Concepção Virgem

Certos assuntos são bastante complicados de debater. Experimente, numa roda de amigos qualquer, puxar conversa sobre pena de morte, aborto, ou até mesmo, em alguns casos, política. Dificilmente você chegará a um consenso a respeito de qualquer um desses temas. E podemos incluir as pesquisas sobre células-tronco embrionárias no meio desta categoria, sem pestanejar: Isso porquê muita gente é contra pesquisas nessa linha, justamente porquê há diversas controvérsias com relação ao momento exato em que uma vida humana se inicia.

O corpo humano é composto de 216 tipos de tecidos diferentes, e as células-tronco, denominadas pluripotentes, podem se transformar em qualquer um deles. Por enquanto, justamente devido à polêmica, são utilizadas medicinalmente apenas aquelas que se originam de seres humanos adultos, colhidas principalmente na medula óssea, mas também sendo encontradas nos cordões umbilicais. A utilização destas células visa obter sucesso, no futuro, na cura de doenças como a diabetes ou os males de Alzheimer ou Parkinson, por exemplo.

Enquanto as opiniões não chegam a um consenso a respeito das células embrionárias, um grupo de cientistas ingleses parece ter decidido contornar a questão: Eles inventaram um método que permite a criação de embriões humanos sem que haja necessidade de uma fertilização ou de uma clonagem. Os embriões criados a partir deste método, batizado pelos próprios cientistas de “concepção virgem”, têm apenas 50 células, não podendo jamais se desenvolver a ponto de se tornarem seres humanos completos. Os estudiosos à frente da pesquisa acreditam que esta nova técnica, que estimula os óvulos femininos com impulsos elétricos, provocando sua fecundação sem que haja contato com espermatozóides ou qualquer outro material genético, pode abrir caminho para uma nova fonte de células-tronco.

Eu sou completamente a favor das pesquisas com essas células. Se elas podem ajudar a gerar ou reconstituir qualquer tecido do corpo humano, e se isso servir para encerrar ou, pelo menos, amenizar o sofrimento de quem está à mercê de doenças muitas vezes incuráveis, então acho que devem ser deixadas de lado as controvérsias, e investido o tempo e o recurso que for necessário para buscar alívio a quem precisa. Mas acho que, pelo menos por enquanto, essa nova descoberta científica vai servir apenas para jogarmos mais lenha nessa fogueira, que já é grande o suficiente.

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