É Amanhã!

Domingo, 23 de outubro de 2005. Então será amanhã que nosso tão estimado governo promoverá a mobilização de seus cento e vinte e dois milhões, cento e dois mil e setecentos e quarenta e seis eleitores para que deixem seus lares, levando em média cinco segundos para votar naquilo que, segundo muitos afirmam, mudará os destinos da população. O referendo que consultará a opinião pública, perguntando se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido em território nacional. O custo dessa operação toda? Algo em torno de 210 a 240 milhões de reais, vindos dos cofres públicos.

Exercer a democracia sempre foi o direito majoritário de todos os brasileiros. Mas este referendo adiantará de alguma coisa, em termos práticos? Seja a minha ou a sua resposta qual for, será que apenas proibir a venda de armas de fogo será suficiente pra mudar alguma coisa? É mais do que óbvio que não. Mas duas frentes populares, a do NÃO e a do SIM, ocuparam os televisores de muitos brasileiros duas vezes ao dia e durante dias a fio, numa batalha tão grande que parecia realmente que a simples resposta a esta questão fosse resolver todos os problemas da nação.

Onde estão as verdadeiras ações públicas do governo? Aquelas que quem vai às urnas durante as eleições, escolhendo com fé seus candidatos, deveriam cobrar, posteriormente, daqueles que elegeram? Esse sim é, verdadeiramente, um direito reconhecido. Onde estão brasileiros nas ruas, tal como na época do impeachment de Fernando Collor, com suas caras pintadas, cobrando mais segurança, educação e emprego? Afinal, acredito eu, as palavras é que são as verdadeiras armas do povo. E estas, ninguém pode lhes tirar.

E enquanto os governantes tiram a atenção do povo com o referendo, no Congresso e no Senado as histórias de cassação de deputados e senadores vão aos poucos se transformando em pizza. Tudo aquilo ao que os brasileiros deveriam estar realmente prestando atenção fica em segundo plano.

Em tempo, a confusão na cabeça das pessoas ainda pode ser bastante grande. Você precisa votar não se quiser que sim, e sim, se quiser que não. Não entendeu? Tente dar uma olhada aqui e ver se melhora. Agora falando sério, não deixem de ver os dois centavos do meu amigo Alexandre Inagaki sobre o desarmamento. E amanhã, vote com consciência. Ainda que não seja a solução definitiva.

ATUALIZAÇÃO: E, como eu previa, a vitória esmagadora do NÃO apenas veio comprovar aquilo que eu já imaginava. Os brasileiros não querem tirar de si próprios um direito adquirido. E viva a democracia!

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5 pensamentos sobre “É Amanhã!”

  1. Coeli writes:

    Eu vou é encher a cara de Coca-cola e vou votar bêbado \o/

  2. Neto Cury writes:

    Belo texto, parabéns meu amigo.
    []s

  3. Paulo writes:

    Oi Daniel,

    Concordo com vc plenamente, acho que esse referendo está desviando a atenção da população, mas tb está tampando o sol com a peneira.

    Pois acredito que ainda há pessoas que encherguem a verdade, ainda que seja uma minoria.

    Até mais.

  4. kadu writes:

    hoje vi no jornal que foram gastos 500 milhões nessa cortina de fumaça sem precendentes na história do país… e foi hoje meu rapaz, o referendo acabou e o NÃO ganhou, ainda temos direitos nessa pátria:)

  5. Marcus Danillo writes:

    É… o referendo acabou na mesma e uma bela bufunfa foi jogada no lixo. Ah! A campanha do desarmamento se encerrou ontem também, deveria ser prorrogada mais um pouco, pois muita gente deve ter adiado a entrega de sua arma para o caso de o SIM ganhar.