Já era tempo!

Faz um tempo considerável que eu estou nessa grande rede de computadores que é a Internet. Tempo suficiente pra dizer que eu assisti à padronização — ainda que em termos — de um dos serviços mais populares entre seus usuários, o serviço de e-mail. Milhões de usuários e de empresas, através de seus programas de correio eletrônico, aprenderam que, quando se utiliza um único padrão — ainda que nesse caso sejam dois deles, o POP3 e o IMAP —, os ganhos são maiores do que as perdas. E é por isso que há mais de uma década todas estas pessoas têm recuperado suas mensagens dos seus servidores tranquilamente, através de um destes protocolos.

Quando mudamos o terreno e andamos pelas terras das trocas de mensagens instantâneas, a coisa muda um pouco de figura. Hoje dominado de longe pela America OnLine, com seus AIM e ICQ — este último adquirido da Mirabilis, empresa israelita que o criou em novembro de 1996 —, o mercado de instant messaging tem outros heavy players. Que o diga a Microsoft, que, sozinha, através de seu MSN, arrebanhou vários dos usuários da própria America OnLine para seu próprio serviço mensageiro.

A Microsoft, aliás, passou a contar com outros concorrentes em sua batalha para dominar este nicho de mercado, numa batalha contra ICQ e AIM. O Yahoo Messenger, do Yahoo, e o próprio Google Talk, lançado recentemente pelo Google, são grandes competidores seus. Todos, invariavelmente, aliás, implementam de uma maneira ou outra algum nível de possibilidade de utilização de VoIP, tecnologia que permite conversar através de voz como se estivéssemos em uma ligação telefônica, cujo principal destaque (ainda) é o Skype.

Quando o Google lançou seu próprio mensageiro, pregou sua universalização de protocolos, tal como acontece com o e-mail há tempos. Nesta linha, a empresa fez com que seu Google Talk fosse desenvolvido para compatibilidade com o protocolo XMPP, cujo principal representante ainda é o impopular Jabber, mas que conta com diversos outros programas o suportando. E é enquanto não se decide por uma universalização neste ramo que desenvolvedores tentam preencher as necessidades de quem tem muitas contas em vários destes serviços. O Miranda Instant Messenger e o Trillian são apenas dois dos exemplos de clientes multi-protocolo, para concentrar contatos de várias redes diferentes sob um único programa.

Mas é justamente a universalização que parece querer começar a sair do papel. E, ao contrário do que temos nos acostumado a ver, não terá sido por iniciativa do Google. Apesar de seu desejo neste sentido, serão Yahoo Messenger e MSN que permitirão a intercomunicação entre seus produtos.

A parceria anunciada hoje pelos dois serviços deverá começar a vigorar a partir de junho do ano que vem. Um usuário do MSN poderá conversar diretamente com um do Yahoo Messenger, e vice-versa, à partir de então. O acordo fará com que a base de usuários de ambos se torne quase tão grande quanto a da própria America OnLine, que não se sabe ainda se também abrirá sua própria rede.

A universalização, afinal de contas, não é uma má idéia: Se deu certo pros programas de e-mail, cá pra nós, descontadas as implicações comerciais de um acordo deste porte, é bom saber que gigantes do ramo estão tentando se entender. Quem sabe, num futuro bem próximo, cada pessoa possa finalmente se ater à seu mensageiro favorito, num mundo em que todos eles troquem mensagens, sejam elas de texto, vídeo ou de voz, através de uma única via de transmissão. Seria o fim, acredito eu, de mensageiros multi-protocolo como os que citei, mas a mudança ainda assim seria bem-vinda, no meu entender. Acho que a única briga nesse caso seria a da padronização dos famigerados emoticons. Mas esses, prefiro é desabilitados mesmo.

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