De olho no seu carro
06/12/2005
Não é segredo pra absolutamente ninguém que, em época de baixa temporada, os hotéis no litoral cobram menos por suas diárias, devido à baixa procura. Da mesma forma, procure pensar — se você alguma vez já viajou de avião — se não pagou mais barato pela passagem fora da época de férias ou final de ano. É normal que, a exemplo dos hotéis que já mencionei, as companhias aéreas também adotem uma redução de tarifas em certas épocas do ano, tudo para buscar mais clientes.
Acredito que seria uma coisa extremamente interessante adotar um sistema similar para as rodovias onde há cobrança de pedágio. Assim, motoristas trafegando em horários de pico pagariam mais pelo uso da rodovia, enquanto que aqueles que trafegassem em horários como a madrugada pagariam muito menos, aliás, virtualmente nada. Não estava com essa idéia na cabeça, pelo menos não até ler um artigo hoje pela manhã, que remetia a uma idéia mais antiga do Departamento de Transportes Americano: O órgão tem financiado uma série de projetos-piloto que visam rastrear eletronicamente todos os veÃculos, tendo por base um sistema GPS que viria pré-instalado nos carros, e que retornaria sua posição aos satélites que o rastreassem, através de ondas de rádio.
O problema destes dispositivos de GPS — a base para cobrança diferenciada pela utilização das rodovias — é que eles têm sido projetados e utilizados nos pilotos sem levar em consideração a privacidade das pessoas. Alguns sistemas de GPS se comunicam o tempo todo com os satélites, enquanto outros armazenam dados para revisão futura — como caixas-pretas de aviões. Segundo li, ainda, no estado de Oregon, a posição do veÃculo é transmitida sempre que o motorista para em um posto de gasolina.
Eu adoro questões relacionadas à privacidade pessoal e tecnologia. Enquanto defendo plenamente iniciativas como a biometria, por exemplo, acho o cúmulo que um rastreamento de veÃculos deste porte possa ser usado, por exemplo, para que a polÃcia rastreie o carro de alguém 100% do tempo. Ou que advogados descubram maridos e esposas traÃdas pelo local onde o carro estava em determinado momento. Ou, ainda, que uma companhia de seguros cobre mais caro para consertar o carro de alguém que passou uma horinha a mais naquele barzinho da esquina.
O governo americano, no entanto, quer criar polêmica, pois pretende fazer com que o aparelho GPS tenha sensores que impeçam o veÃculo de funcionar caso ele seja desconectado do carro. Imaginem um defeito no aparelho fazendo com que o motor pare, logo em seguida. Seria o cúmulo. É certo que, de acordo com pesquisas realizadas nos EUA, menos de 7% da população se preocupa em ter as informações do veÃculo transmitidas o tempo todo. Mas mesmo assim, que tal uma solução menos invasiva? Sensores à beira das rodovias poderiam debitar valores diferenciados — dependendo do horário em que o motorista trafegasse por uma ou outra via — diretamente da conta-corrente das pessoas, sempre que detectassem a presença do carro, ainda assim mantendo a privacidade do motorista. Tal como num cartão bancário.
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No. 1 — 07/12/2005 @ 10:26
Pensei justamente no caso em que uma pessoa casada com outra, vai ao motel com ooooutra
…
Cara, pense também, se inventam um aparelhinho GPS ( bem pequeno ) que você gruda no carro de outra pessoa … ou na ropa …
Eu nunca utilizei nada que possua GPS. Sei pouca coisa a respeito, mas isso da muita idéia doida na cabeça da gente.
No. 2 — 08/12/2005 @ 08:11
Sei lá, monitoramento 24 horas é meio que forçar a amizade… Acho isso muito bom pra frotas e empresas, mas definitivamente em casos civis, a privacidade vai pro saco…