Como assim, é pirata?
08/12/2006
Meu amigo Kadu dá o alerta:
- Hebe Camargo garota propaganda da Microsoft, falando sobre as “vantagens” de usar o Windows Original.
- A novela das oito da globo fazendo um draminha mexicano sobre a insegurança do uso de software pirata.
- O que vem agora? O Latino inventar uma letra sobre linux chamada “melô do pingüim”?
Quando leio um post como esse, acho interessante que se debata sobre software livre e software pago. Ainda mais quando se trata de um quesito tão interessante como são os sistemas operacionais. Nesta área, além do Windows, usarei como exemplo um fenômeno de popularidade dos últimos tempos: O já aclamado Ubuntu Linux.
Experimente navegar pela internet para perceber que não apenas nós blogueiros, mas também os jornalistas e toda a mídia especializada falam sobre diversas vantagens do Ubuntu: Além de ser 100% grátis — ou seja, quem quiser pode baixar um CD diretamente da web e instalar o sistema operacional inteiro rapidamente —, conta com atualizações automáticas através da grande rede e tem um time tão grande de envolvidos com seu desenvolvimento que a cada seis meses uma nova versão é lançada.
Fora que, atualmente, a utilização de um sistema Linux é tão simples, mas tão simples, que muita gente que antes se utilizava do argumento de falta de “amigabilidade” do Ubuntu agora já não tem mais do que reclamar: Além da interface de todas as distribuições modernas de Linux estar muito próxima da de sistemas como o próprio Windows ou o Mac OS, hoje em dia também se pode fazer virtualmente qualquer coisa no sistema de código aberto: Assistir filmes em DVD, televisão, ouvir música, navegar na internet, conversar através de VoIP, e muito mais. Ou seja, o Linux tem tudo para se tornar cada vez mais popular.
Mas popularidade, meus amigos, parece ser o grande dilema dessa história toda.
Quero dizer que, ao menos na minha opinião atualmente, não importa o quanto alguém na internet — ou na mídia especializada — divulgue as vantagens dos sistemas operacionais livres, não será agora que eles se tornarão populares: O acesso à informação no Brasil continua sendo muito baixo e, quando se fala em termos de inclusão digital, então, os números pioram muito. E nesse cenário, o que continua sendo muito popular? A televisão.
Assista à TV e veja do que estou falando: Não é apenas a Hebe Camargo que está promovendo a Microsoft e as vantagens de se ter uma cópia legalizada do Windows. No mesmo canal, já tive a oportunidade de assistir ao Gugu Liberato fazendo discurso similar. E não duvido nada que outros apresentadores do canal também o façam, pois quando se pensa em canal popular eu, ao menos, lembro logo do Sistema Brasileiro de Televisão. A Rede Globo, que não fica atrás, contribui com as telenovelas, onde os softwares livres são tratados como se fossem uma praga, o que não é nada bom.
E o mais interessante é que vocês devem estar pensando o mesmo que eu: “Num cenário em que a mídia mais popular do Brasil favorece a torto e a direito a empresa de Bill Gates, as vendas do Windows devem ser maravilhosas!”. Deveriam ser, mas não são. Como eu já disse, a exclusão digital pesa forte neste ponto, e, mesmo para quem já tem computador, vale a máxima deste comentário, feito pelo Gilson, no blog do Kadu:
O problema é que o windows não foi feito para as massas no Brasil. A versão mais camarada custa em torno de 500,00. A maioria do povão tá comprando aqueles computadores maravilhosos da positivo em 30 prestações, ou seja, não existe a possibilidade de pagar isso por um sistema operacional, fora o Office. [...]
Além disso, o comentário é tão pertinente e inteligente que o Gilson ainda acrescenta que, no imaginário popular geral do brasileiro, sistema operacional Windows é coisa grátis: “Como não poderia ser, se vem junto com o computador? Um amigo meu comprou um computador que veio com um tal de Linux instalado, mas já tirei ele fora e coloquei Windows… Agora sim“.
Isso me lembra, — aliás, muito oportunamente — de uma hilária reclamação de duas mulheres à Microsoft: Mãe e filha ligam para importunar um prestativo atendente da empresa, ao solicitar-lhe que as ensine a remover uma certa estrelinha da lateral inferior direita de seu desktop. Uma que, insistentemente, diz que elas podem ter sido vítimas de uma falsificação de software. A tal estrelinha nada mais é do que o Windows Genuine Advantage, o jeito Microsoft de te avisar que ela supõe (veja bem, não afirma) que o seu Windows é pirata.
Ou seja: A mente da maioria dos brasileiros é, indiscutivelmente, orientada a pensar que os sistemas operacionais são livres, gratuitos e que não há problema nenhum em manter cópias deles instaladas em seus computadores. Desta forma, será sempre comum ouvirmos o espantoso comentário “— Mas como assim, é pirata?“, enquanto alguma coisa diferente não for feita pra mudar esse cenário…
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No. 1 — 08/12/2006 @ 15:34
Isso é culpa dos instaladores e vendedores de computadores FRANKENSTEIN com o windows pirata já instalado e nem avisam que aquilo é pago e que não podem instalar pirata… ou isso é uma utopia?
Será que existem empresas sérias a esse ponto?
Abraço
No. 2 — 08/12/2006 @ 16:59
A solução que vai fazer muita gente “se virar”, ajudar a Microsoft a perder um pouquinho de mercado, ajudar os fabricantes de softwares lançarem versões para as demais plataformas é: vender pcs com linux.
pq, do contrario, poucas pessoas irao ir atras de usar o linux por preguiça, assim como eu! congesso que ate hj nao uso por preguiça. ja cheguei a fuçar, na epoca, com o kurumin, mas como eu ja tinha todos os softwares intalados no windows, todos arquivos importantes no windows, desisti.
ouço falar muito bem do Ubuntu, o que e causa bastante curiosidade de usar. o que falta pra mim, é coragem de comprar outro hd pra particioná-lo para usar os dois sistemas. ah, tb falta animo.
isso, porque eu trabalho com sistemas de internet, imagina se eu fosse um simples usuario domestico que so usa internet pra ver emails e navegar no “ofuxico”… nunca iria pensar em instalar linux. ou melhjor, nem saberia o que é isso.
é a realidade
No. 3 — 08/12/2006 @ 18:41
É como o Neto falou, isso é culpa de pessoas que vendem computadores montados com uma gama absurda de softwares piratas instalados em um OS igualmente ilegal.
A pessoa que compra não tem a mínima idéia do que é software pirata e quando tem, acha que não é o caso dela pois no preço que ela pagou pelo computador estava com “tudo incluso”, com certeza é o caso das duas desinformadas do atendimento da MS.
Mas é claro, existe também o caso da pirataria como problema cultural. A pessoa sabe que está usando um OS pirata a ponto de não ser estúpida para ligar para MS, mas não liga muito, afinal de contas, o preço de um Windows é quase metade do valor do computador, e quem é que vai denunciar ou fiscalizar?
A polícia se preocupa com a disseminação da pirataria, e não o usuário doméstico final, aliás, eu nunca vi ninguém que tenha um equipamento doméstico ser incomodado legalmente por usar software pirata. A sede do órgão que trabalho, que fica em SP, está passando por uma reformulação total devido a pirataria, Linux e OpenOffice em todas as máquinas, por medo de uma possível fiscalização em um universo de 100% de máquinas piratas. O meio corporativo tem medo, usuário final não.
Ao invés destas propagandas que não trazem nada de novo para as pessoas, deveria haver uma preocupação em educar o brasileiro, e não empurrar goela abaixo esta avalanche de informações sobre linux, pirataria, windows, software livre, software proprietário, GNU, código aberto, etc.
Já é difícil explicar para as pessoas que o Word faz parte do Office e que ele precisam de um Sistema Operacional, como o Windows, para “rodar”. Imagina este monte de informação nova sobre pirataria. E mesmo assim, depois de tudo explicado, as pessoas ainda perguntam o que é sistema operacional
A conceito chave é educação, não pirataria ou software livre.
[]’s
No. 4 — 08/12/2006 @ 19:25
A cultura da pirataria que já está enraizada em nossa sociedade e reverter isso é muito complicado. Ainda que ouvesse uma divulgação maciça de Linux este esbarraria em várias dificuldades encontradas pelo usuário doméstico. A quantidade de cursos e pessoal qualificado para ensinar ainda não é suficiente.
Mas nunca é tarde para começar esse processo.
No. 5 — 08/12/2006 @ 20:03
Concordo com o Kadu quando ele diz que o problema básico é educação. Mas, um dado curioso é que todas as escolas de São Paulo usam software pirata. O governo, através de seu pregão eletrônico, compra as máquinas de quem oferece o menor preço e no edital de compra nunca esta especificado o sistema operacional. Na escola onde trabalho estamos nos preparando para atualizar os sistemas para Linux, mas essa é uma preocupação que o Estado está tendo só agora. Claro que existe a resistência, mas acho que a mudança tem que começar pelo ensino mesmo.
No. 6 — 09/12/2006 @ 01:05
Realmente, concordo com o Kadu, mas vale ressaltar que hoje em dia, onde quer que vamos há uma Lan House, todos acessam a internet de lá e ficam pensando: “Gostaria de ter um PC em casa com acesso a internet, pra não gastar tanto com isso na LAN, =/ “…A pessoa rala bastante pra conseguir isso e quando consegue, ou seu software é original (quando comprado em empresas conveniadas como o Ponto Frio ou as Casas Bahia) ou é pirata, quando montado ou comprado a parte….
A Mídia está fazendo um ótimo trabalho, o povo quer ter seu bolsa família, bolsa escola, “bolsa vagabundo”, etc, esquecem-se de se informar pra “ser alguem na vida”, ai os pais dizem “Estuda meu filho, pra tentar ter mais do que eu tive”, o vagabundo vai pra escola só pra zuar, não aprende nada, não ta nen ai com nada e vai trabalhar de colador de sapatos (Fordismo)… Qual foi o progresso desse indivíduo?…Quando ele vai procurar saber sobre software livre?…O programa prefirido do cara é o Futebol de quarta-feira, e no domingão sair pra bater uma pelada no “campo do Mané”…tomar uma cervejinha, dançar um forrózinho e sair com a mina e voltar a sua rotina semanal…
colador de sapatos….
grande futuro!
Pergunta: Em que isso tem a ver com informática?
Resposta: MIDIA, o controle mental perfeito…
No. 7 — 09/12/2006 @ 14:45
Pois é, existe muita polêmica em torno desse assunto… mas a pergunta que não quer calar é “Daniel, você está usando Ubuntu ou qualquer um dos Linuxes?”, te digo sinceramente que ainda não terminei com a vida desse meu Windows XP genérico por causa do meu iPod, o suporte no Linux ainda é dramático, mas do resto ele está a ponto de bala.
Ah, a Amazon PC está vendendo notebooks bem mais em conta que vêem com Linux OEM, só não sei qual distribuição, mais uma mostra de o Pingüim está se tornando cada vez mais ameaçador, ainda mais com a ameça de não poder usar Windows “pirata” que está vindo com o Vista.
Abraço!
No. 8 — 16/12/2006 @ 19:24
Falei algo a respeito do Ubuntu no meu blog recentemente.
Recebi o cd da Canonical com a distribuição. Já havia testado e agora está instalado na minha máquina como opcional.
O problema ainda é o que o Ricardo Sandrin diz: incompatibilidade. Trabalho numa empresa de engenharia e não é fácil e presumo que demore ainda achar softwares que atendam nossas necessidades lá. Se é uma questão de tempo, não sei. Não sei até quando o Linux vai acompanhar o Windows.
Quanto o uso do XP pirata, não passa de mais um problema brasileiro: falta de ética. Mas neste caso acentuando a falta de educação e um “boom” muito grande da informática a ponto de o computador entrar em famílias que mal conseguem ler, escrever e se alimentar. Nessa ânsia de ter o computador, vão atropelando etapas e muitos compram computadores com sistema operacional pirata.
E não é só por culpa dos vendedores que na necessidade de vender se sujeitam a pirataria. Os clientes também pedem. A maioria deles ainda prefere não se incomodar em aprender um novo sistema. Talvez por falta de oportunidade de explicar melhor o que é ou talvez porque o povo brasileiro é, de certa forma, não generalizando e nem ofendendo ninguém, incompetente e acomodado.