YouTube na berlinda?
20/09/2006
Esta semana, meu pai acabou de ler uma reportagem da revista Veja e me perguntou se por acaso eu já tinha ouvido falar de um site chamado YouTube. Eu lhe disse que sim, e que, aliás, o serviço está se tornado um dos mais populares do mundo em termos de armazenamento e troca de vídeos.
O interesse do meu pai pelo YouTube se deu justamente porquê ele achou interessante que o site permitisse o armazenamento de vídeos, uma vez que, até agora, ele só conhecia o Flickr, cujo negócio é a hospedagem de fotos. Obviamente, junto com seu interesse, veio também uma pergunta: “Será possível que tudo o que está armazenado no YouTube é legal?”.
Todos vocês já sabem a resposta, de cabeça. Meu pai, por sinal, também já sabia, e sua pergunta havia sido meramente retórica. Por sinal, o YouTube tem sido duramente acusado por uma das maiores gravadoras do mundo, a Universal Music, de ser um dos grandes veículos facilitadores do abuso de direitos autorais na internet. Isso porquê, de acordo com a gravadora, entre os vídeos que o site permite que seus usuários enviem para seus servidores, estão video clipes e outros materiais que envolvem os artistas licenciados pela empresa. Tal conteúdo é livremente reproduzido — e, com a devida tecnologia, muitas vezes salvo nos computadores de muita gente — sem que o devido pagamento pelos direitos de exibição ocorra.
É realmente possível encontrar muitos clipes de artistas afiliados a gravadoras disponíveis no YouTube. Quando se busca por uma música qualquer, como Shiny Happy People, do grupo R.E.M., por exemplo, são exibidos dezenas de resultados prontos para reprodução imediata. A Universal alega que deve receber do serviço dezenas de milhões de dólares em direitos de exibição do conteúdo de seus artistas e, por sua vez, os responsáveis pelo serviço de armazenamento de vídeos dizem que se prontificarão em remover de seus servidores qualquer conteúdo julgado ilegal.
A Universal fez de sua prioridade atual a busca por uma compensação financeira por parte do YouTube e, se todas as gravadoras começarem a pensar desta mesma forma, pode ser que o site, fundado por ex-empregados do PayPal, se torne o mais novo exemplo do que, no passado, já ocorreu com o Napster. O fato é que, nessa história toda, um comentário feito pelo Marcus Danillo em meu último post vem bem a calhar. Segundo as palavras dele, existe uma visão — muito acertada, aliás — na internet, de que tudo o que é pago é melhor do que aquilo que é gratuito e “a indústria musical foi a única a criar uma excessão para essa regra. É lamentável”.
Ao invés de imaginar um futuro negro sem o YouTube — do qual eu, por exemplo, por utilizá-lo para armazenar alguns vídeos pessoais, sentiria tanta falta quanto de qualquer outro serviço que julgo essencial — é preferível pensar no modelo preferido por outras gravadoras que, ao invés de partirem para o ataque, fizeram alianças com um dos sites que mais cresce em popularidade e número de usuários nos tempos modernos. Foi no YouTube, por exemplo, que a Capitol Records resolveu lançar vídeos de seus artistas, The Vines, Cherish e OK Go.
Um outro exemplo digno de citação é o da Warner Music. A empresa anunciou um acordo pelo qual utilizará o YouTube para a divulgação de seus artistas, o que, na prática, fará com que milhares de músicas e vídeos da gravadora fiquem À disposição de qualquer usuário do YouTube, de graça.
Além desta iniciativa, também faz parte dos planos da gravadora vender conteúdo que poderá ser utilizado por qualquer pessoa que deseje realizar a criação e gravação de seus próprios vídeos.
“O acordo estabelece um modelo pelo qual os provedores de conteúdo poderão transformar a criatividade dos usuários em um negócio legítimo que beneficiará fãs, artistas e os detentores dos direitos autorais”, afirmou Alex Zubillaga, vice-presidente executivo de Estratégia Digital da Warner Music, em comunicado divulgado à imprensa pelo YouTube.
Tais iniciativas, juntamente com a decisão do YouTube de adicionar canais patrocinados aos seus servidores, permitindo que empresas acrescentem anúncios ao site, me parecem muito mais louváveis do que as da Universal. Em resumo, se existirá um padrão ditando as decisões sobre o gerenciamento de direitos autorais num futuro breve, espero que seja minimamente inteligente, e que busque soluções que beneficiem não apenas as empresas que as tomarem, mas também, em primeiro lugar, o usuário, que poderá continuar usufruindo dos serviços que estão na vanguarda deste grande mundo que é a internet.
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