Imagens do Futuro

John Anderton é quem podia se vangloriar da alta tecnologia do mundo dos monitores futuristas: O personagem de Tom Cruise no filme Minority Report (2002), um policial que vive na Washington do ano 2054 e manipula informações sobre assassinos que ainda estão por concretizar seus crimes — prendendo-os antes do fato consumado — tem à sua disposição diversos monitores sensíveis ao toque com os quais pode analisar virtualmente qualquer informação à sua frente.

É, aliás, a sensibilidade ao toque quem dá grande parte do toque futurista ao filme: Não se trata de um toque por vez em pontos únicos e pré-determinados de uma tela pré-preparada para recebê-lo, tal como ocorre em quiosques de consulta em shopping centers, ou em certos terminais bancários muito utilizados hoje em dia. A tecnologia empregada no monitor de Anderton é multi-toque, ou seja, permite que ele manipule as coisas na tela com vários dedos e as duas mãos ao mesmo tempo, arrastando, aumentando ou diminuindo detalhes de arquivos e imagens conforme necessita.

Enquanto esta é uma coisa que eu adoraria ver nos computadores pessoais das casas de qualquer um com condição suficiente para comprar o mais simplório dos computadores, até agora imaginava que eu não estaria mais por aqui quando uma coisa deste tipo estivesse disponível para atualização. Mas, surpreendentemente, navegando hoje pela Internet me deparei com o trabalho de pesquisa de Jefferson Han, um consultor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Ciências Matemáticas da Universidade de Nova Iorque.

Jeff Han descreve uma tecnologia chamada FTIR, ou Frustrated Total Internal Reflection — a mesma utilizada em aplicações biométricas para aquisição de imagens das impressões digitais das pessoas e sua posterior identificação pelas mesmas —, através da qual, sem grandes custos de engenharia, é possível se trabalhar com dispositivos de entrada de informação que sejam escaláveis — ou seja, com tamanho variável — e que respondam aos comandos realizados não apenas por um, mas vários dedos, e mais de uma mão ao mesmo tempo.

Uma demonstração disponível no site de Han é a prova definitiva de que não apenas touchscreens, mas também mesas virtuais e até mesmo paredes inteiras podem interagir aos toques de não apenas um, mas de vários usuários ao mesmo tempo. O dispositivo por ele concebido é uma das coisas mais incríveis que já vi em toda a minha vida, medindo ao todo cerca de 92 x 69cm, recebendo projeção de sua parte traseira e com resolução de sensibilidade de menos de 0,1 polegada.

Em outras palavras, isto é incrível. As imagens que ilustram este post já falam por si, mas é imprescindível que se assista ao vídeo, sem o qual é até complicado de se acreditar. Quem sabe em quanto tempo uma coisa dessas estará disponível para usarmos em casa? A pesquisa parece ser bem promissora.

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