2b? Nt2b? ???

Considero uma novidade surgida esta semana bastante controversa, no que diz respeito à leitura. É que alguns clássicos da literatura inglesa, entre eles Romeu e Julieta, de Shakespeare, foram condensados em pequenas mensagens de texto para auxiliar os estudantes, na hora em que eles precisarem de um resumo do livros para estudar para suas provas. A iniciativa, criada pelo professor John Sutherland , da University College London, transformou a célebre frase “To be or not to be, that is the question” no conjunto de caracteres que dão título a este post.

O motivo de achar a coisa controversa é simples: Por um lado, entendo que os estudantes precisam de toda ajuda possível quando vão memorizar alguma passagem ou parte do enredo que seja mais importante nos livros. Como são vários deles, o tempo conta muito, e mensagens de texto resumidas parecem vir bem à calhar. Mas por outro, imaginem a mesma idéia sendo aplicada em outros países, como aqui no Brasil. A população brasileira já lê bem pouco, e, por incrível que possa parecer para alguns, tenho certeza de que, se vocês pensarem bem, vão lembrar de uma ou outra pessoa que conhecem, que prefira livros pequenos, com letras grandes e cheios de figuras. Com mensagens de texto abreviadas, o incentivo a ler um bom livro, obtendo conhecimento e cultura, seria ainda menor.

Sem contar que trechos de livros abreviados como na reportagem que li seriam uma afronta à nossa língua portuguesa. É impossível que eu não associe tais resumos com a forma que algumas pessoas utilizam para se comunicar em instant messengers, mensagens de e-mail e, até mesmo, em seus sites pessoais, ao escreverem seus textos. Abreviar a palavra você como vc é até compreensível. Mas começar a substituir muito além disso torna a escrita pouco compreensível, como já tive oportunidade de comprovar, ao tentar ler diversos textos por aí afora. Posso estar sendo chato, mas aprecio um texto bem escrito e, embora não seja nenhum Professor Pasquale, gostaria que esse fosse o padrão a ser seguido por todos. Será pedir demais?

Popularity: 11% [?]

5 pensamentos sobre “2b? Nt2b? ???”

  1. Coeli writes:

    Amém! :)

    Se isso vier para o Brasil vai ser catastrófico.

    Escrevo super mal, mas o pouco que sei evito ao máximo cometer erros. Antes eu escrevia abreviando na Internet, depois percebi que no mínimo eu estava sendo burro. Desde então comecei a escrever tudo certinho em e-mails, programas de bate-papo, etc.

  2. aissegoo writes:

    Eu acho que isso pode pegar aqui sim, brasileiro evita ao máximo trabalho, qualquer resumo ou simplificação é bem aceita. Veja as msgs dos “jovens” hj em dia na internet, é no minimo impossivel de se ler.

    Como o Coeli, eu tb escrevia tudo errado e como se pronunciava aqui na internet. ME ARREPENDO AMARGAMENTE DISSO. Agora quero escrever certo, como se deve e não consigo mais, alias, está sendo dificil voltar a escrever certo. Estou a cada dia tentando melhorar, procurando sempre não cometer os erros, um dia eu volto ao normal. Ainda me pego com alguns erros bem podres de vez em quando, mas, o jeito é reconhecer e aprender o certo.

    []s Daniel, até o proximo post :D

  3. Neto Cury writes:

    Vc axa mesmu? Axu q vc ta exagerandu… :D

  4. Rodrigo P. Ghedin writes:

    Depois que o TeleCine lançou aquela sessão de filmes com legendas em “internetês”, eu não duvido de mais nada.

    Quero ver no futuro, quando os aborrecentes de hoje forem os businessmen de amanhã. Imagine a dificuldade que será encontrar alguém que saiba pelo menos escrever corretamente… Se bem que, desse modo, sobra mais espaço para os bons, e a seletividade terá mais força do que nunca.

    Abraços!

  5. Watching Over Me » Blog Archive » É o internetês… writes:

    [...] Fiquei apavorado, agora ao ver no blog do meu amigo Daniel Santos, que um professor condensou textos clássicos da literatura para auxiliar os alunos nas provas. [...]