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Na China fala-se inglês melhor do que no Brasil!

Hoje me deparei com uma pergunta no Quora sobre as áreas do mundo em que o conhecimento de inglês é mais inútil.

Embora esta seja uma pergunta cuja resposta é extremamente subjetiva, devo dizer que sempre ouvi falar de lugares em que falar inglês realmente não te ajuda em muita coisa, notadamente a França, que já tive a oportunidade de visitar por duas vezes e onde, efetivamente, entendo que o inglês não é muito útil, a menos que você esteja em aeroportos ou grandes centros como a capital, Paris. Além disso, embora eu nunca tenha estado em países como a China, amigos que conheço me contam que o inglês por lá é muito, muito, muito ruim.

Mas é aí que a coisa fica interessante: Uma das respostas à pergunta no site do Quora cita o EF EPI, ou English Proficiency Index, indíce que busca classificar os países do mundo conforme o nível médio de habilidade no idioma inglês entre suas populações adultas. O índice é uma criação da EF Education First, e seus resultados têm como base dados coletados a partir de testes de inglês disponíveis gratuitamente na internet. Eu fiz um teste destes, em 15 minutos, por curiosidade, e falo sobre isso logo mais.

Minhas ideias estavam erradas!

Obviamente, fui verificar o relatório EF EPI de 2016. Este ano foi o sexto em que a publicação de resultados ocorreu, levando em conta 950.000 testes realizados em 2015. Ao todo, 69 países e 3 territórios compuseram as classificações, sendo que pelo menos 400 provas tinham que ser feitas por país para que este entrasse na conta.

Aprendi que o relatório classifica os países em faixas de proficiência, que, segundo consta no documento, servem para exemplificar tarefas cujos habitantes em média conseguem realizar com facilidade. Existem 5 faixas no total:

PROFICIÊNCIA MUITO ALTA
Usar linguagem diferenciada e apropriada em situações sociais
Ler textos complexos com facilidade
Negociar um contrato com um falante nativo do inglês
PROFICIÊNCIA ALTA
Fazer uma apresentação no trabalho
Compreender programas de TV
Ler um jornal
PROFICIÊNCIA MODERADA
Participar de reuniões em uma área de especialização
Entender letras de músicas
Escrever e-mails profissionais sobre assuntos conhecidos
PROFICIÊNCIA BAIXA
Navegar em um país de língua inglesa como turista
Envolver-se em conversas com colegas
Entender e-mails simples de colegas
PROFICIÊNCIA MUITO BAIXA
Apresentar-se com simplicidade (nome, idade, país de origem)
Compreender sinais simples
Dar instruções básicas para um visitante estrangeiro

A média mundial do índice foi, em 2016, de 52,74 pontos.

O Brasil está na quadragésima posição dentre os 72 participantes, com nota total 50,66 e classificação considerada de proficiência baixa. Em relação à comparação com a América Latina, estamos apenas na quinta posição. A Argentina é a líder e, pasmem, a República Dominicana vem em segundo!

Logo constatei que minhas ideias estavam erradas:

  • França, mesmo com minhas impressões pessoais dizendo o contrário , ocupa uma excelente vigésima nona posição geral, embora, na Europa, esteja na vigésima segunda de um total de 26 países que constaram do relatório;
  • A China foi quem me surpreendeu. Nossos amigos orientais estão uma posição na nossa frente, com nota 50,94! Isso significa que, na média, eles falam melhor do que nós… ligeiramente, mas ainda assim, melhor.

Voltando a falar do Brasil, o relatório também mostra a situação dentro do país. Neste caso, o Distrito Federal lidera, e São Paulo está na terceira posição.

A curiosidade matou o gato

Já dizia isso aquele velho ditado, não é mesmo?

Eis que ao investigar o site da EF para obter informações para este texto que escrevo, me dei conta de que eles oferecem mecanismos para testar o inglês na hora. E é claro que eu não podia deixar de fazer um teste desses…

Apesar do esquemão de prova, com contagem regressiva dos 15 minutos e tudo mais, as questões compreendem vocabulário e listening comprehension. Em ambos os casos tratam-se de itens com múltipla escolha.

Depois de decorrido o teste, que completei com cerca de 4’30” de folga, obtive a classificação que esperava, dado que fui professor de inglês:

O que achei interessante, no final das contas, é que, posteriormente, estes resultados farão parte das estatísticas que irão compor a edição 2017 do índice de proficiência. Assim, matei dois coelhos com uma única cajadada: Contribuí para a pesquisa e consegui acrescentar meus resultados ao Linked in, a partir de sugestão e link automático dentro do próprio site da EF, o que, não posso deixar de dizer, é muito legal.

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Comentário

  1. Eu acho que países como Brasil e China são tão grandes e autossuficientes que eles basicamente não precisam de tanto contato com o mundo externo, o que torna a necessidade inglês menos comum para sua população.

    E muito interessante esse teste, já salvei aqui para quando tiver um tempo ir lá abaixar nossa média.

    • Bom ponto, Danillo e, se pensarmos bem, para qualquer país cuja língua inglesa não esteja entre os idiomas nacionais, o percentual de população que não fala inglês será sempre maior que o que fala. Quanto ao teste, ele é mesmo muito interessante, e rápido de fazer. Não deixe de experimentar! Abraço!