A biometria chega aos bancos

palmsecure_bradesco.jpgSe tudo correr conforme o planejado, o Bradesco deverá ser o primeiro banco nacional a utilizar um parque de equipamentos totalmente equipado com sistemas de identificação de clientes através da biometriaBiometria é a medida de características físicas ou comportamentais das pessoas como forma de identificá-las unicamente. [fonte]: Através de uma técnica para a identificação de pessoas que é pouco difundida no país — uma vez que o sistema biométrico mais conhecido por aqui é a leitura de impressões digitais —, foram introduzidos este mês alguns novos terminais de auto-atendimento que utilizam a leitura de padrões vasculares das mãos das pessoas para identificá-las.

Os equipamentos — scannners desenvolvidos pela japonesa Fujitsu e denominados PalmSecures — são o resultado de parte dos R$ 1,5 bilhão destinados à melhoria das tecnologias de segurança para os clientes no ano passado, investidos na biometria. Até o momento, existem 40 terminais equipados com a nova tecnologia, espalhados por agências localizadas nas duas maiores capitais brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, em fase de testes com os clientes, o que mostra mais uma vez que há a grande possibilidade de sistemas de identificação como este saírem de vez das histórias de ficção e se somarem à segurança que hoje já é dada por senhas, chips de computador e perguntas secretas.

O que mais me impressiona no sistema da Fujitsu é que o scanner funciona sem que seja necessário contato físico com o equipamento, apenas através da aproximação da palma da mão: Num primeiro acesso, os padrões venais de qualquer pessoa — únicos até mesmo entre gêmeos idênticos — são armazenados e posteriormente usados para permitir ou negar o acesso às transações bancárias de cada conta. Estes padrões são tão únicos que, se uma pessoa usar a mão direita para se registrar e depois disso tentar se autenticar com a mão esquerda, terá seu acesso recusado, com um percentual de erro de menos de 0,00008%.

O grande receio parece residir mesmo é no hábito de se utilizar, no dia a dia, equipamentos como este: Embora tenham sido escolhidos pelo Bradesco, entre outros motivos, por propiciarem uma forma extremamente higiênica de autenticação, muita gente pode ter dúvidas dignas de grandes estórias policiais: Uma delas, por exemplo, diz respeito ao fato de que os marginais poderiam decepar a mão de alguém só para acessar grandes somas de dinheiro, o que não adiantaria nada, pois é preciso que haja sangue correndo nas veias para que a autenticação se realize.

De fato, se a aceitação for positiva, todos os 24 mil terminais do banco deverão ser trocados até 2010, a um custo por scanner que se espera chegar aos US$ 100. Além disso, outros dois grandes bancos do país, o Itaú e o Unibanco estão em fase de pesquisa de soluções similares. Ou seja, desde leitores de padrões das veias de sua mão até a possibilidade de seu reconhecimento através da retina, é bom que nos acostumemos com as autenticações biométricas que nos reservam o futuro. Por hora, eu só lamento mesmo é não poder testar um equipamento destes pessoalmente… Quem mandou não ser correntista do maior banco do país, não é mesmo?Meus agradecimentos vão para o Kadu, que como um dos meus 6 fiéis leitores sabe que adoro o assunto e que me enviou um link que me levou a este post.

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2 pensamentos sobre “A biometria chega aos bancos”

  1. kadu writes:

    Infelizmente eu acho que as pessoas vão demorar para se acostumar a biometria. O acesso precário a informação, e a exclusão social e digital deste país, fazem com que as pessoas tenham receio de usar algo que não entendem a fundo como funciona! Temos os exemplos da urna eletrônica e do preenchimento eletrônico do imposto de renda, com vários problemas entre os usuários ainda! Uma pena…

    Sabia que isso renderia um ótimo artigo :) Vários links novos sobre o assunto, excelente…

  2. Minuto writes:

    É o cotidiano alcançando o que antes era possível somente em filmes de ficção. Estava mesmo na hora dos bancos investirem em recursos novos de segurança, uma vez que são eles as instituições que mais lucram em nosso país. O fato levantado sobre decepar a mão de um correntista para tentar o roubo preocupa, por isso é bom que durante a implantação destes sistemas tais detalhes sejam revelados para não expor os correntistas à perigos desnecessários. Um abraço - Minuto - http://www.minuto.tk/