E não é que depois de uma curtÃssima espera — apenas 1 dia, na verdade —, consegui colocar as mãos no que eu queria? Um convite para testar o Google Spreadsheets, a nova planilha eletrônica do Google, desenvolvida totalmente com tecnologia AJAX.
No último dia 7, apenas um dia depois do meu pedido, lá estava ele no meu inbox. E agora que pude brincar em primeira mão com a aplicação, vou lhes contar por aqui como foi a minha experiência.
Será que essa coisa lembra o Excel?
Não se todos se perguntariam isso a respeito d o Spreadsheets, mas eu me perguntei. Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça por estar usando uma planilha eletrônica diretamente na web foi, será que alguns dos comandos que eu poderia utilizar no Excel estão presentes por aqui? Logo de cara descobri muita coisa em comum com o programa da Microsoft. A aparência inicial da planilha, logo que é apresentada, me ajudou em minhas constatações. Eis como é:

O primeiro impulso de qualquer pessoa seria sair digitando nas células em branco, e foi extamente isso o que eu fiz. As teclas de direção movimentam o navegador — representado por uma linha azul mais grossa em volta da célula atual — em todas as direções e, para digitar, basta usar normalmente o teclado.
Descobri, igualmente, logo de cara, algumas teclas de atalho que estão presentes na interface da planilha do Google. Ao pressionar a tecla F2, pode-se editar o conteúdo da célula atual, que pode igualmente ser formatado automaticamente para negrito (CTRL+B), itálico (CTRL+I) ou sublinhado (CTRL+U). As últimas operações realizadas também podem ser desfeitas (CTRL+Z), seguindo, também neste caso, uma clássica combinação de teclas de atalho presente no Windows e outros sistemas operacionais.
Mas nem só de digitação vivem as planilhas eletrônicas. Sendo assim, resolvi também experimentar outras opções de formatação disponÃveis. Para tanto, alguns botões que estão presentes na interface vieram em meu auxÃlio. São os mesmos que estão presentes na imagem acima, e suas funções são bastante variadas:
Logo após os botões de formatação que descrevi acima está o botão Font Family. Como é de se esperar, pode ser utilizado para mudar a fonte com a qual os dados da célula atual estão descritos. As opções são Times New Roman, Arial, Courier New, Georgia, Trebuchet e Verdana. Apesar de serem fontes do sistema operacional Windows, é óbvio que tipografias similares estarão disponÃveis em outros sistemas operacionais. Aliás, só para que conste, fiz meu teste rodando Firefox 1.5.0.4 em Windows 2000. E a versão testada da aplicação Google Spreadsheets foi a 1.1.4.
O botão que vem a seguir, Font Size, muda o tamanho do texto. Nada de especial sobre ele. Podemos seguir adiante e falar de uma vez sobre os próximos três botões: Text Color e Background Color podem ser oportunamente usados para mudar as cores do texto e do interior das células, contando com uma paleta de cores que possui 40 opções diferentes. E se, depois de toda a formatação, o usuário não gostar do resultado, poderá sempre recorrer ao botão que falta, Clear Format, que fará com que a célula retorne ao seu estado original.
Que tal mais funções básicas?
Ainda na casa das funcionalidades básicas esperadas de uma planilha eletrônica, há a possibilidade de alinhar o texto, inserir ou excluir células. Para isso, três combos drop-down — listas com opções a serem escolhidas pelos usuários — estão presentes na parte superior da planilha. O primeiro deles, Align, ajustará o texto à direita, à esquerda ou no centro da célula escolhida, tanto horizontalmente quanto verticalmente.
Já os combos suplementares, Insert e Delete, servem para aquilo que dizem: As inserções e exclusões, no entanto, parecem ser limitadas: Você só pode acrescentar linhas acima da linha atual, e colunas à esquerda. Não sei se é uma limitação, realmente, ou se alguma opção ainda não liberada pelo Google Labs. De qualquer forma, quando se utiliza o mouse para selecionar múltiplas linhas, tal como no Excel, a Google Spreadsheet lhe permite acrescentar, em termos de linhas novas, o mesmo número de linhas selecionadas, o que também facilita a vida de muita gente.
De qualquer forma, a barra de opções básicas que se apresenta com uma planilha em branco ainda conta com um checkbox, selecionado por definição, que permite que cada célula atue com função de text wrapping, ou seja, o texto se ajusta automaticamente aos limites da célula, a menos que o usuário diga algo em contrário. Também há uma opção, Merge Across, que permite a mesma funcionalidade do comando Mesclar células do Excel, e uma lista completa de formatos de célula, para exibir os dados formatados para contabilidade, porcentagem, moeda ou datas.
Encerrando as funcionalidades básicas do Google Spreadsheets estão suas capacidades de classificação de dados. No topo da aplicação está o menu Sort — Classificar, em português —, sendo que qualquer coluna selecionada pode ser classificada em ordem crescente ou decrescente. Também neste mesmo menu se encontram opções para congelar uma ou mais linhas ou colunas da planilha, para facilitar, por exemplo, a visualização de cabeçalhos, tal como já acontece no caso do Microsoft Excel.
Fórmulas, fórmulas, fórmulas…
Uma das coisas que mais surpreende — pelo menos pra mim — no Google Spreadsheets é a sua biblioteca de fórmulas embutidas. Qualquer um pensaria em usar, imediatamente, as funções mais básicas que o Excel apresenta, por exemplo: Soma e Média. Ambas, aliás, estão presentes na aplicação da empresa de Mountain View, na Califórnia. Para usá-las, basta que o usuário digite diretamente na célula em que estiver localizado:
=SUM(A1:A3), para somar este intervalo de células, ou
=AVERAGE(A1:A3), para calcular sua média.
Mas o restante da biblioteca, como eu ia dizendo, é que mais impressiona, realmente. Ao todo o Google Spreadsheets oferece a seu usuário a impressionante quantidade de 232 fórmulas prontas para uso imediato. Todas elas estão divididas em categorias, sendo mais representativas as fórmulas estatÃsticas (62 delas), seguidas e empatadas tecnicamente com as matemáticas (total de 61) e acompanhadas mais de longe pelas financeiras (44 tipos). Na retaguarda, pela ordem de representatividade, vêm as funções de texto, informações, datas, procura e lógicas.
Logo de cara, fui à procura da função PROCV . Para quem não conhece, ela é representada no Excel em inglês pelo seu correspondente, VLOOKUP. Trata-se de uma ótima função que se pode utilizar quando, de posse de uma tabela de dados em que um dos campos é uma chave, utiliza-se esta mesma chave para preencher valores em branco, localizados em outra planilha ou arquivo. E não é que mesmo esta função está presente no Google Spreadsheets, inclusive utilizando-se dos mesmos argumentos da original, no Excel?
=VLOOKUP(A10,A1:B7,2,FALSE)
A presença de tal função — que eu sei que não é lá uma das mais complexas que o Excel oferece — me impressiona bastante, eu preciso dizer. Mas me lembra, ao mesmo tempo, de outra coisa que me chamou a atenção com relação à biblioteca de fórmulas, desta vez, um ponto fraco. Não há indicações claras de que argumentos são utilizados com cada uma delas. Toda e qualquer fórmula presente na lista do Google Spreadsheets possui apenas uma referência — (args) — que meramente indica que argumentos são necessários para que a fórmula em uso retorne resultados válidos e úteis.

Enquanto isso pode parecer um ponto fraco — facilmente contornável futuramente, é verdade —, usuários assÃduos da planilha eletrônica Excel não acharão dificuldade nenhuma em utilizar-se dos argumentos já conhecidos seus no programa mais famoso. Me parece, inclusive, que pode se tratar de um movimento silencioso do Google, implantando as funções do Excel tais como elas se encontram na ferramenta, para facilitar eventuais migrações de interessados, no futuro.
E o que mais?
Com toda a parte básica do Google Spreadsheets devidamente testada, me perguntei o que mais a ferramenta poderia oferecer. E aà entram alguns detalhes muito importantes.
No canto superior direito da interface da aplicação, por exemplo, encontramos um link chamado Share this spreadsheet. Tal funcionalidade exibe, ao ser clicada, uma janela onde podemos convidar pessoas tanto para editar o conteúdo que estamos criando, quanto para apenas visualizá-lo. Isso torna trabalhos em grupo, a meu ver, realmente muito mais simples: Tudo o que alguém precisa para qualquer um destes casos é ter, à mão, os endereços de e-mail dos contatos que deseja convidar e pronto. Pode sair por aà compartilhando conteúdo à vontade.
Outra coisa muito chamativa é o menu File que se encontra na planilha do Google. Ali, opções para criar uma nova planilha (New), abrir uma planilha que você já editou anteriormente (Open) — sim, porquê o conteúdo salvo por você vai sendo armazenado no próprio servidor da empresa e assim pode ser recuperado sob demanda através de uma janela em AJAX posicionada oportunamente quando necessário — e também para salvar a planilha com outro nome estão disponÃveis a um clique único do mouse do usuário.
Mas outras opções no menu chamam igualmente a atenção. Por exemplo, uma delas, Download as xls, permite que a planilha com a qual se está trabalhando atualmente seja salva em formato Excel. E neste caso, lembram-se da compatibilidade de funções entre o Google Spreadsheets e o Excel, que citei ainda há pouco? Pois então. Ela aparece aqui, mais uma vez, e todas as funções, no arquivo gerado, possuem compatibilidade out of the box. No caso da formatação empregada, seja ela qual for, o efeito é o mesmo: O usuário possui, portanto, uma via de duas mãos entre os dois programas, representada simplesmente por esta função.
Função, aliás, complementada por uma outra, Download as csv. Para aqueles que não conhecem o formato, trata-se do Comma Separated Values, nada mais do que um arquivo texto onde os valores contidos em cada célula da planilha são separados, como o próprio nome do formato diz, ente vÃrgulas (ou, muitas vezes, por ponto-e-vÃrgula). Essa facilidade permite a integração dos dados de qualquer planilha em outros programas, linguagens de programação e bancos de dados. O próprio Excel, diga-se de passagem, também é capaz de ler um arquivo CSV, além de salvar seus dados no formato. Mais uma função em comum, portanto.
Conclusões
Devido à mera falta de tempo que tenho enfrentado recentemente, levei mais tempo do que gostaria para concluir esta minha review. Assim, pode ser que eu tenha deixado de lado muita coisa sobre a qual eu gostaria de, inicialmente, ter realizado algum comentário adicional. Mas peço desculpas a vocês e prometo que, num futuro bem próximo, eu acrescentarei quaisquer novidades adicionais que eu julgue interessantes aqui. Por enquanto, aliás, ficarei devendo também uma galeria de imagens mais detalhada com os testes que realizei.
De qualquer forma, meu veredito final tem a ver, novamente, com segurança. Sei que por um lado as funcionalidades que a Google Spreadsheets demostra são bastante notáveis. É verdade que não podemos ainda nos dar ao luxo de programarmos macros em VBA, como eu já havia comentado anteriormente, nem gerar gráficos através da interface AJAX. Mas isso não é nem de longe um impeditivo para que, a qualquer momento, na necessidade de utilizar uma planilha eletrônica, alguém não possa contar com a versátil nova aplicação.
Agora, em termos de segurança, como eu ia dizendo, fica a dúvida: Como já me disseram algumas pessoas, será que disponibilizar dados on-line num ambiente teoricamente seguro é o que todos gostariam de fazer? Será que a popularidade da aplicação crescerá exponencialmente, como foi o caso em outras tentativas do Google? Só o tempo dirá se essa nova ferramenta — incrivelmente e indescritivelmente interessante — será uma febre, ou se estará confinada à intranets de empresas, ainda assim, neste caso, ameaçando de alguma forma Bill Gates e os seus.
Vale, sem dúvida, todo e qualquer teste. Aguardem, como é de costume, muitas novas implementações vindas por parte do pessoal de Mountain View. Todas elas, aliás, serão realmente muito bem-vindas, quando chegarem.
1 Citações
[...] Saiu no espanhol Cinco DÃas: em visita recente à Espanha, o presidente do Google Eric Schmidt declarou que a companhia não pretende ser um concorrente do Office da Microsoft, quando questionado sobre o lançamento do Google Spreadsheets (uma boa análise dessa ferramenta está disponÃvel aqui). Essa declaração é reforçada com outra: “Tentamos não copiar nada, sempre oferecemos serviços com algo diferente” [...]
6 pensamentos
Ai Dany
O meu também chegou no outro dia. Estou testando o meu também
Ah… te mandei emails que voltaram… sei lá o que aconteceu…queria falar contigo.
Bjo
Gil
Depois do Calendar, era a única coisa que faltava ao Google pra ficar perfeito!
Já mandei minha planilha de contas pra lá e tô usando direto hehehee. Como controle pessoal de gastos é uma mão na roda.
Acabei de entrar la pra pedir um convite só que nem precisou só loguei com minha conta do GMail e a planilha apareceu.
Acho que não precisa mais de convite, ou ja uso tantos serviços do Googles que eles ja estão me convidando automatico =D
Já passei ao Google Spreadsheets duas planilhas que uso com freqüência. A facilidade de acesso foi o motivo principal e os recursos oferecidos atualmente são mais do que suficientes para mim. Ao meu ver, fizeram um bom trabalho, não só no Spreadsheets como no Calendar também, outra ferramenta que vem se mostrando muito útil a mim. T+!
Por favor,
tanks
Gostaria de saber se há algum comando no teclado para mesclar células?
Ñ gosto muito do excel, mas o meu trabalho requer muito do excel,
gostaria de alugumas dicas.
Desde agradeço.