Os Três Patetas
15/03/2007
É muito pouco provável que Harry Moses Horwitz, seu irmão Samuel Horwitz e seu amigo Louis Feinberg despertem qualquer tipo de memória em alguém ao terem seus nomes pronunciados desta maneira. No entanto, basta que eu mencione seus patéticos alteregos Moe, Curly e Larry para que qualquer um se lembre imediatamente de um dos trios cômicos mais famosos de todos os tempos.

Esta semana, trocando de canais enquanto assistia televisão, tive a oportunidade de assistir, na HBO, ao filme The Three Stooges (2000), de produção executiva de Mel Gibson, uma verdadeira biografia de Os Três Patetas. O filme, que considerei excelente e emocionante, faz um relato de toda a trajetória de sucesso dos comediantes através dos olhos de Moe Howard — o cérebro do trio — no final dos anos 50, época em que sua carreira está aparentemente acabada e na qual ele se vê sem receber um mísero centavo pela exibição de seus curtas.
Moe é procurado por um jovem executivo de TV que está tentando convencê-lo de voltar à ativa em apresentações ao vivo. A partir daí, suas lembranças nos propiciam um verdadeiro flashback, que remonta à época em que a carreira dos patetas começou, com apresentações em shows de variedades nos teatros da década de 20. O trio, que atuava às sombras de Ted Healy, acabou por ganhar luz própria e se tornou o sucesso que jovens e adultos conhecem e adoram.
O que mais me chamou a atenção no filme foi o fato de que, apesar das excelentes recriações das performances cômicas dos patetas inseridas durante o longa metragem, a história se concentra em mostrar ao público um lado pouco conhecido do trio. Pode-se dizer que eles realmente tiveram que comer o pão que o diabo amassou antes de poderem alcançar o sucesso. Pouco valorizados e explorados pelos executivos de Hollywood, estes três realmente mostraram que eram verdadeiros comediantes, continuando a atuar em prol da nobre missão de poder levar diversão ao público.
Sempre que penso nos Três Patetas — cujos filmes ainda fazem parte eventual da programação do Warner Channel e fixa do canal TCM, para minha felicidade — lembro-me de outros representantes da chamada comédia slapstick, aquela em que se produz o humor através de contato e violência fisíca exagerados, por vezes simulados: Os Trapalhões. Assim como no caso dos Três Patetas, a vida pessoal de Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias foi permeada por diversos conflitos pessoais. Ambos os grupos também sofreram baixas: Enquanto o quarteto brasileiro foi encolhendo até seus dois últimos integrantes hoje vivos se separarem, os patetas ainda chegaram a perder dois dos irmãos Horwitz (ou Howard, seu nome artístico) antes de chegarem à formação final com Joe DeRita, que perdurou até 1975, ano em que tanto Larry quanto Moe morreram vítimas de infarto.
Se não por qualquer outra razão, assistir ao filme The Three Stooges é uma das poucas maneiras que vejo, atualmente, de entrar em contato com um tipo de humor que é cada vez mais raro de se ver no cinema ou televisão: Aquele em que o comediante diverte a seu público por mero prazer, procurando despertar as risadas mais inocentes. Se você puder, não perca!
Popularity: 30% [?]

No. 1 — 19/03/2007 @ 18:41
Eu que sou, digamos, ligado a cinema, não tinha ouvido falar sobre tal filme…
Estranhei, mas vou procurar assistir, gostei do que escreveu.
Abração