O modelo ADKAR e o respeito à faixa de pedestres

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Escrito em 11/11/2019 3 minutos de leitura

Recebi por WhatsApp nesta semana um vídeo muito interessante: trata-se de uma campanha de conscientização idealizada pela Société de l’assurance automobile du Québec (SAAQ), órgão canadense equivalente ao Detran brasileiro para os habitantes da província do Quebec.

O vídeo, publicado pela SAAQ em seu canal do YouTube no último dia 30 de outubro, mostra a dificuldade que os pedestres têm em atravessar a rua utilizando a faixa apropriada para isso.

Acontece que, a exemplo do que ocorre num certo país da América do Sul, os motoristas quebequenses não são exatamente os mais amigáveis e compreensivos, e não param para deixar as pessoas atravessarem - até que são surpreendidos:


A surpresa, inevitável, congela os desavisados. Afinal de contas, ninguém esperaria por isso, não é mesmo? Mas o que efetivamente me chamou a atenção foi exatamente o choque frente a uma situação inusitada.

Às vezes estas situações inusitadas são justamente o que precisamos para provocar um exame de consciência, uma reflexão, que pode, por sua vez, estimular uma mudança de cultura. E eu não pude deixar de associar o pensamento sobre mudança cultural à metodologia ADKAR, cujas etapas também podem ser aplicadas no âmbito pessoal. Vejamos, na prática:

  • O motorista, neste caso, se torna consciente (awareness) de sua situação atual, e assim reconhece que deveria mudar seu comportamento e forma de condução;
  • Em seguida, desenvolve o desejo (desire) de se comportar diferente, normalmente com base em um forte porquê - por exemplo: e se a pessoa que estivesse atravessando a rua fosse um amigo ou familiar dele? Provavelmente ele não gostaria que algo de ruim acontecesse a um semelhante atravessando a rua;
  • Após o despertar do desejo, o motorista se dá conta de que já tem à sua disposição o conhecimento (knowldege) para mudar: sabe as normas de trânsito, sabe o que é certo, apenas talvez tenha se esquecido… e foi lembrado, pela situação, de como deve fazer para agir corretamente;
  • Como sabe o que deve fazer, nosso amigo motorista coloca em prática suas habilidades (ability, ou, para ser justo neste caso, abilities), treinando e se policiando continuamente para que as habilidades se tornem hábitos;
  • Finalmente ele passa a sentir impulsos naturais por reforço do (novo e relembrado) comportamento (reinforcement): conversa com amigos, parentes, conhecidos… e divulga o bom comportamento, a boa prática.

É evidente que está associação que realizei entre a (provável) mudança de cultura dos motoristas do vídeo canadense e o emprego do modelo ADKAR foi meramente ilustrativa - a maioria dos motoristas não se depararia com algo tão inesperado assim.

Ainda assim, minha intenção foi nos fazer pensar sobre nossos hábitos diários, sobre as mudanças, muitas vezes simples, que podemos começar a aplicar. Mesmo que sejamos o tipo de motorista que espera até que os pedestres atravessem a rua, há sempre espaço para mudanças positivas, não é mesmo?

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