Cérebro, o pai da mentira?
30/01/2006
Vocês conhecem um instrumento chamado polígrafo? Em vários filmes de ação e do gênero policial, é muito comum encontrá-los em cena. É que estes aparelhos são usados pelos especialistas na detecção de mentiras, medindo mudanças na respiração, pressão arterial e resistência elétrica da pele do indivíduo sendo investigado e – se este estiver emocionalmente perturbado – dizendo se as afirmações realizadas são verdades ou não.
Há um problema histórico com estes aparelhos, no entanto. Embora se proponham a diferenciar fatos de invencionices, não são lá os reis da precisão. Mentirosos experientes podem, em certas condições, enganar os polígrafos. É por isso que muitos tribunais desconsideram as análises realizadas durante julgamentos, confiando apenas nos jurados para determinar quem está ou não sendo sincero.
Mas uma nova técnica promete acabar com essa história e finalmente fazer com que testes anti-mentira sejam aceitos como provas irrefutáveis. Batizada de Functional Magnetic Resonance Imaging, ou fMRI, trata-se de um procedimento empregado nos estudos do cérebro humano, que agora também deverá servir como detector de mentiras.
Mas embora as Universidades da Carolina do Sul e da Pensilvânia estejam em plena fase de testes, obtendo em média 90% de acertos com um scanner cerebral em relação às mentiras, ninguém sabe ainda se a técnica será mais confiável do que a do polígrafo. O argumento dos defensores do fMRI é que a análise é feita diretamente no centro da mentira, o cérebro, não usando medidas secundárias como a pressão arterial, por exemplo.
Já tem gente criticando o novo scanner e relacionando o aparelho com questões de privacidade. Novamente, aqueles que o defendem contra-atacam, pois dizem que é preciso que a pessoa concorde em passar pelo detector de mentiras, sendo que ninguém pode forçá-la a fazer isso, tal como já acontece com os polígrafos atuais. Eu assino embaixo, e acredito que privacidade não seja um problema neste caso, realmente.
Ainda será preciso investigar os resultados do aparelho em pessoas que não estejam entre 18 e 50 anos de idade, a faixa etária escolhida para os testes. Também ainda não se sabe os efeitos da detecção de mentiras em pessoas que estejam tomando medicação. De qualquer forma, tudo o que puder auxiliar no combate ao crime me parece uma idéia fantástica. Esta, então, parece daquelas que saem de livros de ficção científica, o que a torna especialmente interessante pra mim. Vamos ver o que pode sair dessa pesquisa.
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