SOS Caos Aéreo

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É impossível que você, brasileiro como eu, esteja alheio à esta altura àquele que se comprovará, menos de 10 meses depois do último caso, como o pior acidente aéreo da história de nosso país.

Cerca de duas centenas de vidas se perderam ontem em Congonhas, por volta das 18h45 de uma tarde em que tudo deveria ser alegria — pois afinal, nosso Brasil velho de guerra brilhava com medalha de ouro atrás de medalha de ouro, na ginástica, nos XV Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro como nunca antes eu me lembro de ter visto —, quando aparentemente uma combinação de dois fatores trágicos; primeiro, a irresponsabilidade (porquê não acho outro nome, honestamente, para isso) dos “responsáveis” pela reforma da pista do aeroporto — o mais movimentado do país — que a liberaram para uso sem a devida conclusão de obras ocasionadas justamente pela derrapagem de diversas aeronaves em processo de pouso ao longo dos últimos meses, somente, pelo que eu entendi, devido à pressão popular de pessoas que estavam em busca exclusivamente de seu próprio conforto, pessoas, aliás, que infelizmente só consigo pensar que estavam olhando para o próprio umbigo e mais nada; e depois, uma tentativa frustrada de arremeter o vôo JJ 3045 da TAM após a percepção, pelo comandante de que a chuva, o mau tempo e, sem que ele tivesse como saber, a falta de visão de gravidade de quem quer que seja que tenha liberado a pista para uso nas condições em que estava, o impediriam de concluir seu pouso após uma viagem entre Porto Alegre e São Paulo, na verdade direcionando o Airbus A320 que ele pilotava com mais cerca de 175 pessoas a bordo para um encontro fatal com as paredes de um hangar de carga da TAM Express, em que finalmente uma bola de fogo se formou, e o resto todos nós já estamos cansados de ouvir.

Eu posso lhes dizer que sempre fui uma pessoa que acredita no altíssimo nível de segurança que está envolvido na realização de cada vôo. Mesmo com a tragédia, há menos de 10 meses, envolvendo as aeronaves Legacy, da Embraer, e o vôo 1907 da Gol, quando este último caiu sobre uma área de floresta em Goiás e deixou, já nesta ocasião, mais de uma centena de mortos, ao ouvir parentes e amigos comentando que queriam distância dos aeroportos enquanto não fosse dada solução para o então emergente caos no sistema de controle de tráfego aéreo nacional, dei a opinião de que não podíamos nos deixar tomar pelo medo de que coisa similar ocorresse conosco, não importasse quantas horas ou dias nos víssemos obrigados a esperar nos terminais de embarque de todo o Brasil.

Após o dia de ontem, quem quer distância, pelo menos temporária, de aeroporto e avião, sou eu. É verdade que o controle de tráfego aéreo do aeroporto desta vez nada teve a ver com o caso, pois o pouso já estava em andamento e a decisão tomada pelo piloto — e seu erro — foi inteiramente baseada nas péssimas condições resultantes da chuva e das condições da pista de pouso. Mas é neste segundo aspecto que eu me baseio para afirmar que a reforma do setor aéreo precisa ser urgente, e precisa ser agora, sem mais delongas. Não adianta apenas o presidente desta nação, senhor Luiz Inácio, mobilizar seus ministros. O que eles farão? Para quando farão? Que medidas drásticas serão tomadas? É este o tipo de resposta que eu espero, resolvendo, ao mesmo tempo, as condições da classe dos controladores de vôo brasileiros e a infra-estrutura aeroportuária do Brasil.

Enquanto estas respostas não chegam, nos vemos ainda mais mergulhados no caos. Antes do completo desastre de ontem ocorrer, um avião da Pantanal já havia derrapado na pista no mesmo aeroporto na segunda-feira, totalizando, com isso, cinco acidentes diferentes desde 1996 neste mesmo aeroporto, sem contar o de ontem.

E vejam que este problema com pistas e derrapagens não é exclusividade nossa: Também ontem uma aeronave EMBRAER 190, fabricada pela Embraer, derrapou devido à pista molhada quando tentava pousar no Aeroporto Simon Bolivar, na ilha de Santa Marta, em Bogotá, na Colômbia. Neste episódio, felizmente sem maiores conseqüências, houve apenas seis feridos leves.

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De qualquer forma, o fato é que estou, com este artigo, pedindo socorro. Não apenas por mim, mas por todo e qualquer brasileiro que usa o sistema aeroportuário nacional, ou que, mesmo não sendo usuário, tem um mínimo de preocupação pela imagem de nosso país. Até quando ficaremos esperando providências? Até quando nos impressionará a revolta de passageiros, controladores e familiares? É hora de cobrarmos uma atitude. Porquê se não for assim, teremos que nos conformar e esperar pelo próximo acidente. Sem rumo como está, a coisa se tornará cotidiana, assustadora e absurdamente sem sentido.

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4 pensamentos sobre “SOS Caos Aéreo”

  1. Apenas mais um post « Enquanto Seu Blog não vem writes:

    [...] Daniel Santos [...]

  2. teoria glacial » Jogos TAM Americanos writes:

    [...] na Crítica: Daniel Santos Coerente e [...]

  3. Camila Lucena writes:

    Muito interessante esse artigo!!!!
    Devemos,sim,nos preocupar com essa situação!!!!!!!!!!!!!!!

  4. daniel santos dos sa writes:


    Acho que a ganancia pelo faturamento no dia-a-dia
    dos empresários da aviação brasileira impede que a falta de segurança cresça a cada dia. Assim sendo, fica impossivel comparar uma viagem aerea, como viagem segura e tranquila. Infelismente.