Imagens valem mais que…
15/01/2006
…mil palavras, já diziam alguns ditados populares sábios, e também pessoas de igual sabedoria, não é mesmo? Talvez por isso é que muita gente goste de fotografia — eu, é claro, estando incluído nesta conta, embora minhas fotos não sejam nada profissionais — e também de qualquer outra forma de visualização de imagens. Cartões postais, por exemplo.
Me lembro de, quando moleque, trocar correspondência com diversos amigos dessa forma. A maioria deles, como eu estava aprendendo inglês na época, morava ou nos Estados Unidos, ou na Alemanha. Cheguei também a conhecer uma menina na Grécia, então. Invariavelmente, de todos eles, recebi alguns cartões postais. Era interessante ver os locais — famosos ou não — de outros países, retratados nestes pequenos pedaços de papel que são tão antigos que os primeiros que surgiram datam de algo por volta de 1870.
Com o advento da Internet tudo se virtualizou, e não se podia esperar que com os cartões postais fosse diferente. Muitos viraram e-cards, não passando de uma página web ou animação em Flash que a pessoa atualmente recebe após alguém informar seu endereço de e-mail em conjunto com mensagens personalizadas cheias de emoticons. Os cartões-postais, assim, graças à rede mundial de computadores, se tornaram uma das coisas mais impessoais do mundo, sem-graças mesmo.
Num mundo em que câmeras digitais — quer embutidas em telefones celulares quer não — dominam as prateleiras das lojas e os sonhos de consumo de muita gente por aí afora, que pode registrar momentos felizes e divulgá-los por e-mail ou dividindo-os através de albuns on-line, talvez não haja mesmo mais espaço para os antigos cartões postais. Ou talvez, penso eu, tudo o que os cartões precisem seja uma remodelagem. Os vovôs de papel precisam de um passaporte para o século XXI.
Stuart Calvey, um estudante de design industrial da Austrália, com apenas 22 anos, pode ser o pai deste passaporte. Um novo conceito inventado e batizado por ele de Snap+Send Postcard é um aparelho que possui recursos de câmera digital com lentes de dois megapixels, uma tela de LCD de 10 centímetros, memória digital e bateria interna.
Projetado para ter baixo custo — cerca de US$ 25 — e ser descartável, o cartão postal eletrônico não contaria com recursos como zoom e exclusão de imagens. Mas seria tão fino, leve e barato que, com um selo, poderia ser enviado pelo correio facilmente. Alguém em meio a uma viagem tiraria fotos, transformaria tudo num pequeno slide show e o endereçaria à avó ou à namorada, que, por sua vez, poderiam levá-lo a uma loja de revelação local e imprimir as imagens que quisessem.
Enquanto o próprio criador admite logo que seu invento nunca competiria com câmeras digitais mais caras, ele acredita que pelo menos poderia competir de igual pra igual com as câmeras de telefones celulares. Enquanto isso, eu mesmo sou capaz de imaginar vocês lendo este post e se dando conta que e-mail é muito mais rápido e barato do que gastar US$ 25 e ainda mais despesas de postagem para enviar um aparato eletrônico pelo correio. Mas me digam uma coisa: Há ou não há um certo romantismo em enviar — e é claro, receber — cartões postais pelo correio? Ainda que se pareçam mais com pequenos palmtops…
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No. 1 — 16/01/2006 @ 09:31
A idéia é interessante, mas não sei se se tornaria febre. Os motivos estão no texto: preço relativamente alto, custo x benefício baixo e falta de recursos. Acho que é mais válido mandar uma carta, dessas normais, e paralelamente um e-mail com as fotos da viagem. Assim dá conciliar o romantismo dos correios, com a facilidade dos tempos modernos.
[]’s
No. 2 — 16/01/2006 @ 09:33
Tái, a idéia não é má!
um compraria um negocinho desse, óbvio, se o valor fosse 25 reais e não dollares, pra uma vez ou outra mandar fotos do jeito antigo ^^
Só uma pergunta: como vc coloca essas imagens como titulo?
No. 3 — 23/01/2006 @ 14:08
Claro que há romantismo! Ainda cho uma delícia receber cartas ou cartões pelo correio, embora 95% do que recebo sejam propagandas e contas… Mandar cartões postais quando se está viajando também é gostoso - comprar aquele cartão, para aquela pessoa, escrever, deixar na portaria do hotel.
Eu, que sou fanática por fotografias, ainda faço álbuns de viagem com fotos impressas…