciona para nossas caixas de entrada. Hoje, para minha total surpresa, uma notícia divulgada pelo portal G1 me mostrou que esta realidade finalmente chegou ao Brasil, tudo graças ao PROCON paulista. Em uma cartilha de orientação publicada pela entidade em seu site está o seguinte texto:
A partir de abril/2009 o consumidor do Estado de São Paulo poderá se livrar daquelas indesejáveis ligações telefônicas oferecendo produtos ou serviços.
De acordo com a Lei 13.226/08, regulamentada pelo Decreto Estadual 53.921/08, o consumidor poderá cadastrar números de telefones fixo ou móvel, do Estado de São Paulo, que estiverem em seu nome, no “Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing” gerenciado pela Fundação Procon-SP. 30 dias após a inscrição, o consumidor só poderá receber ligações de entidades filantrópicas (excluídas da referida legislação) e de empresas que tenham sua autorização por escrito.
O Decreto considera telemarketing a modalidade de oferta ou publicidade comercial ou institucional, de produtos ou serviços mediante ligações telefônicas.
O serviço de bloqueio do recebimento de ligações de telemarketing é gratuito e o prazo pelo qual seus números de telefone permanecem registrados é indeterminado. Todas as informações pessoais ficam sob sigilo, sendo que as empresas — que também podem se cadastrar — podem consultar apenas os números de telefone para os quais não podem mais ligar. Uma ótima notícia neste sentido é que os infratores estarão sujeitos a multas entre R$ 212 e R$ 3,1 milhões, previstas no artigo 57 do Código de Defesa do Consumidor.
Eu, que já não aguentava mais receber ligações aos finais de semana, à noite logo depois de chegar do trabalho e até mesmo enquanto eu estava trabalhando, já providenciei o meu cadastro e tenho tudo pra ver, finalmente, essa novela chegar ao fim.
RIC: Finalmente um único documento para nós, brasileiros!
Você sabia que quando não leva o título de eleitor à seção em que vota — seja por esquecimento, ou qualquer outro motivo —, pode apresentar ao mesário um documento com foto que permita sua identificação, e assim votar normalmente?
Pois bem, é verdade. Essa orientação que os mesários recebem — e que eu, esse ano, por mais uma vez ter sido convocado para prestar meus serviços de cidadania ao País, ouvi de novo no treinamento — sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha: Porquê apresentar um documento com foto na impossibilidade de apresentação de outro — neste caso, o título —, sem foto? Não parece lógico, vocês concordam?
Para mim, essa questão — que levantei semana passada durante um almoço com amigos, no trabalho — reflete a desorganização de nosso país no que diz respeito à documentos. Vocês já pararam pra pensar que um cidadão brasileiro em idade produtiva, além do título de eleitor, possui uma boa leva de documentos adicionais? CPF, RG, PIS, Carteira de Trabalho, Certificado de Reservista (para os homens) e Carteira de Habilitação são só alguns exemplos dos quais me recordo agora, e olha que só esses já são muitos.
Já faz algum tempo agora que eu, incomodado com essa diversidade toda, tenho andado apenas com a CNH. Nela, afinal, constam os números de RG e CPF, que são os mais corriqueiramente solicitados no dia-a-dia, sobretudo no comércio. Até hoje, assim, isso me faz pensar na boa e velha carteira de motorista como o documento mais completo com o qual nós, brasileiros, podemos contar até o momento.
Digo até o momento porquê está em vias de ser implantado um novo documento. Denominado RIC, ou Registro de Identidade Civil, ele foi criado pela Lei 9.454, de 7 de abril de 1997, e ainda depende de aprovação de um decreto para sua oficialização. Caso tudo corra bem, deve passar a vigorar já em 2009 e terá tudo para trazer nosso país para o primeiro mundo da identificação de pessoas.
A principal motivação para a criação do RIC é unificar os cadastros de identificação estaduais e federal. Assim será garantido a cada cidadão brasileiro um número único que o identificará, evitando problemas corriqueiros com homônimos e pessoas que possuem os mesmos nomes de pai e mãe. Na prática, basta imaginar o número de fraudes — pessoas se passando por outras, ou tirando o mesmo documento em vários estados do Brasil — e de crimes que essa medida evitará.
Além da já tradicional marca d’água, o novo RIC deverá ser impresso em seis camadas, com palavras escritas com tinta invisível e utilização de efeitos óticos especiais. O cartão também terá um chip, que armanezará os diversos números de documentos dos cidadãos. Assim, como eu mencionei no começo do texto, os números de CPF, RG, PIS/PASEP e Título de Eleitor poderão todos ficar concentrados em um único documento, que, aliás, será do tamanho de um cartão de crédito comum.
Mas a coisa não pára por aí: Graças ao chamado AFIS, ou Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais — que foi comprado pelo Governo Federal em 2004 e custou cerca de US$ 35 milhões aos cofres públicos —, as impressões digitais e assinatura do portador também poderão ser coletadas digitalmente, ficando armazenadas no chip do cartão1.
Se o decreto que falta para oficializar o RIC não demorar a sair, vejo ser esta, finalmente, a resposta positiva à uma indagação feita pelo Émerson no Infowester tempos atrás: Será que o Brasil um dia se igualaria à países como a Espanha, onde o DNI, ou Documento Nacional de Identidad, já é realidade para muitos cidadãos, contando com tecnologia muito similar à proposta para o padrão brasileiro, e facilitando o acesso aos serviços públicos, compras, e muitas outras tarefas cotidianas?
Eu realmente espero que isso ocorra rapidamente.
Infelizmente, me atrevo a dizer, ainda parafraseando o Émerson, que o sucesso ou não do Registro de Identificação Civil dependerá — e muito —, de uma administração pública séria e organizada em nosso país. Por ora, vejo que existem dois fatores de risco pelo caminho. O primeiro deles é o tempo de implantação da novidade: Para que o RIC se espalhe serão necessários cerca de nove anos, durante os quais devem ser devidamente equipados os 4.375 postos de identificação que existem atualmente em nosso país.
O outro fator de risco, que na minha opinião é muito mais grave, é a afirmação da Polícia Civil de que tirar o RIC não será obrigatório. A meu ver isso pode ser um risco à integração que está se almejando, pois, se assim for, acabaremos na verdade por criar mais um documento entre muitos, e conviveremos num cenário em que a vanguarda tecnológica da identificação de cidadãos estará lado a lado com RGs batidos à máquina e com fotos do tempo do onça.
Espero que, nesse aspecto, o Brasil demonstre estar à altura de nossos hermanos espanhóis, e realmente leve à sério a implantação de um registro que será precursor na conquista de uma série de facilidades para a nossa população.
- Em tempo, para obter mais informações sobre o RIC, assista ao vídeo institucional apresentado em 8 de julho deste ano em Brasília, durante o I Encontro Nacional de Identificação [↩]
O papel da Internet na democracia brasileira precisa mudar
Não sei quantos de vocês já sabiam disso, mas foi comentado pela mídia recentemente que, na corrida rumo à Casa Branca, Barack Obama anunciou o nome do candidato a vice-presidente de sua chapa, Joseph Biden, através de mensagens enviadas por email e SMS para interessados que se pré-cadastraram. Só neste único movimento, o alcance foi de 2,9 milhões de eleitores.
Além disso, a Technology Review Maganize, revista editada pelo MIT, publicou recentemente em seu site um artigo de seis páginas que achei bastante informativo, com o sugestivo título How Obama really did it, ou Como Obama realmente chegou lá. No texto, os passos por detrás da criação do MyBO, a rede social que certamente contribuiu para a escolha do candidato dos democratas às eleições presidenciais norte-americanas.
O MyBO é um conglomerado de ferramentas sociais desenvolvidas, entre outras pessoas, por Chris Hughes, co-fundador do Facebook, que permitiram aos voluntários do candidato, entre outras coisas, realizarem doações, imprimir panfletos baixados diretamente do site e distribui-los na vizinhança aos indecisos, acompanhar eventos, recrutarem outros voluntários e se organizarem em grupos de discussão para debaterem propostas e pontos de vista comuns.
Outro aspecto interessante que alavancou a campanha de Barack Obama foi o que o artigo considera marketing viral da internet: A divulgação, através do YouTube, de vídeos dos discursos do candidato, e de um clipe entitulado Yes, we can, em que um desses discursos foi sincronizado a uma música de Will.i.am renderam-lhe milhões e milhões de visitas, somadas à mais de 69 mil seguidores de seu perfil no Twitter.
Arrematando meu comentário sobre o candidato americano, uma visita a seu site mostra que há uma preocupação muito grande com a comunicação: Propostas de governo para muitas questões, como a educação, por exemplo, são amplamente detalhadas. Blog e outras ferramentas permitem o envio de dúvidas e a capacidade de seguir o candidato onde ele estiver.
Toda essa exposição de argumentos que fiz até agora tem uma única finalidade: Comparar o cenário americano com o brasileiro — mesmo que lá eles estejam para eleger um novo presidente, e nós, prefeitos e vereadores. Quando olho para nosso país, percebo que é ainda muito pequeno o número de candidatos que faz uso de qualquer um dos recursos que citei acima para alavancarem suas campanhas utilizando a internet.
Em parte, a culpa é de duas legislações brasileiras: A primeira, a Lei 9.504, de setembro de 1997. Essa lei impede “…veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes“, bem como “…veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos“.
A segunda, a resolução 22718 do TSE. Em seu capítulo IV, a resolução, criada especialmente para as Eleições de 2008, limita a propaganda eleitoral dos candidatos, que “…somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral“. Para mim, essas duas resoluções em conjunto inviabilizam a utilização do mesmo sistema empregado por Barack Obama nos EUA por aqui. Em tese, não são permitidas as criações, quer por parte do eleitorado ou dos candidatos, de blogs, vídeos no YouTube, podcasts ou perfis no Orkut e Twitter. Os infratores podem ser multados e até presos.
Pra mim, essas duas leis ferem não apenas a democracia, mas também o direito à liberdade de expressão. Vejamos o lado do eleitor: Se eu gosto de um ou outro candidato, nada me impede de circular com camisetas alusivas à candidatura, ou de pendurar um cartaz com o número dele na minha casa. Também posso fazer propaganda boca-a-boca com a vizinhança, amigos e parentes e colar adesivos no meu carro. Nada mais natural seria permitir que isso ocorresse também na internet, já que muita gente, assim como eu, tem perfil em redes sociais ou mantém blogs. Ao invés de adesivos, podcasts. Ao invés de camisetas, um link ou banner num site, oras.
Vejamos, agora, o lado do candidato: A web, apesar de ainda não alcançada por parcelas significativas da população brasileira, poderia ser o canal perfeito não apenas para a realização de marketing, mas também para a apresentação de propostas detalhadas dos candidatos, e espaço aberto para o debate de suas intenções diretamente com o eleitorado. Assim, não vejo porquê não poderiam ser criados os tais perfis em redes sociais, vídeos no YouTube e travados debates nas salas de bate-papo dos sites dos próprios candidatos, principalmente os candidatos à vereador.
Falo especialmente destes últimos porquê considero que a maneira como nos são apresentadas tais candidaturas a vereador nos horários eleitorais da televisão e rádio chegam a ser surreais. Cada candidato tem menos de 10 segundos pra falar sobre si e sobre suas propostas, o que, na prática, acaba gerando aqueles estereótipos que toda cidade tem — aqui, na minha, por exemplo, um candidato de apelio Tang conclama votos da população para si, sob o pretexto de que “…os outros são todos ki-suco”.
Enfim, a livre utilização de sites, blogs, vídeos, redes sociais e demais ferramentas web por um candidato a vereador durante o período eleitoral aqui no Brasil poderia ser a via para apresentação, também por parte dele, de propostas e pontos de vista, rebatidas ou defendidas por seu eleitorado, num grande debate online. Sinceramente, é assim que eu vejo o papel da Internet na democracia brasileira.















