PayPass

Quando saímos às compras aqui em casa, e eu preciso pagar alguma coisa com cartão, minha esposa, talvez por ficar meio ressabiada, sempre me pede pra manter os olhos bem atentos com relação ao paradeiro dele durante a transação. Nesses tempos em que as ameaças virtuais assolam os computadores em forma de scams e toda a sorte de golpes virtuais, nada mais correto do que manter a atenção também no mundo real. Afinal de contas, por mais difícil que seja, você sempre corre o risco de ser vítima de clonagem, ou de qualquer um desses golpes tão divulgados pelas correntes de e-mail por aí afora.

Sempre achei que o melhor mesmo seria que você nem precisasse sacar seu cartão pra fazer uma compra ou pagamento. Algum mecanismo instantâneo para aumentar os níveis de segurança sempre foi uma espécie de sonho secreto meu. Mas isso sempre me pareceu enredo de livro de ficção científica ou de filme de Hollywood. Até que a Mastercard tirou da manga sua mais nova invenção, à qual batizou de PayPass. O novo produto — que começou a ser emitido pelo banco HSBC apenas nos EUA — é, nada mais, nada menos, do que um cartão de crédito equipado com tecnologia RFID, permitindo a seu proprietário realizar transações por meio de ondas de rádio.

A coisa tem tudo pra ser sensacional. Isso porquê a tecnologia permite que as coisas aconteçam sem que seja necessário tirar o cartão do bolso da camisa, ou da carteira. Se o estabelecimento em que você estiver possuir uma antena de radiofreqüência que seja compatível com a tecnologia, bastará que você se aproxime do equipamento e pronto. A transação será computada automaticamente, e o valor correspondente, debitado em conta instantaneamente, como num cartão de débito convencional. É a viabilização plena do dinheiro de plástico.

No Brasil a implantação da tecnologia ainda vai depender do interesse dos bancos. Enquanto outros estabelecimentos financeiros americanos já demonstraram interesse na nova tecnologia e lanchonetes, cinemas e diversos outros tipos de comércio já anunciaram abertamente que vão aceitar o novo padrão em seus modelos de negócio, o que me preocupa mesmo é a invencionice dos golpistas. Enquanto ficar de olho em meu cartão durante uma compra pode parecer antiquado, pelo menos por enquanto ainda me parece mais seguro do que estar andando por aí com meu dinheiro no bolso e ser roubado eletronicamente, por alguma antena bisbilhoteira de assaltante hi-tech. Mas minha curiosidade talvez me vença se a coisa chegar por aqui… Vamos ver, não é mesmo?

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