Contra a censura ao CQC!
21/06/2008
O meu nobre amigo Kadu nem deve saber, mas por conta dele eu me tornei um assíduo espectador do programa Custe o Que Custar — muuuuuito mais conhecido por CQC —, exibido às segundas-feiras, às 22h15 da noite e aos sábados, às 20h15, pela Rede Bandeirantes de Televisão.
Para quem ainda não o conhece, o CQC trata os principais fatos da semana — sejam eles políticos, artísticos ou esportivos — de maneira irreverente, satírica e humorística, brincando com as informações de maneira descontraída. Apresentadores e repórteres — todos vestidos de terno, gravatas pretas e óculos escuros, no melhor estilo homens de preto — comentam suas abordagens a pessoas públicas, como políticos, celebridades e jornalistas, com perguntas pouco discretas e picantes.
Para mim, trata-se de uma mistura inteligente de humor e informação.
Mesmo sendo fã de carteirinha do CQC, acabei não acompanhando o programa na última semana. Foi justamente nesse período que seus repórteres foram proibidos de obter credencial para entrar no Congresso Nacional, o que pra mim é um absurdo total para a época e o regime democrático em que vivemos, assim como diz Marcelo Tas — âncora do show — em seu blog:
Trabalho fazendo entrevistas no Congresso Nacional desde 1984, na pele do repórter Ernesto Varela, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar do Presidente João Figueiredo, (…) 25 anos depois, por conta do mesmo tipo de pergunta, não previsível e irreverente, o eminente primeiro-secretário do Senado veta a emissão de credencial para que jornalistas do CQC, da Band, tenham acesso à Casa. Nem durante a ditadura sofri esse tipo de privação do direito da livre expressão na Casa do Povo. (…) Mais do que nunca é hora de lutar contra a censura, que bate novamente à nossa porta.
Eu estou particularmente indignado.
Não vivemos mais no regime militar, ou em época de censura. Mesmo assim, o primeiro secretário do Senado, senador Efraim Moraes (DEM) decidiu impedir a obtenção das credenciais. No último dia 18 de junho os jornalistas da Rádio Bandeirantes e da Bandnews FM, André Giusti, Sonia Blota, José Paulo de Andrade, Salomão Ésper e Joelmir Beting comentaram a censura e se indignaram contra ela, assim como eu:
Felizmente, um abaixo-assinado para que os repórteres do CQC possam voltar a entrar no nosso Congresso Nacional está online e, se você quiser — assim como eu já fiz — pode colaborar e fazer valer a voz do povo, cobrando a volta da permissão de acesso destes profissionais às dependências da Casa.
No fundo, acho que essas coisas acontecem porquê o nosso país ainda não está acostumado com esse tipo de jornalismo — uma vez que o CQC muitas vezes coloca o dedo na ferida sem dó nem piedade e faz essas perguntas picantes, mas que são coisas que todo brasileiro mais esclarecido já sentiu vontade de perguntar a nossos governantes. Espero que essa história mude em breve, porquê senão sentirei vergonha desse tipo de episódio na nossa história.
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No. 1 — 22/06/2008 @ 12:27
eu ja disse no plurk que lamentava ser culpado por isso =D
sério, exatamente como escrevi no post, que acabaria esquecendo o programa, eu não lembro de ligar a tv para assistir o cqc, e quando o pessoal avisa no twitter e etc sempre estou fazendo/assistindo algo mais interessante. o chato é que o programa tem momentos muito bacanas…
sei lá, ando meio off da tv, só assistindo jornais “tradicionais” mesmo =/
No. 2 — 23/06/2008 @ 07:16
@kadu: Pois é, eu entendo como é isso… de qualquer forma, você tem mesmo razão, o programa tem momentos muito bacanas, e é por isso que o assisto sempre que posso.
Quanto à estar off, eu também ando mais distante da televisão — e na verdade, de tudo o mais — do que gostaria. Espero que seja apenas uma fase.
Abração!
No. 3 — 24/06/2008 @ 23:13
Juro que me esforcei pra conseguir gostar desse programa… mas não consegui, os caras não faziam entrevista com algumas espetadas, os caras só espetavam e isso era muito chato e inconveniente.
Todas as vezes eu ficava nervoso assistindo aquilo
No. 4 — 27/06/2008 @ 00:08
@Neto
Pois é, cara… eu sei como é isso… Meu pai, por exemplo, tem uma opião 50/50. Gosta dos quadros que têm um fundo de tentar ajudar a resolver problemas (”Reclame”), mas também não gosta da maneira como fazem as entrevistas em geral.
Eu confesso que acho legal
No. 5 — 28/06/2008 @ 16:15
Pois é, eu entendo como é isso… de qualquer forma, você tem mesmo razão, o programa tem momentos muito bacanas, e é por isso que o assisto sempre que posso.